Mostrando postagens com marcador Evangelho do Dia. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Evangelho do Dia. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 17 de setembro de 2026

EVANGELHO DO DIA 17 DE SETEMBRO

Evangelho segundo São Lucas 7,36-50.
Naquele tempo, um fariseu convidou Jesus para comer com ele. Jesus entrou em casa do fariseu e tomou lugar à mesa. Então, uma mulher – uma pecadora que vivia na cidade –, ao saber que Ele estava à mesa em casa do fariseu, trouxe um vaso de alabastro com perfume; pôs-se atrás de Jesus e, chorando muito, banhava-Lhe os pés com as lágrimas e enxugava-lhos com os cabelos, beijava-os e ungia-os com o perfume. Ao ver isto, o fariseu que tinha convidado Jesus pensou consigo: «Se este homem fosse profeta, saberia que a mulher que O toca é uma pecadora». Jesus tomou a palavra e disse-lhe: «Simão, tenho uma coisa a dizer-te». Ele respondeu: «Fala, Mestre». Jesus continuou: «Certo credor tinha dois devedores: um devia-lhe quinhentos denários e o outro cinquenta. Como não tinham com que pagar, perdoou a ambos. Qual deles ficará mais seu amigo?». Respondeu Simão: «Aquele – suponho eu – a quem mais perdoou». Disse-lhe Jesus: «Julgaste bem». E, voltando-Se para a mulher, disse a Simão: «Vês esta mulher? Entrei em tua casa e não Me deste água para os pés; mas ela banhou-Me os pés com as lágrimas e enxugou-os com os cabelos. Não Me deste o ósculo; mas ela, desde que entrei, não cessou de beijar-Me os pés. Não Me derramaste óleo na cabeça; mas ela ungiu-Me os pés com perfume. Por isso te digo: são-lhe perdoados os seus muitos pecados, porque muito amou; mas aquele a quem pouco se perdoa, pouco ama». Depois, disse à mulher: «Os teus pecados estão perdoados». Então, os convivas começaram a dizer entre si: «Quem é este homem que até perdoa os pecados?». Mas Jesus disse à mulher: «A tua fé te salvou. Vai em paz». 
Tradução litúrgica da Bíblia 
Homilia atribuída a 
São Macário (390) 
Monge do Egipto 
Homilias espirituais, 30, 9 
O acolhimento do fariseu e 
o acolhimento da pecadora 
Acolhamos o nosso Deus e Senhor, o verdadeiro médico, o único que é capaz de curar a nossa alma ao vir a nós, Ele que tanto penou por nós. Ele bate sem cessar à porta do nosso coração, para que Lha abramos e O deixemos entrar para Ele repousar na nossa alma, para que Lhe lavemos os pés e O cubramos com perfume, para fazer em nós a sua morada. Com efeito, Jesus acusa aquele que não Lhe lavou os pés, dizendo: «Eu estou à porta e chamo. Se alguém ouvir a minha voz e Me abrir a porta, entrarei em sua casa» (Ap 3,20). Foi para isto – para vir à nossa alma e fazer dela sua morada – que Ele suportou tantos sofrimentos, que entregou o seu corpo à morte e nos resgatou da servidão. É por isso que o Senhor dirá àqueles que, no julgamento, estiverem à sua esquerda e forem enviados para a geena: «Tive fome e não Me destes de comer; tive sede e não Me destes de beber» (Mt 25,42ss). Porque a sua comida, a sua bebida, as suas roupas, o seu teto, o seu repouso estão no nosso coração; por isso, Ele bate sem cessar, querendo entrar em nós; acolhamo-lo, portanto, e recebamo-lo dentro de nós, pois Ele é também o nosso alimento, a nossa bebida, a nossa vida eterna. E toda a alma que não O acolhe dentro de si, para Ele aí encontrar repouso, ou antes, para que ela repouse nele, não herdará o Reino dos Céus com os santos e não poderá entrar na cidade celeste. Mas Tu, Senhor Jesus Cristo, deixa-nos entrar, a nós que glorificamos o teu nome, com o Pai e o Espírito Santo, por todos os séculos. Ámen.

quarta-feira, 16 de setembro de 2026

EVANGELHO DO DIA 16 DE SETEMBRO

Evangelho segundo São Lucas 7,31-35. 
Naquele tempo, disse Jesus à multidão: «A quem hei de comparar os homens desta geração? Com quem se parecem? São como as crianças, que, sentadas na praça, falam umas com as outras, dizendo: "Tocámos flauta para vós e não dançastes, entoámos lamentações e não chorastes!" Porque veio João Batista, que não comia nem bebia vinho, e vós dizeis: "Tem o demónio com ele". Veio o Filho do homem, que come e bebe, e vós dizeis: "É um glutão e um ébrio, amigo de publicanos e pecadores". Mas a Sabedoria é justificada por todos os seus filhos». 
Tradução litúrgica da Bíblia 
São Basílio 
(330-379) 
Monge, 
bispo de Cesareia da Capadócia, 
doutor da Igreja 
Grandes Regras monásticas, Prólogo 
Deus não Se cansa de 
nos chamar à conversão 
Até quando adiaremos obedecer a Cristo, que nos chama para o seu reino celeste? Quando nos decidiremos a purificar-nos? Não nos decidiremos a abandonar o nosso género habitual de vida, para seguir a fundo o Evangelho? Afirmamos desejar o reino de Deus, mas não nos preocupamos grandemente com os meios para o alcançar. E, apesar de não nos dedicarmos minimamente à observância dos mandamentos do Senhor, estamos convencidos, na vaidade do nosso espírito, de que somos dignos de receber a mesma recompensa que recebem aqueles que resistiram ao pecado até à morte. Mas quem é o homem que, tendo-se deitado em sua casa a dormir no tempo da sementeira, pode recolher braços cheios de espigas no tempo da colheita? Quem poderá fazer a vindima sem ter plantado e cultivado a vinha? Os frutos são para aqueles que trabalharam; as recompensas e as coroas, para aqueles que venceram. Foi jamais coroado atleta algum que não se tenha sequer despido para combater o adversário? E nem sequer basta vencer, é também necessário «competir segundo as regras» (2Tim 2,5), como diz o apóstolo Paulo, isto é, segundo os mandamentos que nos foram dados. Deus é bom, mas também é justo: o Senhor «ama a justiça e a retidão» (Sl 33,5); por isso, «Quero cantar a bondade e a justiça: a Vós, Senhor, entoarei salmos» (Sl 101,1). Vê com que discernimento usa o Senhor de misericórdia: não é misericordioso sem examinar, como não julga sem piedade, porque «justo e compassivo é o Senhor, o nosso Deus é misericordioso» (Sl 116,5). Não tenhamos, pois, uma ideia truncada de Deus; o seu amor por nós não deve ser um pretexto para sermos negligentes.

