segunda-feira, 28 de julho de 2014

AFONSA DA IMACULADA CONCEIÇÃO a primeira indiana canonizada 1910-1946

Annakutty (diminutivo de Ana) Muttathupadathu nasceu em uma aldeia de Kudamalur, na Índia, a 19 de agosto de 1910. Seu batismo foi feito no rito católico siro-malabar. Foi ela a última de cinco filhos, em uma família cristã de origem nobre. Tendo ficado órfã de mãe aos três meses de idade, foi criada por uma tia materna, recebendo a educação de um tio sacerdote. A avó materna a iniciou na fé, incutindo-lhe o amor pela oração já na primeira infância, pois com a idade de 5 anos já conduzia aos orações nocturnas em sua casa, costume do rito oriental ao qual a família pertencia. Aos sete anos recebeu a Primeira Eucaristia, e gostava de comentar com as amigas: “sabem por que estou tão feliz hoje? É porque tenho Jesus no coração”. A irmã de sua falecida mãe, que a criava, insistia com ela para que se casasse aos 13 anos com um notário (na Índia eram — e continuam sendo — muito comuns os casamentos programados por familiares sem que os nubentes participem da decisão). Porém seu coração já estava entregue a Deus: queria tornar-se religiosa. Chegou a pôr o pé sobre brasas incandescentes (queimando-se gravemente) ao concluir que tornando-se parcialmente desfigurada o nenhum homem se interessaria por ela. O incidente teve o resultado esperado: sua tia desistiu da intenção de casá-la. Ajudada pelo Pe. James Muricken, que a introduziu na espiritualidade franciscana, ingressou Annakutty no noviciado das religiosas clarissas em 1927, e em 1936 fez a profissão perpétua, tendo por nome religioso Afonsa da Imaculada Conceição (alusão a Santo Afonso Maria de Ligório cuja festividade se comemorava no dia). Sua constituição orgânica frágil levou-a a passar por muitos sofrimentos físicos, os quais enfrentava com resignação. Um dos calvários pelos quais passou foi o desejo de suas superioras para que ela voltasse para casa, já que sua delicada saúde era considerada um obstáculo para a vida religiosa, mas com a ajuda celeste esse problema foi superado. A despeito de suas limitações físicas, a penitência era-lhe motivo de admiração: “para cada pequena falta pedirei perdão ao Senhor e a expiarei com uma penitência; sejam quais forem os meus sofrimentos, não me lamentarei jamais, e quando tiver de enfrentar qualquer humilhação procurarei refúgio no Sagrado Coração de Jesus”, registrou Afonsa em seus escritos. A pequena via de Santa Teresinha do Menino Jesus foi o caminho que seguiu, porém em meio a grandes sofrimentos orgânicos que se abateram sobre sua frágil saúde. Faleceu em 28 de julho de 1946 em Bharananganam (Kerala), no convento das clarissas, pronunciando os nomes de Jesus, Maria e José. Foi ela beatificada por João Paulo II em 8 de fevereiro de 1986 e canonizada por Bento XVI em 12 de outubro de 2008. No momento da canonização, ocorrida no Vaticano, numerosos cristãos, hindus e muçulmanos reuniram-se junto a seu túmulo em Bharananganam. 

PEDRO POVEDA CASTROVERDE Sacerdote, Fundador, Mártir, Santo 1874-1936

Nasceu em Linares (Jaén) em 3 de Dezembro de 1874, onde recebeu o Baptismo uma semana depois e a Confirmação em 5 de Abril de 1875. Era ainda muito novo quando sentiu a atracção pelo sacerdócio e, aos dez anos, manifestou o seu desejo de entrar no Seminário, mas só o conseguiu depois de terminar o segundo curso de Bacharelato e com a condição de ter, ao mesmo tempo, estudos civis e eclesiásticos. Em 1893 obteve o Bacharelato, mas nele ia crescendo, também, a caridade para com os pobres dos arredores da cidade e pelos numerosos emigrantes que trabalhavam nas minas da região. Por dificuldades económicas da famíla, aliadas à enfermidade do pai, transferiu-se para o Seminário de Guadix (Granada), onde lhe foi concedida uma bolsa de estudos pelo Bispo da Diocese. Ali terminou os seus estudos e em 17 de Abril de 1897, Sábado Santo, foi ordenado sacerdote na capela da Paço Episcopal. Ocupou diversos cargos na Diocese, ao mesmo tempo que continuava os seus estudos, tendo obtido a Licenciatura em Teologia no ano de 1900. Dedicou-se à pregação e a uma acção social em favor da população local, promovendo humana e cristãmente várias actividades que a libertassem do desemprego, fome, analfabetismo e solidão. Foi ajudado pela entidades públicas e particulares para construir as "Escolas do Sagrado Coração de Jesus", para pagar aos Professores, dar de comer a alguns alunos, criar cursos nocturnos, oficinas para os adultos, numa grande tarefa humanitária, educativa e de formação profissional e cristã. Guadix reconheceu este trabalho, nomeando-o "Filho adoptivo predilecto" e dando o seu nome a uma rua da cidade. Perante as dificuldades encontradas, transferiu-se para Madrid, sempre a pensar nos mais pobres e nas crianças da rua, mas também ali não pôde desenvolver a sua acção. Nomeado Cónego da Basílica de Santa Maria de Covadonga, aí permaneceu durante sete anos. Preocupou-se com o atendimento dos peregrinos, escreveu livros sobre a vida cristã e a oração para orientar a vida espiritual dos mesmos e, aí, descobriu uma nova vocação, a que ia dar novo sentido à sua vida: a importância da função social da educação e que os mestres estivessem bem preparados profissionalmente e fossem coerentes e responsáveis, solidários e cooperadores. Transferiu-se para Jaén, onde foi professor do Seminário e de Escolas Normais. Aí conheceu a Serva de Deus Maria Josefa Segóvia, que foi sua principal colaboradora e, depois, primeira Directora-Geral da Instituição Teresiana, Obra que se desenvolveu e, em 1914, fundou a primeira residência universitária feminina da Espanha. Era uma instituição laical complexa, com um núcleo plenamente comprometido na entrega a Jesus Cristo e em missão de colaboração com outras instituições e que colocou sob o patrocínio de Santa Teresa de Jesus. Mestre de oração, pedagogo da vida cristã e das relações entre a fé e a ciência, Pedro Poveda soube oferecer a sua Instituição para a formação integral da mulher-estudante, convencido de que os cristãos podiam e deviam dar à sociedade do seu tempo pontos de vista, valores e compromissos para a construção de um mundo mais justo e solidário. Nos anos difíceis da perseguição à Igreja na Espanha, tornou-se um grande defensor da não-violência, dizendo que "a mansidão, a afabilidade e a doçura são as virtudes que conquistam o mundo". Apesar disso, foi preso depois de ter celebrado a Santa Missa em 27 de Julho de 1936, declarando aos que o procuravam: "sou sacerdote de Jesus Cristo". Na manhã seguinte, encontraram o seu cadáver junto da capela de um cemitério, com sinais de que tinha sido baleado. Foi beatificado por João Paulo II em Roma, a 10 de Outubro de 1993 e canonizado pelo mesmo Papa em Madrid, no dia 4 de Maio de 2003.

