domingo, 27 de setembro de 2015

PLANTADOR DE ÁRVORES

PADRE CLÓVIS DE JESUS BOVO CSsR
Vice-Postulador da Causa-Venerável Padre Pelágio CSsR
Elezeardo perdeu a esposa e, logo em seguida, o filho único. Desconsolado, deixou sua chácara, levando apenas cinqüenta ovelhas, e se estabeleceu numa região muito deserta. Na vizinhança havia poucas casas, todas em ruínas. Os moradores, sem ter o que fazer, matavam o tempo brigando e fofocando. Ele viu tudo e concluiu: 
-Esta região vai virar deserto se nela não se plantarem árvores. 
Conseguiu milhares de mudas de carvalho, que foi plantando por onde passava. Três anos depois, havia plantado cem mil pés. Ao morrer, com 89 anos, deixou formada uma das florestas mais férteis da França. O que aconteceu ainda? As inúmeras raízes que se ramificaram embaixo da terra, retendo as águas da chuva, fizeram brotar minas de água que foram formando riachos. Com a irrigação natural, surgiram os prados e as flores. Os pássaros voltaram a povoar a região. As palhoças foram reconstruídas. E a vida voltou onde reinava a desolação. O nome desse herói desconhecido é Elezeardo Bouffier (+1947). 
Para refletir: Também nós podemos ajudar a transformar o mundo. Descubramos meios e modos. > Palavra de Deus: Alegrem-se o deserto e a terra árida, regozije-se a estepe e floresça. Que ela floresça como a flor do campo... (Is 35,1). 
Oração: Senhor! Em meio ao burburinho do dia agitado, dá-me a calma das altas montanhas. Alivia a tensão dos meus nervos, para poder ouvir a música do regato murmurante. Ensina-me como ter um sono tranqüilo e restaurador. Ensina-me a parar um pouco para olhar uma flor... conversar com um amigo... acariciar um cão... ler um bom livro... contemplar as estrelas...Torna-me mais tranqüilo, Senhor! Inspira-me como mergulhar fundo as minhas raízes no terreno dos valores eternos. Amém.

Homilia do 26º Domingo Comum (27.09.15) “A liberdade do Espírito Santo”

PADRE LUIZ CARLOS DE OLIVEIRA CSsR
Ninguém é dono de Jesus
Onde está o Reino de Deus?  Está onde age o Espírito. Na liturgia desse domingo temos dois momentos diferentes com o mesmo ensinamento. O primeiro, no Livro dos Números, quando os setenta anciãos convocados por Moisés para partilhar de sua missão, receberam o Espírito e começaram a profetizar. O segundo, estavam fora do grupo e profetizavam. Foram avisar a Moisés que respondeu a Josué: “Quem dera que todo o povo do Senhor fosse profeta e que o Senhor lhe concedesse o seu espírito” (Nm 11, 25-29). O mesmo fato se repete com Jesus. Havia um homem que fazia milagres em seu nome não pertencia ao grupo dos discípulos. João diz que o proibiu. Jesus respondeu: “Não o proibais, pois ninguém faz milagres em meu nome para depois falar mal de mim. Quem não é contra nós, é a nosso favor” (Mc 9,38-39). Aprendamos destes dois fatos um ensinamento sobre o Reino de Deus e a ação do Espírito Santo.  Ninguém é dono do Espírito. O Reino é maior que nossas estruturas eclesiais. A Igreja tem uma missão recebida de Jesus com toda autoridade para anunciar o Reino e reconhecer onde está sua ação. Há quem diga na Igreja que, quem não é como sou não está no Reino de Deus e não pertence à Igreja. Às vezes não é nem por causa de dogmas de fé, mas de tradições criadas, políticas eclesiásticas, culturas que envolveram a Igreja. O dinamismo do Reino é incontrolável. Ninguém é dono do Espírito Santo. Quem busca Deus na sinceridade de seu coração, pratica a justiça e quer a paz, vive o Evangelho de um modo diverso, às vezes melhor que nós. Não podemos confundir a instituição com o Reino. Temos toda a doutrina e a verdade, mas se não as vivermos, podemos nos colocar fora. Muitos fiéis que ousaram renovar a Igreja, foram excluídos e até mortos. E temos ainda muito destes entraves na Igreja.
Reino em pequenos gestos
 Os judeus esperavam um Messias diferente do pensamento de Jesus. Valiam os grandes gestos, as belas manifestações... Jesus diz que um copo d’água não perderá sua recompensa. O Reino se manifesta nos gestos que fazemos. Há gestos que destroem os pequeninos do Reino: o escândalo. Jesus usa um termo forte: “Seria melhor que fosse jogado no mar com uma pedra de moinho amarrada ao pescoço” (Mc 9,42). Aqui vemos os tantos escândalos que são dados aos pequenos e fracos. Uma rede de televisão disse que não era religiosa e, por isso, podia passar o que quisesse. Assim perverte a mente e o coração. Melhor seria jogá-la no mar. Todos têm obrigação de evitar tudo que possa fazer mal ao outro. Os membros da Igreja, com seus escândalos, devem olhar a pedra de moinho. E Jesus vai mais longe. O que em nós for causa de pecado, seja a mão, o pé ou o olho, significando as ações más, os maus caminhos e o desejo de coisas perniciosas que impedem o Reino, devem ser cortados. Não o membro, mas a atitude que conduz à morte.
As lágrimas do Reino
O Reino de Deus esteve sempre encharcado das lágrimas dos sofredores que deram a vida como o Cristo e das lágrimas dos que comem o pão da amargura e da exploração dos poderosos. Jesus dizia: “Como é difícil ao rico entrar no Reino de Deus” não por ser rico e ter poder, mas por não ter a sabedoria e não deixar agir o Espírito de Deus. Tiago é duro com os ricos que não cumprem suas obrigações de pagar os salários e vivem luxuosamente. Isso é uma desgraça. O Espírito age onde quer, mas desde que seja a favor de Cristo. Ninguém é dono e não queira fazer uma igrejola para si.
Leituras: Números 11,25-29;Salmo 18; Tiago 5,1-6; Marcos 9,38-43.45.47-48 
1.    A liturgia apresenta dois casos que nos ensinam que ninguém é dono do Reino de Deus e de Jesus. O Reino de Deus é maior que a instituição Igreja que tem a missão de anunciar e proclamar onde Ele se encontra. Ninguém é dono do Espírito. Quem busca Deus com sinceridade de coração está no Reino. A Igreja tem toda a doutrina e graça. É preciso viver, para não ficar fora do Reino, como Jesus fala no Evangelho. 
2.   Jesus mostra que o Reino acontece nos pequenos gestos, não nas manifestações gloriosas. O gesto de dar um copo d’água tem sua recompensa. Mas também todo escândalo é condenado. Vemos como os meios de comunicação primam por escandalizar. Jesus diz em cortar a mão, o pé e arrancar o olho. Isso significa que as más ações, os maus caminhos e o desejo de coisas perniciosas devem ser eliminados. Não o membro, mas a atitude conduz à morte. 
3.   O Reino de Deus está encharcado das lágrimas dos sofredores que deram a vida por Cristo, como também dos explorados. Tiago não condena a riqueza, mas a exploração. O Espírito age onde quer, mas desde que seja a favor de Cristo. 
         Dieta de emagrecimento espiritual 
Às vezes queremos ser donos de Deus e controlar quem está com Ele. Jesus é modelo também aqui, pois não exige que só possa fazer o bem quem está com Ele. Quem faz o bem, o faz sempre com Jesus e para o Pai. Isso aconteceu porque tinha gente fazendo milagres usando o nome de Jesus. Deus age onde quer.
Será recompensada qualquer pessoa que tenha atenção para com os outros, como dar um copo de água a um pequenino. Religião não é um compartimento, é um modo de vida.
Se fizer bem dá tanto resultado, fazendo o mal, o resultado é também grande. Escandalizar, isto é, mostrar o caminho do mal aos pequenos, é um crime hediondo. Devemos evitar para valer fazer qualquer tipo de mal. Jesus até explica que é melhor perder a parte de nosso corpo que leva para o mal do que viver com ela e ser condenado. É preciso desbastar em nós tudo o que engorda o mal. Vai bem uma dieta espiritual.
Tiago cita a condição dos que são ricos à custa do sofrimento dos outros. É uma situação de pecado. O que ofende o povo humilde, ofende a Deus. É dura e real a frase: “O salário dos trabalhadores que ceifaram vossos campos, que deixastes de pagar, está gritando, e o clamor dos trabalhadores chegou aos ouvidos do Senhor todo poderoso”.

