quinta-feira, 29 de agosto de 2024

Santa Basília Mártir em Sirmio Festa: 29 de agosto

Martirológio Romano:
Perto de Srijem, na atual Croácia, Santa Basília. 
O Martirológio Siríaco (século IV) comemora o dia 29 de agosto como o dies natalis de Basília, mártir em Sirmium, uma cidade na Baixa Panônia. 
No Martirológio Hieronimiano, que também menciona Basília no dia 29 de agosto, a santa recebe o título de virgem. 
Além das comemorações das fontes antigas, nada mais se encontra sobre Basília e também há dúvidas sobre sua qualificação como mártir. 
Autor: Pietro Gini 
Fonte: Biblioteca Sanctorum

Beata Teresa Bracco, Mártir da pureza – 29/30 de agosto

     Nasceu em 24 de fevereiro de 1924, penúltima de sete filhos, em Santa Giulia, no Piemonte, Itália. Seus pais, Ângela e Tiago Bracco, foram para ela um exemplo de fé e fortaleza cristã: em 1927 sepultaram em apenas três dias dois filhos de nove e quinze anos. Uma fé submetida ao cadinho da prova. Ângela abria todos os dias um grande livro de orações e aos domingos, após a missa, Tiago questionava as filhas mais velhas sobre a palavra ouvida e o sermão do padre.  No fim do dia, o próprio Tiago dirigia a oração do Rosário em família. O nome de Teresa ela recebera em honra da “pequena santa” de Lisieux, beatificada em 1923.
     Teresa só pôde frequentar até o quarto ano do primeiro grau, pois com o seu trabalho de pastorinha procurou contribuir para o sustento da família. Uma de suas companheiras da época testemunhou como ela sempre tentava trazer seu rebanho para onde Ginin estava (como era chamada Teresa na família). Por que? Porque Ginin sabia rezar o Rosário. Ela sempre estava com o terço e o seu trabalho diário era marcado pela alternância de Ave-Marias.
     Teresa era uma jovem extremamente reservada, modesta, delicada no relacionamento com as pessoas, sempre pronta a dar a sua ajuda. E bela: dois grandes olhos escuros e aveludados sobressaíam num rosto sereno e pensativo, emoldurado por grandes tranças castanhas. Bela, mas sem qualquer vaidade. Sabia atrair a admiração respeitosa dos conterrâneos: “Uma garota assim, eu nunca tinha visto antes e jamais vi depois”, afirmou um deles. “Havia nela algo de diferente das demais garotas”, recorda uma amiga. “Era a melhor de nós todas”, confia sua irmã Ana.
     Ginin – como era chamada – sacrificava de boa vontade preciosas horas de sono para poder comungar. A igreja não ficava tão perto de sua casa, e a missa era ali celebrada ao alvorecer. Mesmo assim, Teresa jamais renunciava à Santa Missa, por nada no mundo. A Eucaristia, a devoção à Nossa Senhora e a espiritualidade das obrigações, eis o segredo da sua santidade.

Beata Sancha Szymkowiak - 29 de agosto

 Martirológio Romano: Em Poznan, na Polônia, Beata Sancha (Joaninha) Szymkowiak, virgem, da Congregação das Filhas da Bem-aventurada Virgem Maria das Dores, que em meio das dificuldades da guerra, se ocupou com grande entrega aos detidos nos cárceres.   Nasceu em Mozdzanow (Ostrow Wielkopolski, Polônia), no dia 10 de julho de 1910. Era a filha mais nova de Agostinho e Maria Duchalska, casal que teve outros 4 filhos homens, dos quais um se tornou sacerdote. No dia de seu batismo recebeu o nome de Joana (chamavam-na de Joaninha). De sua família, abastada e profundamente católica, recebeu uma sólida educação. Em sua família aprendeu a amar intensamente o Sagrado Coração de Jesus, e com este espírito foi muito bondosa com todos, especialmente com os mais pobres e necessitados. Desde a adolescência se distingue pela bondade excepcional e a devoção autêntica, encantado com sua serenidade e simplicidade. Depois da escola superior estudou línguas e literatura estrangeira na Universidade de Poznan, empenhando-se intensamente no próprio crescimento intelectual e espiritual.  Tomou parte na Sodalício Mariano, realizando um apostolado discreto e eficaz, transmitindo às jovens a alegria de viver. Atenciosa com todos, de modo particular sensível com os mais débeis e sofredores, se dedicou com fervor nas obras de caridade no bairro mais pobre da cidade como membro da Associação de São Vicente. A Eucaristia era o centro e a fonte do seu grande zelo apostólico. Muito jovem já se sentia chamada à vida religiosa.

