Recordamos hoje dois santos bispos com o mesmo nome, Valério. O primeiro, morreu cinco séculos antes, na sua sede episcopal em Treviri, na Alemanha, e pode ser lido na outra página. O segundo, faleceu no dia 15 de março de 810 e foi o bispo de Ravena, em Roma, na Itália.
Este Valério, bispo de Ravena, que faleceu em março, passou a ser comemorado no dia 29 de janeiro, por ser confundido com o primeiro que faleceu neste dia, o qual já tinha um culto cristalizado entre os peregrinos e devotos. O erro partiu de um copista do Vaticano, em 1286, que acreditou se tratasse de um santo só. Excluiu a festa de março e manteve no calendário da Igreja a data da comemoração mais antiga, e assim ficou.
Valério de Ravena, também sofreu fortes perseguições políticas dentro do próprio clero. Mas o pior foi que para agradar o imperador Carlos Magno, que não simpatizava com ele, o bispo foi vítima de uma sórdida intriga política. No dia 8 de abril de 808, dia de Palmas, dois nobres condes paladinos chegaram cedo na cúria, conversaram com Valério que os acolheu e deu hospedagem. Participaram de todas as celebrações pertinentes à data e depois de almoçarem com o bispo, partiram agradecidos.
domingo, 29 de janeiro de 2023
São Constâncio, bispo de Perúgia
Origens
São Constâncio é o primeiro bispo de Perúgia. Era um jovem cristão, notável pelo espírito de mortificação e generosidade que tinha para com os pobres e necessitados. Aos 30 anos, foi chamado a governar a Igreja de Perúgia, Itália e cumpriu todas as suas obrigações episcopais como um pastor zeloso para seu povo.
Perseguição de Marco Aurélio
Enfrentou, por muito tempo, a perseguição de Marco Aurélio, imperador romano. Durante as perseguições, foi preso algumas vezes. Foi preso, pela primeira vez, após ter se recusado a adorar os ídolos. Preso em termas aquecidas a temperaturas altíssimas, Constâncio saiu ileso do martírio. Ao ser preso, acabou por converter os guardas, e foi liberto.
VALÉRIO DE TREVAS Bispo, Santo Século IV
Alguns escritos relatam que o bispo de Trevas, chamado Valério, foi discípulo do apóstolo Pedro. Este o teria consagrado bispo e enviado para evangelizar a população da Alemanha. Mas, isto não ocorreu, São Pedro testemunhou a fé pelo menos dois séculos antes.
Mas Valério foi colaborador de S. Materno — primeiro Bispo da Alsácia —, na evangelização da Alemanha e veio a ser bispo de Trevas, quando morreu S. Eucário, primeiro Bispo de Trevas. Estes três Arautos do Evangelho foram incluídos no Livro dos Santos, como grandes apóstolos da Alemanha.
Nos registros posteriores, revistos pelo Vaticano no final do primeiro milênio, onde foram narrados os motivos da santidade dos religiosos até então, encontramos o seguinte, sobre Valério: "converteu multidões de pagãos e operou milagres singelos e expressivos". Talvez o mais destacado, tenha sido quando Valério, trouxe de volta à vida o companheiro Materno com o simples toque do seu bastão episcopal. Depois, o outro companheiro de missão, que já havia falecido, Eucário, o teria avisado em sonho que no dia 29 de Janeiro ele seria recebido no Reino de Deus. Valério morreu neste dia de um ano ignorado, no início do século IV.
A fama de sua santidade aumentou com a sua morte e os devotos procuravam a sua sepultura para agradecer ou pedir a sua intercessão. O culto se intensificou com a construção de muitas igrejas dedicadas a São Valério, principalmente entre os povos de língua germânica.
Muitas cidades o elegeram como seu padroeiro. As suas relíquias, conservadas numa urna de prata, encontram-se na cripta da basílica de São Matias, na cidade de Trevas, actualmente chamada Trier, na Alemanha. Algumas parcelas destas santas relíquias foram levadas para Lisboa.
A festa litúrgica ocorre no dia de sua morte.
SULPÍCIO SEVERO Bispo, Escritor, Santo + 591
Biógrafo de S. Martinho de Tours
e autor de “Diálogos”.
