terça-feira, 31 de dezembro de 2024

REFLETINDO A PALAVRA - “O Reino é de Deus”

PADRE LUIZ CARLOS DE OLIVEIRA(+)
REDENTORISTA NA PAZ DO SENHOR
O Reino cresce
 
Só Deus conhece como é seu Reino anunciado e tornado presente entre nós por Jesus. Vivemos este Reino e o anunciamos. Como Igreja, o temos entre nós. Ela não esgota o Reino e deve sempre crescer no seu acolhimento e fazer o melhor de si para anunciá-lo e mostrar onde já age de modo misterioso. Não sabemos como cresce a semente, do mesmo não sabemos como ele cresce. Podemos ficar despreocupados, pois como a semente, o Reino de Deus presente no mundo, tem um dinamismo de crescimento que escapa de nosso controle. Deus não está sujeito aos nossos esquemas e estruturas. Estes são nossa colaboração. Deus não quer fazer o Reino crescer sem nossa participação. Não depende de nós. Não sabemos também qual a potência que possui, pois ele pertence a Deus que o rege. Não entendemos como uma sementinha, que não passa de um pozinho, possa ter uma energia de vida que produza árvores imensas. Sabemos que cresce, mas onde está essa força? Corremos risco de colocar empecilhos a Deus tendo como divinos, nossos esquemas e estruturas. Ser Igreja não significa ser dono de Deus e de seus dons. Quem vive o Reino está unido a Cristo, tem a vida eterna e sempre dará fruto. O Reino cresce em quem acolhe seu dinamismo de crescimento. Cada um a seu modo se desenvolve na vida do Reino. Acolher é praticar o mandamento de crer em Jesus e amar o próximo (1Jo 3,22). Não podemos perder a esperança nos sofrimentos e fracassos, pois Deus sempre sabe transportar-nos e colocar-nos como uma muda de planta em um lugar onde cresça e frutifique, como narra o profeta Ezequiel ao se dirigir aos judeus prisioneiros na Babilônia que não acreditavam na mudança da situação do povo (Ez 17,22-24). 
Força silenciosa do Reino 
A força silenciosa do Reino que cresce sem fazer barulho, provoca nos fiéis a capacidade de fazer o bem durante a vida, pois vamos comparecer diante do tribunal de Deus (2Cor 5,10). O tribunal nós o instalamos quando ouvimos a palavra e a pomos em prática (Jo 12,48). A recompensa é a capacidade de viver com maior intensidade a Vida Nova do Reino de Deus. Voltamos à parábola da semente que cresce no silêncio e não sabemos como. Do mesmo modo cresce a Igreja diante dos inúmeros desafios que lhe são colocados. Por mais que ela possa parecer fracassar, há sempre um dinamismo do Reino que a faz levantar das próprias fragilidades e dar passos largos na sua missão. É o que temos visto nas mudanças que aconteceram recentemente na Igreja. Como entender que alguém comece a crer e crescer na vivencia da fé? Quando somos fracos é que somos fortes, pois quem age em nós é a força de Cristo (2Cor 12,10). 
Catequese de Jesus 
Jesus fazia seu ensinamento com palavras simples que o povo entendia. Com as parábolas da semente ensina a caminhar na fé e não na visão clara (2Cor 5,7). O Reino anunciado e tornado presente por Jesus tem como principal anunciador o testemunho de unidade da Igreja realizada pela Eucaristia. Assim rezamos: “Ó Deus, a comunhão na Eucaristia prefigura a união dos fiéis em vosso amor. Fazei que realize também a comunhão na vossa Igreja” (Pós-Comunhão). Esta unidade é a força anunciadora do Reino e de seu crescimento silencioso. Por pequena que seja, sua força é o Senhor. Jesus anunciava por palavras e demonstrava por sua vida o ensinamento que dava. Ele é a sementinha que plantada deu muito fruto. Foi silencioso em sua Encarnação e sua Paixão. Assim cresceu. 
Leituras: Ezequiel 17,22-24; Salmo 91; 
2 Coríntios 5,6-10; Marcos 4,26-34 
1. Jesus conta parábolas para explicar o Reino de Deus: a semente que germina e cresce por si mesma sem sabermos como. Ela tem um dinamismo de crescimento, por menor que seja, torna-se grande árvore. Não somos donos do Reino. A Igreja, o acolhe e anuncia. Ele cresce, mas não se reduz a suas estruturas. Ele não está sob nosso controle. Acolher é crer e amar. Mesmo fracos podemos ser recuperados. 
2. O Reino cresce no silêncio e participamos fazendo o bem. Seremos julgados pela palavra que ouvimos e praticamos. A recompensa que temos é a capacidade de viver com maior intensidade a vida do Reino. A Igreja cresce diante dos desafios. Ela tem o dinamismo do Reino de crescer em silêncio, como vimos nos momentos atuais. Age em nós também o dinamismo do Reino. 
3. Jesus ensinava através de parábolas a caminhar na fé e não na visão clara. A Igreja, pelo seu testemunho, é a principal anunciadora do Reino. A unidade da Igreja é o testemunho que cresce no silêncio. Jesus foi o silencioso que deu fruto.
Historinha pra boi acordar 
Jesus fazia seus ensinamentos através de parábolas. Estas eram historinhas que eram fáceis de memorizar e tinham um grande ensinamento. Não era história para boi dormir, mas sim para boi ficar bem acordado. O profeta Ezequiel faz a profecia de uma muda de cedro plantada nos montes de Israel que vai crescer e se tornar uma árvore frondosa. Este cedro é o Reino de Deus que Jesus compara a uma sementinha que vai produzir uma grande árvore. O Reino de Deus é também como a semente que a gente não vê crescer. O Reino também tem uma força de vida que não vemos. Cresce e produz muito fruto. Jesus falava em parábolas para o povo entender melhor e em casa aprofundava o assunto com os discípulos. Paulo nos explica que a gente não vê tudo claro, mas, caminhamos na fé de nossa futura ressurreição. 
Homilia do 11º Domingo Comum (14.06.2015)

EVANGELHO DO DIA 31 DE DEZEMBRO

Evangelho segundo São João 1,1-18. 
No princípio era o Verbo e o Verbo estava com Deus e o Verbo era Deus. No princípio, Ele estava com Deus. Tudo se fez por meio dele e sem Ele nada foi feito. Nele estava a vida e a vida era a luz dos homens. A luz brilha nas trevas e as trevas não a receberam. Apareceu um homem enviado por Deus, chamado João. Veio como testemunha, para dar testemunho da luz, a fim de que todos acreditassem por meio dele. Ele não era a luz, mas veio para dar testemunho da luz. O Verbo era a luz verdadeira, que, vindo ao mundo, ilumina todo o homem. Estava no mundo e o mundo, que foi feito por Ele, não O conheceu. Veio para o que era seu e os seus não O receberam. Mas àqueles que O receberam e acreditaram no seu nome, deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus. Estes não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus. E o Verbo fez-Se carne e habitou entre nós. Nós vimos a sua glória, glória que Lhe vem do Pai como Filho Unigénito, cheio de graça e de verdade. João dá testemunho dele, exclamando: «Era deste que eu dizia: "O que vem depois de mim passou à minha frente, porque existia antes de mim"». Na verdade, foi da sua plenitude que todos nós recebemos graça sobre graça. Porque, se a Lei foi dada por meio de Moisés, a graça e a verdade vieram por meio de Jesus Cristo. A Deus, nunca ninguém O viu. O Filho Unigénito, que está no seio do Pai, é que O deu a conhecer. 
Tradução litúrgica da Bíblia 
São Clemente de Alexandria 
Teólogo(150-215)  
Protréptico I, 5-7; SC 2 bis 
O cântico novo do Verbo 
Este descendente de David que existia antes de David, o Verbo de Deus, tendo desprezado a lira e a cítara, instrumentos sem alma, rege o Universo pelo Espírito Santo; e rege em especial essa abreviatura do mundo que é o homem, alma e corpo. Ele toca para Deus este instrumento de mil vozes, e canta em sintonia com este instrumento humano: tu és para mim cítara, flauta e templo. Enviando o seu sopro a este belo instrumento que é o homem, o Senhor fê-lo à sua imagem, pois Ele próprio está em sintonia com este instrumento de Deus que é todo harmonia, afinado e santo, sabedoria supraterrena e Palavra do alto. Qual é o objetivo deste instrumento, o Verbo de Deus, do Senhor e do seu cântico novo? Abrir os olhos aos cegos e os ouvidos aos surdos, reconduzir os coxos e os perdidos à justiça, mostrar Deus aos homens, acabar com a corrupção, vencer a morte, reconciliar os filhos desobedientes com o Pai. Este instrumento de Deus ama os homens: o Senhor tem misericórdia, instrui, exorta, adverte, salva, protege e, por fim, como recompensa da nossa confiança, promete-nos o reino dos Céus. De nós, quer apenas uma coisa: a nossa salvação. Eis, pois, nas vossas mãos o objeto da promessa, eis este amor pelos homens: recebei a vossa parte de graça. E não penseis que o meu cântico de salvação é novo como uma casa é nova, pois ele já existia «de manhã cedo» (Sl 118,147) e «no princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus» (Jo 1,1). Eis o cântico novo da aparição que acaba de brilhar entre nós, do Verbo que estava no princípio e que já existia. Com efeito, acaba de aparecer Aquele que já existia como Salvador; apareceu Aquele que era Senhor no Ser, porque «o Verbo estava em Deus» (Jo 1,1); apareceu o Verbo, pelo qual todas as coisas foram criadas.