terça-feira, 15 de setembro de 2026

EVANGELHO DO DIA 15 DE SETEMBRO

Evangelho segundo São João 19,25-27. 
Naquele tempo, estavam junto à cruz de Jesus sua Mãe, a irmã de sua Mãe, Maria, mulher de Cléofas, e Maria Madalena. Ao ver sua Mãe e o discípulo predileto, Jesus disse a sua Mãe: «Mulher, eis o teu filho». Depois disse ao discípulo: «Eis a tua Mãe». E, a partir daquela hora, o discípulo recebeu-a em sua casa. 
Tradução litúrgica da Bíblia 
São Charles de Foucauld 
(1858-1916) 
Eremita e missionário no Saara 
Meditações sobre os Santos Evangelhos 
«Eis a tua Mãe» 
«Eis o teu filho», diz Nosso Senhor à Santíssima Virgem, dando-lhe todos os seres humanos como filhos, ordenando-lhe que tenha para todos um coração de Mãe. Ela cumpriu, e continuará a cumprir por toda a eternidade, com incomparável perfeição, esta ordem de Deus, como cumpriu todas as ordens que dele recebeu. Tenhamos, pois, a certeza absoluta de que ela tem um coração materno para cada ser humano, e recorramos a esta Mãe amada e omnipotente em todas as nossas necessidades com a mesma confiança que uma criança deposita na sua mãe, a uma Mãe que nos ama infinitamente mais do que qualquer mãe terrena poderia amar-nos, a uma Mãe que pode obter para nós de Deus absolutamente tudo o que é verdadeiramente bom para a nossa alma. «Eis a tua Mãe», diz o Senhor a cada alma. Todos devemos tratar a Santíssima Virgem como nossa Mãe, cumprindo com ela os deveres que um bom filho deve a Mãe tão boa: afeto, honra, serviço, confiança, em suma, tudo o que o próprio Senhor concedeu à Santíssima Virgem! Amemo-la, honremo-la, vamos ter com ela, conversemos com ela em oração; sirvamo-la, ajudando-a da melhor forma possível em todas as obras que ela favorece, em todas as que são realizadas em sua honra; tenhamos absoluta confiança nela e invoquemo-la sem hesitar com essa confiança em todas as nossas necessidades, em todos os nossos desejos, em todos os nossos empreendimentos, em todas as nossas obras, em todas as nossas ações. Sejamos filhos ternos, recordando que esse é um ponto essencial da obediência a Jesus e da imitação de Jesus: da obediência, porque Ele no-lo ordenou de maneira formal e solene do alto da cruz; e da imitação, porque Ele foi sempre um Filho modelar para sua Mãe.

segunda-feira, 14 de setembro de 2026

EVANGELHO DO DIA 14 DE SETEMBRO

Evangelho segundo São João 3,13-17. 
Naquele tempo, disse Jesus a Nicodemos: «Ninguém subiu ao Céu senão Aquele que desceu do Céu: o Filho do homem. Assim como Moisés elevou a serpente no deserto, também o Filho do homem será elevado, para que todo aquele que acredita tenha nele a vida eterna». Deus amou tanto o mundo que entregou o seu Filho Unigénito, para que todo o homem que acredita nele não pereça, mas tenha a vida eterna. Porque Deus não enviou o seu Filho ao mundo para condenar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por Ele».
Tradução litúrgica da Bíblia 
Santa Isabel da Santíssima Trindade 
(1880-1906) 
Carmelita 
Poesia 114 
A habitação da alma que ama 
Onde habitava Ele, senão na dor? 
Na dor imensa, na dor suprema? 
Esta é a morada da alma que ama 
e conforma a sua vida com a do Salvador. 

Não temas a dor, pois ela é promessa de amor. 
Refugia-te por inteiro à sombra da cruz, 
pois Aquele que ela sustenta te dará luz. 
Ele te fortalecerá para lutares dia a dia.

domingo, 13 de setembro de 2026

EVANGELHO DO DIA 13 DE SETEMBRO

Evangelho segundo São Mateus 18,21-35. 
Naquele tempo, Pedro aproximou-se de Jesus e perguntou-Lhe: «Se meu irmão me ofender, quantas vezes deverei perdoar-lhe? Até sete vezes?». Jesus respondeu: «Não te digo até sete vezes, mas até setenta vezes sete. Na verdade, o Reino de Deus pode comparar-se a um rei que quis ajustar contas com os seus servos. Logo de começo, apresentaram-lhe um homem que devia dez mil talentos. Não tendo com que pagar, o senhor mandou que fosse vendido, com a mulher, os filhos e tudo quanto possuía, para assim pagar a dívida. Então, o servo prostrou-se a seus pés, dizendo: "Senhor, concede-me um prazo e tudo te pagarei". Cheio de compaixão, o senhor daquele servo deu-lhe a liberdade e perdoou-lhe a dívida. Ao sair, o servo encontrou um dos seus companheiros, que lhe devia cem denários. Segurando-o, começou a apertar-lhe o pescoço, dizendo: "Paga o que me deves". Então, o companheiro caiu a seus pés e suplicou-lhe, dizendo: "Concede-me um prazo e pagar-te-ei". Ele, porém, não consentiu e mandou-o prender, até que pagasse tudo quanto devia. Testemunhas desta cena, os seus companheiros ficaram muito tristes e foram contar ao senhor tudo o que havia sucedido. Então, o senhor mandou-o chamar e disse: "Servo mau, perdoei-te tudo o que me devias, porque mo pediste. Não devias, também tu, compadecer-te do teu companheiro, como eu tive compaixão de ti?". E o senhor, indignado, entregou-o aos verdugos, até que pagasse tudo o que lhe devia. Assim procederá convosco meu Pai celeste, se cada um de vós não perdoar a seu irmão de todo o coração».
Tradução litúrgica da Bíblia 
São Cipriano 
(200-258) 
Bispo de Cartago e mártir 
A oração do Senhor, 23-24 
«Perdoai-nos as nossas ofensas, 
assim como nós perdoamos 
a quem nos tem ofendido» 
O Senhor manda-nos a perdoar as dívidas aos nossos devedores, tal como Lhe pedimos que nos perdoe as nossas (cf Mt 6,12). Temos de saber que não podemos obter o que pedimos em relação aos nossos pecados se não fizermos o mesmo àqueles que pecaram para connosco; por isso, Cristo diz também: «Segundo a medida com que medirdes vos será medido» (Mt 7,2). E o servo que, depois de lhe ter sido perdoada a dívida, não quis perdoar a do seu companheiro foi lançado na prisão; porque não quis usar de clemência para com o seu companheiro, perdeu o que o seu senhor lhe oferecera. Cristo estabelece-o ainda com mais força nos seus preceitos, quando decreta: «E quando estiverdes a orar, se tiverdes alguma coisa contra alguém, perdoai, para que o vosso Pai que está nos Céus vos perdoe também as vossas faltas. Porque, se não perdoardes, também o vosso Pai que está no Céu não perdoará as vossas ofensas» (Mc 11,25-26). Quando Abel e Caim ofereceram os primeiros sacrifícios, não foi para as suas oferendas que Deus olhou, mas para o coração de um e outro (cf Gn 4,3s): aquele cuja oferenda Lhe agradou foi aquele cujo coração Lhe agradou. Abel, pacífico e justo, oferecendo o sacrifício a Deus na inocência, ensinou-nos a oferecer os nossos dons no altar com um coração simples, com sentido de justiça, concórdia e paz; pois, oferecendo o seu sacrifício a Deus com essas disposições, mereceu tornar-se ele próprio uma oferenda preciosa e dar o primeiro testemunho do martírio: pela glória do seu sangue, prefigurou a Paixão do Senhor, porque possuía a justiça e a paz do Senhor. São homens assim que são coroados pelo Senhor, e que, no dia do juízo, dele obterão justiça.

