Evangelho segundo São João 3,16-21.
Naquele tempo, disse Jesus a Nicodemos: «Deus amou tanto o mundo que entregou o seu Filho Unigénito, para que todo o homem que acredita nele não pereça, mas tenha a vida eterna.
Porque Deus não enviou o seu Filho ao mundo para condenar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por Ele».
Quem acredita nele não é condenado, mas quem não acredita nele já está condenado, porque não acreditou no nome do Filho Unigénito de Deus».
E a causa da condenação é esta: a luz veio ao mundo e os homens amaram mais as trevas do que a luz, porque eram más as suas obras.
Todo aquele que pratica más ações odeia a luz e não se aproxima dela, para que as suas obras não sejam denunciadas.
Mas quem pratica a verdade aproxima-se da luz, para que as suas obras sejam manifestas, pois são feitas em Deus».
Tradução litúrgica da Bíblia
(1858-1923)
Abade
Cristo, modelo e fonte de santidade sacerdotal
Colocar a Cristo como lanterna divina no nosso coração
«Eu sou a verdade» (Jo 14,6).
Em virtude da nossa condição natural, caminhamos neste mundo mergulhados nas trevas (cf Lc 1,79). Para ascendermos a Deus, precisamos de ser iluminados sobrenaturalmente. Só Cristo manifesta a verdade religiosa, pois Ele é a luz do mundo. Os seus ensinamentos, sem dissiparem por completo as trevas, permitem-nos reconhecê-lo como o Enviado pelo Pai e aderir a Ele como a Verdade suprema e infalível. «O Senhor é minha luz» (Sl 27,1).
O Evangelho traz ao mundo a revelação das grandes verdades religiosas: a Trindade, a encarnação, a redenção e as consequências da vida após a morte; e também revela à humanidade o mistério da paternidade divina. Quando Jesus nos fala de Deus, apresenta-O sempre como nosso Pai: «Vou subir para o meu Pai e vosso Pai» (Jo 20,18). Uma das características do Novo Testamento é ensinar-nos a chamar Pai a Deus, a comportarmo-nos com Ele como seus filhos (cf Mt 6,9; Rm 8,16). Com a paternidade divina, Jesus revela-nos também a nossa adoção, o nosso destino celestial e bem-aventurado, e todas as atitudes de caridade e virtude próprias dos cristãos. Recolhamos estas doutrinas dos seus lábios benditos, reconheçamos que emanam da própria Verdade e adiramos a elas com fé inabalável. Além disso, Cristo traz a verdade através de uma graça de iluminação inteiramente pessoal das nossas almas. Esta iluminação, única para cada pessoa, é essencial para o progresso da vida de Cristo em nós.
Temos, pois, de considerar os caminhos deste mundo à luz da fé em Cristo. Coloquemo-lo como lâmpada divina no centro do nosso coração. Lancemos as nossas ideias, os nossos juízos e os nossos desejos aos pés de Jesus, para que possamos ver o mundo, as pessoas e os acontecimentos como que através dos seus olhos. Então, daremos o justo valor às coisas do tempo e às da eternidade.

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