Beata Filippa Guidoni Freira Festa: 29 de agosto

Etimologia:
Philippa = que ama cavalos, do grego 
Não existe nenhum ato oficial da Beata Filipa que aprove o seu culto, que por outro lado é muito antigo, datando do século XIV. Da nobre família Judoni de Arezzo, era freira leiga, destacando-se por uma vida santa, cheia de humildade, pureza e grande desejo de mortificação. Pertenceu a uma congregação religiosa chamada "Santuccie" em nome do fundador, Beato Santuccia Terebotti, que foi guiado e inspirado pelo Beato Sperandio, ambos cidadãos de Gubbio, entre outros. No século XIII foram fundados alguns mosteiros em Arezzo. e seus arredores colocados sob a Regra de S. Abençoado. Mais tarde o "Santuccie" tomou o nome de "Serve di Maria" e num destes conventos de Arezzo intitulado S. Maria di Valverde viveu Filippa Guidoni, ali falecendo a 29 de agosto de ano não especificado nas primeiras décadas do século. XIV. O corpo foi sepultado no convento, em 1520 foi transferido juntamente com toda a comunidade para o mosteiro do Espírito Santo. Numa época mais próxima de nós, o mosteiro foi transformado em hospital psiquiátrico e as freiras transferiram o corpo de volta para o atual convento, onde todos os anos, no dia 29 de agosto, o expõem à veneração dos fiéis. O nome Filippa/Philippe vem do grego Philippos que significa “amante de cavalos”. 
Autor: Antonio Borrelli

Eufrásia Eluvathingal, Carmelita - 29 de agosto

Nasceu no dia 7 de outubro de 1877 na aldeia de Kattoor (Índia), na paróquia de Edathuruthy, que formava parte do então vicariato de Trichur (posteriormente passou a ser diocese e foi dividida) e que atualmente pertence à diocese de Irinjalakuda. Era filha de Antony e Kunjethy de Eluvathingal Cherpukara, uma rica família católica do rito siro-malabar. Foi batizada com o nome de Rosa. Desde pequena, por influência de sua mãe, mulher muito piedosa, começou a exercitar-se nas virtudes. Na idade de nove anos consagrou a Deus sua virgindade. Contra a vontade de seu pai, na idade de doze anos ingressou no internato das religiosas da Congregação da Mãe do Carmelo de Koonammavu. Depois da reorganização dos vicariatos apostólicos realizada no ano 1896, no dia 9 de maio de 1897 as religiosas e as aspirantes do vicariato de Trichur se trasladaram de Koonammavu para Ambazhakkad. No dia seguinte, Rosa recebeu o véu e se tornou postulante com o nome de Eufrásia do Sagrado Coração de Jesus. Em 10 de janeiro de 1898 tomou o hábito na Congregação da Mãe do Carmelo, o primeiro instituto feminino surgido na Igreja siro-malabar, que fora fundado em 13 de fevereiro de 1866 em Koonammavu, no Estado de Kerala, pelo beato Kuriakose Elias Chavara e o padre Leopoldo Beccaro, da Ordem dos Carmelitas Descalços, então delegado carmelita em Kerala, como terceira ordem dos Carmelitas Descalços. Desde 1967 é de direito pontifício.

MARTÍRIO DE SÃO JOÃO BAPTISTA Precursor de Jesus

Massimo Stanzione: Degolação de
São João Baptista.
Museu do Prado, Madrid.
Evangelho e Tradição
 
Esta festa do martírio de São João Baptista teve a sua origem no século V, na França; e no século VI, em Roma. Está ligada — segundo certos historiadores — à dedicação da igreja construída em Sebaste, na Samaria, sobre o que é considerado como sendo o túmulo do santo Precursor de Jesus Cristo. No Evangelho de São Mateus encontramos várias alusões sobre São João Baptista, pouco antes de ser martirizado: «Ora João, que estava no cárcere, tendo ouvido falar das obras de Cristo, enviou-lhe os seus discípulos com esta pergunta: “És Tu aquele que há-de vir, ou devemos esperar outro?” Jesus respondeu-lhes: “Ide contar a João o que vedes e ouvis: Os cegos vêem e os coxos andam, os leprosos ficam limpos e os surdos ouvem, os mortos ressuscitam e a Boa-Nova é anunciada aos pobres. E bem-aventurado aquele que não encontra em mim ocasião de escândalo”.» (Mt. 11, 2-6).

