quinta-feira, 17 de setembro de 2026

São Roberto Belarmino, Bispo e Doutor da Igreja -Festa: 17 de setembro

(*)Montepulciano, Siena, 4 de outubro de 1542
(+)Roma, 17 de setembro de 1621 
Roberto Belarmino nasceu em Montepulciano, em 1542, em uma família rica e numerosa. Em 1560, ingressou na Companhia de Jesus. Estudou em Pádua, Lovaina e no Colégio Romano, em Roma. Entre seus alunos durante esses anos estava Santo Luís Gonzaga. Foi nomeado Cardeal e Arcebispo de Cápua em 1599. Tornou-se um teólogo pós-Tridentino de grande renome. Escreveu muitas obras exegéticas, pastorais e ascéticas; seus volumosos livros "De Controversiis" são fundamentais para a apologética. Com uma obra tão simples em estrutura quanto rica em sabedoria, seu "Catecismo", foi um "mestre" para muitas gerações de crianças. Outro de seus volumes, "A Arte de Bem Morrer", também é famoso. Faleceu em 17 de setembro de 1621, em Roma. Está sepultado em um altar lateral da Basílica de Santo Inácio, em Campo Marzio. O Papa Pio XI o beatificou em 13 de maio de 1923, canonizou-o em 29 de junho de 1930 e proclamou-o Doutor da Igreja em 17 de setembro de 1931. Sua festa era celebrada em 13 de maio, ainda hoje na forma extraordinária do rito romano, enquanto no novo calendário promulgado por São Paulo VI sua memória facultativa é celebrada em 17 de setembro, hoje colocada ao lado da de Santa Hildegarda de Bingen, também Doutora da Igreja. 
Patrono: Arquidiocese de Cápua, Pontifícia Universidade Gregoriana, catequistas, canonistas, Arquidiocese de Cincinnati 
Etimologia: Roberto = brilhando com glória, do alemão
Emblema: Manto de Cardeal, Pena, Livro do Catecismo
Martirológio Romano: São Roberto Belarmino, bispo e Doutor da Igreja, da Companhia de Jesus, que argumentou brilhantemente as controvérsias teológicas de seu tempo com habilidade e perspicácia. 
Nomeado cardeal, dedicou-se diligentemente ao seu ministério pastoral na Igreja de Cápua e, finalmente, em Roma, trabalhou incansavelmente para defender a Sé Apostólica e a doutrina da fé. 
Infância e Juventude: 
Ele nasceu o terceiro de dez filhos em uma grande família de origem nobre, mas que vivia em dificuldades financeiras. Seu pai era Vincenzo Bellarmino, e sua mãe, Cinzia Cervini, uma mulher muito piedosa e religiosa, era irmã do Cardeal Marcello Cervini, que se tornaria o Papa Marcelo II. A pedido de sua mãe, ele foi educado no recém-fundado colégio jesuíta em sua cidade natal. Ingressou na Companhia de Jesus aos dezoito anos, em 20 de setembro de 1560, e fez sua primeira profissão religiosa no dia seguinte, apesar da oposição de seu pai, que preferia uma carreira política secular para ele. Desde muito jovem, demonstrou excelente talento literário e, inspirando-se em autores latinos como Virgílio, compôs vários poemas curtos tanto em vernáculo quanto em latim. Um de seus hinos, dedicado à figura de Maria Madalena, foi posteriormente incluído no breviário. De 1560 a 1563, estudou no Colégio Romano de Roma, a futura Pontifícia Universidade Gregoriana, sede da escola jesuíta. Posteriormente, iniciou seus estudos em humanidades, primeiro em Florença e depois em Mondovì, ambas nas escolas de sua ordem religiosa. Em 1567, começou a estudar teologia, primeiro em Pádua, e em 1569 foi enviado para completar esses estudos em Lovaina, na Flandres, onde adquiriu considerável conhecimento das heresias mais importantes de sua época.
