Evangelho segundo São Mateus 3,13-17.
Naquele tempo, Jesus chegou da Galileia e veio ter com João Batista ao Jordão, para ser batizado por ele.
Mas João opunha-se, dizendo: «Eu é que preciso de ser batizado por Ti, e Tu vens ter comigo?».
Jesus respondeu-lhe: «Deixa por agora; convém que assim cumpramos toda a justiça». João deixou então que Ele Se aproximasse.
Logo que Jesus foi batizado, saiu da água. Então, abriram-se os céus e Jesus viu o Espírito de Deus descer como uma pomba e pousar sobre Ele.
E uma voz vinda do Céu dizia: «Este é o meu Filho muito amado, no qual pus toda a minha complacência».
Tradução litúrgica da Bíblia
(1858-1923)
Abade
Cristo, modelo e fonte de santidade sacerdotal
A santidade dos filhos à imagem do Filho!
O Pai celestial deu-nos um ideal de santidade. Ele predestinou-nos para nos tornarmos semelhantes, não a qualquer criatura, nem a um anjo, mas ao seu Filho. São Paulo revela-nos este pensamento do Pai quando diz: «Os que Ele de antemão conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho» (Rm 8,29). Deus atribui-nos um modelo divino de perfeição; Ele deseja encontrar em nós os traços do seu Filho encarnado e, assim, ver a nossa alma resplandecer com o reflexo da sua santidade.
Se Deus, oceano de perfeição, é incompreensível para qualquer inteligência criada, Ele mesmo compreende de uma só vez, na sua infinitude, a plenitude das suas grandezas; e expressa o seu conhecimento num pensamento, numa Palavra única, que é o seu Verbo, ao qual comunica toda a sua vida divina, toda a sua luz, tudo o que Ele é. Sendo a própria vida de Deus, esta geração no seio do Pai não teve começo nem terá jamais fim. Neste momento em que vos falo, o Pai diz ao Filho em exultação infinita: «Tu és meu Filho, Eu hoje [isto é, num eterno presente] Te gerei» (Sl 2,7). E o Pai deu-nos este Filho como modelo e fonte de toda a santidade, «no qual estão escondidos todos os tesouros da sabedoria e da ciência» de Deus (Col 2,3). Uma eternidade de contemplação não será suficiente para esgotar o conhecimento deste mistério e agradecer a Deus esta bênção.
Se, como escreve São Tomás de Aquino, «a filiação natural e eterna do Verbo no seio do Pai é o modelo sublime da nossa filiação adotiva» (Sermão XXXI, 3), a santidade própria da humanidade do verdadeiro Filho único de Deus deverá também servir de modelo para a santidade dos filhos adotivos.

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