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domingo, 2 de agosto de 2026

EVANGELHO DO DIA 02 DE AGOSTO

Evangelho segundo São Mateus 14,13-21. 
Naquele tempo, quando Jesus ouviu dizer que João Batista tinha sido morto, retirou-Se num barco para um local deserto e afastado. Mas, logo que as multidões o souberam, deixando as suas cidades, seguiram-no por terra. Ao desembarcar, Jesus viu uma grande multidão e, cheio de compaixão, curou os seus doentes. Ao cair da tarde, os discípulos aproximaram-se de Jesus e disseram-Lhe: «Este local é deserto e a hora avançada. Manda embora toda esta gente, para que vá às aldeias comprar alimento». Mas Jesus respondeu-lhes: «Não precisam de se ir embora; dai-lhes vós de comer». Disseram-Lhe eles: «Não temos aqui senão cinco pães e dois peixes». Disse Jesus: «Trazei-mos cá». Ordenou, então, à multidão que se sentasse na relva. Tomou os cinco pães e os dois peixes, ergueu os olhos ao Céu e recitou a bênção. Depois, partiu os pães e deu-os aos discípulos, e os discípulos deram-nos à multidão. Todos comeram e ficaram saciados. E, dos pedaços que sobraram, encheram doze cestos. Ora, os que comeram eram cerca de cinco mil homens, sem contar mulheres e crianças. 
Tradução litúrgica da Bíblia 
São Romano o Melodista (560), 
compositor de hinos 
 Hino 24, sobre a multiplicação dos pães
 «Todos comeram e ficaram saciados» 
Vendo que o dia se punha, os apóstolos do Redentor foram ter com Ele e disseram-Lhe: «Este local é deserto e a hora avançada. Manda embora toda esta gente, para que vá às aldeias comprar alimento. Pois esta gente não é capaz de jejuar como nós, a quem Tu deste força para tal, porque és o Pão Celeste da imortalidade. Tu és, por natureza, o Salvador do mundo, e a todos ensinaste o conhecimento; alimentando o povo com palavras de verdade, guiaste os homens para o caminho da salvação, dando-lhes a conhecer a justiça. Eles alimentaram espiritualmente a alma, mas agora precisam de cuidar do corpo. Manda-os embora, pois estamos preocupados. Tu ensinaste os teus discípulos e apóstolos a terem compaixão de todos, porque és o Pão Celeste da imortalidade». Cristo ouviu estas palavras e respondeu-lhes: «Estais enganados, pois não sabeis que Eu sou o Criador do mundo. Eu velo pelo mundo e sei muito bem do que esta gente precisa: vejo que estão no deserto e que o Sol já se pôs, pois fui Eu quem lhe fixou o ciclo; sei o que é a exaustão desta gente e sei o que vou fazer por ela. Eu próprio serei remédio para esta fome, porque sou o Pão Celeste da imortalidade. Estais a pensar: "Quem alimentará esta multidão no deserto?" Pois bem, sabei claramente quem Eu sou, amigos: fui Eu que alimentei Israel no deserto e lhe dei pão vindo do Céu; num lugar árido, fiz que da rocha jorrasse água, e ainda lhes providenciei codornizes em abundância, porque sou o Pão Celeste da imortalidade». Multiplica em todos nós, ó Salvador, a tua misericórdia imensa; e, tal como saciaste a multidão no deserto com a tua sabedoria e a alimentaste com a tua força, sacia-nos a todos com a justiça, tornando-nos, Senhor, firmes na fé. Alimenta-nos, ó Deus compassivo; dá-nos a tua graça e o perdão dos nossos erros, pois Tu és o Cristo único, o misericordioso, o Pão Celeste da imortalidade.

sábado, 1 de agosto de 2026

EVANGELHO DO DIA 01 DE AGOSTO

Evangelho segundo São Mateus 14,1-12. 
Naquele tempo, o tetrarca Herodes ouviu falar da fama de Jesus e disse aos seus familiares: «Esse homem é João Batista, que ressuscitou dos mortos. Por isso é que nele se exercem tais poderes miraculosos». De facto, Herodes tinha mandado prender João e algemá-lo no cárcere, por causa de Herodíades, a mulher de seu irmão Filipe. Porque João dizia constantemente a Herodes: «Não te é permitido tê-la por mulher». E, embora quisesse dar-lhe a morte, tinha receio da multidão, que o considerava como profeta. Ocorreu entretanto o aniversário de Herodes e a filha de Herodíades dançou diante dos convidados. Agradou de tal maneira a Herodes, que este lhe prometeu com juramento dar-lhe o que ela pedisse. Instigada pela mãe, ela respondeu: «Dá-me agora mesmo num prato a cabeça de João Batista». O rei ficou consternado, mas, por causa do juramento e dos convidados, ordenou que lha dessem e mandou decapitar João no cárcere. A cabeça foi trazida num prato e entregue à jovem, que a levou a sua mãe. Os discípulos de João vieram buscar o seu cadáver e deram-lhe sepultura. Depois foram dar a notícia a Jesus. 
Tradução litúrgica da Bíblia 
São João Damasceno 
(675-749) 
Monge, teólogo, 
doutor da Igreja 
 «A fé ortodoxa», I, 1 
Herodes procurava ver Jesus 
«A Deus, nunca ninguém O viu. O Filho Unigénito, que está no seio do Pai, é que O deu a conhecer» (Jo 1,18). O divino é inexprimível e incompreensível. «Ninguém conhece o Filho senão o Pai e ninguém conhece o Pai senão o Filho, e aquele a quem o Filho O quiser revelar» (Mt 11,27), e também o Espírito Santo conhece aquilo que é de Deus. Mas, após este primeiro e bem-aventurado conhecimento divino, nunca mais ninguém conheceu a Deus, a não ser aquele a quem o próprio Deus Se revelou. Contudo, Deus não nos deixou na total ignorância, pois todos temos, semeado por Ele, o conhecimento de que existe um Deus. A própria criação, pela sua coesão e a sua ordem, proclama a magnificência da natureza divina (cf Rom 1,20). Em seguida, a Lei e os profetas, e depois o seu Filho único, o Senhor, «o nosso Deus e Salvador Jesus Cristo» (2Ped 1,1), manifestaram-nos o conhecimento de Deus, segundo aquilo que podemos alcançar. É por isso que aceitamos, conhecemos e aplicamos a nossa devoção a tudo aquilo que nos foi transmitido pela Lei e pelos profetas, pelos apóstolos e pelos evangelistas, e não procuramos nada que esteja para além disso. Deus é bom e provê a todo o bem. Dado que Ele sabe tudo e provê ao que convém a cada um, revelou-nos aquilo que é útil para nós conhecermos e calou aquilo que não podemos comportar. Contentemo-nos com isso e nisso permaneçamos.