EVANGELHO DO DIA 27 DE SETEMBRO

Evangelho segundo S. Marcos 9,38-43.45.47-48.
Naquele tempo, João disse a Jesus: «Mestre, nós vimos um homem a expulsar os demónios em teu nome e procurámos impedir-lho, porque ele não anda connosco». Jesus respondeu: «Não o proibais; porque ninguém pode fazer um milagre em meu nome e depois dizer mal de Mim. Quem não é contra nós é por nós. Quem vos der a beber um copo de água, por serdes de Cristo, em verdade vos digo que não perderá a sua recompensa. Se alguém escandalizar algum destes pequeninos que creem em Mim, melhor seria para ele que lhe atassem ao pescoço uma dessas mós movidas por um jumento e o lançassem ao mar. Se a tua mão é para ti ocasião de escândalo, corta-a; porque é melhor entrar mutilado na vida do que ter as duas mãos e ir para a Geena, para esse fogo que não se apaga. E se o teu pé é para ti ocasião de escândalo, corta-o; porque é melhor entrar coxo na vida do que ter os dois pés e ser lançado na Geena. E se um dos teus olhos é para ti ocasião de escândalo, deita-o fora; porque é melhor entrar no reino de Deus só com um dos olhos do que ter os dois olhos e ser lançado na Geena, onde o verme não morre e o fogo nunca se apaga». 
Da Bíblia Sagrada - Edição dos Franciscanos Capuchinhos - www.capuchinhos.org
Comentário do dia: 
São Clemente de Roma (c. 35-c. 100), papa 
Da carta aos Coríntios 7-9 
A graça da conversão
Fixemos o nosso olhar no sangue de Cristo e compreenderemos como é precioso aos olhos de Deus seu Pai, esse sangue que, derramado para nossa salvação, ofereceu ao mundo inteiro a graça da conversão. Percorramos todas as gerações, e veremos que em todas elas o Senhor concedeu «o tempo favorável da penitência» (Si 17,24) a todos os que a Ele quiseram converter-se. Noé proclamou a penitência, e os que o escutaram foram salvos. Jonas anunciou aos ninivitas a destruição iminente da cidade, mas eles, fazendo penitência pelos seus pecados, aplacaram a ira de Deus com as suas orações e obtiveram a salvação, apesar de não pertencerem ao povo de Deus. 
Nunca faltaram ministros da graça divina que, inspirados pelo Espírito Santo, pregaram a penitência. O próprio Senhor do Universo falou da penitência, empenhando as suas palavras com juramento: «Por minha vida, diz o Senhor, não quero a morte do pecador, mas antes que se converta e viva» (Ez 18,23). E acrescentou esta admirável sentença: «Deixa de praticar o mal, ó Casa de Israel. Diz aos filhos do meu povo: Ainda que os vossos pecados cheguem da terra ao céu, ainda que sejam mais vermelhos que o escarlate e mais negros que o cilício, se vos converterdes a Mim de todo o coração e disserdes "Pai", Eu vos tratarei como um povo santo» (cf Is 1,16-20; Ne 9,1). [...] 
Querendo levar à conversão todos aqueles a quem amava, confirmou esta sentença com a sua vontade omnipotente. Por isso, devemos obedecer à sua magnífica e gloriosa vontade. Imploremos humildemente a sua misericórdia e benignidade, prostremo-nos, refugiemo-nos na sua clemência e convertamo-nos sinceramente, abandonando as obras más, as contendas e as invejas que conduzem à morte.

