terça-feira, 29 de dezembro de 2015

O LOBO DENTRO DE NÓS

PADRE CLÓVIS DE JESUS BOVO CSsR
Vice-Postulador da Causa
Venerável Padre Pelágio CSsR
Certa noite o velho índio contou para o neto que existe uma guerra dentro de nós. É a batalha entre dois lobos. O menino ficou curioso. E o índio explicou: 
- Um é mau. É a raiva, inveja, ciúme, tristeza, desgosto, cobiça, sensualidade, arrogância, orgulho, culpa, ressentimento, mentira, falsidade e egolatria e tudo o que não presta. 
- E o outro? 
- O outro é bom: alegria, paz, amor, esperança, serenidade, humildade, bondade, benevolência, pureza, empatia, generosidade, solidariedade, verdade, compaixão, fé e tudo o que é bom.. 
- Qual desses sai vencedor, vovô? 
O velho índio respondeu: 
- Sai vencedor aquele que você alimentar. (Fonte: Revista “Grande Sinal”)
Cultivemos o Bem para que o mundo seja melhor. Cada qual é o arquiteto da própria felicidade.

29 DE DEZEMBRO – APUNHALADO DENTRO DA CATEDRAL

Tomás Becket (1118- 1170) – Tomás, bispo de Cantuária e Henrique II rei da Inglaterra, não se entendiam mais, porque o rei queria mandar na Igreja. Até acontecer o que aconteceu: Dia 29 de dezembro de 1170, quando o bispo se dirigia para a catedral com seus acompanhantes, um bando de homens invadiu o recinto sagrado, brandindo lanças e espadas. Um deles esbravejou: 
- Onde está o traidor? 
Ninguém respondeu. A mesma voz gritou:
- Onde está o arcebispo? 
- Está aqui, respondeu impavidamente Dom Tomás. Não perguntem pelo traidor porque ele não está aqui. O que vocês querem na casa de Deus, armados desse jeito? 
- Queremos a sua morte. 
- Estou pronto. Mas respeitem estes meus companheiros.
Apoiando-se na coluna da igreja, preparou-se para receber o golpe fatal. Quatro homens avançaram nele com as espadas desembainhadas. Somente o quinto golpe tirou-lhe a vida. (Pe. Hünermann) 
Santo Tomás Becket fica como exemplo de resistência diante dos ditadores que se atrevem a colocar os direitos do Estado acima dos direitos de Deus.
PADRE CLÓVIS DE JESUS BOVO CSsR
Vice-Postulador da Causa
Venerável Padre Pelágio CSsR
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REFLETINDO A PALAVRA - “Deus nos dê sua bênção”

PADRE LUIZ CARLOS DE OLIVEIRA CSsR
1669. Chamando Deus de Pai
            No Natal abrimos os presentes. No início do ano temos a sensação de começar uma vida nova. É um grande presente que é dado a todos. Que significa a passagem de ano? Só um movimento de ponteiros do relógio? Vivemos de símbolos que não são só fruto da imaginação, mas nascem da vida. Por isso podemos dizer: Feliz Ano Novo. Nova vida! Que tudo vá bem! A primeira certeza de um ano feliz é a consciência de termos Deus como Pai. Jesus nasceu para que recebêssemos a adoção filial. Paulo continua: “E porque sois filhos, Deus enviou aos nossos corações o Espírito do seu Filho, que clama: Abbá – Ó Pai” (Gl 4,5-6). Não só Pai, mas Papai, por ter nos amado ternamente. Do Deus Santo dos hebreus, isto é, o totalmente Outro, Jesus nos introduz em um novo relacionamento: Filiação Divina e amorosa, porque somos filhos adotivos por sermos irmãos de Jesus na raça humana e na adoção. Jesus foi circuncidado, isto é, entrou para o povo de Deus como membro; nascido de uma mulher que era hebréia, por isso é hebreu, povo da espera e da esperança; Nascido sob a lei, para resgatar os que estavam sujeito à lei. Ele salva também seu povo. Ele é a bênção de Deus. Convém a nós levarmos a efeito os benefícios dessa bênção; Que ela faça brilhar sobre nos a sua face. Jesus manifesta o rosto do Pai: “Quem me vê, vê o Pai” (Jo 14,9). “Volte para ti o seu rosto e te dê a paz!”. Jesus é nossa paz (Ef 2,14). Realiza a reconciliação com Deus, conosco mesmos e com os outros. Estabelece um modo de ser durante este ano: sermos construtores da paz: “Bem aventurados os construtores da paz, porque serão chamados filhos de Deus” (Mt 5,9). Podemos criar um ano novo. Ele não vai cair do Céu pronto. Nós o faremos, sendo para os outros uma face de Deus.
1670. Tempo de contemplação
            A leitura do evangelho nos dá também um caminho rico para o novo ano: contemplar as obras de Deus. Diz o evangelho: “Todos os que ouviram os pastores ficaram maravilhados com aquilo que contavam. Quanto a Maria, guardava todos esses fatos e meditava sobre eles em seu coração” (Lc 2,18-19). A curiosidade das coisas de Deus provoca em nós a contemplação. Esta não se refere a um sair de si e viver num mundo diferente. Não é ter atitudes estranhas. Maria contemplava a realidade que tinha diante de seus olhos, procurando nelas o sentido de Deus. É isso que Deus quer de nós em cada situação. Contemplar é ver o mundo como Deus o vê, isto é, como lugar de traduzir em caminho de salvação as realidades e acontecimentos. Deus os vê com olhos de amor. Por isso enviou seu Filho, nascido de uma mulher. Maria é a imagem completa do caminho que Deus nos dá. Ela é a escolhida que respondeu com totalidade ao amor de Deus ao enviar o Filho.
1671. Um projeto para um ano
            No início do ano desejamos Feliz Ano Novo. Quando ele será feliz? Quando eu o fizer. A Palavra de Deus nos dá uma indicação prática. Maria disse que sua alma se alegrava em seu Deus porque olhou para a humildade de sua serva. O que fez Maria? Abriu-se ao Espírito Santo. Diz o Arcanjo Gabriel: “O Espírito Santo virá sobre ti e a força do Altíssimo te cobrirá com sua sombra; por isso, o Santo (Deus) que nascer de ti será chamado de Filho de Deus (Lc 1,35). Projetar bem o ano é deixar-se guiar pelo Espírito Santo. Por isso Maria diz: “Eis a serva do Senhor; faça-se em mim segundo a tua palavra” (Lc 1,38). Ouvir as inspirações da Palavra de Deus e colocar em prática dará encanto ao Ano Novo. Feliz Ano Novo, sob a sombra do Espírito Santo, vivendo a Palavra.

