quarta-feira, 29 de março de 2023

Santos Jonas e Barachiso

A narrativa do martírio sofrido pelos irmãos cristãos, Jonas e Barachiso, persas da cidade de Beth-Asa, em 327, é uma das páginas mais violentas do sofrimento católico. Entretanto, a descrição das torturas infligidas aos irmãos foi registrada por um pagão, o comandante da cavalaria do mandante imperador sanguinário. Além do martírio, pouco se sabe da vida deles, bem como suas origens. A biografia conhecida dos dois, começa quando visitaram cristãos encarcerados na cidade de Hubahan. A Igreja da Pérsia sofria na época uma das mais cruéis perseguições de que se tem notícia, decretada e comandada pelo imperador Sapor. Jonas e Barachiso resolveram enfrentar os perigos para consolar os cristãos que, dias depois, seriam martirizados. Só naquela prisão, haviam nove condenados à morte. Por sua atitude, ambos, foram presos e levados à presença do juiz. Aí começou a descrição de todo o terror.

EUSTÁQUIO DE LUXEUIL Monge, Santo (ca. 560-629)

Eustáquio de Luxeuil, ou Eustace, Eustache francês (França, ca. 560 - Luxeuil-les-Bains, 29 de Março 629), monge, era então abade de Luxeuil da regra colombaniana, é venerado como um santo pela Igreja. Eustáquio se tornou monge em Luxeuil-les-Bains, abadia fundada por São Columbano em torno de 590 tornando-se seu discípulo. Ele logo assumiu o mosteiro e tornou-se um professor qualificado e dirigiu as escolas monásticas abertas a todos, ambos os monges e leigos nobres, mas também aos pobres. Em 611, ele se tornou, abade de Luxeuil, quando São Columbano teve que sair do mosteiro por discussões com os nobres Merovíngios sendo até mesmo preso. Eustáquio também interveio na disputa entre Santa Fara e seu pai Cagnerico, conde de Borgonha, a menina queria se dedicar a Deus contra a vontade do pai, que havia prometido casá-la. São Columbano tinha-a baptizado, e percebeu sua vocação, seu pai prometeu respeitar os desejos dos jovens, mas depois mudou de ideia. De repente, a menina ficou muito doente, totalmente perdeu a visão e ficou em um estado catatónico, quando a mãe aflita se lembrou de sua promessa ao seu marido feita a Columbano e chamou Eustáquio. Ele revelou que se o pai Cagnerico, deixasse a menina livre para se dedicar a Deus, ela poderia ser facilmente curada. O pai foi novamente forçado a prometer, sob pressão da mãe e de Eustáquio mesmo; Fara miraculosamente despertou depois da bênção de Eustáquio, e recuperou a saúde. Mas, novamente, o pai mudou de ideia. A jovem prontamente deixou a casa da família e se refugiou na igreja local de São Pedro. Eustáquio, informado do que estava acontecendo, deixou Luxeuil e se dirigiu à igreja de São Pedro.

Nossa Senhora das Dores

Celebramos sua compaixão, piedade; suas sete dores cujo ponto mais alto se deu no momento da Crucificação de Jesus
“Quero ficar junto à cruz, velar contigo a Jesus e o teu pranto enxugar!”
Eis como a Bem-aventurada Virgem revelou a Santa Brígida o estado lastimoso do seu Filho moribundo, conforme ela o presenciou:
     “Estava meu Amado Jesus na cruz, todo aflito e agonizante; os olhos estavam encovados e meio fechados e amortecidos; os lábios pendentes e a boca aberta; as faces descarnadas, pegadas aos dentes e alongadas; afilado o nariz, triste o rosto; a cabeça pendia-lhe sobre o peito; os cabelos estavam negros de sangue, o ventre unido aos rins; os braços e as pernas inteiriçadas e todo o resto do corpo coalhado de chagas e de sangue”.
     Ó pobre de meu Jesus! Ó martírio cruel para o coração de uma mãe!
O que mais afligia Nossa Senhora
     Quem se achasse então sobre o Calvário, diz São João Crisóstomo, teria visto dois altares, nos quais se consumavam dois grandes sacrifícios: um no corpo de Jesus, outro no coração de Maria.
     Mas melhor me parece, com São Boaventura, considerar ali um só altar, isto é, só a cruz do Filho, no qual, juntamente com a vítima do Cordeiro divino, é sacrificada também a Mãe. Por isso o Santo pergunta-lhe assim: O Domina, ubi stas? – “Ó Maria, onde estais?” Junto à cruz? Ah! Mais exatamente direi que estais na mesma cruz, a sacrificar-vos, crucificada juntamente com Jesus.

