Evangelho segundo São João 10,1-10.
Naquele tempo, disse Jesus: «Em verdade, em verdade vos digo: aquele que não entra no aprisco das ovelhas pela porta, mas entra por outro lado, é ladrão e salteador.
Mas aquele que entra pela porta é o pastor das ovelhas.
O porteiro abre-lhe a porta e as ovelhas conhecem a sua voz. Ele chama cada uma delas pelo seu nome e leva-as para fora.
Depois de ter feito sair todas as que lhe pertencem, caminha à sua frente; e as ovelhas seguem-no, porque conhecem a sua voz.
Se for um estranho, não o seguem, mas fogem dele, porque não conhecem a voz dos estranhos».
Jesus apresentou-lhes esta comparação, mas eles não compreenderam o que queria dizer.
Jesus continuou: «Em verdade, em verdade vos digo: Eu sou a porta das ovelhas.
Aqueles que vieram antes de Mim são ladrões e salteadores, mas as ovelhas não os escutaram.
Eu sou a porta. Quem entrar por Mim será salvo: é como a ovelha que entra e sai do aprisco e encontra pastagem.
O ladrão não vem senão para roubar, matar e destruir. Eu vim para que as minhas ovelhas tenham vida e a tenham em abundância».
Tradução litúrgica da Bíblia
(1085-1148)
Monge beneditino, depois cisterciense
Orações meditativas, VI, 6-10
«Em verdade, em verdade vos digo:
Eu sou a porta das ovelhas»
Não foi somente a João, teu discípulo bem-amado, que foi mostrada a porta aberta no Céu (cf Ap 4,1); Tu declaraste-o a todos, publicamente: «Eu sou a porta; quem entrar por Mim será salvo».
Tu és a porta. Nós, que estamos na terra, vemos a grande porta aberta no Céu; mas de que nos aproveita, se não podemos subir às alturas? Paulo responde: «Aquele que desceu é o mesmo que subiu» (Ef 4,10). E quem é Ele? É Aquele que é o Amor. De facto, Senhor, o amor que está em nós sobe às alturas, sobe até Ti, porque o amor que está em Ti veio até nós. Porque nos amaste, desceste até junto de nós; amando-Te, nós elevar-nos-emos às alturas, até Ti.
Pois Tu mesmo disseste: «Eu sou a porta», peço-Te que Te abras a nós, para nos mostrares com maior evidência de que morada és a porta. Já dissemos que a morada de que és a porta é o Céu, onde mora o Pai, sobre quem lemos: «O Senhor tem nos Céus o seu trono» (Sl 10,4). É por isso que ninguém pode ir ao Pai senão por Ti (cf Jo 14,6), que és a porta. Para Ti tendemos, pois, a Ti aspiramos. Responde, peço-Te: «Mestre, onde moras?» (Jo 1,38). E Tu respondes: «Eu estou no Pai e o Pai está em Mim» (Jo 14,11); e, noutro passo: «Nesse dia reconhecereis que Eu estou no Pai e que vós estais em Mim e Eu em vós» (Jo 14,20). A tua morada é o Pai, e Tu és a morada do Pai; e nós também somos tua morada, e Tu a nossa.

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