Seu trabalho como professor 
Após sua ordenação sacerdotal no Domingo de Ramos de 1570 em Ghent, Bélgica, ele rapidamente ganhou fama tanto como professor quanto como pregador; nesta última função, conseguiu atrair católicos e protestantes[1] ao seu púlpito, mesmo de outras regiões geográficas. Tendo começado a lecionar teologia em 1570 em Lovaina, foi chamado de volta à Itália em 1576 pelo Papa Gregório XIII, que lhe confiou a cátedra de "Controvérsias", recentemente criada no Colégio Romano, ou seja, de Apologética, atividade que exerceu até 1587. O Concílio de Trento havia terminado recentemente e a Igreja Católica, sob ataque da Reforma Protestante, precisava analisar e verificar sua identidade cultural e, sobretudo, espiritual. A atividade e as obras de Roberto Belarmino se inserem precisamente nesse contexto histórico. Ele se mostrou à altura da dificuldade da tarefa de ensinar e as aulas que ministrou deram origem à sua grande e famosa obra em vários volumes, As Controvérsias. Esta monumental obra teológica representa a primeira tentativa de sistematizar as diversas controvérsias teológicas da época e teve enorme repercussão em toda a Europa. Cátedras específicas de ensino foram estabelecidas nas igrejas protestantes da Alemanha e da Inglaterra para responder aos argumentos defendidos por Belarmino a respeito da ortodoxia católica e sua adesão à Bíblia e à história da Igreja. A obra completa ainda não foi substituída como texto clássico [1], mesmo que, como se pode facilmente imaginar, o avanço dos estudos críticos tenha diminuído o valor de alguns de seus argumentos históricos. A missão na França e o contraste com Sisto V. Em 1588, ele foi nomeado "Diretor Espiritual" do Colégio Romano. Mas pouco depois, em 1590, foi enviado com a delegação do Cardeal Caetano, como teólogo, que o Papa Sisto V havia enviado à França para defender a Igreja Católica nas dificuldades decorrentes da guerra civil entre católicos e huguenotes. Enquanto estava na França, recebeu a notícia de que Sisto V, que havia aceitado calorosamente a dedicatória de sua obra "As Controvérsias", estava prestes a propor a inclusão do primeiro volume no Índice. O motivo era que a obra reconhecia o poder indireto, e não direto, da Santa Sé sobre os assuntos temporais. Belarmino, cuja lealdade à Santa Sé era intensa e genuína, ficou profundamente triste com isso. Essa condenação iminente foi evitada pela morte súbita de Sisto V em 27 de agosto de 1590, em decorrência de complicações de uma doença infecciosa, talvez malária. O novo Papa, Gregório XIV, contudo, mostrou-se completamente entusiasmado com a obra, a ponto de conceder-lhe a honra de uma aprovação papal especial. 
O retorno à cátedra e a revisão da Vulgata. 