ORAÇÕES - 29 DE AGOSTO

Oração da manhã para todos os dias 
Senhor meu Deus, mais um dia está começando. Agradeço a vida que se renova para mim, os trabalhos que me esperam, as alegrias e também os pequenos dissabores que nunca faltam. Que tudo quanto viverei hoje sirva para me aproximar de vós e dos que estão ao meu redor. Creio em vós, Senhor. Eu vos amo e tudo espero de vossa bondade. Fazei de mim uma bênção para todos que eu encontrar. Amém. As reflexões seguintes supõem que você antes leu o texto evangélico indicado.
29 – Quinta-feira – Santos: Sabina, Niceias, Hipácio
Evangelho (Mc 6,17-29)“A filha de Herodíades entrou e dançou, agradando a Herodes e seus convidados. Então o rei disse à moça: – Pede-me o que quiseres.”
João era um profeta, falava em nome de Deus, e Jesus apontou-o como o maior entre nós. Foi seguido por muitos discípulos, e sua pregação levou muita gente a se converter para Deus. E, no entanto, sua morte foi recompensa de um rei indecente para uma dançarina. Não podemos prever o que o futuro nos reserva. O que podemos é confiar no poder do Senhor, que haverá de cuidar bem de nós.
Oração
Senhor meu Deus, foi por amor que me criastes, e por amor cuidais de mim. Não imagino os caminhos por onde me levareis, mas confio que sempre quereis o melhor para mim, ainda que isso nem sempre coincida com minha ideia. Os anos passam e não sei até onde irá minha vida. Desde já me coloco em vossas mãos. Aceito as dores e angústias, a hora e as circunstâncias de minha morte. Amém.

quarta-feira, 28 de agosto de 2024

REFLETINDO A PALAVRA - “Eu sou a Ressurreição e a Vida”