sexta-feira, 31 de julho de 2026

EVANGELHO DO DIA 31 DE JULHO

Evangelho segundo São Mateus 13,54-58. 
Naquele tempo, Jesus foi à sua terra e começou a ensinar os que estavam na sinagoga, de tal modo que ficavam admirados e diziam: «De onde Lhe vem esta sabedoria e este poder de fazer milagres? Não é Ele o filho do carpinteiro? A sua Mãe não se chama Maria e os seus irmãos Tiago, José, Simão e Judas? E as suas irmãs não vivem entre nós? De onde Lhe vem tudo isto?». E estavam escandalizados com Ele. Mas Jesus disse-lhes: «Um profeta só é desprezado na sua terra e em sua casa». E, por causa da falta de fé daquela gente, Jesus não fez ali muitos milagres. 
Tradução litúrgica da Bíblia 
Santo Hilário 
(315-367) 
Bispo de Poitiers, 
doutor da Igreja 
«A Trindade», 12,52-53 
«"Não é Ele o filho do carpinteiro?" 
E por causa da falta de fé daquela gente,
Jesus não fez ali muitos milagres» 
Enquanto gozar do sopro de vida que me concedeste, Pai santo, Deus todo poderoso, proclamar-Te-ei Deus eterno e Pai eterno. Nunca eu me farei juiz do teu poder supremo e dos teus mistérios; nunca porei o meu limitado conhecimento à frente da noção verdadeira do teu conhecimento infinito; nunca afirmarei que exististe jamais sem a tua sabedoria, o teu poder ou o teu Verbo, que é Deus, o Unigénito, o meu Senhor Jesus Cristo. É que, mesmo sendo a linguagem humana fraca e imperfeita, ao falar de Ti não limitará o meu espírito a ponto de reduzir a minha fé ao silêncio, por falta de palavras capazes de exprimir o mistério do teu ser. Nas realidades da natureza, também há muitas coisas cuja causa não conhecemos, sem contudo lhes ignorarmos os efeitos. E quando, devido à nossa incapacidade, não sabemos que dizer dessas coisas, a nossa fé enche-se de adoração. Quando contemplo o movimento das estrelas, o fluxo e refluxo do mar, o poder oculto na mais pequena semente, a minha ignorância ajuda-me a contemplar-Te, pois, se não compreendo essa natureza que está ao meu serviço, distingo nela a tua bondade, pelo simples facto de existir para me servir. Apercebo-me mesmo de que nem a mim próprio me conheço, mas admiro-Te tanto mais por isso. Deste-me a razão, a vida e os meus sentidos de homem, que me causam tantas alegrias, mas não consigo compreender qual foi o meu começo como homem. É, pois, não conhecendo aquilo que me cerca que capto aquilo que és; e, percebendo aquilo que és, adoro-Te. Por isso, não compreender os teus mistérios não diminui a minha fé no teu poder supremo. A geração do teu eterno Filho ultrapassa a própria noção de eternidade, é anterior aos tempos eternos. Nunca exististe sem Ele, és o Pai eterno do teu Unigénito desde antes dos tempos eternos.

quinta-feira, 30 de julho de 2026

EVANGELHO DO DIA 30 DE JULHO

Evangelho segundo São Mateus 13,47-53. 
Naquele tempo, disse Jesus à multidão: «O Reino dos Céus é semelhante a uma rede que, lançada ao mar, apanha toda a espécie de peixes. Logo que se enche, puxam-na para a praia e, sentando-se, escolhem os bons para os cestos, e o que não presta deitam-no fora. Assim será no fim do mundo: os anjos sairão a separar os maus do meio dos justos e a lançá-los na fornalha ardente. Aí haverá choro e ranger de dentes. Entendestes tudo isto?». Eles responderam-Lhe: «Entendemos». Disse-lhes então Jesus: «Por isso, todo o escriba instruído sobre o Reino dos Céus é semelhante a um pai de família que tira do seu tesouro coisas novas e coisas velhas». Quando acabou de proferir estas parábolas, Jesus continuou o seu caminho. 
Tradução litúrgica da Bíblia 
Santo Agostinho 
(354-430) 
Bispo de Hipona 
(norte de África), 
doutor da Igreja 
«A fé e as obras», caps. 3-5
Imitar a paciência do Senhor 
Nosso Senhor foi um modelo incomparável de paciência: aguentou um «demónio» entre os seus discípulos até à sua Paixão (cf Jo 6,70), e dizia: «Deixai-os crescer ambos [o trigo e o joio] até à ceifa, não suceda que, ao arrancardes o joio, arranqueis também o trigo» (Mt 13,29-30); tendo a rede como símbolo da Igreja, predisse que esta traria para a praia, até ao fim do mundo, toda a espécie de peixes, bons e maus, e deu a conhecer de muitas outras maneiras, tanto abertamente como através de parábolas, que haveria sempre essa mistura de bons e maus. Mas também afirmou que é necessário vigiar pela disciplina na Igreja quando disse: «Se o teu irmão te ofender, vai ter com ele e repreende-o a sós. Se te escutar, terás ganhado o teu irmão» (Mt 18,15) […] Hoje, porém, vemos pessoas que só tomam em consideração os preceitos mais rigorosos, que mandam reprimir os que causam perturbação, que ordenam que não se deem aos cães as coisas santas, que se considerem como publicanos aqueles que desprezam a Igreja, que se repudiem do seu corpo os membros escandalosos (cf Mt 7,6; 18,17; 5,30). O seu zelo intempestivo causa muita tribulações à Igreja, porque desejariam arrancar o joio antes do tempo; e a sua cegueira faz deles inimigos da unidade de Jesus Cristo. Tomemos cuidado para não deixarmos entrar no nosso coração estes pensamentos presunçosos, para não procurarmos destacar-nos dos pecadores com receio de que o contacto com eles nos manche, para não tentarmos formar como que um rebanho de discípulos puros e santos. Sob o pretexto de não frequentarmos os maus, conseguiríamos apenas romper a unidade. Pelo contrário, recordemo-nos das parábolas da Escritura, dessas palavras inspiradas, desses exemplos tocantes, onde se nos demonstra que os maus estarão sempre misturados com os bons na Igreja, até ao fim do mundo e até ao dia do juízo, sem que a sua participação nos sacramentos seja prejudicial aos bons, desde que estes não participem dos pecados daqueles.

quarta-feira, 29 de julho de 2026

EVANGELHO DO DIA 29 DE JULHO

Evangelho segundo São João 11,19-27. 
Naquele tempo, muitos judeus tinham ido visitar Marta e Maria, para lhes apresentar condolências pela morte do irmão. Quando ouviu dizer que Jesus estava a chegar, Marta saiu ao seu encontro, enquanto Maria ficou sentada em casa. Marta disse a Jesus: «Senhor, se tivesses estado aqui, meu irmão não teria morrido. Mas sei que, mesmo agora, tudo o que pedires a Deus, Deus To concederá». Disse-lhe Jesus: «Teu irmão ressuscitará». Marta respondeu: «Eu sei que há de ressuscitar na ressurreição do último dia». Disse-lhe Jesus: «Eu sou a ressurreição e a vida. Quem acredita em Mim, ainda que tenha morrido, viverá; e todo aquele que vive e acredita em Mim nunca morrerá. Acreditas nisto?». Disse-Lhe Marta: «Acredito, Senhor, que Tu és o Messias, o Filho de Deus, que havia de vir ao mundo». 
Tradução litúrgica da Bíblia 
Santo Efrém 
(306-373) 
Diácono da Síria, 
doutor da Igreja 
 Comentário do Evangelho concordante,17,7-10 
«Eu sou a ressurreição e a vida» 
Quando perguntou: «Onde o pusestes?», as lágrimas vieram aos olhos de Nosso Senhor. As suas lágrimas eram como a chuva, Lázaro como a semente e o sepulcro como a terra. Ele clamou com voz retumbante, a morte tremeu à sua voz, Lázaro germinou como a semente e, tendo saído, adorou o Senhor que o tinha ressuscitado. Jesus devolveu a vida a Lázaro e morreu em seu lugar, pois quando o tirou do sepulcro e tomou lugar à sua mesa, foi Ele próprio amortalhado simbolicamente com o óleo que Maria derramou sobre a sua cabeça (cf Mt 26,7). A força da morte, que tinha triunfado durante quatro dias, foi esmagada para que a morte soubesse que o Senhor não teria dificuldade em a vencer ao terceiro dia; a sua promessa é verdadeira: Ele prometera ressuscitar pessoalmente ao terceiro dia (cf Mt 16,21). O Senhor devolveu, pois, a alegria a Maria e a Marta ao arrasar o inferno para mostrar que Ele próprio não seria retido pela morte para sempre. Agora, quando se disser que é impossível ressuscitar da morte ao terceiro dia, bastará olhar para aquele que foi ressuscitado ao quarto dia. «Tirai a pedra». Então aquele que ressuscitou um morto e lhe deu a vida não poderia ter aberto o sepulcro e virado a pedra? Ele, que disse aos seus discípulos: «Se tiverdes fé comparável a um grão de mostarda, direis a este monte: "Muda-te daqui para acolá", e ele há de mudar-se» (Mt 17,20) não teria podido deslocar a pedra que fechava a entrada do sepulcro? Claro que Ele também poderia ter tirado a pedra com a sua palavra, Ele, cuja voz, quando suspenso da cruz, fendeu as pedras e os sepulcros (cf Mt 27,51-52). Mas, como era amigo de Lázaro, disse: «Abri, para serdes atingidos pelo cheiro da podridão, e desligai-o, vós que o haveis envolvido no seu sudário, para reconhecerdes aquele que amortalhastes».