EVANGELHO DO DIA 29 DE DEZEMBRO

Evangelho segundo S. Lucas 2,22-35.
Ao chegarem os dias da purificação, segundo a Lei de Moisés, Maria e José levaram Jesus a Jerusalém, para O apresentarem ao Senhor, como está escrito na Lei do Senhor: "Todo o filho primogénito varão será consagrado ao Senhor", e para oferecerem em sacrifício um par de rolas ou duas pombinhas, como se diz na Lei do Senhor. Vivia em Jerusalém um homem chamado Simeão, homem justo e piedoso, que esperava a consolação de Israel; e o Espírito Santo estava nele. O Espírito Santo revelara-lhe que não morreria antes de ver o Messias do Senhor; e veio ao templo, movido pelo Espírito. Quando os pais de Jesus trouxeram o Menino para cumprirem as prescrições da Lei no que lhes dizia respeito, Simeão recebeu-O em seus braços e bendisse a Deus, exclamando: Agora, Senhor, segundo a vossa palavra, deixareis ir em paz o vosso servo, 
porque os meus olhos viram a vossa salvação, que pusestes ao alcance de todos os povos: luz para se revelar às nações e glória de Israel, vosso povo. O pai e a mãe do Menino Jesus estavam admirados com o que d'Ele se dizia. Simeão abençoou-os e disse a Maria, sua Mãe: "Este Menino foi estabelecido para que muitos caiam ou se levantem em Israel e para ser sinal de contradição; - e uma espada trespassará a tua alma - assim se revelarão os pensamentos de todos os corações". 
Da Bíblia Sagrada - Edição dos Franciscanos Capuchinhos - www.capuchinhos.org
Comentário do dia: 
São Gregório de Nissa (c. 335-395), monge, bispo 
Vida de Santa Macrina, 23-25; SC 178 
No anoitecer da vida, entrar na luz
O sol inclinava-se em direcção ao poente. Mas o fervor da minha irmã Macrina não decaía; quanto mais se aproximava o momento da partida, mais ela corria em direcção ao seu bem-amado. […] Já não se dirigia a nós, os que estávamos ali presentes, mas apenas Àquele de quem não desviava o olhar […]: «Foste Tu, Senhor, que anulaste o nosso medo da morte. Foste Tu que fizeste com que, para nós, o termo da vida terreste se tornasse o começo da vida verdadeira. És Tu que, por um tempo, deixas os nossos corpos repousar em dormição e os acordas novamente “ao som da trombeta final” (1Cor 15,52). És Tu que dás à terra, como depósito, o barro de que somos feitos, o barro que modelaste com as tuas mãos (Gn 2,7), e és Tu que fazes reviver aquilo que lhe deste, transformando, pela imortalidade e pela beleza, o que em nós é mortal e disforme. […] 
«Deus eterno, “pertenço-Te desde o ventre materno; desde o seio de minha mãe, Tu és o meu Deus” (Sl 21,11). Tu, a quem a minha alma amou com toda as suas forças, a quem consagrei a minha carne e a minha alma desde a juventude, coloca junto de mim um anjo luminoso que me conduza pela mão ao lugar do refrigério, aonde se encontra a “água do repouso” (Sl 22,2 ), no seio dos santos patriarcas (Lc 16,22). Tu, que […] enviaste para o paraíso aquele homem crucificado contigo que se confiou à tua misericórdia, lembra-Te também de mim “quando estiveres no teu reino” (Lc 23,42), porque também eu fui crucificada contigo. […] Que me encontre diante da tua face “sem mancha nem ruga” (Ef 5,27); que a minha alma entre as tuas mãos seja acolhida […] “como o incenso diante da tua face”» (Sl 140,2). […] 
Como tinha chegado a noite, alguém colocara uma lamparina ali por cima. Macrina então abriu os olhos e dirigiu o seu olhar para aquela luz, manifestando o seu desejo de dizer a oração de acção de graças da luz. Mas faltou-lhe a voz […]; soltou um profundo suspiro e tudo cessou: tanto a oração, como a sua vida. 
Luz esplendente da santa glória do Pai celeste, imortal, santo e glorioso Jesus Cristo! Sois digno de ser cantado a toda a hora e momento por vozes inocentes, ó Filho de Deus que nos dais a vida. Dissipais as trevas do universo e iluminais o espírito do homem, vencendo a noite com a luz da fé. Luz da Luz sem ocaso, imagem clara do esplendor divino: o céu e a terra proclamam a Vossa glória. Chegada a hora do sol poente, contemplando a luz do entardecer, cantamos ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo (hino de vésperas I do Domingo IV da liturgia das horas).