INOCÊNCIO I Papa e Santo + 417

Inocêncio I era italiano, nasceu em Albano, uma província romana do Lazio. Ele foi eleito no ano 401 e governou a Igreja por dezasseis anos, num período dos mais difíceis para o cristianismo. A sua primeira actividade pastoral foi uma intervenção directa no Oriente, exortando a população de Constantinopla a seguir as orientações do seu bispo, são João Crisóstomo, e assim viver em paz. Mas um dos maiores traumas de seu pontificado foi a invasão e o saque de Roma, cometidos pelos bárbaros godos, liderados por Alarico. Roma estava cercada por eles desde o ano 408 e só não tinha sido invadida graças às intervenções do papa junto a Alarico. Pressionado pelo invasor, e tentando salvar a vida dos cidadãos romanos, Inocêncio viajou até a diocese de Ravena, onde se escondia o medroso imperador Honório. O papa tentava, há muito tempo, convencê-lo a negociar e conceder alguns poderes especiais a Alarico, para evitar o pior, que ele saqueasse a cidade e matasse a população. Não conseguiu e o saque teve início. Foram três dias de roubo, devastação e destruição. Os bárbaros respeitaram apenas as igrejas, por causa dos anos de contacto e mediação com o papa Inocêncio I. Mesmo assim, a invasão foi tão terrível que seria comentada e lamentada depois, por santo Agostinho e são Jerónimo. Apesar de enfrentar inúmeras dificuldades, conseguiu manter a disciplina e tomou decisões litúrgicas que perduram até hoje. Elas se encontram na inúmera correspondência deixada pelo papa Inocêncio I. Aliás, com essas cartas se formou o primeiro núcleo das colecções canónicas, que faz parte do magistério ordinário dos pontífices, alvo de estudos ainda nos nossos dias. Também foi ele que estabeleceu a uniformidade que as várias Igrejas devem ter com a doutrina apostólica romana. Além disso, estratificou em forma e conteúdo a doutrina dos sacramentos da penitência, da unção dos enfermos, do baptismo e do casamento. Durante o seu pontificado difundia-se a heresia pelagiana, condenada no ano 416 pelos concílios regionais de Melevi e de Cartago, convocados por iniciativa de santo Agostinho e com aprovação do papa Inocêncio I, que formalmente sentenciou Pelágio e seu discípulo Celestino. O papa Inocêncio I morreu no dia 28 de julho de 417, sendo sepultado no cemitério de Ponciano, na Via Portuense, em Roma.

NAZÁRIO E CELSO Mártires, Santos (século I)

Nazário nasceu em Roma, ainda no primeiro século da era cristã. O pai era um pagão e chamava-se Africano. A mãe, de nome Perpétua, era uma católica fervorosa. Enquanto ele desejava tornar o filho um sacerdote a serviço de um dos muitos deuses pagãos, ela o queria temente a Deus, no seguimento de Cristo, por isso o educou dentro da religião católica. Assim, com apenas nove anos de idade, o menino pediu para ser batizado, definindo a questão e sendo atendido pelo pai, que algum tempo depois também se converteu. Nazário foi batizado pelas mãos do próprio papa são Lino, o primeiro sucessor de são Pedro, que fez dele um dos seus auxiliares diretos. Ingressou no exército romano e com ele percorreu toda a Itália, onde também pregava o Evangelho. Mas, ao ser descoberto, foi levado à presença do imperador, que o mandou prender. Conseguindo fugir, abandonou Roma e tornou-se um pregador itinerante, até que, durante um sonho, Deus lhe disse para sair da Itália. Assim, foi para a Gália, hoje França, sempre pregando a palavra de Cristo. Em Cimiez, próximo de Nice, depois de converter uma nobre e rica senhora e seu filho, um adolescente de nome Celso, ela confiou o jovem a Nazário, que o fez seu discípulo inseparável. Juntos, percorreram os caminhos da Gália, deixando para trás cidades inteiras convertidas, pois, durante as suas pregações, aconteciam muitos milagres na frente de todos os presentes. Depois, foram para Treves, atualmente Trier, na Alemanha, onde fundaram uma comunidade cristã que se tornou tão famosa que os dois acabaram sendo denunciados e presos. Condenados à morte, foram jogados na confluência dos rios Sarre e Mosel. E novo milagre ocorreu: em vez de afundar, os dois flutuaram e andaram sobre as águas. Assustados, os pagãos não tentaram mais matá-los, apenas os expulsaram do país. Nazário e Celso foram, então, para Milão, onde mais uma vez viram-se vítimas da perseguição pagã, imposta pelo imperador Nero. Presos e condenados, desta vez foram decapitados em praça pública. Passados mais de dois séculos, em 396, os corpos dos dois mártires foram encontrados pelo próprio bispo de Milão, Ambrósio, também venerado pela Igreja. Durante suas orações, teve uma visão, que lhe indicou o local da sepultura de Nazário. Mas, para surpresa geral, a cabeça do mártir estava intacta, com os cabelos e a barba preservados, e ainda dela escorria sangue, como se fora decapitado naquele instante. A revelação foi mais impressionante porque, durante as escavações, também encontraram o túmulo do jovem discípulo Celso, martirizado junto com ele. Também foi por inspiração de santo Ambrósio que esta tradição chegou até nós, pois ele a contou a são Paolino de Nola, seu discípulo e biógrafo. As relíquias de são Nazário e são Celso foram distribuídas às igrejas de várias cidades da Itália, França, Espanha, Alemanha, África e Constantinopla. Dessa maneira, a festa dos dois santos difundiu-se por todo o mundo católico, sendo celebrados no dia em que santo Ambrósio teve a revelação: 28 de julho.