terça-feira, 28 de julho de 2026

EVANGELHO DO DIA 28 DE JULHO

Evangelho segundo São Mateus 13,36-43. 
Naquele tempo, Jesus deixou a multidão e foi para casa. Os discípulos aproximaram-se dele e disseram-Lhe: «Explica-nos a parábola do joio no campo». Jesus respondeu: «Aquele que semeia a boa semente é o Filho do homem, e o campo é o mundo. A boa semente são os filhos do Reino, o joio são os filhos do Maligno, e o inimigo que o semeou é o Diabo. A ceifa é o fim do mundo, e os ceifeiros são os anjos. Como o joio é apanhado e queimado no fogo, assim será no fim do mundo: o Filho do homem enviará os seus anjos, que tirarão do seu Reino todos os escandalosos e todos os que praticam a iniquidade, e hão de lançá-los na fornalha ardente; aí haverá choro e ranger de dentes. Então os justos brilharão como o sol no Reino do seu Pai. Quem tem ouvidos, oiça». 
Tradução litúrgica da Bíblia 
Homilia atribuída a São Macário (390) 
Monge do Egipto 
Homilias espirituais, n.º 51 
«Foi um inimigo que fez isso»(Mt 13,28) 
Escrevo-vos, irmãos bem amados, para que saibais que, desde o dia em que Adão foi criado até ao fim do mundo, o maligno fez e fará guerra constante aos santos (cf Ap 13,7). Contudo, são poucos os que se dão conta de que o saqueador das almas coabita com eles no seu corpo, muito perto da sua alma. Eles vivem na tribulação e não há neste mundo ninguém que os possa reconfortar. Por isso, erguem o olhar para o Céu e aí colocam a sua esperança, contando receber alguma coisa dentro de si próprios; desta forma, e graças à armadura do Espírito (cf Ef 6,13), vencerão. Com efeito, é do Céu que recebem a força, que permanece escondida aos olhos da carne; enquanto procurarem Deus com todo o seu coração, a força de Deus virá secretamente em seu auxílio a todo o momento. É precisamente porque tocam com o dedo a sua fraqueza, porque são incapazes de vencer, que solicitam ardentemente a armadura de Deus e, assim revestidos com o equipamento do Espírito para o combate (cf Ef 6,13), tornam-se vitoriosos. Sabei, pois, irmão bem amados, que, em todos os que preparam a sua alma para se tornarem terra boa para a semente celeste, o inimigo apressa-se a semear o seu joio. Sabei também que aqueles que não procuram o Senhor com todo o coração não são tentados por Satanás de forma tão evidente; é mais às escondidas e por manhas que ele tenta afastá-los de Deus. Mas agora, irmãos, tende coragem e não receeis. Não vos deixeis assustar com imaginações suscitadas pelo inimigo. Na oração, não vos entregueis a uma agitação confusa, multiplicando gritos sem nexo, mas acolhei a graça do Senhor na contrição e no arrependimento. Tende coragem, reconfortai-vos, resisti, preocupai-vos com a vossa alma, perseverai zelosamente na oração. Porque todos os que procuram Deus com verdade receberão na sua alma uma força divina e, recebendo essa unção celeste, sentirão em si o gozo e a doçura do mundo que há de vir. Que a paz do Senhor, aquela que esteve com todos os santos padres e os guardou das tentações, permaneça também convosco.

segunda-feira, 27 de julho de 2026

EVANGELHO DO DIA 27 DE JULHO

Evangelho segundo São Mateus 13,31-35. 
Naquele tempo, Jesus disse ainda à multidão a seguinte parábola: «O Reino dos Céus pode comparar-se ao grão de mostarda que um homem tomou e semeou no seu campo. Sendo a menor de todas as sementes, depois de crescer, é a maior de todas as plantas da horta e torna-se árvore, de modo que as aves do céu vêm abrigar-se nos seus ramos». Disse-lhes outra parábola: «O Reino dos Céus pode comparar-se ao fermento que uma mulher toma e mistura em três medidas de farinha, até ficar tudo levedado». Tudo isto disse Jesus em parábolas, e sem parábolas nada lhes dizia, a fim de se cumprir o que fora anunciado pelo profeta, que disse: «Abrirei a minha boca em parábolas, proclamarei verdades ocultas desde a criação do mundo». 
Tradução litúrgica da Bíblia 
São Máximo de Turim (420) 
Bispo 
 Homilia 111;PL 57, 511 
O fermento do mundo 
Lemos no evangelho: «Se o grão de trigo, lançado à terra, não morrer, fica só; mas, se morrer, dará muito fruto» (Jo 12,24). O Senhor Jesus é o grão de trigo, mas também é o fermento. Ao vir ao mundo, homem e só, o Senhor Jesus deu a todos os homens a possibilidade de se tornarem aquilo que Ele próprio é: quem se une ao fermento de Cristo torna-se fermento, útil a si mesmo e benéfico para todos; esse homem será salvo e salvará outros. Antes de ser espalhado num monte de farinha, o fermento é moído, esmagado, esfarelado, completamente dissolvido – mas é então que reúne, numa única fermentação, os inúmeros grãos dispersos de farinha, convertendo em corpo sólido uma substância que, em si mesma, era tão insubstancial como o pó. Em suma, faz daquilo que parecia não ser mais do que vã dispersão uma massa útil. Assim também o Senhor Jesus Cristo, fermento do mundo, foi quebrado por muitos sofrimentos, dilacerado e destruído, e a sua seiva, isto é, o seu precioso sangue, foi derramado por nós, para que, ao misturar-se com Ele, a humanidade dispersa fosse fortalecida. E nós, que éramos como a farinha das nações, estamos agora reunidos como fermento; nós, que jazíamos miseravelmente espalhados pelo mundo, dispersos e esmagados, estamos agora unidos ao corpo de Cristo pelo poder da sua Paixão.

