quinta-feira, 16 de abril de 2026

REFLETINDO A PALAVRA - “Cristo é Vida”

PADRE LUIZ CARLOS DE OLIVEIRA(✝︎)
REDENTORISTA NA PAZ DO SENHOR
Quem crê, não morrerá
 
Na perspectiva da espiritualidade quaresmal chegamos à terceira indicação na qual culmina toda a caminhada de Jesus e nossa que é a Vida. Jesus dissera: “Eu sou a Ressurreição e a Vida. Quem crê em mim, ainda que morra, viverá. E quem vive e crê em mim, jamais morrerá” (Jo 25-26). A Vida que Lhe vem da Ressurreição é a mesma que nos é dada. O milagre da ressurreição de Lázaro ensina que Cristo dá a vida, pois tem o poder sobre a morte. Seu ministério público consistiu sempre em gerar a vida. Pelas leituras, podemos entender que o Batismo dá a Vida Eterna. Depois de passar pelas águas, somos iluminados e recebemos a Vida Divina. Se Jesus pode ressuscitar um morto já em decomposição, o que supera a condição humana, pode nos dar a Vida Divina, que é Vida: “Eu vim para que todos tenham vida e a tenham em abundância!” (Jo 10,10). Fazemos uma comparação com a cura do paralítico que foi descido pelo teto da casa: Jesus, para dizer que tem o poder de Deus para perdoar pecados cura o paralítico. Ele não só diz, mas faz. O banho do batismo é um gesto simbólico que significa e realiza a purificação e dá a Vida. Mortos (sepultados nas águas) ressuscitamos para a Vida Nova. O mergulho nas águas não se realiza pela quantidade de água, mas pela imensidão das águas da vida Divina onde somos imersos. Vemos o paralelo com a ressurreição de Lázaro. Estava morto. É o que justifica toda a festa da Páscoa: Jesus estava sepultado, morto, sem vida. Deus O ressuscita. Assim se realiza no Batismo. Recebemos a Vida eterna que é a vida de Deus. 
Vida cristã penetra toda a vida 
Como podemos interpretar para nossa vida espiritual? Temos uma vida a levar adiante. Cuidamos bem de nosso corpo e de nossas atividades. A verdadeira espiritualidade está em cuidar da vida de Deus em nós. Essa fica descuidada. É o que Paulo chama atenção a viver segundo o Espírito e não segundo a carne, pois assim não agradamos a Deus. Se Cristo está em nós, nosso espírito está cheio de vida. E vamos ressuscitar como Jesus (Rm 8,8-11). A espiritualidade quaresmal nos estimula a viver intensamente a vida cristã. O que vemos em nós é um desencanto com a religião, pois não nos preocupamos em viver com vigor e alegria a Vida Divina que está em nós. Essa deve ser a preocupação primeira com nossa pessoa e com os que nos cercam. Por exemplo: cuidamos o máximo das crianças, mas não zelamos da outra metade, a vida espiritual dura para sempre, que é a Vida Divina que receberam no Batismo. Dando vida ao corpo de Lázaro, mostrou que nos dá a Vida em sua Ressurreição. Cuidemos dela. Quando temos amor à Vida, ela penetrará nossa vida. Os que procuram viver a vida cristã de modo mais coerente, procurem viver mais o batismo no compromisso com a Palavra de Deus, na dedicação à comunidade e à missão. Evitem espiritualidade individualista que não converte o coração nem dá a Vida Divina. 
Caminhar com a mesma alegria 
Estamos chegando ao fim de nossa caminhada quaresmal. Ela é uma preparação para o momento central da vida cristã que é a Páscoa, celebrada na Vigília Pascal. A Páscoa invade toda a vida cristã. Por isso rezamos na oração da missa: “Dai-nos, por vossa graça, caminhar com alegria na mesma caridade que levou o vosso filho a entregar-se à morte no seu amor pelo mundo”. O amor é o núcleo da Páscoa. Onde existe amor, ali está a Ressurreição. Toda vida de Jesus foi amor. Nele evangelizou, sofreu e ressuscitou. É nosso caminho. Quando estamos no fundo do poço podemos dizer: “Clamo a vós, Senhor!”. 
Leituras Ezequiel 37,12-14; Salmo 129; 
Romanos 8,8-11; João 11,1-45 
1. A Vida que Lhe vem da Ressurreição é a mesma que nos é dada. 
2. A espiritualidade quaresmal nos estimula a viver intensamente a vida cristã. 
3. A Páscoa invade toda a vida cristã. 
O defunto andou 
Carregar um defunto já não é grande coisa, mas ver um defunto sair da cova, muda muito o assunto. Foi o que aconteceu quando Jesus ressuscitou Lázaro. Até a irmã dizia que já estava cheirando mal. Mas Jesus queria vida e queria mostrar que pode dar a vida e vai retomá-la para Si. Lázaro sai do tumulo. Imaginemos a cena. Mas a cena maior é a força de Jesus que dá vida. O processo quaresmal quer conduzir a uma vida nova através do banho da ressurreição. Depois de ressuscitar um morto, podemos ter certeza que Ele próprio terá essa experiência de morte para a vida. É o que nos leva a compreender que também passaremos por esse processo. 
Homilia do 5º Domingo da Quaresma (29.03.2020)

EVANGELHO DO DIA 16 DE ABRIL

Evangelho segundo São João 3,31-36. 
«Aquele que vem do alto está acima de todos; quem é da Terra, à Terra pertence e da Terra fala. Aquele que vem do Céu dá testemunho do que viu e ouviu; mas ninguém recebe o seu testemunho. Quem recebe o seu testemunho confirma que Deus é verdadeiro. De facto, Aquele que Deus enviou diz palavras de Deus, porque Deus dá o Espírito sem medida. O Pai ama o Filho e entregou tudo nas suas mãos. Quem acredita no Filho tem a vida eterna. Quem se recusa a acreditar no Filho não verá a vida, mas a ira de Deus permanece sobre ele».
Tradução litúrgica da Bíblia 
Jean Tauler 
(1300-1361) 
Dominicano de Estrasburgo 
Sermão para a Festa de Natal 
«Aquele que Deus enviou diz as palavras de Deus» 
Tal como Maria, os servos de Deus devem procurar frequentemente o silêncio e a calma dentro de si mesmos, recolher-se no seu íntimo, esconder-se espiritualmente para se preservarem e fugirem dos sentidos, e conceder a si mesmos um lugar de silêncio e de repouso interior. É sobre este repouso interior que a Escritura canta, a propósito do momento em que o Verbo eterno saiu do coração de seu Pai: «Quando um silêncio profundo envolvia todas as coisas e a noite ia a meio do seu curso, a vossa Palavra omnipotente, Senhor, veio do alto dos Céus, do seu trono real, para o meio duma terra de ruína» (Sab 18,14-15). É no meio do silêncio, precisamente no momento em que todas as coisas estão mergulhadas no mais profundo silêncio, quando o verdadeiro silêncio reina, que se escuta verdadeiramente este Verbo. Se desejas que Deus fale, precisas de fazer silêncio; para que Ele entre, todas as coisas devem sair.

As Maravilhas de Santa Bernadette – festa 16 de abril

    Nascida em uma família humilde que, aos poucos, caiu na pobreza extrema, Bernadette Soubirous sempre foi uma criança frágil. Desde pequena, sofria de problemas digestivos. Depois, tendo escapado por pouco de ser vítima da epidemia de cólera de 1855, sofreu dolorosas crises de asma, e sua saúde precária quase a afastou para sempre da vida religiosa.
     Quando Monsenhor Forcade pediu para levar Bernadette, a Madre Superiora das Irmãs de Nevers respondeu: “Monsenhor, ela será um pilar da enfermaria”.
     Ela viveu no convento por treze anos, passando grande parte desse tempo, como previsto pela Madre Superiora, doente na enfermaria.
     Quando uma colega freira a acusou de ser "preguiçosa", Bernadette respondeu: "Meu trabalho é ficar doente".
     Ela foi gradualmente acometida por outras doenças além da asma: entre elas, tuberculose pulmonar e um tumor no joelho direito.
     Rezemos a Santa Bernadette para que nos ajude nestes dias de enfrentamento das nossas doenças. Ela sofreu bravamente para salvar almas. Que ela nos ensine também a ter tanta confiança na misericórdia de Deus e um grande amor por Nossa Senhora.
     Que Nossa Senhora de Lourdes, Imaculada Conceição, Auxiliadora dos Enfermos, rogai por nós e nos conceda a graça da perseverança para rezar o Rosário diariamente, fazer penitência e emendar nossas vidas.
Santa Bernadette, rogai por nós!