sexta-feira, 11 de setembro de 2026

EVANGELHO DO DIA 11 DE SETEMBRO

Evangelho segundo São Lucas 6,39-42. 
Naquele tempo, disse Jesus aos discípulos a seguinte parábola: «Poderá um cego guiar outro cego? Não cairão os dois nalguma cova? O discípulo não é superior ao mestre, mas todo o discípulo perfeito deverá ser como o seu mestre. Porque vês o argueiro que o teu irmão tem na vista e não reparas na trave que está na tua? Como podes dizer a teu irmão: "Irmão, deixa-me tirar o argueiro que tens na vista", se tu não vês a trave que está na tua? Hipócrita, tira primeiro a trave da tua vista e então verás bem para tirar o argueiro da vista do teu irmão. 
Tradução litúrgica da Bíblia 
São Cirilo de Alexandria 
(380-444) 
Bispo, doutor da Igreja
Comentário
sobre o evangelho de Lucas, 6 
O discípulo bem formado será 
como o seu mestre 
«O discípulo não é superior ao mestre, 
mas todo o discípulo perfeito 
deverá ser como o seu mestre». 
Os bem-aventurados discípulos estavam destinados a tornar-se guias e mestres espirituais em todo o mundo; por isso, tinham de dar provas, mais do que quaisquer outros, de um fervor visível, mas também de estar familiarizados com a maneira de viver segundo o Evangelho e dispostos a praticar as boas obras. Com efeito, eles teriam de transmitir àqueles que instruíssem a doutrina exata, salutar e estritamente conforme à verdade, depois de primeiramente a terem contemplado e de terem deixado a luz divina iluminar-lhes a inteligência; sem isso, seriam cegos a conduzir outros cegos, pois aqueles que estão mergulhados nas trevas da ignorância não podem conduzir ao conhecimento da verdade os homens que sofrem essa mesma ignorância: correriam o risco de cair todos juntos no abismo das suas más tendências. Foi por isso que, querendo travar a inclinação para a vanglória presente em tantas pessoas e dissuadi-las de rivalizar com os seus mestres para ultrapassarem a reputação destes, o Senhor disse: «O discípulo não é superior ao mestre»; mesmo que alguém atinja um grau de virtude igual à dos seus predecessores, deverá imitar sobretudo a modéstia deles. Paulo dá-nos uma prova disso quando diz: «Sede meus imitadores, como eu o sou de Cristo» (1Cor 11,1). Se assim é, porque julgas, se o Mestre ainda não julga? Com efeito, Ele não veio para julgar o mundo (cf Jo 12,47), mas para o encher de graça. Se Eu não julgo, diz-te Ele, não julgues também tu, que és meu discípulo; pode acontecer que sejas mais culpado do que aquele que estás a julgar. «Porque vês o argueiro que o teu irmão tem na vista?».

quinta-feira, 10 de setembro de 2026

EVANGELHO DO DIA 10 DE SETEMBRO

Evangelho segundo São Lucas 6,27-38. 
Naquele tempo, Jesus falou aos seus discípulos, dizendo: «Digo-vos, a vós que Me escutais: amai os vossos inimigos, fazei bem aos que vos odeiam, abençoai os que vos amaldiçoam, orai por aqueles que vos injuriam. A quem te bater numa face, apresenta-lhe também a outra; e a quem te levar a capa, deixa-lhe também a túnica. Dá a todo aquele que te pedir, e ao que levar o que é teu, não o reclames. Como quereis que os outros vos façam, fazei-lho vós também. Se amais aqueles que vos amam, que agradecimento mereceis? Também os pecadores amam aqueles que os amam. Se fazeis bem aos que vos fazem bem, que agradecimento mereceis? Também os pecadores fazem o mesmo. E, se emprestais àqueles de quem esperais receber, que agradecimento mereceis? Também os pecadores emprestam aos pecadores, a fim de receberem outro tanto. Vós, porém, amai os vossos inimigos, fazei o bem e emprestai sem nada esperar em troca. Então, será grande a vossa recompensa e sereis filhos do Altíssimo, que é bom até para os ingratos e os maus. Sede misericordiosos, como o vosso Pai é misericordioso. Não julgueis e não sereis julgados. Não condeneis e não sereis condenados. Perdoai e sereis perdoados. Dai e dar-se-vos-á; deitar-vos-ão no regaço uma boa medida, calcada, sacudida, a transbordar. A medida que usardes com os outros será usada também convosco».
Tradução litúrgica da Bíblia 
Santa Catarina de Sena 
(1347-1380) 
Terceira dominicana, 
doutora da Igreja, 
copadroeira da Europa 
 Carta 42 ao rei Luís da Hungria, n.º 188 
Os sinais da caridade
 verdadeira e perfeita 
Caríssimo pai em Cristo, o manso Jesus, eu, Catarina, escrava dos servos de Jesus Cristo, escrevo-vos no precioso sangue de Jesus, com o desejo de vos ver fundado na caridade verdadeira e perfeita. Eis um dos sinais particulares que mostram se a alma está ou não na caridade: não despreza ninguém, mas suporta pacientemente as faltas alheias; não se irrita, mas é cheia de mansidão; não torna o homem injusto, mas justo, levando-o dar a cada um o que lhe é devido, quer obedeça, quer ordene. O homem caridoso dá glória a Deus e louvor ao seu nome; tem para si ódio e horror ao pecado, e amor e benevolência com o próximo. Se é poderoso e tem de exercer a justiça, tanto ouve o grande como o pequeno, o pobre como o rico. Não mancha a consciência cedendo à lisonja, às ameaças, ao prazer ou ao desagrado; mas mantém a balança equilibrada, dando a cada um o que a justiça exige. Serve zelosamente o seu próximo, tendo para com ele o amor que tem por Deus: não podendo servir a Deus diretamente, esforça-se por servir aquilo que Deus tanto ama, a criatura racional, que lhe foi dada como intermediária. Quão doce é a caridade, mãe terna e desprovida de amargura, que leva alegria ao coração de quem a possui.