VICENTE DE PAULO coluna da Igreja e do Estado

Amparou pobres e nobres empobrecidos, foi conselheiro de soberanos, defendeu a Igreja contra as heresias da época. 
 ***** 
— Quanto tens em caixa? 
— O necessário para alimentar a comunidade durante um dia. 
— Isto quer dizer quanto? 
 — Cinquenta escudos. 
— Ah, bem! Dê-me, pois estou precisando. 
E lá se foram os cinquenta últimos escudos, para os nobres da Lorena. O elitista francês que desta maneira raspou a caixa da Instituição para dar o dinheiro aos nobres empobrecidos da Lorena, nasceu em Dax, próximo da Espanha, em 24 de abril de 1581. Sabe-se que São Vicente de Paulo era de família humilde, e que trilhou descalço os caminhos, cuidando dos seus animais. Sua infância é praticamente desconhecida. Ordenado sacerdote com 19 anos, desempenhou um papel importantíssimo na história da Igreja na França. Em 1610, a Rainha Margarida de Valois, cuja piedade se igualava ao mundanismo, aceitou-o entre seus conselheiros e capelães esmoleres. Nessa época fez o propósito de dedicar o resto da vida aos necessitados, entretendo seu amor ao próximo no Coração de Jesus Cristo e em uma profunda devoção a Nossa Senhora, que honrava de mil maneiras por numerosas preces e peregrinações. 
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ORAÇÃO DE TODOS OS DIAS - 27 DE SETEMBRO

Pe. Flávio Cavalca de Castro, redentorista
Oração da manhã para todos os dias 
Senhor meu Deus, mais um dia está começando. Agradeço a vida que se renova para mim, os trabalhos que me esperam, as alegrias e também os pequenos dissabores que nunca faltam. Que tudo quanto viverei hoje sirva para me aproximar de vós e dos que estão ao meu redor.
Creio em vós, Senhor. Eu vos amo e tudo espero de vossa bondade.
Fazei de mim uma bênção para todos que eu encontrar. Amém. 
As reflexões seguintes supõem que você antes leu o texto evangélico indicado.
27 ─ 26º Domingo ComumSantos: Vicente de Paulo, Fidêncio, Florentino 
Evangelho (Mc 9,38-43.45.47-48) “Em verdade eu digo: quem vos der a beber um copo de água, porque sois de Cristo, não ficará sem recompensa.” 
Nessa passagem Marcos apresenta temas diversos, ligados por uma associação de ideias e palavras. Vamos destacar apenas um. Muitos, que não pertencem a nossa comunidade, anunciam Jesus como Salvador, e convidam a seguir sua doutrina. É preciso reconhecer o bem que fazem, e não apenas condenar seus desvios. Outros, mesmo não sendo cristãos, são movidos pelo dom da caridade, e procuram fazer o bem para o próximo, e temos de reconhecer que alguns fazem até mais do que nós. Não podemos olhá-los como adversários, concorrentes ou inimigos. Vamos aceitar sua colaboração e dar-lhes nosso apoio, orar por eles, pedindo que Deus os proteja, conserve na procura do bem e da verdade, e os leve à plena salvação. 
Oração
Senhor Jesus, quereis a salvação de todos, e para isso viestes até nós, para nos oferecer uma vida nova, na união com a Trindade e no amor entre nós. Depois de tanto tempo, ainda há muitos que não vos conhecem, nem ouviram falar sobre vós. Mesmo assim cuidais deles, agis continuamente em seu coração, convidando-os e levando-os a procurar o bem e a verdade. Hoje vos peço por eles de modo especial. Ajudai-os para que, mesmo em circunstâncias desfavoráveis, se deixem levar por vós. Dai-lhes a recompensa de seu amor e de sua generosidade, que possam ser felizes agora e para sempre junto de vós. Reconheço que também eu sou responsável por eles, e quero ajuda-los ainda que seja só com minhas orações e meu testemunho de vida. Amém.

sábado, 26 de setembro de 2015

FEZ BEM O QUE TINHA DE FAZER

PADRE CLÓVIS DE JESUS BOVO CSsR
Vice-Postulador da Causa-Venerável Padre Pelágio CSsR
Hoje os redentoristas celebram o nascimento do beato Gaspar Stangassinger, que está para ser canonizado. Nasceu na cidadezinha alemã de Berchtesgaden. Foi o segundo de 16 irmãos. Ordenou-se padre e manifestou a vontade de vir trabalhar no Brasil. Mas foi designado para Formador dos seminaristas. Morreu dia 26 de setembro de 1899, com apenas 28 anos, em conseqüência de uma apendicite supurada. Não fez coisas extraordinárias. Mas foi extraordinário na maneira de executar as coisas ordinárias. Antes de sua ordenação sacerdotal redigiu um programa de vida, digno de um herói na santidade. Foi beatificado dia 26 de setembro de 1988 pelo Papa João Paulo II.
Beato Gaspar Stangassinger

26 DE SETEMBRO – DOIS SANTOS: GÊMEOS DE CORPO E DE ALMA

São Cosme e São Damião sofreram o martírio durante a perseguição de Diocleciano (284-305). Foram açoitados e em seguida decapitados, porque se recusaram a sacrificar aos ídolos. Tiveram seus nomes incluídos no Cânon da Missa e são invocados como protetores contra as doenças do corpo e da alma.Estes dois santos existiram realmente, embora sua vida esteja enfeitada com muitas lendas. Eram gêmeos de corpo e de alma. Um chegava a adivinhar o pensamento do outro. Ambos formaram-se médicos e ambos se dedicaram integralmente ao cuidado do próximo, sem nenhum interesse financeiro.  Como bons médicos que eram, sua fama se espalhou por todos os recantos. Jamais cobravam dos pobres. Certa vez houve um desentendimento entre os dois. Damião havia curado uma senhora e esta, por gratidão, quis dar-lhe uma recompensa: três ovos... O caridoso doutor não quis aceitar. Ela insistia e ele resistia. Por fim, para não desagradar a paciente, aceitou. Mas seu irmão Cosme não gostou. Achou que Damião não devia ter aceito nada. Foi a primeira e última briguinha. Logo depois morreram mártires, sob o império de Diocleciano.
PADRE CLÓVIS DE JESUS BOVO CSsR
Vice-Postulador da Causa-Venerável Padre Pelágio CSsR
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REFLETINDO A PALAVRA - “Entrai pela porta estreita”