ORAÇÃO DE TODOS OS DIAS - 29 DE MARÇO

Oração da manhã para todos os dias
 
Senhor meu Deus, mais um dia está começando. Agradeço a vida que se renova para mim, os trabalhos que me esperam, as alegrias e também os pequenos dissabores que nunca faltam. Que tudo quanto viverei hoje sirva para me aproximar de vós e dos que estão ao meu redor. Creio em vós, Senhor. Eu vos amo e tudo espero de vossa bondade. Fazei de mim uma bênção para todos que eu encontrar. Amém. 
As reflexões seguintes supõem que você antes leu o texto evangélico indicado
29 – Quarta-feira – Santos: Jonas, Eustácio, Secundo
Evangelho (Jo 8,31-42) “Se permanecerdes na minha palavra, sereis verdadeiramente meus discípulos, e co­nhecereis a verdade, e a verdade vos libertará”.
A palavra de Jesus é a verdade sobre nossa realidade pecadora e sobre a oferta de salvação que Deus nos faz. Se reconhecemos nossa situação de pecadores, vamos aceitar logo a mão que Deus nos estende para nos erguer. Se tudo fizermos para continuar vivendo na união com Cristo, seremos desde agora livres do pecado, e viveremos na esperança feliz da libertação final de todos os males.
Oração
Senhor Jesus, creio em vossa palavra e confio em vós. Fora de vós não existe para mim libertação nem paz. Por amor me chamastes e me destes a fé em vós. Não posso esquecer o quanto dependo de vossa misericórdia, porque por mim mesmo sou incapaz de vos seguir. No meio de tanta mentira e tantas ilusões, ajudai-me a encontrar o caminho certo e a continuar sempre convosco. Amém.

terça-feira, 28 de março de 2023

REFLETINDO A PALAVRA - “Piedade popular”

PADRE LUIZ CARLOS DE OLIVEIRA(+)
REDENTORISTA NA PAZ DO SENHOR
Uma necessidade do povo
 
A espiritualidade passa por muitos caminhos. Um deles é a piedade popular. O Documento de Aparecida (nº 7) reconhece que ela é uma das riquezas de nossos povos, é um tesouro precioso da Igreja católica da América Latina (258), que deve ser catequizada (300). O que é a piedade popular? É a maneira de o povo viver sua fé, seguindo tradições espirituais que vêm de séculos. Na Idade Média, a liturgia se afastou do povo e se tornou um assunto do clero. Era feita em latim, que não era mais a língua do povo. Este, distante, criou sua forma de se relacionar com Deus partindo, sobretudo, dos aspectos humanos da vida de Cristo, como Nascimento, Paixão, Eucaristia, dores de Maria, devoções aos santos, relíquias, santuários e devoções, como o terço, a via-sacra. Salienta-se neste tempo a humanidade de Cristo. A própria estrutura eclesial assumiu a piedade popular. Essa piedade sustentou e santificou o povo por séculos. E ainda é importante. Com o Vaticano II houve um arrefecimento brusco que prejudicou pelo fato de ter excluído o povo. Foram tiradas devoções e não foram substituídas de modo adequado. Como é uma cultura, não se muda de um dia para o outro. As tentativas dos movimentos, como carismáticos, devoções vindas de outros países que trouxeram benefícios, mas não para o povo em geral. Este ficou perdido e buscou outros meios e outros cultos. A tentativa era fazer uma renovação geral. Isso precisa de catequese, liturgia bem adaptada à condição do povo. A teologia da libertação trouxe excelente contribuição, mas foi sufocada e não resolveu a questão da religiosidade popular. A renovação litúrgica, distante do povo, não conseguiu colher sua alma e com ela enriquecer a celebração do mistério. Continuamos com o pé em duas canoas. 
Uma escola de fé 
A religiosidade da piedade popular é uma escola de fé, pois conduz o fiel à vida de Cristo, dos santos e às práticas de piedade. Como escola de fé estimula a vida cristã, mas tem um risco: desliga a fé da vida. A devoção, se não compromete a vida com o sentido do evangelho, torna-se frágil. Esse é um dos perigos da religiosidade popular. Fica no exterior. Por isso, a Igreja insiste na evangelização da religiosidade popular (41,300,549). É boa, mas precisa aprofundar os conteúdos e comprometer a vida. No momento atual há uma volta à devoção aos santos, mas, infelizmente, na busca dos milagres e não na procura de viver a vida cristã. Os santos são intercessores, modelos e estímulos a viver o evangelho. O risco da devoção sem compromisso com a vida é ficar na emoção, no exterior da representação. A religiosidade e piedade popular ajudam na medida em que ajudam nossa conversão. 
Caminhos de espiritualidade 
A piedade popular tem um elemento muito importante para a compreensão a fé: Tira a fé do puro racionalismo onde damos valor só ao conhecimento da doutrina e nos orienta a infundir os ensinamentos no coração. Se por um lado não é boa uma devoção que não compromete a vida, por outro, a pura doutrina sem vida e sentimento, não edifica. Está faltando essa mútua ajuda. Ao venerarmos os santos e participarmos dos mistérios da vida de Cristo em sua visão mais sensível, precisamos buscar confrontar nossa vida com eles e tomar decisões de conversão. Aí sim, a piedade popular enriquece a Igreja. Não basta citar textos da bíblia, é preciso encarná-la na vida. Louvamos a Deus pelo povo que manteve sua fé, mesmo sem a presença da Igreja. A Igreja é chamada a conhecer a alma do povo e assim dispensar os mistérios sagrados e os ensinamentos da fé de modo compreensível. A base desta atitude educadora é o carinhoso acolhimento do povo, linguagem que ele entende bem.
ARTIGO REDIGIDO E PUBLICADO
EM JUNHO DE 2009