Engrácia de Saragoça Virgem e Mártir, Santa (ca. + 303-304)

Engrácia era uma jovem de Bracara Augusta (actual Braga) prometida em casamento a um nobre da região de Rossilhão, na província da Gália Narbonense, sul da actual França. Para escoltá-la na viagem fora o seu tio Lupércio (por vezes identificado com Lupércio, o bispo da antiga diocese de Eauze, dezoito cavaleiros e uma empregada, de nome Júlia. Ao chegar à cidade de César Augusta (actual Satagoça) e ao inteirar-se das atrocidades que o governador, Daciano, estava a cometer junto dos cristãos (por decreto do Imperador), apresenta-se espontânea e directamente diante de si para o confrontar com as crueldades, injustiças e a insensatez com que tratava os seus irmãos de religião. Termina martirizada com a oferta da sua própria vida e a dos seus companheiros, assim que se percebe que era também cristã. Nos registos do martírio, os feitos encontram-se descritos da maneira tradicional, tanto que acaba por ser difícil separar a realidade dos factos daquilo que poderá ser produto da imaginação, consequência da piedade dos cristãos. Com efeito, o diálogo entre a frágil donzela e o cruel governador afigura-se-nos claro: ela usando raciocínios humanos e firmes na sua fé com que acusa a injustiça cometida (que hoje diríamos serem questões de Direitos Humanos), a existência de um deus único a quem serve, a loucura dos deuses pagãos e a disposição em sofrer até ao fim pelo amado; ele, por seu turno, utiliza recursos como o castigo, a ameaça, a promessa e a persistência.

Frutuoso de Braga Bispo de Dume e de Braga, Santo († 665)

Bispo de Dume e depois de Braga. 
Fundou vários mosteiros em Braga e arredores.
Quase uns 90 anos depois de S. Martinho de Dume falecer, é S. Frutuoso que vem presidir na Sé de Braga, depois de, também como ele, ter estacionado na de Dume. E, como aquele, também Frutuoso procede de além-fronteiras, este último da diocese de Astorga. Tomou posse de Braga em 656. A vida monástica gozava então de honra e estima, como o refúgio ou terra privilegiada da virtude e cultivo da ciência, primariamente da ciência e cultura sagradas. Por isso, S. Frutuoso surge como o assíduo e incansável cultor do monaquismo e fundador de uns dez mosteiros. Primeiro, vários na Hispânia que cedo se tornaram célebres, em várias e distantes províncias, percorridas nesta audaciosa propaganda de fundações monásticas. Tentou também uma viagem ao Oriente, que não conseguiu realizar, porque o rei visigodo Recesvinto, sabedor das suas fundações na Galiza, o designou para bispo de Dume, para poder assegurar assim, para esta província, os múltiplos bens do seu apostolado.

Arcanjo Canetoli Arcebispo de Florença, Beato (1460-1513)

Arcebispo de Florença, na Itália. 
Antes de ser nomeado Arcebispo, em 1484 
vestiu o hábito dos Cónegos Regulares 
de Santa Maria de Reno.
O Beato Arcanjo nasceu em 1460 em uma das famílias mais nobres de Bolonha: os Canetoli. Era mundo violento, cheio de assassinatos e rivalidades, que caracterizavam a Bolonha de seus dias. Sua família foi responsabilizada pela morte de Annibale Bentivoglio num clima de lutas. Assim, o pai e todos os irmãos de Arcanjo foram assassinados e somente este último, ainda criança, conseguiu salvar-se graças a circunstâncias fortuitas. Em 29 de Setembro de 1484 vestiu o hábito dos Cónegos Regulares de Santa Maria de Reno, no convento do Santíssimo Salvador de Veneza, onde teve o encargo de acolher os peregrinos, chegando inclusive a dar as boas-vindas a quem assassinou a seu pai e irmãos. Recebeu a ordenação sacerdotal e em 1498 é transferido para o mosteiro de Santo Ambrósio perto de Gubbio. Passou os doze anos seguintes amadurecendo em sabedoria e santidade, o que notavam todos os que entravam em contacto com ele, em quem encontravam uma fonte inesgotável de esperança e valentia para os tempos difíceis. Um dos testemunhos dizia que "sua santidade é como uma luz que brilha sempre e em todas partes, e o mais formoso e profundo é que aparece desde as sombras". A fama aumentou e Arcanjo deixou o mosteiro de Santo Ambrósio para atender os que necessitavam.

Bento José Labre Leigo, Santo (1748-1783)

“O cigano de Cristo”, este também é seu apelido, que demonstra claramente o que foram os trinta e cinco anos de vida de Bento José Labre, treze deles caminhando e evangelizando pelas famosas e seculares estradas de Roma. Aliás, o antigo ditado popular que diz que “todos os caminhos levam a Roma” continua sendo assim para todos os cristãos. Entretanto, principalmente no século XVII, em qualquer um deles era possível cruzar com o peregrino Bento José e nele encontrar o caminho que levava a Deus. Ele era francês, nasceu em Amettes, próximo a Arras, no dia 27 de março de 1748, o mais velho dos quinze filhos de um casal de agricultores pobres. Frequentou a modesta escola local, mas aprendeu latim com um tio materno. Ainda muito jovem, quis tornar-se monge trapista, mas não conseguiu o consentimento dos pais. Com dezoito anos, pediu ingresso no convento trapista de Santa Algegonda, mas os monges não aprovaram sua entrada. Percorreu a pé, então, centenas de quilómetros até a Normandia, debaixo de um inverno extremamente rigoroso, onde pediu admissão no Convento Cisterciense de Montagne. Também foi recusado ali, tentando, ainda, a entrada nos Cartuchos de Neuville e Sept-Fons, com o mesmo resultado. Foi então que, com vinte e dois anos, tomou a decisão mais séria da sua vida: seu mosteiro, já que não encontrava guarida em nenhum outro, seriam as estradas de Roma.

Bernadete Soubirous Vidente de Lourdes, Religiosa, Santa 1844-1879

Santa Marie Bernard – Bernadete – Soubirous nasceu em 7 de janeiro, de 1844, no povoado de Lourdes, França. Era a primeira de vários irmãos. Seus pais viviam em um sótão húmido e miserável, e o pai tinha por ofício colectar o lixo do hospital. Desde pequena, Bernadete teve uma saúde bem delicada por causa da falta de alimentação sufi-ciente, e do estado lamentavelmente pobre da casa onde morava. Nos primeiros anos sofreu de cólera que a deixou muito enfraquecida. Em seguida, por causa também do clima terrivelmente frio no inver-no, a santa adquiriu aos dez anos uma asma. Tempos depois das aparições, Bernadete foi admi-tida na Comunidade de Filhas da Caridade de Ne-vers. Em julho de 1866 começou seu noviciado e em 22 de setembro de 1878 pronunciou seus votos, fale-ceu alguns meses depois, no dia 16 de Abril de 1879. A vida da jovenzinha, depois das aparições esteve cheia de enfermidades, penalidades e humilhações, mas com tudo isto foi adquirindo um grau de san-tidade tão grande que ganhou enorme prêmio para o céu. Em seus primeiros anos com as freiras, a jovem Santa sofreu muito, não somente pela falta de saúde, com também por causa da Madre superiora do lugar que não acreditava em suas doenças, inclusive dizia que coxeava a perna, não pelo tumor que tinha, mas para chamar a atenção.