PADRE LUIZ CARLOS DE OLIVEIRA CSsR
Religião complica a vida?
            Jesus caminha para Jerusalém, onde completará sua missão em sua entrega ao Pai e em sua glorificação. No caminho alguém lhe pergunta: “Senhor, é verdade que são poucos os que se salvam?” (Lc 13,23). A questão da salvação é sempre um mistério. Isso não justifica que inventemos soluções, mas as procuremos no próprio Jesus, que é o único salvador. Surgiram muitos salvadores no correr da história. O próprio imperador romano se dizia salvador do povo. Mesmo hoje aparecem salvadores prometendo salvação. É o próprio Jesus quem responde: “Fazei todo o esforço para entrar pela porta estreita” (24). Não adianta somente ter estado com Jesus, dizer que comeram e beberam com Ele. Ou escutaram sua doutrina. Ou mesmo ter nome de cristão. Não é a religião que salva. ‘Entrei nessa religião ou nesse grupo, estou salvo’. O que salva é o fazer o que Ele propõe. Ele não aceita os que praticam a injustiça. Por aí já temos uma solução. Quem vai se salvar são aqueles que, mesmo sem conhecer a Deus como conhecemos, fizeram o que Deus quer. A porta é estreita, mas é aberta para todos os que queiram praticar a justiça, como ouvimos na Palavra de hoje: Todos que assim fizerem, mesmo que não tenham recebido o anúncio da Igreja, estarão passando pela porta estreita. A religião não é complicada, somos nós que nos complicamos. Vemos tantas leis e tantos mandamentos. Jesus condensa tudo no amor. Não é complicado. O peso da religião vem de nossa canseira provocada pelo egoísmo e orgulho. Deus quer que todos cheguemos à salvação por meio de Jesus. A liberdade de ser salvo nos liberta de todas as cadeias. Quanto mais de Jesus, mais pura a religião.
Um Reino para todos
            Jesus afirma: “Virão homens do oriente e do ocidente, do norte e do sul, e tomarão lugar à mesa do Reino de Deus”. O profeta Isaías anuncia essa visão universalista que foi uma questão complicada para o povo de Israel e às vezes o é para os cristãos. Os judeus tinham uma visão estreita, dando-se o direito de serem o único povo de Deus, mesmo diante de uma profecia tão linda como essa de Isaías. Perdeu a noção de profeta das nações. Deus escolheu um povo para si e para cumprir uma missão e não para ser dono de um Deus. Corremos o mesmo risco de nos fecharmos em um esquema de trazer os povos para nós e não levar o evangelho para os povos. Por aí podemos ver os erros da evangelização. Somos culpados pelo fato de tantos povos estarem distantes do evangelho. Eles têm as sementes do Evangelho. A nós compete ajudá-los a fazê-las crescer e anunciar as riquezas da graça de Deus. Deus é justo, é santo. Praticar a justiça é viver conforme essa justiça e santidade de Deus. Se não acreditarmos em um Deus para todos, como seria a situação dos outros? Jesus acentua “que últimos serão primeiros e primeiros serão últimos” (Lc 13,30).
            Deus corrige a quem ama
            A Palavra de Deus na carta aos Hebreus acentua uns elementos a mais que contribuem para entender a porta estreita: “Não desprezes a educação do Senhor, não desanimes quando Ele te repreender; pois o Senhor corrige a quem Ele ama e castiga a quem aceita como filho” [...] “Qual é o Filho a quem o pai não corrige?” (Hb 12,5-7). Por aqui podemos perceber que há um caminho não difícil ou impossível. A vida tem que ser atenta a encontrar os melhores caminhos, superar as dificuldades e vencer os erros que cometemos na caminhada. Isso é a educação de Deus. Pode ser duro, mas a porta é estreita. A comunidade reunida para a celebração é sempre uma escola de bom aprendizado.

EVANGELHO DO DIA 26 DE SETEMBRO

Evangelho segundo S. Lucas 9,43b-45.
Naquele tempo, estavam todos admirados com tudo o que Jesus fazia. Então Ele disse aos discípulos: «Escutai bem o que vou dizer-vos. O Filho do homem vai ser entregue às mãos dos homens». Eles, porém, não compreendiam aquelas palavras; eram misteriosas para eles e não as entendiam. Mas tinham medo de O interrogar sobre tal assunto. 
Da Bíblia Sagrada - Edição dos Franciscanos Capuchinhos - www.capuchinhos.org
Comentário do dia: 
São Pedro Crisólogo (c. 406-450), bispo de Ravena, doutor da Igreja 
Sermão 108; PL 52, 499 
«Eles, porém, não entendiam aquela linguagem»
Escutai o que o Senhor vos pede: «Se ignorais a minha divindade, reconhecei ao menos a minha humanidade. Vede em Mim o vosso corpo, os vossos membros, as vossas entranhas, os vossos ossos, o vosso sangue. E se o que pertence a Deus vos inspira temor, não vos agradará o que vos pertence a vós? [...] Mas talvez a enormidade da minha Paixão, da qual sois a causa, vos cubra de vergonha. Não temais. Esta cruz não foi mortal para Mim, mas para a morte. Estes pregos não Me penetram de dores, mas de um amor ainda mais profundo por vós. Estas feridas não provocam gemidos, mas fazem-vos entrar ainda mais no meu coração. O esquartejar do meu corpo abre-vos os meus braços como um refúgio, não aumenta o meu suplício. O meu sangue não está perdido por mim, mas guardado para vosso resgate (Mc 10,45). 
Vinde pois, voltai para Mim e reconhecei o vosso Pai, vendo que Ele vos paga o mal com o bem, os insultos com o amor, e tão grandes feridas com uma tão grande caridade.»

