quarta-feira, 5 de agosto de 2015

REFLETINDO A PALAVRA - “Onde está, ó morte, tua vitória?”


PADRE LUIZ CARLOS DE OLIVEIRA CSsR
367. Os guardas de um morto.
            Aleluia! O Senhor ressuscitou verdadeiramente e apareceu a Simão Pedro. Frase simples que traz uma novidade total e única em toda a história da humanidade. A ressurreição de Jesus é o momento no qual Deus mostra a verdade total sobre seu projeto para a humanidade e todo o universo. Esse projeto, guardado no coração de Pai desde os tempos eternos, foi inaugurado no mundo pela Encarnação de Jesus. Ele anunciou o novo tempo do Reino. Tendo sofrido a morte, foi garantido pela Ressurreição. Jesus pede ao Pai que envie o Espírito Santo para unir os que crêem à Vida que nos conquistou. Como tratamos da espiritualidade, vamos buscar nesse tempo a orientação para nossa vida a partir da Ressurreição de Jesus. Para nós cristãos ocidentais, tanto católicos como evangélicos, a Ressurreição parece não fazer parte de nossa vida. Somos muito moralistas e pouco fundamentados no acontecimento central de nossa fé. Assim não temos bases para o correto modo de viver. Penso que podemos dizer que estamos muito semelhantes aos guardas que estavam vigiando o sepulcro de Jesus. Pior ainda quando os seguimos também no sono, pois dizem: enquanto dormíamos, roubaram o corpo dEle. Os guardas presenciaram a ressurreição, tanto que correram a dizer aos sacerdotes o acontecido (At 4,23). Continuaram testemunhas de um morto. Mas Jesus é vida. Curiosamente as tradições que nos orientam a espiritualidade fixaram-se num Cristo crucificado, pois é mais fácil de se explicar do que um Cristo ressuscitado. Podemos ver isso pela prática do povo de ir até à procissão do Senhor Morto e não participar da Vigília da Ressurreição. A espiritualidade nos leva a fundar-nos no Cristo Ressuscitado com as marcas da Paixão, como apareceu a Tomé.
368. Testemunhas de um vivo
            Os evangelhos foram escritos muito depois do acontecimento da vida, morte e ressurreição de Jesus. Quando escreveram usaram anotações mais antigas. Mas já havia tempo. O anúncio que fazem diante dos governantes e do povo é que aquele Jesus que vocês crucificaram, Deus o ressuscitou dos mortos. Ele nos mandou pregar o evangelho, nós que comemos e bebemos com Ele depois da Ressurreição (At 10,41). A consciência de que Ele é um vivo, não é só é clara, mas marcou profundamente suas vidas. Aqueles homens simples, do povo, com pouca instrução, deram início a um movimento que, em pouco tempo, já estava presente em todo o Ocidente e já penetrara o Oriente mais próximo, indo até à China e Índia. A presença do Ressuscitado foi magnífica para Eles. Imaginemos a cena de desilusão depois da morte tão inglória e a alegria incontida depois da Ressurreição que lhe dá, pela força do Espírito. Eles são modificados no seu interior pela presença de um vivo que estivera morto. Essa mudança une-os, pela fé, à pessoa desse vivo. A partir dessa experiência eles começam a anunciar. É o que falta a nossa espiritualidade: a união a um vivo. É na Ressurreição que se inicia a vida nova do cristão. Ela é o caminho a seguir para realizar no mundo nossa missão de anunciá-lo.
369. Túmulo vazio 
Vivendo intensamente a Ressurreição nós vamos ao túmulo de Jesus para ouvir as palavras dos Anjos: “Ele não está aqui, ressuscitou”. O túmulo vazio é uma certeza de que Ele não só não está ali, mas que está vivo. João apóstolo viu e creu. Os soldados espalharam que fora roubado. Nossa vida é um contínuo voltar ao acontecimento da Ressurreição para fazer um caminho autêntico de vida espiritual em nossa realidade.   

