quinta-feira, 28 de dezembro de 2017

REFLETINDO A PALAVRA - “Fé fundada no Amor”

PADRE LUIZ CARLOS
DE OLIVEIRA
REDENTORISTA
Duas cenas se completam: Os discípulos trabalham a noite toda e não conseguem pescar nada. Diante da palavra de Jesus, fazem uma pesca abundante. A pesca com frutos abundantes conduz a um convívio oferecido pelo próprio Jesus que não usa dos peixes que pegaram, mas de um que Ele mesmo oferece. A pregação é simbolizada pela pesca. Podemos interpretar que a pregação não é só para nos conduzir ao conhecimento de Jesus, mas para participarmos de seu Corpo e Sangue na comunidade. Na cena vemos que Jesus tomou pão e distribuiu entre eles. Fez mesmo com o peixe. A palavra peixe, em grego, são as iniciais do nome Jesus que é uma profissão de fé: Jesus Cristo de Deus Filho Salvador (Ichtys). A fé sempre nos conduz ao reconhecimento de Cristo como Senhor Deus. Em continuação encontramos o diálogo com Pedro no qual Jesus pergunta se O ama. Faz a pergunta, primeiro se O ama com o Amor Divino. Pedro responde que ama com amor humano. Na terceira vez pergunta se O ama com amor de amigo. Pedro se emociona e responde: “Tu sabes tudo, sabe também que Te amo” (Jo 21,15). Mesmo tendo sido frágil, pois negou, Jesus confia nele e lhe dá a responsabilidade de cuidar do rebanho de ovelhas e cordeiros. Notamos que João, diante do milagre da pesca abundante reconhece o autor: “É o Senhor!” (Jo 21,7). É o amor que leva ao conhecimento. Por que essa insistência de Jesus sobre o amor de Pedro? O amor tem que ser Divino e humano. Pedro mostrará que é Divino em sua entrega de vida por Jesus. Pedro é frágil, mas tem firmeza no amor. O amor que Jesus lhe pede não se trata só de uma afeição, mas de definição de vida pelo povo, cordeiros e ovelhas. Esse amor significa uma obediência acima de todo questionamento. A fé em Jesus se mostra no amor.
Obedecer antes a Deus
               O início da pregação dos discípulos foi conturbado. Proibidos pelos donos do poder, de ensinar em nome de Jesus, Pedro e João respondem: É preciso obedecer a Deus antes que aos homens (At 5,29). É a mesma resposta que dão os cristãos diante das pressões do poder romano, reconhecendo a Divindade de Jesus, Cordeiro que foi imolado (Ap 5,12). Só Ele é digno. Esta saudação que fazem a Cristo, Cordeiro imolado era a saudação que se fazia ao imperador romano. Pedro e João lançam em face do Sumo Sacerdote e do sinédrio, a acusação da culpa pela morte de Jesus. Mas Deus O exaltou, tornando-O Guia Supremo e Salvador. Essa tendência de calar a Igreja passa pelos séculos. A Igreja não é contra as pessoas, mas alerta contra o erro. O testemunho dos Apóstolos é acompanhado pelo testemunho do Espírito Santo. Não falam por si: “E disso somos testemunhas, nós e o Espírito Santo, que Deus concedeu àqueles que lhe obedecem” (At 5,32).
A glória como meta
               Toda a liturgia do Tempo Pascal, depois de nos conscientizar do mistério que vivemos, coloca-nos na perspectiva do nosso futuro. Assim rezamos: “Vosso povo... espere com confiança o dia da Ressurreição” (oração). Pedimos que Deus “nos conceda a eterna alegria” (Oferendas). E rezamos: “Concedei aos que renovastes pelos vossos sacramentos, a graça de chegar um dia à gloria da ressurreição da carne (Pós-comunhão). O mistério da Ressurreição é vivido cada dia pelos discípulos de Jesus. Todos os que crêem e todos os que vivem no amor e na justiça vivem a Ressurreição na fragilidade. Um dia poderemos com “todas as criaturas que estão na terra, debaixo da terra e no mar e tudo o que neles existem, dizer: ‘Ao que está sentado no trono e ao Cordeiro, o louvor e a honra, a glória e o poder para sempre’”. E todo universo diga: Amém!