Bem-aventurado LUÍS TEZZA Fundador das Irmãs Filhas de São Camilo, +1923

Luís Tezza nasceu em 1º de novembro de 1841, na cidade de Conegliano, na Itália. Sua família era muito religiosa e gozava de boa situação financeira. Seus pais chamavam-se Augusto e Catarina Nedwiedt. Seu pai era médico e sua mãe era uma santa mulher, cuidava de casa. Devido questões de trabalho de Augusto, a família muda-se para Veneza, ele foi exercer medicina no hospital São João e São Paulo de Veneza. Passado um ano e meio, Augusto novamente é transferido, foi para um município de Veneza, para onde levou sua família. O pequeno Luís amava e admirava muito seu pai, Augusto, pois era um homem muito bom. No exercício de sua profissão foi capaz de curar e confortar a muitas pessoas doentes. O exemplo dele mais tarde refletiu na vida de se filho. Quando Luís tinha oito anos de idade, seu pai faleceu, no dia 11 de janeiro de 1850. Com a morte de Augusto, o pequeno Luís e sua mãe retornam para a cidade natal, Conegliano, permanecendo juntos dos parentes e familiares. Ali o jovem Luís começou os estudos fundamentais. Em certa ocasião, ainda bem jovenzinho, ele escreveu ao Padre Luís Artini, camiliano, superior da Casa Santa Maria del Paradiso, em Verona. O jovem manifestava o desejo de conhecer o carisma e a espiritualidade camiliana e conversar pessoalmente com o Padre Artini. 
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Beato Gaspar Stanggassinger, presbítero, +1899

Padre Gaspar foi uma pessoa alegre, bondosa, espelho do grande amor de Deus. Morreu jovem, com apenas 28 anos, quatro anos depois de ter sido ordenado padre. 
Em abril deste ano foram comemorados os 27 anos de sua beatificação no Santuário de Gars na Alemanha, onde estão depositados os restos mortais do religioso. O missionário foi proclamado beato pelo Papa João Paulo II no dia 24 de abril de 1988. 
Alemão, nasceu em uma família numerosa; o segundo de 12 irmãos. Na infância brincava de ser padre, pregando sermões para seus irmãos e fazendo procissões até uma capela perto de sua casa. Entrou no seminário com 10 anos e lá viveu uma vida abnegada, de oração e serviço aos irmãos. 
Desejava ardentemente ser missionário, mas em obediência aos seus superiores, exerceu seu ministério como formador dos futuros missionários. 
Beato Gaspar Stanggassinger era alegre, bondoso, serviçal, educado, animado e trabalhador. Excelente professor, amigo e compreensivo com os alunos que enfrentavam problemas. 
Sua vida é um estímulo e um exemplo, especialmente para todos os que trabalham na Pastoral da Juventude e na Pastoral Vocacional. 
Faleceu no dia 26 de setembro de 1899. 
Em 1935, a Congregação do Santíssimo Redentor começou a sua causa de canonização e, no dia 24 de abril de 1988, Stanggassinger foi proclamado beato pelo Santo Padre, o Papa João Paulo II.  
Foto: www.klostergars.de.
Urna onde estão os restos mortais do Beato Gaspar Stanggassinger na Alemanha. 

- Nasceu em 1871, Berchtersgaden, Sul da Alemanha
- Entrou para no seminário de Munique e Freising em 1890
- Entrou para o noviciado redentorista de Gars em 1892
- Ordenado sacerdote, em Regensburg, no ano de 1895
- Faleceu no dia 26 de setembro de 1899
- No dia 24 de abril de 1988 foi proclamado beato pelo Santo Padre, o Papa João Paulo II.

Beato Paulo VI, Papa, +1978

O Papa Paulo VI (em latim: Paulus PP. VI; em italiano: Paolo VI), nascido Giovanni Battista Enrico Antonio Maria Montini (Concesio, 26 de setembro de 1897 – Castelgandolfo, 6 de agosto de 1978) foi o Sumo Pontífice da Igreja Católica Apostólica Romana e Soberano da Cidade do Vaticano de 21 de junho de 1963 até a sua morte. Sucedeu ao Papa João XXIII, que convocou o Concílio Vaticano II, e decidiu continuar os trabalhos do predecessor. Promoveu melhorias nas relações ecumênicas com os Ortodoxos, Anglicanos e Protestantes, o que resultou em diversos encontros e acordos históricos. Montini serviu no Departamento de Estado do Vaticano de 1922 a 1954. Enquanto esteve no Departamento de Estado, Montini e Domenico Tardini foram considerados os colaboradores mais próximos e influentes do Papa Pio XII, que o nomeou, em 1954, arcebispo da Arquidiocese de Milão, um cargo que fez dele automaticamente Secretário da Conferência de Bispos Italianos. João XXIII elevou-o ao Colégio de Cardeais em 1958, e após a morte de João XXIII, Montini foi considerado um dos mais prováveis sucessores. Escolheu o nome Paulo, para indicar que tinha uma missão mundial renovada de propagar a mensagem de Cristo. Ele reabriu o Concílio Vaticano II, que fora automaticamente fechado com a morte de João XXIII e lhe atribuiu prioridade e direção. Após ser concluído o trabalho no Concílio, Paulo VI tomou conta da interpretação e implementação de seus mandatos, frequentemente andando sobre uma linha entre as expectativas conflitantes de vários grupos da Igreja Católica. A magnitude e a profundidade das reformas, que afetaram todas as áreas da vida da Igreja durante o seu pontificado, excederam políticas reformistas semelhantes de seus predecessores e sucessores. Paulo VI foi um devoto mariano, discursando repetidamente a congressistas marianos e em reuniões mariológicas, visitando santuários marianos e publicando três encíclicas marianas. Paulo VI procurou diálogo com o mundo, com outros cristãos, religiosos e irreligiosos, sem excluir ninguém. Viu-se como um humilde servo de uma humanidade sofredora e exigiu mudanças significativas dos ricos na América e Europa em favor dos pobres do Terceiro Mundo. O seu ensinamento, na linha da tradição da Igreja, contrário à regulação da natalidade por métodos artificiais (ver Humanae Vitae) e a outras questões foram controversas na Europa Ocidental e na América do Norte; no entanto, o Pontífice foi elogiado em grande parte das Europas Oriental e Meridional, além da América Latina. Seu pontificado decorreu durante, certas vezes, mudanças revolucionárias no mundo, revoltas estudantis, a Guerra do Vietnã e outros transtornos. Paulo VI procurava entender todos os assuntos, mas ao mesmo tempo, defender o princípio do fidei depositum, uma vez que que lhe foi confiado. Paulo VI faleceu em 6 de agosto de 1978, na Festa da Transfiguração. O processo diocesano para a beatificação de Paulo VI iniciou em 11 de maio de 1993.Foi beatificado em 19 de outubro de 2014 pelo Papa Francisco