PADRE LUIZ CARLOS DE OLIVEIRA(+)
REDENTORISTA NA PAZ DO SENHOR
Jesus é a Vida
 
Nesta caminhada quaresmal não só ouvimos falar dos Mistérios de Jesus, mas participamos deles. Ouvimos que Jesus é a Água Viva e a Luz. Hoje o evangelho nos narra que Jesus é a Vida. A estrutura da liturgia da Palavra nos conduz à retomada de nosso Batismo para que a Vida de Cristo seja sempre mais nossa vida. Não sem razão Paulo diz: “Eu vivo, mas não sou eu que vivo, pois é Cristo que vive em mim. Minha vida presente na carne, eu a vivo pela fé no Filho de Deus que amou e Se entregou mesmo por mim” (Gl 2,20). Para nos transmitir esta verdade deu-nos o grande sinal da ressurreição de Lázaro. Cristo é senhor da vida e dá a vida a Lázaro porque é Vida. Já dera a vida ao filho da viúva de Naim e à filhinha de Jairo. É o prenúncio da Sua Ressurreição. Como a fé é dada por Deus, pela fé se obtém a ressurreição para a Vida. Nossa ressurreição futura é garantida pela fé em Jesus que, com Sua Ressurreição deu a Vida a todos os que creem. Diz a Marta: “Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, mesmo que morra, viverá. E todo aquele que vive e crê e mim, não morrerá jamais”. Marta faz a profissão de fé: “Eu creio que tu és o Messias, o Filho de Deus, que deveria vir ao mundo” (Jo 11,25-27). Pelo Batismo professamos a fé em Jesus. Nesta fé somos batizados. A vida cristã não se trata de uma religião que reúne pessoas, nem de um amontoado de doutrinas nem uma cultura religiosa. Ela consiste na fé em Jesus que dá a Vida e por ela ressuscitamos dos males do pecado e recebemos a garantia da Vida Eterna. A situação da pessoa está descrita na morte de Lázaro que já estava em estado de corrupção. O salmo reflete a situação humana e espiritual com um grito esperança: “Das profundezas clamo a vós... Se levardes em conta nossas faltas, quem poderá subsistir? Mas em Vos se encontra o perdão eu Vos temo e em Vós espero” (Sl 129) 
Viver segundo o Espírito 
Paulo nos ensina sobre viver não segundo a carne, mas segundo o Espírito que habita em nós. Viver segundo a carne é deixar-se dominar pelos vícios e de suas consequências. O uso dos bens materiais deve ser regulado pela fraternidade. É preciso render para Deus. O serviço do poder deve ser orientado pelo serviço da humildade. Os prazeres são fonte de alegria e santificação quando norteados pela adoração a Deus. Mesmo sofrendo pelas consequências do pecado, podemos estar cheios da graça de Deus. Jesus é Vida e dá vida onde o pecado deixou a morte. Pela fé seremos vivificados. 
Caminhar com a mesma caridade 
A celebração da Quaresma é participação no Mistério de Cristo. Na oração da Missa: “Dai-nos, por Vossa graça, caminhar com alegria na mesma caridade que levou o Vosso Filho a entregar-Se à morte no Seu amor pelo mundo”. A alegria tem seu lugar no meio de toda a dor que este tempo da Paixão nos mostra. Esta alegria é prenúncio da Ressurreição de Jesus e de nossa Ressurreição. Jesus entrega-Se por amor. A Paixão, diz S. Afonso, não se mede pela dor, mas pelo amor. Seguir Jesus vai além das palavras, pois envolve os sentimentos, por isso rezamos: “Caminhar com alegria”. Vivemos a mesma caridade, pois o amor de Jesus era Divino, não só sentimento humano. Tudo procede de nosso Batismo que nos deu a Vida. É preciso abrir os túmulos do egoísmo, como nos ensina o profeta Ezequiel. Ao nos prepararmos para a Páscoa, reforcemos nossa disposição de seguir Jesus, de modo particular, celebrando os sacramentos. 
Leituras: Êxodo 37,12-14; 
Salmo 129;
Romanos 8,8-11;João 11,3-45. 
1. Participamos do Mistério de Água Viva e Luz. Na liturgia do 5º Domingo da Quaresma aprendemos que Jesus é a Vida. Paulo diz que seu viver é Cristo. Jesus Se mostra que é Vida, dando vida a Lázaro. Nossa futura ressurreição é garantida pela fé em Jesus. Ele diz a Marta: Quem crê em mim, não morrerá jamais. A vida cristã consiste na fé em Jesus que dá a Vida. A situação da pessoa está descrita no estado de corrupção de Lázaro. O Salmo nos faz clamar por socorro e manifestar a esperança. 
2. Paulo ensina a viver não segundo a carne, mas segundo o Espírito. Viver segundo a carne é deixar-se dominar pelo vício. Viver pelo Espírito é orientar o uso dos bens pela fraternidade, humildade e adoração a Deus, sem viver para os prazeres, mas viver com prazer. Mesmo nas consequências do pecado estamos cheios da graça. Pela fé somos vivificados. 
3. Rezamos para ter a graça de caminhar na mesma caridade com que Jesus se entregou à morte em seu amor ao mundo. Esta alegria é prenúncio da Ressurreição. Jesus Se entrega por amor. A Paixão não se mede pela dor, mas pelo amor. Vivemos a mesma caridade de Cristo que vem a nós pelo Batismo. 
Escapando da cova 
Quando se fala de defunto, o medo chega junto. Quando Jesus fala com defunto, chega a vida. Estamos refletindo na Quaresma sobre o Batismo que é nossa união com Cristo em sua Ressurreição. Ele é a Água Viva, a Luz e a Vida. Ao Ressuscitar Lázaro mostra que Ele tem poder sobre a vida humana para dar a Vida de Deus. Como o rezamos no salmo, nós nos sentimos num abismo devido a nossas culpas. Deus promete abrir as sepulturas de todos os males e nos dar a vida, como lemos em Ezequiel. Paulo nos ensina que se Cristo está em nós temos a Vida. O Espírito que o ressuscitou dos mortos vai ressuscitar nossos corpos. No Batismo temos a Vida de Jesus que está em nós, ressuscitamos com Ele.
Homilia do 5º Domingo da Quaresma (06.04.2014)

EVANGELHO DO DIA 28 DE AGOSTO

Evangelho segundo São Mateus 23,27-32. 
Naquele tempo, disse Jesus: «Ai de vós, escribas e fariseus hipócritas, porque sois semelhantes a sepulcros caiados: por fora parecem belos, mas por dentro estão cheios de ossos de mortos e de toda a podridão. Assim sois vós também: por fora pareceis justos aos olhos dos homens, mas por dentro estais cheios de hipocrisia e maldade. Ai de vós, escribas e fariseus hipócritas, porque edificais os sepulcros dos profetas e ornamentais os túmulos dos justos; e dizeis: "Se tivéssemos vivido no tempo dos nossos pais, não teríamos sido cúmplices na morte dos profetas". Assim dais testemunho contra vós mesmos, confessando que sois os filhos daqueles que mataram os profetas. Completai, então, a obra dos vossos pais». 
Tradução litúrgica da Bíblia 
São Gregório de Nissa
(335-395) 
Monge, bispo 
Homilia 6 sobre as Bem-aventuranças; 
PG 44,1269
«Bem-aventurados os puros de coração, 
porque verão a Deus» (Mt 5,8) 
A saúde do corpo é um bem para a vida humana. Ora, somos felizes se, para além de conhecermos a definição da saúde, vivermos saudáveis. O Senhor Jesus não nos diz que seremos felizes por conhecermos certas matérias relativas a Deus, mas que o seremos se O possuirmos em nós próprios. Com efeito, «bem-aventurados os puros de coração, porque verão a Deus» (Mt 5,8). Ele não diz que Deus Se deixa ver por todos quantos tiverem purificado o olhar da alma. Há outra frase que exprime o mesmo pensamento com maior clareza: «O Reino de Deus está dentro de vós» (Lc 17,21); esta passagem ensina-nos que aquele que purificou o seu coração de todas as criaturas e de todas as ligações desordenadas vê a imagem da natureza divina na sua própria beleza. Há em ti, em certa medida, uma aptidão para ver a Deus. Aquele que te formou depositou no teu ser uma força imensa. Ao criar-te, Deus encerrou em ti a sombra da sua própria bondade, como se imprime o desenho de um selo na cera. Mas o pecado dissimulou esta marca de Deus, que ficou oculta pela sujidade do mesmo pecado. Se, fazendo um esforço de vida perfeita, purificares a sujidade que tens no coração, a beleza divina voltará a brilhar em ti. Assim como um pedaço de ferro de que foi limpa a ferrugem brilha ao sol, assim também o homem interior, aquilo a que o Senhor chama o «coração», reencontrará a semelhança com o seu modelo quando tiver limpado as manchas de ferrugem que deterioram a sua beleza.