NOSSA SENHORA DA ÁFRICA

A devoção a Nossa Senhora de África teria nascido a partir da presença portuguesa em Ceuta. Com efeito, o mais antigo lugar de culto com esta designação encontra-se naquela cidade do norte de África e a sua construção inicial data do século XV. O edifício, hoje santuário, foi reconstruído no século XVIII e nele se venera uma imagem, aparentemente bizantina, que uma tradição liga ao imperador Justiniano e ao gover-nador desta província, Procópio. A invasão muçul-mana teria interrompido o seu culto. Outra tradição liga-a ao Infante D. Henrique, que a teria oferecido a Ceuta com o pedido para que todos os sábados se rezasse por sua alma. A tradição da “sabatina”, ainda hoje viva em Ceuta, poderia ter tal origem. A imagem tem na mão um bastão com nós, oferecido pelo último governador português de Ceuta. Outro polo importante de irradiação da devoção a Nossa Senhora de África situa-se na Argélia e nasceu da devoção de duas missionárias francesas do século XIX. Indo ajudar o bispo local, não encontraram por aquelas terras nenhum santuário mariano. Por isso, colocaram uma pequena imagem da Virgem sobre uma oliveira nas proximidades de Argel. Pouco a pouco, o lugar transformou-se num centro de peregri-nação por parte de numerosos devotos de Nossa Senhora. As piedosas mulheres recolheram dinheiro e construíram uma capela provisória em 1857. O actual santuário foi concluído em 1872 sobre um promontório que domina o mar e a cidade de Argel. Numerosos são os peregrinos que o visitam. Hoje em dia, a devoção a Nossa Senhora de África estende-se a numerosos países daquele continente. A iconografia representa-a, ora como uma mulher de tês morena, ora como uma negra, mas sempre com o Menino nos braços.

DEDICAÇÃO DA BASILICA DE SANTA MARIA MAIOR

CONTEXTO HISTÓRICO

Nosso tempo para hoje são os anos de 352 a 366. Antes ainda, em 325, reune-se em Niceia o Primeiro Concílio Ecuménico da Igreja. Niceia é uma cidade na região da Anatólia, na Turquia. São debatidos questionamentos cristológicos, principalmente relacionados com o Arianismo, que negava a existência em Cristo das duas naturezas: divina e humana. De 350 a 430 o conflito entre as idéias do arianismo e as conclusões do Primeiro Concílio de Niceia se tornam ainda mais vigorosos.
                  
Nesse período, era comum os Bispos procurarem refúgio junto aos imperadores. Estes, por sua vez, estavam mais preocupados com a reconstituição do império romano, nessa época passando por grandes dificuldades.
É interessante observar que durante essa crise ariana surgiu o Papa Liberio I, eleito em 17 de maio de 352 e morto em 24 de setembro de 366. Envolvido na controvérsia ariana, foi desterrado por Constâncio II para Berea de Tracia, onde aparentemente aceitou o arianismo. Mas, regressando a Roma em 358, combateu tal doutrina e expulsou o Antipapa Félix II, imposto pelo imperador. Liberio I foi o responsável pelo lançamento das primeiras fundações da Basílica de Santa Maria Maior. 
A FESTA 
Basílica de Santa Maria Maior, ou Basílica de Nossa Senhora das Neves, ou Basílica Liberiana, é uma das quatro basílicas patriarcais de Roma, junto com a de São Pedro, a de São Paulo e a de São João de Latrão. Foi construída entre 432 e 440, durante o pontificado do Papa Sisto III, e dedicada ao culto de Maria, Mãe de Deus, cujo dogma da Divina Maternidade acabara de ser declarado pelo Concílio de Éfeso, em 431.
Segundo uma antiga tradição, um casal romano pediu à Virgem luzes para saber como empregar a sua fortuna. Receberam, então, em sonhos, tanto o casal, quanto o Papa Libério I, a mensagem de que Santa Maria desejava que lhe fosse construido um templo precisamente num lugar do monte Esquilino que aparecesse coberto de neve. Os sonhos aconteceram na noite de 4 para 5 de agosto, em pleno verão. No dia seguinte, o terreno onde hoje se ergue a Basílica amanheceu inteiramente nevado.
A Basílica de Santa Maria Maior de Roma é a mais antiga igreja do Ocidente consagrada à Virgem Maria. A declaração dogmática de Maria Mãe de Deus foi recebida com grande entusiasmo por toda a comunidade católica. E foi então que se construiu em Roma a grandiosa Basílica.
Quase todas as igrejas romanas dedicadas a Maria foram construidas onde antes existiram construções pagãs: Santa Maria dos Mártires, no intacto Panteão; Santa Maria dos Anjos, sobre as termas de Diocleciano; Santa Maria, sobre as ruinas do templo de Minerva Calcídica; Santa Maria de Ara Coeli, no cimo do Capitólio, a pedra consagrada a Jupiter. Acredita-se que o Papa Liberio I tenha construida a primitiva Igreja de Santa Maria das Neves sobre fundamentos de um templo pagão. Um século mais tarde Sisto III derrubou essa construção, utilizando novamente os materiais e construindo a Basílica atual, como recordação do Concílio de Éfeso. 
http://www.daaz.com.br/