26 de Setembro - São Cosme e São Damião

Cosme e Damião eram irmãos e cristãos. Na verdade, não se sabe exatamente se eles eram gêmeos. Mas nasceram na Arábia e viveram na Ásia Menor, Oriente. Desde muito jovens, ambos manifestaram um enorme talento para a medicina. Estudaram e diplomaram-se na Síria, exercendo a profissão de médico com muita competência e dignidade. Inspirados pelo Espírito Santo, usavam a fé aliada aos conhecimentos científicos. Com isso, seus tratamentos e curas a doentes, muitas vezes à beira da morte, eram vistos como verdadeiros milagres. Deixavam pasmos os mais céticos dos pagãos, pois não cobravam absolutamente nada por isso. A riqueza que mais os atraía era fazer de sua arte médica também o seu apostolado para a conversão dos pagãos, o que, a cada dia, conseguiam mais e mais. Isso despertou a ira do imperador Diocleciano, implacável perseguidor do povo cristão. Na Ásia Menor, o governador deu ordens imediatas para que os dois médicos cristãos fossem presos, acusados de feitiçaria e de usarem meios diabólicos em suas curas. Mandou que fossem barbaramente torturados por negarem-se a aceitar os deuses pagãos. Em seguida, foram decapitados. O ano não pode ser confirmado, mas com certeza foi no século IV. Os fatos ocorreram em Ciro, cidade vizinha a Antioquia, Síria, onde foram sepultados. Mais tarde, seus corpos foram trasladados para uma igreja dedicada a eles. Quando o imperador Justiniano, por volta do ano 530, ficou gravemente enfermo, deu ordens para que se construísse, em Constantinopla, uma grandiosa igreja em honra dos seus protetores. Mas a fama dos dois correu rápida no Ocidente também, a partir de Roma, com a basílica dedicada a eles, construída, a pedido do papa Félix IV, entre 526 e 530. Tal solenidade ocorreu num dia 26 de setembro; assim, passaram a ser festejados nesta data. Os nomes de são Cosme e são Damião, entretanto, são pronunciados infinitas vezes, todos os dias, no mundo inteiro, porque, a partir do século VI, eles foram incluídos no cânone da missa, fechando o elenco dos mártires citados. Os santos Cosme e Damião são venerados como padroeiros dos médicos, dos farmacêuticos e das faculdades de medicina. 
(Retirado do livro "Datas Comemorativas", Paulinas Editora)

ORAÇÃO DE TODOS OS DIAS - 26 DE SETEMBRO

Pe. Flávio Cavalca de Castro, redentorista
Oração da manhã para todos os dias 
Senhor meu Deus, mais um dia está começando. Agradeço a vida que se renova para mim, os trabalhos que me esperam, as alegrias e também os pequenos dissabores que nunca faltam. Que tudo quanto viverei hoje sirva para me aproximar de vós e dos que estão ao meu redor.
Creio em vós, Senhor. Eu vos amo e tudo espero de vossa bondade.
Fazei de mim uma bênção para todos que eu encontrar. Amém. 
As reflexões seguintes supõem que você antes leu o texto evangélico indicado.
26 ─ Sábado ─ Santos: Cosme, Damião, Elzeário de Sabran 
Evangelho (Lc 9,43b-45) Todos estavam admirados com todas as coisas que Jesus fazia.” 
Vemos no evangelho que alguns assumiam as propostas de Jesus; outros entusiasmavam-se, mas depois o abandonavam; outros finalmente não o aceitavam de modo nenhum. Tendo recebido a graça de conhecer Jesus, devo tomar diante dele uma decisão pessoal, decisão que preciso renovar continuamente. Mas, só Deus pode conservar-me firme nessa aceitação e no seguimento fiel de Jesus. 
Oração
Senhor meu Deus, agradeço por conhecer Jesus, e porque me destes da graça da fé para me entregar a ele. Peço perdão por muitas vezes ter sido infiel a meu compromisso com ele. E agora em diante, com vossa ajuda, quero segui-lo mais de perto, vivendo de fato como ele ensinou. Prometo também que vou fazer o que puder para que outros o conheçam e amem, para ter vida e felicidade. Amém.

sexta-feira, 25 de setembro de 2015

PERDEU A VISTA MAS ENCONTROU A GRAÇA

PADRE CLÓVIS DE JESUS BOVO CSsR
Vice-Postulador da Causa-Venerável Padre Pelágio CSsR
Aquele senhor cego, que todos conhecem no bairro das pitas, já fez de tudo na vida: Bebeu, roubou, farreou, brigou, violou. Era o terror do lugar. Uma vez bateu num companheiro só por causa de um maço de cigarros. Aos 35 anos perdeu a vista e ganhou juízo. A cegueira foi um divisor de águas em sua história. Modificou a sua vida. Hoje, ele não perde missa, nem as reuniões da comunidade. Faz o bem e até orienta alguém com algum bom conselho. Costuma dizer:
- Agradeço a Deus porque me tirou a vista. Depois que fiquei cego, comecei a enxergar melhor o caminho do bem.

25 DE SETEMBRO: CLÉOFAS (ALFEU) TIO DE jESUS

A vida de São Cléofas esteve muito ligada com a de Jesus. Provavelmente era o pai de Tiago, o Menor, de José, de Simão e de Judas Tadeu. São primos do Senhor, pois Maria, mãe dos quatro, é esposa de Cléofas e irmã de Maria Santíssima. Cléofas teve o priviégio de caminhar com Jesus ressuscitado. Ao voltar para Emaús, depois das celebrações pascais junto com mais um discípulo, Jesus apareceu para eles incognitamente e com eles caminhou até Emaús. No caminho percebeu que estavam frustrados, assim como os outros apóstolos: "Nós esperávamos que fosse ele quem iria redimir Israel, mas..." Foi então que o desconhecido esclareceu tudo, explicando-lhes as Escrituras. Só no momento em que Ele partiu o pão, perceberam que era Jesus ressuscitado, pois o gesto foi idêntico ao da última ceia.Cléofas foi perseguido por seus conterrâneos por causa de sua fé inabalável no Messias ressuscitado. Segundo são Jerônimo, o martírio de Cléofas aconteceu pelas mãos dos judeus, que o detestavam por sua pregação cristã. Já no século IV, a casa de são Cléofas tinha sido transformada numa igreja.
PADRE CLÓVIS DE JESUS BOVO CSsR
Vice-Postulador da Causa-Venerável Padre Pelágio CSsR
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REFLETINDO A PALAVRA - “Somos partes do Corpo de Cristo”