Quando a missão do Cardeal Gaetano estava quase concluída, Belarmino retomou seu trabalho como professor e diretor espiritual. Teve a consolação de guiar, nos últimos anos de sua vida, Santo Luís Gonzaga, que morreu aos 23 anos no Colégio Romano em 1591, após contrair uma doença enquanto salvava um homem com peste que havia sido abandonado na rua. Nos anos seguintes, o próprio Belarmino promoveu seu processo de beatificação. Durante esse período, integrou a comissão final para a revisão do texto da Vulgata. Essa revisão havia sido especificamente solicitada pelo Concílio de Trento para refutar as teses protestantes, e os papas pós-Tridentinos trabalharam diligentemente nessa tarefa, levando-a quase à conclusão. Sisto V, embora não possuísse conhecimento específico em estudos bíblicos, introduziu alterações no Texto Sagrado de maneira excessivamente superficial e rápida, resultando em erros flagrantes. Para agilizar o processo, ele mandou imprimir e distribuir essa edição, em parte com a intenção de impor seu uso por meio de uma bula papal. Contudo, ele faleceu antes da promulgação oficial, e seus sucessores imediatos procederam prontamente à eliminação dos erros mais flagrantes e à retirada da edição errônea de circulação. O problema era como introduzir uma edição mais correta sem desacreditar o nome de Sisto V. Belarmino propôs que a nova edição sempre trouxesse o nome de Sisto V, com uma explicação introdutória segundo a qual, devido a certos erros tipográficos ou outros, o Papa Sisto já havia decidido que uma nova edição deveria ser empreendida. Sua declaração, visto que não havia evidências em contrário, deveria ser considerada conclusiva, dada a seriedade e a responsabilidade que lhe eram atribuídas por seus contemporâneos. Mais ainda, não poderia ser rejeitada sem macular a reputação dos outros membros da comissão que aceitaram a sugestão, e a de Clemente VIII que, plenamente ciente do assunto, autorizou a inclusão do prefácio de Belarmino na nova edição. Angelo Rocca, secretário da comissão responsável pela revisão, escreveu de próprio punho um rascunho do prefácio, no qual declarou: "[Sisto] quando começou a perceber que havia erros tipográficos e outras opiniões científicas, de modo que se poderia, ou melhor, se deveria, tomar uma decisão sobre o problema e publicar uma nova edição da Vulgata, como ele morreu antes, não pôde levar adiante o que havia se proposto." Este rascunho, ao qual o de Belarmino foi preferido, ainda existe, anexado ao exemplar da edição Sistina em que as correções de Clementina estão anotadas, e pode ser consultado na Biblioteca Angélica, em Roma. 
A nomeação como cardeal 
Em 1592, Belarmino tornou-se Reitor do Colégio Romano, cargo que ocupou por aproximadamente dois anos, até 1594. Em 1595, tornou-se Preboste da Província de Nápoles. Em 1597, o Papa Clemente VIII o reconduziu a Roma e o nomeou seu consultor teológico, bem como "Examinador de Bispos e Consultor do Santo Ofício". Em 3 de março de 1599, o Papa o criou cardeal-presbítero com o título de Santa Maria in Via, justificando a nomeação com as seguintes palavras: "A Igreja de Deus não tem sujeito de igual estima no campo da ciência". Nos anos subsequentes, Belarmino era frequentemente chamado, em tom de brincadeira, de "o jesuíta vestido de vermelho", em alusão às suas vestes cardeais, que contrastavam com a batina preta dos jesuítas. Nesse período, ele também foi nomeado, juntamente com o Cardeal Girolamo Berneri, bispo dominicano de Ascoli e, portanto, conhecido como Cardeal d'Ascoli, como assistente do Cardeal Madruzzi, presidente da Congregação "De Auxiliis", uma congregação estabelecida pouco antes pelo Papa para resolver a controvérsia que havia surgido recentemente entre tomistas e molinistas a respeito da natureza da harmonia entre a graça eficaz e a liberdade humana. Essa disputa, que se arrastaria por várias décadas, opôs jesuítas molinistas a dominicanos tomistas. A visão de Belarmino, desde o início, era de que essa questão doutrinal não deveria ser resolvida com intervenção de uma autoridade, mas sim deixada para debate entre os diferentes campos, e que os contendores de ambos os lados estavam estritamente proibidos de censurar ou condenar seus respectivos adversários. A maioria dos teólogos jesuítas, dos quais Belarmino fazia parte, estava mais próxima da tese molinista, e, portanto, sua recusa em tomar partido poderia ter levado a que a tese tomista fosse