05 de Agosto - Santo Osvaldo de Nortúmbria

Osvaldo nasceu em 604. Era filho do rei pagão Etelfrit, da Nortúmbria, futura Inglaterra, e da princesa Acha. O reino foi invadido em 616, quando seu pai morreu na batalha contra o rei Edin, que assumiu o trono e depois fundou a cidade de Edimburgo. Acha e seus 11 filhos fugiram para a Corte do rei da Escócia, onde todos se converteram. As crianças foram entregues aos cuidados dos beneditinos do Mosteiro de Iona, fundado em 563 por são Columbano, famoso centro de formação e estudos. Lá receberam sólida formação acadêmica e religiosa, adequada aos fidalgos e no seguimento de Cristo. Osvaldo destacava-se pelo belo porte físico, pela inteligência e pela caridade cristã. Tinha um sorriso franco, era bom e generoso, não distinguindo ricos e pobres. Era um hábil e capacitado estrategista militar, treinado pelo pequeno, mas potente exército do rei da Escócia, que muito o apreciava. Curioso mesmo era o seu animal de estimação: um falcão que lhe obedecia e pousava-lhe na mão. Quando o rei Edin morreu, em 633, Osvaldo formou seu exército, pequeno e eficaz, e venceu a famosa batalha de Havenfield, em 634, com o usurpador tombando morto. Osvaldo assumiu o trono como legítimo rei da Nortúmbria. Contam os registros históricos que, antes desse combate, ele teve uma visão de são Columbano, que o orientou a rezar junto com seus soldados antes de partir para o combate. Ele obedeceu. Mandou erguer uma grande cruz no centro do campo onde estavam, ajoelhou-se diante dela, pedindo aos soldados, quase todos pagãos, que fizessem o mesmo. Assim postado, com fé e humildade, o futuro rei pediu a Deus proteção e liberdade para seu povo oprimido pelos inimigos. O rei Osvaldo sempre atribuiu essa vitória à intercessão de são Columbano e à proteção de Cristo. Depois de coroado, todo o exército converteu-se. Mandou chamar os monges escoceses do Mosteiro de Iona para pregarem o Evangelho no seu reino. Ele mesmo traduzia para o povo os sermões, conseguindo muitas conversões. Construiu igrejas, mosteiros, cemitérios, hospitais, asilos e creches, distribuiu riquezas e promoveu prosperidade e caridade ao povo. Casou-se com a princesa Cineburga, filha do rei pagão de Wessex, hoje também Inglaterra. Em seguida, convenceu o sogro a permitir uma missão evangelizadora de monges escoceses no seu reino, que acabaram convertendo também o rei. A Igreja deve à fé do rei Osvaldo o grande impulso para a evangelização do povo inglês e o estabelecimento da vida monástica na ilha britânica. O rei da Nortúmbria morreu em combate em 642, defendendo o seu povo de invasores pagãos. Amado e venerado como santo em vida, a fama de sua santidade ganhou destaque junto aos povos de língua inglesa graças à divulgação dos monges beneditinos. Depois, o venerável Beda, monge famoso pela santidade e sabedoria na doutrina, reivindicou o título de mártir a santo Osvaldo da Nortúmbria, por ter morrido em combate contra os pagãos. Sua festa é uma tradição antiga, e a Igreja manteve a celebração no dia 5 de agosto. 
Conteúdo publicado em Comece o Dia Feliz.
Autoriza-se a sua publicação desde que se cite a fonte.

ORAÇÃO DE TODOS OS DIAS - 5 DE AGOSTO

Pe. Flávio Cavalca de Castro, redentorista
Oração da manhã para todos os dias 
Senhor meu Deus, mais um dia está começando. Agradeço a vida que se renova para mim, os trabalhos que me esperam, as alegrias e também os pequenos dissabores que nunca faltam. Que tudo quanto viverei hoje sirva para me aproximar de vós e dos que estão ao meu redor.
Creio em vós, Senhor. Eu vos amo e tudo espero de vossa bondade.
Fazei de mim uma bênção para todos que eu encontrar. Amém. 
As reflexões seguintes supõem que você antes leu o texto evangélico indicado.
5 − Quarta-feira − Santos: Cassiano, Emídio, Osvaldo 
Evangelho (Mt 15,21-28) “Jesus disse: ─ Mulher, grande é a tua fé! Seja feito como tu queres! E desde aquele momento sua filha ficou curada.” 
Duas mulheres parecem obrigar Jesus a mudar seus planos. Maria, sua mãe, naquela festa de casamento, e essa que nem era do povo hebreu. Ambas pediram com tanta confiança e tanta entrega que Jesus acabou cedendo. Podemos aprender que, quando pedimos algum favor a Deus, ele infalivelmente nos atende. Nem sempre nos dá o que pedimos, mas sempre dá o que precisamos. 
Oração
Senhor meu Deus, creio em vosso amor, sei que quereis apenas o meu bem, estais interessado em minha felicidade até mais que eu. Confio em vós, e sei que sempre fareis por mim o melhor. Peço o que me parece ser bom para mim, mas vós, melhor que eu sabeis o que será bom dar-me. Aceito tudo de vossa mão. Dai-me a graça de vos pedir sempre, e nunca deixar de orar. Amém.