EVANGELHO DO DIA 28 DE DEZEMBRO

Evangelho segundo S. Mateus 2,13-18.
Depois de os Magos partirem, o Anjo do Senhor apareceu em sonhos a José e disse-lhe: «Levanta-te, toma contigo o Menino e sua Mãe e foge para o Egipto; fica lá até que eu te diga, pois Herodes vai procurar o Menino para O matar».José levantou-se de noite, tomou consigo o Menino e sua Mãe e partiu para o Egipto e ficou lá até à morte de Herodes, para se cumprir o que o Senhor anunciara pelo profeta: «Do Egipto chamei o meu filho». Quando Herodes percebeu que fora iludido pelos Magos, encheu-se de grande furor e mandou matar em Belém e no seu território todos os meninos de dois anos ou menos, conforme o tempo que os Magos lhe tinham indicado. Cumpriu-se então o que o profeta Jeremias anunciara, ao dizer: «Ouviu-se uma voz em Ramá, lamentos e gemidos sem fim: Raquel chora seus filhos e não quer ser consolada, porque eles já não existem».
Tradução litúrgica da Bíblia 
Comentário do dia: 
Santa Teresa Benedita da Cruz
 (Edith Stein) (1891-1942), 
carmelita, mártir, co-padroeira da Europa 
Meditação para o dia 6 de Janeiro de 1941
Os Santos Inocentes, pobres como Cristo foi pobre
Pouco depois de Santo Estêvão, o primeiro mártir, temos as «flores martyrum», as flores dos mártires, esses pequenos botões que foram arrancados antes de estarem maduros para se oferecerem. De acordo com uma piedosa tradição, a graça adiantou-se ao desenvolvimento natural destas crianças inocentes, proporcionando-lhes a compreensão daquilo que estava a suceder-lhes, a fim de as tornar capazes de uma doação livre de si mesmas e lhes garantir a recompensa reservada aos mártires. Apesar disso, não se assemelham ao confessor da fé que já chegou ao estado adulto e que, com coragem heróica, abraça a causa de Cristo. Entregues sem defesa, assemelham-se antes às «ovelhas conduzidas ao matadouro» (Is 53,7; At 8,32). Elas são, pois, a imagem da pobreza extrema. O único bem que possuem é a própria vida, que nesta altura lhes arrebatam sem que elas ofereçam resistência. Rodeiam o presépio, para nos mostrar de que natureza é a mirra que devemos oferecer ao divino Menino: aquele que deseja pertencer-Lhe por completo terá de se entregar a Ele com total desprendimento de si mesmo, abandonando-se à vontade divina como estas crianças. 

28 DE DEZEMBRO – CARTA DE UM MENINO QUE NÃO NASCEU

Hoje lembramos os Santos Inocentes, assassinados cruelmente por Herodes. Herodes, sinônimo de abortista e matador de criancinhas, teve e tem infelizmente muitos seguidores. A propósito, vou ler trechos da carta que um filho abortado escreveu para aquela que devia ser sua mãe: "Mamãe! Não sei se posso chamá-la com este nome... Ontem eu completaria um mês no teu ventre... Eu já estava planejando tantas coisas bonitas. Queria fazer todos felizes, o papai e a mamãe, os irmãozinhos... Eu queria crescer para lutar pela paz, acabar com o ódio, com a guerra, com a violência.Eu lutaria para que todos se dessem as mãos e os corações... Mas ontem você me matou, talvez influenciada por maus conselhos. Estou totalmente desiludido e frustrado. Pensei que os pais amavam os filhos a ponto de dar a vida por eles... Você, porém, nem sequer me deixou ver a luz do dia..Agora pertenço ao mundo das crianças que não nasceram, unicamente por causa do egoísmo dos pais e da maldade humana. Apesar de tudo, dou-lhe meu perdão. Adeus para sempre, mamãe!
- Assinado: Uma criança que não nasceu!
Outros santos
Gaspar de Búfalo (1786-1836) – Este jovem cônego recusou-se a prestar o juramento de fidelidade que Napoleão I exigia do clero dos Estados Pontificios. Por isso saiu de circulação para não ser encarcerado. Reapareceu em público quando Napoleão perdeu a guerra. Arrastava as multidões com sua eloqüência teatral. Fundou o Instituto dos Sacerdotes do Preciosissimo Sangue. Tinha três qualidades: ativo, persistente e incômodo para os relaxados.

PADRE CLÓVIS DE JESUS BOVO CSsR
Vice-Postulador da Causa 
Venerável Padre Pelágio CSsR
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São Gaspar de Búfalo, anjo da paz

Gaspar nasceu em Roma a 6 de janeiro de 1786, filho de Antônio e Anunciata Quarteroni. Foi companheiro de Vicente Strambi nas missões, o qual o definia como “terremoto espiritual”. O povo o chamava de “anjo da paz”, devido suas pregações serem pacíficas e caridosas. Com estas armas da paz e da caridade conseguiu conter os bandidos que proliferavam nas periferias de Roma. O Papa Leão XII recorreu a Gaspar de Búfalo devido a proliferação do banditismo, o qual, conseguiu amansar os mais temíveis bandidos. O Papa João XXIII definiu-lhe como: “Glória toda resplandecente do clero romano, verdadeiro e maior apóstolo da devoção ao Preciosíssimo Sangue de Jesus no mundo”. Em 1810, uma piedosa religiosa dizia que surgiria um zeloso sacerdote que sacudiria o povo da sua indiferença, mediante a propagação da devoção ao Precioso Sangue de Cristo. Naquele ano Gaspar de Búfalo, com dois anos de sacerdócio, tinha sido preso por ter rejeitado o juramento de fidelidade a Napoleão. Libertado do cárcere, após a queda de Napoleão, Gaspar recebeu de Pio VII a incumbência de se dedicar às missões populares pela restauração religiosa e moral do Estado Pontifício. Ele empreendeu essa nova cruzada em nome do Precioso Sangue de Jesus, tornando-se o ardoroso apóstolo desta devoção. Faleceu em Roma a 28 de dezembro de 1837, em um quarto em cima do Teatro Marcelo, São Vicente Palloti, seu contemporâneo, teve a visão de sua alma que subia ao encontro de Cristo, como uma estrela luminosa. A fama de sua santidade não demorou a atingir o mundo todo. Beatificado em 1904, foi canonizado por Pio XII em 1954. São Gaspar de Búfalo, rogai por nós!