considerada mais válida. Clemente VIII inicialmente se inclinou a aceitar a ideia conciliatória de Belarmino, mas depois mudou completamente de posição, determinado a fornecer uma definição doutrinal mais precisa em favor da tese tomista. A presença de Roberto Belarmino nesse sentido havia se tornado constrangedora, e provavelmente por essa razão Clemente o nomeou Arcebispo de Cápua em 18 de março de 1602, uma sé que acabara de ficar vacante. O próprio Clemente escolheu consagrá-lo com as próprias mãos, uma honra geralmente concedida pelos papas como sinal de especial estima; o novo arcebispo partiu imediatamente para sua sé e se destacou dignamente em seu ministério. Em março de 1605, Clemente VIII faleceu e foi sucedido primeiro por Leão XI, que reinou por apenas vinte e seis dias, e depois por Paulo V. No primeiro e no segundo conclaves, mas especialmente no último, o nome de Roberto Belarmino frequentemente figurava entre as intenções dos eleitores, sobretudo devido aos sofrimentos que havia suportado, mas o fato de ser jesuíta constituía um obstáculo na opinião de muitos cardeais. O historiador do Vaticano, Ludwig von Pastor, relata que, nos primeiros dias do segundo conclave de 1605, um grupo de cardeais, incluindo Baronio, Sfondrato, Aquaviva, Farnese, Sforza e Piatti, trabalhou para que o cardeal jesuíta Belarmino fosse eleito; porém, ele se opôs tanto que, ao saber de sua candidatura, respondeu que renunciaria de bom grado até mesmo ao título de cardeal; seu apoio durante o conclave parece ter sido direcionado ao Cardeal Baronio. O conclave chegou então a um acordo sobre o Cardeal Camillo Borghese. O novo Papa, Paulo V, eleito com a concordância das principais potências católicas, insistiu em mantê-lo em Roma, e o cardeal solicitou que ao menos fosse dispensado de seu ministério episcopal, cujas responsabilidades já não era capaz de cumprir. Nesse momento, foi nomeado membro do Santo Ofício e de outras congregações, e mais tarde, principal conselheiro da Santa Sé no departamento teológico de sua administração. A disputa "De Auxiliis", que Clemente não conseguira concluir, foi finalizada com uma decisão que seguiu as linhas da proposta original de Belarmino. 1606 marcou o início da disputa entre a Santa Sé e a República de Veneza, que, sem consultar o Papa e em grave crise financeira, revogara a lei que isentava o clero da jurisdição civil e privara a Igreja do direito de possuir bens imóveis. A disputa levou a uma guerra de panfletos, durante a qual o lado republicano foi apoiado por Giovanni Marsilio e pelo frade servita Paolo Sarpi, que se opuseram veementemente à Igreja Católica. Nessa disputa, a Santa Sé foi nobremente defendida pelo Cardeal Belarmino e pelo Cardeal Barônio. Simultaneamente à oposição da República de Veneza, surgiram as objeções relativas ao Juramento de Lealdade Inglês. Em 1606, além do assédio já imposto aos católicos ingleses pelos monarcas ingleses, estes eram obrigados, sob pena de processo, a prestar um juramento de lealdade tão habilmente redigido que um católico, ao recusá-lo, pareceria estar se esquivando de seus deveres cívicos e, portanto, sujeito a processo judicial. Contudo, se o fizesse, não apenas rejeitaria, mas também condenaria como ímpio e herético o ensinamento sobre o poder de deposição — isto é, o poder de depor um soberano —, que, certa ou erradamente, a Santa Sé reivindicara e exercera durante séculos com a plena aprovação do cristianismo, e que, mesmo naquela época, a vasta maioria dos teólogos continuava a defender. Como a Santa Sé havia proibido os católicos de prestar esse juramento, o rei inglês Jaime I da Inglaterra, que ascendeu ao trono após a morte de Elizabeth I e era rei da Escócia, um protestante, escreveu uma defesa desse juramento em um livro intitulado *Tripoli nodo triplex cuneus*; Belarmino respondeu ao monarca com sua *Responsio Matthei Torti*. Outros tratados se seguiram de ambos os lados, e o resultado de um deles foi uma refutação do poder de depor soberanos por William Barclay, um famoso jurista escocês residente na França; esta foi contestada pela réplica de Belarmino. As refutações do jurista escocês foram então utilizadas pelo Parlamento monarquista de Paris. A consequência foi que, seguindo a doutrina da via média do poder indireto de depor soberanos, Belarmino foi condenado em 1590 por ser considerado inclinado demais a posições monarquistas e em 1605 por ser excessivamente papal. 