terça-feira, 4 de agosto de 2015

História do dia: O DIALOGO DAS TRÊS VELAS

PADRE CLÓVIS DE JESUS BOVO CSsR


Vice-Postulador da Causa-Venerável Padre Pelágio CSsR
No altar de uma igreja silenciosa, três velas conversavam. O ambiente estava tão quieto que podia-se ouvir o seu diálogo. A primeira disse: 
- “Eu sou a Fé! Infelizmente estou sobrando. As pessoas não querem mais saber de Deus. Não faz sentido continuar queimando. ” 
Ao terminar sua fala, um vento bateu levemente sobre ela, e apagou. Desiludida e triste a segunda vela se manifestou: 
- “Eu sou a Caridade! As pessoas me deixaram de lado, olham só para si mesmas e se esquecem até daqueles que as amam. Estou desfalecendo à míngua...
E sem esperar, apagou-se. A terceira vela continuava bruxuleando. Nisso entra uma criança. Vê o cenário tristonho: velas apagadas, melancolia, silêncio. Vendo uma vela ainda acesa, foi conversar com ela: 
- O que está acontecendo aqui? Quem apagou essas velas? E essa tristeza toda? Estou com medo. 
- Não tenhas medo, criança. Eu sou a Esperança! Onde há uma criança, há sempre uma esperança. Se você me ajudar podemos acender as outras velas. 
A criança pegou a vela da Esperança e com ela acendeu as outras. Assim a Fé, a Esperança e a Caridade voltaram a reinar. 
Lição: Isto é sonho ou realidade? Que ao menos a vela da Esperança nunca se apague dentro de nós! Vem, Senhor, e não tardeis mais! 

4 DE AGOSTO – O NOVO VIGÁRIO DE ARS

S. João M. Vianney (1786-1859) tinha um sonho desde menino: 
Queria ser padre, custasse o que custasse. 
Mas tudo parecia ir contra seu desejo: 
Família pobre, o pai contra, a revolução descristianizando a França. 
Foi convocado para a guerra, mas desertou como protesto contra o imperador Napoleão por ter mandado prender o Papa Pio VII. Após tantas vicissitudes ordenou-se padre com 29 anos.Mas seus estudos foram um desastre. Foi reprovado várias vezes, não sabia quase nada de teologia. Dizem que sabia apenas rezar o terço. Quem o ajudou e o defendeu, foi o P. Carlos Balley, pároco de Ecully. Depois de ordenado, ficou algum tempo trabalhando com seu benfeitor como vigário auxiliar. Depois mandaram-no para a aldeia de Ars, lugarejo abandonado com menos de 300 habitantes. Nesse recanto sem futuro, nem o povo e nem o P. Vianney terão o que perder ou ganhar. Assim pensavam seus superiores. Despreparado, cheio de complexos, julgando-se incapaz... o que será dele e dos seus fiéis!?!
- Como a gente se engana! 
Poucos anos depois, o lugarejo se transforma. O povo deixa seus maus costumes. Vem gente de toda a parte para confessar-se com o P. Vianney. Verdadeiras romarias afluem de todos os lados. É denunciado ao bispo por causa de suas “esquisitices”, mas todos o procuram para ouvir uma palavra, um conforto: profissionais, funcionários, autoridades, ricos e pobres, doutores e analfabetos... Entretanto continua julgando-se indigno e incapaz. Tenta fugir duas vezes, mas tem que voltar porque as multidões o estão esperando. Sempre celebrando, confessando desde madrugada. As forças desfalecem. Paga o médico, e diz que não precisa mais vir. Apenas comunicada sua morte, "trens e transportes particulares não são suficientes”, para trazer o povo, assim escreve uma testemunha. Depois das exéquias, seu corpo continua exposto na igreja durante dez dias e dez noites, para satisfazer as multidões que não param de chegar para o último adeus. (Fonte: Beati i santi) 
PADRE CLÓVIS DE JESUS BOVO CSsR
Vice-postulador da Causa-Venerável Padre Pelágio CSsR
Recomende este portal aos seus amigos:

REFLETINDO A PALAVRA - “Ter fome de Deus”


PADRE LUIZ CARLOS DE OLIVEIRA CSsR

364.Uma fome que não passa
            A oração pós-comunhão do primeiro domingo da Quaresma assim reza: “O Deus, que nos alimentastes com este pão [...] dai-nos desejar o Cristo, pão vivo e verdadeiro e viver de toda palavra que sai de vossa boca”. O texto em latim é mais forte e diz: “dai-nos ter fome” que é mais que desejar, buscar ansiosamente a vida. Bons desejos não são o mesmo que necessidade. Está bem dentro do espírito das bem-aventuranças: “Felizes vós que agora tendes fome porque sereis saciados” (Lc 6,21). Cristo, no início de sua vida apostólica, faz a experiência de um jejum prolongado. Esse jejum deve ter uma ligação profunda com sua missão. Podemos colocá-lo como um aprofundamento de sua fome do Pai, tanto que sua vida será sempre uma constante busca de fazer a vontade do Pai até o último momento da morte, quando diz: “Meu Pai, se é possível, que passe de mim esse cálice, contudo, não seja como eu quero, mas como tu queres” (26,39). Ele se nos apresenta como modelo. A fome do alimento tem uma finalidade profunda, como nos diz o livro do Deuteronômio: “Eu te fiz passar fome para conhecer o que tinhas no coração – depois te dei o maná – para compreenderes que nem só de pão vive o homem, mas de toda a palavra que saída boca do Senhor” (Dt 8,2-3). Essa fome de Deus é insaciável, como nos diz S. Agostinho, que sente o coração inquieto até que descanse em Deus. Certamente que Deus dá sempre o alimento e a bebida para saciar o coração. A Quaresma é um tempo de comer a abundante comida que é a Palavra de Deus para que se chegar ao banquete da Páscoa, no qual é imolado o Cordeiro, que é o Pão Vivo que desceu do Céu (Jo 6,50).
365.Uma fome solidária
            Bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o Reino dos Céus (Mt 5,3). Essa pobreza, vai além da verdade da pobreza. É difícil ser rico pobre. Jesus disse: “Como é difícil, para quem tem riquezas, entrar no Reino de Deus” (Mc 10,18). “Mas para Deus nada é impossível” (Mc 10,27). Existem aqueles que se fazem pobres pelos pobres. Jesus é o exemplo acabado desse modelo, “pois, sendo rico, se fez pobre” (2Cor 9,9). Identifica-se com os pequeninos e com os infelizes. Ele mesmo deu o exemplo de pobreza e de humildade. Esses que assim fazem, são aqueles que têm a vida conduzida pelo Espírito de Deus e se fazem pobres para que os pobres sejam enriquecidos dos bens necessários para vida. Não ricos de ontem sendo os pobres de amanhã (D. Helder). Esses são aqueles que se fazem solidários com todo homem e mulher que sofrem. São os que lutam pelos direitos e dignidade desses que sofrem. São aqueles que sabem acolhê-los e com eles partilhar a vida. Desses temos muitos exemplos na história do povo de Deus. Os homens e mulher que foram mais ricos, foram os que tudo deixaram para ter nos pobres sua única riqueza. Ou mesmo aqueles que, na sua pobreza são capazes de dividir, partilhar e compartilhar. Os pobres ajudam os pobres. Solidários na fome, solidários com Jesus.
366.Fazer-se alimento
            Jesus, no extremo de seu empobrecimento, se faz alimento: “Minha carne é verdadeira comida e o meu sangue é verdadeira bebida [...] quem come este pão viverá eternamente” (Jo 6,55.58). É interessante essa sua proposta de pobreza de dar a vida: “Eu dou a minha vida pelas minhas ovelhas” (Jo 10,15). Saber viver Cristo que sacia a vida do mundo é fazer-se alimento, sair totalmente de si para ser consumido. “Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a vida pelos amigos” (Jo 15,13). Assim compreenderemos que a fome de Deus só é verdadeira quando somos capazes de saciar a fome com nossa vida.