EVANGELHO DO DIA 28 DE MARÇO

Evangelho segundo São João 8,21-30. 
Naquele tempo, disse Jesus aos fariseus: «Eu vou partir. Haveis de procurar-Me e morrereis no vosso pecado. Vós não podeis ir para onde Eu vou». Diziam então os judeus: «Irá Ele matar-Se? Será por isso que Ele afirma: "Vós não podeis ir para onde Eu vou"?». Mas Jesus continuou, dizendo: «Vós sois cá de baixo, Eu sou lá de cima; vós sois deste mundo, Eu não sou deste mundo. Ora, Eu disse-vos que morrereis nos vossos pecados, porque, se não acreditardes que Eu sou, morrereis nos vossos pecados». Então perguntaram-Lhe: «Quem és Tu?». Respondeu-lhes Jesus: «Absolutamente aquilo que vos digo. Tenho muito que dizer e julgar a respeito de vós. Mas Aquele que Me enviou é verdadeiro e Eu comunico ao mundo o que Lhe ouvi». Eles não compreenderam que lhes falava do Pai. Disse-lhes então Jesus: «Quando levantardes o Filho do homem, então sabereis que Eu sou e que por Mim nada faço, mas falo como o Pai Me ensinou. Aquele que Me enviou está comigo: não Me deixou só, porque Eu faço sempre o que é do seu agrado». Enquanto Jesus dizia estas palavras, muitos acreditaram nele. 
Tradução litúrgica da Bíblia 
São João Crisóstomo(345-407) 
Presbítero de Antioquia, 
bispo de Constantinopla, doutor da Igreja 
Catequeses baptismais, n.° 3, 16ss. 
«Quando levantardes o Filho do homem, 
então sabereis que Eu sou» 
Queres saber que força se esconde no sangue de Cristo? Vê de onde foi que ele começou a correr e qual é a sua origem: vem da cruz, do lado do Senhor. Estando Jesus já morto, diz o evangelho, mas ainda suspenso da cruz, veio um soldado «e abriu-Lhe o lado com um golpe de lança, e dele saiu sangue e água» (Jo 19,33-34). Esta água era o símbolo do batismo, o sangue, o símbolo dos mistérios eucarísticos. Foi, pois, um soldado que Lhe abriu o lado, perfurando a muralha do Templo santo; e eu encontrei este tesouro, e fiz dele a minha fortuna. «E dele saiu sangue e água». Não passes com indiferença por este mistério. Já te disse que esta água e este sangue são símbolo do batismo e do mistério eucarístico. Ora, a Igreja nasceu destes dois sacramentos: deste banho do renascimento e da renovação no Espírito, ou seja, do batismo, e do mistério. Mas os sinais do batismo e do mistério saíram do lado de Cristo; consequentemente, Cristo constituiu a Igreja a partir do seu lado, tal como formara Eva a partir do lado de Adão (cf Gn 2,22). É por isso que Paulo afirma que somos da sua carne e dos seus ossos (cf At 17,29; Gn 2, 23), designando desse modo o lado do Senhor. Com efeito, assim como o Senhor tomou carne do lado de Adão para formar a mulher, assim também Cristo nos deu o sangue e a água do seu lado para formar a Igreja. E, assim como retirou a carne do lado de Adão enquanto este dormia, assim também nos deu o sangue e a água depois da sua morte, porque desde agora a morte é um simples sono. Vistes como foi que Cristo Se uniu à sua esposa? Vistes que alimento nos dá a todos? Foi deste alimento que nascemos, é com ele que nos alimentamos. Assim como a mulher gera os filhos do seu próprio sangue e os alimenta com o seu leite, assim também Cristo alimenta constantemente com o seu sangue aqueles que gerou.

Santos Prisco, Malco e Alexandre Mártires de Cesareia da Palestina 28 de março

† 257-258 ou 260 
Martirológio Romano: Comemoração dos santos mártires Prisco, Malco e Alexandre: na época da perseguição do imperador Valeriano, eles viviam em uma fazenda nos arredores de Cesaréia, na Palestina, uma cidade onde numerosas coroas de martírio celestial foram oferecidas aos seus olhos; movidos pelo ardor divino, eles apareceram espontaneamente diante do juiz e, tendo o repreendido por se enfurecer apenas contra o sangue dos piedosos, Eles foram imediatamente alimentados por ele nas feiras como cristãos. 
Eusébio de Cesaréia em sua História Eclesiástica relata o martírio desses três cristãos, que ocorreu durante a perseguição de Valeriano, então nos anos 257-258.

São Sisto III PAPA, +440

O Papa Sisto III foi eleito em 31 de Julho de 432. Morreu a 18 de Agosto de 440. Mostrou-se conciliador em relação aos nestorianos e velou pela conservação dos direitos da Santa Sé sobre a Ilíria - contra o Imperador do Oriente que queria torná-la dependente de Constantinopla. Restaurou as Basílicas de Santa Maria Maior e de S. Lourenço-fora-de-Muros. Foi autor de várias epístolas.
https://www.evangelhoquotidiano.org/PT/display-saint/cd8d4b20-8732-4ee0-a0a6-5305debff6e4
O Papa Sisto III foi bispo de Roma de 31 de julho de 432 até sua morte em 18 de agosto de 440. Sua ascensão ao papado está associada a um período de maior construção na cidade de Roma. Seu dia é celebrada pelos católicos em 28 de março. 
Início da carreira 
Sisto nasceu em Roma e antes de sua ascensão ele era proeminente entre o clero romano e frequentemente se correspondia com Agostinho de Hipona. De acordo com Peter Brown, antes de ser feito papa, Sisto foi um patrono de Pelágio, que mais tarde foi condenado como herege, embora Butler discorde e atribua a acusação a Garnier. Nicholas Weber também contesta isso, "... provavelmente foi devido à sua disposição conciliatória que ele foi falsamente acusado de inclinações para essas heresias".