São Moisés, o Anacoreta Etíope (de Scetis) Feriado: 28 de agosto

(+) 251
 
Emblema: Palma 
Martirológio Romano: No Egito, São Moisés, o Etíope, que de famoso bandido se tornou famoso anacoreta, converteu muitos de seu rebanho de criminosos e os levou consigo para um mosteiro. 
Ele tem o nome de legislador de Israel, mas a primeira parte de sua vida é a de um criminoso violento e astuto. O Martirológio Romano, que o homenageia no dia 28 de agosto, diz que quando jovem foi um “ladrão notável”. De origem etíope e pele negra, teve a sorte de logo entrar ao serviço de uma pessoa muito rica. Mas ele começou a roubá-lo, sendo expulso e depois começou a roubar a todos, ricos e pobres. Conhecemos a sua vida através da história de um escritor nascido na Ásia Menor: Palladio, mais tarde conhecido como "de Heliópolis" quando se tornou bispo desta cidade da Bitínia, na atual Turquia asiática, às margens do Mar Negro. nomeadamente como amigo e defensor de São João Crisóstomo (c. 350 - 407), o patriarca de Constantinopla lutou, exilou-se e depois reabilitou-se após a morte; e na literatura cristã ele teve longa fama por um de seus livros escritos em grego: a História Lausíaca, assim intitulada porque foi dedicada a Lauso, um dignitário do imperador oriental Teodósio II. Palladio conta, portanto, que o bandido Moisés, o Etíope, tinha seu próprio bando vagando pelo Egito; especialmente no campo indefeso.

Santo Hermes, mártir, na via Salária Antiga

De origem grega, Hermes chegou a Roma no século III e tornou-se cidadão romano. Nomeado Prefeito, converteu-se ao cristianismo com sua esposa, filhos, irmã e milhares de escravos. Por isso, foi preso, por ordem de Trajano, que enviou Aureliano a Roma, onde mandou o tribuno Quirino assassiná-lo. 
Século III 
Martirológio Romano: Em Roma, no cemitério de Basilla, na antiga Via Salaria, São Hermes, mártir, que, como relata o Papa São Dâmaso, veio da Grécia e Roma acolheu como seu cidadão quando sofreu pelo santo nome. 
Seu nome ocorre na passio apócrifa dos santos Eventius, Alexandre e Teódulo, o que faz de Alexandre o papa da época de Trajano e de Hermes o prefeito contemporâneo de Roma, convertido pelo papa junto com sua esposa, filhos, irmã Teodora e mil duzentos e cinquenta escravos. Trajano, ao saber disso, teria enviado Aureliano a Roma, que mandaria prender Hermes, entregando-o ao tribuno Quirino, que o mandou decapitar. O corpo do mártir terá sido recolhido pela sua irmã Teodora e colocado «em Salaria veteri, not longe ab urbe Roma sub die quinta kalendas septembris».

Santa Joaquina de Vedruna, Viúva e Fundadora - 28 de agosto

     Joaquina de Vedruna nasceu em Barcelona, Espanha, em 16 de abril de 1783. Seu pai, Lorenzo de Vedruna, era rico e alto funcionário do governo. Sua família era muito católica. Alguns setores da Igreja procuraram ocultar a origem aristocrática da família Vedruna, mas um documento demonstra isto irrefutavelmente.
     Desde muito pequena Joaquina tinha muita devoção ao Menino Jesus e as almas benditas do Purgatório. Algo que a caracterizou desde os primeiros anos foi um grande amor à limpeza. Não tolerava manchas em suas roupas. E isto a levou a não tolerar também manchas de pecado em sua alma.
     Em 1799 Joaquina casou-se com um advogado e proprietário de terras de Vic, Teodoro de Mas, com quem teve nove filhos.
     Quando Napoleão invadiu a Espanha, o esposo de Joaquina alistou-se no exército para defender sua pátria e participou valorosamente em cinco batalhas contra os invasores. Teodoro faleceu em 1816. Joaquina e seus filhos tiveram que abandonar Barcelona e fugir para a pequena cidade de Vic.

