Evangelho segundo São João 14,7-14.
Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Se Me conhecêsseis, conheceríeis também o meu Pai. Mas desde agora já O conheceis e já O vistes».
Disse-Lhe Filipe: «Senhor, mostra-nos o Pai e isto nos basta».
Respondeu-lhe Jesus: «Há tanto tempo que estou convosco e não Me conheces, Filipe? Quem Me vê, vê o Pai. Como podes tu dizer: "Mostra-nos o Pai"?
Não acreditas que Eu estou no Pai e o Pai está em Mim? As palavras que Eu vos digo, não as digo por Mim próprio; mas é o Pai, permanecendo em Mim, que faz as obras.
Acreditai-Me: Eu estou no Pai e o Pai está em Mim; acreditai ao menos pelas minhas obras.
Em verdade, em verdade vos digo: quem acredita em Mim fará também as obras que Eu faço e fará obras ainda maiores, porque Eu vou para o Pai.
E tudo quanto pedirdes em meu nome, Eu o farei, para que o Pai seja glorificado no Filho.
Se pedirdes alguma coisa em meu nome, Eu a farei».
Tradução litúrgica da Bíblia
(1920-2005)
Papa
Audiência geral de 16/12/1998
(trad. © copyright Libreria Editrice Vaticana, rev.)
«Eu vou para o Pai»
Ponto de partida da nossa reflexão são as palavras do Evangelho, que nos apontam em Jesus o Filho que revela o Pai. Os seus ensinamentos, o seu ministério, o seu próprio estilo de vida, tudo nele remete para o Pai (cf Jo 5,19.36; 8,28; 14,10; 17,6). Este é o centro da vida de Jesus e, por sua vez, Jesus é o único caminho para aceder ao Pai: «Ninguém vai ao Pai senão por Mim» (Jo 14,6). Jesus é o ponto de encontro dos seres humanos com o Pai, que nele Se tornou visível: «Quem Me vê, vê o Pai. Como podes tu dizer: "Mostra-nos o Pai"? Não acreditas que Eu estou no Pai e o Pai está em Mim?» (Jo 14,9-10).
A manifestação mais expressiva desta relação de Jesus com o Pai verifica-se na sua condição de ressuscitado, vértice da sua missão e fundamento de vida nova e eterna para todos os que nele acreditam. Mas a união entre o Filho e o Pai, como a união entre o Filho e os crentes, passa pelo mistério da «exaltação» de Jesus, em expressão típica do Evangelho de João. Com o termo «exaltação», o evangelista refere-se tanto à crucifixão como à glorificação de Cristo; ambas se refletem no crente: «Assim como Moisés elevou a serpente no deserto, também o Filho do homem será elevado, para que todo aquele que acredita tenha nele a vida eterna. Deus amou tanto o mundo que entregou o seu Filho Unigénito, para que todo o homem que acredita nele não pereça, mas tenha a vida eterna» (Jo 3,14-16).
Esta «vida eterna» consiste na participação dos crentes na própria vida de Jesus ressuscitado e na sua inserção naquele círculo de amor que une o Pai e o Filho, os quais são uma só coisa (cf Jo 10,30; 17,21-22).

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