Evangelho segundo São Lucas 1,46-56.
Naquele tempo, Maria disse:
«A minha alma glorifica o Senhor
e o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador,
porque pôs os olhos na humildade da sua serva,
de hoje em diante me chamarão bem-aventurada todas as gerações.
O Todo-poderoso fez em mim maravilhas,
Santo é o seu nome.
A sua misericórdia se estende de geração em geração
sobre aqueles que O temem.
Manifestou o poder do seu braço e dispersou os soberbos.
Derrubou os poderosos de seus tronos e exaltou os humildes.
Aos famintos encheu de bens
e aos ricos despediu de mãos vazias.
Acolheu a Israel, seu servo,
lembrado da sua misericórdia,
como tinha prometido a nossos pais,
a Abraão e à sua descendência para sempre».
Maria ficou junto de Isabel cerca de três meses e depois regressou a sua casa.
Tradução litúrgica da Bíblia
(1300-1378)
Dominicano, depois cartuxo de Estrasburgo
«Vida de Jesus Cristo»
«Pôs os olhos na humildade da sua serva»
A conceção de Nosso Senhor foi prefigurada pela sarça ardente, que se queimava sem perder o viço (cf Ex 3,2), tal como Maria concebeu o seu divino Filho sem perder a virgindade. O Senhor, que morava nessa sarça ardente, habitou igualmente no seio de Maria; e, do mesmo modo que desceu à sarça para libertar os hebreus e os tirar do Egito, também desceu a Maria para resgatar os homens e arrancá-los ao inferno.
A escolha que Deus fez de Maria, entre todas as mulheres, para Se revestir da nossa carne também foi prefigurada pelo velo de Gedeão (cf Jz 6,36s). Com efeito, do mesmo modo que só aquele velo acolheu o orvalho celeste enquanto toda a terra à sua volta estava seca, assim também apenas Maria ficou cheia desse orvalho divino do qual nenhuma outra criatura do mundo foi digna: a Virgem Maria é o velo com o qual Jesus fez para Si uma túnica; o velo de Gedeão recebeu o orvalho do céu sem ficar adulterado e Maria concebeu o Homem-Deus sem que a sua virgindade se alterasse.
Ó Jesus, Filho de Deus vivo, que pela vontade do Pai celeste e a cooperação do Espírito Santo saíste do seio de Deus Pai como o rio manou do Paraíso de delícias (cf Gn 2,10), e visitaste as profundezas dos nossos vales ao olhar para a humildade da tua serva, descendo ao seio duma Virgem no qual, por inefável conceção, foste revestido de carne mortal, eu Te suplico, misericordioso Jesus, pelos méritos desta Virgem, tua Mãe, que derrames a tua graça sobre mim, indigníssimo servo, a fim de que eu Te deseje com ardor, e por teu amor Te conceba no meu coração, para que, com o auxílio dessa graça, possa produzir o fruto salutar das boas obras. Ámen.

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