Evangelho segundo São Mateus 21,33-43.
Naquele tempo, disse Jesus aos príncipes dos sacerdotes e aos anciãos do povo: «Ouvi outra parábola. Havia um proprietário que plantou uma vinha, cercou-a com uma sebe, cavou nela um lagar e levantou uma torre; depois, arrendou-a a uns vinhateiros e partiu para longe.
Quando chegou a época das colheitas, mandou os seus servos aos vinhateiros para receber os frutos.
Os vinhateiros, porém, lançando mão dos servos, espancaram um, mataram outro, e a outro apedrejaram-no.
Tornou ele a mandar outros servos, em maior número que os primeiros, e eles trataram-nos do mesmo modo.
Por fim, mandou-lhes o seu próprio filho, pensando: "Respeitarão o meu filho".
Mas os vinhateiros, ao verem o filho, disseram entre si: "Este é o herdeiro; vamos matá-lo e ficaremos com a sua herança".
Agarraram-no, levaram-no para fora da vinha e mataram-no.
Quando vier o dono da vinha, que fará àqueles vinhateiros?».
Os príncipes dos sacerdotes e os anciãos do povo responderam-Lhe: «Mandará matar sem piedade esses malvados e arrendará a vinha a outros vinhateiros, que lhe entreguem os frutos a seu tempo».
Disse-lhes Jesus: «Nunca lestes na Escritura: "A pedra rejeitada pelos construtores tornou-se a pedra angular; tudo isto veio do Senhor e é admirável aos nossos olhos"?
Por isso vos digo: ser-vos-á tirado o Reino de Deus e dado a um povo que produza os seus frutos».
Tradução litúrgica da Bíblia
Bispo
Sermão para festa de São Cipriano;
PL 57, 687
Dar fruto
«A vinha do Senhor do Universo
é a casa de Israel» (Is 5,7).
Ora, tal casa somos nós e, como somos Israel, somos a vinha; zelemos, pois, a fim de que dos nossos sarmentos não nasçam, em vez de uvas de doçura, uvas de ira (Ap 14,19), para que não se nos diga: «Quando eu esperava que viesse a dar uvas, porque é que apenas produziu agraços?» (Is 5,4). Terra ingrata! Ela, que deveria oferecer ao seu Proprietário frutos de doçura, trespassou-O com espinhos; e os seus inimigos, que deviam ter acolhido o Salvador com toda a devoção da sua fé, coroaram-no com os espinhos da Paixão. Para eles, a coroa significava ultraje e injúria; aos olhos do Senhor, porém, era a coroa das virtudes.
Tende cautela, irmãos, para que não se diga acerca dessa terra que vós sois: «Esperava que viesse a dar uvas, mas ela só produziu agraços» (Is 5,2). Tenhamos cautela, para que as nossas más ações não firam, quais espinhos, a cabeça do Senhor. Foram os espinhos do coração que feriram a palavra de Deus, como o Senhor diz no evangelho quando conta que o grão do semeador caiu entre os espinhos, e que estes cresceram e sufocaram o que fora semeado (cf Mt 13,7). Velai, pois, para que a vossa vinha não dê espinhos em vez de uvas; para que a vossa vindima não produza vinagre em vez de vinho. Todo aquele que faz a vindima sem dela dar aos pobres recolhe vinagre e não vinho; e aquele que enceleira as suas colheitas de trigo sem delas distribuir aos indigentes, não é o fruto da esmola que põe de reserva, mas os cardos da avareza.

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