Beata Maria Teresa Kowalska, virgem e mártir, +1941

Nasceu em Varsóvia em 1902. Desconhece-se o nome e a profissão dos seus pais. Recebeu a sua primeira Comunhão no dia 21 de Junho de 1915, e o sacramento da Confirmação no dia 21 de Maio de 1920. O seu pai, simpatizante socialista, foi para a União Soviética na década de 1920 com grande parte da família. Aos 21 anos, recebe a graça da vocação religiosa. Ingressou no Mosteiro das Clarissas Capuchinhas de Przasnysz no dia 23 de Janeiro de 1923. Tomou o hábito no dia 12 de Agosto de 1923 e recebeu o nome de Maria Teresa do Menino Jesus. Emitiu a sua primeira profissão no dia 15 de Agosto de 1924 e a profissão perpétua no dia 26 de Julho de 1928. Era uma pessoa delicada e doente, mas disponível para todos e para tudo. No Mosteiro servia a Deus com devoção e piedade. Com o seu modo de ser conquistava o carinho de todos, diz uma das irmãs. Gozava de grande respeito e consideração por parte das superioras e das outras irmãs. Exerceu vários ofícios: porteira, sacristã, bibliotecária; Mestra de noviças e Conselheira. Maria Teresa vive a sua vida religiosa em silêncio, totalmente dedicada a Deus, com grande entusiasmo. Um dia este serviço a Deus foi posto a dura prova. No dia 2 de Abril de 1941, os alemães irromperam no Mosteiro e prenderam todas as irmãs, levando-as para o Campo de concentração de Dzialdowo. Entre elas estava a Irmã Maria Teresa, doente com tuberculose. As 36 irmãs ficaram presas no mesmo local e suportaram umas condições de vida que ofendiam a dignidade humana: ambiente sujo, fome terrível, terror contínuo. As irmãs observavam com horror a tortura a que eram submetidas outras pessoas ao mesmo tempo, entre as quais se encontravam o Bispo de Plock, A. Nowowiejski e L. Wetmanski, e muitos outros sacerdotes. Depois de passar um mês naquelas condições de vida, a saúde das irmãs debilitou-se. A Irmã Maria Teresa foi uma das que mais se ressentiu, que pelo menos se mantinha de pé. Sobreveio-lhe uma hemorragia pulmonar. Faltava não só o serviço médico mas também a água para matar a sede e para a higiene. Suportou o sofrimento com coragem e, até onde lhe foi possível, rezou junto com as restantes irmãs. Outras vezes rezava ela sozinha. Durante a prova, e consciente da proximidade da morte, dizia: “Eu, daqui, não sairei; entrego a minha vida para que as irmãs possam regressar ao Mosteiro”. Isso mesmo dizia à abadessa: “Madre, ainda falta muito?”. Morreu na noite de 25 de Julho de 1941. Desconhece-se o paradeiro dos seus restos mortais.

S. Vítor I, papa, +199

Vítor I nasceu África. É algo incerta a cronologia deste papa. Alguns, seguindo o historiador Eusébio, fazem-no reinar até o ano 202. Teria morrido mártir na quinta perseguição, que foi movida nesse ano pelo imperador Sétimo Severo, ou então pouco antes, numa sublevação de pagãos. Declarou que água comum, de fonte, de poço, de chuva, do mar, etc... pode, no caso de necessidade, servir para a administração do babtismo. Isto prova que já era costume, em tempo de paz, usar-se a água benta com a celebração do baptismo. Sob S. Vítor a questão da data pascal, de novo agitada, deu mais brilho à supremacia do Bispo de Roma. A Igreja conservara do ritual judaico o uso de se consagrarem a Deus vários dias festivos. O sábado (a festa semanal judaica) foi cedo substituído pelo domingo em memória do dia da Ressurreição do Senhor. As festas hebraicas caíram em desuso, menos Pentecostes e Páscoa. Por esta é que se estabelecia todo o calendário judaico cristão. Na Ásia era a Páscoa celebrada no 14º dia do plenilúnio de março. Em Roma pretendia-se que a festa fosse sempre num domingo. O papa, examinando a opinião das demais Igrejas, fixou a Páscoa para o domingo seguinte ao 13º dia do plenilúnio de março. Mais tarde, 130 anos depois, o memorável Concílio de Nicéia (325) deu plena razão a S. Vítor.