CATARINA VOLPICELLI Religiosa, Fundadora, Beata 1839-1894

Catarina Volpicelli, Fundadora das Servas do Sagrado Coração, pertence à classe dos «apóstolos, dos pobres e marginalizados», que no século XIX para Nápoles foram um luminoso sinal da presença de Cristo «Bom Samaritano», que se aproxima de cada homem que sofre no corpo e no espírito, para derramar sobre suas feridas, o óleo da consolação e o vinho da esperança (cf. Missal Romano, 2° ed. Italiana, Roma 1983, Prefácio comum VIII, p. 3752). Nascida em Nápoles, no dia 21 de janeiro de 1839, Catarina recebeu no seio de sua família de alta burguesia, uma sólida formação humana e religiosa. No colégio educandário San Marcelino, sob a guia sábia de Margarida Salatino (futura fundadora com o Beato Ludovico da Casoria das Irmãs Franciscanas Elisabetinas Bigie), aprendeu letras, línguas e música, o que não era frequente para as mulheres do seu tempo. Guiada então pelo Espírito do Senhor, que lhe revelava o projecto de Deus através da voz dos sábios e santos directores espirituais, Catarina que, no entanto, julgava-se mais importante que a sua irmã, a brilhar na sociedade frequentando teatros e espectáculos de danças, renunciou com prontidão os efémeros valores de uma vida elegante e despreocupada, para aderir com generosa decisão a uma vocação de perfeita santidade.
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SANTOS INOCENTES

A Igreja honra como mártires este coro de crianças, vítimas do terrível e sanguinário rei Herodes, arrancadas dos braços das suas mães para escrever com o seu próprio sangue a primeira página do álbum de ouro dos mártires cristãos e merecer a glória eterna, segundo a promessa de Jesus: “Quem perder a vida por amor a mim há de encontrará-la.” Para eles a liturgia repete hoje as palavras do poeta Prudêncio: “Salve, ó flores dos mártires, que na alvorada do cristianismo fostes massacrados pelo perseguidor de Jesus, como um violento furacão arranca as rosas apenas desabrochadas! Vós fostes as primeiras vítimas, a tenra grei imolada, num mesmo altar recebestes a palma e a coroa.” O episódio é narrado somente pelo evangelista Mateus, que se dirigia principalmente aos leitores hebreus e, portanto, tencionava demonstrar a messianidade de Jesus, no qual se realizaram as antigas profecias: “Quando Herodes descobriu que os sábios o tinham enganado ficou furioso. Mandou matar em Belém e nos arredores todos os meninos de dois anos para baixo, conforme o tempo que ele tinha apurado pelas palavras dos sábios. Foi assim que se cumpriu o que o profeta Jeremias tinha dito: Em Ramá se ouviu um grito: coro amargo, imensa dor. É Raquel a chorar seus filhos; e não quer ser consolada, porque eles já não existem.” A origem desta festa é muito antiga. Aparece já no calendário cartaginês do século IV e cem anos mais tarde em Roma no Sacramentário Leonino. Hoje, com a nova Reforma Litúrgica, a celebração tem um carácter jubiloso e não mais de luto, como o era antigamente, e isto em sintonia com os simpáticos costumes medievais, que celebravam nestas circunstâncias a festa dos meninos do coro e do serviço do altar. Entre as curiosas manifestações temos aquela de fazer descer os cónegos dos seus lugares ao canto do versículo: “Depôs os poderosos do trono e exaltou os humildes.” Deste momento em diante, os meninos, revestidos das insígnias dos cónegos, dirigiam todo o ofício do dia. A nova liturgia, embora não querendo ressaltar o carácter folclórico que este dia teve no curso da história, quis manter esta celebração, elevada ao grau de festa por São Pio V, muito próxima da festa do Natal. Assim colocou as vítimas inocentes entre os companheiros de Cristo, para circundar o berço de Jesus Menino de um coro gracioso de crianças, vestidas com as cândidas vestes da inocência, pequena vanguarda do exército de mártires que testemunharão, com o sangue, a sua pertença a Cristo.

Festa dos Santos Inocentes - 28 de dezembro


     São Mateus narra a chacina das crianças de Belém (Mt 2,13-18). A celebração destes “santos inocentes” por ordem do perseguidor, o rei Herodes, tem uma história muito antiga na liturgia da Igreja. Por volta da metade do século 5º, São Pedro Crisólogo já se referia a ela. No calendário da Igreja em Cartago, no século anterior, ela já constava. Os Inocentes são mártires, pois foram mortos por causa de Jesus, por ódio ao Messias. São inocentes, porque não tinham culpa nenhuma.
     Herodes era famoso pela crueldade. Foram matanças contra assaltantes que o levaram ao trono, por determinação dos romanos, que queriam ordem a todo custo no Império. Assassinou, por ciúmes, a princesa Mariana, descendente dos Macabeus, que ele, porém, amava, filha do sumo sacerdote Hircano II. Temeroso de que desejavam o seu reino, mandou matar seu genro, José; Salomé; o sumo sacerdote Hircano II; os irmãos de Mariana, Aristóbulo e Alexandra; seus próprios filhos, Aristóbulo, Alexander e Antipatro.
     O Imperador Augusto teria comentado, fazendo um trocadilho em grego: “É melhor ser porco (“hys”) de Herodes, do que filho (“hyos”).
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ORAÇÃO DE TODOS OS DIAS - 28 DE DEZEMBRO