Santa Florentina, Virgem

Florentina de Cartagena, amplamente conhecida como Santa Florentina, chamada também de Florência (em latim: Florentia) é uma santa venerada pela Igreja Católica. Nascida em meados do século VI em Cartagena, na região da Hispânia, ela e a família era cristãs engajadas na disseminação do cristianismo. 
História 
Florentina era irmã de três bispos ibéricos na época do reino visigótico, Leandro & Isidoro de Sevilha e Fulgêncio de Ruspe, e consagrou sua virgindade a Deus. Todos os quatro acabaram canonizados. Ela era mais nova que Leandro, o futuro arcebispo de Sevilha, mas mais nova que Isidoro, que o sucederia. Antes de ser elevado ao episcopado, Leandro havia sido monge e foi por influência sua que Florentina abraçou a vida ascética.

Santa Adelina de Poulangy, Abadessa - 28 de agosto

Filha do Beato Guido (Guy*), irmão de São Bernardo de Claraval, e da Beata Elisabete, que foi abadessa de Larrey (Dijon). Adelina cresceu em Juilly; abraçou a vida monástica no mosteiro materno, ou talvez em Jully ou em Tard. Enviada para Poulangy (diocese de Langres) para introduzir ali a reforma cisterciense, tornou-se abadessa daquele mosteiro de 1157 a 1200. Nas suas atividades para o bem da Ordem, Adelina obedecia a direção do tio, São Bernardo. Após sua morte foi venerada como beata ou santa, mas não há indícios de um culto oficial. Sua memória é celebrada no dia 28 de agosto ou em 2 de setembro. 

Beata Zélia Guérin, mãe de Santa Teresa do Menino Jesus

      Isidoro Guérin, antigo soldado do império, e recruta  da polícia, que aos 39 anos decidiu casar-se com Louise-Jeanne Macè, dezesseis anos mais jovem que ele, era o pai de Azélie-Marie Guérin (chamada  apenas Zélia) que nasceu no dia 23 de dezembro de 1831 em Gandelain, departamento de Orne (Normandia), França.  Ela foi batizada o dia seguinte ao seu nascimento na Igreja de St.Denis-sur-Sarthon. Uma irmã, Maria Luísa a precedia de dois anos; tornar-se-á religiosa da Visitação de Mans. Um irmão, Isidoro, virá dez anos mais tarde e será o filho mimado da família. 

Agostinho de Cartago Doutor da Igreja, coluna inabalável da verdade, Santo 354-430

Um dos maiores espíritos do seu tempo 
e um dos maiores escritores da cristandade.
Um dos maiores gênios que a humanidade já produziu, denominado pelos escritores eclesiásticos Mestre da Teologia, Escudo da Fé e Flagelo dos hereges, entre outros títulos 
Agostinho nasceu em 13 de novembro de 354 em Tagaste, pequena cidade livre do proconsulado da Numídia, do Império Romano, ao norte da África. Seus pais, Patrício e Mônica, se bem que de honradas famílias, não eram ricos. O genitor, ainda pagão, pertenceu à cúria da cidade — assembléia dos que compunham a cúria, uma divisão político-religiosa do povo romano. Sua mãe, fervorosa cristã, criou Agostinho no temor de Deus desde os primeiros anos de sua infância. Inscreveu-o também no número dos catecúmenos. Ainda na infância, o menino ficou gravemente en-fermo e pensou-se em administrar-lhe o santo Bap-tismo. Mas, tendo ele melhorado, foi adiada a rece-pção desse Sacramento, conforme costume da época.