domingo, 26 de julho de 2026

EVANGELHO DO DIA 26 DE JULHO

Evangelho segundo São Mateus 13,44-52. 
Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «O Reino dos Céus é semelhante a um tesouro escondido num campo. O homem que o encontrou tornou a escondê-lo e ficou tão contente que foi vender tudo quanto possuía e comprou aquele campo. O Reino dos Céus é semelhante a um negociante que procura pérolas preciosas. Ao encontrar uma de grande valor, foi vender tudo quanto possuía e comprou essa pérola». O Reino dos Céus é semelhante a uma rede que, lançada ao mar, apanha toda a espécie de peixes. Logo que se enche, puxam-na para a praia e, sentando-se, escolhem os bons para os cestos, e o que não presta deitam-no fora. Assim será no fim do mundo: os anjos sairão a separar os maus do meio dos justos e a lançá-los na fornalha ardente. Aí haverá choro e ranger de dentes. Entendestes tudo isto?». Eles responderam-Lhe: «Entendemos». Disse-lhes então Jesus: «Por isso, todo o escriba instruído sobre o Reino dos Céus é semelhante a um pai de família que tira do seu tesouro coisas novas e coisas velhas». 
Tradução litúrgica da Bíblia 
São John Henry Newman
(1801-1890) 
Teólogo, 
fundador do Oratório em Inglaterra 
Sermão «The Invisible World»
PPS, vol. 4, n°13 
As parábolas do Reino 
Tal é o Reino escondido de Deus: do mesmo modo que está agora escondido, assim será revelado no momento dado. Os homens pensam que são os donos do mundo e que podem fazer o que querem. [...] Aparentemente tudo permanece igual desde o início, e os trocistas perguntam: «Em que fica a promessa da sua vinda?» (2P 3,4). Mas, no tempo designado, haverá uma «revelação dos filhos de Deus» (Rm 8,19) e os santos escondidos «brilharão como o Sol no Reino de seu Pai» (Mt 13,43). Quando os anjos apareceram aos pastores, aconteceu de repente. [...] A noite parecia ser igual a todas as outras noites, tal como a noite em que Jacob teve a sua visão parecia igual a todas as outras noites (cf Gn 28,11ss). Os pastores velavam os seus rebanhos e viam a noite passar, as estrelas seguiam o seu curso, era meia-noite; não pensavam em tal coisa quando o anjo lhes apareceu. Tais são o poder e a virtude ocultos no visível: manifestam-se quando Deus quer. Quem poderia conceber, dois ou três meses antes da primavera, que a face da natureza, aparentemente morta, pudesse tornar-se tão esplêndida e variada? O mesmo acontece com essa primavera eterna que todos os cristãos esperam: ela virá, ainda que venha tarde. Esperemo-la, pois «Aquele que há de vir não tardará» (Heb 10,37). É por isso que dizemos em cada dia: «Venha a nós o vosso reino», o que significa: Senhor mostra-Te a nós; mostra-Te, Tu que estás sentado sobre os querubins, resplandece, mostra a tua grandeza e vem em nosso auxílio (cf Sl 80,2-3). A terra que vemos já não nos satisfaz, pois é apenas um princípio, uma promessa do que há de vir. Mesmo no seu maior esplendor, coberta de flores, quando mostra da maneira mais sedutora o que mantém escondido, mesmo assim não nos chega. Sabemos que há nela mais coisas do que as que vemos. O que vemos não é senão a camada exterior dum reino eterno. É nesse reino que fixamos os olhos da nossa fé.

sábado, 25 de julho de 2026

EVANGELHO DO DIA 25 DE JULHO

Evangelho segundo São Mateus 20,20-28.
Naquele tempo, a mãe dos filhos de Zebedeu aproximou-se de Jesus com os filhos e prostrou-se para Lhe fazer um pedido. Jesus perguntou-lhe: «Que queres?». Ela disse-Lhe: «Ordena que estes meus dois filhos se sentem no teu Reino, um à tua direita e outro à tua esquerda». Jesus respondeu: «Não sabeis o que estais a pedir. Podeis beber o cálice que Eu hei de beber?». Eles disseram: «Podemos». Então Jesus declarou-lhes: «Bebereis do meu cálice. Mas sentar-se à minha direita e à minha esquerda não pertence a Mim concedê-lo; é para aqueles a quem meu Pai o designou». Os outros dez, que tinham escutado, indignaram-se com os dois irmãos. Mas Jesus chamou-os e disse-lhes: «Sabeis que os chefes das nações exercem domínio sobre elas e os grandes fazem sentir sobre elas o seu poder. Não deve ser assim entre vós. Quem entre vós quiser tornar-se grande, seja vosso servo e quem entre vós quiser ser o primeiro, seja vosso escravo. Será como o Filho do homem, que não veio para ser servido, mas para servir e dar a vida pela redenção dos homens». 
Tradução litúrgica da Bíblia 
Bento XVI 
Papa de 2005 a 2013 
 Audiência geral do dia 21/6/06
 (© copyright Libreria Editrice Vaticana)
 «Bebereis do meu cálice» 
Tiago, filho de Zebedeu, chamado Tiago Maior, pertence, juntamente com Pedro e João, ao grupo dos três discípulos privilegiados que foram admitidos por Jesus em momentos importantes da sua vida. Ele pôde participar, juntamente com Pedro e João, no momento da agonia de Jesus no horto do Getsémani e no acontecimento da Transfiguração de Jesus. Trata-se portanto de situações muito diversas uma da outra: num caso, Tiago com os outros dois Apóstolos experimenta a glória do Senhor, vê-O em diálogo com Moisés e Elias, vê transparecer o esplendor divino de Jesus; no outro, encontra-se diante do sofrimento e da humilhação, vê com os próprios olhos como o Filho de Deus Se humilha, tornando-Se obediente até à morte. Certamente a segunda experiência constitui para ele ocasião de uma maturação na fé, para corrigir a interpretação unilateral, triunfalista da primeira: teve de entrever que o Messias, esperado pelo povo judaico como um triunfador, na realidade não era só circundado de honra e de glória, mas também de sofrimentos e fraqueza. A glória de Cristo realiza-se precisamente na cruz, na participação dos nossos sofrimentos. Esta maturação da fé foi realizada pelo Espírito Santo no Pentecostes, de forma que Tiago, quando chegou o momento do testemunho supremo, não se retirou. No início dos anos 40 do século I, o rei Herodes Agripa, sobrinho de Herodes o Grande, como nos informa Lucas, «começou a perseguir alguns membros da Igreja. Mandou matar à espada Tiago, irmão de João» (At 12,1-2) Portanto, de São Tiago podemos aprender muitas coisas: a abertura para aceitar a chamada do Senhor também quando nos pede que deixemos a barca das nossas seguranças humanas, o entusiasmo em segui-lo pelos caminhos que Ele nos indica, para além de qualquer presunção ilusória, a disponibilidade para testemunhá-lo com coragem, se for necessário, até ao sacrifício supremo da vida. Assim, Tiago Maior apresenta-se diante de nós como exemplo eloquente de adesão generosa a Cristo. Ele, que inicialmente tinha pedido, através de sua mãe, para se sentar com o irmão ao lado do Mestre no seu Reino, foi precisamente o primeiro a beber o cálice da Paixão, a partilhar com os apóstolos o martírio.
Evangelho Quotidiano