TOMÁS BECKET Bispo, Mártir, Santo 1118-1170

Tomás Becket nasceu no dia 21 de dezembro de 1118, em Londres. Era filho de pai normando e cresceu na Corte ao lado do herdeiro do trono, Henrique. Era um dos jovens cortesãos da comitiva do futuro rei da Inglaterra, um dos amigos íntimos com que Henrique mais tinha afinidade. Era ambicioso, audacioso, gostava das diversões com belas mulheres, das caçadas e das disputas perigosas. Compartilharam os belos anos da adolescência e da juventude antes que as responsabilidades da Coroa os afastasse. Quando foi corado Henrique II, a amizade teve uma certa continuidade, porque o rei nomeou Tomás seu chanceler. Mas num dado momento Tomás voltou seus interesses para a vida religiosa. Passou a dedicar-se ao estudo da doutrina cristã e acabou se tornando amigo do arcebispo de Canterbury, Teobaldo. Tomás, por sua orientação, foi se entregando à fé de tal modo que deixou de ser o chanceler do rei para ser nomeado arcediácono do religioso. Quando o arcebispo Teobaldo morreu e o papa concedeu o privilégio ao rei de escolher e nomear o sucessor, Henrique II não vacilou em colocar no cargo o amigo. Mas o rei não sabia que o antigo amigo se tornara, de fato, um fervoroso pastor de almas para o Senhor e ferrenho defensor dos direitos da Igreja de Roma. Tomás foi ordenado sacerdote em 1162 e, no dia seguinte, consagrado arcebispo de Canterbury. Não demorou muito para indispor-se, imediatamente, com o rei. Negou-se a reconhecer as novas leis das "constituições de Clarendon", que permitiam direitos abusivos ao soberano, e teve de fugir para a França, para escapar de sua ira. Ficou no exílio por seis anos, até que o papa Alexandre III conseguiu uma paz formal entre os dois. Assim, Tomás pôde voltar para a diocese de Canterbury a fim de reassumir seu cargo. Foi aclamado pelos fiéis, que o respeitavam e amavam sua integridade de homem e pastor do Senhor. Mas ele sabia o que o esperava e disse a todos: "Voltei para morrer no meio de vós". A sua primeira atitude foi logo destituir os bispos que haviam compactuado com o rei, isto é, aceitado as leis por ele repudiadas. Naquele momento, também a paz conseguida com tanta dificuldade acabava. O rei ficou sabendo e imediatamente pediu que alguém tirasse Tomás do seu caminho. O arcebispo foi até avisado de que o rei mandaria matá-lo, mas não quis fugir novamente. Apenas respondeu com a frase que ficou registrada nos anais da história: "O medo da morte não deve fazer-nos perder de vista a justiça". Encheu-se de coragem e, vestido com os paramentos sagrados, recebeu os quatro cavaleiros que foram assassiná-lo. Deixou-se apunhalar sem opor resistência. Era o dia 29 de dezembro de 1170. O próprio papa Alexandre III canonizou Tomás Becket três anos depois do seu testemunho de fé em Cristo. A sua memória é homenageada com festa litúrgica no dia de sua morte.

ORAÇÃO DE TODOS OS DIAS - 29 DE DEZEMBRO

Pe. Flávio Cavalca de Castro, 
redentorista
Oração da manhã para todos os dias
Senhor meu Deus, mais um dia está começando. Agradeço a vida que se renova para mim, os trabalhos que me esperam, as alegrias e também os pequenos dissabores que nunca faltam. Que tudo quanto viverei hoje sirva para me aproximar de vós e dos que estão ao meu redor.
Creio em vós, Senhor. Eu vos amo e tudo espero de vossa bondade.
Fazei de mim uma bênção para todos que eu encontrar. Amém. 
As reflexões seguintes supõem que você antes leu o texto evangélico indicado.

29 – Terça-feira – Santos Tomás Becket, Segundo, Primiano
Evangelho (Lc 2,22-35) “Agora, Senhor, conforme a tua promessa, podes deixar teu servo partir em paz, porque meus olhos viram a tua salvação...”
Simeão, justo e piedoso, é o profeta que proclama o Salvador presente. Ele é a salvação preparada para todos os povos, luz para iluminar todas as nações, como tinha sido prometido ao povo do Senhor. Jesus é o que realiza os anseios de todos os homens, não só de um povo, e traz esperança e libertação de todas as escravidões. Pomos nele toda a nossa esperança, e nada precisamos temer.
Oração
Senhor Jesus, creio em vós e reconheço-vos como meu Deus e Salvador. Sois tudo quanto poderia esperar: luz para minhas incertezas, força para minha fraqueza; cura para minhas chagas, esperança, liberdade, paz, tudo de bom. Agradeço tanta bondade e, com vossa ajuda, quero levar para todos essa felicidade. Quero viver de modo que todos vejam como é bom estar convosco. Amém. 

segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

ESTA MULHER NÃO É MINHA MÃE

PADRE CLÓVIS DE JESUS
BOVO CSsR
Vice-Postulador da Causa
Venerável Padre Pelágio CSsR
O Papa São Bento XI era filho de uma lavadeira. Um dia sua mãe foi visitá-lo em Roma. Chegou vestida como simples camponesa: um grande lenço na cabeça, longo vestido rodado de algodão, chinelos nos pés, uma cestinha no braço. Os secretários do Papa acharam que não podia apresentar-se diante dele com trajes roceiros. Aconselharam-na a vestir-se conforme prescrevia o cerimonial da época. A pobre mulher se arrumou conforme o figurino e foi levada perante o Papa:
- Aqui está sua mãe que veio visitá-lo. 
O Papa estranhou: 
- Esta é minha mãe? Mas ela é uma simples camponesa. Usa chinelos. Traz um xale na cabeça. Não se enfeita de jeito nenhum. Creio que houve um engano. 
Os secretários, visivelmente desapontados, levaram-na volta a fim de se trocar e apresentar-se do jeito que viera. Ela obedeceu, embora sem compreender essa confusão. Quando entrou na sala de audiência, vestida como mulher da roça, o Papa foi ao seu encontro, abraçou-a e beijou-a com efusão: 
- Minha mãe! Minha querida mãe! 
Lição: Que lição para os tempos de hoje, quando a moda sem modos domina e predomina por toda a parte. Nada tão acolhedor e simpatizante como a simplicidade no trajar, no falar e no agir. (Do livro: 365 dias, 365 histórias)

28 DE DEZEMBRO – CARTA DE UM MENINO QUE NÃO NASCEU

Hoje lembramos os Santos Inocentes, assassinados cruelmente por Herodes. Herodes, sinônimo de abortista e matador de criancinhas, teve e tem infelizmente muitos seguidores. A propósito, vou ler trechos da carta que um filho abortado escreveu para aquela que devia ser sua mãe: "Mamãe! Não sei se posso chamá-la com este nome... Ontem eu completaria um mês no teu ventre... Eu já estava planejando tantas coisas bonitas. Queria fazer todos felizes, o papai e a mamãe, os irmãozinhos... Eu queria crescer para lutar pela paz, acabar com o ódio, com a guerra, com a violência.Eu lutaria para que todos se dessem as mãos e os corações... Mas ontem você me matou, talvez influenciada por maus conselhos. Estou totalmente desiludido e frustrado. Pensei que os pais amavam os filhos a ponto de dar a vida por eles... Você, porém, nem sequer me deixou ver a luz do dia..Agora pertenço ao mundo das crianças que não nasceram, unicamente por causa do egoísmo dos pais e da maldade humana. Apesar de tudo, dou-lhe meu perdão. Adeus para sempre, mamãe!
- Assinado: Uma criança que não nasceu!
Outros santos
Gaspar de Búfalo (1786-1836) – Este jovem cônego recusou-se a prestar o juramento de fidelidade que Napoleão I exigia do clero dos Estados Pontificios. Por isso saiu de circulação para não ser encarcerado. Reapareceu em público quando Napoleão perdeu a guerra. Arrastava as multidões com sua eloqüência teatral. Fundou o Instituto dos Sacerdotes do Preciosissimo Sangue. Tinha três qualidades: ativo, persistente e incômodo para os relaxados.

PADRE CLÓVIS DE JESUS BOVO CSsR
Vice-Postulador da Causa 
Venerável Padre Pelágio CSsR
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REFLETINDO A PALAVRA - “Nascer para uma esperança viva”

PADRE LUIZ CARLOS
DE OLIVEIRA CSsR
Efusão do Espírito
            Após a Ressurreição, Jesus vai ao encontro dos discípulos reunidos no Cenáculo. Havia medo, tristeza e desesperança. E, de repente, Jesus está ali, vivo. Depois de termos contemplado a Ressurreição, passamos agora a ver a vida da comunidade dos ressuscitados. Reunidos, acolhem Jesus. João evangelista não faz uma narrativa cronológica, mas ensina-nos a compreender a Ressurreição e sua relação com a comunidade. João coloca no dia da Ressurreição, o primeiro dia da semana. É o primeiro dia do novo mundo. Nele se dá a efusão do Espírito. Isso não contradiz o que dizem os outros textos sobre a vinda do Espírito 50 dias após a Ressurreição, pois João fala do Mistério como um todo e não narra fatos em seqüência histórica. É a inauguração de tempo novo de Deus. Jesus aparece e mostra as mãos e o lado aberto pela lança. O Ressuscitado é o mesmo que fora crucificado. Ele permanece sempre em sua entrega ao Pai pelo mundo. Os discípulos, que recebem o sopro do Espírito Santo, são a nova criatura redimida. A comunidade dos discípulos, sempre que reunida, constitui o Cenáculo onde se manifesta o Ressuscitado que dá o Espírito. O Espírito forma a comunidade para que ela constitua sempre o lugar privilegiado para a Escuta da Palavra, para a Comunhão Fraterna, para Eucaristia (fração do pão) e para a Oração. Por isso os mártires dirão: “Não podemos viver sem o domingo”. Ele é o dia de o Senhor se manifestar na comunidade. A força da Ressurreição não está somente em Jesus que vence a morte, mas está também na comunidade. A comunidade vive na esperança, “pois sem O ver ainda, nEle acreditais” (1Pd 1,8). A esperança é a certeza de que se realizam as promessas futuras. O discípulo alegra-se, como os discípulos ao verem o Senhor.
Como o Pai me enviou, eu vos envio
            Naquela noite Jesus apareceu aos discípulos, pôs-se no meio deles e disse: “Como o Pai me enviou, também eu vos envio”. E, depois de ter dito isso, soprou sobre eles e disse: “Recebei o Espírito Santo! A quem perdoardes os pecados, eles lhes serão perdoados; a quem os não perdoardes, eles lhes serão retidos” (Jo 20,23). A comunidade recebe o Espírito para o anúncio da missão de reconciliação. Para enviá-los, soprou sobre eles, como Deus soprara sobre o homem que fizera do barro, tornando-o alma vivente (Gn 2,7). Soprando sobre os renascidos, dá-lhes o Espírito que lhes mantém viva a fé na esperança. O discípulo é associado à missão do Ressuscitado na força do Espírito. Quem recebe o discípulo, recebe a Cristo. “Quem vos recebe, a mim recebe e recebe Aquele que me enviou” (Lc 10,16), dissera Jesus . Recebe também toda economia da salvação, isto é, tudo o que Deus fez para nos salvar. Cada celebração da comunidade é presença do Ressuscitado, efusão do Espírito e envio à missão. Ela será também o local onde, vigilantes, esperamos sua vinda gloriosa. 
A comunidade vive a fé no Ressuscitado.
A comunidade é o Cenáculo onde o Cristo pode vir e fazer-se presente. A manifestação do Ressuscitado provoca a fé dos discípulos. A profissão de fé de Tomé é a maior: “Meu Senhor e Meu Deus”! É a primeira vez que Jesus é chamado de Deus, fora do prólogo do Evangelho de João. A comunidade reunida é o lugar próprio para o acolhimento do Ressuscitado na fé. Crer em Jesus é um dom do Espírito. Os discípulos que não viram Jesus, creem porque aceitaram os sinais que Jesus fez para que acreditassem. Todos os que creem, sem ter visto, são felizes, isto é, realizam em si a plenitude da fé, na esperança. A celebração pascal acende nossa fé em Cristo e em sua manifestação na comunidade.