terça-feira, 8 de setembro de 2026

EVANGELHO DO DIA 08 DE SETEMBRO

Evangelho segundo São Mateus 1,1-16.18-23. 
Genealogia de Jesus Cristo, Filho de David, Filho de Abraão: Abraão gerou Isaac; Isaac gerou Jacob; Jacob gerou Judá e seus irmãos. Judá gerou, de Tamar, Farés e Zara; Farés gerou Esrom; Esrom gerou Arão; Arão gerou Aminadab; Aminadab gerou Naasson; Naasson gerou Salmon; Salmon gerou, de Raab, Booz; Booz gerou, de Rute, Obed; Obed gerou Jessé; Jessé gerou o rei David. David, da mulher de Urias, gerou Salomão; Salomão gerou Roboão; Roboão gerou Abias; Abias gerou Asa; Asa gerou Josafat; Josafat gerou Jorão; Jorão gerou Ozias; Ozias gerou Joatão; Joatão gerou Acaz; Acaz gerou Ezequias; Ezequias gerou Manassés; Manassés gerou Amon; Amon gerou Josias; Josias gerou Jeconias e seus irmãos, ao tempo do desterro de Babilónia. Depois do desterro de Babilónia, Jeconias gerou Salatiel; Salatiel gerou Zorobabel; Zorobabel gerou Abiud; Abiud gerou Eliacim; Eliacim gerou Azor; Azor gerou Sadoc; Sadoc gerou Aquim; Aquim gerou Eliud; Eliud gerou Eleazar; Eleazar gerou Matã; Matã gerou Jacob; Jacob gerou José, esposo de Maria, da qual nasceu Jesus, chamado Cristo. O nascimento de Jesus deu-se do seguinte modo: Maria, sua Mãe, noiva de José, antes de terem vivido em comum, encontrara-se grávida por virtude do Espírito Santo. Mas José, seu esposo, que era justo e não queria difamá-la, resolveu repudiá-la em segredo. Tinha ele assim pensado, quando lhe apareceu num sonho o anjo do Senhor, que lhe disse: «José, filho de David, não temas receber Maria, tua esposa, pois o que nela se gerou é fruto do Espírito Santo. Ela dará à luz um Filho, e tu pôr-Lhe-ás o nome de Jesus, porque Ele salvará o povo dos seus pecados». Tudo isto aconteceu para se cumprir o que o Senhor anunciara por meio do Profeta, que diz: «A Virgem conceberá e dará à luz um Filho, que será chamado Emanuel, que quer dizer Deus connosco». 
Tradução litúrgica da Bíblia 
São Teodoro Estudita 
(759-826) 
Monge de Constantinopla 
Homilia n.º 2 para a 
Natividade de Maria, 4, 7 
A Virgem Maria, apaixonadamente
amada por Deus! 
Nunca nada esteve tão próximo de Deus como a bem-aventurada e admirável Virgem Maria. Haverá ser mais puro? Haverá ser mais irrepreensível? Ela era tão apaixonadamente amada por Deus, luz suprema e infinitamente pura, que Ele Se combinou substancialmente com ela pela erupção do Espírito Santo e dela nasceu, Homem perfeito, mantendo a sua própria natureza imutável e sem mistura. Que maravilha! No seu imenso amor pelos homens, Deus não Se envergonhou de tomar como mãe aquela que era sua serva. Que condescendência! Na sua infinita bondade, não hesitou em tornar-Se filho daquela que Ele próprio tinha moldado. Estava verdadeiramente apaixonado pela mais graciosa das suas criaturas e tomou para Si aquela que valia mais do que as potências do Céu, a quem que se aplicam estas palavras do profeta Zacarias: «Exulta e alegra-te, filha de Sião, porque Eu venho habitar no meio de ti, oráculo do Senhor» (Zc 2,14). Alegra-te, casa do Senhor, terra que Deus pisou com os seus passos, tu que contiveste na tua carne Aquele cuja divindade transborda todo o lugar. Foi de ti que Aquele que é a própria simplicidade assumiu a natureza complexa do homem: o Eterno entrou no tempo e o Infinito adquiriu limites. Alegra-te, ó cheia de graça (cf Lc 1,28): a tua obra e o teu nome são mais alegres do que qualquer alegria, pois de ti veio ao mundo a alegria imortal, Cristo, que é remédio para a tristeza dos homens. Alegra-te, paraíso mais feliz do que o jardim do Éden, onde germinou toda a virtude e cresceu a árvore da Vida.

segunda-feira, 7 de setembro de 2026

EVANGELHO DO DIA 07 DE SETEMBRO

Evangelho segundo São Lucas 6,6-11. 
Naquele tempo, Jesus entrou numa sinagoga a um sábado e começou a ensinar. Estava lá um homem com a mão direita paralítica. Os escribas e fariseus observavam Jesus, para verem se Ele ia curar ao sábado e encontrarem assim um pretexto para O acusarem. Mas Jesus, conhecendo os seus pensamentos, disse ao homem que tinha a mão paralítica: «Levanta-te e põe-te de pé, aí no meio». O homem levantou-se e ficou de pé. Depois Jesus disse-lhes: «Eu pergunto-vos se é permitido ao sábado fazer bem ou fazer mal, salvar a vida ou tirá-la». Então olhou para todos à sua volta e disse ao homem: «Estende a mão». Ele assim fez e a mão ficou curada. Os escribas e fariseus ficaram furiosos e começaram a falar entre si do que haviam de fazer a Jesus. 
Tradução litúrgica da Bíblia 
Santo Ambrósio 
(340-397) 
Bispo de Milão, 
doutor da Igreja 
Comentário sobre o Evangelho de São Lucas, V, 39
«Estava lá um homem 
com a mão direita paralítica» 
O Senhor impregnou com a seiva salutar das boas obras a mão que Adão estendera para colher os frutos da árvore proibida, para que, estando ressequida pelo erro, fosse curada pelas boas obras. Naquela ocasião, Cristo ataca os seus adversários, que com falsas interpretações violavam os princípios da Lei; julgavam eles que o sábado devia ser observado como dia de descanso, não sendo permitido o trabalho, nem sequer para a realização de boas obras. Mas a Lei prefigurou no presente o aspeto do futuro onde, seguramente, será o mal a não trabalhar, não o bem. Ouviste, pois, as palavras do Senhor: «Estende a mão». É este o remédio para todo o homem; e tu, que crês ter a mão sã, toma cuidado para que a avareza, o sacrilégio, não a paralise. Estende-a pois, sempre: estende-a a esse pobre que te implora auxílio, estende-a para ajudares o teu próximo, para socorreres a viúva, para arrancares da injustiça aquele que vês submetido a imerecida vexação; estende-a a Deus, pelos teus pecados. Assim se deve estender a mão; e assim ela será curada.

domingo, 6 de setembro de 2026

EVANGELHO DO DIA 06 DE SETEMBRO

Evangelho segundo São Mateus 18,15-20. 
Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Se o teu irmão te ofender, vai ter com ele e repreende-o a sós. Se te escutar, terás ganhado o teu irmão. Se não te escutar, toma contigo mais uma ou duas pessoas, para que toda a questão fique resolvida pela palavra de duas ou três testemunhas. Mas, se ele não lhes der ouvidos, comunica o caso à Igreja; e, se também não der ouvidos à Igreja, considera-o como um pagão ou um publicano. Em verdade vos digo: tudo o que ligardes na Terra será ligado no Céu; e tudo o que desligardes na Terra será desligado no Céu. Digo-vos ainda: se dois de vós se unirem na Terra para pedirem qualquer coisa, ser-lhes-á concedida por meu Pai que está nos Céus. Na verdade, onde estão dois ou três reunidos em meu nome, Eu estou no meio deles». 
Tradução litúrgica da Bíblia 
Santo Efrém 
(306-373) 
Diácono da Síria, 
doutor da Igreja 
Hino inédito 
«Eu estou no meio deles» 
Aquele que celebra sozinho no coração do deserto é uma assembleia numerosa. Se dois se unirem para celebrar entre os rochedos, aí estarão presentes milhões, miríades. Se três se reunirem, um quarto estará no meio deles. Se forem seis ou sete, estarão reunidos doze mil milhões. Se se puserem em fila, encherão o firmamento de orações. Se estiverem crucificados sobre a rocha, e marcados com uma cruz de luz, a Igreja estará fundada. Se estiverem reunidos, o Espírito plana sobre as suas cabeças. E, quando terminam a sua oração, o Senhor levanta-Se e serve os seus servidores (cf Lc 12,37; Jo 13,4)