sexta-feira, 24 de julho de 2026

EVANGELHO DO DIA 24 DE JULHO

Evangelho segundo São Mateus 13,18-23. 
Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Escutai o que significa a parábola do semeador: Quando um homem ouve a palavra do Reino e não a compreende, vem o Maligno e arrebata o que foi semeado no seu coração. Este é o que recebeu a semente ao longo do caminho. Aquele que recebeu a semente em sítios pedregosos é o que ouve a palavra e a acolhe de momento com alegria, mas não tem raiz em si mesmo, porque é inconstante, e, ao chegar a tribulação ou a perseguição por causa da palavra, sucumbe logo. Aquele que recebeu a semente entre espinhos é o que ouve a palavra, mas os cuidados deste mundo e a sedução da riqueza sufocam a palavra, que assim não dá fruto. E aquele que recebeu a palavra em boa terra é o que ouve a palavra e a compreende. Esse dá fruto e produz ora cem, ora sessenta, ora trinta por um». 
Tradução litúrgica da Bíblia 
São João Crisóstomo 
(345-407) 
Presbítero de Antioquia, 
bispo de Constantinopla, 
doutor da Igreja 
Homilia sobre Lázaro 
«Quem tem ouvidos, oiça» (Mt 13,43) 
Um semeador foi semear o seu grão e uma parte caiu ao longo do caminho, outra parte em terra boa. Três partes perderam-se, só uma deu fruto. Mas o semeador não deixou de semear o seu campo; bastou-lhe que uma parte fosse conservada para não suspender o seu trabalho. É impossível que o grão que eu lanço neste momento no meio de tão vasto auditório não venha a germinar. Se nem todos me escutarem, um terço me escutará; se não for um terço, será um décimo; se nem um décimo me escutasse, desde que um único membro desta numerosa assembleia me ouvisse, eu não deixaria de falar. A salvação de uma só ovelha não é pouca coisa. O Bom Pastor deixou as outras noventa e nove para ir a correr atrás da ovelha que se tinha perdido (cf Lc 15,4). Eu também não posso desprezar quem quer que seja. Mesmo que seja só um, é um homem, um ser querido por Deus. Mesmo que seja um escravo, não desdenharei dele; porque não procuro a condição social, mas o valor pessoal, não procuro o poder ou a servidão, mas o homem. Mesmo que só haja um, será sempre um homem, aquele para quem o Sol, o ar, as fontes e o mar foram criados, os profetas enviados, a Lei dada. Será sempre aquele ser por quem o Filho único de Deus Se fez homem. O meu Senhor foi imolado, o seu sangue foi derramado, e eu ousaria desprezar quem quer que fosse? Não, não deixarei de semear a palavra, mesmo que ninguém me escute. Sou médico, proponho o remédio. Devo ensinar, foi-me dada ordem de instruir, porque está escrito: «Nomeei-te sentinela da casa de Israel» (Ez 3,17).

quinta-feira, 23 de julho de 2026

EVANGELHO DO DIA 23 DE JULHO

Evangelho segundo São João 15,1-8. 
Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Eu sou a verdadeira vide e meu Pai é o agricultor. Ele corta todo o ramo que está em Mim e não dá fruto e limpa todo aquele que dá fruto, para que dê ainda mais fruto. Vós já estais limpos, por causa da palavra que vos anunciei. Permanecei em Mim e Eu permanecerei em vós. Como o ramo não pode dar fruto por si mesmo, se não permanecer na videira, assim também vós, se não permanecerdes em Mim. Eu sou a videira, vós sois os ramos. Se alguém permanece em Mim e Eu nele, esse dá muito fruto, porque sem Mim nada podeis fazer. Se alguém não permanece em Mim, será lançado fora, como o ramo, e secará. Esses ramos, apanham-nos, lançam-nos ao fogo e eles ardem. Se permanecerdes em Mim e as minhas palavras permanecerem em vós, pedireis o que quiserdes e ser-vos-á concedido. A glória de meu Pai é que deis muito fruto. Então vos tornareis meus discípulos». 
Tradução litúrgica da Bíblia 
Santa Brígida da Suécia 
(1303-1373) 
Mãe de família, 
depois religiosa, 
copadroeira da Europa 
Oração atribuída a Santa Brígida 
Felizes os vossos olhos porque veem e os vossos ouvidos porque ouvem! Bendito sejas, Jesus meu Senhor, que predisseste a tua morte antes da hora; que, na Última Ceia, consagraste maravilhosamente, com pão material, o teu Corpo que nos redimiu; que o deste por amor aos apóstolos em memória da tua preciosa Paixão; que, lavando-lhes os pés com as tuas santíssimas e nobres mãos, humildemente lhes deste um modelo de humildade. Louvor eterno a Ti, Jesus meu Senhor, por aquela hora em que sofreste na cruz por nós, pecadores, a maior amargura e a mais extrema angústia; porque os sofrimentos lancinantes das tuas chagas afligiram gravemente a tua alma e trespassaram cruelmente o teu sagrado coração; finalmente, o teu coração estalou, entregaste o espírito e, inclinando a cabeça, humildemente Te rendeste nas mãos de Deus teu Pai; então, o teu corpo sentiu o frio da morte. Bendito sejas, Jesus meu Senhor, que para nossa salvação permitiste que o teu lado e o teu coração fossem trespassados ​​pela lança, e que fizeste jorrar do teu lado o teu precioso sangue para nos redimir. Glória a Ti, Jesus meu Senhor, porque quisestes que o teu corpo bendito fosse retirado da cruz pelos teus amigos e depositado nos braços de tua Mãe dolorosa; e porque permitiste que ela o envolvesse em panos, para ser colocado no túmulo e guardado por soldados. Honra eterna a Ti, Jesus meu Senhor, que ressuscitaste dos mortos ao terceiro dia; que Te manifestaste, vivo, às testemunhas que escolheste; que, passados ​​quarenta dias, subiste aos céus à vista de muitos e aí estabeleceste honrosamente os teus amigos que libertaste do inferno. Eterna alegria e louvor a Ti, Jesus meu Senhor, que enviaste o Espírito Santo ao coração dos teus discípulos e neles desenvolveste um amor infinito a Deus. Bendito sejas, digno de louvor e de glória para sempre, Jesus meu Senhor, que reinas no teu reino celeste na glória da tua divindade, vivendo corporalmente com os santíssimos membros que recebeste da carne da Virgem. E assim virás no dia do juízo para julgar as almas de todos, vivos e mortos. Tu, que vives e reinas com o Pai e o Espírito Santo pelos séculos dos séculos. Amém.

quarta-feira, 22 de julho de 2026

EVANGELHO DO DIA 22 DE JULHO

Evangelho segundo São João 20,1.11-18. 
No primeiro dia da semana, Maria Madalena foi de manhãzinha, ainda escuro, ao sepulcro e viu a pedra retirada do sepulcro. E ficou a chorar junto do sepulcro. Enquanto chorava, debruçou-se para dentro do sepulcro e viu dois anjos vestidos de branco, sentados, um à cabeceira e outro aos pés, onde estivera deitado o corpo de Jesus. Os anjos perguntaram a Maria: «Mulher, porque choras?». Ela respondeu-lhes: «Porque levaram o meu Senhor e não sei onde O puseram». Dito isto, voltou-se para trás e viu Jesus de pé, sem saber que era Ele. Disse-lhe Jesus: «Mulher, porque choras? A quem procuras?». Pensando que era o jardineiro, ela respondeu-Lhe: «Senhor, se foste tu que O levaste, diz-me onde O puseste, para eu O ir buscar». Disse-lhe Jesus: «Maria!». Ela voltou-se e respondeu em hebraico: «Rabuni!», que quer dizer: «Mestre!». Jesus disse-lhe: «Não Me detenhas, porque ainda não subi para o Pai. Vai ter com os meus irmãos e diz-lhes que vou subir para o meu Pai e vosso Pai, para o meu Deus e vosso Deus». Maria Madalena foi anunciar aos discípulos: «Vi o Senhor». E contou-lhes o que Ele lhe tinha dito. 
Tradução litúrgica da Bíblia 
São Gregório Magno
(540-604) 
Papa, doutor da Igreja 
Homília 25 sobre o Evangelho; 
PL 76, 1188-1196 
Chama-te pelo teu nome 
«Se foste tu que O levaste»: como se já Lhe tivesse dito porque chorava, Maria fala «dele» sem Lhe pronunciar o nome. Tal é o fulgor do amor: quando estamos repletos de amor, convencemo-nos de que os outros sentem o mesmo que nós. […]. Maria não consegue conceber que alguém possa ignorar a razão da sua imensa tristeza. Jesus diz-lhe: «Maria!» Pouco antes, chamara-a pelo nome comum a todas as do seu sexo: «Mulher», sem ainda Se dar a conhecer; agora, chama-a pelo seu nome próprio, como se lhe dissesse sem rodeios : «Reconhece Aquele que te reconhece». Também Deus disse a Moisés: «Conheço-te pelo nome» (Ex 33,12). «Homem» é o nome comum a todos, «Moisés» é o seu nome próprio; e Deus diz que o conhece pelo seu nome e parece declarar: «Não te conheço como conjunto dos homens, conheço-te pessoalmente». Assim, chamada pelo próprio nome, Maria reconhece o seu Criador e no mesmo instante responde-Lhe: «"Rabuni!", que quer dizer "Mestre"». Ela procurava-O fora de si, e Ele pediu-lhe que O procurasse dentro de si. «Maria Madalena foi anunciar aos discípulos: “Vi o Senhor!”. E contou-lhes o que Ele lhe tinha dito». Nesse momento, o pecado dos homens abandonou o coração de onde procedia: porque, se, no Paraíso, foi uma mulher que tentou um homem com o fruto da morte, é uma mulher que, no sepulcro, anuncia a vida aos homens e lhes leva as palavras daquele que traz a vida.