EVANGELHO DO DIA 28 DE JULHO

Evangelho segundo S. Mateus 13,31-35.
Naquele tempo, Jesus disse ainda à multidão a seguinte parábola: «O Reino do Céu é semelhante a um grão de mostarda que um homem tomou e semeou no seu campo. É a mais pequena de todas as sementes; mas, depois de crescer, torna-se a maior planta do horto e transforma-se numa árvore, a ponto de virem as aves do céu abrigar-se nos seus ramos.» 
Jesus disse-lhes outra parábola: «O Reino do Céu é semelhante ao fermento que uma mulher toma e mistura em três medidas de farinha, até que tudo fique fermentado.» Tudo isto disse Jesus, em parábolas, à multidão, e nada lhes dizia sem ser em parábolas. Deste modo cumpria-se o que fora anunciado pelo profeta: Abrirei a minha boca em parábolas e proclamarei coisas ocultas desde a criação do mundo. 
Da Bíblia Sagrada - Edição dos Franciscanos Capuchinhos - www.capuchinhos.org
Comentário do dia: 
Papa Francisco 
Exortação apostólica «Evangelii Gaudium / A alegria do evangelho» §§111-114 (trad. © copyright Libreria Editrice Vaticana, rev.) 
«O Reino do Céu é semelhante ao fermento»
Todo o povo de Deus anuncia o evangelho. A evangelização é dever da Igreja. Este sujeito da evangelização, porém, é mais do que uma instituição orgânica e hierárquica; é, antes de tudo, um povo que peregrina para Deus. […] 
A salvação, que Deus realiza e a Igreja jubilosamente anuncia, é para todos, e Deus criou um caminho para Se unir a cada um dos seres humanos de todos os tempos. Escolheu convocá-los como povo, e não como seres isolados (Vaticano II, LG 9). Ninguém se salva sozinho, isto é, nem como indivíduo isolado, nem pelas suas próprias forças. Deus atrai-nos, no respeito pela complexa trama de relações interpessoais que a vida numa comunidade humana pressupõe. Este povo, que Deus escolheu para Si e convocou, é a Igreja. Jesus não diz aos Apóstolos para formarem um grupo exclusivo, um grupo de elite. Jesus diz: «Ide, pois, fazei discípulos de todos os povos» (Mt 28,19); e São Paulo afirma que no povo de Deus, na Igreja, «não há judeu nem grego […], porque todos sois um só em Cristo Jesus» (Gal 3,28). Gostaria de dizer àqueles que se sentem longe de Deus e da Igreja, aos que têm medo e aos indiferentes: o Senhor também te chama para seres parte do seu povo, e fá-lo com grande respeito e amor! 
Ser Igreja significa ser povo de Deus, de acordo com o grande projecto de amor do Pai. Isto implica ser o fermento de Deus no meio da humanidade; quer dizer anunciar e levar a salvação de Deus a este nosso mundo, que muitas vezes se sente perdido, necessitado de ter respostas que encorajem, que dêem esperança e novo vigor para o caminho. A Igreja deve ser o lugar da misericórdia gratuita, onde todos possam sentir-se acolhidos, amados, perdoados e animados a viver segundo a vida boa do Evangelho. 

FAZER O BEM SEM OLHAR A QUEM

PADRE CLÓVIS DE JESUS
BOVO CSsR
Era uma vez dois lenhadores que trabalhavam juntos, cortando e empilhando lenha até o escurecer. Cada um fazia a sua pilha para buscar no dia seguinte. Um deles era mais pobre e tinha mais filhos. O outro, em situação melhor, ia de noite até as suas pilhas de lenha e passava alguns paus para a pilha do mais pobre. Ele notava a diferença cada vez. Quem seria esse anjo bom? Ou alguém que, no escuro, não via onde colocava a sua lenha? Resolveu desvendar o mistério. Uma noite foi à mata e ficou à espreita, escondido atrás de uma árvore. Viu tudo. Era o seu amigo, de maiores posses, que fazia essa caridade anônima, aumentado a sua pilha de lenha.

28 DE JULHO - UNIDOS NA PREGAÇÃO E NA MORTE

Nazário e Celso foram dois grandes evangelizadores que se encontraram providencialmente. Nazário nasceu em Roma, ainda no primeiro século da era cristã. O pai era pagão e a mãe, uma cristã fervorosa. Nazário foi batizado por São Lino, mais tarde, eleito papa e primeiro sucessor de são Pedro. Ingressando no exército romano, percorreu toda a Itália, pregando o Evangelho clandestinamente. Mas foi preso ao ser descoberto. Conseguindo fugir, abandonou Roma e tornou-se um pregador itinerante. Lá encontrou-se com Celso e sua mãe. Preparou-os para o batismo. Celso tornou-se seu discípulo e companheiro na evangelização. Juntos, percorreram a Gália, convertendo cidades inteiras.Morreram mártires.
PADRE CLÓVIS DE JESUS BOVO CSsR
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REFLETINDO A PALAVRA - “Família, um dom de Deus”