ORAÇÕES - 16 DE ABRIL

Oração da manhã para todos os dias 
Senhor meu Deus, mais um dia está começando. Agradeço a vida que se renova para mim, os trabalhos que me esperam, as alegrias e também os pequenos dissabores que nunca faltam. Que tudo quanto viverei hoje sirva para me aproximar de vós e dos que estão ao meu redor. Creio em vós, Senhor. Eu vos amo e tudo espero de vossa bondade. Fazei de mim uma bênção para todos que eu encontrar. Amém. 
As reflexões seguintes supõem que você antes leu o texto evangélico indicado.
16– Quinta-feira – Santos: Bernadete, Calisto de Corinto, Júlia
Evangelho (Jo 3,31-36)“Quem crê no Filho tem a vida eterna; aquele, porém, que recusa crer no Filho não verá a vida; mas sobre ele pesa a cólera de Deus.”
Jesus é humano como nós, aceitou todas as nossas limitações, menos o pecado. Mas ele é também o Filho de Deus, em tudo igual ao Pai. Por isso pode falar-nos das coisas do Pai e do seu amor, pode ensinar-nos seus caminhos. Ele fala do que conhece e vive. E não apenas pode ensinar; recebeu do Pai todo o poder, e por isso nos transforma e comunica uma vida nova, um novo modo de ser.
Oração
Senhor Jesus, diante de vós repito os mesmos pedidos que vos fizeram os que confiaram em vós: “Senhor, aumentai a minha fé”, “fazei que eu veja”, “purificai-me de minhas chagas”! Aceito o convite interior que me fazeis, aceito o testemunho dos que me falam de vós e, como Tomé, quero dizer “vós sois meu Senhor e meu Deus”. Se sou vosso, tenho tudo, nada me falta. Sem vós, nada sou. Amém.

quarta-feira, 15 de abril de 2026

REFLETINDO A PALAVRA - “Sois Luz no Senhor”

PADRE LUIZ CARLOS DE OLIVEIRA(✝︎)
REDENTORISTA NA PAZ DO SENHOR
Ver com os olhos de Deus
 
Jesus viu um cego de nascença, fez lama com a saliva, passou nos olhos dele e disse-lhe: “Vai lavar-te na piscina de Siloé” (que quer dizer Enviado). “O cego foi, lavou-se e voltou enxergando”. A fé é um dom. O cego não pediu. Jesus se apresenta como a luz. A saliva com lama que Jesus passou em seus olhos, pode sugerir que nossa fragilidade, o barro inicial, recebe algo pessoal e íntimo do Senhor. A saliva indica a união profunda que há entre duas pessoas. A luz invadiu a vida do cego. Por que a história desse cego de nascença nesse domingo? O Ano A, na liturgia da Quaresma, está ligado às etapas da iniciação cristã dos adultos. É o momento da iluminação. Lemos o evangelho da samaritana. As águas nos dão a vida. Cristo é a luz que nos ilumina. E no 3º domingo lembraremos que o batismo nos dá a Vida. Nesse esquema podemos nos preparar para a renovação de nossas promessas batismais. Recebemos a luz da fé e começamos a ver com os olhos de Deus. Como o cego que lavou os olhos na fonte chamada Siloé (“Enviado”), nós também recebemos a luz de Jesus, principalmente quando O acolhemos em nossa vida. Lavamos os olhos e passamos a ver com a luz da fé. Fé é ver todas as coisas com os olhos de Deus, isto é, em sua luz. Somente quando deixamos que o Enviado de Deus (Jesus) lave nossos olhos, é que passamos a viver da fé e caminhar na luz. O nome da fonte onde o cego se lavou é Siloé, que quer dizer Enviado. Jesus, enviado para nossa salvação nos lava com as águas, nos ilumina para conhecermos Deus e nos dá a Vida. O batismo é o sacramento que age continuamente em nós, dando-nos a vida através dos demais sacramentos que têm nele sua fonte. O exemplo dado pela escolha de Davi ensina como Deus vê: “O homem vê as aparências, mas o Senhor olha o coração” (ISm 16,7). 
Outrora éreis trevas 
A fé é a abertura dos olhos para ver e crer. Crer é a iluminação. A vida cristã que se move pela fé, tem uma visão completa das realidades humanas e espirituais. Sem ela corre-se o risco de tapear a si mesmo com uma tintura de piedade, não ver Deus agindo nas realidades e dirigindo sua Igreja. Há muitos tipos de trevas que nos cobrem impedindo de ver como Deus vê. Temos as trevas do mal, dos pecados que nos impedem a prática do bem; temos as trevas do egoísmo que nos levam a vermos somente a nós mesmos; Temos as trevas da ignorância das coisas de Deus; vivemos somente em busca das realidades mundanas, sem nenhuma referência a Deus e sua Palavra; temos as trevas do mundo que ofuscam nossa visão, não nos deixando ver as coisas de Deus. Por isso Paulo nos desperta a vivermos como luz: “Vivei como filhos da luz. E o fruto da luz chama-se bondade, justiça e verdade” (Ef 5,8-9). Por isso lembra: “Desperta tu que dormes, levanta-te dentre os mortos e sobre ti Cristo resplandecerá” (id 14). O salmo mostra como Deus nos conduz e abre nossos olhos à riqueza da graça. É o salmo do bom pastor que nos conduz (Sl 22). Vimos que o cego entrou em choque com os judeus por ter sido curado por Jesus. Eles não tinham lavado seus olhos. Viver com os olhos iluminados é saber construir uma vida a partir da fé na opção pelo evangelho. A saliva usada por Jesus cria-se uma intimidade com Ele. Essa intimidade ilumina. 
Viver iluminados 
O Batismo realiza em nós esse toque que nos ilumina. É Deus que nos escolhe como escolheu Davi, frágil e deixado de lado entre seus irmãos. Mas Deus vê o coração. Paulo nos ensina como é fácil saber se somos da luz: “Outrora éreis trevas, mas agora sois luz no Senhor. Vivei como filhos da luz. E o fruto da luz chama-se: bondade, justiça, verdade. Discerni o que agrada ao Senhor. Não vos associeis às obras das trevas, que não levam a nada; antes, desmascarai-as” (Ef 5,8-14). Rezamos oração pós-comunhão: “Ó Deus, luz de todo ser humano que vem a esse mundo, iluminai nossos corações com o esplendor da vossa graça, para pensarmos sempre o que vos agrada e amar-vos de todo o coração”. Usemos o colírio que recupera a fé (Ap 3,18). 
Leituras 1Samuel 16,1b.6-7.10-13a ; 
Salmo 22; 
Efésios 5,8-14; João 9,1-41 
1. Fé é ver todas as coisas com os olhos de Deus, isto é, em sua luz. 
2. Viver com os olhos iluminados é saber construir a vida a partir da fé na opção pelo evangelho. 
3. O Batismo realiza em nós esse toque que nos ilumina.
Bengala de cego 
Um cego que não pediu para ver recebeu a cura por pura gratuidade de Jesus. O motivo era simples: Jesus queria mostrar que Ele é a Luz e abre nossos olhos para que possamos ver com os olhos da fé. Ver Jesus e crer Nele. Ele nos ilumina e passamos a ver, como o cego diz ao final do texto: “Eu creio, Senhor!” . E ainda não sabia quem era Jesus. Tanto para enxergar, como para ver pela fé foram atos gratuitos de Jesus. Jesus foi um suporte de sua vida, tanto para a vista como para a fé. Nossas ações também devem resplandecer a fé que nos faz ver. Jesus sempre vai ser nossa bengala. Mesmo sendo cegos, nós temos apoio Nele. 
Homilia do 4º Domingo da Quaresma (22.03.2020)

