quarta-feira, 16 de abril de 2025

Engrácia de Saragoça Virgem e Mártir, Santa (ca. + 303-304)

Engrácia era uma jovem de Bracara Augusta (actual Braga) prometida em casamento a um nobre da região de Rossilhão, na província da Gália Narbonense, sul da actual França. Para escoltá-la na viagem fora o seu tio Lupércio (por vezes identificado com Lupércio, o bispo da antiga diocese de Eauze, dezoito cavaleiros e uma empregada, de nome Júlia. Ao chegar à cidade de César Augusta (actual Satagoça) e ao inteirar-se das atrocidades que o governador, Daciano, estava a cometer junto dos cristãos (por decreto do Imperador), apresenta-se espontânea e directamente diante de si para o confrontar com as crueldades, injustiças e a insensatez com que tratava os seus irmãos de religião. Termina martirizada com a oferta da sua própria vida e a dos seus companheiros, assim que se percebe que era também cristã. Nos registos do martírio, os feitos encontram-se descritos da maneira tradicional, tanto que acaba por ser difícil separar a realidade dos factos daquilo que poderá ser produto da imaginação, consequência da piedade dos cristãos. Com efeito, o diálogo entre a frágil donzela e o cruel governador afigura-se-nos claro: ela usando raciocínios humanos e firmes na sua fé com que acusa a injustiça cometida (que hoje diríamos serem questões de Direitos Humanos), a existência de um deus único a quem serve, a loucura dos deuses pagãos e a disposição em sofrer até ao fim pelo amado; ele, por seu turno, utiliza recursos como o castigo, a ameaça, a promessa e a persistência. Em resumo, a pormenorizada e pura descrição do tormento da jovem conta que primeiro fora açoitada, depois atada a um cavalo e arrastada, o seu corpo fora rasgado com ganchos e os seus peitos cortados. Depois foram colocados pregos no seu corpo. Para que sofresse ainda mais, abandonaram-na quase morta submetida a um indescritível sofrimento por todas as suas feridas, até morrer. Os dezoito acompanhantes foram degolados nos arrabaldes da cidade. O corpo de santa Engrácia foi sepultado com as devidas honras pelo Bispo Prudêncio numa urna de mármore, e a ele foram juntadas as cinzas dos dezoito outros mártires, seus companheiros de caminhada.
Fontes diversas.
     Santa mártir nascida em Braga (Portugal). Morreu vítima da perseguição decretada por Diocleciano em 303.
     Os cristãos haviam proliferado no Império Romano sob o amparo das leis no tempo de Galiano. Eles viviam no campo e nas cidades. Diocleciano havia conseguido a unidade territorial, política e administrativa do Império e almejava unificar também a religião; para isto a religião dos cristãos deve sucumbir. Ele assina quatro editos a respeito e elege cuidadosamente as pessoas que sejam capazes de fazê-los cumprir. Daciano foi escolhido para o território da Espanha, e exerceu seu poder com crueldade.
     O Martirológio Romano registra, em data moderna, no dia 16 de abril, três comemorações diferentes: 1º a dos santos que foram martirizados perto da cidade espanhola de Zaragoza durante a perseguição do imperador Diocleciano, Optato com 17 companheiros, Lupércio, Sucesso, Marcial, Urbano, Júlia, Quintiliano, Publio, Frontone, Felice, Ceciliano, Evodio, Primitivo, Apodemio e quatro de nome Saturnino; 2º a virgem Engracia; 3º Caio e Crescêncio. Às vezes este grupo é definido como “Inumeráveis Mártires de Zaragoza”.
     O poeta Prudêncio (cerca 348-410), originário de Zaragoza, escreveu um hino dedicado aos mártires seus concidadãos, elencando todos e os seus respectivos nomes, mas sem especificar como foram mortos.
     O hino trata também de uma certa Santa Encratis, ou Engracia, virgem que durante tal perseguição sofreu horríveis torturas, detalhadamente descritas pelo poeta. Este a define como “jovem corajosa” pelo modo como defendeu a própria fé, como sobreviveu às torturas, e descreve sua casa como o “santuário de uma mártir viva”, pois seu corpo chagado não se rende.
     Segundo a legenda, Engracia era uma jovem e graciosa noiva que viajava desde Bracara Augusta (Braga atual), até Rosellón, no sul da França, para reunir-se com seu amado. Para escoltá-la na viagem fora o seu tio Lupércio (por vezes identificado com Lupércio, o bispo da antiga Diocese de Eauze), dezoito cavaleiros e uma empregada, de nome Júlia. Ao chegar a Zaragoza e ao inteirar-se das atrocidades que estava fazendo o prefeito romano, se apresenta espontaneamente diante de Daciano para lhe lançar em face sua crueldade, injustiça e insensatez com que tratava seus irmãos na Fé. Terminou martirizada, bem como todos os seus companheiros.
     Os historiadores acreditam que Engracia sofreu a perseguição em uma época que sucedeu a Optato e provavelmente tenha sido relativamente contemporânea de Prudêncio. O nome da santa, sem dúvida a mais famosa do grupo, é mencionado em várias formas diferentes e o seu culto se difundiu por toda a Espanha e nos Pirineus.
Martírio da Santa e companheiros
     Santo Optato e os seus companheiros foram venerados em especial na igreja a eles dedicada. Por ocasião do Sínodo de Zaragoza, do ano de 592, o santuário dedicado à memória dos santos mártires foi consagrado e uma Missa própria foi redigida, conhecida como “Missa de Santa Engrácia ou dos 18 mártires”.
     A Igreja Basílica de Santa Engrácia, em Saragoça, foi construída no lugar onde é dito que Engrácia e os seus companheiros foram martirizados. Foi destruída durante a Guerra Peninsular, tendo restado apenas a cripta e a porta. Foi reconstruída mais tarde, nos finais do século XIX e inícios do XX e serve atualmente como igreja paroquial.
     Em Portugal, foi mandado erguer pela Infanta D. Maria, a Igreja de Santa Engrácia em Lisboa, no ano de 1568. Em 1682 é iniciada a sua reconstrução devido a ter ficado severamente danificada por um temporal. Este monumento possui atualmente título de Panteão Nacional.
Busto-Relicário de prata e pedraria de Santa Engrácia, 
mandado executar pela Infanta D. Maria, fundadora 
da freguesia, por disposição testamentária de 1576.
Etimologia: Engrácia, nome de origem cristã, do espanhol Engrancia, derivado do latim in gratia (Domini): “na graça do Senhor”

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