PADRE LUIZ CARLOS
DE OLIVEIRA CSsR
Caminhos de Deus
          Deus não fez nada difícil nem complicado. O ser humano, por mais bem feito que tenha sido feito, está tão ao alcance da mão e do coração. Um olhar é tudo, um grito de dor é uma destruição. O ser humano se fez família, o que é seu normal. Tantos desequilíbrios que sofremos nos tempos atuais podem ter suas raízes na ausência de uma família. Falando de família, temos que lembrar seu sentido maior, não só no egoísmo reduzido de três pessoas sem parentes. Na África pude ver a extensão da família compreendendo, tios, sobrinhos, cunhadas viúvas etc... Paulo VI, dizia que temos muito a aprender da sabedoria dos povos menos desenvolvidos. A família é o caminho que Deus oferece para o ser humano viver e sobreviver. É um dom a ser acolhido com alegria e gratidão. É bom ter para onde dirigir nosso coração O próprio Jesus, na sua encarnação, no seu modo de ser salvador, não constituiu família carnal, mas desenvolveu-se numa família. Ser família é ter condição para o pleno desenvolvimento espiritual e humano. Há problemas, mas o bem e o bom ainda superam. A própria vida sofrida em Nazaré, com as ameaças do Herodes e a fuga para o Egito, por mais que sejam modos de apresentar as verdades, não deixam de mostrar o quanto foi difícil ao casal Maria e José educar seu Menino. Assim nós podemos, em qualquer circunstância construir uma família. Por isso acreditamos nas pessoas que vão ao altar. Ele podem construir uma família por maiores que sejam as dificuldades.
Feitos de barro, mas cheios de ouro.
          É muito bom para nós, sabermos, que a família é frágil, cheia de dificuldades e problemas. É bom que seja assim. O homem é frágil, feito de barro, inacabado, sempre podendo se desenvolver e crescer. Quem constitui a família são o homem e a mulher nesta condição de fragilidade. A família também pode sempre crescer e se fazer sempre melhor. É uma abertura ao infinito. Quando Deus diz ao homem, crescei e multiplicai-vos e enchei a terra, está dando início ao este futuro. Nós pensamos que o casamento é o maior dia do matrimonio. É o ponto de partida que pode ser belo, mas inicial. Daí para frente é crescer como pessoa e como família, sendo um para o outro estímulo ao crescimento. O namoro é um passo importante para a descoberta do outro para aprender esta estrada de contínuo conhecimento e crescimento. Em Nazaré Jesus crescia em estatura, idade e graça diante de Deus e dos homens (Lc 2,29) O fato de Jesus ir para o Egito, mais que uma história está a indicar que Ele está reiniciando a história do novo povo, iniciando um novo crescimento.
Amor com amor se cura

          A Palavra de Deus faz uma descrição das virtudes familiares. Essas se sintetizam no amor. Esse amor vai ao mais concreto da vida matrimonial na solicitude e no respeito, no carinho para com os velhos que já perderam a lucidez. O respeito é tão valioso que é a razão de a oração ser atendida. Quem honra o pai e a mãe terá alegria com seus próprios filhos e, no dia em que orar, será atendido (Eclo 3,7). Quem respeita o pai terá vida longa (8). A caridade para com o pai... servirá para reparar os pecados. Que a Sagrada Família seja para nós uma bênção e um estímulo.

ORAÇÃO DE TODOS OS DIAS - 28 DE JULHO

Pe. Flávio Cavalca de Castro, redentorista
Oração da manhã para todos os dias

Senhor meu Deus, mais um dia está começando. Agradeço a vida que se renova para mim, os trabalhos que me esperam, as alegrias e também os pequenos dissabores que nunca faltam. Que tudo quanto viverei hoje sirva para me aproximar de vós e dos que estão ao meu redor.
Creio em vós, Senhor. Eu vos amo e tudo espero de vossa bondade.
Fazei de mim uma bênção para todos que eu encontrar. Amém.  
As reflexões seguintes supõem que você antes leu o texto evangélico indicado.
28 ─ Segunda-feira ─ Santos Sansão, Eustádio, Décio 
Evangelho (Mt 13,31-35) “O Reino dos Céus é como uma semente de mostarda que um homem pega e semeia no seu campo.” 
Mais de uma vez já ficamos desanimados ao ver que nós, cristãos, não temos muito peso no mundo atual. Em parte, não temos influência maior porque não assumimos nossas responsabilidades. Mas também é verdade que, como o próprio Jesus disse, nossa força evangelizadora é como o grão de mostarda ou o pouco de fermento. Pode até não parecer, mas acabará mudando o mundo. 
Oração
Senhor, creio que estais presente entre nós, agindo através de nós para transformar a humanidade. Se eu contasse só com minhas forças, bem que poderia desanimar. Aumentai minha confiança em vosso poder, dai-me coragem para novas iniciativas, e que eu continue tentando ser mostarda e fermento. E, se alguma coisa não der certo, que eu tente de novo, certo que estais comigo. Amém.

domingo, 27 de julho de 2014

RAIMUNDO ZANFOGNI Viúvo, Fundador, Santo 1140-1200

Raimundo Zanfogni voltava com sua mãe da Terra Santa quando esta morreu. Tinha quinze anos quando retornou à sua terra natal, depois dessa viagem. Ele nasceu em Placência, Itália, no ano de 1140. Mais tarde, casou-se e teve cinco filhos, porém todos morreram no mesmo ano. Nasceu então um outro, Geraldo, forte e sadio, mas a esposa adoeceu e morreu quando o menino ainda era muito pequeno. Por isso decidiu deixar o filho com os sogros, que o educaram no seguimento de Cristo, e tornou-se um peregrino. Primeiro foi à Santiago de Compostela, depois a Roma, de onde seguiu para Jerusalém e voltou novamente para Roma. Mas aconteceu algo que o reconduziu a Piacenza. Dizia ter recebido um aviso divino de que deveria retornar e cuidar dos pobres de sua cidade. E ali, imediatamente, iniciou a sua obra. Raimundo passou a cuidar dos doentes e moribundos, num tempo em que não existia assistência aos necessitados. Fundou uma espécie de hospedaria-albergue, onde tratava a todos com dedicação e dignidade, enxergando em cada um deles a face de Cristo. Como não tinha muitas posses, tornou-se esmoler para manter suas obras. Freqüentava todos os dias as igrejas, pregava pelas ruas e fazia procissões com seus pobres, solicitando a caridade das pessoas. Logo ele passou a abrigar também as crianças abandonadas, que se tornaram a grande razão de sua vida. Além de dar abrigo e cuidado, afeto e carinho, ele catequizava a todos na doutrina cristã. Era um simples leigo, tinha pouca instrução, mas possuía o dom da sabedoria e pregava com autoridade. Por isso ele tomou a iniciativa de advertir publicamente o próprio bispo, que não se posicionava com firmeza diante dos problemas da cidade. Na época, Placência e Cremona passavam por constantes lutas, resultando em mortos inocentes. Servindo de mediador, Raimundo conseguiu solucionar o conflito. Tornou-se o protetor dos pobres e das vítimas dos abusos de todos os gêneros, que ele mesmo acompanhava aos tribunais defendendo-os na frente dos juízes insensíveis e prepotentes. As autoridades do governo, por fim, passaram a consultá-lo em todas as questões que envolviam os pobres. Faleceu no dia 27 de julho de 1200, entre seus pobres, e exortando ao filho Geraldo que se tornasse sacerdote, o que de facto ocorreu pouco tempo depois. Com fama de santidade em vida, foi sepultado próximo à capela dos Doze Apóstolos. Logo as notícias de graças e prodígios se espalharam pela região e a casa dos seus pobres, passou a ser chamada de Hospedaria de São Raimundo Zanfogni. Mas ele só foi canonizado em 1602, pelo papa Clemente VIII, que designou o dia de sua morte para a celebração litúrgica. 