Pe. Flávio Cavalca de Castro, redentorista
Oração da manhã para todos os dias 
Senhor meu Deus, mais um dia está começando. Agradeço a vida que se renova para mim, os trabalhos que me esperam, as alegrias e também os pequenos dissabores que nunca faltam. Que tudo quanto viverei hoje sirva para me aproximar de vós e dos que estão ao meu redor. Creio em vós, Senhor. Eu vos amo e tudo espero de vossa bondade. Fazei de mim uma bênção para todos que eu encontrar. Amém. 
As reflexões seguintes supõem que você antes leu o texto evangélico indicado.
28 – Quinta-feira  – Santos: Ss. Inocentes, Antônio de Lérins, Teófila 
Evangelho (Mt 2,13-18)Os magos partiram, e o Anjo do Senhor apareceu em sonho a José: – Levanta-te, pega o menino e sua mãe e foge para o Egito!” 
Certamente foi bom receber a visita daqueles estrangeiros; foi um momento de alegria na vida de Maria e José. Durou pouco, porém. Logo foi preciso fugir e partir para o desconhecido, numa viagem que não era tão fácil como pintada pelos artistas. Dizemos que o Filho de Deus se encarnou para participar de nossa vida. Sofreu o mesmo que tantos migrantes e refugiados de sempre. 
Oração
Senhor Jesus, conheceis o sofrimento e as angústias de tantos que, pela miséria ou pela violência, são arrancados da pátria e de seus lares. Sabeis o que seja enfrentar a dureza dos que erguem muros e fecham portas. Ajudai, então, esses irmãos e irmãs enxotados para estradas sem chegada. E tocai nossos corações, para que nos abramos e tenhamos coragem de vos amar e acolher. Amém.

quarta-feira, 27 de dezembro de 2017

AOS AVARENTOS DIRÁ: “NÃO VOS CONHEÇO”

PADRE CLÓVIS DE JESUS BOVO
REDENTORISTA
VICE-POSTULADOR DA CAUSA
VENERÁVEL PADRE PELÁGIO
REDENTORISTA
Um homem muito rico e muito avarento morreu e foi acertar as contas no céu. São Pedro que, além de chaveiro, prepara as fichas dos que chegam, perguntou:
-Seja bem-vindo! Como foi sua vida na terra? Como se portou com os pobres e os excluídos? Colaborou para diminuir ou para aumentar a pobreza? O que sobrava no seu cofre não era seu. Repartiu com alguém? 
O homem, depois de escarafunchar a consciência e matutar bastante, respondeu: 
-“Sim, uma vez dei uma ajuda a um pobrezinho, assentado junto à calçada, perto do Banco”. 
- Lembra-se quanto foi? 
-“Se não me engano, foi uma "pratinha". 
- Exatamente. É o que consta nos livros aqui. Você acabava de retirar alguns milhões no Banco para comprar um motel. 
O homem não podia contestar. Simplesmente abaixou a cabeça e aguardou os acontecimentos. Pedro anotou tudo na ficha e perguntou a Jesus o que fazer com um caso assim. Jesus, sem interromper o diálogo que mantinha com alguns pobres recém-chegados, respondeu secamente: 
-Pedro, consulte o evangelho. Leia o que eu disse uma vez: "Não te conheço...". Devolva-lhe esses centavos e o despache. Aqui não há lugar para esse tipo de gente. 
Palavra de Deus: A riqueza só leva para o céu, quando é partilhada.
Palavra de Deus: Muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, não profetizamos em teu nome? Não expulsamos demônios em teu nome? Não fizemos muitos milagres em teu nome? Então lhes direi: “Nunca vos conheci. Afastai-vos de mim, vós que operais a iniqüidade” (Mt 7,22-23).
Oração: Senhor Jesus, converte os que violaram teus planos: Quem devia socorrer... apenas se enriqueceu. Quem devia ajudar... apenas explorou. Quem devia denunciar... emudeceu. Quem devia libertar... escravizou. Quem devia governar... aproveitou. Quem devia reclamar... se omitiu. Quem devia programar... improvisou. Quem devia enfrentar... se encolheu. Quem devia censurar... bajulou. Quem devia repartir... acumulou. Quem devia dar emprego... despediu. Perdão, Senhor, por eles e por nós!
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REFLETINDO A PALAVRA - “Em Memória de Mim”

