sábado, 14 de março de 2026

EVANGELHO DO DIA 14 DE MARÇO

Evangelho segundo São Lucas 18,9-14. 
Naquele tempo, Jesus disse a seguinte parábola para alguns que se consideravam justos e desprezavam os outros: «Dois homens subiram ao Templo para orar; um era fariseu e o outro publicano. O fariseu, de pé, orava assim: "Meu Deus, dou-Vos graças por não ser como os outros homens, que são ladrões, injustos e adúlteros, nem como este publicano. Jejuo duas vezes por semana e pago o dízimo de tudo quanto possuo". O publicano ficou a distância e nem sequer se atrevia a erguer os olhos ao céu; mas batia no peito e dizia: "Meu Deus, tende compaixão de mim, que sou pecador". Eu vos digo que este desceu justificado para sua casa e o outro não. Porque todo aquele que se exalta será humilhado e quem se humilha será exaltado». 
Tradução litúrgica da Bíblia 
São Gregório Magno
(540-604) 
Papa, doutor da Igreja 
Morais sobre Job, livro XII, SC 212 
A humildade do coração 
Muitas vezes, o justo que é vencido pela adversidade – tal como aconteceu ao bem-aventurado Job, que, depois de uma vida justa, foi atingido por uma série de flagelos – é obrigado a relatar as suas boas ações. Mas, quando ouve a palavra do justo, o injusto vê nela orgulho em vez de sinceridade, pois julga as palavras do justo com o seu próprio coração e não acredita que as palavras do sábio possam ser proferidas com humildade. Com efeito, se é uma grave falta reivindicar o que não se é, muitas vezes não há falta em reconhecer humildemente a virtude que se possui. Assim, acontece frequentemente o justo e o injusto proferirem as mesmas palavras; mas os respetivos corações estão muito longe de se assemelharem e, consoante vêm do injusto ou do justo, as palavras ofendem ou agradam ao Senhor. Assim, o fariseu que foi ao Templo dizia: «Jejuo duas vezes por semana e pago o dízimo de tudo quanto possuo»; mas o publicano saiu do Templo justificado, e ele não. Também o rei Ezequias, estando gravemente enfermo e próximo do fim da vida, dizia, compungido, na sua oração: «Lembrai-Vos, Senhor, como tenho procedido fielmente e de coração sincero na vossa presença» (Is 38,3); e o Senhor não responde a essa declaração de perfeição com desprezo ou a rejeição, mas atende imediatamente a sua oração. Temos, pois, o fariseu, que se declarou justo nas suas obras, e Ezequias, que afirmou ser justo até nos seus pensamentos: a mesma atitude e, contudo, um ofendeu o Senhor e o outro não. Porquê? Porque Deus omnipotente pesa as palavras de cada um de nós segundo os nossos pensamentos, e o seu ouvido não escuta orgulho em palavras que vêm da humildade do coração. Por isso, ao descrever as suas boas obras, o bem-aventurado Job não se encheu de orgulho diante de Deus, pois descrevia humildemente o que tinha realmente feito.

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