segunda-feira, 4 de maio de 2026

EVANGELHO DO DIA 04 DE MAIO

Evangelho segundo São João 14,21-26. 
Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Se alguém aceita os meus mandamentos e os cumpre, esse realmente Me ama. E quem Me ama será amado por meu Pai e Eu amá-lo-ei e manifestar-Me-ei a ele». Disse-Lhe Judas, não o Iscariotes: «Senhor, como é que Te vais manifestar a nós e não ao mundo?». Respondeu-lhe Jesus: «Quem Me ama guardará a minha palavra, e meu Pai o amará; Nós viremos a ele e faremos nele a nossa morada. Quem Me não ama não guarda a minha palavra. Ora, a palavra que ouvis não é minha, mas do Pai que Me enviou. Disse-vos estas coisas enquanto estava convosco. Mas o Paráclito, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, vos ensinará todas as coisas e vos recordará tudo o que Eu vos disse». 
Tradução litúrgica da Bíblia 
Beato Jan van Ruysbroeck 
(1293-1381) 
Cónego regular 
Bodas Espirituais, III 
«O Espírito Santo vos ensinará todas as coisas» 
A vida de contemplação é a vida do Céu. Com efeito, graças ao amor de união com Deus, o homem ultrapassa o seu ser de criatura, descobrindo e saboreando a opulência e as delícias do próprio Deus, que Ele deixa escorrer sem cessar para o ponto mais secreto do espírito humano, onde este é semelhante à nobreza de Deus. Quando o homem, recolhido e contemplativo, se une assim à sua imagem eterna e quando, nessa limpidez, graças ao Filho, encontra o seu lugar no seio do Pai, fica iluminado pela verdade divina. Porque é preciso saber que o Pai celestial, abismo vivo, está voltado, pelas suas obras e com tudo o que nele vive, para o Filho, sua eterna Sabedoria (cf Pr 8,22s); e essa mesma Sabedoria, com tudo o que nela vive, reflete-se, pelas suas obras, no Pai, isto é, no abismo de que saiu. Deste encontro brota a terceira Pessoa, aquele que está entre o Pai e o Filho, quer dizer, o Espírito Santo, o amor mútuo entre eles, que é um com os dois, numa mesma natureza. Esse amor abraça e atravessa com entusiasmo o Pai, o Filho e tudo o que neles vive, e fá-lo com tal opulência e tal alegria que todas as criaturas ficam reduzidas a um silêncio eterno. Porque a maravilha intocável que se esconde neste amor ultrapassará eternamente a compreensão de qualquer criatura. Quando reconhecemos esta maravilha e a saboreamos sem espanto, é porque o nosso espírito se encontra para lá de si mesmo e é um com o Espírito de Deus, saboreando e olhando sem medida, tal como Deus saboreia e olha a sua própria riqueza, na unidade da sua profundeza viva, segundo o seu modo incriado. Este delicioso encontro, que tem lugar em nós segundo o modo de Deus, é constantemente renovado. Porque, assim como o Pai olha sem cessar todas as coisas como novas no nascimento de seu Filho, assim elas são amadas de uma maneira nova pelo Pai e pelo Filho na efusão do Espírito Santo. Eis o encontro do Pai e do Filho, no qual nós somos amorosamente abraçados com um amor eterno, graças ao Espírito Santo.

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