EVANGELHO DO DIA 28 DE DEZEMBRO

Evangelho segundo S. Mateus 2,13-18.
Depois de os Magos partirem, o Anjo do Senhor apareceu em sonhos a José e disse-lhe: «Levanta-te, toma contigo o Menino e sua Mãe e foge para o Egipto; fica lá até que eu te diga, pois Herodes vai procurar o Menino para O matar».José levantou-se de noite, tomou consigo o Menino e sua Mãe e partiu para o Egipto e ficou lá até à morte de Herodes, para se cumprir o que o Senhor anunciara pelo profeta: «Do Egipto chamei o meu filho». Quando Herodes percebeu que fora iludido pelos Magos, encheu-se de grande furor e mandou matar em Belém e no seu território todos os meninos de dois anos ou menos, conforme o tempo que os Magos lhe tinham indicado. Cumpriu-se então o que o profeta Jeremias anunciara, ao dizer: «Ouviu-se uma voz em Ramá, lamentos e gemidos sem fim: Raquel chora seus filhos e não quer ser consolada, porque eles já não existem». 
Da Bíblia Sagrada - Edição dos Franciscanos Capuchinhos - www.capuchinhos.org
Comentário do dia: 
Beato John Henry Newman (1801-1890), teólogo, fundador do Oratório em Inglaterra 
Sermão «The Mind of Little Children»; PPS II, 6 
«Mártires incapazes de confessar o nome do teu Filho e todavia glorificados pelo seu nascimento» (Postcommunio)
É de toda a justiça que celebremos a morte destes Santos Inocentes, porque ela é santa. Quando os acontecimentos nos aproximam de Cristo, quando sofremos por Cristo, esse é seguramente um privilégio imenso – qualquer que seja o sofrimento, mesmo que naquele momento não estejamos conscientes de estar sofrer por Ele. As crianças que Jesus tomou nos braços também não podiam compreender, nesse momento, de que condescendência admirável estavam a ser objecto; mas a bênção do Senhor era um privilégio real. Paralelamente, este massacre das crianças de Belém tem para elas lugar de sacramento: era a caução do amor do Filho de Deus para com aqueles que experimentaram esse sofrimento. Todos os que se aproximaram dele sofreram mais ou menos, pelo simples facto desse contacto, como se emanasse dele uma força secreta que purifica e santifica as almas através das penas deste mundo. Foi o caso dos Santos Inocentes. 
Verdadeiramente, a própria presença de Jesus tem lugar de sacramento: todos os seus actos, todos os seus olhares, todas as suas palavras comunicam a graça aos que aceitam recebê-la – quanto mais aos que aceitam tornar-se seus discípulos. Desde os inícios da Igreja, o martírio foi considerado como uma forma de baptismo, um verdadeiro baptismo de sangue, que tem a mesma eficácia sacramental que a água que regenera. Somos pois convidados a reconhecer estas crianças como mártires e a usufruir do testemunho da sua inocência.