EVANGELHO DO DIA 15 DE ABRIL

Evangelho segundo São João 3,16-21. 
Naquele tempo, disse Jesus a Nicodemos: «Deus amou tanto o mundo que entregou o seu Filho Unigénito, para que todo o homem que acredita nele não pereça, mas tenha a vida eterna. Porque Deus não enviou o seu Filho ao mundo para condenar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por Ele». Quem acredita nele não é condenado, mas quem não acredita nele já está condenado, porque não acreditou no nome do Filho Unigénito de Deus». E a causa da condenação é esta: a luz veio ao mundo e os homens amaram mais as trevas do que a luz, porque eram más as suas obras. Todo aquele que pratica más ações odeia a luz e não se aproxima dela, para que as suas obras não sejam denunciadas. Mas quem pratica a verdade aproxima-se da luz, para que as suas obras sejam manifestas, pois são feitas em Deus». 
Tradução litúrgica da Bíblia 
Beato Columba Marmion 
(1858-1923) 
Abade 
Cristo, modelo e fonte de santidade sacerdotal 
Colocar a Cristo como lanterna divina no nosso coração
«Eu sou a verdade» (Jo 14,6). 
Em virtude da nossa condição natural, caminhamos neste mundo mergulhados nas trevas (cf Lc 1,79). Para ascendermos a Deus, precisamos de ser iluminados sobrenaturalmente. Só Cristo manifesta a verdade religiosa, pois Ele é a luz do mundo. Os seus ensinamentos, sem dissiparem por completo as trevas, permitem-nos reconhecê-lo como o Enviado pelo Pai e aderir a Ele como a Verdade suprema e infalível. «O Senhor é minha luz» (Sl 27,1). O Evangelho traz ao mundo a revelação das grandes verdades religiosas: a Trindade, a encarnação, a redenção e as consequências da vida após a morte; e também revela à humanidade o mistério da paternidade divina. Quando Jesus nos fala de Deus, apresenta-O sempre como nosso Pai: «Vou subir para o meu Pai e vosso Pai» (Jo 20,18). Uma das características do Novo Testamento é ensinar-nos a chamar Pai a Deus, a comportarmo-nos com Ele como seus filhos (cf Mt 6,9; Rm 8,16). Com a paternidade divina, Jesus revela-nos também a nossa adoção, o nosso destino celestial e bem-aventurado, e todas as atitudes de caridade e virtude próprias dos cristãos. Recolhamos estas doutrinas dos seus lábios benditos, reconheçamos que emanam da própria Verdade e adiramos a elas com fé inabalável. Além disso, Cristo traz a verdade através de uma graça de iluminação inteiramente pessoal das nossas almas. Esta iluminação, única para cada pessoa, é essencial para o progresso da vida de Cristo em nós. Temos, pois, de considerar os caminhos deste mundo à luz da fé em Cristo. Coloquemo-lo como lâmpada divina no centro do nosso coração. Lancemos as nossas ideias, os nossos juízos e os nossos desejos aos pés de Jesus, para que possamos ver o mundo, as pessoas e os acontecimentos como que através dos seus olhos. Então, daremos o justo valor às coisas do tempo e às da eternidade.

SANTO ÊUTIQUES

Êutiques foi um monge de Constantinopla, que fundamentou a heresia do monofisismo. Êutiques negava que Cristo, após a encarnação, tinha duas naturezas perfeitas. Nasceu no ano de 378, provavelmente em Constantinopla. Ingressou na vida monástica num mosteiro da capital, onde teve como superior um abade de nome Máximo, ferrenho adversário do nestorianismo. Nascia assim, graças à sua formação religiosa, um repúdio intransigente pelas doutrinas que versavam sobre a existência da dualidade da natureza de Cristo. Já como sacerdote, Êutiques começou a participar ativamente das questões doutrinárias. Pelos idos de 440, ele converteu-se numa figura de grande projeção no monofisismo em Constantinopla e, quando subiu ao poder, em 441, principiou uma campanha fulminante contra o nestorianismo, atacando a todos a quem julgava suspeitos. Assim, denunciou a Teodoreto de Ciro, Ibas de Edessa, Dono II de Antioquia (442-449) e até Flaviano de Constantinopla, numa carta enviada por si à sé romana. Em 8 de novembro de 448, num sínodo regional em Constantinopla presidido pelo patriarca Flaviano, Eusébio de Dorileia, um dos primeiros que haviam sido denunciados por ele como adepto ou simpatizante do nestorianismo, acusou-o de heresia.

Santos Teodoro e Pausilopo (Pausilipo) Mártires na Trácia-Festa: 15 de abril

Sua história, embora incerta, delineia um perfil biográfico e contextualiza seu martírio. O Martirológio Romano os menciona em 15 de abril sob o imperador Adriano. Os Sinaxários bizantinos não os incluem, mas a Menologia de Basílio II dedica atenção a Pausillipo, identificando-o como companheiro de Teodoro. Sob Adriano, Pausillipo foi preso por sua fé cristã e levado perante o imperador. Sua profissão de fé o condenou a flagelar e a ser encaminhado ao prefeito da Europa, Prisco ou Praico. Condenado à morte por sua teimosia, Pausillipo escapou milagrosamente a caminho da tortura. Ele se refugiou em um local seguro, onde morreu em oração. 
Martirológio Romano: Na Trácia, os santos Teodoro e Pausílipo, mártires, cuja paixão teria ocorrido sob o imperador Adriano. 

Santo Abbondio, Mansão Vaticana Festa: 15 de abril (†)564

As poucas notícias sobre a vida de Abbondio chegaram até nós por São Gregório Magno, que descreveu este funcionário do Vaticano como um homem humilde e de grande dignidade no cumprimento do seu serviço. O Papa narrou também sobre uma cura milagrosa realizada por Abbondio, que faleceu no ano 564.
As poucas informações sobre sua vida nos são deixadas por São Gregório Magno, que descreve a mansão do Vaticano Abbondio como um homem humilde de grande dignidade no cumprimento de seu serviço. O Papa também relata uma cura milagrosa que ele teria realizado. Ele morreu em 564.
Etimologia: Abbondio = abundante, do latim 
Martirológio Romano: Em Roma, em São Pedro, comemoração de São Abbondio, que, como atesta o Papa São Gregório Magno, foi um representante humilde e fiel desta Igreja. 
Mansão da Basílica de São Pedro no Vaticano, santo Os Diálogos de São Gregório Magno são a única fonte que nos fala dele, sem especificar a época em que viveu.

Santas Anastácia e Basilissa, Mártires - 15 de abril

Martirizadas em torno do ano 68 d.C. A tradição diz que duas nobres romanas, Basilissa e Anastácia, foram convertidas ao Cristianismo pelas pregações dos Apóstolos São Pedro e São Paulo, dos quais receberam a missão e o privilégio de enterrarem os Apóstolos. Após os dois Apóstolos terem sido martirizados em Roma, Basilissa e Anastácia encontraram os seus corpos e os enterraram secretamente à noite. Isto teria enfurecido as autoridades que acabaram descobrindo quem havia enterrado os Apóstolos; elas foram presas e levadas diante do tribunal de Nero para renunciarem a sua fé e confessarem onde tinham enterrado os dois, para seus corpos serem exumados e queimados. Nenhuma das duas confessou o local e tiveram as suas línguas arrancadas, os braços e pés cortados antes de serem finalmente decapitadas. Os restos das duas gloriosas mártires, segundo o Diário Romano de 1926, ainda hoje são venerados na igreja de Santa Maria da Paz. Em edições anteriores o Martirológio Romano recordava as Santas Anastásia e Basilissa no dia 15 de abril, mas as últimas reformas reuniram todos os primeiros mártires cristãos de Roma em uma única comemoração no dia 30 de junho.

Cesar de Bus Sacerdote, Fundador, Santo (1544-1607)

César de Bus, que desejava seguir a carreira militar, estava quase embarcando para atender ao chamado de seu irmão, capitão a serviço do rei Carlos IX, da França, quando foi impedido por uma enfermidade que o atingiu de maneira fulminante. Foi essa ocasião que o aproximou do bispo de Cavaillon, cidadezinha da Provença, onde ele tinha nascido em 3 de fevereiro 1544. Os jesuítas de Avignon, um humilde capelão e uma camponesa, que o assistiam durante a convalescença, com as suas palavras e os seus exemplos o reconduziram para a religião cristã, da qual ele se havia afastado. Não perdeu tempo: tão logo se curou, trocou de vida e se pôs a estudar para tornar-se sacerdote. Enquanto se preparava, começou a percorrer os sítios e fazendas ensinando o catecismo. Fundou, com o auxilio de um primo, Romillon, centros de instrução religiosa nos cantos mais escondidos e esquecidos, nos quais começou a experimentar novos métodos de ensino da doutrina às crianças do meio rural. César de Bus tornou-se sacerdote aos trinta e oito anos de idade e já reunia em torno de si muitos jovens, formando, com a ajuda dos bispos e dos sacerdotes da região, uma numerosa comunidade, que tomou o nome de Congregação dos Padres da Doutrina Cristã, ou Doutrinários, os quais, por não terem pronunciado os votos, viviam todos juntos.