terça-feira, 21 de julho de 2026

EVANGELHO DO DIA 21 DE JULHO

Evangelho segundo São Mateus 12,46-50. 
Naquele tempo, enquanto Jesus estava a falar à multidão, chegaram sua Mãe e seus irmãos. Ficaram do lado de fora e queriam falar-Lhe. Alguém Lhe disse: «Tua Mãe e teus irmãos estão lá fora e querem falar contigo». Mas Jesus respondeu a quem O avisou: «Quem é minha mãe e quem são meus irmãos?». E apontando para os discípulos, disse: «Estes são a minha mãe e os meus irmãos: todo aquele que fizer a vontade de meu Pai que está nos Céus, esse é meu irmão, minha irmã e minha mãe». 
Tradução litúrgica da Bíblia 
Santa Gertrudes de Helfta 
(1256-1301) 
Monja beneditina 
O Arauto, livro IV, SC 255 
Fazer a vontade do Espírito 
Gertrudes ouviu atentamente a epístola (2Cor 6,1-10), a fim de escolher, entre as virtudes enumeradas, as que eram mais úteis para imitar e ensinar aos outros; mas, como não recebia qualquer iluminação a este respeito no seu espírito, disse ao Senhor: «Ensina-me, meu dulcíssimo amado, quais são as virtudes graças às quais posso servir-Te de forma a agradar-Te de modo particular, uma vez que, infelizmente, não sou capaz de me dedicar cada dia a uma delas com um esforço extraordinário». O Senhor respondeu: «Repara bem que, no meio das virtudes, se encontram inseridas estas palavras: “pelo Espírito de santidade” (cf 2Cor 6,6). Sendo o Espírito uma vontade reta, procura acima de tudo possuir uma vontade reta. Desse modo, poderás alcançar o brilho e a perfeição específica de todas as virtudes, porque a vontade, por si só, vale mais do que tudo o que se poderia realizar ou adquirir por meio dos atos. Aquele cuja vontade procura ultrapassar os louvores das criaturas, dar-Me graças, amar-Me, compadecer-se das minhas dores e exercitar-se na virtude da maneira mais perfeita possível, esse será amplamente recompensado pela minha divina generosidade, como homem algum poderia jamais ser recompensando pelas suas obras». Então, o Espírito Santo, o Paráclito, avançando para o meio e colocando-Se diante da alma, começou a inundar com o maravilhoso brilho do seu esplendor divino a parte central, onde a alma pode ver, sem disfarces, a enormidade da sua própria vilania. E a alma, totalmente despojada de toda a vilania por ação da claridade divina, teve a felicidade de ser imersa na fonte viva da luz que não se apaga.

segunda-feira, 20 de julho de 2026

EVANGELHO DO DIA 20 DE JULHO

Evangelho segundo São Mateus 12,38-42. 
Naquele tempo, alguns escribas e fariseus disseram a Jesus: «Mestre, queremos ver um sinal da tua parte». Mas Jesus respondeu-lhes: «Esta geração perversa e infiel pretende um sinal, mas nenhum sinal lhe será dado, senão o sinal do profeta Jonas. Assim como Jonas esteve três dias e três noites no ventre da baleia, assim o Filho do homem estará três dias e três noites no seio da terra. No dia do Juízo, os homens de Nínive levantar-se-ão com esta geração e hão de condená-la, porque fizeram penitência quando Jonas pregou; e aqui está quem é maior do que Jonas. No dia do Juízo, a rainha do Sul erguer-se-á com esta geração e há de condená-la, porque veio dos confins da terra para ouvir a sabedoria de Salomão; e aqui está quem é maior do que Salomão».
Tradução litúrgica da Bíblia 
São Cirilo de Jerusalém 
(313-350) 
Bispo de Jerusalém, 
doutor da Igreja 
Catequese n.º 20 / 2.ª mistagógica 
O sinal de Jonas 
Fostes conduzidos pela mão até à piscina batismal, como Cristo o foi da cruz até ao túmulo que está diante de vós [na igreja do Santo Sepulcro, em Jerusalém]. Depois de terdes confessado a vossa fé no Pai, no Filho e no Espírito Santo, fostes imersos três vezes na água e três vezes emergistes, símbolo dos três dias que Cristo passou no túmulo. Tal como o nosso Salvador passou três dias e três noites no coração da terra, também vós, ao sairdes da água depois da vossa imersão, haveis imitado Cristo. Quando imergistes, estáveis na noite, não víeis nada; mas, ao sairdes da água, estáveis como que em pleno dia. Num mesmo movimento, morrestes e nascestes; essa água que salva foi ao mesmo tempo o vosso túmulo e a vossa mãe. Estranho paradoxo! Não estamos verdadeiramente mortos, não fomos verdadeiramente sepultados, não fomos verdadeiramente crucificados nem ressuscitados; mas, se esta nossa imitação não passa de uma imagem, a salvação é uma realidade. Cristo foi realmente crucificado, realmente sepultado e verdadeiramente ressuscitou, e toda esta graça nos é dada para que, participando nos seus sofrimentos e imitando-os, ganhemos a salvação. Que amor imenso pelos homens! Cristo recebeu os pregos nas suas mãos puras e sofreu; a mim, sem sofrimento e sem dor, concede-me por esta participação a graça da salvação. Sabemo-lo bem: se é certo que o batismo nos purifica dos pecados e nos dá o Espírito Santo, ele é também a réplica da Paixão de Cristo. É por isso que Paulo proclama: «Ou ignorais que todos nós, que fomos batizados em Cristo Jesus, fomos batizados na sua morte? Fomos sepultados com Ele pelo batismo». Tudo o que Cristo suportou, foi por nós e para nossa salvação, na realidade e não em aparência; e nós tornamo-nos participantes dos seus sofrimentos. Por isso, Paulo continua a proclamar: «Se, na verdade, estamos totalmente unidos a Cristo pela semelhança da sua morte, também o estaremos pela semelhança da sua ressurreição» (Rom 6,3-5).