Na diocese de Bourges, há dois bispos considerados santos, com o mesmo nome: Sulpício Severo e Sulpício, o piedoso, em ordem cronológica. Sulpício Severo pertencia à nobreza da Aquitânia e ocupava uma alta posição na corte do rei Gontrano, quando morreu Remígio, bispo de Bourges. Naquele momento a cidade estava numa situação calamitosa por causa de um incêndio que a tinha devastado. Gontrano impôs aos habitantes a escolha ou eleição de Sulpício Severo para bispo, pois confiava nele e nas suas qualidades de administrador para o restabelecimento da ordem. Foi logo ordenado padre e abandonou os seus altos encargos civis. É provável que não fosse casado, ao contrário de muitos de seus contemporâneos, que tinham de deixar a família quando sagrados bispos. Feito bispo, dedicou-se totalmente à Igreja, e seu episcopado teve início por volta de 584, durando até a data de sua morte, em 591.
Os bispos galos romanos eram a única força que podia se opor aos reis e eram prestigiados por todos. Por isso, a actividade de Sulpício Severo foi muitas vezes política também, porque só assim se explica o título que lhe é atribuído de "defensor da cidade".
São Gildas, o sábio
e possuidor de grande cultura,
trabalhou arduamente na Irlanda,
na Inglaterra e na Bretanha,
convertendo pecadores e reformando mosteiros.
Gildas nasceu cerca do final do século V, na Grã-Bretanha, às margens do rio escocês Clwyd, em Gales do Norte, membro de uma família principesca.
Na infância fora confiado ao santo abade Iltuto († 540), fundador do mosteiro de Llanilltud Fawr, no País de Gales, célebre centro cultural com muitos discípulos. Teve como discípulos os santos celtas Sansão, bispo de Dol, São Paulo de Lyon e São Lunário.
Por volta dos 20 anos de idade, Gildas mudou-se para o País de Gales ‘para reunir as doutrinas de outros estudiosos sobre filosofia e as letras divinas’. Foi ordenado sacerdote e, em 518, decidiu ser missionário. Através de sua pregação, reconduziu ao cristianismo, quase desaparecido, as regiões setentrionais da Grã-Bretanha.
Pouco tempo depois, foi chamado por Santa Brígida de Kildare († 524), da Irlanda, para revitalizar a Igreja local, que após a morte do bispo evangelizador São Patrício († 461), estava em decadência total.
Gildas restabeleceu a disciplina nos mosteiros e entre outras coisas fundou a famosa escola de Armagh, operando numerosas conversões.
Retornando à Inglaterra, junto com dois estudiosos bretões, David e Cadoc, compôs uma ‘Nova Missa’ para as igrejas celtas.
VILENA DE BOTIS Esposa, Mãe, Terceira, Beata 1332-1361
Membro da Terceira Ordem Dominicana.
Mística.
Vilena de Botis nasceu em Florença, na Itália, em 1332 no seio de uma família cujo pai era um rico Beata Vilana de Botis, Esposa, Mãe, Religiosacomerciante; ela foi contemporânea de Santa Catarina de Sena.
Desde a sua tenra idade ela sentiu-se atraída pelo silêncio dos claustros, mas seu pai forçou-a a desposar, em 1351, quando ela tinha 29 anos de idade, Rosso Benintendi. A tímida donzela não ousou opor-se à vontade paterna e encontrou-se assim levada pelo turbilhão das festas mundanas que muito depressa seduziram o seu coração simples e inexperiente às coisas da vida. Mas Deus, que é um eterno amoroso das almas puras e simples, queria e tinha escolhido esta alma desde a sua tenra infância, interveio de maneira insólita.
Ao cair de uma certa noite, Vilana dum sumptuoso espelho, querendo admirar a sua esplêndida cabeleira, procurou em vão encontrar o seu rosto no espelho, mas nele ela só encontrou diante dela uma espécie de monstro que a intimidava. Mas não foi ilusão, como ao princípio ela pensou, porque todos os outros espelhos da casa mostravam, quando ela deles se aproximava, a mesma imagem horrorosa. Foi o suficiente para que ela compreendesse e, imediatamente tomasse a importante decisão de entrar no convento das dominicanas de Santa Maria a Nova e, aos pés do confessor, banhada em lágrimas, libertou o seu coração, encontrando assim o perfume encantador da sua alma de criança.