28 de março - Beato Jean-Baptiste Malo

Jean-Baptiste Malo nasceu em 2 de junho de 1899 em La Grigonnais, na França e cresceu em Vay, numa família de pequenos camponeses. Entrou no Seminário do Instituto de Missões Estrangeiras de Paris aos 29 anos; na época, era uma vocação adulta. Ordenado sacerdote em 1º de julho de 1934, foi enviado em uma missão a Lanlong, numa região montanhosa entre as províncias de Guizhou, Guangxi e Yunnan, na China. Apesar das dificuldades e sempre permanecendo alerta, o padre Malo visitou suas comunidades cristãs e fundou escolas: ele era frequentemente o primeiro sacerdote que os habitantes tinham visto por mais de vinte anos. Na primavera de 1951 chegaram as tropas comunistas: ele foi então preso e preso, depois de um julgamento sumário, expulso da China. Embora cansado e doente, em 27 de novembro de 1952 chegou ao seu novo campo de apostolado: a missão de Thakhek, no Laos. No Natal de 1953, as tropas de guerrilha avançavam cada vez mais na região. O exército francês então forçou os missionários a evacuar a área, refugiando-se em Pakse, no sul do país. Em seu retorno, em 15 de fevereiro de 1954, eles caíram em uma emboscada. Juntamente com o prefeito apostólico Monsenhor Jean Arnaud, dois outros confrades e um religioso, padre Malo enfrentou alguns interrogatórios. Mais tarde, o grupo foi conduzido a pé para um campo de reeducação perto de Vinh, no Vietnã, a cem quilômetros de distância. O padre Malo, que estava ficando pior e pior, não conseguia digerir o arroz que era a única refeição diária para os prisioneiros, não foi tratado ou poderia descansar: ele morreu em consequência dos maus tratos e falta de atendimento médico em 28 de março de 1954, oferecendo sua vida a Deus.

28 de março - Santo Estêvão Harding

O terceiro fundador e abade de Cister, o inglês Estevão Harding, viveu uma trajetória de vida muito intensa e foi também ele quem acolheu na comunidade monástica, o futuro são Bernardo, o fundador da abadia de Claraval. Estêvão nasceu por volta do ano 1059 numa família de nobres. Ainda jovem entrou na abadia beneditina de Sherborne, onde fez sua profissão religiosa. Discorrer sobre sua vida é, também, falar sobre uma santa inquietação, a invasão dos normandos fez com que ele abandonasse a vida religiosa e partisse para a Escócia. Mais tarde foi para Paris, para se dedicar aos estudos e, em seguida, foi para Roma numa peregrinação penitencial, em busca do perdão em virtude de seu abandono da vida monástica. Ao voltar, ia recitando o saltério ao longo da estrada. Passando por uma abadia na Borgonha, Estêvão se sentiu atraído pela vida pobre e austera dessa comunidade e, ao final, decidiu aí viver. Mais tarde, seguindo o abade fundador, Roberto, com um pequeno grupo de monges, Estêvão se transferiu para a região de Cister, onde fundariam um novo mosteiro. Num primeiro momento Roberto foi o abade fundador, mas outros problemas fizeram com que ele tivesse que retornar para o antigo mosteiro. Em seu lugar assumir o monge Alberico, que conduziria a pequena comunidade por dez anos. Após sua morte, Estêvão foi eleito como seu sucessor. Ao assumir como novo abade, ele se dedicou a reformar os livros litúrgicos e à fixação do texto bíblico usados no mosteiro. Aos poucos, santo Estêvão foi configurando o rosto da comunidade de Cister.

São Gontrão

Clotário I, rei de França, e de uma parte da Alemanha, com sua morte deixou quatro filhos que lançaram a sorte sobre o reino. Gontrão recebeu Orleans, a Borgonha e estabeleceu a capital em Châlon-sobre-o-Saône. Era uma época de revoluções e de assassínios políticos. Seus irmãos guerrearam entre si e acabaram mortos. Gontrão serviu de pai aos dois sobrinhos. No começo de seu reinado, sua conduta não foi exemplar: repudiou a primeira esposa – culpada de ter-lhe dado apenas um filho natimorto. A segunda esposa não teve melhor sorte. Nem a terceira, que caiu em desgraça quando os dois filhos morreram ainda pequenos. Pensou em casar-se novamente mas, convencido de que a morte dos filhos era por culpa dos seus pecados, mudou radicalmente de conduta. Um dia, quando se dirigia para fazer orações, às diversas igrejas de Orleans, o rei Gontrão rumou para a residência de São Gregório de Tours, que morava na igreja de Santo Avito. Gregório levantou-se cheio de alegria ao reconhecê-lo e, depois de lhe ter dado a benção, o convidou para jantar. O que ele fazia por Gregório de Tours, fazia-o por todos os cidadãos de Orleans. Aceitava o convite, comparecia ao jantar e encantava a todos com sua bondade. Chamavam-no geralmente o bom rei. O zelo de Gontrão sustinha e animava a todos de seu reino. Perdendo os dois filhos que deviam suceder-lhe, aplicou-se mais do que nunca a toda sorte de boas obras. Os exemplos de um rei tão bom santificaram a família.