MARIA MADALENA MARTINENGO Religiosa Capuchinha, Beata 1687-1737

Nasceu em Bréscia em 4 de outubro de-1687, filha de Leopardo, Conde Martinengo de Barco, e Margarida, da família dos condes Secchi de Aragão. Ficou órfã de mãe com um ano. Foi educada pela madrinha e por uma humilde mulher, empregada da casa, que teve uma grande influência sobre ela, principalmente sobre sua vocação religiosa. Aplicou-se com grande paixão aos estudos de maneira a poder ler o latim e recitar o breviário com apenas 10 anos. Completou a sua educação nos melhores colégios de Bréscia, No seu amadurecimento, no entanto, uma firme vocação religiosa com acentuada propensão para a ascética e a mística. Com 13 anos fez voto de virgindade, mas depois padeceu um período de aridez espiritual e fortes tentações, que só superou em 1709. Venceu a resistência paterna e a sua própria oscilação entre o Carmelo e a ordem das capuchinhas, decidindo-se por esta última, e em 1705 vestiu o hábito franciscano no Mosteiro de Santa Maria das Neves. No ano seguinte, ao fazer a profissão religiosa, trocou o nome de baptismo de Margarida por Maria Madalena. Viveu 32 anos na clausura. No convento fez de tudo, e também foi mestra das noviças e vice-abadessa. Mas o que caracterizou a sua vida foram os fenómenos místicos como a impressão dos estigmas, êxtases, aparições, ciência infusa, telepatia, profecia, milagres, luminosidade e outros. Só por esse elenco pode-se perceber que a sua vida não deve ter sido compreendida por confessores e superioras. De fato, sofreu fortes perseguições por parte dos confessores e das outras freiras, todos admirados desse acúmulo de fenómenos inexplicáveis para o senso comum e quase que quotidianos. Escreveu uma autobiografia, que é uma obra-prima de espiritualidade e de vida mística. Deixou também, outros escritos. Morreu em Bréscia em 27 de julho de 1737 e logo foi tida como santa pelas demais freiras e pela população da cidade. Foi beatificada por Leão XIII em 1900. 

S. Celestino I, +432

Foi um romano, mas pouca coisa sabemos sobre sua vida, apenas que o nome do seu pai era Priscus e que viveu com Santo Ambrósio, em Milão. Várias partes da liturgia são atribuídas a ele, mas sem nenhuma certeza. Ainda que não tenha comparecido pessoalmente, ele enviou delegados ao 1º Comcílio de Éfeso, em 431 d.C. Quatro cartas escritas por ele nesta ocasião ainda existem, todas datadas de 15 de março de 431, além de algumas outras, para os bispos africanos e europeus, que sobrevivem em traduções gragas, tendo-se perdido os originais em latim. Além disso, sabe-se que enviou missionários para a irlanda. São Celestino morreu dia 27 de Julho de 432. É com este Papa que, pela primeira vez, se cita o "bastão pastoral". cf. pt.wikipedia.org/wiki/Papa_Celestino_I

S. Pantaleão, mártir, séc. III

Médico, natural de Nicomédia da Bitínia (actual Turquia), converteu-se ao Cristianismo em plena perseguição do imperador Maximiano. Um sacerdote tinha-o persuadido da divindade de Cristo e ele, para o comprovar, ordenou a uma criança morta por uma víbora: "Em nome de Jesus Cristo, levanta-te!" E a criança foi ressuscitada. O imperador mandou que se lhe aplicasse toda a espécie de tormentos. Consta que cristãos arménios teriam trazido o corpo de S. Pantaleão para o Porto no século XV. Durante muitos anos, foi o padroeiro daquele cidade. 
cf. Pe. José Leite, S.J.

Santa Natália e companheiros, mártires, +852

Estes santos sofreram o martírio durante a perseguição muçulmana, em 852. Natália, ou Sabagota, como era chamada, havia-se convertido à fé cristã juntamente com o marido, Aurélio. Félix e Liliana eram seus parentes. Todos viviam a fé na clandestinidade até que foram descobertos e presos. Contam que, certo dia, S. Aurélio presenciou um espectáculo humilhante em que um cristão amarrado a um jumento, com a cara voltada para a causa do animal, era conduzido debaixo de grande gritaria ao lugar da execução. A partir daquele momento, professou abertamente sua fé. Pressentindo que chegava a sua hora, distribuiu os bens aos pobres e necessitados. Félix e Liliana fizeram o mesmo. Presos, bem como Jorge, que era monge, foram todos condenados à morte.

