Segundo fontes indiretas, Juliano, o primeiro bispo de Le Mans, viveu no século IV e fundou a catedral da cidade. Seu culto só se desenvolveu tarde, a partir do século VIII, quando a lenda de sua missão apostólica se espalhou.
Etimologia: Julian = pertencente à 'gens Julia', uma ilustre família romana, do latim
Emblema: Equipe pastoral
Martirógio Romano: Em Le Mans, na Gália Lugdunense, na atual França, São Juliano, que se acredita ter sido o primeiro bispo desta cidade.
O relato mais antigo de sua vida, a Gesta domini Juliani, encontra-se na famosa obra intitulada Actus pontificum Cenomannis in urbe degentium. Agora, esses Actus, sem dúvida compostos entre 840 e 857, são obra de um falsificador sem escrúpulos, preocupado exclusivamente em defender os direitos e posses da igreja de Le Mans na época em que escreveu, razão pela qual sua biografia é completamente falsa.
Segundo essa fonte, Juliano, após fazer parte dos setenta discípulos dos Apóstolos, foi ordenado bispo por São Clemente de Roma é enviado à Gália. Ao chegar aos portões da cidade de Le Mans, ele milagrosamente fez uma fonte jatir. Os habitantes foram convertidos em multidões, especialmente o princeps civitatis, chamado defensor, que fez inúmeras doações a Juliano, cuidadosamente enumeradas na escrita mencionada. O bispo, após sete anos, fez uma peregrinação a Roma, onde retornou carregado de relíquias. Essas relíquias produziram milagres, que por sua vez resultaram em conversões. Julian também criou noventa paróquias rurais, o que foi fácil para ele porque, em vinte e sete ordenações, consagrou cento e setenta e seis padres, vinte e dois diáconos e tantos subdiáconos. Finalmente, após um episcopado de quarenta e sete anos, faleceu em 28 de janeiro.
Nada disso é confiável. De fato, deve-se lembrar que as reivindicações das Igrejas à apostolicidade, ou seja, a ter um fundador diretamente ligado aos tempos apostólicos, são um fato do século XVII. VIII e IX, o que é explicado sem dúvida pela vaidade local, mas ao mesmo tempo, pelo grande prestígio que a Igreja de Roma então desfrutava.
Para saber algo sobre Giuliano, então, é necessário consultar as fontes indiretas. É conhecido pela vontade de s. Bertrando, bispo de Le Mans (616), que naquela época existia uma igreja suburbana dedicada ao bispo de São Juliano. Em 832, uma carta imperial nos informa que esse edifício ainda existia e que era servido por um pequeno mosteiro (monasteriolum). Essa igreja pôde ser identificada; está localizada na área da igreja de Le Pré que, antes da Revolução, possuía uma pequena cripta em forma de confissão a ser atribuída, sem dúvida, ao final do século IV ou início do século V; essa é a pista que nos leva a situar Juliano no século IV. A tradição, que o torna o primeiro bispo de Le Mans e que lhe atribui a fundação da catedral, também pode ser aceita.
Observamos, no entanto, que o culto a esse santo se desenvolveu apenas tarde. O testamento de Bertrand (616) não é muito generoso com sua Igreja; enquanto a de Aduin, outro bispo de Le Mans, que morreu por volta de 653, não faz a menor menção a ela. Gregório de Tours (544-95), em sua obra zelosa de coletar milagres relacionados aos santos da Gália, nunca menciona Juliano, bispo de Le Mans. As coisas mudaram quando nasceu a já mencionada lenda da missão apostólica de Juliano. Entre 841 e 850, seu corpo foi transportado da igreja de Le Pré para a catedral, o culto ganhou proporções cada vez mais intensas, até que, no século XI, s. Giuliano já havia alcançado notoriedade.
A festa está marcada para 27 de janeiro. A catedral de Le Mans, após ter levado o nome de Nossa Senhora, depois de São Gervásio e Protásio, é atualmente dedicada a São Juliano, cujo culto teve grande desenvolvimento na Inglaterra, pelos normandos.
Autor: Henri Platelle
Fonte:
Bibliotheca Sanctorum

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