SÃO CASTOR, MÁRTIR DE TARSO

É comemorado pelo Martirológio Jeronimiano (o mais antigo catálogo dos mártires cristãos da Igreja Latina, século V) e pelo Martirológio Romano: segundo a tradição, teria sido martirizado em Tarso, na Cilícia (atual Turquia) com outro cristão, Dorotheus e Estêvão.
https://www.vaticannews.va/pt/santo-do-dia.html 
Ele é comemorado pelo Martirológio Hieronímio (o mais antigo catálogo de mártires cristãos da Igreja Latina, século V) e pelo Martirológio Romano: de acordo com a tradição, ele foi martirizado em Tarso, Cilícia (atual Turquia) com outro cristão, Doroteu ou Estêvão. 
Martirológio Romano: Em Tarso, na Cilícia, na atual Turquia, São Castore, mártir. 
Ele é comemorado pelo Martirológio Hieronímico e pelo Romano em 28 de março e 27 de abril. A reduplicação é provavelmente devido (Delehaye) a uma confusão, atribuível aos copistas, entre V Kal. Abril e V Kal. Nunca. Em romano, Castor é mencionado em 28 de março com Doroteu e 27 de abril com Estêvão. Essas adições são evidentemente devidas a uma leitura errada ou interpretação das rubricas do geronimiano, onde o nome de Castor é precedido em 28 de março pelo de Doroteu e seguido em 27 de abril pelo de Estêvão, sem, no entanto, que esses santos (ambos lembrados como "de Nicomédia", onde apenas Doroteu é comemorado em 12 de março) tenham algo a ver com Castor . Finalmente, note que um Castor é lembrado pelo Hieronymian em 16 de março como o chefe de um grupo não homogêneo de mártires de Nicomédia. A identificação entre os dois homônimos é possível. 
Autor: Gian Domenico Gordini 
Fonte: Bibliotheca Sanctorum

Beato José Sebastião Pelczar, Fundador, Bispo (1842-1924), 28 de Março

Fundador da Congregação das 
Servas do Sagrado Coração de Jesus
 Bispo de Przemysl, Polônia

Nasceu em 17 de Janeiro de 1842 em Korczyna, uma pequena aldeia no sopé dos montes Carpazi, junto de Krosno. Passou a infância na aldeia natal, crescendo numa atmosfera impregnada da antiga religiosidade polaca que reinava em casa de seus pais, Adalberto e Mariana Miesowicz. Estes, avisados da inteligência excepcional de seu filho, depois de dois anos na escola de Horczyna, convidaram-no a prosseguir os estudos na de Rzeszów e, em seguida, no Liceu.
Quando era estudante liceal, José Sebastião tomou a resolução de se dedicar ao serviço de Deus, porque, como podemos ler no seu diário, "os ideais terrenos vão-se desvanecendo, vejo o ideal de vida no sacrifício e o ideal do sacrifício vejo-o no sacerdócio". Entrou no Seminário Menor e, em 1860, iniciou os estudos teológicos no Seminário Maior de Przemysl.
Foi ordenado sacerdote em 17 de Julho de 1864, tendo sido vigário da paróquia de Sambor durante um ano e meio. De 1866 a 1868 estudou em Roma no Colégio Romanum, (hoje Universidade Gregoriana) e no Instituto de Santo Apolinário (hoje Universidade Lateranense), desenvolvendo a sua cultura e o seu amor à Igreja e ao Papa.

GISELA DA HUNGRIA Esposa, Mãe, Rainha, Abadessa, Beata (ca. 985-1065)

Gisela nasceu por volta de 985, filha do duque bávaro, Henrique, o Briguento, e Gisela da Borgonha. Era a irmã mais nova de Henrique II; de Bruno, bispo de Augsburgo, e de Brígida, abadessa de Mittelmuenster. Gisela conviveu na Baviera, Alemanha, e Hungria, alcançando especial importância. Gisela queria usar o véu de consagração, quando, em 996, os emissários de Geisa da Hungria foram a Regensburgo e a pediram como esposa para Estevão, filho de Geisa (Santo Estevão da Hungria). O pai de Gisela recebeu com alegria os emissários. Gisela renunciou ao esposo e mudou-se para a corte principesca húngara para multiplicar o povo cristão. Mas, casaram-se no ano 1000 e, na festa da Assunção, Gisela foi coroada e ungida primeira rainha cristã dos húngaros e, com ela, seu marido. Estevão converteu-se ao cristianismo por influência da esposa. Por isso, a principal tarefa de estevão, em seu reinado, era a conversão de seus súbditos. Gisela ajudou na construção de várias igrejas e influenciou a história dos povos. Também viveu grandes sacrifícios. Deus levou seu primeiro filho, Américo, sucessor do trono real, que foi canonizado. Faleceu também uma filha. Em 15 de agosto de 1038, festa da Assunção de Maria, faleceu seu marido, Estêvão, que, com o filho, foi canonizado em 1083. Depois da morte do marido, ela foi exposta indefesa às mais graves hostilidades dos húngaros nacionalistas pagãos. Confiscaram-lhe os bens, proibiram-lhe de se comunicar com os parentes, prenderam-na e a maltrataram.