sábado, 5 de setembro de 2026

EVANGELHO DO DIA 05 DE SETEMBRO

Evangelho segundo São Lucas 6,1-5. 
Passava Jesus através das searas num dia de sábado e os discípulos apanhavam e comiam as espigas, debulhando-as com as mãos. Alguns fariseus disseram: «Porque fazeis o que não é permitido ao sábado?». Respondeu-lhes Jesus: «Não lestes o que fez David, quando ele e os seus companheiros sentiram fome? Entrou na casa de Deus, tomou e comeu os pães da proposição, que só aos sacerdotes era permitido comer, e também os deu aos companheiros». E acrescentou: «O Filho do homem é Senhor do sábado». 
Tradução litúrgica da Bíblia 
Santo Agostinho 
(354-430) 
Bispo de Hipona 
(norte de África), 
doutor da Igreja 
Sobre o sentido literal do Génesis, IV, 13-14 
Entrar no repouso de Deus 
«Deus viu tudo o que tinha feito: 
era tudo muito bom. E, no sétimo dia, 
descansou do trabalho que tinha realizado»
(Gn 1,31-2,2). 
As obras de Deus são boas e Ele repousará nas nossas obras, se estas também forem boas. Foi como sinal deste repouso que Ele prescreveu ao povo hebraico a observância do sábado. Mas eles praticavam-no de uma forma tão material que repreendiam Nosso Senhor quando O viam operar a nossa salvação em dia de sábado. Tal atitude valeu-lhes uma resposta justa: «Meu Pai trabalha incessantemente e Eu também trabalho» (Jo 5,17), não só governando com Ele toda a criação, mas realizando a nossa salvação. Quando, porém, a graça foi revelada, os fiéis foram libertados do preceito do sábado, que consistia na observância de um dia. Agora, pela graça, o cristão observa um sábado perpétuo, se fizer o bem na esperança do repouso que há de vir e não se glorificar das suas boas obras como se elas lhe pertencessem e não as tivesse recebido. Assim, recebendo e considerando o sacramento do batismo como um sábado, isto é, como o repouso do Senhor no seu túmulo (cf Rom 6,4), o cristão repousa das suas obras passadas, caminha pelas veredas de uma vida nova e reconhece que Deus age nele, Ele que governa as suas criaturas em repouso, porque tem em Si a tranquilidade eterna. Deus não Se fatigou ao criar, nem repousou ao cessar de criar; mas quis inspirar-nos, através da linguagem da Sagrada Escritura, o desejo do seu repouso: quis santificar aquele dia como se, mesmo para Ele que não Se fatiga ao trabalhar, o repouso tivesse mais valor do que a ação. É isso que o evangelho nos ensina quando o Senhor diz que Maria, ao sentar-se e permanecer em repouso a seus pés para escutar a sua palavra, escolheu uma parte melhor do que a de Marta, ainda que esta se dedicasse a obras de serviço (cf Lc 10,39s).

quinta-feira, 3 de setembro de 2026

EVANGELHO DO DIA 03 DE SETEMBRO

Evangelho segundo São Lucas 5,1-11. 
Naquele tempo, estava a multidão aglomerada em volta de Jesus, para ouvir a palavra de Deus. Ele encontrava-Se na margem do lago de Genesaré e viu dois barcos estacionados no lago. Os pescadores tinham deixado os barcos e estavam a lavar as redes. Jesus subiu para um barco, que era de Simão, e pediu-lhe que se afastasse um pouco da terra. Depois sentou-Se e do barco pôs-Se a ensinar a multidão. Quando acabou de falar, disse a Simão: «Faz-te ao largo e lançai as redes para a pesca». Respondeu-Lhe Simão: «Mestre, andámos na faina toda a noite e não apanhámos nada. Mas, já que o dizes, lançarei as redes». Eles assim fizeram e apanharam tão grande quantidade de peixes que as redes começavam a romper-se. Fizeram sinal aos companheiros que estavam no outro barco para os virem ajudar; eles vieram e encheram ambos os barcos de tal modo que quase se afundavam. Ao ver o sucedido, Simão Pedro lançou-se aos pés de Jesus e disse-Lhe: «Senhor, afasta-Te de mim, que sou um homem pecador». Na verdade, o temor tinha-se apoderado dele e de todos os seus companheiros, por causa da pesca realizada. Isto mesmo sucedeu a Tiago e a João, filhos de Zebedeu, que eram companheiros de Simão. Jesus disse a Simão: «Não temas. Daqui em diante, serás pescador de homens». Tendo conduzido os barcos para terra, eles deixaram tudo e seguiram Jesus. 
Tradução litúrgica da Bíblia 
Santo Agostinho 
(354-430) 
Bispo de Hipona 
(norte de África), 
doutor da Igreja 
Sermão 43, 5-6 
«Não temas. Daqui em diante, 
serás pescador de homens» 
Como é grande a bondade de Cristo! Pedro foi pescador; e, atualmente, um orador que seja capaz de compreender este pescador merece um grande elogio. Era por isso que o apóstolo Paulo dizia aos primeiros cristãos: «Considerai, pois, irmãos, a vossa vocação: humanamente falando, não há entre vós muitos sábios, nem muitos poderosos, nem muitos nobres. Mas Deus escolheu o que é louco aos olhos do mundo, para confundir os sábios; escolheu o que é fraco, para confundir o forte; escolheu o que é vil e desprezível, o que nada vale aos olhos do mundo, para reduzir a nada aquilo que vale» (1Cor 1, 26-28). Porque, se Cristo tivesse escolhido um orador, este poderia dizer: «Fui escolhido pela minha eloquência»; se tivesse escolhido um senador, este poderia dizer: «Fui escolhido por causa do meu cargo»: enfim, se tivesse escolhido um imperador, este poderia dizer: «Fui escolhido devido ao poder que tenho». Essas pessoas que esperem um pouco e tenham calma, pois não serão esquecidas nem rejeitadas; que esperem um pouco, porque poderiam glorificar-se do que são por si próprias. «Deem-me este pescador», disse Cristo, «deem-me este homem simples e sem instrução, deem-me aquele com quem o senador não se digna falar, mesmo quando lhe compra peixe. Sim, deem-me este homem; e, quando Eu o tiver preenchido, ver-se-á claramente que sou Eu que ajo. É certo que também concluirei a minha obra no senador, no orador e no imperador, mas a minha ação será mais evidente no pescador. O senador, o orador e o imperador podem gloriar-se daquilo que são; o pescador apenas pode gloriar-se de Cristo. Assim, será o pescador a ensinar-lhes a humildade que leva à salvação. Por isso, que ele seja o primeiro».