domingo, 19 de julho de 2026

EVANGELHO DO DIA 19 DE JULHO

Evangelho segundo São Mateus 13,24-43. 
Naquele tempo, Jesus disse às multidões mais esta parábola: «O Reino dos Céus pode comparar-se a um homem que semeou boa semente no seu campo. Enquanto todos dormiam, veio o inimigo, semeou joio no meio do trigo e foi-se embora. Quando o trigo cresceu e começou a espigar, apareceu também o joio. Os servos do dono da casa foram dizer-lhe: "Senhor, não semeaste boa semente no teu campo? Donde vem então o joio?". Ele respondeu-lhes: "Foi um inimigo que fez isso". Disseram-lhe os servos: "Queres que vamos arrancar o joio?". "Não!", disse ele, "não suceda que, ao arrancardes o joio, arranqueis também o trigo. Deixai-os crescer ambos até à ceifa e, na altura da ceifa, direi aos ceifeiros: Apanhai primeiro o joio e atai-o em molhos para queimar; e ao trigo, recolhei-o no meu celeiro"». Jesus disse-lhes outra parábola: «O Reino dos Céus pode comparar-se ao grão de mostarda que um homem tomou e semeou no seu campo. Sendo a menor de todas as sementes, depois de crescer, é a maior de todas as plantas da horta e torna-se árvore, de modo que as aves do céu vêm abrigar-se nos seus ramos». Disse-lhes outra parábola: «O Reino dos Céus pode comparar-se ao fermento que uma mulher toma e mistura em três medidas de farinha, até ficar tudo levedado». Tudo isto disse Jesus em parábolas, e sem parábolas nada lhes dizia, a fim de se cumprir o que fora anunciado pelo profeta, que disse: «Abrirei a minha boca em parábolas, proclamarei verdades ocultas desde a criação do mundo». Jesus deixou então as multidões e foi para casa. Os discípulos aproximaram-se dele e disseram-Lhe: «Explica-nos a parábola do joio no campo». Jesus respondeu: «Aquele que semeia a boa semente é o Filho do homem, e o campo é o mundo. A boa semente são os filhos do Reino, o joio são os filhos do Maligno, e o inimigo que o semeou é o Diabo. A ceifa é o fim do mundo, e os ceifeiros são os anjos. Como o joio é apanhado e queimado no fogo, assim será no fim do mundo: o Filho do homem enviará os seus anjos, que tirarão do seu Reino todos os escandalosos e todos os que praticam a iniquidade, e hão de lançá-los na fornalha ardente; aí haverá choro e ranger de dentes. Então os justos brilharão como o sol no Reino do seu Pai. Quem tem ouvidos, oiça». 
Tradução litúrgica da Bíblia 
São João-Maria Vianney 
(1786-1859) 
Presbítero, Cura de Ars 
Espírito do Cura d'Ars 
A boa semente e a cizânia 
Vemos no evangelho de hoje, meus irmãos, que o senhor do campo tinha semeado boa semente, mas, enquanto ele dormia, veio o inimigo e semeou a cizânia. O que significa que Deus tinha criado o homem bom e perfeito, mas veio o inimigo e semeou o pecado: é a queda de Adão, queda terrível, que deu entrada ao pecado no coração do homem. Temos de arrancar a cizânia, dizeis? «"Não!", responde o senhor, "não suceda que, ao arrancardes o joio, arranqueis também o trigo. Deixai-os crescer ambos até à ceifa"». O coração do homem terá de permanecer assim até ao fim: uma combinação de bem e de mal, de luz e de trevas, de boa semente e de cizânia. Deus não quis destruir esta combinação e refazer a nossa natureza, de tal maneira que nela houvesse apenas boa semente. Ele quer que combatamos, que trabalhemos para impedir que a cizânia invada o nosso campo. O demónio semeia as tentações; mas, com a graça de Deus, nós temos força para o vencer, para impedir que a cizânia cresça. Há três coisas absolutamente necessárias para combater as tentações: a oração, que nos esclarece; os sacramentos, que nos dão força; e a vigilância, que nos preserva. Felizes as almas que são tentadas! Com efeito, o demónio redobra a sua raiva quando vê que uma alma tende para a união com Deus.

sábado, 18 de julho de 2026

EVANGELHO DO DIA 18 DE JULHO

Evangelho segundo São Mateus 12,14-21. 
Naquele tempo, os fariseus reuniram conselho contra Jesus, a fim de O fazerem desaparecer. Mas Jesus, ao saber disso, retirou-Se dali. Muitos O seguiram e Ele curou-os a todos, mas intimou-os que não descobrissem quem Ele era, para se cumprir o que o profeta Isaías anunciara, ao dizer: «Eis o meu servo, a quem Eu escolhi, o meu predileto, em quem se compraz a minha alma. Sobre ele farei repousar o meu Espírito, para que anuncie a justiça às nações. Não discutirá nem clamará, nem se fará ouvir a sua voz nas praças. Não quebrará a cana já fendida, nem apagará a torcida que ainda fumega, enquanto não levar a justiça à vitória; e as nações colocarão a esperança no seu nome». 
Tradução litúrgica da Bíblia 
Tertuliano (155-220) 
Teólogo 
Contra Marcião 2, 27 
«Eis o meu servo.
 Não discutirá nem clamará» 
Deus não podia viver com os homens, a não ser que assumisse uma forma humana de pensar e de reagir. Foi por isso que escondeu sob a humildade o esplendor da sua majestade, que a fraqueza humana não teria sido capaz de suportar. Nada disso era digno dele, mas era necessário ao homem, e por esse motivo tornou-se digno de Deus, porque nada é tão digno de Deus como a salvação do homem. Tudo quanto Deus perde, ganha-o o homem; todas as humilhações que o meu Deus sofreu para estar perto de nós são sacramento de salvação para os homens. Deus agia assim com o homem para que o homem aprendesse a agir no plano divino. Deus tratou o homem de igual para igual para que o homem pudesse agir de igual para igual com Deus. Deus tornou-Se pequeno para que o homem se tornasse grande.

sexta-feira, 17 de julho de 2026

EVANGELHO DO DIA 17 DE JULHO

Evangelho segundo São Mateus 12,1-8. 
Naquele tempo, Jesus passou através das searas em dia de sábado e os discípulos, sentindo fome, começaram a apanhar e a comer espigas. Os fariseus viram e disseram a Jesus: «Vê como os teus discípulos estão a fazer o que não é permitido ao sábado». Jesus respondeu-lhes: «Não lestes o que fez David, quando ele e os seus companheiros sentiram fome? Entrou na casa de Deus e comeu dos pães da proposição, que não era permitido comer, nem a ele nem aos seus companheiros, mas somente aos sacerdotes. Também não lestes na Lei que, ao sábado, no Templo, os sacerdotes violam o repouso sabático e ficam isentos de culpa? Eu vos digo que está aqui alguém que é maior que o Templo. Se soubésseis o que significa: "Eu quero misericórdia e não sacrifício", não condenaríeis os que não têm culpa. Porque o Filho do homem é Senhor do sábado». 
Tradução litúrgica da Bíblia 
Orígenes (185-253) 
Presbítero, teólogo 
Homilias sobre o livro 
dos Números, n.º 23
«O Filho do homem é
Senhor do sábado» 
O sábado foi instituído como dia sagrado; todos os santos e justos deviam celebrar o sábado. Vejamos então em que consiste para o cristão a observância do sábado: no dia de sábado, não se deve realizar nenhuma obra deste mundo; é necessário abster-se de todas as obras terrenas, não fazer nada que se relacione com este mundo, dedicar-se às obras espirituais, ir à igreja, estar atento à leitura da Escritura e às explicações que dela são dadas, pensar em coisas do Céu, ocupar-se da esperança na vida futura, ter presente o juízo que há de vir, não meditar nas realidades visíveis e presentes, mas nas realidades futuras e invisíveis. Os judeus também devem observar tudo isto. Em suas casas, os ferreiros, os pedreiros, todos os trabalhadores manuais ficam sem nada fazer no dia de sábado. Mas os leitores que proclamam a Sagrada Escritura e os doutores que explicam a Lei de Deus nesse dia não interrompem as suas funções, e no entanto não profanam o sábado. O meu Senhor o reconheceu: «Não lestes na Lei que, ao sábado, no Templo, os sacerdotes violam o repouso sabático e ficam isentos de culpa?». Portanto, aquele que se abstém das obras deste mundo, ficando livre para as atividades espirituais, oferece o sacrifício do sábado e santifica o sábado como dia de festa. Durante o sábado, cada qual permanece em sua casa. Qual é então a casa da alma espiritual? Esta casa é a justiça, a verdade, a sabedoria, a santidade; tudo isso é Cristo, a casa da alma. Não é necessário sair desta casa quando se quer guardar o verdadeiro sábado e celebrar com sacrifícios este dia de festa, segundo as palavras do Senhor: «Permanecei em Mim e Eu permanecerei em vós» (Jo 15,4).