Santo Inácio Loyola Celebrado a 31 De Dezembro

«Tinha alma maior que o mundo»
, diz Gregório XV na Bula de canonização. A vida de Santo Inácio divide-se em três períodos que reflectem a grandeza da alma e a ascensão constante até ao cume. Nos trinta primeiros anos - 1491 a 1521 – foi cortesão e pecador, soldado vão e doidivanas. Desde 1521 até 1540 fez-se penitente, estudante e peregrino do ideal da maior glória de Deus. Em 1540 e até à morte, que se deu em 1556, Inácio chega à posse do ideal e torna-se o capitão da Companhia de Jesus, legislador e vencedor em muitas batalhas. O mais novo de doze irmãos «era rijo e valente, muito animoso para empreender coisas grandes, de nobre ânimo e liberal, e tão engenhoso e prudente nas coisas do mundo, que naquilo em que se metia e a que se aplicava, mostrava-se sempre para muito». «Começando a ferver-lhe o sangue», «brioso e de grande ânimo», deu-se desde o começo a todos os exercícios de armas, procurando «avantajar-se» acima de todos os iguais, com desejo de alcançar nome de «valoroso». Aquando do cerco de Pamplona pelos franceses, em 1521, Inácio é ferido por uma bala de canhão e, na sua longa e dolorosa convalescença, cai-lhe providencialmente nas mãos a vida de Cristo e dos Santos.

Beata Josefina Nicoli, Religiosa Vicentina - 31 de dezembro

     Josefina Nicoli nasceu em Casatisma (Pavía, Itália) em 18 de novembro de 1863. Era a quinta de dez filhos de uma família de classe média de profunda fé.
     Cursou a escola primária com as religiosas agostinianas em Voghera e estudou magistério em Pavía. Seu desejo secreto, que a impulsionava a realizar estes estudos, era de dedicar-se à educação das crianças pobres, em um tempo em que era muito elevada a porcentagem de analfabetismo entre as pessoas de menos recursos.
     Josefina era querida por todos, seu carácter doce era um dom natural. Um sacerdote de Voghera, Pe. Joaquim Prinetti, seu diretor espiritual, a guiou no caminho da perfeição, enquanto amadurecia a vocação de se consagrar a Deus.
     Em 24 de setembro de 1883, aos vinte anos, ingressou na Companhia das Filhas da Caridade de São Vicente de Paula, na casa de São Salvário de Turim, onde fez o postulantado e o noviciado. Recebeu o hábito em Paris, em uma cerimônia que teve lugar na Casa mãe das Filhas da Caridade.
     Em 1885 foi transferida para Sardenha. Sua primeira missão, que acolheu com grande entusiasmo, foi a de ensinar no "Conservatório da Providência" de Cagliari.
Em 1886, a cidade de Cagliari foi açoitada pela epidemia de cólera e a Irmã Josefina, nos momentos livres depois do horário escolar, juntamente com suas irmãs do conservatório, se dedicou a socorrer as famílias pobres da cidade organizando "cozinhas econômicas" que puseram à disposição das autoridades civis.

Santa Donata e companheiras Mártires em Roma Festa: 31 de dezembro

(+)Roma século I
 
Martirológio Romano: Também em Roma, no cemitério Giordani, na via Salaria nuova, as santas Donata, Paolina, Rogata, Dominanda, Serótina, Saturnina e Ilaria, mártires.
Santa Donata é a primeira na ordem de menção de um grupo de virgens mártires em Roma; são Donata, Paolina, Rogata, Dominanda, Serotina, Saturnina e Ilaria. A sua existência está certamente confirmada, pois são mencionados em 31 de dezembro no 'Martirológio Hieronimiano'; depois também no “Liber de locis sanctis martyrum” da primeira metade do século VII. Além disso, a edição muito recente do 'Martyrologium Romanum' de 2002 também reporta todos os sete na mesma data. Dito isto, pode-se acrescentar que após a descoberta das suas relíquias, juntamente com as dos santos mártires Alexandre, Vitales e Marcial (celebrada em 10 de julho), no cemitério Giordani, na Via Salaria Nuova, a sua veneração foi promovida por Papa Adriano I (772-795). Infelizmente, nada mais se sabe sobre suas vidas, nem como morreram; certamente foram mártires romanos, presumivelmente do primeiro século; ficamos impressionados com a circunstância de haver sete mulheres. 
Autor: Antonio Borrelli

Santa Melânia, a jovem – 31 de dezembro


 Melânia Valéria nasceu em 383, filha de nobilíssima família senatorial romana. 
Desejava se consagrar a Deus, mas, aos 14 anos seus pais casaram-na com Valério Piniano.
Com esse casamento reuniam-se dois ramos de uma das maiores famílias do Império Romano (ela, filha e Valério Publicola, da família Valéria, e de Ceionia Albina, da família Ceionia; ele, seu primo, também da família Valéria), conservando-se também o 
patrimônio mais rico existente na aristocracia romana.
     Depois de terem filhos que morreram em tenra idade, os dois esposos decidiram viver em castidade. Melânia resolveu desfazer-se de seus bens para se dedicar inteiramente à oração e ao estudo dos Livros Sagrados. Mas, foram precisos anos para que ela conseguisse doar sua fortuna, definida por um autor como mundial.

São Silvestre Papa

O longo pontificado de São Silvestre (de 314 a 335) correu paralelo ao governo do imperador Constantino, numa época muito importante para a Igreja recém saída da clandestinidade e das perseguições. Foi nesse período que se formou uma organização eclesiástica que duraria por vários séculos. Nesta época, teve lugar de destaque o imperador Constantino. Este, de facto, herdeiro da grande tradição imperial romana, considerava-se o legítimo representante da tradição imperial romana, considerava-se o legítimo representante da divindade (nunca renunciou ao título pagão de “Pontífice Máximo”), e logo também do Deus dos cristãos e por isso encarregado de controlar a Igreja como qualquer outra organização religiosa. Foi ele, por isso, e não o Papa Silvestre, quem convocou no ano 314, um sínodo para sanar um cisma que irrompera em África e foi ele ainda quem, em 325 convocou o primeiro Concílio Ecuménico da história, em Nicéia, na Bitínia, residência de verão do imperador. Silvestre, enviou representantes ao importante acontecimento: o bispo Ósio de Córdoba e dois sacerdotes. Assim fazendo, Constantino introduzia um método de intromissão do poder civil nas questões eclesiásticas o que não deixrá de trazer nefastas consequências.