quarta-feira, 2 de setembro de 2026

EVANGELHO DO DIA 02 DE SETEMBRO

Evangelho segundo São Lucas 4,38-44. 
Naquele tempo, Jesus saiu da sinagoga e entrou em casa de Simão. A sogra de Simão estava com febre muito alta e pediram a Jesus que fizesse alguma coisa por ela. Jesus, aproximando-Se da sua cabeceira, falou imperiosamente à febre, e a febre deixou-a. Ela levantou-se e começou logo a servi-los. Ao pôr do sol, todos os que tinham doentes com diversas enfermidades traziam-nos a Jesus e Jesus, impondo as mãos sobre cada um deles, curava-os. De muitos deles saíam demónios, que diziam em altos gritos: «Tu és o Filho de Deus». Mas Jesus, em tom severo, impedia-os de falar, porque sabiam que Ele era o Messias. Ao romper do dia, Jesus dirigiu-Se a um lugar deserto. A multidão foi à procura dele e, tendo-O encontrado, queria retê-lo, para que não os deixasse. Mas Jesus disse-lhes: «Tenho de ir também às outras cidades anunciar a boa nova do Reino de Deus, porque para isto fui enviado». E pregava pelas sinagogas da Judeia.
Tradução litúrgica da Bíblia 
Guilherme de Saint-Thierry 
(1085-1148) 
Monge beneditino, depois cisterciense 
Meditações 
«Dirigiu-Se a um lugar deserto» 
Tu, meu refúgio e minha força, leva-me, como outrora levaste o teu servo Moisés, ao interior do teu deserto, ao lugar onde a sarça arde sem se consumir (cf Ex 3), onde a alma, invadida pelo fogo do Espírito Santo, se torna ardente sem se consumir, mas purificando-se. Leva-me a esse lugar onde não é possível permanecer e por onde não se avança sem antes se terem desatado as correias dos entraves carnais, onde, não sendo possível ver Aquele que é, se pode ouvi-lo dizer: «Eu sou Aquele que sou!» Nesse lugar, temos de cobrir o rosto para não ver o Senhor face a face (cf 1Rs 19,13), mas também temos de nos esforçar por escutar com humildade e obediência, para discernir o que Deus nos diz no interior do coração. Enquanto espero, esconde-me, Senhor, no recôndito da tua tenda (cf Sl 26,5) no dia da desgraça; esconde-me ao abrigo da tua face longe das línguas provocadoras (cf Sl 30,21), porque me impuseste o teu jugo suave e o teu fardo leve (cf Mt 11,30). E, quando me fazes medir a distância entre o teu serviço e o do mundo, perguntas-me com voz terna e doce se é melhor servir-Te a Ti, o Deus vivo, do que a deuses estranhos (2Cr 12,8). Então, eu adoro essa mão que pesa sobre mim e exclamo: «Demasiado tempo fui dominado por outros senhores! Só a Ti desejo pertencer, porque o teu braço me mantém erguido!».

terça-feira, 1 de setembro de 2026

EVANGELHO DO DIA 01 DE SETEMBRO

Evangelho segundo São Lucas 4,31-37. 
Naquele tempo, Jesus desceu a Cafarnaum, cidade da Galileia, e ali ensinava aos sábados. Todos se maravilhavam com a sua doutrina, porque falava com autoridade. Encontrava-se então na sinagoga um homem que tinha um espírito de demónio impuro, que bradou com voz forte: «Ah! Que tens que ver connosco, Jesus de Nazaré? Vieste para nos destruir? Eu sei quem Tu és: o Santo de Deus». Disse-lhe Jesus em tom severo: «Cala-te e sai desse homem». O demónio, depois de o ter arremessado para o meio dos presentes, saiu dele sem lhe fazer mal nenhum. Todos se encheram de assombro e diziam entre si: «Que palavra esta! Ordena com autoridade e poder aos espíritos impuros e eles saem!». E a fama de Jesus espalhava-se por todos os lugares da região. 
Tradução litúrgica da Bíblia 
São João Cassiano
(360-435) 
Fundador de mosteiro em Marselha 
Sobre os principados, XXV; SC 54 
Que o temor e a caridade de Deus 
nos protejam do demónio! 
Ninguém pode ser chamado pai dos espíritos a não ser Deus, que os criou quando Lhe aprouve; os homens só têm direito ao título de pais da nossa carne. Assim sendo, o diabo, criatura espiritual, angélica e originalmente boa, não teve outro pai senão Deus, que lhe deu a existência. Mas encheu-se de orgulho e disse no seu coração: «Subirei acima das nuvens e serei semelhante ao Altíssimo» (Is 14,14), tornando-se assim mentiroso e não permanecendo na verdade (cf Jo 8,44). Extraindo a falsidade do seu próprio fundo, ele não é apenas mentiroso, é o pai da mentira, como percebemos quando promete a divindade ao homem: «Sereis como deuses» (Gn 3,5), diz, pois não permaneceu na verdade. Além disso, torna-se assassino desde o princípio, pois introduz Adão na mortalidade e, como instigador do crime, faz que Abel pereça às mãos de seu irmão. Oremos, pois, ao Senhor para que o seu temor e a sua caridade que não morre perseverem inabalavelmente em nós; eles nos tornarão sábios em todas as coisas e nos manterão a salvo dos golpes do demónio. Com tais guardiões, é impossível cair nas armadilhas da morte. É esta precisamente a diferença que separa os perfeitos dos imperfeitos: nos primeiros, a caridade está profundamente enraizada e atingiu, por assim dizer, um desenvolvimento mais maduro; por isso, possui uma constância mais inabalável e mantém-nos com maior firmeza e facilidade na santidade; pelo contrário, estando menos firmemente estabelecida e tendo mais facilidade em arrefecer nos segundos, permite que sejam apanhados com mais frequência nas redes do pecado.

segunda-feira, 31 de agosto de 2026

EVANGELHO DO DIA 31 DE AGOSTO

Evangelho segundo São Lucas 4,16-30.
 
Naquele tempo, Jesus foi a Nazaré, onde Se tinha criado. Segundo o seu costume, entrou na sinagoga a um sábado e levantou-Se para fazer a leitura. Entregaram-Lhe o livro do profeta Isaías e, ao abrir o livro, encontrou a passagem em que estava escrito: «O Espírito do Senhor está sobre mim, porque Ele me ungiu para anunciar a boa nova aos pobres. Ele me enviou a proclamar a redenção aos cativos e a vista aos cegos, a restituir a liberdade aos oprimidos e a proclamar o ano da graça do Senhor». Depois, enrolou o livro, entregou-o ao ajudante e sentou-Se. Estavam fixos em Jesus os olhos de toda a sinagoga. Começou então a dizer-lhes: «Cumpriu-se hoje mesmo esta passagem da Escritura que acabais de ouvir». Todos davam testemunho em seu favor e se admiravam das palavras cheias de graça que saíam da sua boca. E perguntavam: «Não é este o filho de José?». Jesus disse-lhes: «Por certo Me citareis o ditado: "Médico, cura-te a ti mesmo". Faz também aqui na tua terra o que ouvimos dizer que fizeste em Cafarnaum». E acrescentou: «Em verdade vos digo: Nenhum profeta é bem recebido na sua terra. Em verdade vos digo que havia em Israel muitas viúvas no tempo do profeta Elias, quando o céu se fechou durante três anos e seis meses e houve uma grande fome em toda a Terra; contudo, Elias não foi enviado a nenhuma delas, mas a uma viúva de Sarepta, na região da Sidónia. Havia em Israel muitos leprosos no tempo do profeta Eliseu; contudo, nenhum deles foi curado, mas apenas o sírio Naamã». Ao ouvirem estas palavras, todos ficaram furiosos na sinagoga. Levantaram-se, expulsaram Jesus da cidade e levaram-no até ao cimo da colina sobre a qual a cidade estava edificada, a fim de O precipitarem dali abaixo. Mas Jesus, passando pelo meio deles, seguiu o seu caminho. 
Tradução litúrgica da Bíblia 
Faustino de Roma 
(século IV) 
Presbítero 
Tratado sobre a Trindade 
«Deus ungiu com a força do Espírito Santo
a Jesus de Nazaré» (At 10,38) 
O nosso Salvador tornou-Se Cristo ou Messias pela sua encarnação, e é verdadeiro rei e verdadeiro sacerdote. Entre os Israelitas, os sacerdotes e os reis eram ungidos com óleo; chamavam-lhes «crismados» ou «cristos». Por sua vez, o Salvador, que é verdadeiramente o Cristo, foi consagrado pela unção do Espírito Santo. Sabemos que isto é verdade pelo próprio Salvador, que, quando recebeu o livro de Isaías, abriu-o e leu nele: «O Espírito do Senhor está sobre mim, porque Ele me ungiu»; depois, declarou que a profecia acabava de se realizar para aqueles que estavam a ouvi-lo. Por outro lado, Pedro, o príncipe dos apóstolos, ensinou-nos que aquele óleo santo, aquele crisma pelo qual o Senhor Se manifestou como Cristo, é o Espírito Santo, ou seja, o poder de Deus. Nos Atos dos Apóstolos, falando a esse homem cheio de fé e de misericórdia que era o centurião, Pedro disse: «Vós sabeis o que aconteceu em toda a Judeia, a começar pela Galileia, depois do batismo que João pregou: Deus ungiu com a força do Espírito Santo a Jesus de Nazaré, que passou fazendo o bem e curando todos os que eram oprimidos pelo Demónio» (10,37-38). Assim, pois, Jesus, na sua encarnação, recebeu a unção que O consagrou «com o Espírito Santo e com poder». Foi por isso que o mesmo Jesus, na sua encarnação, foi feito Cristo, Ele que a unção do Espírito Santo fizera rei e sacerdote para sempre.