EVANGELHO DO DIA 27 DE JULHO

Evangelho segundo S. Mateus 13,44-52.
Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos:«O Reino do Céu é semelhante a um tesouro escondido num campo, que um homem encontra. Volta a escondê-lo e, cheio de alegria, vai, vende tudo o que possui e compra o campo. O Reino do Céu é também semelhante a um negociante que busca boas pérolas. Tendo encontrado uma pérola de grande valor, vende tudo quanto possui e compra a pérola.» «O Reino do Céu é ainda semelhante a uma rede que, lançada ao mar, apanha toda a espécie de peixes. Logo que ela se enche, os pescadores puxam-na para a praia, sentam-se e escolhem os bons para as canastras, e os ruins, deitam-nos fora. Assim será no fim do mundo: sairão os anjos e separarão os maus do meio dos justos, para os lançarem na fornalha ardente: ali haverá choro e ranger de dentes.» «Compreendestes tudo isto?» «Sim» responderam eles. Jesus disse-lhes, então: «Por isso, todo o doutor da Lei instruído acerca do Reino do Céu é semelhante a um pai de família, que tira coisas novas e velhas do seu tesouro.» 
Da Bíblia Sagrada - Edição dos Franciscanos Capuchinhos - www.capuchinhos.org
Comentário do dia: 
São Basílio (c. 330-379), monge, bispo de Cesareia na Capadócia, doutor da Igreja 
Regras Monásticas, Regras Maiores, § 8 
«Vende tudo o que possui»
Nosso Senhor Jesus Cristo insistiu vivamente no seguinte, muitas vezes: «Se alguém quiser vir comigo, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e siga-Me» (Mt 16,24). […] E noutro passo: «Se queres ser perfeito, vende o que tens, dá o dinheiro aos pobres»; ao que acrescenta : «depois, vem e segue-Me» (Mt 19,21). 
Para aquele que sabe compreender, a parábola do negociante quer dizer a mesma coisa: «O Reino dos céus é semelhante a um negociante à procura de pedras preciosas; assim que encontrou uma de grande valor, corre a vender tudo o que tem, para poder comprá-la.» A pedra preciosa designa indubitavelmente o Reino dos céus, e o Senhor mostra-nos que nos é impossível obtê-lo se não abandonarmos tudo o que possuímos: riqueza, glória, nobreza de nascimento e tudo aquilo que tantos outros buscam avidamente. 
O Senhor declarou ainda que é impossível ocuparmo-nos convenientemente do que fazemos quando o espírito é solicitado por diversas coisas: «Ninguém pode servir a dois senhores», disse (Mt 6,24). Por isso, «o tesouro que está no céu» é o único que podemos escolher para a ele ligarmos o coração: «Pois onde estiver o teu tesouro, aí estará também o teu coração» (Mt 6,20ss). […] Em suma, trata-se de transportarmos o nosso coração para a vida do céu, de maneira que possamos dizer: «A cidade a que pertencemos está nos céus» (Fil 3,20). Trata-se, sobretudo, de começarmos a tornar-nos semelhantes a Cristo, «que, sendo rico, Se fez pobre» por nós (2Cor 8,9). 

EXISTEM DOIS TIPOS DE AMIGOS

PADRE CLÓVIS DE JESUS BOVO CSsR
- O amigo falso nunca te viu chorar por ele. O amigo verdadeiro tem os ombros molhados pelas tuas lágrimas. 
- O amigo falso não sabe o nome dos teus pais. O amigo verdadeiro tem até os seus telefones. 
- O amigo falso reclama quando demoras em atendê-lo. O amigo verdadeiro pergunta por que não o chamar-te logo.
- O amigo falso conversa contigo sobre seus problemas. O amigo verdadeiro conversa contigo sobre teus problemas. 
- O amigo falso risca teu nome da lista após a briga. O amigo verdadeiro reforça a amizade contigo após a briga. 
- O amigo falso quer que estejas sempre à disposição dele. O amigo verdadeiro está sempre à tua disposição. 
- O amigo falso fala mal de ti pelas costas. O amigo verdadeiro chama tua atenção na tua frente. 
- O amigo falso foge quando estás em perigo. O amigo verdadeiro dá a vida por ti se for preciso. Lição: O mais importante na vida é ter tempo para cultivar uma amizade.

27 DE JULHO - UMA VIDA PELOS POBRES

Raimundo Zanfogni (+1200) tinha ido à Terra Santa com sua mãe. Ela morre no caminho e ele volta sozinho e triste. Estava com 15 anos. E agora? Retomou seu oficio de artesão. Pouco depois se casou. Os primeiros cinco filhos morreram. Veio mais um, o Geraldo. Este vingou. Mas a mãe morreu. Raimundo ficou sozinho de novo. Recomeçou suas peregrinações. Talvez para esquecer tanto sofrimento. Numa dessas peregrinações recebeu aviso do alto: 
-Vá cuidar dos pobres da sua cidade. Lá existem poucos ricos e muitíssimos pobres. 
Começou a fazer assim. Era analfabeto, mas pregava, perturbava os ricos, insistia, brigava com as autoridades e até com o bispo para que se mexessem mais a favor da pobreza. Enfrentou quem podia mas não fazia, quem tinha e não dava. Fazia passeatas gritando nas ruas de Placencia: 
-Cristãos frios e cruéis, ajudem!
Foi aos tribunais para defender os pobres. Foi preso numa luta pela pacificação de duas cidades, mas foi solto quando o povo gritou: 
-Vocês prenderam um santo. Soltem-no! 
Por fim morreu no meio dos pobres.
PADRE CLÓVIS DE JESUS BOVO CSsR
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REFLETINDO A PALAVRA - Homilia do 17º Domingo Comum (27.07.14)-“Tu me deste um tesouro”