Santa Colomba de Sens Virgem e mártir Festa: 31 de dezembro

Virgem e mártir († séc. IV). 
Presa aos 16 anos em Sens, França, 
resistiu a abandonar a Fé e 
foi decapitada por ordem do imperador Aureliano.
† Sens, Gália, século III 
Titular da Igreja Catedral, Santa Colomba provinha de família pagã; depois de ser batizada, mudou-se para Sens, na França. Ela foi martirizada por ordem do imperador Aureliano na segunda metade do século III. O culto de Santa Colomba chegou providencialmente a Rimini: alguns mercadores de Sens que navegavam no Adriático trazendo consigo uma relíquia de Santa Colomba foram obrigados a desembarcar em Rimini onde a relíquia acolhida por Stemnius bispo de Rimini estava localizado na Catedral. 
Martirológio Romano: Em Sens, na Gália de Julho, agora na França, Santa Colomba, virgem e mártir. 
Santa Colomba de Sens foi uma das mártires mais famosas de toda a Idade Média e seu culto foi amplamente difundido. No entanto, as informações históricas a seu respeito estão rodeadas de lendas; a própria 'Passio' está repleta de lugares Comini, típicos da hagiografia dourada dos primeiros mártires. Colomba é apresentada como pertencente a uma família espanhola nobre, mas pagã, que viveu no século III; para escapar do culto aos deuses, deixou a família e foi para a Gália, primeiro para Viena onde recebeu o batismo, depois para Sens. Parece que seu nome verdadeiro era Eporita e que mais tarde seria chamada de Colomba devido à sua inocência.

Catarina Labouré Religiosa Lazarista, Vidente, Santa 1806-1876

Religiosa das Irmãs de Caridade 
(de S. Vicente de Paulo). 
Foi a ela que Nossa Senhora 
revelou a Medalha Milagrosa, 
na Rua du Bac, em Paris.
A VIDENTE DA MEDALHA MILAGROSA
Por muitos anos ninguém soube como surgiu a Medalha Milagrosa. Apenas em 1876 tornou-se público que uma humilde religiosa, falecida naquele ano, é que recebera da Mãe de Deus a revelação dessa Medalha. 
***** 
Na pequena aldeia de Fain-les-Moutiers, na Borgo-nha, Catarina nasceu a 2 de maio de 1806, a nona dos onze filhos de Pedro e Luísa Labouré, honestos e religiosos agricultores. Quando tinha apenas nove anos, Catarina perdeu a mãe. Após o funeral, a menina subiu numa cadeira em seu quarto, tirou uma imagem de Nossa Senhora da parede, osculou-a e pediu-lhe que Ela se dignasse substituir sua mãe falecida. Três anos depois, sua irmã mais velha entrou para o convento das Irmãs da Caridade de São Vicente de Paulo.

Sagrada Família de Jesus, Maria e José 31 de dezembro (celebração móvel)

Nazaré, Palestina, século I
 
O Natal já nos mostrou a Sagrada Família reunida na gruta de Belém, mas hoje somos convidados a contemplá-la na casinha de Nazaré, onde Maria e José estão empenhados em criar o menino Jesus, dia após dia. Podemos facilmente imaginar isso. (os artistas muitas vezes o fizeram) em mil situações e atitudes, colocando em primeiro plano quer a Santíssima Virgem ao lado do seu Menino, quer o bom São José na carpintaria onde a criança também aprende o trabalho humano brincando. Mas também podemos intuir o imenso acontecimento que se realiza em Nazaré: poder amar a Deus e amar o próximo com um único gesto indivisível! Para Maria e José, de facto, o Menino é ao mesmo tempo o seu Deus e o seu próximo mais querido. Foi, portanto, em Nazaré que os atos mais sagrados (rezar, conversar com Deus, ouvir a sua Palavra, entrar em comunhão com Ele) coincidiram com as normais expressões coloquiais que cada mãe e cada pai dirigem ao seu filho. Foi em Nazaré que os “atos de culto devidos a Deus” (os mesmos que se celebravam no grandioso templo de Jerusalém) coincidiram com o cuidado normal com que Maria vestiu o Menino Jesus, lavou-o, alimentou-o, entregou-se ao seus jogos. Foi então que começou a história de todas as famílias cristãs, para as quais tudo (os afetos, os acontecimentos, a questão da vida) pode ser vivido como sacramento: verdadeiro sinal e antecipação de um amor infinito. 
Martirológio Romano: Festa da Sagrada Família de Jesus, Maria e José, exemplo santíssimo para as famílias cristãs que invocam a ajuda necessária.

ORAÇÕES - 31 DE DEZEMBRO

Oração da manhã para todos os dias 
Senhor meu Deus, mais um dia está começando. Agradeço a vida que se renova para mim, os trabalhos que me esperam, as alegrias e também os pequenos dissabores que nunca faltam. Que tudo quanto viverei hoje sirva para me aproximar de vós e dos que estão ao meu redor. Creio em vós, Senhor. Eu vos amo e tudo espero de vossa bondade. Fazei de mim uma bênção para todos que eu encontrar. Amém. 
As reflexões seguintes supõem que você antes leu o texto evangélico indicado.
31 – Terça-feiraSantos: Silvestre I, Catarina Labouré, Melânia
Evangelho (Jo 1,1-18) “No princípio era a Palavra, e a Palavra estava com Deus; e a Palavra era Deus. ... E a Palavra se fez carne e habitou entre nós.”
O menino que nasceu num estábulo, o filho de Maria, é a Palavra que diz tudo, e tudo criou; é o Filho de Deus, cujo poder sustenta o universo. Nasce como homem, mas não deixa de ser Deus. Precisa de quem o amamenta, mas é o princípio e a finalidade para tudo que existe. Vem partilhar de nossa humanidade, para fazer-nos participantes da sua divindade. Para isso criou todo o universo.
Oração
Senhor, olho para vós e vos imagino deitado nas palhas, doce e frágil. Mas acredito que sois o Filho de Deus. Por vós e para vós existimos e vivemos. Não contente com nos criar, quereis fazer-nos participantes de vossa divindade. Isso eu nunca poderia imaginar. Tomai-me, transformai-me, divinizai-me, fazei-me filho e serei feliz, e nada mais vos preciso pedir. Tomai conta de mim. Amém.

segunda-feira, 30 de dezembro de 2024

REFLETINDO A PALAVRA - “Todo povo anuncia o Senhor”

PADRE LUIZ CARLOS DE OLIVEIRA(+)
REDENTORISTA NA PAZ DO SENHOR
Um povo para todos
 
Papa Francisco tem uma visão muito ampla da evangelização. E tem sede que todos possam receber a alegre mensagem do Evangelho. Em sua Exortação Apostólica, documento sobre a evangelização (A Alegria do Evangelho) trouxe sua experiência de uma Igreja que busca novos caminhos, sobretudo os caminhos pisados pelos pobres. Tem consciência da gravidade da missão de levar o conhecimento de Jesus a todos. Fizemos um caminho de reflexão sobre a situação em que nos encontramos usando o método do Ver, Julgar e Agir. Agora vamos refletir sobre a missão fundamental da Igreja: Anunciar Jesus. Não é o anúncio de uma doutrina, mas de uma Pessoa. Fé é aceitar uma Pessoa concreta, Jesus Cristo. Quem evangeliza não é uma instituição, mas “todo o povo que peregrina para Deus” (EG 111). Fomos habituados a pensar a Igreja é o Papa, os Bispos, os Padres. Essa pirâmide de poder passou à pirâmide do serviço. Não podemos dizer: evangelização é problema dos padres e dos bispos, mas crer que o povo é o primeiro evangelizador. Aqueles têm sua missão preponderante na evangelização, mas o primeiro responsável é o povo, como conhecemos pela história. Se todo o povo não for evangelizador, testemunhando sua adesão a Cristo, o anúncio não chega longe. A missão vem da misericórdia de Deus que a atrai para si. A Igreja é enviada por Jesus Cristo como sacramento da salvação oferecida por Deus (LG 1). Deus toma a iniciativa. A salvação é oferecida a todos (GS, 22). Deus nos convoca como povo, e não como seres isolados (LG 9). “A Igreja deve ser o lugar da misericórdia onde todos possam se sentir acolhidos, amados, perdoados e animados a viverem segundo a vida boa do Evangelho” (EG 114). 
Um povo de muitos rostos. 
Ser povo é uma unidade, mas também implica nas diferenças, sobretudo quando pensamos em sentido de nosso mundo tão diversificado. “O Povo de Deus se encarna nos povos da terra, cada um dos quais tem a sua cultura própria” (EG 115). Cada cultura é um instrumento precioso para expressar a vida cristã. Cultura implica toda a vida do povo, com todas as suas manifestações. Tudo que não é contra a graça salvadora é apto para expressar a fé e os bons costumes. “A graça supõe a cultura, e o dom de Deus encarna-se na cultura que o recebe” (Id). Ao longo da história tantos povos diferentes receberam a fé, fizeram florir o evangelho na vida diária e o transmitiu segundo as próprias modalidades culturais (EG 116). É belo ver como o Espírito Santo fecunda uma cultura com a força transformadora do Evangelho. O Cristianismo não dispõe de um único modelo cultural. O Evangelho assume o rosto das diversas culturas e dos diversos povos onde for acolhido. Uma única cultura não absorve totalmente a beleza da Igreja adornada de muitas jóias. 
Diversos povos numa só fé 
“A diversidade cultural não ameaça a unidade da Igreja” (EG 117). Pelo contrário, a uniformidade pode tornar as realidades desiguais. A unidade se faz pela fé e o amor. A comunhão de fé é realizada pelo Espírito que constrói a comunhão. A harmonia é realizada pelo Espírito Santo. Temos que desligar o mais possível a Igreja de uma determinada cultura. Jesus era judeu e não desprezou sua raça e cultura, mas não impôs. Há elementos que permanecem, mas não anulam as demais culturas. “É indiscutível que uma única cultura não esgota o mistério da redenção de Cristo” (EG 118). A colorida túnica de José é uma expressão do amor do Pai (Gn 37,3-4). O povo de Deus unido anuncia a bela salvação.
ARTIGO PUBLICADO EM JUNHO DE 2015