O Caso Giordano Bruno. 
Os procedimentos deste julgamento também envolveram Belarmino, que era consultor do Santo Ofício, e o levaram a ter vários encontros com o inquisidor ao longo de um período de sete anos, de 1593 a 1600. O julgamento foi prolongado porque as confissões de heresia que o acusado fez durante os vinte interrogatórios a que foi submetido, alguns inclusive sob tortura, foram posteriormente negadas perante o Tribunal da Inquisição. Belarmino nunca compareceu pessoalmente às sessões de interrogatório durante as quais a tortura poderia ter sido usada. Por ordem do Papa Clemente VIII, em 20 de janeiro de 1600, o Tribunal da Inquisição pronunciou o veredicto de condenação à fogueira. 
O Caso Galileu Galilei . 
Bellarmine não viveu para ver o fim do julgamento e da condenação de Galileu Galilei, mas em 1615 participou da primeira fase. O cardeal fez parte da comissão do Vaticano que advertiu Galileu contra a continuidade do ensino da teoria heliocêntrica em 1616, e foi ele quem comunicou a advertência em uma carta que se tornou famosa. Anteriormente, ele sempre demonstrara interesse pelas descobertas do cientista e mantivera uma correspondência amigável com ele. Também adotara, como evidenciado por suas cartas ao amigo de Galileu, Paolo Antonio Foscarini, uma atitude aberta em relação às teorias científicas, advertindo-o, contudo, a não buscar provas de sua precisão, mas a se limitar a apresentá-las como hipóteses. 
Morte e Culto 
Em seus últimos anos, Roberto Bellarmine continuou seu estilo de vida austero, dedicando grande parte de seu tempo à oração e ao jejum, apesar de sua saúde bastante precária. Continuou a dar esmolas em abundância aos pobres, aos quais deixou praticamente todos os seus bens; Ele ajudou a garantir a aprovação papal para a fundação da nova Ordem da Visitação de São Francisco de Sales. Também concluiu um "Grande Catecismo" e um "Pequeno Catecismo", este último particularmente bem-sucedido e amplamente utilizado até o século XIX. Por fim, escreveu um breve texto, igualmente famoso, "De arte bene moriendi", bem como sua "Autobiografia". Viveu para testemunhar outro conclave, o que elegeu Gregório XV em fevereiro de 1621. Sua saúde estava se deteriorando rapidamente e, no verão daquele ano, foi-lhe permitido retirar-se para Sant'Andrea al Quirinale, sede do noviciado jesuíta, para se preparar para sua morte. Lá faleceu na manhã de 17 de setembro de 1621. Após sua morte, seu corpo foi colocado na cripta da casa professa e, cerca de um ano depois, foi sepultado no túmulo que abrigara o corpo de Santo Inácio de Loyola. Pouco depois de sua morte, a Companhia de Jesus propôs sua causa de beatificação, que teve início em 1627, durante o pontificado de Urbano VIII, quando lhe foi concedido o título de Venerável. Contudo, um obstáculo técnico decorrente da legislação geral sobre beatificações promulgada por Urbano VIII causou um atraso. O processo então estagnou e, embora a causa tenha sido retomada diversas vezes em 1675, 1714, 1752 e 1832, e apesar da esmagadora maioria dos votos em cada retomada ser favorável à sua beatificação, um resultado positivo só foi alcançado após muitos anos. A razão estava em parte ligada à influência de alguns prelados que expressaram uma opinião negativa, como o Cardeal Gregorio Barbarigo, o dominicano e tomista Cardeal Girolamo Casanate, o famoso Cardeal Decio Azzolino Júnior em 1675 e o poderoso Cardeal Domenico Passionei em 1752, este último em particular frequentemente em conflito com os jesuítas e próximo das teses jansenistas, opostas à tese molinista da graça eficaz. Além disso, segundo