JOANA MARIA DE MAILLÉ Viúva, Franciscana, Beata (1331-1414)

Viúva nobre francesa que se consagrou a Deus, 
passando uma grande parte da sua vida 
em grandes penitências. Taumaturga.
Relutante em casar aos 16 anos, viúva com um pouco mais de 30, expulsa de casa pelos parentes do marido, nos restantes 50 anos de sua vida foi obrigada a viver sem abrigo. Tantos percalços estão concentrados na vida da Beata Joana Maria de Maillé que nasceu rica e mimada no Castelo de La Roche, perto de Saint-Quentin, Touraine, em 14 de abril de 1331. Seus pais eram o Barão de Maillé Hardoin e Joana, filha dos Duques de Montbazon. Sua família se destacava pela devoção. Ela cresceu sob a orientação espiritual de um franciscano, mostrando uma particular devoção a Maria. Dedicava-se a orações prolongadas e fez precocemente o voto de virgindade. Aos onze anos, no dia de Natal, pela primeira vez teve um êxtase: Maria Santíssima lhe apareceu segurando em seus braços o Menino Jesus. Uma doença que quase a levou à morte serviu para desprendê-la mais e mais da terra e torná-la mais próxima de Deus. Na idade de dezasseis anos, aparece no cenário de sua vida um parente da mãe que se tornou seu tutor, o que sugere que os pais morreram prematuramente. O tutor combina, de acordo com o costume da época, o casamento de Joana com o Barão Roberto II de Sillé, um bom jovem, não muito mais velho do que ela, seu companheiro de brincadeiras na infância. E isto apesar de estar ciente da inclinação de Joana para a vida religiosa e de seu voto de castidade. Portanto, é um casamento contra a vontade da jovem.

ORAÇÃO DE TODOS OS DIAS - 28 DE MARÇO

Oração da manhã para todos os dias
 
Senhor meu Deus, mais um dia está começando. Agradeço a vida que se renova para mim, os trabalhos que me esperam, as alegrias e também os pequenos dissabores que nunca faltam. Que tudo quanto viverei hoje sirva para me aproximar de vós e dos que estão ao meu redor. Creio em vós, Senhor. Eu vos amo e tudo espero de vossa bondade. Fazei de mim uma bênção para todos que eu encontrar. Amém. 
As reflexões seguintes supõem que você antes leu o texto evangélico indicado 
28 – Terça-feira – Santos: Gontrão, Malco, Castor
Evangelho (Jo 8,21-30) “Disse que morrereis nos vossos pecados, porque, se não acreditais que eu sou, morrereis nos vossos pecados.”
Quando Moisés perguntou o nome de Deus, a resposta foi: “Eu Sou”, eu sou “Aquele Que É”. Jesus dá a mesma resposta a seus adversários: se não acreditais que “Eu Sou Aquele que É” não existe salvação para vós. Só eu, enviado pelo Pai, é que vos posso salvar desse mundo do pecado, do desamor, da separação e da morte. Também nós temos de fazer nossa escolha diante de Jesus.
Oração
Senhor Jesus, creio que sois o Filho de Deus. Porque sois Deus é que posso colocar em vós minha esperança, por isso é que sois importante para mim. Não apenas me ensinais como ser feliz, mas me podeis transformar para ser feliz, viver na paz e no amor. Hoje quero renovar a escolha que fiz de vós como meu Salvador, hoje quero renovar meu compromisso convosco. Guardai-me. Amém 

segunda-feira, 27 de março de 2023

REFLETINDO A PALAVRA -“Um Reino que cresce”

PADRE LUIZ CARLOS DE OLIVEIRA(+)
REDENTORISTA NA PAZ DO SENHOR
O Reino é força de Deus
 