Damião de Molokai Sacerdote Picpus, Missionário, Santo (1840-1889)

Josef de Veuster-Wouters nasceu no dia 3 de janeiro de 1840, numa pequena cidade ao norte de Bruxelas, na Bélgica. Aos dezenove anos de idade, entra para a Ordem dos Padres do Sagrado Coração e toma o nome de Damião. Em seguida, é enviado para terminar seus estudos num colégio teológico em Paris. A vida de Damião começou a mudar quando completou vinte e um anos de idade. Um bispo do Havaí, arquipélago do Pacífico, estava em Paris, onde ministrava algumas palestras e pretendia conseguir missionários para o local. Ele expunha os problemas daquela região e, especialmente, dos doentes de lepra, que eram exilados e abandonados numa ilha chamada Molokai, por determinação do governo. Damião logo se interessou e se colocou à disposição para ir como missionário à ilha. Alguns fatos antecederam a sua ida. Uma epidemia de febre tifóide atingiu o colégio e seu irmão caiu doente. Damião ainda não era sacerdote, mas estava disposto a insistir que o aceitassem na missão rumo a Molokai. Escreveu uma carta ao superior da Ordem do Sagrado Coração, que, inspirado por Deus, permitiu a sua partida. Assim, em 1863 Damião embarcava para o Havaí, após ser ordenado sacerdote. Chegando ao arquipélago, Damião logo se colocou a par da situação. A região recebera imigrantes chineses e com eles a lepra.

ORAÇÕES - 15 DE ABRIL

Oração da manhã para todos os dias 
Senhor meu Deus, mais um dia está começando. Agradeço a vida que se renova para mim, os trabalhos que me esperam, as alegrias e também os pequenos dissabores que nunca faltam. Que tudo quanto viverei hoje sirva para me aproximar de vós e dos que estão ao meu redor. Creio em vós, Senhor. Eu vos amo e tudo espero de vossa bondade. Fazei de mim uma bênção para todos que eu encontrar. Amém. 
As reflexões seguintes supõem que você antes leu o texto evangélico indicado.
15 – Quarta – Santos: Êutiques, Anastácia, Vitoriano
Evangelho (Jo 3,16-21) “Deus amou tanto o mundo, que entregou o seu Filho unigênito, para que não morra todo o que nele crer, mas tenha a vida eterna.”
Fomos criados por amor, e por amor somos salvos. O Pai não nos oprime, nada nos impõe: apenas quer nosso bem. E o quer tanto que, para nos libertar do mal que nos domina, entregou seu Filho como a suprema prova de amor. Estamos diante do amor infinito do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Não tem sentido não aceitar o esse amor que nos é oferecido, e que nos pode dar felicidadee paz.
Oração
Senhor meu Deus, quero dar a esse amor infinito a resposta de meu pobre e limitado amor. Se sou tão importante para vós, muito mais importante sois para mim. Sem vós para mim não existe nem vida nem felicidade. Ajudai-me a vos colocar em primeiro lugar em minha vida, a vos preferir a tudo e a todos. Perdoai-me, não leveis em conta minhas ilusões infantis. Aceito ser amado. Amém.

terça-feira, 14 de abril de 2026

REFLETINDO A PALAVRA - “Dá-me de beber”

PADRE LUIZ CARLOS DE OLIVEIRA(✝︎)
REDENTORISTA NA PAZ DO SENHOR
A Água da Vida
 
A Quaresma é a preparação para a Páscoa. É o momento do Batismo dos catecúmenos e da renovação das promessas do Batismo de toda a comunidade. Nesse rito, o fiel participa sacramentalmente do Mistério Pascal de Cristo, vivendo a Vida Nova. A água do Batismo flue do peito aberto de Cristo e é jorrada em abundância em sua Ressurreição. Na gruta do túmulo está a nascente da Vida Nova. Nesse ano (Ano A), a liturgia traz um conjunto de leituras próprias para o Batismo. Recolhe os textos nos quais Jesus se mostra como a Água Viva, Luz e Vida. A cena maravilhosa da samaritana ensina que a sede que o coração do homem tem de Deus é saciada por Jesus que é a Água Viva. A mulher foi buscar água e encontrou a fonte. Aquele que pede para beber, promete dar de beber. O caminho espiritual é essa permanente busca de Cristo para saciar nossa sede. O poço é uma bela imagem de Cristo, fonte de água viva. Ele oferece a água que é o Espírito Santo, dom de Deus. Se por um lado há uma busca de água, por outro há um chamado: “Vinde a Mim todos vós que estais cansados e fatigados sob o peso de vossos fardos e eu vos darei descanso” (Mt 11,28). O sacramento do Batismo é a porta de todos os sacramentos. Por ele somos mergulhados nas águas da Vida Divina. Na liturgia antiga era o momento mais importante da Vigília Pascal. Esse rito teve uma evolução de séculos, tendo seu auge no século VIII. A comunidade vivia o Batismo. Por isso um rito foi significativo.
Caminhar no Espírito 
O ritual do batismo compreendia a Crisma e a Eucaristia. Era um único sacramento em três momentos. Chama-se a Iniciação cristã. O batizado entrava na vida da comunidade. À medida que aceitamos a oferta de Jesus, mais sentiremos sede e desejo permanente de ir a esse poço. Quando se descobre uma fonte de água gostosa, quanto não se faz por buscá-la? Quanto não se faz para buscar Jesus que dá o Espírito! É impressionante como isso não penetra na vida das comunidades, nem dos movimentos. Faz-se de tudo, até milagres, mas o fundamental que é o batismo fica esquecido. As energias de vida cristã provêm desse sacramento da iniciação cristã. É fazer uma renovação da espiritualidade a partir da liturgia pascal na qual celebramos os sacramentos centrais de nova fé e de nossa vivência cristã do dia a dia. Ter uma espiritualidade modelada pelo tempo quaresmal é se colocar em permanente busca de Cristo, Água Viva. E levar aos outros a notícia da riqueza descoberta. É claro que uma espiritualidade que não compromete a vida com a comunidade é mais fácil. Percebemos como a liturgia pascal não nos envolve. Perdemos o contato com a fonte. É preciso converter-se à água viva. 
Beber a Água Viva. 
O Espírito não é um santo a mais em nosso caminho espiritual, mas é a Água Viva que nos sacia, dada por Jesus no momento de sua Paixão e em sua continuada presença no meio de nós. A missão de Jesus consiste também em nos dar continuamente o Espírito. Ele nos abre as Escrituras e nos assiste continuamente em sua compreensão e na vivência da graça de Deus que é a Vida Divina. O Espírito nos estimula a anunciar e levar aos outros a água que bebemos e a nos saciamos. É a missão. Ele realiza em nós o amor-doação que Jesus nos ensinou e testemunhou com sua vida e morte. Por isso Ele ressuscitou. Estava vivo no amor do Pai. Viveremos nessa Quaresma as três dimensões básicas da vida cristã: Água Viva, Luz e a Vida. Assim a Igreja nos oferece uma renovação pascal. 
Leituras: Êxodo 17,3-7; Salmo 94 ; 
Romanos 5,1-2.5-8; João 4,5-42 
1. O caminho espiritual é a permanente busca de Cristo para saciar nossa sede. 
2. Viveremos nessa Quaresma as três dimensões da vida cristã: Água Viva, Luz e a Vida. 
3. O Espírito nos estimula a levar aos outros a água que bebemos e a nos saciamos. 
Cadê o balde? 
Na vida sempre aparece algo que falta justo naquele momento. Foi o caso do encontro de Jesus com a samaritana. Você não tem balde, como vai dar água viva? Foi um momento difícil. Falta o balde. Mas a fonte era corrente: “E a água que eu lhe der, se tornará nele uma fonte de água que jorra para a vida eterna” (Jo 4,14). No encontro com a samaritana estão resumidos todos os encontros que temos com Jesus. Sempre a dar a água que sacia a sede de eternidade. Cada um se torna uma fonte que jorra no mundo uma vida nova. Ele é a Água Viva. 
Homilia do 3º Domingo da Quaresma (15.03.2020)

