Naquele tempo, disse o Senhor aos doutores da lei: «Ai de vós, porque edificais os túmulos dos profetas, quando foram os vossos pais que os mataram.
Assim dais testemunho e aprovação às obras dos vossos pais, porque eles mataram-nos e vós levantais os monumentos.
É por isso que a Sabedoria de Deus disse: "Eu lhes enviarei profetas e apóstolos; e eles hão de matar uns e perseguir outros".
Mas Deus vai pedir contas a esta geração do sangue de todos os profetas, que foi derramado desde a criação do mundo,
desde o sangue de Abel até ao sangue de Zacarias, que pereceu entre o altar e o Santuário. Sim, Eu vos digo que se pedirão contas a esta geração.
Ai de vós, doutores da lei, porque tirastes a chave da ciência: vós não entrastes e impedistes os que queriam entrar!».
Quando Jesus saiu dali, os escribas e os fariseus começaram a persegui-lo terrivelmente e a provocá-lo com perguntas sobre muitas coisas,
armando-Lhe ciladas, para O surpreenderem nalguma palavra da sua boca.
Tradução litúrgica da Bíblia
Severino de Gabala(408)
Bispo da Síria
Homilia sobre Caim e Abel
«Um sangue de aspersão
que fala com voz mais eloquente
que a do sangue de Abel» (Heb 12, 24)
Caim e Abel pareciam honrar a Deus com culto idêntico, mas na realidade apresentavam as suas oferendas com disposições bem diferentes: as do mais velho eram um simples dom, enquanto as do mais novo davam testemunho da sua reverência e piedade. Daí nasceram os sentimentos de inveja, que resultaram no assassínio de Abel (cf Gn 4,3s).
Vejo no santo Abel a imagem de Cristo. Claro que o Salvador é o Justo por excelência, mas, de entre todos os homens da Antiga Aliança, o príncipe da justiça é Abel. Aliás, o próprio Salvador colocou Abel à cabeça da linha dos justos quando disse aos Judeus: «Deus vai pedir contas a esta geração do sangue de todos os profetas, que foi derramado desde a criação do mundo, desde o sangue de Abel até ao sangue de Zacarias, que pereceu entre o altar e o santuário.»
Coisa admirável: porque foi o primeiro a combater pela justiça, Abel teve a honra de ser o primeiro a sofrer pela piedade; ele é verdadeiramente a prefiguração de Cristo, que foi condenado à morte por causa da verdade. De facto, o sangue de Abel anuncia o sangue de Cristo: ele clama à terra (cf Gn 4,10). O sangue do Senhor também clama, mas o sangue de Abel era suplicante, enquanto o de Cristo opera a reconciliação com o mundo. O apóstolo Paulo, lembrando um e outro, declara a superioridade do sangue de Cristo: «Vós aproximastes-vos do monte Sião, da cidade do Deus vivo, a Jerusalém celeste, de muitos milhares de anjos em reunião festiva, de uma assembleia de primogénitos inscritos no Céu, de Deus, Juiz do Universo, dos espíritos dos justos que atingiram a perfeição e de Jesus, mediador da nova aliança, e de um sangue de aspersão que fala com voz mais eloquente que a do sangue de Abel» (Heb 12,22-24). Sim, este sangue fala, suplica pelos pecadores, intercede pelo mundo. O sangue de Cristo purifica realmente o mundo; o sangue de Cristo é a redenção dos homens.

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