É belo ver Jesus usando as plantas, os grãos, o fermento, as flores e as coisas da vida do povo para explicar os mistérios do Reino de Deus. É bem verdade que, para falar simples e profundo, é preciso muita sabedoria. O popular está um passo além da ciência. E nós somos complicados para explicar as coisas de Deus. “Jesus anunciava o Reino usando muitas parábolas, conforme eles podiam compreender... quando estava em casa sozinho com os discípulos explicava tudo” (Mc 4,33-34). Jesus, explica como cresce o Reino e sua força de crescimento que possui. O próprio Jesus é o exemplo desse crescimento. Ele é a sementinha que Deus plantou e tinha tudo para não dar em nada. Com sua morte, se creu que tinha sido abafado com a pedra que fechou a sepultura. A força de Deus ressuscita-o como o grão que, morto, produz vida e cresce. Como aconteceu com Ele, acontece com o Reino. A finalidade destas parábolas sobre a força de crescimento do Reino é o conforto aos discípulos que se sentiam fracos diante das oposições. Nós também, vendo as oposições e as perseguições que a Igreja sofre, a fragilidade das instituições, pensamos que vai tudo água abaixo. Pela parábola aprendemos a não temer, pois o Reino tem a força em si, não nas instituições.. Para nascer, a semente tem a força. Por menor que seja a semente, ela tem a energia para o crescimento. Árvores imensas nascem de uma sementinha minúscula. Assim é o Reino. Tudo que é do Reino tem a força para crescer. Não somos nós que fazemos essa semente crescer. Podemos colaborar para o crescimento, como nos ensina outra parábola: semear em terra boa, produz muito fruto (Lc 8,8). A nós compete também semear e deixar a semente crescer. Os inícios são difíceis. “Não tenhais medo pequeno rebanho, pois foi do agrado do Pai, dar-vos o Reino” (Lc 12,32). 
O justo crescerá como a palmeira (Sl 92,1) 
Paulo escreve aos Coríntios: “Caminhamos na fé e não na visão clara” (2Cor 5,7). Refletimos sobre a fragilidade do Reino e sua força de crescimento.; Quanto toca a nós, exigimos de Deus clareza e solução imediata para nossas situações. É certo que a fé nos dá a certeza de termos o que esperamos e dá o conhecimento das realidades que não vemos (Hb 11,1). Contudo, sentimos “o peso do dia e o calor do sol (Mt 20,12)”. Isso nos assusta. Não vemos a ação da graça de Deus em nós. Fazemos tanto esforço e não vemos os resultados. Mas o Reino de Deus em nós age do mesmo modo como Jesus explica. Crescemos e não vemos. Contudo, temos uma força que supera nossas condições. É o Reino. 
Reino de Deus e as incertezas 
Somos frágeis e, às vezes, parece que tudo conspira contra nós e contra a Igreja. Ficamos, como o povo de Deus na história de suas fraquezas e derrotas, sem saber o que pensar (Sl 74,9). Não vemos saída. Aqui interpretamos esta parábola para nossa vida: Não sabemos nem como nem quando Deus age. Mas Ele age. Tudo tem solução. Para Jesus foi assim. O final foi a morte. Mas não era o fim, pois ela lhe traria a ressurreição. A fraqueza e a incerteza nos fazem fortes. Jesus não nos abandonou indo para o Céu. Deixou-nos, mas enviou o Espírito Santo (Jo 16,7). Lembremo-nos que Jesus dormia e a barca naufragava (Mt 8,24). Ele, contudo, estava ali. A fé nos faz fortes nos embates da vida. 
Leituras:Ezequiel 17,22-24; 
Salmo 91; 
2 Cor 5,6-10; Marcos 4,26-34. 
1. Jesus anunciava o Reino usando as imagens das plantas, das flores e da vida do povo. Para explicar que o Reino tem a força em si mesmo e cresce sem a gente saber como, Jesus usa a imagem da semente. Não depende de nós. Nossa colaboração está em acolher. Por isso não é necessário sentir medo diante da fragilidade. Em Jesus aconteceu assim também. A comunidade passou por dificuldades, por isso Marcos a anima. 
2. A parábola orienta nossa vida. O Reino é frágil, mas tem força de crescimento. Deus age, mesmo quando não vemos. Ele cresce em nós e no mundo sem que vejamos. Temos uma força que supera nossas condições. É o Reino. 
3. Somos frágeis e tudo parece conspirar contra nós e a Igreja. Assim foi com o povo de Deus. Interpretamos a parábola em nossa vida. Não sabemos como Deus age, mas Ele age. Tudo tem solução. A fraqueza e a incerteza nos fazem fortes. Jesus não nos abandonou quando foi para o Céu. A barca balança, mas Ele está ali. 
Eu tenho a força 
Jesus dava seus ensinamentos através das parábolas, isto é, comparações. Usava a linguagem do povo. O povo vibrava com sua doutrina, pois falava a partir da vida. No evangelho de hoje Jesus explica a realidade fundamental de sua missão e de seu ensinamento: o Reino de Deus. Responde à questão como cresce o Reino de Deus e de onde tira a força. Deus quer e faz. O Reino cresce como uma semente. O agricultor coloca na terra, cobre e não sabe como ela manda para fora uma planta. Como foi isso? A gente não sabe. Deus o faz. O Reino cresce no mundo sem a gente entender como. E a força de vida que possui? Não entendemos. O Reino é uma sementinha que é plantada e com uma força que tem dentro de si cresce muito. O exemplo pode ser o eucalipto: a semente é um pozinho. E se torna uma árvore imensa. Assim é o Reino: tem uma força interior que depende de Deus. Temos que acreditar, pois Deus age. 
Homilia do 11° Domingo Comum(14.06.2009)