EVANGELHO DO DIA 30 DE DEZEMBRO

Evangelho segundo São Lucas 2,36-40. 
Quando os pais de Jesus levaram o Menino a Jerusalém, a fim de O apresentarem ao Senhor, estava no Templo uma profetisa, Ana, filha de Fanuel, da tribo de Aser. Era de idade muito avançada e tinha vivido casada sete anos após o tempo de donzela, e viúva até aos oitenta e quatro. Não se afastava do Templo, servindo a Deus noite e dia, com jejuns e orações. Estando presente na mesma ocasião, começou também a louvar a Deus e a falar acerca do Menino a todos os que esperavam a libertação de Jerusalém. Cumpridas todas as prescrições da Lei do Senhor, voltaram para a Galileia, para a sua cidade de Nazaré. Entretanto, o Menino crescia, tornava-Se robusto e enchia-Se de sabedoria. E a graça de Deus estava com Ele. 
Tradução litúrgica da Bíblia 
São Clemente de Alexandria
Teólogo(150-215)  
Protéptico 1, 6-8; SC 2 
O cântico novo: Ana proclamava 
os louvores de Deus 
Sendo do alto, o Verbo, a Palavra de Deus, era e é o divino começo de todas as coisas. Mas, agora que recebeu como nome «Aquele que foi consagrado», ou seja, «Cristo», eu chamo-Lhe «cântico novo» (Sl 33,144,149, etc.). O Verbo fazia-nos existir desde há muito, porque estava em Deus; por Ele, a nossa existência é boa. Ora, este Verbo acaba de aparecer aos homens, Ele que é Deus e Homem; Ele é para nós a causa de todos os bens. Tendo aprendido com Ele a viver bem, somos por Ele introduzidos na vida eterna. Porque, como nos diz o apóstolo do Senhor, «manifestou-se a graça de Deus, fonte de salvação para todos os homens. Ela nos ensina a renunciar à impiedade e aos desejos mundanos, para vivermos, no tempo presente, com temperança, justiça e piedade, aguardando a ditosa esperança e a manifestação da glória do nosso grande Deus e Salvador, Jesus Cristo» (Tit 2,11-13). É este o cântico novo: a manifestação do Verbo que existia desde o princípio e que acaba de resplandecer entre nós. Porque Aquele que existia como Salvador desde sempre acaba de aparecer; Aquele que é Deus apareceu como mestre; o Verbo por quem tudo foi criado apareceu (cf Jo 1,10). Como Criador, Ele deu a vida no princípio; agora, tendo aparecido como Mestre, ensina-nos a viver bem, de maneira que um dia nos possa dar, enquanto Deus, a vida eterna. Não é a primeira vez que Ele tem piedade de nós por andarmos perdidos; foi assim desde o princípio.

Santo Anísio de Tessalônica Bispo Festa: 30 de dezembro

(+)406
 
Participou do Sínodo de Cápua e, pela sua fidelidade à doutrina da Igreja, recebeu grandes elogios de Santo Ambrósio. 
Martirológio Romano: Comemoração de Santo Anísio, bispo de Tessalônica, que, instituído pelos Romanos Pontífices como vigário apostólico na antiga Ilíria e elogiado por Santo Ambrósio, floresceu na época do imperador Teodósio. 
Ele sucedeu Santo Acílio na cátedra episcopal de Tessalônica (hoje Tessalônica) em 383 (Gams, p. 429). Santo Ambrósio, numa carta elogiando o seu antecessor, exorta Anísio “a mostrar-se digno dele não só na sua dignidade, mas também nos seus hábitos”. O Sínodo de Cápua, convocado em dezembro de 391, confiou a investigação contra Bonoso, bispo de Naissus, que negou a virgindade perpétua de Maria e a divindade de Jesus Cristo, a um colégio de bispos ilírios, presidido por Anísio (segundo Fotino) .

Santos Sabino Exuperâncio, Marcelo e Venustiano, mártires (séc. IV)

O Martirológio Romano narra assim o martírio de São Sabino e seus companheiros, a 30 de dezembro: “Em Espoleto, o natalício dos santos mártires Sabino, bispo de Assis, Exuperâncio e Marcelo, diáconos, Venustiano, prefeito, com mulher e filhos, sob Maximiano, que foi Imperador Romano de 286 a 305, título que compartilhou com seu co-imperador e superior, Diocleciano. “Marcelo e Exuperâncio foram primeiro suspensos no potro; depois, duramente espancados, descarnados com unhas de ferro, queimados e assados nas ilhargas. Assim se consumou seu martírio. Logo mais, Venustiano foi degolado à espada, junto com a mulher e filhos. “São Sabino, porém, teve as mãos decepadas, e definhou longamente no cárcere. Por último, foi açoitado até morrer. O martírio de todos eles ocorreu em ocasiões diferentes, mas é celebrado conjuntamente no mesmo dia”.

São Félix I, papa

Félix, sacerdote romano e Papa, de 269 a 274, mandou celebrar Missas diante dos túmulos, que continham relíquias dos mártires cristãos. Defendeu com força a doutrina sobre a Trindade divina e a Encarnação do Verbo.
(+)274(Papa de 01/05/269 a 30/12/274) 
Romano. Ele é creditado por ter a disposição de celebrar missas acima dos túmulos que abrigavam as relíquias dos mártires cristãos. 
Etimologia: Felice = feliz, do latim 
Martirológio Romano: Em Roma, no cemitério de Calisto, na Via Ápia, deposição de São Félix I, Papa, que governou a Igreja de Roma sob o imperador Aureliano.

Rugero de Cane Bispo, Santo + 1129

Foi um dos bispos desta cidade italiana. 
Ele era provavelmente de origem normenda.
Rugero nasceu entre 1060 e 1070, na célebre e antiga cidade italiana de Cane. O seu nome, de origem normanda, sugere que seja essa a sua origem. Além dessas poucas referências imprecisas, nada mais se sabe sobre sua vida na infância e juventude. Mas ele era respeitado, pelos habitantes da cidade, como um homem trabalhador, bom, caridoso e muito penitente. Quando o bispo de Cane morreu, os fiéis quiseram que Rugero ficasse no seu lugar de pastor. E foi o que aconteceu: aos trinta anos de idade, ele foi consagrado bispo de Cane. No século II, essa cidade havia sido destruída pelo imperador Aníbal, quando expulsou o exército romano. Depois, ela retomou sua importância no período medieval, sendo até mesmo uma sede episcopal. No século XI, mais precisamente em 1083, por causa da rivalidade entre o conde de Cane e o duque de Puglia, localidade vizinha, a cidade ficou novamente em ruínas. O bispo Rugero assumiu a direcção da diocese dentro de um clima de prostração geral.