EVANGELHO DO DIA 14 DE ABRIL

Evangelho segundo São João 3,7b-15. 
Naquele tempo, disse Jesus a Nicodemos: «Não te admires por Eu te haver dito que todos devem nascer de novo. O vento sopra onde quer; ouves a sua voz, mas não sabes donde vem nem para onde vai. Assim acontece com todo aquele que nasceu do Espírito». Nicodemos perguntou: «Como pode ser isso?». Jesus respondeu-lhe: «Tu és mestre em Israel e não sabes estas coisas? Em verdade, em verdade te digo: nós falamos do que sabemos e damos testemunho do que vimos, mas vós não aceitais o nosso testemunho. Se vos disse coisas da Terra e não acreditais, como haveis de acreditar se vos disser coisas do Céu? Ninguém subiu ao Céu, senão Aquele que desceu do Céu: o Filho do homem. Assim como Moisés elevou a serpente no deserto, também o Filho do homem será elevado, para que todo aquele que acredita tenha nele a vida eterna». 
Tradução litúrgica da Bíblia 
São Basílio
(330-379) 
Monge,
bispo de Cesareia da Capadócia, 
doutor da Igreja 
Tratado do Espírito Santo, 
capítulo IX; PG 32, 107B-110C 
Ser uma alma plenamente espiritual 
Para o Espírito se voltam todos os que necessitam de santificação, para Ele se dirige o desejo de todos os que vivem segundo a virtude e que são, por assim dizer, revigorados pelo seu sopro, auxiliados na busca do fim que é conforme à sua natureza. Purificar-se da fealdade adquirida pelos vícios, regressar à beleza da própria natureza, restituir, por assim dizer, a imagem real à sua forma original através da pureza é o único caminho para uma alma se aproximar do Espírito Santo. Ele, como o Sol que alcança um olhar puríssimo, mostrará em Si mesmo a imagem do invisível; e, na bem-aventurada contemplação da Imagem, verás a inefável beleza do Arquétipo. Por meio dele, os corações são elevados, os fracos são guiados pela mão e os que progridem tornam-se perfeitos. É Ele que ilumina os purificados de toda a impureza e os torna «espirituais» pela comunhão com Ele. Assim como os corpos claros e transparentes cintilam quando são tocados por um raio de luz e eles próprios difundem outro brilho, assim também as almas que transportam o Espírito, iluminadas por Ele, tornam-se plenamente «espirituais» e difundem a graça aos outros.

São Lamberto de Lyon Bispo Festa: 14 de abril (†)687

A "Vida de Lambert", escrita por um monge de Saint-Wandrille no início do século VIII ou IX, conta a história deste ilustre abade de Fontenelle e bispo de Lyon. Nascido em uma família abastada na diocese de Therouanne, Lambert, após sua educação na corte, abraçou a vida monástica em Fontenelle, sucedendo São Vandregisilo em 668. Sua década de governo foi marcada por um crescimento excepcional no patrimônio da abadia, favorecido por doações reais como as de Childerico II e Teodorico III. Lambert também fundou mosteiros na Provença e no Loire, consolidando a influência de Fontenelle. Em 678, tornou-se bispo de Lyon, cargo sobre o qual há poucas informações, morrendo pouco depois de 683. Martirógio Romano: Em Lyon, França, São Lamberto, bispo, que foi primeiro monge e depois abade de Fontenelle. A Vida de Lambert (lat. Lantbertus; Fr. Lambert) foi escrito por um monge de Saint-Wandrille no início do século IX, segundo W. Levison, ou no início do século VIII, segundo E. Vacandard.

Santos Tibúrcio, Valeriano e Máximo, mártires, na via Ápia

Transcorria o ano 229. As perseguições anticristãs se enfureciam. O edito de Constantino sobre a liberdade de culto ainda estava longe. Neste contexto, os três mártires, que celebramos hoje, viviam em Roma. Sua veneração era muito viva no século V e sua história foi transmitida por diversas fontes: as mais completas são a Passio de Santa Cecília e o Martirológio Jeronimiano, que depois passou para o Romano, muito usado ainda hoje. 
Valeriano e Cecília, uma união virginal 
A história começa com Valeriano, um nobre romano, nascido em 177, com quem Cecília, também filha de patrícios de alto escalão, se casou. Apesar de pertencer a uma família pagã, Cecília, desde sua tenra idade, tornou-se discípula de Jesus; às ocultas, vivia em comunhão com Ele, em contínua oração e na prática das virtudes; consagrou-se a Jesus no segredo do seu quarto. No dia do casamento, Cecília confiou a Valeriano o voto que havia feito: "Nenhuma mão profana pode me tocar, porque um anjo me protege. Se você me respeitar, ele também vai lhe amar como me ama". Valeriano era um ótimo rapaz e a graça começou a entrar nele: aceitou sua esposa e sua união virginal. Naquele momento, um anjo sorridente lhe apareceu, com duas coroas nas mãos: uma, com lírios para ele, e, outra, com rosas para a sua esposa.

Santas Berenice, Prosdócima e Domnina, mártires de Antioquia – 14 de abril

Martirológio Romano:
Em Antioquia, na Turquia moderna, santas e mártires Berenice e Prosdócima, virgens, e Domnina, sua mãe, que em tempos de perseguição, para escapar das intenções de alguns que estavam tentando minar a sua pureza, enquanto tentavam escapar em fuga, encontraram o martírio nas águas de um rio. 
Berenice, Prosdócima, virgens, e sua mãe Domnina, leigas e mártires de Antioquia, nasceram na Antioquia de Síria no século III e foram martirizadas na mesma cidade nos anos 303/305. A Santa Domnina que celebramos hoje (diminutivo carinhoso de Domina, Senhora) é a mesma que no Martirológio anterior era celebrada em 4 de outubro, junto com as suas filhas Berenice e Prosdócima. O escasso testemunho que temos de Domnina é uma notícia transmitida pela “História Eclesiástica” de Eusébio de Cesareia, que conta que para escapar das garras vergonhosas dos soldados, a mãe havia aconselhado suas belas e castas filhas a buscar refúgio no rio, com estas palavras: “Nos salvamos pela água (do batismo) e nas águas encontraremos a coroa de glória”.

Santa Tomáide, mártir - 14 de abril

Martirológio Romano:
Em Alexandria do Egito, Santa Tomáide, mártir. (476) 
Mártir por defender sua castidade 
Santa Tomáide é recordada nos sinassários bizantinos que lhe tecem um grande elogio, rico de detalhes, perfilando uma Santa Maria Goretti de outros tempos, um de tantos exemplos de jovens cristãs que preferiram a morte a perder a integridade de sua virgindade. Nascida em Alexandria, foi dada por esposa a um pescador, porém o sogro tomado de uma paixão impura tentou seduzi-la. A Santa se opôs com firmeza de ânimo e com toda sua força e então o cortejador, com um golpe de espada, cortou-a em dois, provocando sua morte. Era o ano 476. O velho, que ficou cego, confessou o delito e foi decapitado. A notícia do glorioso martírio de Tomáide se difundiu pelos arredores de Alexandria, e o abade Daniel mandou sepultar o corpo da Santa no cemitério dos monges. As relíquias foram transladadas para Constantinopla. O azeite das lamparinas que ardiam sobre seu túmulo era utilizado como remédio contra as tentações da carne. Fonte: www.santiebeati.it

Hermenegildo de Sevilha Príncipe, mártir, santo (+ 585)

Filho do rei dos Visigodos Leovegildo da Espanha e de sua primeira esposa Theodósia. São Hermenegildo foi criado numa corte Ariana em Sevilha. Ele casou-se com a cristã Ingunda filha de Sigeberto da Astrazia. Sua conversão para o cristianismo ortodoxo, foi o resultado das mais ferventes orações e o virtuoso exemplo de sua esposa, e os ensinamentos do Bispo São Leandro de Sevilha.Com sua conversão o seu pai o deserdou e eles acabaram em armas. Hermenegildo enviou São Leandro a Constantinopla para conseguir ajuda e ele conseguiu ajuda de alguns oficiais romanos que controlavam parte da costa do mediterrâneo. Eles tomaram sua esposa e filho como reféns e fizeram promessas que não cumpriram. Após ser sitiado por tropas do seu pai por um ano inteiro em Sevilha, Hermenegildo fugiu para terras romanas apenas para saber que seu pai havia subornado a todos para trai-lo. Sem mais esperança Hermenegildo procurou refugio em uma igreja onde nem seu pai iria violar o sagrado direito de santuário. Seu pai enviou seu outro filho Reccaredo, outro Ariano, para oferecer a Hermenegildo perdão se ele se arrependesse. Algumas de suas regalias foram restauradas até que a segunda esposa de seu pai, Gosvinda, ariana fanática, tudo fez para atrapalhar a paz entre os dois.

