Evangelho segundo São João 19,25-27.
Naquele tempo, estavam junto à cruz de Jesus sua Mãe, a irmã de sua Mãe, Maria, mulher de Cléofas, e Maria Madalena.
Ao ver sua Mãe e o discípulo predileto, Jesus disse a sua Mãe: «Mulher, eis o teu filho».
Depois disse ao discípulo: «Eis a tua Mãe». E, a partir daquela hora, o discípulo recebeu-a em sua casa.
Tradução litúrgica da Bíblia
(1091-1153)
Monge cisterciense,
doutor da Igreja
Sermão do domingo da oitava da Assunção, 14-15
Um amor sem igual, depois do de Jesus
O martírio da Virgem é sugerido tanto pela profecia de Simeão quanto pelo próprio relato da Paixão do Senhor. «Este Menino foi estabelecido para que muitos caiam ou se levantem em Israel, e para ser sinal de contradição; e uma espada trespassará a tua alma» (Lc 2,34-35). Sim, bem-aventurada Mãe, uma espada traspassou a tua alma; aliás, foi só atravessando-a que ela penetrou na carne de teu Filho. De facto, quando o teu Jesus – que é de todos, mas especialmente teu – entregou o espírito, a lança cruel não atingiu a sua alma; é verdade que Lhe abriu o lado, mas já não podia causar-Lhe dor. Mas perfurou a tua alma; naquele momento, a dele já não estava lá, mas a tua não podia afastar-se dele.
Talvez alguém diga: «Mas ela não sabia de antemão que o Filho tinha de morrer?» Sem dúvida. «E não esperava vê-lo ressuscitar muito em breve?» Sim, e com toda a confiança. «E, ainda assim, sofreu quando Ele foi crucificado?» Certamente, e com que violência! Quem és tu, irmão, e de onde te vem tal sabedoria, que te surpreendes mais com a compaixão de Maria que com a Paixão do Filho de Maria? Ele morreu com a morte do corpo e ela não podia morrer no seu coração com Ele? Isto é obra de um amor jamais superado; é o resultado de um amor que, depois do primeiro, nunca teve igual.

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