Margarida Colonna Virgem da Segunda Ordem, Beata (1254-1284)

Clarissa de Palestrina, 
irmã do Cardeal Colona; 
ela cuidava dos Frades Menores 
enfermos e dos leprosos. 
Mística.
Margarida nasceu na Palestrina, da família Colonna. Educada desde a mais tenra idade nas virtudes cristãs por sua mãe Mobilia ou Madalena Orsini, que tinha conhecido a São Francisco na casa de seu irmão Mateus. Ao tornar-se órfã, primeiro de pai e logo depois também de mãe, foi confiada à tutela de seu irmão João. Em 1273 depois de ter recusado um matrimónio muito vantajoso com um nobre romano, retirou-se ao Monte Prenestino, hoje Castelo São Pedro, onde fundou uma comunidade de clarissas. Viveu ali no exercício heróico de todas as virtudes, edificando ao povo com a oração e o exemplo de uma caridade heróica. Distribuiu o seu rico dote aos pobres e para si não quis nenhuma ajuda directa da parte de seus irmãos; preferiu viver como franciscana, recorrendo à “Mesa do Senhor”, pedindo esmola de porta em porta. Por ocasião de uma epidemia, Margarida fez-se “toda para todos” assistindo fraternalmente aos irmãos enfermos e recorreu também em ajuda aos franciscanos de Zagarolo.

Eugénia Ravasco Religiosa, Fundadora, Beata (1845-1900)

Fundou em Génova a Comunidade das 
Irmãs 
dos Sagrados Corações de Jesus e Maria.
Beatificada em 2003.
Eugénia Ravasco nasceu em Milão no dia 4 de Janeiro de 1845, terceira dos seis filhos do banqueiro genovês Francisco Mateus e da nobre senhora Carolina Mozzoni Frosconi. Foi baptizada na Basílica de Santa Maria da Paixão e recebeu o nome de Eugénia Maria. A família rica e religiosa, lhe ofereceu um ambiente cheio de afectos, de fé e uma fina educação. Depois da morte pre-matura de dois filhinhos e também da perda da jovem mulher, o pai retornou a Génova, levando con-sigo o primogénito Ambrósio e a última filha Elisa com apenas um ano e meio. Eugénia ficou em Milão com a irmãzinha Constân-cia, entregue aos cuidados da tia Marieta Anselmi, que como uma verdadeira mãe, cuidou do seu cresci-mento, educando-a com amor, mas também com firmeza. Eugénia, vivaz e expansiva, na sua infância, a considerou sua mãe e se uniu a ela com grande afecto. No ano de 1852 se reuniu a sua família em Génova. O desapego da tia lhe causou uma dor fortíssima, que a fez adoecer. Em Génova, sua sede definitiva, reencontrou o pai e os dois irmãos. Conheceu o tio Luís Ravasco que tanto influenciou na sua formação. E também a tia Elisa Parodi e os seus dez filhos com os quais Eugénia viveu por algum tempo. Mas se afeiçoou particularmente a sua irmã menor, Elisa, que era reservada e sensível, estabelecendo com ela uma profunda sintonia espiritual.

João Maria Boccardo Sacerdote, Fundador, Beato 1848-1913

Pároco de Pancalieri, Itália. 
Fundou a Congregação das 
Pobres Filhas de São Caetano de Thiene, 
para auxiliar os órfãos, doentes e anciãos, 
e dar educação cristã à juventude.
Em 1848, 20 de Novembro nasce o pequeno João Maria Boccardo, em Testona, município de Moncalieri. Família pobre com 8 irmãos mas muito religiosa, sentiu o chamado, entra no seminário e é ordenado sacer-dote em 3 de Junho de 1871. Trabalha no seminário como assistente e depois como reitor por vários anos. No dia 10 de Setembro de 1882 aos 34 anos de idade, recebe a proposta de assumir uma paróquia, no mo-mento sem pastor. Cidade pequena, 3000 habitan-tes: Pancalieri. Em junho de 1884 os seus paroquianos são atingidos por uma epidemia: A cólera. As providências sani-tárias são tomadas. Padre João Maria Boccardo e o grupo das Filhas de Maria redobram sua dedicação. Ninguém fica sem os sacramentos. E a epidemia de-sapareceu, tudo volta a normalidade. Mas o Pároco continua afligido por que tem muitas famílias enlu-tadas, dizimadas, atingidas pela miséria. Ele sente que a paróquia precisa continuar fazendo alguma coisa com campo da caridade. Ele fixou sua atenção nos pobres, enfermos e idosos que se faziam presentes em maior numero.

30 de dezembro - Sagrada Família

A SAGRADA FAMÍLIA, IMAGEM MODELO DE TODA A FAMÍLIA HUMANA, AJUDA CADA UM A CAMINHAR NO ESPÍRITO DE NAZARÉ
Se o Natal tiver sido ao domingo; não tendo sido assim, a Sagrada Família celebrar-se-á no domingo dentro da Oitava do Natal. 
Da alocução de Paulo VI, Papa, em Nazaré, 5.1.1964
O exemplo de Nazaré: 
Nazaré é a escola em que se começa a compreender a vida de Jesus, é a escola em que se inicia o conhecimento do Evangelho. Aqui se aprende a observar, a escutar, a meditar e a penetrar o significado tão profundo e misterioso desta manifestação do Filho de Deus, tão simples, tão humilde e tão bela. Talvez se aprenda também, quase sem dar por isso, a imitá-la. Aqui se aprende o método e o caminho que nos permitirá compreender facilmente quem é Cristo. Aqui se descobre a importância do ambiente que rodeou a sua vida, durante a sua permanência no meio de nós: os lugares, os tempos, os costumes, a linguagem, as práticas religiosas, tudo o que serviu a Jesus para Se revelar ao mundo. Aqui tudo fala, tudo tem sentido. Aqui, nesta escola, se compreende a necessidade de ter uma disciplina espiritual, se queremos seguir os ensinamentos do Evangelho e ser discípulos de Cristo.

ORAÇÕES - 30 DE DEZEMBRO

Oração da manhã para todos os dias 
Senhor meu Deus, mais um dia está começando. Agradeço a vida que se renova para mim, os trabalhos que me esperam, as alegrias e também os pequenos dissabores que nunca faltam. Que tudo quanto viverei hoje sirva para me aproximar de vós e dos que estão ao meu redor. Creio em vós, Senhor. Eu vos amo e tudo espero de vossa bondade. Fazei de mim uma bênção para todos que eu encontrar. Amém. 
As reflexões seguintes supõem que você antes leu o texto evangélico indicado.
30 – Segunda-feiraSantos: Anísia, Libério, Sabino
Evangelho (Lc 2,36-40) “Depois de cumprir tudo, voltaram para Nazaré... O menino crescia e tornava-se forte, cheio de sabedoria; e a graça de Deus estava com ele.”
A não ser pelo episódio de Jesus no Templo aos doze anos, Lucas deixa na penumbra a vida em Nazaré. Nem uma palavra sobre esses longos anos do Filho de Deus. Certamente porque, por mais extraordinária e sublime que fosse a vida naquela casa, nada havia que chamasse a atenção. A força da vida divina pulsava oculta nas pequenas coisas do dia a dia de Jesus, Maria e José.
Oração
Senhor Jesus, poderia, mas não fico a imaginar a vida na família de Nazaré. Respeito o silêncio que escolhestes. Mas, olhando um pouco curioso, quero aprender com os três o valor das coisas pequenas, dos pequenos gestos de amor de cada dia. Ensinai-me o silencio, a calma, a atenção cuidadosa para com os outros. Vivo sempre correndo a fazer coisas; preciso aprender a viver. Amém.

domingo, 29 de dezembro de 2024

REFLETINDO A PALAVRA - “No Senhor está toda graça e redenção”

PADRE LUIZ CARLOS DE OLIVEIRA(+)
REDENTORISTA NA PAZ DO SENHOR
O pecado tomou conta
 