EVANGELHO DO DIA 27 DE MARÇO

Evangelho segundo São João 8,1-11. 
Naquele tempo, Jesus foi para o monte das Oliveiras. Mas, de manhã cedo, apareceu outra vez no Templo, e todo o povo se aproximou dele. Então sentou-Se e começou a ensinar. Os escribas e os fariseus apresentaram a Jesus uma mulher surpreendida em adultério, colocaram-na no meio dos presentes e disseram a Jesus: «Mestre, esta mulher foi surpreendida em flagrante adultério. Na Lei, Moisés mandou-nos apedrejar tais mulheres. Tu, que dizes?». Falavam assim para Lhe armarem uma cilada e terem pretexto para O acusar. Mas Jesus inclinou-Se e começou a escrever com o dedo no chão. Como persistiam em interrogá-lo, ergueu-Se e disse-lhes: «Quem de entre vós estiver sem pecado, atire a primeira pedra». Inclinou-Se novamente e continuou a escrever no chão. Eles, porém, quando ouviram tais palavras, foram saindo um após outro, a começar pelos mais velhos, e ficou só Jesus e a mulher, que estava no meio. Jesus ergueu-Se e disse-lhe: «Mulher, onde estão eles? Ninguém te condenou?». Ela respondeu: «Ninguém, Senhor». Disse então Jesus: «Nem Eu te condeno. Vai e não tornes a pecar». 
Tradução litúrgica da Bíblia 
São João Paulo II (1920-2005) papa 
Mulieris dignitatem, cap. 5 
(trad. © Libreria Editrice Vaticana) 
«Quem de entre vós estiver sem pecado, 
atire a primeira pedra» 
Cristo sabe o que há no homem (cf Jo 2,25), no homem e na mulher. Conhece a dignidade do homem, o seu valor aos olhos de Deus. Ele mesmo, Cristo, é a confirmação definitiva deste valor. Tudo o que diz e faz tem o seu cumprimento definitivo no mistério pascal da redenção. O comportamento de Jesus a respeito das mulheres que encontra ao longo do caminho do seu serviço messiânico é um reflexo do desígnio eterno de Deus, o qual, tendo criado cada uma delas, a escolhe e a ama em Cristo (cf Ef 1,1-5). Jesus de Nazaré confirma esta dignidade, recorda-a, renova-a e faz dela um conteúdo do Evangelho e da redenção, para a qual foi enviado ao mundo. Jesus entra na situação concreta e histórica da mulher, situação sobre a qual pesa a herança do pecado. Esta herança exprime-se, entre outras coisas, no costume que discrimina a mulher em favor do homem, e está enraizada também dentro dela. Deste ponto de vista, o episódio da mulher «surpreendida em adultério» (Jo 8,3) é particularmente eloquente. No final, Jesus diz-lhe: «Não tornes a pecar»; mas primeiro desperta a consciência do pecado nos homens. Jesus parece dizer aos acusadores: esta mulher, com todo o seu pecado, não é talvez também, e antes de tudo, uma confirmação das vossas transgressões, da vossa injustiça «masculina», dos vossos abusos? Esta verdade é válida para todo o género humano. A mulher é deixada só, é exposta diante da opinião pública com «o seu pecado», enquanto por trás deste «seu» pecado se esconde um homem pecador, culpado pelo pecado de outrem, antes, corresponsável pelo mesmo. E, no entanto, o seu pecado escapa à atenção, passa sob silêncio. Quantas vezes a mulher paga pelo próprio pecado, mas só ela paga e paga sozinha! Quantas vezes é abandonada na sua maternidade, quando o homem, pai da criança, não quer aceitar as suas responsabilidades! E ao lado das numerosas «mães solteiras» das nossas sociedades, é preciso tomar em consideração também todas aquelas que, muitas vezes, sofrendo diversas pressões, inclusive da parte do homem culpado, «se livram» da criança antes do seu nascimento. «Livram-se» dela, mas a que preço?

Santos Fileto e Lídia, esposos e macedônios, Teoprépio, Cronides e Amilóco, Mártires 27 de março

† Ilíria, século II
 
Fileto, senador romano de origem ilíria, viveu na época das perseguições do imperador Adriano (século II dC). Homem de profundas virtudes cristãs, com a sua esposa Lídia viveu o sacramento do amor conjugal e transmitiu aos seus filhos macedónio e Teodorêndio a força da fé. Submetidos à tortura para induzi-los à apostasia, Fileto e Lídia resistiram até o martírio que enfrentaram com seus filhos. Sua serena aceitação do sofrimento converteu os dois soldados romanos que deveriam torná-los abjurados, o alto oficial Anfilochus e o comandante da prisão Cronides. O imperador foi forçado a afogar todos os seis em um tanque de óleo fervente. A "passio" destes santos é julgada pelos bolandistas no seu Comentário sobre o Martirológio Romano "certe fabulosa", isto é, certamente fabulosa. Fileto seria um nobre senador ilírio, Lídia sua esposa, macedônio e Teoprépio seus filhos. Presos simplesmente porque eram cristãos, o imperador Adriano os confiou ao alto oficial Anfilochio para submetê-los a torturas atrozes. Em frente à fortaleza com a qual toda a família sofreu várias torturas, Amilóco teve que desistir e até se converteu ao cristianismo. Da mesma forma, o oficial da guarda prisional, Chronides, seguiu seu exemplo. O imperador ficou muito irritado quando a notícia chegou aos seus ouvidos e fez com que todos os seis fossem submetidos a novas torturas na esperança de fazê-los desistir. Eles finalmente morreram imersos em uma banheira cheia de óleo fervente.

Santo Alexandre PATRIARCA DE ALEXANDRIA, +326

Santo Alexandre governou a Igreja em Alexandria. Alexandre, santo bispo, esteve zelando pelo rebanho de Cristo e, principalmente, cuidando do alimento doutrinal que começou a ser ameaçado pelo Arianismo. Ário era um sacerdote de Alexandria, que começou a espalhar uma mentira, afirmando que somente o Pai poderia ser chamado Deus, enquanto que Cristo é inferior ao Pai, distinto d'Ele por natureza. Seria portanto, uma criatura, excelente e superior às demais, mas não divina, nem eterna. O bispo Alexandre fez a Ário várias correções, mas este, irreversível, não deixou de envenenar os cristãos, mesmo depois de saber da condenação da sua doutrina. Santo Alexandre, um ano antes de sua morte, juntamente com o imperador Constantino e principalmente com o Papa da época, foram os responsáveis pela realização do Concílio Ecumênico em Nicéia, Ásia Menor, que definitivamente condenou a heresia e definiu: "Filho Unigénito do Pai... Consubstancial ao Pai".