Pedro Gonçalves Telmo Sacerdote dominicano, Santo (ca. 1190-1246)

Pedro Gonçalves Telmo nasceu em Frómista (Espanha) por volta de 1190, segundo os diversos biógrafos que se debruçaram sobra a sua vida. De família distinta, estudou na Universidade de Palência e foi ordenado sacerdote. Após ser presbítero canónico em Astorga, ingressou na Ordem dos Dominicanos, onde se distinguiu pela sua retórica e capacidade de pregação. Graças à protecção de um tio, bispo de Astorga, foi-lhe atribuído o título de canónico e uma bula especial permitiu que fosse nomeado deão sem que tivesse ainda a idade requerida. Conta-se que, ao chegar a Astorga para ocupar o seu posto, com os seus melhores trajes e num cavalo ricamente ajaezado, o animal tropeçou e o cavaleiro estatelou-se no chão. A humilhação sofrida enfureceu-o, tendo decidido de imediato recolher-se a um convento, afastando-se do mundo. Como frade, ocupou o posto de capelão militar, ofício em que o seu dom de oratória chamou a atenção do rei Fernando III, que o convocou para a sua Corte. Como confessor do rei, incentivou-o a renunciar às hostilidades contra a Andaluzia, e acompanhou-o na campanha de conquista de Córdoba e Sevilha; consagrou como igrejas as mesquitas das cidades conquistadas. No regresso da campanha, abandonou a Corte para pregar nas Astúrias e na Galiza.

Liduína de Schiedan Mística e Santa (1380-1433)

Lidvina ou Liduína, como costuma ser chamada por nós, nasceu em Schiedan, Holanda, em 1380, numa família humilde e caridosa. Ainda criança, recolhia alimentos e roupas para os pobres e doentes abandonados. Até os quinze anos, Liduína era uma menina como todas as demais. Porém, no inverno daquele ano, sua vida mudou completamente. Com um grupo de amigos foi patinar no gelo e, em plena descida da montanha, um deles se chocou violentamente contra ela. Estava quase morta com a coluna vertebral partida e com lesões internas. Imediatamente, foi levada para casa e colocada sobre a cama, de onde nunca mais saiu, até morrer. Depois do trágico acidente, apareceram complicações e outras doenças, numa seqüência muito rápida. Apesar dos esforços, os médicos declararam que sua enfermidade não tinha cura e que o tratamento seria inútil, só empobrecendo ainda mais a família. Os anos se passavam e Liduína não melhorava, nem morria. Ficou a um passo do desespero total, quando chegou em seu socorro o padre João Pot, pároco da igreja. Com conversas serenas, o sacerdote recordou a ela que: "Deus só poda a árvore que mais gosta, para que produza mais frutos; e aos filhos que mais ama, mais os deixa sofrer".

Isabel Calduch Rovira Religiosa, Mártir da Guerra Civil Espanhola, Beata (1882-1937)

Isabel (Josefina) nasceu em Alcalá de Chivert, diocese de Tortosa e província de Castellón de la Plana, em 9 de maio de 1882. Seus pais, Francisco Calduch Roures e Amparo Rovira Martí, tiveram cinco filhos, a última dos quais foi Isabel. Os que conviveram com ela dizem: “Durante sua infância viveu em um ambiente muito católico. Exercitou naquele tempo a caridade para com os necessitados. Com uma amiga, ela levava comida para uma anciã e a ajudava também no asseio pessoal e da casa”. Durante a juventude relacionou-se com um jovem da cidade, muito bom católico, mas rompeu o relacionamento para abraçar um estado de vida mais perfeito, sempre com o consentimento de seus pais. Entrou no mosteiro das Capuchinhas de Castellón de la Plana, vestindo o hábito em 1900. Seu irmão José conta: “Só a vocação foi o motivo que levou minha irmã a entrar na ordem religiosa”. Emitiu a profissão temporária em 28 de Abril de 1901 e a perpétua em 30 de maio de 1904. As religiosas dizem: “Ela tinha um temperamento tranquilo e amável, sempre alegre. Era uma religiosa exemplar. Sempre contente. Muito observante da Regra e das Constituições. Muito modesta no olhar, prudente no falar e muito mortificada. Muito mortificada na alimentação; sempre muito estimada pela comunidade. Era uma alma de intensa vida interior, muito devota do Santíssimo, da Virgem e de São João Batista”.

ORAÇÕES - 14 DE ABRIL

Oração da manhã para todos os dias 
Senhor meu Deus, mais um dia está começando. Agradeço a vida que se renova para mim, os trabalhos que me esperam, as alegrias e também os pequenos dissabores que nunca faltam. Que tudo quanto viverei hoje sirva para me aproximar de vós e dos que estão ao meu redor. Creio em vós, Senhor. Eu vos amo e tudo espero de vossa bondade. Fazei de mim uma bênção para todos que eu encontrar. Amém. 
As reflexões seguintes supõem que você antes leu o texto evangélico indicado.
14 – Terça-feira – Santos: Lamberto, Donina, Próculo
Evangelho (Jo 3,7b-15) A Nicodemos, disse Jesus: – Em verdade, em verdade, te digo, se alguém não nasce da água e do Espírito, não pode entrar no Reino de Deus.”
Nicodemos era um bom homem, que procurava cumprir a lei do Senhor. Jesus convidou-o a dar um passo a mais. Precisava reconhecer que só da bondade de Deus ele podia receber a salvação que procurava. Para se salvar e fazer parte do Reino de Deus era preciso que se deixasse converter pelo poder de Deus, que se deixasse inundar pela sopro do Espírito, que lhe daria a vida nova e divina.
Oração
Senhor, desde meu batismo, quando ainda era criança, trabalhastes meu coração, envolvendo-me numa rede de amor e predileção. Vosso Espírito, passo a passo, foi orientado minhas decisões, dando-me força para enfrentar os desafios. Sem nenhum merecimento fui sempre um privilegiado. Agradeço tanto amor e tanto cuidado, e peço que eu seja cada vez mais dócil a vossa graça. Amém.

segunda-feira, 13 de abril de 2026

REFLETINDO A PALAVRA - “Visão da Glória”