O Evangelho do 10º Domingo do Tempo Comum coloca-nos diante do tema da incompreensão que foram vítimas Jesus e sua missão. Os primeiros que não O compreenderam foram seus familiares que, julgando-O fora de si, queriam agarrá-Lo, pois não tinha tempo nem para comer (Mc 2,20-21). Jesus, por experiência, dissera que “os inimigos serão os próprios familiares” (Mt 10,36). Em segundo lugar vem os mestres da lei que, vendo Jesus expulsar demônios, diziam que estava possuído por Belzebu (chefe dos demônios). Identificam Jesus com o demônio. Jesus mostra o absurdo, dizendo que o diabo está lutando contra si mesmo. E completa a explicação afirmando que todo o pecado será perdoado, menos o pecado contra o Espírito Santo. Não tem perdão porque a pessoa se fecha, atribuindo a Cristo ações diabólicas. A Palavra de Deus indica a origem desse mal: o pecado dos primeiros pais, Adão e Eva, narrado no Gênesis. Não se trata tanto de narrar uma história em como foi, mas dizer que a raiz do mal está dentro de nós. Foi uma escolha da humanidade na pessoa dos primeiros pais. O homem e a mulher na desobediência, recusaram Deus. E o mal entrou no mundo e cresce com nossos pecados. Deus condena a serpente: a descendência da mulher, Jesus, vai esmagar sua cabeça. O pecado tomou conta, mas a graça é maior que o pecado, como diz Paulo: “Onde abundou o pecado, mais abundante foi a graça” (Rm 5,20). Deus quis mostrar através de Jesus sua misericórdia para que se vença o pecado e se viva a graça da comunhão com Deus. A aclamação ao evangelho diz: “O príncipe deste mundo agora será expulso” (Jo 12,32). Jesus, com sua morte e ressurreição, venceu o mal. 
Adão estava nu 
O paraíso terrestre simboliza a graça de Deus. A familiaridade de Adão com Deus é o paraíso. O fato de estar nu explica que o homem todo vive a riqueza da graça. O pecado rompeu a comunhão. Em Cristo foi recuperada a intimidade com Deus. Nada impede a aproximação de Deus. Somente o pecado destrói a comunhão. O pecado é uma opção. Temos muitas fragilidades, mas o mal está nas escolhas que fazemos. A sociedade se deixa levar pela tentação: “Sereis iguais a Deus, sendo donos do bem e do mal”. Vemos que o pecado entrou na pessoa e em suas opções. Um mundo sem pecado é o paraíso terrestre. Podemos não vencer sempre, mas a capacidade de viver a graça transformará a realidade em que vivemos. Todos os males que sofremos na sociedade provêm das escolhas pervertidas. É certo que a natureza é frágil. Paulo nos explica: “Mesmo se o homem exterior vai se arruinando, o nosso homem interior, pelo contrário, vai se renovando, dia a dia” (2 Cor 4,16). “O visível é passageiro, o invisível é eterno” (18). 
A serpente me enganou 
A família de Adão escolheu recusar a vontade de Deus que era para seu bem. Fazer-se a Deus não é um bem para o ser humano. Jesus cria a nova família dos que crêem. O caminho da redenção passa pelo Deus que não abandonou sua criatura amada e pelo homem que reconhece mal e clama a Deus do profundo de sua miséria, pois põe sua esperança em Deus no qual encontra o perdão (Sl 129). A esperança nos dá a certeza de uma morada futura, quando a atual for destruída. A Ressurreição é a luz para uma existência sofrida. Por isso rezamos: “Fazei-nos pensar o que é certo e realizá-lo por vossa ajuda” (Oração). A serpente foi pisada por Cristo. Temos um tempo novo. 
Leituras: Gênesis 3,9-15;Salmo 129;
2 Coríntios 4,13-18.5,1;Marcos 3,20-35 
1. Jesus não foi compreendido nem pelos seus nem pelos mestres da lei. Estes atribuem seus poderes ao demônio. Isto é um pecado contra o Espírito Santo que não terá perdão, porque se fecha à misericórdia. O pecado dos primeiros pais passa à toda humanidade e é aumentado pelos nossos pecados pessoais. O pecado foi a desobediência que recusou Deus. A graça, contudo, é maior que o pecado. 
2. O paraíso terrestre simboliza a graça de Deus que se expressa na familiaridade de Adão com Deus. O pecado é uma opção na qual queremos ser donos do bem e do mal. A graça transformará a realidade em que vivemos. A nudez de Adão representa a totalidade da graça. 
3. A família de Adão escolheu recusar a vontade de Deus que era para seu bem. Jesus cria a nova família dos que crêem. A esperança dá a certeza de uma morada futura. A Ressurreição é luz para uma existência sofrida. 
A árvore que produz cobra 
O fato do pecado dos primeiros pais, Adão e Eva, é contado na bela narrativa do Gênesis. Simboliza que o pecado é uma opção a partir do ato de ceder à tentação. Vencendo a tentação, vivemos a Ressurreição. Voltando nossos olhares para as coisas invisíveis vamos nos renovando dia a dia. Jesus sofreu a perseguição do mal do mundo, presente inclusive entre seus parentes que consideraram que Ele estava louco pelo excesso de gente que O assediava. Os mestres da lei O chamavam de príncipe dos demônios porque expulsava demônios. Negar sua ação é fechar-se a Deus que é blasfemar contra o Espírito Santo, atribuindo sua ação ao demônio. Jesus era de todos, tanto que disse, quando chegaram seus familiares, que todos eram sua família, o que não impede de ter sua família, da qual muitos eram cumpridores da Palavra de Deus, como o era sua Mãe.
Homilia do 10º Domingo Comum (07.06.2015)

EVANGELHO DO DIA 29 DE DEZEMBRO

Evangelho segundo São Lucas 2,41-52. 
Os pais de Jesus iam todos os anos a Jerusalém, pela festa da Páscoa. Quando Ele fez doze anos, subiram até lá, como era costume nessa festa. Quando eles regressavam, passados os dias festivos, o Menino Jesus ficou em Jerusalém, sem que seus pais o soubessem. Julgando que Ele vinha na caravana, fizeram um dia de viagem e começaram a procurá-lo entre os parentes e conhecidos. Não O encontrando, voltaram a Jerusalém, à sua procura. Passados três dias, encontraram-no no Templo, sentado no meio dos doutores, a ouvi-los e a fazer-lhes perguntas. Todos aqueles que O ouviam estavam surpreendidos com a sua inteligência e as suas respostas. Quando viram Jesus, seus pais ficaram admirados; e sua Mãe disse-Lhe: «Filho, porque procedeste assim connosco? Teu pai e eu andávamos aflitos à tua procura». Jesus respondeu-lhes: «Porque Me procuráveis? Não sabíeis que Eu devia estar na casa de meu Pai?». Mas eles não entenderam as palavras que Jesus lhes disse. Jesus desceu então com eles para Nazaré e era-lhes submisso. Sua Mãe guardava todos estes acontecimentos em seu coração. E Jesus ia crescendo em sabedoria, em estatura e em graça, diante de Deus e dos homens. 
Tradução litúrgica da Bíblia 
Santo António de Lisboa
 (1195-1231) 
Franciscano, doutor da Igreja 
Sermões para o domingo e as festas dos santos 
«Desceu então com eles para Nazaré
 e era-lhes submisso» 
«Era-lhes submisso». Que todo o orgulho dissolva diante destas palavras, que toda a soberba se desfaça, que toda a desobediência se submeta. «Era-lhes submisso». Quem? Aquele que, com uma só palavra, tudo criou do nada. Aquele que, como diz Isaías, «mediu as águas do mar com a sua mão, e quem mediu o céu a palmo, ou o pó da terra com o alqueire? Quem pesou as montanhas na báscula e as colinas na balança» (40, 12). Aquele que, como diz Job, «Sacode os alicerces da Terra e abala as suas colunas. Dá ordens ao Sol e ele não nasce e põe um selo sobre as estrelas. Ele Faz prodígios insondáveis e maravilhas sem conta» (9,6-10). É Ele, o grande e poderoso, que assim Se submete. E submete-Se a quem? A um operário e a uma pobre virgem. O «primeiro e último» (Ap 1,17)! O Senhor dos anjos, submisso aos homens! O Criador do Céu, submisso a um operário; o Deus da eterna glória, submisso a uma pobre virgem! Quem viu jamais coisa parecida? Quem ouviu jamais contar coisa semelhante? Não hesiteis, pois, em obedecer, em ser submissos. Descer, voltar para Nazaré, ser submisso, obedecer na perfeição: eis o cúmulo da sabedoria. Eis a sabedoria com sobriedade. A pura simplicidade é «como as águas de Siloé, que correm tranquilas» (Is 8,6). Há sábios nas ordens religiosas; mas foi através dos homens simples que Deus os congregou. Deus escolheu os loucos e os enfermos, os fracos e os ignorantes, para através deles congregar aqueles que eram sábios, poderosos e nobres, a fim de que ninguém se vanglorie diante de Deus (cf 1Cor 1,26-29), mas todos se gloriem naquele que desceu para Nazaré e era submisso.