PADRE LUIZ CARLOS
DE OLIVEIRA
REDENTORISTA
1249. Isso será um memorial
             Ouvimos em cada missa a ordem de Jesus: “Fazei isto em memória de mim”. A partir destas palavras compreendemos o sentido de celebrar. Celebrar não é apenas lembrar um fato ocorrido, mas proclamar a presença atual do acontecimento salvador do passado. Não se trata de contar uma história, mas de fazê-la atual como acontecimento do qual, participamos pelos símbolos. Isso nós o podemos ver no Antigo Testamento, como também o vemos nos cultos mistéricos dos gregos, embora o sentido seja outro. O ponto de partida para nós cristãos é a ordem de Cristo: “Fazei isto em memória de Mim” (Lc 22,19). O ensinamento de Jesus está dentro da tradição litúrgica do Antigo Testamento. A palavra memória, zakar em hebraico, não é uma representação do passado, mas torna-se eficazmente presente, como lemos em Êxodo (12,26-27 e Dt 26,25-26). Na Ceia Pascal hebraica podemos constatar esse fato. O filho pergunta ao pai: “Porque fazemos hoje uma ceia diferente?” O pai responde: “Eu era prisioneiro no Egito, e Deus, com mão forte me salvou”. O acontecimento não se repete mas se faz presente e o fiel participa dele através dos ritos e símbolos, na fé. Deus intervém na história de um modo permanente que vai além da ação. O recordar-se como memória é tornar perene a ação de Deus, colocando à disposição Suas ações salvíficas. O passado, o presente e o futuro se fundem numa única realidade na ação de Deus que continua sua revelação e salvação. Não há diferença entre o fato passado e o ato presente. É uma memória presente eficaz e real. Não se trata de lembrança de fatos, mas memória litúrgica. Para Deus, o recordar-se é entrar em uma ação e concede a salvação. Pode o homem fortalecer-se na confiança em Deus e não esquecer sua ação. É a formação do povo, pois o faz sentir-se unido em seu todo.
1250. Memória do Senhor
              Paulo, em sua descrição da Eucaristia, diz ter recebido por tradição, não só gesto eucarístico realizado por Jesus: “O que recebi do Senhor eu vos transmiti” ...  narra o gesto de Jesus na Ceia. Então diz: “Toda vez que comeis desse pão e bebeis desse cálice, anunciais a morte do Senhor até que ele venha” (1Co 11,26). A ceia do Senhor é memorial. Mudou-se o conteúdo para mostrar a nova libertação: “Anunciais a morte do Senhor”. Tal presença da morte sacrifical de Jesus é para que possamos ser nutridos com seu corpo e sangue. O conteúdo da Páscoa Cristã é diferente daquela do Antigo Testamento. Lá se recordava a salvação realizada por Deus em favor do povo no Egito. Aqui é a presença pessoal de Deus no Filho que permanece para sempre em sua Igreja, como Senhor crucificado e ressuscitado. É realizado em palavras e ações na prece eucarística.
1251. Memórias vivas
            Participando do memorial do Senhor na Palavra e na prece eucarística, fazemos o grande agradecimento pelos benefícios de Deus na História da Salvação e, de modo particular na ação salvadora de Cristo em sua Paixão e Ressurreição, que resumem toda sua vida. Nosso agradecimento nós o fazemos através de Cristo no Espírito Santo para a Glória de Deus Pai. Há, contudo, um lado pessoal: na medida que participamos, nós somos transformados interiormente recebendo o Cristo. Vivemos Sua vida e passamos, nós também, a testemunhar essa memória. Somos memórias vivas do Redentor. Continuamos sua ação redentora através de nossa vida e ação. Por isso dizemos: Nós proclamamos a vossa morte e anunciamos a ressurreição. Vinde Senhor Jesus.

EVANGELHO DO DIA 27 DE DEZEMBRO

Evangelho segundo S. João 20,2-8.
No primeiro dia da semana, Maria Madalena foi ter com Simão Pedro e com o discípulo predileto de Jesus e disse-lhes: «Levaram o Senhor do sepulcro e não sabemos onde O puseram». Pedro partiu com o outro discípulo e foram ambos ao sepulcro. Corriam os dois juntos, mas o outro discípulo antecipou-se, correndo mais depressa do que Pedro, e chegou primeiro ao sepulcro. Debruçando-se, viu as ligaduras no chão, mas não entrou. Entretanto, chegou também Simão Pedro, que o seguira. Entrou no sepulcro e viu as ligaduras no chão e o sudário que tinha estado sobre a cabeça de Jesus, não com as ligaduras, mas enrolado à parte. Entrou também o outro discípulo que chegara primeiro ao sepulcro: viu e acreditou.
Tradução litúrgica da Bíblia 
Comentário do dia: 
São Tomás de Aquino (1225-1274), 
teólogo dominicano, doutor da Igreja 
Comentário sobre S. João
A luz da Verdade imutável
O símbolo de João é a águia. Eis porquê: os outros três evangelistas ocuparam-se do que Cristo cumpriu na carne e são designados por seres vivos da terra, a saber, o homem, o touro e o leão; João, que voa como uma águia por sobre as nuvens da fragilidade humana, contempla a luz da Verdade imutável com os olhos do coração, com o mais penetrante e firme olhar que é possível ao homem. Atento à divindade de Nosso Senhor Jesus Cristo, pela qual Ele é igual ao Pai, João esforçou-se principalmente, no seu Evangelho, por a manifestar, tanto quanto, sendo um homem entre os homens, acreditou ser necessário. Desse voo de João, diz-se no Livro de Job: «A águia [isto é, João] levanta voo» (Jb 39,27), e ainda: «os seus olhos descobrem à distância» (Jb 39,29), porque, com o olhar do espírito, ele contempla o próprio Verbo de Deus no seio do Pai. O privilégio de João foi ser, de entre todos os discípulos do Senhor, o mais amado por Cristo: João foi de facto «o discípulo que Jesus amava» (Jo 21,20), como ele próprio disse sem se nomear. Cristo revelou portanto os seus segredos de maneira muito especial a este discípulo muito especialmente amado. Foi ele quem, vendo com maior perfeição a luz do Verbo, no-la manifestou dizendo: «O Verbo era a luz verdadeira, que, ao vir ao mundo, a todo o homem ilumina» (Jo 1,9). 