São Junipero (Miguel José) Serra Ferrer Padre franciscano Feriado: 28 de agosto

Sacerdote espanhol que passou 
grande parte da sua vida e exerceu 
o seu apostolado na Califórnia (Estado Unidos).
(*)Petra, Maiorca, Espanha, 24 de novembro de 1713
(+)Monterey, Califórnia, EUA, 28 de agosto de 1784 
Miguel José Serra Ferrer, natural da ilha de Maiorca, na Espanha, ingressou na ordem franciscana aos dezoito anos, adotando o nome de Irmão Junípero (em espanhol, Junípero) para lembrar um dos primeiros companheiros de São Francisco de Assis. Sacerdote aos 23 anos em 1737, dedicou-se ao ensino (filosofia e teologia) e à pregação. Aos 36 anos partiu como missionário para o México, na época sujeito à Espanha. Em 1750, com o seu discípulo Francisco Palóu, chega à Serra Gorda, onde geriu cinco missões. Estima-se que Padre Serra tenha percorrido 9.900 quilômetros por terra e 5.400 milhas por mar, chegando à Alta Califórnia. A última missão fundada foi San Bonaventura (hoje Ventura). Mas é no homem que o Padre Serra faz as suas maravilhas, trazendo-lhe, juntamente com a fé, o impulso para construir uma vida digna da pessoa e da família. Quando faleceu em Monterey Carmel, em 28 de agosto de 1784 (onde foi sepultado), para todos os que aos poucos receberam a notícia foi como ter realmente perdido um pai, mas também receber dele uma grande herança. Ninguém antes dele fez tanto pelo povo da Califórnia. Beatificado por São João Paulo II em 25 de setembro de 1988, foi canonizado pelo Papa Francisco em 23 de setembro de 2015 em Washington DC 
Martirológio Romano: Em Monterrey, Califórnia, o beato Juniper (Michele) Serra, sacerdote da Ordem dos Frades Menores, que entre as tribos ainda pagãs daquela região, apesar dos obstáculos e dificuldades, pregou o Evangelho de Cristo na língua dos povos do lugar e defendeu vigorosamente os direitos dos pobres e humildes.

ORAÇÕES - 28 DE AGOSTO

Oração da manhã para todos os dias 
Senhor meu Deus, mais um dia está começando. Agradeço a vida que se renova para mim, os trabalhos que me esperam, as alegrias e também os pequenos dissabores que nunca faltam. Que tudo quanto viverei hoje sirva para me aproximar de vós e dos que estão ao meu redor. Creio em vós, Senhor. Eu vos amo e tudo espero de vossa bondade. Fazei de mim uma bênção para todos que eu encontrar. Amém. As reflexões seguintes supõem que você antes leu o texto evangélico indicado.
28 – Quarta-feira – Santos: Agostinho de Hipona, Viviano, João III
Evangelho (Mt 23,27-32)“Ai de vós, mestres da Lei e fariseus hipócritas! Vós sois como sepulcros caiados: por fora parecem belos...”
Muitos fariseus e mestres da Lei eram bons, piedosos e sinceros. Esses não se opunham a Jesus, nem o rejeitavam. Jesus condena a falsidade, o fingimento dos que se opunham a ele invocando uma falsa religião. Também nós temos de estar sempre atentos, para que nossa vida seja sempre coerente com nossa religião. Nada afasta tanto de Deus como a hipocrisia dos que dizem nele crer.
Oração
Senhor, creio em vós, ponho toda minha esperança nas vossas promessas, quero viver como ensinais. Peço vossa ajuda para sempre viver de acordo com minha fé, para não ser tropeço que impeça outros de vos conhecer e amar. Fazei que minha vida seja transparente, sem ostentação de piedade ou de austeridade, para que todos possam ver que sois para nós alegria e felicidade. Amém.

terça-feira, 27 de agosto de 2024

REFLETINDO A PALAVRA - “Vigiai e orai”