quinta-feira, 16 de julho de 2026

EVANGELHO DO DIA 16 DE JULHO

Evangelho segundo São Mateus 11,28-30
Naquele tempo, Jesus exclamou: «Vinde a Mim, todos os que andais cansados e oprimidos, e Eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de Mim, que sou manso e humilde de coração, e encontrareis descanso para as vossas almas. Porque o meu jugo é suave e a minha carga é leve».
Tradução litúrgica da Bíblia 
Pedro de Celles - (1115–1183) 
Monge, bispo 
3.º sermão para o Advento
 O Cordeiro de Deus, manso 
e humilde de coração 
Senhor, envia-nos o Cordeiro; é do cordeiro que precisamos e não do leão (cf Ap 5,5-6); do Cordeiro que não Se irrita e cuja mansidão nunca Se perturba; do Cordeiro que nos dará a sua lã, branca como a neve, para aquecer em nós aquilo que está frio, para cobrir a nossa nudez; do Cordeiro que nos dará a comer a sua carne, para não morrermos de fraqueza pelo caminho (cf Jo 6,51; Mt 15,32). Envia-O cheio de sabedoria porque, com a sua prudência divina, Ele vencerá o espírito orgulhoso; envia-O cheio de força, porque está escrito que Ele é «o Senhor forte e poderoso, o Senhor poderoso nas batalhas» (Sl 24,8); envia-O cheio de mansidão, pois Ele descerá «como os aguaceiros que regam a terra» (Sl 72,6); envia-O como vítima, porque Ele deverá ser vendido e imolado para nos resgatar (cf Mt 26,15; Jo 19,36; Ex 12,46); envia-O, mas não para exterminar os pecadores, pois Ele não veio «chamar os justos, mas os pecadores» (cf Mt 9,13); envia-O, enfim, digno de «receber a honra, a glória e o poder, digno de receber o livro e de abrir os selos» (Ap 4,11; 5,9), isto é, o mistério inexprimível da encarnação.

quarta-feira, 15 de julho de 2026

EVANGELHO DO DIA 15 DE JULHO

Evangelho segundo São Mateus 11,25-27
Naquele tempo, Jesus exclamou: «Eu Te bendigo, ó Pai, Senhor do Céu e da Terra, porque escondeste estas verdades aos sábios e inteligentes, e as revelaste aos pequeninos. Sim, Pai, Eu Te bendigo, porque assim foi do teu agrado. Tudo Me foi dado por meu Pai. Ninguém conhece o Filho senão o Pai e ninguém conhece o Pai senão o Filho, e aquele a quem o Filho O quiser revelar. 
Tradução litúrgica da Bíblia 
São Vicente de Paulo 
(1581-1660) 
Presbítero, 
fundador de comunidades religiosas 
Conferência às Filhas da Caridade, 01/05/1648 
Onde Deus Se compraz 
Porque haveremos de duvidar de que aquilo que é dito vem de Deus, tendo em consideração que é dito pelos pequenos e aos pequenos? Sim, minhas irmãs, podemos dizer que Deus Se compraz extraordinariamente em Se revelar aos humildes. Escutemos as belas palavras de Jesus Cristo, que mostram que não é no convívio com os príncipes que Deus tem as suas delícias! Ele próprio o diz, numa passagem da Escritura: «Eu Te bendigo, ó Pai, Senhor do Céu e da Terra, porque escondeste estas verdades aos sábios e inteligentes, e as revelaste aos pequeninos». Não Lhe agrada a pompa nem os ornamentos exteriores; mas compraz-Se numa alma humilde, numa alma que é instruída apenas por Ele e que não faz caso algum da ciência deste mundo.

terça-feira, 14 de julho de 2026

EVANGELHO DO DIA 14 DE JULHO

Evangelho segundo São Mateus 11,20-24. 
Naquele tempo, começou Jesus a censurar duramente as cidades em que se tinha realizado a maior parte dos seus milagres, por não se terem arrependido: «Ai de ti, Corazim! Ai de ti, Betsaida! Porque se em Tiro e em Sidónia se tivessem realizado os milagres que em vós se realizaram, há muito teriam feito penitência, vestindo-se de cilício e cobrindo-se de cinza. Mas Eu vos digo que no dia do Juízo haverá mais tolerância para Tiro e Sidónia do que para vós. E tu, Cafarnaum, serás exaltada até ao céu? Até ao inferno é que descerás. Porque se em Sodoma se tivessem realizado os milagres que em ti se realizaram, ela teria permanecido até hoje. Mas Eu vos digo que no dia do Juízo haverá mais tolerância para a terra de Sodoma do que para ti». 
Tradução litúrgica da Bíblia 
São Gregório Magno 
(540-604) 
Papa, doutor da Igreja 
Exposição sobre os sete salmos da penitência 
Jesus censura duramente as cidades 
que não se tinham arrependido 
Brademos com David; ouçamo-lo chorar e vertamos lágrimas com ele. Vejamos como se corrige e alegremo-nos com ele: «Tem compaixão de mim, ó Deus, pela tua bondade» (Sl 50,3). Coloquemos diante dos olhos da nossa alma um homem gravemente ferido, prestes a exalar o seu último suspiro, que jaz nu sobre o pó do caminho: no seu desejo de ver chegar um médico, geme e pede àquele que compreende o estado em que se encontra que tenha piedade dele. Ora, o pecado é um ferimento da alma. Tu, que és esse ferido, compreende que o teu médico se encontra dentro de ti, e descobre-lhe as chagas dos teus pecados: que Ele oiça os gemidos do teu coração, Ele que conhece os pensamentos mais secretos; que as tuas lágrimas O comovam e, se for preciso procurá-lo com uma certa insistência, do fundo do teu coração faz subir até Ele suspiros profundos; que a tua dor chegue até Ele e que também a ti seja dito, como a David: o Senhor apagou o teu pecado. «Tem compaixão de mim, ó Deus, pela tua bondade». É pouca a misericórdia que atraem sobre si aqueles que fazem diminuir as suas faltas porque não conhecem esta grande misericórdia. Quanto a mim, caí pesadamente, pequei com conhecimento de causa; mas Tu, médico omnipotente, Tu corriges aqueles que Te desprezam, instruis aqueles que ignoram as suas faltas e perdoas àqueles que Tas confessam.