EVANGELHO DO DIA 4 DE AGOSTO

Evangelho segundo S. Mateus 14,22-36.
Depois de ter saciado a fome à multidão, Jesus obrigou os discípulos a subir para o barco e a esperá-l’O na outra margem, enquanto Ele despedia a multidão. Logo que a despediu, subiu a um monte, para orar a sós. Ao cair da tarde, estava ali sozinho. O barco ia já no meio do mar, açoitado pelas ondas, pois o vento era contrário. Na quarta vigília da noite, Jesus foi ter com eles, caminhando sobre o mar. Os discípulos, vendo-O a caminhar sobre o mar, assustaram-se, pensando que fosse um fantasma. E gritaram cheios de medo. Mas logo Jesus lhes dirigiu a palavra, dizendo: «Tende confiança. Sou Eu. Não temais». Respondeu-Lhe Pedro: «Se és Tu, Senhor, manda-me ir ter contigo sobre as águas». «Vem!», disse Jesus. Então, Pedro desceu do barco e caminhou sobre as águas, para ir ter com Jesus. Mas, sentindo a violência do vento e começando a afundar-se, gritou: «Salva-me, Senhor!». Jesus estendeu-lhe logo a mão e segurou-o. Depois disse-lhe: «Homem de pouca fé, porque duvidaste?». Logo que subiram para o barco, o vento amainou. Então, os que estavam no barco prostraram-se diante de Jesus e disseram-Lhe: «Tu és verdadeiramente o Filho de Deus». Depois fizeram a travessia e vieram para terra em Genesaré. Os homens do lugar reconheceram Jesus e mandaram avisar toda aquela região. Trouxeram-Lhe todos os doentes e pediam que os deixasse tocar ao menos na orla do seu manto. E quantos lhe tocaram foram completamente curados.
Da Bíblia Sagrada - Edição dos Franciscanos Capuchinhos - www.capuchinhos.org
Comentário do dia:
Orígenes (c. 185-253), presbítero, teólogo
Comentário ao Evangelho segundo Mateus

A noite da fé
Se um dia formos assaltados por provas inevitáveis, lembremo-nos de que foi Jesus quem nos ordenou que embarcássemos e que Ele quer que O precedamos «na outra margem». Com efeito, quem não suportou a provação das vagas e dos ventos contrários não pode chegar a essa margem. Por isso, quando nos virmos rodeados por múltiplas e penosas dificuldades, cansados de navegar por entre elas com a pobreza dos nossos recursos, imaginemos que a nossa barca está no meio do mar, sacudida por vagas que querem ver-nos «naufragar na fé» (1Tim 1,19) ou em qualquer outra virtude. E se virmos o sopro do maligno encarniçar-se contra as nossas posições, imaginemos que nesse momento o vento nos é contrário.
Assim pois, quando, no meio destes sofrimentos, tivermos conseguido aguentar as longas horas da noite escura que reina nos momentos de provação, quando tivermos lutado com todas as nossas forças para evitar o naufrágio da fé [...], tenhamos a certeza de que, ao fim da noite, quando a noite for avançada e despontar o dia (cf Rom 13,12), o Filho de Deus virá até junto de nós, caminhando sobre as águas, para pacificar o mar.   

JOÃO MARIA VIANNEY O Santo Cura d´Ars 1786-1859

Pouco dotado intelectualmente, atingiu esse santo vigário alto grau de santidade. Seu êxito foi tão grande, que atraiu multidões de todas as partes da França e de vários países europeus
*****
O futuro Cura d’Ars nasceu na pequena localidade de Dardilly, perto de Lyon, na França, no dia 8 de maio de 1786, de família de agricultores piedosos. Foi consagrado a Nossa Senhora no próprio dia do nascimento, data em que foi também baptizado.
Sua instrução foi precária, pois passou a infância em pleno Terror da Revolução Francesa, com os sacerdotes perseguidos e as escolas fechadas. João Maria tinha 13 anos quando recebeu a Primeira Comunhão das mãos de um sacerdote “refractário” (que não tinha jurado a ímpia Constituição do Clero), durante o segundo Terror, em 1799 [1].
Com a subida de Napoleão e a Concordata com a Santa Sé, foi possível a João Maria iniciar seus estudos eclesiásticos aos 20 anos, terminando-os aos 29, depois de mil e uma contrariedades.
É impossível, nos limites de um artigo, abranger toda a vida apostólica do Cura d’Ars. Por isso limitar-me-ei a abordar um aspecto dela, que foi como transformou a pequena localidade de Ars de modo a tornar-se ponto de admiração de toda a França.