A Imperatriz Sissi e o Natal dos pobres



     Em nenhum lugar o Natal era comemorado com tanto fervor quanto na corte austríaca. A véspera de Natal era uma festa dupla, como também era o aniversário de Elizabeth.
     Havia sempre duas árvores de Natal, uma no dia 23 de dezembro, que a pequena arquiduquesa decorava com as próprias mãos para uma centena de crianças pobres selecionadas dentre seus protegidos especiais, e uma no dia 24 para a família imperial. Os grandes abetos brilhando com nozes de prata e ouro, maçãs de bochechas rosadas, e miríades de pequenas luzes para iluminar os milhares de brinquedos bonitos, eram coisas para admirar.
     Às quatro horas da tarde do dia 23, a árvore das crianças pobres era iluminada no Rittersaal, a esplêndida galeria de teto alto e arqueado, onde havia vitrais, tapeçarias flamengas de valor incalculável, cortinas de veludo vermelho e grandes escudos de metal esmaltado, cobertos por finas esculturas. Cada quadro e espelho, cada uma das duas fileiras de sombrias armaduras que ficavam de cada lado do longo "Saal", eram enfeitados com visco e azevinho. Guirlandas de rosas de Natal e gotas de neve salpicavam as grinaldas de hera dispostas graciosamente em todos os cantos disponíveis. No piso da gigantesca lareira troncos aromáticos queimavam, acrescentando seu suave brilho às chamas deslumbrantes das velas na árvore de Natal.
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27 DE DEZEMBRO – O SERMÃO DO PADRE JOÃO

São João Evangelista, celebrado hoje, chegou aos cem anos. Enquanto as forças permitiam, pregava e catequizava. Certo domingo ele começou e terminou a homilia da seguinte maneira:
- Filhinhos, amai-vos uns aos outros. Amém! 
E continuou a santa missa. O povo estranhou a brevidade do sermão: 
-“Pode ser que o santo velhinho não está se sentindo bem”.
No domingo seguinte, ele fez o mesmo sermão:
- Filhinhos, amai-vos uns aos outros. Assim seja. 
Os fiéis se entreolharam: 
-Ele repetiu o sermão do domingo passado.Também, nessa idade, a memória começa a falhar mesmo. 
No terceiro domingo, embora com a mesma vivacidade de um jovem, ele se aproximou do povo apoiado em seu bastão e disse: 
- Filhinhos, amai-vos uns aos outros. Assim seja 
- Não é possível. 
No fim da missa foram conversar com ele:
- Padre João, por que o senhor fez o mesmo sermão três domingos em seguida? 
- Filhinhos, respondeu sorrindo, porque este é o mandamento do Senhor. Cumprido este mandamento, está cumprida toda a lei.
PADRE CLÓVIS DE JESUS BOVO CSsR
Vice-Postulador da Causa
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JOÃO EVANGELISTA Apóstolo e Santo século I

João, filho de Zebedeu e de Salomé, irmão de Tiago Maior, de profissão pescador, originário de Betsaida, como Pedro e André, ocupa um lugar de primeiro plano no elenco dos apóstolos. O autor do quarto Evangelho e do Apocalipse, será classificado pelo Sinédrio como indouto e inculto. No entanto, o leitor, mesmo que leia superficialmente os seus escritos, percebe não só o arrojo do pensamento, mas também a capacidade de revestir com criativas imagens literárias os sublimes pensamentos de Deus. A voz do juiz divino é como o mugido de muitas águas. João é sempre o homem da elevação espiritual, mais inclinado à contemplação que à acção. É a águia que desde o primeiro bater das asas se eleva às vertiginosas alturas do mistério trinitário: "No princípio de tudo, aquele que é a Palavra já existia. Ele estava com Deus e ele mesmo era Deus." Ele está entre os mais íntimos de Jesus e nas horas mais solenes de sua vida João está perto. Está a seu lado na hora da ceia, durante o processo, e único entre os apóstolos, assiste à sua morte junto com Maria.
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SAGRADA FAMÍLIA JESUS MARIA E JOSÉ

Nazaré no ano 0 : uma pequena aldeia com algumas dezenas de casas..
Com uma população de cerca de 60.000 habitantes dos quais, entre 30 e 35 %, cristãos, Nazaré é hoje a mais importante cidade da Palestina. Sagrada Familia que pertenceu à Beata AlexandrinaÉ nos textos dos Evangelhos que ela é mencionada pela primeira vez. Testemunhos arqueológicos indicam que se tratava de uma aldeia agrícola com cerca de duas centenas de habitantes, apenas. O que provavelmente explica por que não existem referências anteriores, e por que a aldeia não é citada entre as 45 cidades da Galiléia, enumeradas por Flavius Josèphe, nem entre as 63 outras, mencionadas no Talmude. Mas não é por ela, uma simples aldeola, ser de tamanho insignificante que Natanael de Caná lança ao apóstolo Felipe a frase que se tornou célebre: "De Nazaré pode sair algo de bom ?" (João 1, 46)... Com efeito, por mais modesta que seja a povoação de Nazaré, trata-se de uma localidade de moradias principescas, ou, simplesmente, de personalidades, pois nela duas coisas são dignas de nota: a presença do “túmulo do Justo” no estilo daqueles próprios das nobres famílias da época, provando que Nazaré não era apenas uma aldeia de simples agricultores, pois lá ninguém teria tido os meios necessários para oferecer a si mesmo um túmulo tal ; a presença da “casa de Maria”: com efeito, a casa conservada em Loreto — e que foi perfeitamente certificada como vinda de Nazaré — é uma casa de pedra de óptima execução, que os simples aldeões de uma povoação rural não poderiam possuir...
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ORAÇÃO DE TODOS OS DIAS - 27 DE DEZEMBRO

