Evangelho segundo S. Mateus 19,3-12.
Naquele
tempo, aproximaram-se de Jesus alguns fariseus para O porem à prova e
disseram-Lhe: «É permitido ao homem repudiar a sua esposa por qualquer motivo?». Jesus respondeu: «Não lestes que o Criador, no princípio, os fez homem e
mulher e disse: ‘Por isso o homem deixará pai e mãe para se unir à sua
esposa e serão os dois uma só carne?’. Deste modo, já não são dois, mas uma
só carne. Portanto, não separe o homem o que Deus uniu». Eles objetaram:
«Porque ordenou então Moisés que se desse um certificado de divórcio para se
repudiar a mulher?». Jesus respondeu-lhes: «Foi por causa da dureza do vosso
coração que Moisés vos permitiu repudiar as vossas mulheres. Mas no princípio
não foi assim. E Eu digo-vos: Quem repudiar a sua mulher, a não ser em caso
de união ilegítima, e casar com outra, comete adultério». Disseram-Lhe os
discípulos: Se é esta a situação do homem em relação à mulher, não é conveniente
casar-se». Jesus respondeu-lhes: «Nem todos compreendem esta linguagem,
senão aquele a quem é concedido. Na verdade, há eunucos que nasceram assim
do seio materno, outros que foram feitos pelos homens e outros que se tornaram
eunucos por causa do reino dos Céus. Quem puder compreender, compreenda».
Da Bíblia Sagrada - Edição dos Franciscanos Capuchinhos - www.capuchinhos.org
Comentário do dia:
São João Paulo II (1920-2005), papa
Angelus, 6 de Fevereiro de 1994
«O Criador, desde o princípio, fê-los homem e
mulher»
Tal como tinha planeado desde o princípio,
Deus criou o homem e a mulher à sua imagem. A Escritura diz: «Deus criou o ser
humano à sua imagem, criou-o à imagem de Deus; Ele os criou homem e mulher» (Gn
1,27). É pois importante que esta grande verdade do livro do Génesis: a imagem
de Si mesmo que Deus pôs no homem e na mulher passa também através da
complementaridade dos sexos. O homem e a mulher, unidos em matrimónio, reflectem
a imagem de Deus e são, de algum modo, a revelação do seu amor. Não só do amor
que Deus nutre pelo ser humano, mas também da misteriosa comunhão que
caracteriza a vida íntima das três Pessoas divinas.
Imagem de Deus
pode considerar-se, também, a própria geração, que faz de cada família um
santuário da vida. O apóstolo Paulo diz-nos que toda a paternidade e maternidade
recebem o nome de Deus (Ef 3,15). É Ele a fonte última da vida. Por isso,
pode-se afirmar que a genealogia de cada pessoa tem as suas raízes no eterno. Ao
gerar um filho, os pais são colaboradores de Deus. Missão verdadeiramente
sublime! Não nos surpreendamos, consequentemente, de que Jesus tenha querido
elevar o casamento à dignidade de sacramento, e de que São Paulo se lhe refira
como um «grande mistério», pondo-o em relação com a união de Cristo com a Igreja
(Ef 5,32).
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