Tomás Becket Bispo, Mártir, Santo 1118-1170

Vítima da perseguição ordenada contra a Igreja, 
pela rainha Isabel I da Inglaterra.
Tomás Becket nasceu no dia 21 de dezembro de 1118, em Londres. Era filho de pai normando e cresceu na Corte ao lado do herdeiro do trono, Henrique. Era um dos jovens cortesãos da comitiva do futuro rei da Inglaterra, um dos amigos íntimos com que Henrique mais tinha afinidade. Era ambicioso, audacioso, gostava das diversões com belas mulheres, das caçadas e das disputas perigosas. Compartilharam os belos anos da adolescência e da juventude antes que as responsabilidades da Coroa os afastasse. Quando foi corado Henrique II, a amizade teve uma certa continuidade, porque o rei nomeou Tomás seu chanceler. Mas num dado momento Tomás voltou seus interesses para a vida religiosa. Passou a dedicar-se ao estudo da doutrina cristã e acabou se tornando amigo do arcebispo de Canterbury, Teo-baldo. Tomás, por sua orientação, foi se entregando à fé de tal modo que deixou de ser o chanceler do rei para ser nomeado arcediácono do religioso. Quando o arcebispo Teobaldo morreu e o papa con-cedeu o privilégio ao rei de escolher e nomear o sucessor, Henrique II não vacilou em colocar no cargo o amigo.

Santa Benta Hyŏn Kyŏng-nyŏn e seis companheiros, Mártires - 29 de dezembro

Jovem viúva dedicada à catequese na Coreia. 
Recusou-se a apostatar e foi decapitada após sofrer muitos suplícios.
Martirológio Romano: Em Seul, na Coreia, Santa Benta Hyŏn Kyŏng-nyŏn, viúva e catequista, e seis companheiros, mártires, que depois de terem sofrido muitos suplícios pelo nome de Cristo, morreram finalmente decapitados. A ação do Espírito Santo, que sopra onde quer, conta com o apostolado de um generoso grupo de leigos na raiz da Santa Igreja de Deus nas terras coreanas. A primeira semente da fé católica foi levada para sua pátria por um leigo coreano em 1784, no seu retorno de Pequim. Fecundada na metade do século XIX pelo martírio de 103 membros da jovem comunidade, entre eles se destacando Santo André Kim Taegon, o primeiro presbítero coreano e o apóstolo leigo São Paulo Chong Hasang. As perseguições que ocorreram em ondas sucessivas de 1839 a 1867, ao contrário de sufocar a fé dos neófitos, suscitaram uma primavera como por ocasião da Igreja nascente. Repetia-se o fato: “o sangue de mártires é semente de cristãos”. Dos santos mártires coreanos temos poucas notícias, mas seus nomes são lembrados hoje graças a sua inscrição no calendário dos santos por João Paulo II em 6 de maio de 1984.

Catarina Volpicelli Religiosa, Fundadora, Santa 1839-1894

Fundadora das Servas do Sagrado Coração. 
No dia 29 de abril de 2001 Sua Santidade 
Papa João Paulo II proclamou-a Bem-aventurada.
Catarina Volpicelli, Fundadora das Servas do Sagrado Coração, pertence à classe dos «apóstolos, dos pobres e marginalizados», que no século XIX para Nápoles foram um luminoso sinal da presença de Cristo «Bom Samaritano», que se aproxima de cada homem que sofre no corpo e no espírito, para derramar sobre suas feridas, o óleo da consolação e o vinho da esperança (cf. Missal Romano, 2° ed. Italiana, Roma 1983, Prefácio comum VIII, p. 3752). Nascida em Nápoles, no dia 21 de janeiro de 1839, Catarina recebeu no seio de sua família de alta bur-guesia, uma sólida formação humana e religiosa. No colégio educandário San Marcelino, sob a guia sábia de Margarida Salatino (futura fundadora com o Beato Ludovico da Casoria das Irmãs Franciscanas Elisabetinas Bigie), aprendeu letras, línguas e músi-ca, o que não era frequente para as mulheres do seu tempo. Guiada então pelo Espírito do Senhor, que lhe reve-lava o projecto de Deus através da voz dos sábios e santos directores espirituais, Catarina que, no entan-to, julgava-se mais importante que a sua irmã, a brilhar na sociedade frequentando teatros e espectá-culos de danças, renunciou com prontidão os eféme-ros valores de uma vida elegante e despreocupada, para aderir com generosa decisão a uma vocação de perfeita santidade.

ORAÇÕES - 29 DE DEZEMBRO

Oração da manhã para todos os dias 
Senhor meu Deus, mais um dia está começando. Agradeço a vida que se renova para mim, os trabalhos que me esperam, as alegrias e também os pequenos dissabores que nunca faltam. Que tudo quanto viverei hoje sirva para me aproximar de vós e dos que estão ao meu redor. Creio em vós, Senhor. Eu vos amo e tudo espero de vossa bondade. Fazei de mim uma bênção para todos que eu encontrar. Amém. 
As reflexões seguintes supõem que você antes leu o texto evangélico indicado.
29 – Domingo – SAGRADA FAMÍLIA –
Evangelho (Lc 2,41-52) “Meu filho, por que agiste assim conosco? ... Jesus respondeu: − Por que me procuráveis? Não sabeis que devo estar na casa de meu Pai?”
Ao ir com Maria e José para a festa em Jerusalém, faltava um ano para Jesus ser reconhecido como adulto, capaz de assumir as obrigações da Lei. Isso dava um sentido especial àquela peregrinação, oportunidade para ele fazer o primeiro anúncio de sua missão: “Devo estar na casa de meu Pai”. Deus é seu Pai num sentido todo especial, que o coloca acima de todos; não é simples homem, é a Palavra, a Manifestação do Pai. O único que nos pode levar até ele, unindo-nos vitalmente a si, tornando-nos possível chegar ao Pai e conhecê-lo. Lucas diz que Maria e José “não compreenderam as palavras que lhes dissera”. Seria aos poucos que, à luz da fé, iriam chegar à plena percepção do mistério com que conviviam. Que eles dois orem por nós, para fazermos o mesmo caminho.
Oração
Senhor Jesus, admiro a fé e a confiança com que Maria e José se deixavam guiar na vida. Entregavam-se completamente nas mãos do Pai, mesmo quando não tinham clareza completa quanto ao caminho por onde os levaria. Pelo amor que tendes a eles, aumentai minha fé, iluminai meu coração para que vos conheça cada vez mais a vós e ao Pai. E também para que eu saiba colocar acima de todos os afetos humanos a missão que me confiais. AjudaiS-me para que a fidelidade ao Pai seja a orientação central de minha vida, e que fazer sua vontade seja a motivação de tudo que faço. Que a certeza de seu amor paciente seja minha alegria, e me dê tranquilidade nos momentos difíceis. Amém.

sábado, 28 de dezembro de 2024

REFLETINDO A PALAVRA - “Solenidade do Corpo e Sangue de Cristo”

PADRE LUIZ CARLOS DE OLIVEIRA(+)
REDENTORISTA NA PAZ DO SENHOR
Memorial de vossa Paixão
 
