quinta-feira, 6 de março de 2025

Coleta de Corbie Religiosa reformadora, Santa 1381-1447

Reformadora das Clarissas 
– começando por Besançon (França) –
onde foi admitida e consagrada 
pelo Papa Bento XIII; taumaturga.
Nascida em 13 de Janeiro de 1381, em Corbie, na região francesa de Amiens, Nicoleta Boilet, apelidada de Coleta, recebeu este nome em homenagem a são Nicolau. Seus pais estavam com a idade avançada e sem filhos quando pediram pela intercessão desta graça ao santo, do qual eram devotos. O pai era um artista abastado, que trabalhou no mosteiro beneditino de Corbie, onde a família viveu por alguns anos. A educação e o convívio religioso ali recebidos influenciaram muito na espiritualidade de Coleta, que nunca mais se afastou da religião e contribuiu vigorosamente para a construção e afirmação da Igreja Católica. Aos dezoito anos ficou órfã. Distribuiu os bens aos pobres para viver reclusa na Ordem terceira de São Francisco. Neste período teve uma visão de Cristo que lhe deu a incumbiu de reformar as Clarissas. No início, resistiu em cumprir a missão que tão claramente lhe foi dada. Mas, depois de ficar muda e cega por alguns dias, entendeu que era um sinal pela sua desobediência, e aconselhada pelo frei Henrique Baume, irmão menor, se apresentou ao papa Bento XIII, que estava em Nice, e lhe expôs a vontade de Deus. Coleta foi admitida e consagrada pelo Papa e, ele mesmo a consagrou com o hábito e a professou na Ordem primeira de Santa Clara. Em seguida a nomeou superiora geral de todos os conventos que fundasse ou reformasse e confiou a ela a reforma das três ordens religiosas em todos os mosteiros de Clarissas da França, hoje conhecidas como irmãs Claras Coletinas e o dos Irmãos Menores de São Francisco. Em 1410, inaugurou o seu primeiro mosteiro reformado em Besançon., seguido depois de outros dezasseis. Também reformou outros sete masculinos. Sua acção reformadora logo ultrapassou a França, chegando na Espanha, Bélgica e Itália. Juntamente com são Vicente Ferrer, Coleta lutou para acabar com o cisma do Ocidente, que culminou com a eleição simultânea de três papas: um em Roma; outro em Avignon; e o terceiro em Pisa. Entretanto, seu principal trabalho, além da prática da caridade para com os doentes e pobres, foi trazer de volta para os conventos e mosteiros, no século XV, o espírito de pobreza implantado por São Francisco de Assis, dois séculos antes. Coleta morreu em Gand, Bélgica, no dia 6 de Março de 1447. Vários registros foram encontrados, narrando os prodígios que ela realizava, ainda em vida. Depois seu culto se intensificou com inúmeras graças alcançadas por sua intercessão. Santa Coleta foi canonizada pelo Papa Pio VII em 1807, que indicou o dia de sua morte para as homenagens. Os séculos se passaram e até o despontar do terceiro milénio, os mais de cento e quarenta mosteiros das Coletinas sempre estiveram activos na maior parte da Europa, como também na América, Ásia e África, onde estão presentes. 
"Meus olhos se encheram de Jesus, quando o fixei na elevação da hóstia, durante a Santa Missa, e não quero que nenhuma outra imagem se sobreponha a Ele". 
A obra de Santa Coleta Boylet representa um dos exemplos mais famosos no contexto da profunda crise religiosa ocidental, na época do Grande Cisma. De fato, os homens, que não encontravam mais orientação e amparo nas instituições eclesiásticas, buscavam suas respostas em um contato mais direto com Deus. 
Um verdadeiro dom do céu 
Antes de ser um dom para a grande família franciscana, Coleta o foi para a sua família de origem: quando nasceu, em 1381, sua mãe tinha 60 anos e não esperava ter mais filhos. Seu pai era carpinteiro em um convento Beneditino. Naquele ambiente, Coleta - diminutivo de Nicoleta, em homenagem a São Nicolau de Bari, ao qual foi atribuída a graça do seu nascimento - cresceu respirando Deus. Em breve, sentiu a sua chamada e começou a ter visões de comunhão com Ele. Aos 9 anos, o Senhor lhe confiou aquela que seria a missão da sua vida: a reforma das Clarissas. Mas, foi necessário muito tempo. No entanto, Coleta se preparava mediante a prática da caridade e da penitência, tendo êxtases e revelações divinas e realizando atos milagrosos, entre os quais algumas ressurreições. 
Vida religiosa "singular" 
Ao ficar órfã, aos 18 anos, Coleta foi confiada ao abade de Corbie. Depois de fazer uma primeira experiência entre as voluntárias do hospital local e entre as Clarissas urbanistas, como também entre as Beneditinas, Coleta ficou titubeante, pois não encontrava o que queria e sua sede de Deus não se saciava. De repente, encontrou um franciscano, Padre Pinet, que a convenceu a entrar para a Ordem Terceira de São Francisco. Encerrou-se em uma pequena cela, adjacente à igreja, onde viveu trancada entre 1402 e 1406; passava seus dias em oração, penitência e costurando paramentos e roupas para os pobres; podia receber visitas somente através de uma grade. Como ela mesma escreveu, “o tempo que transcorria era, em parte, rico de graça, mas também de sofrimento”. Coleta questionava-se, com insistência, sobre seu futuro. No início, pensava que estas dúvidas provinham do demônio. Mas, finalmente, entendeu que era o desígnio de Deus que abria alas na sua alma. Desta forma, sentiu-se livre de tomar uma decisão. 
A Reforma: um retorno às origens 
Em 1406, Coleta recebeu o véu das Clarissas de Bento XIII, que, na época, na França, era considerado o Papa legítimo, e emitiu seus Votos segundo a Regra de Santa Clara. Desde então, começou a sua profunda obra de reforma da Ordem, que nada mais seria um retorno aos costumes mais austeros das origens, à oração pessoal e comunitária, à vida penitencial em prol da unidade da Igreja. O primeiro mosteiro a aceitar as novas disposições foi o de Besançon. Em breve, nasceram muitas outras novas fundações. Doze conventos masculinos também aceitaram a reforma, mesmo mantendo seus superiores. Por fim, sua obra foi aprovada pelo Ministro geral franciscano e, em 1458, por Pio II. Os mosteiros "coletinos", assim chamados em sua honra, são cerca de 140, espalhados pelo mundo inteiro.

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