Ars ao tempo da chegada do santo

Quando o jovem sacerdote chegou a Ars, esta era um pequeno aglomerado de casas, contando apenas 250 habitantes, quase todos agricultores. Como a maior parte das localidades rurais da França, sacudidas durante 10 anos pelos vendavais da Revolução Francesa, encontrava-se em plena decadência religiosa. Vivia-se um paganismo prático formado de negligência, indiferentismo e esquecimento das práticas religiosas.
A cidadezinha de Ars assemelhava-se às paróquias vizinhas, não sendo nem melhor nem pior que elas. Havia nela um certo fundo religioso, mas com muito pouca piedade.
Como transformá-la num modelo de vida católica, ambição de São João Baptista Vianney?
CONTINUA EM MAIS INFORMAÇÕES:

ORAÇÃO DE TODOS OS DIAS - 4 DE AGOSTO

Pe. Flávio Cavalca de Castro, redentorista
Oração da manhã para todos os dias 
Senhor meu Deus, mais um dia está começando. Agradeço a vida que se renova para mim, os trabalhos que me esperam, as alegrias e também os pequenos dissabores que nunca faltam. Que tudo quanto viverei hoje sirva para me aproximar de vós e dos que estão ao meu redor.
Creio em vós, Senhor. Eu vos amo e tudo espero de vossa bondade.
Fazei de mim uma bênção para todos que eu encontrar. Amém. 
As reflexões seguintes supõem que você antes leu o texto evangélico indicado.
4 − Terça-feira − Santos: João Maria Vianney (Cura d’Ars) 
Evangelho (Mt 14,22-36)  “Jesus mandou que os discípulos seguissem, à sua frente, para o outro lado do mar, enquanto ele despedia as multidões.” 
Por alguma razão Jesus mandou que seus discípulos saíssem antes dele. Mas, o que me chama a atenção é que ele ficou despedindo-se do povo. O dia fora cansativo. Fico a imaginar o que ele dizia aos que iam saindo, às mulheres, aos homens, às crianças. Na certa eram palavras de carinho e encorajamento. Mesmo tendo feito muito pelas pessoas, sempre podemos fazer um pouco mais. 
Oração
Senhor Jesus, eram muitos os que acorriam a vós, atraídos pelo vosso jeito de ser, e pelo que lhes dizíeis no íntimo do coração. Era grande e contínua vossa atenção para com todos. Tínheis cuidado por cada um que vos procurava. Isso eu devo aprender convosco: dar mais atenção a todos, em qualquer circunstância, e não só quando estou tentando anunciar-lhes o evangelho. Amém.

segunda-feira, 3 de agosto de 2015

O PARA-CHOQUE DAS TEMPESTADES

PADRE CLÓVIS DE JESUS BOVO CSsR
Vice-Postulador da Causa
Venerável Padre Pelágio CSsR
É o carvalho. Essa árvore é usada pelos botânicos e geólogos como um medidor de catástrofes naturais do ambiente. Quando querem saber qual o índice de ventos e tempestades ocorridas numa determinada floresta, eles observam logo o carvalho (caso exista no local), que naturalmente é a árvore que mais absorve as conseqüências dos temporais. Quanto mais temporais e tempestades o carvalho enfrenta, mais forte ele fica! Suas raízes se aprofundam mais na terra a cada embate e seu caule se torna mais robusto, sendo impossível uma tempestade arrancá-lo do solo ou derrubá-lo! Mas os cientistas não precisam fazer essas análises todas para saber isso! Basta apenas olhar para o carvalho. Por absorver as conseqüências das tempestades, a robusta árvore assume uma aparência disforme, como se realmente tivesse feito muita força. Para um carvalho cada tempestade é mais um desafio a ser vencido e não uma ameaça! Numa grande tempestade, muitas árvores são arrancadas, mas o carvalho permanece firme! 
Lição: Devemos tirar proveito dos sofrimentos e contrariedades da vida, para ficar mais fortes! Um pouco marcados e com a aparência abatida, mas fortes! 
- Fonte: comdeus.com

3 DE AGOSTO - SANTA LÍDIA HOSPEDAVA OS APÓSTOLOS

Santa Lídia é do I século da era cristã. Nasceu na Ásia. É a primeira cristã convertida, primícia do Cristianismo na Europa. É mencionada diversas vezes nos Atos dos Apóstolos.São Lucas nos conta (At. 16,11-15: 
”Embarcando em Trôade, navegamos direto para Samotrácia e no dia seguinte para Neápolis, de onde partimos para Filipos, cidade principal do distrito da Macedônia e colônia romana. Passamos alguns dias nesta cidade; depois, no sábado, fomos para fora das portas, onde supúnhamos existir um lugar de oração. Sentamo-nos e dirigimos a palavra às mulheres que se tinham reunido. Umas delas, chamada Lídia, nos escutava; era negociante de púrpura, na cidade de Tiatira; ela adorava a Deus. O Senhor abriu-lhe o coração, de sorte que ela aceitou as palavras de Paulo. Após ter sido batizada junto com os seus, fez-nos esta súplica: “Se vocês me julgam fiel ao Senhor, venham hospedar-se na minha casa”. E ela nos constrangeu a isso”.
-Assim fizeram. Santa Lídia é modelo das donas de casa: acolhedora, pronta para ajudar na comunidade. Ofereceu hospitalidade a São Lucas, Silas, Paulo e outros discípulos. Sua casa foi um dos primeiros pontos de reunião dos cristãos.
- Que Santa Lídia, abençoe nossas comunidades!
PADRE CLÓVIS DE JESUS BOVO CSsR
Vice-Postulador da Causa
Venerável Padre Pelagio CSsR
Recomende este portal aos seus amigos:
http://www.boletimpadrepelagio.org/