domingo, 30 de agosto de 2026

EVANGELHO DO DIA 30 DE AGOSTO

Evangelho segundo São Mateus 16,21-27. 
Naquele tempo, Jesus começou a explicar aos seus discípulos que tinha de ir a Jerusalém e sofrer muito da parte dos anciãos, dos príncipes dos sacerdotes e dos escribas; que tinha de ser morto e ressuscitar ao terceiro dia. Pedro, tomando-O à parte, começou a contestá-lo, dizendo: «Deus Te livre de tal, Senhor! Isso não há de acontecer!». Jesus voltou-Se para Pedro e disse-lhe: «Vai-te daqui, Satanás. Tu és para mim uma ocasião de escândalo, pois não tens em vista as coisas de Deus, mas dos homens». Jesus disse então aos seus discípulos: «Se alguém quiser seguir-Me, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e siga-Me. Pois quem quiser salvar a sua vida há de perdê-la; mas quem perder a sua vida por minha causa há de encontrá-la. Na verdade, que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro, se perder a sua vida? Que poderá dar o homem em troca da sua vida? O Filho do homem há de vir na glória de seu Pai, com os seus anjos, e então dará a cada um segundo as suas obras. 
Tradução litúrgica da Bíblia 
São Cesário de Arles 
(470-543) 
Monge, bispo 
Sermão 159; CCL 104, 650 
«Siga-Me» 
Ao pecar, o homem encheu o seu caminho de obstáculos; mas este ficou facilitado quando Cristo o pisou com a sua ressurreição, transformando um carreiro estreito numa avenida digna de um rei. A humildade e a caridade são os dois pés que permitem percorrê-la rapidamente. Todos os homens são atraídos para as alturas da caridade, mas a humildade é o primeiro degrau que é preciso subir. Porque levantas o pé acima de ti? Afinal queres subir ou queres cair? Começa pelo primeiro degrau, ou seja, pela humildade, e ele te permitirá subir. Foi por isso que o nosso Senhor e Salvador não Se limitou a dizer: «Renuncie a si mesmo», mas acrescentou: «Tome a sua cruz e siga-Me». Que significa tomar a cruz? Significa aguentar tudo o que é penoso, pois é desse modo que caminharemos atrás de Jesus. Assim que tivermos começado a segui-lo, adaptando-nos à sua vida e aos seus mandamentos, encontraremos no nosso caminho muitas pessoas que nos contradirão, que procurarão desviar-nos, que não se limitarão a troçar de nós, mas nos perseguirão. Essas pessoas não se encontram somente entre os pagãos que estão fora da Igreja; encontram-se até entre os que, vistos do exterior, parecem estar dentro da Igreja. Portanto, se desejas seguir Cristo, toma a tua cruz sem mais demoras e suporta os maus sem te deixares abater. «Se alguém quiser seguir-Me, tome a sua cruz e siga-Me»; se queremos pôr isto em prática, esforcemo-nos, com a ajuda de Deus, por fazer nossas estas palavras do apóstolo Paulo: «Se tivermos que comer e que vestir, estaremos contentes»; pois corremos o perigo de, ao procurar mais bens terrenos do que aqueles de que precisamos, querendo enriquecer, cair na armadilha da tentação, «em ciladas e tentações e em muitos desejos insensatos e funestos, que mergulham os homens na ruína e na perdição» (1Tm 6,8-9). Que o Senhor Se digne tomar-nos sob a sua proteção e livrar-nos desta tentação.

sábado, 29 de agosto de 2026

EVANGELHO DO DIA 29 DE AGOSTO

Evangelho segundo São Marcos 6,17-29. 
Naquele tempo, o rei Herodes mandara prender João e algemá-lo no cárcere, por causa de Herodíades, a mulher do seu irmão Filipe, que ele tinha tomado por esposa. João dizia a Herodes: «Não podes ter contigo a mulher do teu irmão». Herodíades odiava João Batista e queria dar-lhe a morte, mas não podia, porque Herodes respeitava João, sabendo que era justo e santo, e por isso o protegia. Quando o ouvia, ficava perturbado, mas escutava-o com prazer. Entretanto, chegou um dia oportuno, quando Herodes, no seu aniversário natalício, ofereceu um banquete aos grandes da corte, aos oficiais e às principais personalidades da Galileia. Entrou então a filha de Herodíades, que dançou e agradou a Herodes e aos convidados. O rei disse à jovem: «Pede-me o que desejares e eu to darei». E fez este juramento: «Dar-te-ei o que me pedires, ainda que seja a metade do meu reino». Ela saiu e perguntou à mãe: «Que hei de pedir?». A mãe respondeu-lhe: «Pede a cabeça de João Batista». Ela voltou apressadamente à presença do rei e fez-lhe este pedido: «Quero que me dês sem demora, num prato, a cabeça de João Batista». O rei ficou consternado, mas, por causa do juramento e dos convidados, não quis recusar o pedido. E mandou imediatamente um guarda, com ordem de trazer a cabeça de João. O guarda foi à cadeia, cortou a cabeça de João e trouxe-a num prato. A jovem recebeu-a e entregou-a à mãe. Quando os discípulos de João souberam a notícia, foram buscar o seu cadáver e deram-lhe sepultura. 
Tradução litúrgica da Bíblia 
Lansperge o Cartuxo 
(1489-1539) 
Religioso e teólogo 
Sermão para a Degolação de São João Batista, 
Opera Omnia, t.2, p. 514s 
«Bem-aventurados os que sofrem 
perseguição por amor da justiça» (Mt 5,10) 
A morte de Cristo está na origem de uma multidão incontável de crentes. Pelo poder desse mesmo Jesus e graças à sua bondade, a preciosa morte dos seus mártires e dos seus santos fez nascer uma grande multidão de cristãos. Com efeito, a perseguição dos tiranos e o assassínio injustificado de inocentes não conseguiu aniquilar a religião cristã; pelo contrário, sempre foi uma fonte de grande crescimento. Temos o exemplo de São João, que batizou Cristo e cujo santo martírio hoje festejamos. Com efeito, Herodes, rei infiel, quis, por fidelidade ao seu juramento, apagar completamente da memória dos homens a lembrança de João; ora, não só João não foi aniquilado, como milhares de homens, inflamados pelo seu exemplo, acolheram a morte com alegria por amor à justiça e à verdade. Quem é o cristão digno desse nome que não venera hoje João, aquele que batizou o Senhor? Em todo o mundo, os cristãos celebram a sua memória, todas as gerações o proclamam bem-aventurado e as suas virtudes enchem a Igreja de perfume. João não viveu só para si e não morreu só para si.