PADRE LUIZ CARLOS DE OLIVEIRA CSsR
A Sabedoria do Reino
            A liturgia deste domingo está centrada na parábola do tesouro descoberto, pelo qual se vende tudo para possuí-lo. Este tesouro escondido é a realidade mais preciosa, anunciada já no Antigo Testamento. É a Sabedoria Divina, tesouro precioso que procede de Deus. O jovem rei Salomão pede a Deus tudo o que precisava para governar seu povo: inteligência para “discernir entre o bem e o mal”. É a Sabedoria Divina da qual quer participar para realizar sua missão que é estar no lugar de Deus para dirigir o povo. A Sabedoria é a Lei: “Quanto amo, Senhor, a vossa lei!” (refrão do salmo 118). A Sabedoria é a ação do Espírito Santo que nos conduz para discernir entre o bem e o mal. Deus no-la dá quando buscamos o seu Reino que Jesus compara ao tesouro escondido e à pérola preciosa. A inteligência espiritual é a capacidade de acolher todos os valores da vida, seja material, intelectual como espiritual para chegar ao estado de homem perfeito na medida da estatura da plenitude de Cristo (Ef 4,13). É o tesouro que justifica desapegar-se de tudo por Cristo e seu Reino. Não é possível seguir a Cristo pela metade. É seguir o ardor de Cristo: “Eu vim trazer fogo à terra, e como gostaria que já estivesse aceso!” (Lc 12,49). Com o Espírito de Deus poderemos deixar que este incêndio se espalhe. Pedimos na oração da coleta que “usemos de tal modo os bens que passam, que possamos abraçar os que não passam”.
Tudo concorre para o bem dos que amam
            Um tesouro encontrado é fonte de riquezas e bem estar. O tesouro do Reino é fonte de Vida. Ainda não acreditamos que vale a pena deixar tudo para ter muito mais. Deixar não significa abandonar, mas mudar a posição dos valores da vida. O que é importante? Sair de si para ir ao encontro das pessoas para levar o alegre anúncio do encontro que realizamos. O encanto que este tesouro provoca em nós invade todas nossas atividades, projetos e sonhos. Por isso falamos de vida nova, nova criatura, novos céus e nova terra, nova aliança, tudo se faz novo, novo homem, caminho novo, novo mandamento, novo nome, novo canto. Na busca do tesouro e da pérola não podemos nos atrapalhar no caminho que fazemos. O importante é o tesouro a se encontrar. O caminho não é o tesouro. Por isso Jesus, no final da parábola, diz que o mestre da lei, que se torna discípulo do Reino dos Céus, é como um pai de família que tira do seu tesouro coisas novas e velhas (Mt 13,52). Vivemos na Igreja tensões entre tradições e inovações. Não se trata da doutrina, mas da roupagem em que se coloca esse ensinamento. Não podemos ter receio em buscar coisas antigas que foram criadas na sabedoria, como também há coisas novas que são muito boas. Ambas nos ajudam a buscar o tesouro. É caminho. Cada época tem sua contribuição a dar.
Saber distinguir
Quem tem sabedoria tira de seu tesouro coisas novas e velhas (Mt 13,52). Não ter sabedoria para distinguir acarreta problemas para a vida, como dizemos: “negócio mal feito dá prejuízo”, pois não se soube avaliar as diversas situações. Quem quer o tesouro do Reino e não se dispõe a dar tudo por ele não consegue receber dele as riquezas que ele oferece, como diz Jesus na parábola do homem que começa construir uma torre e não tem como acabar (Lc 14,28). Quem totalmente se doa ao Reino, totalmente o recebe. Jesus usa a comparação da semente: Se cair em terra boa, produz muito fruto (Mt 13,23). Na Eucaristia ouvimos a Palavra que nos instrui na busca do tesouro e nos dá o Pão que alimenta para sustentar em nós a alegria de tudo dar por Ele.
Leituras: 1 Reis 3,5.7-12;Salmo 118; Romanos 8,28-30;Mateus 13,44-52
1.Salomão pede a sabedoria para dirigir o povo em nome de Deus. O tesouro é Sabedoria. Deus no-la dá quando buscamos o seu Reino que Jesus compara ao tesouro escondido e à pérola. É o tesouro que justifica desapegar-se de tudo por Cristo e seu Reino.
2.O tesouro encontrado é fonte de Vida. Deixar tudo por ele é mudar a posição dos valores da vida. O encanto que provoca invade nossas atividades e sonhos. Tudo se torna novo. O importante é o tesouro a encontrar e não o caminho a fazer. O caminho não é o tesouro. Buscando-o podemos usar coisas antigas e novas.  
3.Não ter sabedoria para distinguir acarreta problemas para a vida. Quem quer o tesouro e não se dispõe a dar tudo por ele, não consegue receber as riquezas que ele oferece. A semente tem que cair em terra boa para dar fruto. 
                        Perdendo para ganhar 
            Nas parábolas do Reino chegamos ao ponto central de nossa parte: a busca do tesouro. O Reino é como um tesouro escondido e uma pedra preciosa. Só encontra quem dá valor e busca. Depois que descobrimos o Reino de Deus, tudo fazemos para tê-lo por inteiro. Vale mais que tudo. Se não dou tudo o que tenho para possuí-lo, é porque não me vale.
            O resultado final será a separação como numa pesca. O que tem valor é recolhido, o resto, jogado fora. É que veremos no fim.
            Paulo nos explica que tudo concorre para o bem dos que amam a Deus, isto é, buscam o tesouro, dão tudo por ele, selecionam o que é melhor.

            Foi isso que fez Salomão: Pediu sabedoria. Poderia ter pedido tudo, mas escolheu o que com ele conseguiria tudo e mais o que quisesse: Pediu Sabedoria. Podemos rezar: “Como amo, Senhor, a vossa lei!”