PADRE LUIZ CARLOS
DE OLIVEIRA CSsR
422. Colocar-se a serviço na comunidade
A espiritualidade que se edifica a partir da comunidade bebe de uma fonte muito pura que é o serviço fraterno, como Jesus o fez, lavando os pés dos discípulos. A vida de comunidade só tem sentido se cada um se coloca a serviço do outro. É uma vantagem: Eu sou um que serve, servido por tantos outros que também servem. É por isso que Jesus diz que, “quem se humilha será exaltado” (Lc 14,11); E também: “O maior dentre vós torne-se o mais jovem, e o que governa como aquele que serve” (Lc 22,26). Como em um corpo, cada membro não tem razão de existir só para si, assim também no Corpo de Cristo, cada um existe no serviço aos outros. A Cabeça desse corpo, Jesus, colocou sua vida como serviço: “Eu estou entre vós como aquele que serve” (Lc 22,27). O Serviço de Cristo é integral: “Vim para que tenham vida e a tenham em abundância” – “o bom pastor dá a vida pelas suas ovelhas” (Jo 10,10.11). Ele prestou seu serviço doando-se. Não há serviços no Corpo de Cristo que não envolvam todo o ser. O serviço de Cristo é o modelo de serviço de cada um na comunidade: “Amai-vos como eu vos amei” (13,34); Se há uma intenção interior, existe uma atitude exterior. “Cada um recebe o dom de manifestar o Espírito para a utilidade de todos” (1Cor 12,7). O dom maior é o amor, que penetrará todas as atividades dos membros do Corpo de Cristo. O amor de serviço é a energia que une todos os membros. O Espírito transforma nosso ser para o outro em um ser para Deus.
422. Co-responsabilidade espiritual
O serviço vai além das atividades externas, mesmo feitas com todo o amor de Deus. Existe uma necessidade importante na vida desse corpo, dessa comunidade: a co-responsabilidade espiritual. Significa que eu sou responsável pela salvação dos outros. Daí nasce o empenho de anúncio da Palavra de Deus para que, crendo, tenham a vida eterna. Também somos responsáveis pelo bem espiritual de cada um que nos cerca. Criaremos assim um ambiente sadio onde estamos. Criaremos oportunidades de vida espiritual para as pessoas, usando métodos e caminhos espirituais. Uma comunidade que reza é uma comunidade de corpo sadio. Vamos além: poderemos criar a amizade espiritual na qual co-dividiremos nossas escolhas espirituais e trabalharemos juntos para a superação dos obstáculos e falhas que existirem. Eu sou responsável não só em trabalhar contra o mal, mas sobretudo e, mais ainda, em favor do bem e da vida divina em cada um. O Corpo de Cristo precisa de saúde espiritual e esta virá da saúde espiritual de cada membro.
423. Conversão na comunidade

Os fiéis, unidos a Cristo como em um corpo, padecem de sofrimentos e fragilidades. Cristo, ao assumir nossa natureza, sofreu as fraquezas de que ela padece, como se narra na carta aos Hebreus: “Não temos um sumo sacerdote incapaz de se compadecer das nossas fraquezas, pois ele mesmo foi provado em tudo como nós, com exceção do pecado” (Hb 4,15). Esses sofrimentos espirituais e corporais refletem em todo o Corpo de Cristo, a comunidade. O maior sofrimento é o pecado. Para esse a conversão é um remédio eficaz. À medida que nos convertemos de nossos pecados e curamos nossas fragilidades, trazemos à comunidade mais vida e maior vitalidade. A Igreja dispõe de muitos meios para se realizar essa conversão: o sacramento da penitência, a fuga do mal, as abnegações e renúncias que fazemos para que o bem habite em nós. Com toda a Igreja, Corpo de Cristo, nós nos alegramos por vê-la sempre mais purificada, sem rugas e manchas (Ef 5,27). Somos parte de um corpo que quer vida e vida abundante.

EVANGELHO DO DIA 25 DE SETEMBRO

Evangelho segundo S. Lucas 9,18-22.
Um dia, Jesus orava sozinho, estando com Ele apenas os discípulos. Então perguntou-lhes: «Quem dizem as multidões que Eu sou?». Eles responderam: «Uns, João Baptista; outros, que és Elias; e outros, que és um dos antigos profetas que ressuscitou». Disse-lhes Jesus: «E vós, quem dizeis que Eu sou?». Pedro tomou a palavra e respondeu: «És o Messias de Deus». Ele, porém, proibiu-lhes severamente de o dizerem fosse a quem fosse e acrescentou: «O Filho do homem tem de sofrer muito, ser rejeitado pelos anciãos, pelos príncipes dos sacerdotes e pelos escribas; tem de ser morto e ressuscitar ao terceiro dia». 
Da Bíblia Sagrada - Edição dos Franciscanos Capuchinhos - www.capuchinhos.org
Comentário do dia: 
Cardeal Joseph Ratzinger (Bento XVI, 
 Papa de 2005 a 2013) 
«Der Gott Jesu Christi» 
«O Filho do Homem tem de sofrer muito, ser rejeitado [...] morto e, ao terceiro dia, ressuscitar.»
Ser homem significa ser para a morte; ser homem significa ter de morrer. […] Viver neste mundo quer dizer morrer. «Fez-Se homem» (Credo) significa que também Cristo foi para a morte. A contradição que é própria da morte do homem atinge em Cristo a sua acuidade extrema porque, nele, que está em comunhão total com o Pai, o isolamento absoluto da morte é um puro absurdo. Por outro lado, nele, a morte tem também a sua necessidade; na verdade, o facto de estar com o Pai está na raiz da incompreensão que os homens Lhe testemunham, na raiz da sua solidão no meio das multidões. A sua condenação é o acto último da não-compreensão, da expulsão deste Incompreendido para uma zona de silêncio. 
De igual forma, pode-se entrever alguma coisa da dimensão interior da sua morte. No homem, morrer é sempre um acontecimento simultaneamente biológico e espiritual. Em Jesus, a destruição dos suportes corporais da comunicação quebra o seu diálogo com o Pai. Portanto, o que se rompe na morte de Jesus Cristo é mais importante do que em qualquer morte humana; nela é destruído o diálogo que é o verdadeiro eixo do mundo inteiro. 
Mas, tal como este diálogo O tinha tornado solitário e estava na raiz da monstruosidade desta morte, assim em Cristo a ressurreição está já fundamentalmente presente. Por ela, a nossa condição humana insere-se na partilha trinitária do amor eterno. Ela jamais pode desaparecer; para lá do limiar da morte, ergue-se de novo e recria a sua plenitude. Só a Ressurreição revela, pois, o carácter único e decisivo deste artigo da nossa fé: «Fez-Se homem.» […] Cristo é plenamente humano e sê-lo-á para sempre. Por Ele, a condição humana entrou no próprio ser de Deus; é esse o fruto da sua morte.