Pe. Flávio Cavalca de Castro, redentorista
Oração da manhã para todos os dias 
Senhor meu Deus, mais um dia está começando. Agradeço a vida que se renova para mim, os trabalhos que me esperam, as alegrias e também os pequenos dissabores que nunca faltam. Que tudo quanto viverei hoje sirva para me aproximar de vós e dos que estão ao meu redor. Creio em vós, Senhor. Eu vos amo e tudo espero de vossa bondade. Fazei de mim uma bênção para todos que eu encontrar. Amém. 
As reflexões seguintes supõem que você antes leu o texto evangélico indicado.
27 – Quarta-feira  – Santos: João, evangelista, Fabíola, Teófanes 
Evangelho (Jo 20,2-8)Então entrou também o outro discípulo, que tinha chegado primeiro ao túmulo. Ele viu e acreditou.” 
Por que o evangelista faz questão de dizer que os dois foram correndo, e que um chegou primeiro, mas não entrou antes de Pedro? Talvez para mostrar a importância de Pedro. Porém, só do segundo discípulo se diz que entrou, viu e acreditou. A graça, a iluminação do alto é dada livremente por Deus, primeiro a quem ele quer. Nem sempre a quem recebeu o lugar e a missão mais importantes. 
Oração
Senhor Jesus, agradeço as graças e as luzes que dais ao papa, aos bispos e aos que nos guiam em vossa igreja. Mas, hoje quero de modo especial agradecer as graças, as luzes e as inspirações que dais aos meus irmãos e irmãs leigos. Na sua simplicidade, muitas vezes sem dizer nada, eles me transmitem grande mensagem de fé, e mostram como posso viver do jeito que ensinais. Amém.

terça-feira, 26 de dezembro de 2017

O MANTO DE ESTRELAS

PADRE CLÓVIS DE JESUS BOVO
REDENTORISTA
VICE-POSTULADOR DA CAUSA
VENERÁVEL PADRE PELÁGIO SAUTER
REDENTORISTA
Era uma vez uma órfãzinha que ficou sem ninguém e sem nada no mundo. Com um vestido ralo no corpo e um pedaço de pão na sacola, saiu caminhando à procura de amparo, apoiada apenas na mão de Deus.Era Natal. Fazia muito frio. O vento gelado açoitava-lhe o rostinho magro. Ao encontrar no caminho outra criança tiritando de frio, deu-lhe parte do seu vestido.Ia escurecendo quando chegou a uma floresta. Dormiria ali mesmo, debaixo de uma árvore. Quando procurava um jeito para se aninhar, eis que aparece outra criança, mais desprotegida do que ela. Pensou consigo: 
-Nesta mata e nesta noite escura, tanto faz estar vestida ou não. Esta criança está com mais frio do que eu. Vou dar-lhe o outro pedaço do meu vestido.Assim fez. Nisto caiu do céu uma chuva de estrelas. Mãos invisíveis e caridosas, talvez os anjos de Belém, teceram um manto com as estrelas e cobriram a menina. Assim ela dormiu quentinha. Assim foi recompensada sua generosidade heróica.
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REFLETINDO A PALAVRA - “Natal! Um Filho nos foi dado”

PADRE LUIZ CARLOS
DE OLIVEIRA
REDENTORISTA
Natal, coisa da gente
            A serenidade do Natal tem origem naquela noite distante, no escondido de um lugar humilde, no coração de duas pessoas cheias de ternura para com um Menino recém-nascido. Ele era o Filho de Deus. É muito difícil falar do nascimento de Jesus. É como sentir o sabor de uma fruta que não se comeu. A celebração da liturgia procura os sentimentos através dos textos litúrgicos. Esse nascimento é como diz Isaias, para a alegria da paz. Compara com as festas da colheita ou com a vitória sobre o inimigo. O salmo 95 nos convida a cantar efusivamente diante de todas as nações. É um louvor que vem de toda a natureza. Vem do fundo do mar, vem dos campos de frutos abundantes. Exultam as florestas e as matas. Céus e terra exultam. Nada fica fora do louvor. Esse louvor é completado pelos Anjos que fazem um coro celestial. Somos convidados e alimentar nossa alegria abandonando toda impiedade e paixões e vivendo no mundo com equilíbrio e piedade (Tt 2,11-14). A alegria está na libertação dos males e na busca da vida que nos foi comunicada pelo Menino de Belém. A narrativa do nascimento de Jesus, tão sucinta e cheia de ternura, mostra como se realizou o projeto salvador de Deus. Deus parte do homem para alcançar o coração do homem. O amor de Deus manifestado em Cristo passa pela condição humana, deixando-nos na certeza de que podemos fazer o mesmo. Nós nos associamos aos anjos para cantar: “Glória a Deus nas alturas, e paz na terra aos homens por Ele amados” (Lc 2,14). Os pastores participam desse louvor indo a Belém ver o Menino.
Bom negócio
            A reflexão dos grandes mestres da fé sobre o nascimento de Jesus usa o termo intercâmbio, comércio e troca de presentes. Os santos Padres exclamam: “Ó admirável comércio”! Rezamos na oração sobre as oferendas: “Acolhe, ó Deus, a oferenda da festa de hoje, na qual o Céu e a terra trocam os seus dons”. Damos um presente a Deus: nossa humanidade. Deus nos retribui com sua Divindade. Em Jesus está a síntese de tudo: Homem-Deus. Continuamos: “Dai-nos participar da Divindade Daquele que uniu a Vós a nossa humanidade”. Não é só um ensinamento, mas um caminho de salvação na busca permanente de unir nossa vida à vida de Deus. É o processo permanente de conversão na redenção que Jesus nos fez. Na espiritualidade conhecemos esse processo como divinização. Vamos assumindo a Vida de Deus. Espiritualidade não é um sentir-se bem, mas um permanente abrir-se à divindade. Jesus Se encarnou após o sim de Maria. Deus usa conosco o mesmo caminho do respeito a nossa liberdade e atitude de assumir a Divindade. Deus enviou Jesus para abrir-nos à comunhão com Ele.
Um canto suave
            Quando ouvimos um coral muito bonito, dizemos: Parecem anjos cantando.  Quando vemos os Anjos cantando na noite de Natal, no nascimento de Jesus, podemos dizer: é gente cantando. É um canto suave, pois Ele é o construtor da paz. É linguagem de gente. Os Anjos cantaram diante dos pastores palavras Divinas e as transformaram em palavras humanas. A paz que anunciam para a terra é a mesma que trazem do Céu. Por isso chamamos Jesus de Príncipe da Paz. Consequentemente Jesus estabelece a paz com o seu mandamento: “Amai-vos uns aos outros como Eu vos amei”. Celebramos a beleza do Natal. Para Jesus, a memória do Natal se dá em cada ato de amor que realizamos, desde um sorriso até uma vida doada, entregue no amor. Por isso ele deve permanecer o ano todo nos instruindo. O espírito do Natal continua em Jesus, pois sempre é o pequenino.