REFLETINDO A PALAVRA - “Uma fé que cresce”

PADRE LUIZ CARLOS DE OLIVEIRA CSsR
1603. Processo de amadurecimento
Jesus ao subir ao Céu, deu aos apóstolos a ordem: “Ide e fazei que todas os povos se tornem discípulos, batizando-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo e ensinando-as a observar tudo o que vos ordenei” (Mt 28,19-20). Jesus coloca a formação como garantia para que os novos discípulos possam viver e levar avante o anúncio que acolheram. Ensinar é a atitude permanente do evangelizador e aprender é o privilégio do discípulo, como lemos em Isaías: “De manhã em manhã Ele me desperta, sim, desperta meu ouvido para que eu ouça como os discípulos” (Is 50,4). Formação faz parte da evangelização para o constante crescimento. Ninguém pode se contentar com o pouco. Somos filhos da Sabedoria. O homem mais sábio não é aquele que tem muito a transmitir, mas aquele que se dispõe sempre aprender. Jesus Cristo é nosso Mestre. Para viver Cristo, não se pode contentar com pouco. Este crescimento não é somente formação doutrinal, que é importante. O crescimento é integral: a doutrina aprendida se torna verdade vivida. Papa Francisco insiste no nº 160 de Evangelii Gaudium: “Cada ser humano precisa sempre mais de Cristo, e a evangelização não deveria deixar que alguém contentar-se com pouco, mas possa dizer com plena verdade: ‘Já não sou eu que vivo, mas é Cristo que vive em mim’” (Gl 2,20). A vivência do mandamento do amor é uma escola de aprendizado e instrução. O amor não é só um sentimento, mas uma atitude que envolve todas nossas potencialidades. Aprender para viver melhor o amor é cumprir o mandamento do amor e realizar o crescimento espiritual. Através da catequese e homilias transmitimos doutrinas, mas precisamos nos deixar transformar no aprendizado do mandamento do amor, em Cristo.
1604. O fio que une a Catequese
A Igreja sempre se preocupou com a formação do povo de Deus. A grande dificuldade é o interesse e a perseverança dos fiéis. Nem sempre a resposta tem sido suficiente. O Papa insiste que o primeiro anúncio deve ocupar o centro da atividade evangelizadora da renovação eclesial. “É o Espírito que nos faz crer em Jesus que, com sua morte e ressurreição, nos revela e comunica a misericórdia do Pai” (EG 164). Vemos como o Papa não perdeu seu dom de ser um pároco que é pai da comunidade: “Na boca do catequista, volta a ressoar sempre o primeiro anúncio: ‘Jesus Cristo te ama, deu a sua vida para te salvar, e agora vive contigo todos os dias para te iluminar, fortalecer, libertar” (164). Este anúncio deve estar presente na catequese e se tornar algo que sempre volta na vida de quem crê. É ele que dá consistência a toda a formação “doutrinal” que só será sólida se estiver unida a ele. Esse é o fio que une todo ensinamento.
                             1605.Tomar pela mão                           
            O anúncio fundamental do amor de Deus que salva vem por primeiro e dá sentido às obrigações morais e religiosas. Traz consigo um apelo à liberdade, à alegria, ao estímulo, proximidade, acolhimento e diálogo. Com o anúncio temos a mistagogia, isto é, junto ao ensinamento, deve-se fazer a experiência. É tomar pela mão e introduzir nesse novo modo de vida com métodos sempre renovados que atraiam e conduzam a pessoa num crescimento comunitário de escuta e resposta (EG 165). A formação não pode ser exclusivamente de modo escolar com cursos, mas de experiência na comunidade. O que vemos na comunidade é a celebração e atividades sempre reservadas a um pequeno grupo. Onde ficam as crianças e os jovens? A comunidade também é anunciadora e formadora.