sexta-feira, 28 de agosto de 2026

EVANGELHO DO DIA 28 DE AGOSTO

Evangelho segundo São Mateus 25,1-13. 
Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos a seguinte parábola: «O Reino dos Céus pode comparar-se a dez virgens, que, tomando as suas lâmpadas, foram ao encontro do esposo. Cinco eram insensatas e cinco eram prudentes. As insensatas, ao tomarem as suas lâmpadas, não levaram azeite consigo, enquanto as prudentes, com as lâmpadas, levaram azeite nas almotolias. Como o esposo se demorava, começaram todas a dormitar e adormeceram. No meio da noite, ouviu-se um brado: "Aí vem o esposo; ide ao seu encontro". Então, as virgens levantaram-se todas e começaram a preparar as lâmpadas. As insensatas disseram às prudentes: "Dai-nos do vosso azeite, que as nossas lâmpadas estão a apagar-se". Mas as prudentes responderam: "Talvez não chegue para nós e para vós. Ide antes comprá-lo aos vendedores". Mas, enquanto foram comprá-lo, chegou o esposo. As que estavam preparadas entraram com ele para o banquete nupcial; e a porta fechou-se. Mais tarde, chegaram também as outras virgens e disseram: "Senhor, senhor, abre-nos a porta". Mas ele respondeu: "Em verdade vos digo: não vos conheço". Portanto, vigiai, porque não sabeis o dia nem a hora».
Tradução litúrgica da Bíblia 
São Gregório Magno 
(540-604) 
Papa, doutor da Igreja 
Homilias sobre os Evangelhos, 12 
«As nossas lâmpadas estão a apagar-se» 
«As insensatas, ao tomarem as suas lâmpadas, não levaram azeite consigo, enquanto as prudentes, com as lâmpadas, levaram azeite nas almotolias». 
O azeite designa aqui o esplendor da glória; as almotolias são os nossos corações, onde guardamos todos os nossos pensamentos. As virgens prudentes levam azeite nas almotolias, porque guardam na sua consciência todo o esplendor da sua glória, como diz São Paulo: «Este é o nosso motivo de glória: o testemunho da nossa consciência» (2Cor 1,12). As virgens insensatas, pelo contrário, não levam azeite consigo porque não guardam a sua glória no segredo do seu coração, isto é, fazem-na depender dos louvores dos outros. «No meio da noite ouviu-se um brado: "Aí vem o esposo; ide ao seu encontro"». Todas as virgens se levantaram. Mas as candeias das virgens insensatas apagaram-se, porque as suas obras, que de fora pareciam resplandecentes aos olhos dos homens, por dentro não eram mais do que trevas; e não receberam de Deus nenhuma recompensa, pois já tinham recebido dos homens os louvores que as satisfaziam.

quinta-feira, 27 de agosto de 2026

EVANGELHO DO DIA 27 DE AGOSTO

Evangelho segundo São Mateus 24,42-51. 
Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Vigiai, porque não sabeis em que dia virá o vosso Senhor. Compreendei isto: se o dono da casa soubesse a que horas da noite viria o ladrão, estaria vigilante e não deixaria arrombar a sua casa. Por isso, estai vós também preparados, porque na hora em que menos pensais, virá o Filho do homem. Quem é o servo fiel e prudente, que o senhor pôs à frente da sua casa, para lhe dar o alimento em tempo oportuno? Feliz aquele servo que o senhor, ao chegar, encontrar procedendo assim. Em verdade vos digo que lhe confiará a administração de todos os seus bens. Mas se o servo for mau e disser consigo: "O meu senhor demora-se", e começar a espancar os companheiros e a comer e beber com os ébrios, quando o senhor daquele servo chegar, em dia que ele não espera e à hora que ele não pensa, expulsá-lo-á e lhe dará a sorte dos hipócritas. Aí haverá choro e ranger de dentes». 
Tradução litúrgica da Bíblia Santa 
Teresa de Calcutá 
(1910-1997) 
Fundadora das 
Irmãs Missionárias da Caridade 
«Jesus, a Palavra», cap. 10 
«Feliz aquele servo que o senhor, ao chegar, 
encontrar procedendo assim.» 
Se às vezes temos a impressão de que o Mestre Se ausentou, não será por nos termos afastado desta ou daquela irmã? Uma coisa nos garantirá sempre o Céu: os atos de caridade e a gentileza com que tivermos preenchido a nossa vida. Nunca saberemos o bem que um simples sorriso pode fazer. Dizemos aos outros que Deus é grande, compreensivo e indulgente: seremos nós a prova viva disso mesmo? Eles verão realmente essa grandeza, essa compreensão e essa indulgência em nós?

quarta-feira, 26 de agosto de 2026

EVANGELHO DO DIA 26 DE AGOSTO

Evangelho segundo São Mateus 23,27-32. 
Naquele tempo, disse Jesus: «Ai de vós, escribas e fariseus hipócritas, porque sois semelhantes a sepulcros caiados: por fora parecem belos, mas por dentro estão cheios de ossos de mortos e de toda a podridão. Assim sois vós também: por fora pareceis justos aos olhos dos homens, mas por dentro estais cheios de hipocrisia e maldade. Ai de vós, escribas e fariseus hipócritas, porque edificais os sepulcros dos profetas e ornamentais os túmulos dos justos; e dizeis: "Se tivéssemos vivido no tempo dos nossos pais, não teríamos sido cúmplices na morte dos profetas". Assim dais testemunho contra vós mesmos, confessando que sois os filhos daqueles que mataram os profetas. Completai, então, a obra dos vossos pais». 
Tradução litúrgica da Bíblia 
São Bernardo
(1091-1153) 
Monge cisterciense, 
doutor da Igreja
2.º sermão para o 1.º dia da Quaresma,
5; PL 183, 172-174 
«Criai em mim, ó Deus, 
um coração puro» (Sl 51,12)
«Rasgai o vosso coração e não os vossos vestidos», diz o profeta (Jl 2,13). 
Aquele que tiver uma vontade particularmente submissa à teimosia rasgue o seu coração com a espada do Espírito, que é a Palavra de Deus. Rasgue-o e reduza-o a pó, porque só podemos converter-nos ao Senhor de coração partido. Escuta um homem que Deus considerou ser de acordo com o seu coração: «O meu coração está firme, ó Deus, o meu coração está firme» (Sl 57,8): firme para a adversidade, firme para a prosperidade, pronto para as coisas humildes, pronto para aquelas que são elevadas, pronto para o que ordenares. «O meu coração está firme, ó Deus, o meu coração está firme». E dizia ainda o rei David, a propósito dos pecadores : «O seu coração tornou-se insensível, mas eu deleito-me na tua lei» (Sl 119,70). A dureza de coração e a obstinação do espírito provêm de meditarmos na nossa própria vontade em vez de meditarmos na lei de Deus.