muitos, a principal causa foi a opinião relativa à conveniência política internacional, uma vez que o nome do Cardeal Belarmino estava intimamente associado a uma visão da autoridade papal que contrastava fortemente com os políticos regalistas da corte francesa dos séculos XVIII e XIX. A este respeito, basta citar o Papa Bento XIV, que escreveu ao Cardeal de Tencin: "Confidencialmente informamos ao Geral dos Jesuítas que a demora na causa não se deve a questões triviais que lhe foram atribuídas pelo Cardeal Passionei, mas às infelizes circunstâncias da época" (Études Religieuses, 15 de abril de 1896). Roberto Belarmino foi beatificado em 13 de maio de 1923, durante o pontificado de Pio XI, e canonizado em 29 de junho de 1930. O processo de canonização foi, portanto, mais curto e sua nomeação como Doutor da Igreja, conferida a ele em 17 de setembro de 1931 por Pio XI, foi rápida. Ele é lembrado em 17 de setembro e anteriormente em 13 de maio; é o santo padroeiro dos catequistas, dos canonistas e da cidade de Cincinnati, nos EUA. Desde 21 de junho de 1923, seu corpo é venerado pelos fiéis na terceira capela à direita da Igreja de Santo Inácio de Loyola, em Roma, igreja do Colégio Romano que abriga as relíquias de outros santos jesuítas, incluindo Santo Luís Gonzaga. Os ossos de seu esqueleto foram remontados e unidos com fios de prata, e ele foi vestido com suas vestes cardeais, enquanto seu rosto e mãos foram cobertos de prata; assim ele aparece sob o altar a ele dedicado. Alguns fiéis devotos a ele usam esta oração: "Ó Deus, que para a renovação espiritual da Igreja nos destes em São Roberto Belarmino, Bispo, um grande mestre e modelo de virtude cristã, concedei-nos que por sua intercessão possamos sempre preservar a integridade da fé à qual ele dedicou toda a sua vida." O "Collegio San Roberto Bellarmino" (Colégio São Roberto Belarmino), localizado no Palazzo Borromeo, em Roma, na Via del Seminario, leva o seu nome. É um colégio jesuíta histórico e atualmente abriga estudantes da Pontifícia Universidade Gregoriana. 
São Roberto Belarmino, de quem desejo falar hoje, nos leva de volta ao tempo do doloroso cisma do cristianismo ocidental, quando uma grave crise política e religiosa levou nações inteiras a se separarem da Sé Apostólica. Nascido em 4 de outubro de 1542, em Montepulciano, perto de Siena, era sobrinho, por parte de mãe, do Papa Marcelo II. Recebeu uma excelente formação humanística antes de ingressar na Companhia de Jesus em 20 de setembro de 1560. Seus estudos em filosofia e teologia, que concluiu entre o Colégio Romano de Pádua e Lovaina, com foco em São Tomás e nos Padres da Igreja, foram decisivos para sua orientação teológica. Ordenado sacerdote em 25 de março de 1570, atuou por vários anos como professor de teologia em Lovaina. Posteriormente, chamado a Roma como professor no Colégio Romano, foi-lhe confiada a cátedra de "Apologética". Durante a década em que ocupou este cargo (1576-1586), ele desenvolveu uma série de palestras que mais tarde se tornaram parte das Controversiae, obra que imediatamente se tornou famosa por sua clareza e riqueza de conteúdo, bem como por seu foco predominantemente histórico. O Concílio de Trento havia acabado de terminar, e a Igreja Católica precisava consolidar e confirmar sua identidade, mesmo à luz da Reforma Protestante. A obra de Belarmino inseria-se nesse contexto. De 1588 a 1594, ele foi primeiro diretor espiritual dos estudantes jesuítas no Colégio Romano, entre os quais conheceu e orientou Santo Luís Gonzaga, e depois superior religioso. O Papa Clemente VIII o nomeou teólogo pontifício, consultor do