PADRE LUIZ CARLOS DE OLIVEIRA(+)
REDENTORISTA NA PAZ DO SENHOR
Costura da vida
 
A Quaresma é tempo para aprofundar a oração. O homem e a mulher quando estão de joelhos, atingem sua maior estatura, à altura de Deus com quem entram em relacionamento. Não querer rezar, não saber falar com Deus e não procurar a oração é um grande prejuízo. A grandeza da oração não está nos sentimentos que ela pode provocar em nós nem nos resultados que podemos obter; Não está no fato de se agradável nem na capacidade de fazê-la bem. Tudo isso pode ocorrer, mas não é o necessário. A grandeza da oração vem do encontro com Deus. Para falar da oração é preciso vivê-la. O encontro com Deus não é misterioso ou acessível só a privilegiados. Quem O procura encontra, pois Ele Se deixa encontrar. A própria busca da oração já é resultado de Sua presença. Ninguém vai a Deus sem ser atraído por Ele. Por que temos dificuldades de rezar? Porque a oração não faz parte de nossa vida. Ela só será vital se costurarmos os fatos de nossa vida com Deus. Não se trata de colocar o carimbo de Deus em tudo, mas colocar tudo sob seu olhar, pois nos contempla. Colocar sob Seu olhar é fazer sua vontade. Aqui entra o diálogo com Deus. A dificuldade é que não sabemos ver a realidade como base do diálogo. Um texto da Bíblia mostra Ezequias que vai ao templo e leva uma carta ofensiva que o rei da Babilônia lhe escrevera e lê para Deus como a dizer: Olha aqui o que ele escreveu! (2R 1914-19). Deus não sabe tudo o que acontece conosco? Sabe, mas não Lhe falamos ainda. É como a mãe que pergunta o filhinho qual a música que a professora ensinou. Se não houver a costura de nossa realidade com Deus, a oração perde o vigor. Vigiai e orai continua um mandamento não para gerar neurose, mas uma presença constante que nos leva a Deus. 
Simão, orei por ti 
Jesus é o modelo também da vida de oração. Rezava muito. Lemos nos evangelhos que passava a noite em oração, que se levantava cedo para rezar, que O encontraram rezando. No Jardim das Oliveiras ele unia sua angústia à oração ao Pai. Rezava também oração de seu povo. É muito bela a oração que João relata no capítulo 17 na oração sacerdotal. Reza pelos discípulos e depois por nós: “Não rogo somente por eles, mas pelos que, por meio de sua palavra, crerão em mim” (Jo 17,20). Reza por Pedro: “Simão, Simão, Eis que Satanás pediu para vos peneirar como trigo; eu, porem orei por ti, a fim de que tua fé não desfaleça” (Lc 22,31-32). A costura de sua vida continua no alto da cruz quando une Seu abandono na súplica: “Meu Deus, meu Deus, por que me abandonastes!” (Mt 27,46). Ali é capaz de rezar o perdão: “Pai, perdoai-lhes porque não sabem o que fazem” (Lc 23,34). 
Rezar com o coração 
A oração pode ser lida, repetida, mas deve ser transformada pelo coração. S. Bento ensina a necessidade de a oração não ser só falação: “Em vão a boca trabalha se o coração não ora”. E, “a mente esteja em sintonia com a voz”. Diz também que a oração seja breve. Pai não está aí para ouvir discursos. Mesmo as repetições que podem parecer monótonas não podem perder a dimensão interior. Nesta costura do coração com o coração do Pai, a oração estará sempre correspondendo. Não podemos nos angustiar quando não damos conta nem compreendemos o que ocorre. Paulo ensina: “Espírito socorre nossa fraqueza, pois não sabemos o que pedir como convém, mas o Espírito mesmo intercede por nós com gemidos inexprimíveis” (Rm 8,26). É o Espírito que une nossa oração ao coração do Pai. Não deixemos de rezar, pois, sem ela a vida perde a metade de sua grandeza.
ARTIGO PUBLICADO EM MARÇO DE 2014

EVANGELHO DO DIA 27 DE AGOSTO

Evangelho segundo São Mateus 23,23-26. 
Naquele tempo, disse Jesus: «Ai de vós, escribas e fariseus hipócritas, porque pagais o dízimo da hortelã, do funcho e do cominho, mas omitis as coisas mais importantes da lei: a justiça, a misericórdia e a fidelidade. Devíeis praticar estas coisas, sem omitir as outras. Guias cegos! Coais o mosquito e engolis o camelo. Ai de vós, escribas e fariseus hipócritas, porque limpais o exterior do copo e do prato, que por dentro estão cheios de rapina e intemperança. Fariseu cego! Limpa primeiro o interior do copo e do prato, para que também o exterior fique limpo». 
Tradução litúrgica da Bíblia 
Orígenes (185-253) 
Presbítero, teólogo 
Homilias sobre Josué, n.°5, 2 
«Limpa primeiro o interior do copo» 
Partamos para a guerra como Josué; tomemos de assalto a cidade mais importante deste mundo, a malícia, e destruamos as muralhas orgulhosas do pecado. Olhando ao teu redor, vês o caminho que é preciso seguir, que campo de batalha precisas de escolher? As minhas palavras vão surpreender-te; no entanto, são verdadeiras: limita a tua procura a ti mesmo. Em ti está o combate a que deves entregar-te; dentro de ti está o edifício de malícia que é preciso destruir; o teu inimigo vem do fundo do teu coração. Não sou eu que o digo, mas Cristo; escuta-O: «Do coração procedem as más intenções, os assassínios, os adultérios, as prostituições, os roubos, os falsos testemunhos e as blasfémias» (Mt 15,19). Conheces o poder deste exército inimigo que avança contra ti do fundo do teu coração? Ei-los, os inimigos que tens de massacrar no primeiro combate, de arrasar na primeira linha. Se formos capazes de derrubar as suas muralhas e de os destruir a ponto de não restar um só, de nenhum ficar com vida (cf Jos 11,14), nem um só que possa recuperar o fôlego e reaparecer nos nossos pensamentos, então Jesus dar-nos-á o grande descanso.