Beatas Inês Phila, Lucia Khambang e 4 companheiras Protomartires da Tailândia - 26 dezembro

Mártires de Songkhon
Martirológio Romano: Na vila de Song-Khon, na Tailândia, beatas mártires Inês Phila e Lucia Khambang, virgens da Congregação das Irmãs Amantes da Cruz, e também Ágata Phutta, Cecilia Butsi, Bibiana Khampay e Maria Phon, todas as quais, por não querer negar a fé católica, foram fuziladas no cemitério da vila. († 1940)
     O cristianismo foi introduzido na Tailândia em 1881 e em 1940 os fiéis católicos já eram setecentos. Nos quatro anos seguintes os missionários franceses foram obrigados a abandonar o país que se encontrava na guerra entre a Tailândia e a Indochina francesa. Como é habitual nestas circunstancias, se considerou prioridade a unidade nacional e como perigoso um pluralismo religioso.
     A vila de Songkhon, situada nas margens do grande rio Meking, zona fronteiriça com o Laos, foi cenário, em 1940, do glorioso martírio de sete cristãos nativos: Felipe Siphong Onphitak, Inês Phila, Lucia Khambang, Ágata Phutta, Cecilia Butsi, Bibiana Khamphay e Maria Phon.
     Felipe Siphong Onphitak, pai de família, líder da comunidade cristãs de Songkhon na ausência de sacerdotes, durante o desencadear da perseguição contra os cristãos foi atraído e enganado perto do Rio Tum Nok, e assassinado no dia 16 de dezembro de 1940 por um grupo de gendarmes. Foi o primeiro nativo tailandês a derramar seu sangue testemunhando sua fé em Cristo.
     No dia de hoje vamos nos ocupar particularmente das seis mulheres que também sofreram o martírio dez dias depois. Eis uma breve informação sobre cada uma delas.
CONTINUA EM MAIS INFORMAÇÕES:

EVANGELHO DO DIA 26 DE DEZEMBRO

Evangelho segundo S. Mateus 10,17-22.
Naquele tempo, disse Jesus aos seus apóstolos: «Tende cuidado com os homens: hão de entregar-vos aos tribunais e açoitar-vos nas sinagogas.Por minha causa, sereis levados à presença de governadores e reis, para dar testemunho diante deles e das nações. Quando vos entregarem, não vos preocupeis em saber como falar nem com o que dizer, porque nessa altura vos será sugerido o que deveis dizer; porque não sereis vós a falar, mas é o Espírito do vosso Pai que falará em vós. O irmão entregará à morte o irmão e o pai entregará o filho. Os filhos hão-de erguer-se contra os pais e causar-lhes a morte. E sereis odiados por todos por causa do meu nome. Mas aquele que perseverar até ao fim, esse será salvo.
Tradução litúrgica da Bíblia 
Comentário do dia: 
Santo Aelredo de Rievaulx (1110-1167), monge cisterciense 
Sermão para a festa de Santo Estêvão (Leccionário)
«Por causa do meu nome»
Temos ainda nos braços o filho da Virgem [...], os anjos cantam ainda a glória de Deus e os pastores rejubilam. [...] Quem poderia afastar os olhos de tal nascimento? Ora, enquanto nos maravilhamos, eis que Estêvão, cheio de graça e de poder, realiza sinais e prodígios no meio do povo (At 6,8). Deveremos afastar-nos do rei para lançar os olhos para o soldado? Mas é o próprio rei que a isso nos convida: o Filho do rei assiste, na dor do seu coração, ao combate do seu soldado vitorioso. [...] Estêvão, cheio de graça e de poder, revestido de graça e protegido pelo escudo do poder divino, realizava grandes sinais e prodígios no meio do povo. Então, alguns levantaram-se contra esta testemunha (At 6,8). Mas a voz do homem livre ergue-se e, com base nos livros deles, apresenta-lhes a palavra da verdade. O Espírito de Deus toma conta do mártir [...]; ele olha para o céu mas já não é o céu que vê: vê, diz, os céus abertos e Jesus à direita do poder de Deus (At 7,58). [...] O Senhor está de pé com aquele que está de pé, combate com aquele que luta, é lapidado naquele que lapidam. [...] Sim, com razão merece o primeiro lugar entre os mártires aquele que exprime de forma tão admirável a sua semelhança com o Senhor suspenso da cruz. Estêvão grita com voz forte: «Senhor, não lhes imputes este pecado!» (At 7,60; cf Lc 23,34). Grande é o seu grito, porque grande é o seu amor. Adormece no Senhor [...] e repousa nos braços de Deus.