25 de Setembro - São Firmino ou Firmin Bispo (século III)

Firmino ou Firmin, como foi batizado, nasceu na Espanha, na cidade de Pamplona, na última metade do século III. Era filho de uma família rica, influente e bem firmada nos princípios do cristianismo. Mas foi na França que seu trabalho de evangelização destacou-se, de tal forma que foi considerado uma das figuras mais importantes da Igreja daquele tempo. Sua pregação era muito apreciada pelos fiéis. Fez tanto sucesso pelo seu conhecimento das verdades da fé que foi eleito pelo povo seu novo bispo. Isso aconteceu quando o sacerdote Honesto, já muito velho e cansado, não podia mais orientar os fiéis. Firmino, então, recebeu o sacramento da ordem e a sagração episcopal, em Toulouse, dando início ao seu apostolado de evangelização, que pretendia acabar com as trevas do paganismo. Por ser um exemplo de fé e virtude, Firmino conseguiu grande fama, e suas peregrinações foram incansáveis nas cidades francesas como Age e Auvergne, Angers, Beuvais e, finalmente, Amiens, onde conseguiu a conversão de milhares e milhares de pagãos, que aceitaram a doutrina do Senhor. Os casos mais incríveis foram de Arcádio e Rômulo, implacáveis perseguidores de Firmino, os quais, diante da santidade e firmeza na fé do bispo, por suas palavras e intercessões prodigiosas, acabaram tocados pela graça de Deus e converteram-se a Jesus Cristo. Era uma época em que a perseguição contra os cristãos apresentava uma fúria implacável e violência impiedosa. Por isso Firmino despertou a ira de seus opositores pagãos, como o governador romano Valério, que, desejando que o povo voltasse a cultuar os deuses pagãos, mas temendo uma revolta, pois tinham verdadeira veneração pelo bispo, mandou prendê-lo e decapitá-lo sem julgamento oficial. O bispo Firmino morreu no ano 290. A ele foram concedidas as honras de "Apóstolo das Gálias", por seu trabalho como evangelizador. Seu zelo e sua dedicação pela evangelização na atual França fizeram-no merecedor do título que a Igreja lhe consagrou. Seu corpo repousa na catedral francesa de Amiens. São Firmino é amplamente festejado pelo povo espanhol e francês, motivo pelo qual seu culto foi muito difundido no mundo cristão, que o comemora no dia de sua morte. Texto: Paulinas Internet

25 de Setembro - Santo Alberto de Jerusalém Bispo (1150-1214)

Alberto nasceu no ano 1150 em Parma, na Itália, no seio da rica e nobre família Avogrado, dos condes Sabbioneta. Ainda muito jovem, resolveu deixar a vida mundana da Corte, ingressando no Convento dos Cônegos de Santo Agostinho de Mortara, em Pavia. Em pouco tempo, foi eleito prior pelos companheiros e, em 1184, foi nomeado bispo de Bobbio, cargo que recusou porque não se achava preparado e à altura da função. Porém essa não era a opinião do papa Clemente III, que nesse mesmo ano o encarregou de assumir o bispado de Vercelli. Assim, Alberto não teve como recusar. Assumiu a missão com tanta vontade de fazer um bom ministério que ficou na função por 20 anos, levando o povo local a uma vida de penitência, oração e caridade. Era sempre tão conciliador e justo na intermediação de causas que o imperador Frederico Barbaroxa solicitou seus préstimos para solucionar uma disputa entre Parma e Piacenza, em 1194. Com sua intervenção junto à Sé, em Roma, a desavença chegou ao fim rapidamente. Passados mais alguns anos de trabalho, em 1205 Alberto foi nomeado Patriarca de Jerusalém, cargo que também só aceitou por insistência do papa Inocêncio III. O argumento usado pelo Papa foi definitivo: a Palestina sofria uma pressão fortíssima por parte dos muçulmanos e era preciso ter, entre os católicos, alguém com carisma e disciplina de "mão forte", pois havia o risco do desaparecimento do cristianismo naquela região. Alberto não fugiu da responsabilidade, mas como Jerusalém estava sob domínio dos árabes sarracenos, foi para lá em 1206, fixando residência na cidade de Acra. Foi necessário pouco tempo para que ele reconduzisse as ovelhas desgarradas ao rebanho, ganhando o respeito tanto dos cristãos como dos árabes muçulmanos. Ele foi o Patriarca da Palestina durante oito anos. E durante esse período reuniu todos os eremitas de Monte Carmelo, redigindo ele mesmo as Regras para a comunidade. Morreu assassinado pelo professor e prior do Hospital do Espírito Santo, ao qual ele havia primeiro advertido e depois afastado, por suas atrocidades. Quando Alberto conduzia uma procissão, o malfeitor investiu contra ele com um punhal, matando-o na frente de todos os fiéis. Era o dia 14 de setembro de 1214. Na última mudança no calendário litúrgico feita pela Igreja, o dia 25 de setembro foi escolhido para a celebração do mártir santo Alberto, Patriarca de Jerusalém. Texto: Paulinas Internet