PADRE LUIZ CARLOS DE OLIVEIRA(✝︎)
REDENTORISTA NA PAZ DO SENHOR
Seguimento de Jesus
Refletimos sobre o deserto no primeiro domingo da Quaresma. Foi o tempo da caminhada num processo de conversão dos males que nos afligem o coração. Continuando a espiritualidade quaresmal encontramos mais um caminho. Agora não se olha o caminho, mas a chegada. Naquele dia subiram num alto monte onde Jesus Se transfigurou. É o ponto de chegada de todo aquele que segue o novo Moisés. A transfiguração de Jesus é a meta de todos os que creem. Nos dois primeiros domingos da Quaresma sempre temos o mesmo esquema: a tentação e a transfiguração de Jesus. É um momento de não perdermos a esperança em nossas fragilidades. Temos um futuro: sermos semelhantes a Jesus. Abraão é protótipo de quem caminha dirigido por Deus. Não se olha para o caminho, mas “para a terra que Deus lhe vai mostrar” (Gn 12,1). Nessa viagem Abraão vai se transformando na imagem de pai de muitos povos. “Abraão creu em Deus e, isso lhe foi imputado como justiça” (Rm 4,3). A palavra justiça equivale à santidade. Conhecemos a cena da transfiguração. Naquele dia Ele e os discípulos sobem a montanha. Ali Jesus se transfigura: O corpo torna-se brilhante e as roupas muito brancas. Sabemos que esse momento de sua vida aconteceu para explicar sua passagem pela Paixão. Mas é também a meta do caminho espiritual: A transfiguração de todo homem e mulher. Não haverá um sinal de glorificação exterior, mas sim no interior onde se manifestará a glória do Pai. Para isso temos a formação de Cristo em nós para termos seus sentimentos e sua mentalidade. 
Ouvir o Pai 
O Pai apresenta o caminho para chegar a essa glória interior: “E da nuvem veio uma voz que dizia: “Este é o meu Filho amado, no qual pus todo o meu agrado. Escutai-O!” (Mt 17,6). É ouvindo e pondo-se a caminho como Abraão que poderemos chegar à transfiguração pessoal. Essa acontecerá no seguimento de Jesus em sua dedicação aos abandonados. Temos muita preocupação em fazer “coisas” espirituais, ou mesmo atividades pastorais na comunidade, envolvendo-nos em muitos bons compromissos. Somos preocupados com métodos espirituais, ritos, liturgias magníficas, rezas prolongadas, jejuns, estudos e tantas coisas. O Pai não mandou fazer nada disso quando mostra seu Filho transfigurado. Somente disse: “Este é o meu Filho amado, no qual pus todo o meu agrado. Escutai-O” (Mt 17,5). Deus nos quer falar e nós abafamos sua voz com nossa incapacidade de ouvir. Jesus curou muitos surdos. Não se tratava somente de conquistar a audição, mas de ter capacidade de ouvir Deus falar. Ele nos fala sempre. Quando ouvimos? Falamos tanto, mas não ouvimos. Diferente de outras igrejas de muito cantar e rezar, somos a Igreja do ouvido. “Fala, Senhor, que teu servo escuta” (1Sm 3,10). 
Em caminho 
Temos ideias pouco saudáveis o sobre processo de santificação. Ficamos mais em atitudes exteriores e práticas que não nos comprometem com o Reino de Deus em sua ação libertadora aos sofredores. Transfigurados, somos também deificados, na linguagem dos Orientais. É nossa participação com a Divindade. Passaremos, durante esse caminho, pelas várias etapas do povo no deserto, com as mesmas tentações. Estaremos como Abraão que passa pelas provações da fé. Seremos como Jesus que, depois dessa transfiguração, desceu para a planície e enfrentou o mistério da Cruz. É a transformação pascal iniciada no batismo pelo qual refletimos a imagem de Deus e transformamos o mundo.
Leituras Gênesis 12,1-4ª; Salmo 32; 
2Timóteo 1,8b-10; Mateus 17,1-9 
1. Não se olha para o caminho, mas “para a terra que Deus lhe vai mostrar”. 
2. Deus nos quer falar e abafamos sua voz com nossa incapacidade de ouvir. 
3. Seremos como Jesus depois dessa transfiguração. 
A nuvem que falava 
Jesus fora ao deserto e ali o diabo falou com Ele, tentando-O. Agora Jesus sobe o monte e ali Deus fala com Ele. Vence a tentação e mostra o resultado da vitória: a sua transfiguração. Agora Deus fala da nuvem. Não tenta, apresenta um caminho de transfiguração: ouvir Jesus. Ele fala sempre, através de tantos modos. Basta saber ouvir. Quem é de Deus, ouve as palavras de Deus. É preciso um grande esforço de fazer silêncio interior, onde estivermos. Podemos estar em silêncio no meio da multidão, ou podemos ter a multidão dentro de nosso silêncio. Que prática poderemos aprender para silenciar? Ouvir a nuvem. Mas não de temporal. 
Homilia do 2º Domingo da Quaresma (08.03.2020)

EVANGELHO DO DIA 13 DE ABRIL

Evangelho segundo São João 3,1-8. 
Havia um fariseu chamado Nicodemos, que era um dos principais entre os judeus. Foi ter com Jesus de noite e disse-Lhe: «Rabi, nós sabemos que vens da parte de Deus como mestre, pois ninguém pode realizar os milagres que Tu fazes se Deus não está com ele». Jesus respondeu-lhe: «Em verdade, em verdade te digo: Quem não nascer de novo não pode ver o Reino de Deus». Disse-Lhe Nicodemos: «Como pode um homem nascer, sendo já velho? Pode entrar segunda vez no seio materno e voltar a nascer?». Jesus respondeu: «Em verdade, em verdade te digo: quem não nascer da água e do Espírito não pode entrar no Reino de Deus. O que nasceu da carne é carne e o que nasceu do Espírito é espírito. Não te admires por Eu te haver dito que todos devem nascer de novo. O vento sopra onde quer; ouves a sua voz, mas não sabes donde vem nem para onde vai. Assim acontece com todo aquele que nasceu do Espírito».
Tradução litúrgica da Bíblia 
Beato Maria Eugénio do Menino Jesus 
(1894-1967) 
Carmelita, fundador de Notre Dame de Vie 
A humildade A humildade abre à luz 
A alma deve abrir-se à sabedoria do Amor. Esta sabedoria é fruto do dom de si, e é irresistivelmente atraída pela humildade. É isso que o comportamento de Nosso Senhor no Evangelho nos revela de forma luminosa. Jesus deixa na obscuridade, ou pelo menos na penumbra, as verdades mais importantes sobre Si mesmo, mas revela os seus segredos, logo no primeiro ano da sua pregação, a certas almas que parecem arrancar-Lhos. Um deles é Nicodemos, doutor da Lei e membro do sinédrio, um homem que pertence à aristocracia religiosa e social de Jerusalém. Como muitos dos seus colegas, ele ouviu e acolheu Jesus com benevolência na sua primeira viagem a Jerusalém; mas deve ter ficado especialmente impressionado e comovido, porque, sendo um doutor da Lei, toma a decisão de ir interrogar Jesus, que é um homem inculto. Irá ter com Ele de noite: a abordagem é hesitante, mas não desprovida de mérito, tendo em conta a posição de Nicodemos. Jesus parece prever as perguntas de Nicodemos. A linguagem é elevada, consentânea com tal interlocutor, mas Nicodemos está cada vez mais confuso. «Como pode ser isso?», pergunta. Jesus responde-lhe: «Tu és mestre em Israel e não sabes estas coisas?». O golpe é direto, quase severo, um golpe desferido por um homem inculto a um mestre da Lei. Nicodemos aceita-o sem protestar. Agora, escuta e compreende. A humilhação abriu-lhe a inteligência e Jesus derrama uma torrente de luz nesta ferida benéfica.

Santo Ermenegildo, príncipe visigótico, mártir Festa: 13 de abril


Ermenegildo era filho do primeiro rei visigodo e ariano da Espanha, no século VI. Porém, casou-se com uma católica e se converteu. Preso em Tarragona, foi assassinado por ordem do seu pai, por rejeitar receber a comunhão por mão de um bispo Ariano. Santo Ermenegildo é Padroeiro da Espanha.
(†)Tarragona, Espanha, 13 de abril de 585 
Ele viveu no século VI, era filho de Leovigildo, o primeiro rei visigodo da Espanha e, como todos os visigodos, era seguidor de Ário. Seu casamento com uma mulher católica causou tensões na corte e o rei exilou Hermenegildo e sua esposa para Sevilha. Lá, o jovem converteu-se ao catolicismo e tentou derrotar seu pai com a ajuda dos bizantinos e suábios. Preso em Tarragona, recusou-se a receber a Comunhão das mãos de um bispo ariano e por isso foi executado. Uma figura muito controversa, o julgamento sobre ele às vezes foi severo, às vezes mais ou menos compreensivo. São Gregório Magno, no entanto, destaca seu martírio incontestável.
Patrono: Espanha 
Etimologia: Ermenegildo = presente do deus Irmin, do alemão 
Emblema: Palma 
Martirológio Romano: Em Tarragona, na Espanha, São Hermenegildo, mártir, que, filho de Leovívio, rei dos visigodos, seguidor da heresia ariana, converteu-se à fé católica por meio da obra do bispo São Leandro; preso por ter se rebelado contra a vontade de seu pai ao recusar receber a comunhão de um bispo ariano no dia da solenidade da Páscoa, por ordem do próprio pai morreu sob um golpe de machado.