São Gaspar de Búfalo, anjo da paz

Gaspar nasceu em Roma a 6 de janeiro de 1786, filho de Antônio e Anunciata Quarteroni. Foi companheiro de Vicente Strambi nas missões, o qual o definia como “terremoto espiritual”. O povo o chamava de “anjo da paz”, devido suas pregações serem pacíficas e caridosas. Com estas armas da paz e da caridade conseguiu conter os bandidos que proliferavam nas periferias de Roma. O Papa Leão XII recorreu a Gaspar de Búfalo devido a proliferação do banditismo, o qual, conseguiu amansar os mais temíveis bandidos. O Papa João XXIII definiu-lhe como: “Glória toda resplandecente do clero romano, verdadeiro e maior apóstolo da devoção ao Preciosíssimo Sangue de Jesus no mundo”. Em 1810, uma piedosa religiosa dizia que surgiria um zeloso sacerdote que sacudiria o povo da sua indiferença, mediante a propagação da devoção ao Precioso Sangue de Cristo. Naquele ano Gaspar de Búfalo, com dois anos de sacerdócio, tinha sido preso por ter rejeitado o juramento de fidelidade a Napoleão. Libertado do cárcere, após a queda de Napoleão, Gaspar recebeu de Pio VII a incumbência de se dedicar às missões populares pela restauração religiosa e moral do Estado Pontifício. Ele empreendeu essa nova cruzada em nome do Precioso Sangue de Jesus, tornando-se o ardoroso apóstolo desta devoção. Faleceu em Roma a 28 de dezembro de 1837, em um quarto em cima do Teatro Marcelo, São Vicente Palloti, seu contemporâneo, teve a visão de sua alma que subia ao encontro de Cristo, como uma estrela luminosa. A fama de sua santidade não demorou a atingir o mundo todo. Beatificado em 1904, foi canonizado por Pio XII em 1954. São Gaspar de Búfalo, rogai por nós!

CATARINA VOLPICELLI Religiosa, Fundadora, Beata 1839-1894

Catarina Volpicelli, Fundadora das Servas do Sagrado Coração, pertence à classe dos «apóstolos, dos pobres e marginalizados», que no século XIX para Nápoles foram um luminoso sinal da presença de Cristo «Bom Samaritano», que se aproxima de cada homem que sofre no corpo e no espírito, para derramar sobre suas feridas, o óleo da consolação e o vinho da esperança (cf. Missal Romano, 2° ed. Italiana, Roma 1983, Prefácio comum VIII, p. 3752). Nascida em Nápoles, no dia 21 de janeiro de 1839, Catarina recebeu no seio de sua família de alta burguesia, uma sólida formação humana e religiosa. No colégio educandário San Marcelino, sob a guia sábia de Margarida Salatino (futura fundadora com o Beato Ludovico da Casoria das Irmãs Franciscanas Elisabetinas Bigie), aprendeu letras, línguas e música, o que não era frequente para as mulheres do seu tempo. Guiada então pelo Espírito do Senhor, que lhe revelava o projecto de Deus através da voz dos sábios e santos directores espirituais, Catarina que, no entanto, julgava-se mais importante que a sua irmã, a brilhar na sociedade frequentando teatros e espectáculos de danças, renunciou com prontidão os efémeros valores de uma vida elegante e despreocupada, para aderir com generosa decisão a uma vocação de perfeita santidade. O encontro ocasional com o Beato Ludovico da Casoria em 19 de Setembro de 1854, em «La Palma» em Nápoles, foi como afirmou a mesma Bem-aventurada: «um momento singular de graça providencial, de caridade e de predilecção do S. Coração, enamorado pelas misérias de sua humilde serva».O Bem-aventurado a associou à Ordem Franciscana Secular e indicou como único objectivo de sua vida, o culto ao Sagrado Coração de Jesus, convidando-a para permanecer em meio à sociedade, na qual deveria «ser pescadora de almas». Guiada, então pelo seu confessor, o barnabita Pe. Leonardo Matera, em 28 de maio de 1859, Catarina entrou entre as Adoradoras Perpétuas de Jesus Sacramentado, saindo porém com pouco tempo, por graves motivos de saúde. O desígnio de Deus sobre Catarina era outro, havia bem entendido o Beato Ludovico da Casoria que muitas vezes dizia: «O Coração de Jesus é a tua obra, Catarina!». Sob a indicação do seu Confessor, Catarina conhece o bilhete mensal do Apostolado da Oração da França, recebendo através dele noticias detalhadas da nascente associação com o diploma de Zeladora, sendo o primeiro que chegou na Itália. Em Julho de 1867, Pe. Ramière visita o Palácio de Largo Petrone em Nápoles, onde Catarina pensava estabelecer a sede de suas actividades apostólicas, para «fazer renascer nos corações, nas famílias e na sociedade o amor por Jesus Cristo». O Apostolado da Oração, será o ponto central da espiritualidade de Catarina, que a impulsionará a cultivar o seu ardente amor pela Eucaristia, através do qual será instrumento de Acção Pastoral sob as dimensões do Coração de Cristo, abrindo-se a cada homem, sempre a serviço da Igreja, dos últimos e dos sofredores. Com as primeiras Zeladoras, no dia 1° de Julho de 1874, Catarina funda o novo Instituto das Servas do Sagrado Coração, aprovado antes pelo Cardeal Arcebispo de Nápoles, o Servo de Deus, Sisto Riario Sforza, e em seguida aos 13 de junho de 1890, pelo Papa Leão XIII, que concede à nova família religiosa o «Decreto de louvor». Preocupada pela sorte da juventude, abriu o orfanato das «Margherite», fundou uma biblioteca circulante e instituiu a Associação das Filhas de Maria, com a sábia guia da venerável Maria Rosa Carafa Traetto († 1890). Em breve tempo abriu outras casas: em Nápoles, no Palácio San Severo e depois na Sapienza, em Ponticelli, onde as Servas distinguiram-se na assistência às vítimas da cólera em 1884, em Minturno, em Meta di Sorrento e em Roma. Aos 14 de maio de 1884 o novo Arcebispo de Nápoles, o Cardeal Guglielmo Sanfelice, OSB, consagrou o Santuário dedicado ao Sagrado Coração de Jesus, que a Volpicelli havia construído ao lado da Casa Madre, destinando-o particularmente à adoração reparadora pedida pelo Papa, para sustentar a Igreja, num período difícil para a liberdade religiosa e para o anúncio evangélico. A participação de Catarina no primeiro Congresso Eucarístico Nacional, celebrado em Nápoles em 1891 (19-22 de Novembro) foi um acto culminante do Apostolado da Fundadora e das Servas do Sagrado Coração. Naquela ocasião, realizou uma rica exposição de paramentos sacros destinados às igrejas necessitadas, organizou a Adoração Eucarística na Catedral e foi a animadora daquele movimento, levando muitas pessoas à confissão e «Comunhão geral». Catarina Volpicelli morreu em Nápoles no dia 28 de Dezembro de 1894, oferecendo a sua vida pela Igreja e o Santo Padre. A causa de Beatificação e Canonização das eminentes testemunhas de caridade do Coração de Cristo, após a instrução do Processo Ordinário nos anos 1896-1902 na Cúria Eclesiástica de Nápoles, foi oficialmente introduzida naquele tempo, à Sagrada Congregação dos Ritos aos 11 de Janeiro de 1911. Em 25 de marco de 1945 o Santo Padre Pio XII, declarava as virtudes heróicas de Catarina, atribuindo-lhe o título de Venerável. Em 28 de junho de 1999, Sua Santidade João Paulo II, aprova a leitura do decreto da sua Beatificação. No dia 29 de abril de 2001 Sua Santidade Papa João Paulo II proclamou-a Bem-aventurada. No dia 6 Dezembro de 2008 o Santo Padre Papa Bento XVI dispõe a promulgação do Decreto a respeito do milagre para a Canonização. http://www.vatican.va