A liturgia da festa de Corpus Christi aprofunda a devoção ao Santíssimo Sacramento com a reflexão bíblica numa bela síntese do Mistério Pascal de Cristo celebrado na Eucaristia. Narra sua instituição durante a ceia pascal judaica. A ceia cristã é uma ceia memorial do sacrifício de Cristo para a salvação. O Mistério Pascal não se reduz ao sacrifício do Calvário; não compreende só sua morte, mas toda sua vida entregue para a salvação. Não mais o sangue de um cordeiro que purifica, mas do Cordeiro-Cristo que Se ofereceu. Assim se realiza a nova aliança, no sangue de Cristo, como a aliança do Sinai que foi selada com o sangue dos cordeiros. Esta aliança une o plano de redenção que Deus nos oferece e o compromisso que fazemos com Ele. Moisés deu os dez mandamentos; Jesus propõe o amor como código da nova aliança. Na festa de Corpus Christi (Corpo de Cristo), prolongamos a reflexão e o mistério eucarístico celebrado na Quinta-Feira Santa. Essa festa contém os mesmos elementos. Lembramos que Jesus nos deixou um memorial – lembrança – para ser celebrado como uma ceia que torna presente a Morte e a Ressurreição do Senhor. Jesus mandou que celebrássemos em sua memória. A missa, Eucaristia, é um sacrifício memorial da redenção que Jesus nos conquistou em sua Morte e Ressurreição. É uma refeição memorial deste sacrifício. Quando participamos da celebração da Eucaristia, participamos desse memorial de sua Paixão. O sentido de memorial está presente na cultura hebraica. O termo memorial está presente na fé do povo hebreu como explicação da ação de Deus que permanece a mesma durante a história do povo. A Eucaristia, memorial do Senhor, torna presente tudo o que Jesus fez por nossa salvação, de modo particular sua Morte, Ressurreição e Ascensão. Jesus diz naquela ceia, como nos narra Paulo: “Isto é meu corpo, que é dado por vós; fazei isto em memória de mim... Este cálice é a nova aliança em meu sangue; todas as vezes que beberdes dele, fazei-o em memória de mim... Pois todas as vezes que comeis desse pão e bebeis desse cálice, anunciar a morte do Senhor até que Ele venha” (1Cor 11,23-26). 
Oh vinde adoremos! 
Na Quinta-Feira Santa não temos espaço para a adoração festiva de Cristo presente na Eucaristia a não ser a adoração noturna. Temos um enriquecimento ao mistério celebrado. Por que adoramos? Porque reconhecemos no Pão e Vinho consagrados o Corpo e Sangue do Senhor. Na adoração do Sacramento do Amor de Deus, reconhecemos esse mistério e colhemos os frutos da redenção. Saboreamos na terra o que gozaremos no Céu. Ele enche nosso coração. A adoração não se reduz a incensos e ritos maravilhosos que sempre nos encantaram. Mas adora o Santíssimo Sacramento quem é capaz de vê-Lo presente no outro e reverenciá-lo. É belo levar o Santíssimo pelas ruas e sentir sua bênção que se espalha. Por outro lado, mais belo ainda é ter consciência que somos “Sacrários vivos da Eucaristia” como cantamos na bênção do Santíssimo. Cristo continua pelas ruas, em nós, abençoando, santificando e animando à vida eterna. Onde chega um cristão, chega a vida nova. Somos responsáveis pela eucaristização do mundo. 
Família reunida 
Santo Tomás ensinou na sequência (texto poético que segue o salmo) que “Aos mortais dando comida, dais também o pão da vida; que a família assim nutrida seja um dia reunida aos convivas lá do Céu”. A comunhão eucarística não é um rito individual, por mais que a responsabilidade seja individual. Se a ceia é sacrifical, por ser memória da Morte e Ressurreição do Senhor, é comunhão de irmãos por sermos família reunida. Comungar significa também entrar em comunhão com os irmãos através do amor serviço. O maior serviço que podemos prestar é o serviço do amor, pois Jesus tendo amado os seus, amou-os até o extremo do amor.
ARTIGO PUBLICADO EM MAIO DE 2015

EVANGELHO DO DIA 28 DE DEZEMBRO

Evangelho segundo São Mateus 2,13-18. 
Depois de os Magos partirem, o Anjo do Senhor apareceu em sonhos a José e disse-lhe: «Levanta-te, toma o Menino e sua Mãe e foge para o Egito e fica lá até que eu te diga, pois Herodes vai procurar o Menino para O matar». José levantou-se de noite, tomou o Menino e sua Mãe e partiu para o Egito e ficou lá até à morte de Herodes. Assim se cumpriu o que o Senhor anunciara pelo Profeta: «Do Egito chamei o meu filho». Quando Herodes percebeu que fora iludido pelos Magos, encheu-se de grande furor e mandou matar em Belém e no seu território todos os meninos de dois anos ou menos, conforme o tempo que os Magos lhe tinham indicado. Cumpriu-se então o que o profeta Jeremias anunciara, ao dizer: «Ouviu-se uma voz em Ramá, lamentos e gemidos sem fim: Raquel chora seus filhos e não quer ser consolada, porque eles já não existem». 
Tradução litúrgica da Bíblia 
São John Henry Newman 
(1801-1890) 
Teólogo, fundador do Oratório em Inglaterra 
 Sermão «The mind of little children»; PPS II, 6 
«Mártires incapazes de confessar o nome do 
teu Filho e todavia glorificados 
pelo seu nascimento» (Postcommunio) 
É de toda a justiça que celebremos a morte destes Santos Inocentes, porque ela é santa. Quando os acontecimentos nos aproximam de Cristo, quando sofremos por Cristo, esse é seguramente um privilégio imenso – qualquer que seja o sofrimento, mesmo que naquele momento não estejamos conscientes de estar sofrer por Ele. As crianças que Jesus tomou nos braços também não podiam compreender, nesse momento, de que condescendência admirável estavam a ser objeto; mas a bênção do Senhor era um privilégio real. Paralelamente, este massacre das crianças de Belém tem para elas lugar de sacramento: era a caução do amor do Filho de Deus para com aqueles que experimentaram esse sofrimento. Todos os que se aproximaram dele sofreram mais ou menos, pelo simples facto desse contacto, como se emanasse dele uma força secreta que purifica e santifica as almas através das penas deste mundo. Foi o caso dos Santos Inocentes. Verdadeiramente, a própria presença de Jesus tem lugar de sacramento: todos os seus atos, todos os seus olhares, todas as suas palavras comunicam a graça aos que aceitam recebê-la – quanto mais aos que aceitam tornar-se seus discípulos. O martírio foi considerado, desde os inícios da Igreja, uma forma de batismo, um verdadeiro batismo de sangue, que tem a mesma eficácia sacramental que a água que regenera. Somos, pois, convidados a reconhecer estas crianças como mártires e a usufruir o testemunho da sua inocência.

Santo Antônio de Lerins Mônaco - Festa: 28 de dezembro

Martirológio Romano:
Comemoração de Santo Antônio, monge que, homem ilustre pela graça e pela preparação, depois de ter levado uma vida solitária, retirou-se já idoso para o mosteiro de Lérins, na Provença, onde adormeceu piedosamente no Senhor. 
Ele nasceu em uma excelente família na segunda metade do século. V para Valéria, ou na província de mesmo nome, na Panônia. Tendo perdido o pai aos oito anos, Antônio foi confiado a São Severino, apóstolo de Nórico, que o levou ao mosteiro de Faviana, onde Antônio permaneceu até a morte de seu mestre, em 482. Foi acolhido por seu tio Constâncio, bispo. de Lorch (Wurtemberg), Antonio ingressou na vida monástica, fazendo-se imediatamente apreciado pela sua grande humildade. Em 488, sob a pressão das incursões de Odoacro, os romanos abandonaram Nórico, e Antônio mudou-se para o Lago Como com um padre chamado Mário, que reuniu alguns discípulos ao seu redor. Mário, tendo grande admiração por António, exortou-o a receber as ordens sacras e a auxiliá-lo no seu trabalho, mas António, ansiando pela solidão, mudou-se para o outro lado do lago, onde viveu algum tempo numa gruta com dois velhos eremitas. , perto do túmulo de San Felice. A fama de Antonio, que imediatamente se espalhou pelos arredores, causou-lhe um curioso acidente. Um homem, que havia sido condenado à morte por matar a esposa num ataque de ciúmes, refugiou-se com Antonio para escapar do castigo, simulando o desejo de se tornar seu discípulo. Mas Antonio expôs o hipócrita e o expulsou da cela.