Santo Ofício e reitor do Colégio Penitenciário na Basílica de São Pedro. Seu catecismo, Doutrina da Breve Doutrina Cristã, que foi sua obra mais popular, data de 1597-1598. Em 3 de março de 1599, foi nomeado cardeal pelo Papa Clemente VIII e, em 18 de março de 1602, foi nomeado Arcebispo de Cápua. Recebeu a ordenação episcopal em 21 de abril do mesmo ano. Durante seus três anos como bispo diocesano, distinguiu-se pelo zelo como pregador em sua catedral, pelas visitas semanais às paróquias, pelos três sínodos diocesanos e pelo concílio provincial que iniciou. Após participar dos conclaves que elegeram os Papas Leão XI e Paulo V, foi reconduzido a Roma, onde foi membro das Congregações do Santo Ofício, do Índice, dos Ritos, dos Bispos e da Propagação da Fé. Também ocupou cargos diplomáticos na República de Veneza e na Inglaterra, defendendo os direitos da Sé Apostólica. Em seus últimos anos, compôs diversos livros sobre espiritualidade, nos quais condensou os frutos de seus exercícios espirituais anuais. O povo cristão ainda hoje encontra grande edificação em sua leitura. Ele morreu em Roma em 17 de setembro de 1621. O Papa Pio XI o beatificou em 1923, o canonizou em 1930 e o proclamou Doutor da Igreja em 1931. São Roberto Belarmino desempenhou um papel importante na Igreja nas últimas décadas do século XVI e no início do século XVI. Suas Controversiae constituem um ponto de referência ainda válido para a eclesiologia católica em questões da Revelação, da natureza da Igreja, dos Sacramentos e da antropologia teológica. Nelas, enfatiza-se o aspecto institucional da Igreja, devido aos erros que circulavam então sobre essas questões. Contudo, Belarmino também esclareceu os aspectos invisíveis da Igreja como Corpo Místico e os ilustrou com a analogia do corpo e da alma, a fim de descrever a relação entre as riquezas internas da Igreja e os aspectos externos que a tornam perceptível. Nesta obra monumental, que busca sistematizar as diversas controvérsias teológicas da época, ele evita qualquer abordagem polêmica ou agressiva às ideias da Reforma, mas, utilizando os argumentos da razão e da Tradição da Igreja, ilustra de forma clara e eficaz a doutrina católica. Seu legado, porém, reside na maneira como concebeu sua obra. De fato, os pesados ​​deveres do governo não o impediram de se esforçar diariamente pela santidade, com fidelidade às exigências de seu estado como religioso, sacerdote e bispo. Dessa fidelidade brotou seu compromisso com a pregação. Sendo, como sacerdote e bispo, antes de tudo um pastor de almas, ele sentia o dever de pregar assiduamente. Centenas de sermões — homilias — foram proferidos em Flandres, Roma, Nápoles e Cápua durante celebrações litúrgicas. Não menos abundantes foram suas exposições e explicações a párocos, freiras e estudantes do Colégio Romano, frequentemente focando-se nas Sagradas Escrituras, especialmente nas Epístolas de São Paulo. Sua pregação e sua catequese exibiam o mesmo caráter essencial que aprendera em sua educação inaciana, inteiramente voltado para concentrar as energias da alma no Senhor Jesus, intensamente conhecido, amado e imitado. Nos escritos deste estadista, percebe-se claramente, apesar da reserva com que oculta seus sentimentos, a primazia que atribui aos ensinamentos de Cristo. São Belarmino oferece, assim, um modelo de oração, a alma de toda atividade: uma oração que escuta a Palavra do Senhor, que se satisfaz em contemplar sua grandeza, que não se recolhe em si mesma, mas se entrega com alegria a Deus. Uma marca da espiritualidade de Belarmino é a percepção vívida e pessoal da imensa bondade de Deus, que