SANTOS INOCENTES

A Igreja honra como mártires este coro de crianças, vítimas do terrível e sanguinário rei Herodes, arrancadas dos braços das suas mães para escrever com o seu próprio sangue a primeira página do álbum de ouro dos mártires cristãos e merecer a glória eterna, segundo a promessa de Jesus: “Quem perder a vida por amor a mim há de encontrará-la.” Para eles a liturgia repete hoje as palavras do poeta Prudêncio: “Salve, ó flores dos mártires, que na alvorada do cristianismo fostes massacrados pelo perseguidor de Jesus, como um violento furacão arranca as rosas apenas desabrochadas! Vós fostes as primeiras vítimas, a tenra grei imolada, num mesmo altar recebestes a palma e a coroa.” O episódio é narrado somente pelo evangelista Mateus, que se dirigia principalmente aos leitores hebreus e, portanto, tencionava demonstrar a messianidade de Jesus, no qual se realizaram as antigas profecias: “Quando Herodes descobriu que os sábios o tinham enganado ficou furioso. Mandou matar em Belém e nos arredores todos os meninos de dois anos para baixo, conforme o tempo que ele tinha apurado pelas palavras dos sábios. Foi assim que se cumpriu o que o profeta Jeremias tinha dito: Em Ramá se ouviu um grito: coro amargo, imensa dor. É Raquel a chorar seus filhos; e não quer ser consolada, porque eles já não existem.” A origem desta festa é muito antiga. Aparece já no calendário cartaginês do século IV e cem anos mais tarde em Roma no Sacramentário Leonino. Hoje, com a nova Reforma Litúrgica, a celebração tem um carácter jubiloso e não mais de luto, como o era antigamente, e isto em sintonia com os simpáticos costumes medievais, que celebravam nestas circunstâncias a festa dos meninos do coro e do serviço do altar. Entre as curiosas manifestações temos aquela de fazer descer os cónegos dos seus lugares ao canto do versículo: “Depôs os poderosos do trono e exaltou os humildes.” Deste momento em diante, os meninos, revestidos das insígnias dos cónegos, dirigiam todo o ofício do dia. A nova liturgia, embora não querendo ressaltar o carácter folclórico que este dia teve no curso da história, quis manter esta celebração, elevada ao grau de festa por São Pio V, muito próxima da festa do Natal. Assim colocou as vítimas inocentes entre os companheiros de Cristo, para circundar o berço de Jesus Menino de um coro gracioso de crianças, vestidas com as cândidas vestes da inocência, pequena vanguarda do exército de mártires que testemunharão, com o sangue, a sua pertença a Cristo.

ORAÇÃO DE TODOS OS DIAS - 28 DE DEZEMBRO

Pe. Flávio Cavalca de Castro, 
redentorista
Oração da manhã para todos os dias
Senhor meu Deus, mais um dia está começando. Agradeço a vida que se renova para mim, os trabalhos que me esperam, as alegrias e também os pequenos dissabores que nunca faltam. Que tudo quanto viverei hoje sirva para me aproximar de vós e dos que estão ao meu redor.
Creio em vós, Senhor. Eu vos amo e tudo espero de vossa bondade.
Fazei de mim uma bênção para todos que eu encontrar. Amém. 
As reflexões seguintes supõem que você antes leu o texto evangélico indicado.

28 – Segunda-feira – Santos Ss. Inocentes, Antônio de Lérins, Teófila
Evangelho (Mt 2,13-18) “O Anjo do Senhor apareceu em sonho a José e disse-lhe: − Levanta-te, toma o menino e sua mãe e foge para o Egito! Fica lá até que eu te avise!”
Podemos imaginar que, naqueles dias, a vida de Maria e José foi de grande alegria cuidando do menino. A mensagem de Deus, dizendo que deviam fugir, foi uma surpresa. Mas, tenho certeza, não chegou a perturbar a paz do jovem casal, que punha toda a sua confiança no Senhor. Preciso aprender com eles a levar sustos sem me apavorar, agarrando-me firme e tranquilo na mão do Pai.
Oração
Senhor meu Deus, agradeço-vos porque minha vida tem sido em geral muito tranquila, ou pelo menos não muito difícil. Sei que, a qualquer hora, poderá haver imprevistos, e por isso vos peço a virtude da fortaleza, para continuar firme, sabendo que estais sempre comigo. Dai-me também aquele pouco de otimismo preciso para acreditar que, mais adiante tudo será melhor que o esperado. Amém.
 

domingo, 27 de dezembro de 2015

SAGRADA FAMÍLIA JESUS MARIA E JOSÉ

Nazaré no ano 0 : uma pequena aldeia com algumas dezenas de casas...

Sagrada Familia que pertenceu à Beata AlexandrinaCom uma população de cerca de 60.000 habitantes dos quais, entre 30 e 35 %, cristãos, Nazaré é hoje a mais importante cidade da Palestina.
É nos textos dos Evangelhos que ela é mencionada pela primeira vez.
Testemunhos arqueológicos indicam que se tratava de uma aldeia agrícola com cerca de duas centenas de habitantes, apenas. O que provavelmente explica por que não existem referências anteriores, e por que a aldeia não é citada entre as 45 cidades da Galiléia, enumeradas por Flavius Josèphe, nem entre as 63 outras, mencionadas no Talmude.
Mas não é por ela, uma simples aldeola, ser de tamanho insignificante que Natanael de Caná lança ao apóstolo Felipe a frase que se tornou célebre:
"De Nazaré pode sair algo de bom ?"(João 1, 46)...
Com efeito, por mais modesta que seja a povoação de Nazaré, trata-se de uma localidade de moradias principescas, ou, simplesmente, de personalidades, pois nela duas coisas são dignas de nota: a presença do “túmulo do Justo” no estilo daqueles próprios das nobres famílias da época, provando que Nazaré não era apenas uma aldeia de simples agricultores, pois lá ninguém teria tido os meios necessários para oferecer a si mesmo um túmulo tal ; a presença da “casa de Maria”: com efeito, a casa conservada em Loreto — e que  foi perfeitamente certificada como vinda de Nazaré — é uma casa de pedra de óptima execução, que os simples aldeões  de uma povoação rural não poderiam possuir...
A quem podiam, então, pertencer esta habitação e este túmulo, senão a pessoas de uma certa linhagem?
É preciso saber que em aramaico o termo nazor, ou nazir, quer dizer príncipe ou coroa, ou tonsura, e que os nazarenos, ou eram pessoas de linhagem importante, ou eram consagrados a Deus (tonsurados e que apenas usavam uma "coroa" de cabelos). Ora, em Nazaré viviam os descendentes do ramo principesco do norte, da ilustre família do rei Davi... (entre os quais José e Maria). Sabe-se também que esta linhagem davídica do Norte, que tinha reinado em Israel nos séculos passados, fora posta em cheque na época dos Macabeus, pois, desde então, não mais foram escolhidos os dirigentes da nação hebraica na família de Davi. E ao lugar para onde, modestamente, se retiraram os herdeiros desta principesca família desapossada, foi dado o nome de... Nazaré.
Torna-se então mais claro o reparo de Natanael acerca de Nazaré (João, 1, 46): ele não tem nada a ver com a insignificância da aldeia, mas sim com o malogro dos seus ilustres habitantes de uma linhagem davídica "decaída", que aí vivia, retirada das alamedas de um poder perdido... Sendo assim... O que é que poderia sair de bom de Nazaré...?

A vida da Sagrada Família em Nazaré

A realidade dominante do que terá sido a vida de Jesus, Maria e José em sua pequena cidade de Nazaré, onde José exerceu a profissão de carpinteiro, foi a simplicidade.
Se bem que de descendência ilustre, por parte de seus antepassados — pois descendia do rei David — a Sagrada Família levava uma vida modesta, em meio a uma numerosa parentela, constituindo um lar nem pobre, nem rico, ganhando o pão de cada dia com o suor de seu rosto, respeitando as leis administrativas e sociais de seu povo.
No ritmo da oração comunitária na sinagoga, os ritos e as numerosas festas religiosas do judaísmo (onde, entre outros, o rito da circuncisão, a festa das Tendas, a peregrinação ao templo de Jerusalém), a vida de oração da Sagrada Família era, exteriormente, a de todo bom israelita praticante daquela época.
Portanto, por trás da modéstia deste comportamento respeitoso dos usos e costumes de sua cultura, a Sagrada Família vivia uma realidade tão grandiosa que apenas o silêncio  e a discrição poderiam assegurar, ao Lar de Nazaré, a serenidade necessária ao desenvolvimento do plano de Deus, o nascimento do Messias, tão esperado pelo povo hebreu, depois de tantos séculos.  Serenidade também para zelar pela infância e adolescência de Jesus, o Cristo Salvador do mundo,  até que ele alcançasse sua plena maturidade de homem e pudesse iniciar sua vida pública e a pregação de seu Evangelho.
Foi efectivamente na humilde morada de Nazaré que começaram a se desenrolar, entre os membros da Sagrada Família, as primeiras páginas do Novo Testamento que o Céu, em seu Verbo, se fez carne e veio se doar aos homens, por amor  e pela salvação de todos.
O testemunho do Cristo e de seus pais demonstra, também, o imenso resplendor que pode atingir uma vida familiar comum, vivenciada em Deus, na simplicidade e num grande amor compartilhado.