fazia com que nosso Santo se sentisse verdadeiramente um filho amado de Deus, e era fonte de grande alegria reunir-se, com serenidade e simplicidade, em oração, em contemplação de Deus. Em seu livro De ascensione mentis in Deum — A Elevação da Mente a Deus — composto à semelhança do Itinerarium de São Boaventura, ele exclama: "Ó alma, teu exemplo é Deus, infinita beleza, luz sem sombras, esplendor que supera o da lua e do sol. Eleva teus olhos a Deus, em quem se encontram os arquétipos de todas as coisas e de quem, como de uma fonte de infinita fecundidade, deriva esta quase infinita variedade de coisas. Portanto, deves concluir: quem encontra Deus encontra tudo, quem perde Deus perde tudo." Neste texto, ouvimos o eco da famosa contemplatio ad amorem obtineundum — contemplação para obter amor — dos Exercícios Espirituais de Santo Inácio de Loyola. Belarmino, que viveu na sociedade suntuosa e muitas vezes insalubre do final do século XVI e início do século XVII, extraiu aplicações práticas dessa contemplação e projetou sobre ela a situação da Igreja de seu tempo com viva inspiração pastoral. No livro De arte A arte de morrer bem (bene moriendi), por exemplo, é indicada por ele como norma segura de boa vida e também de boa morte, meditando frequente e seriamente sobre a necessidade de prestar contas a Deus de seus atos e modo de vida, e buscando não acumular riquezas na terra, mas viver com simplicidade e caridade para acumular bens no Céu. Em seu livro *De gemitu columbae* (O Lamento da Pomba, onde a pomba representa a Igreja), ele convoca veementemente todo o clero e fiéis a uma reforma pessoal e concreta de suas vidas, seguindo os ensinamentos das Escrituras e dos Santos, entre os quais cita em particular São Gregório de Nazianzo, São João Crisóstomo, São Jerônimo e Santo Agostinho, bem como os grandes fundadores de ordens religiosas como São Bento, São Domingos e São Francisco. Belarmino ensina com grande clareza e pelo exemplo de sua própria vida que não pode haver verdadeira reforma da Igreja sem nossa própria reforma pessoal e a conversão de nossos corações. Dos Exercícios Espirituais de Santo Inácio, Belarmino extraiu conselhos para comunicar profundamente, mesmo aos mais simples, a beleza dos mistérios da fé. Ele escreveu: “Se tens sabedoria, compreende que foste criado para a glória de Deus e para a tua salvação eterna. Este é o teu objetivo, este é o centro da tua alma, este é o tesouro do teu coração. Portanto, considera como verdadeiramente bom para ti aquilo que te conduz ao teu objetivo, e verdadeiramente mau aquilo que te impede de o alcançar. Eventos prósperos ou adversos, riquezas e pobreza, saúde e doença, honras e insultos, vida e morte — o sábio não deve buscá-los nem evitá-los por si mesmos. Mas são bons e desejáveis ​​apenas se contribuem para a glória de Deus e para a tua felicidade eterna; são maus e devem ser evitados se a impedem” (De ascensione mentis in Deum, grad. 1). Estas, obviamente, não são palavras que caíram em desuso, mas palavras sobre as quais devemos meditar longamente hoje para guiar a nossa jornada nesta terra. Elas nos lembram que o propósito de nossa vida é o Senhor, o Deus que se revelou em Jesus Cristo, em quem Ele continua a nos chamar e a nos prometer comunhão com Ele. Elas nos lembram da importância de confiar no Senhor, de nos entregarmos a uma vida fiel ao Evangelho, de aceitar e iluminar com fé e oração cada circunstância e cada ação de nossa vida, sempre buscando a união com Ele. 
Autor: Papa Bento XVI 
(Audiência Geral, 23 de fevereiro de 2011)

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