BRONISLAU MARKIEWICZ
Bem-aventurado (1842-1912)
Bronislau Markiewicz nasceu no dia 13 de julho de 1842 em Pruchnik (Galícia, sul da Polônia), e era o sexto de onze filhos de uma família religiosa de pequenos burgueses. Bronislau enfrentou a fome, a pobreza e perseguições, encontradas na escola por causa de seus ideais cristãos, sempre com espírito de fé que o levou a decidir-se pela entrada no seminário. Foi ordenado sacerdote em 15 de setembro de 1867. Dedicou-se intensamente ao ensino do catecismo e ao apostolado entre os encarcerados, e gostava de viver com o povo, sobretudo pobre. Sentia-se atraído pelos jovens marginalizados que sofriam todo gênero de pobreza e por causa deles quis estudar pedagogia a fim de ajudá-los da melhor forma para salvarem a alma. A Providência levou-o a desejar ardentemente a entrar num Instituto religioso dedicado ao cuidado da juventude.
Partiu, então, para a Itália, onde ficou fascinado pela espiritualidade de Dom Bosco que, sem o saber, já trazia no coração. Pediu e obteve fazer parte da Congregação salesiana e, em 1887, nas mãos de Dom Bosco, emitiu os votos perpétuos.
Beata Boleslava Maria Lament, Virgem (+1946)
Era hábil, sagaz e activa Boleslava Maria Lament, nascida na Polónia, em Lowicz, a 3 de Julho de 1862. Ainda muito nova, abre, na sua terra, uma casa de confecções, depois de haver aí feito os estudos secundários e de se ter especializado numa escola de Alta Costura, em Varsóvia.
Beata Boleslava Maria Lament.jpgEmbora a vida lhe sorrisse, com a empresa a prosperar mais e mais, experimentava, dentro de si, uma certa nostalgia logo interpretada como chamamento do Espírito para se consagrar a Deus na vida religiosa. Por isso, aos vinte e dois anos, com uma de suas irmãs mais novas, entrou na Congregação da Família de Maria, que, ao tempo, por razões políticas, actuava na clandestinidade.
Feito o noviciado, já com os votos temporários, trabalhou em diferentes casas da congregação, em diversos ofícios. Entretanto, sentia, cada vez mais, um apelo a uma vivência de maior contemplação e intimidade com Deus. A clausura parecia-lhe ser o ideal supremo da existência terrena.
Sem fazer os votos perpétuos, abandonou a congregação, sempre com os olhos postos no seu ideal. Enquanto não concretizava o sonho, foi-se dedicando, sob a orientação de alguns sacerdotes, a cuidar de crianças e jovens, habitantes dos bairros degradados de Varsóvia, onde os perigos para a prática da fé eram desmedidos. Filiou-se então na Ordem Terceira de S. Francisco, cooperando com o beato Honorato Podlaska, seu director espiritual.
Ia pelos quarenta e três anos, quando com a cooperação do jesuíta P. Félix Wiercinski, funda, em Mohilev, a Congregação Monástica Ecuménica das Irmãs Missionárias da Sagrada Família, para impulsionarem a unidade das Igrejas Católica e Ortodoxa e se dedicarem ao cuidado dos mais pobres.
ORAÇÃO DE TODOS OS DIAS - 29 DE JANEIRO
Senhor meu Deus, mais um dia está começando. Agradeço a vida que se renova para mim, os trabalhos que me esperam, as alegrias e também os dissabores que nunca faltam. Que tudo quanto viverei hoje sirva para me aproximar de vós e dos que estão ao meu redor. Creio em vós, Senhor. Eu vos amo e tudo espero de vossa bondade. Fazei de mim uma bênção para todos que eu encontrar. Amém.
As reflexões seguintes supõem que você antes leu o texto evangélico indicado.
29 ─ 4º Domingo Comum ─ Sto. Aquilino, S. Constâncio
Evangelho (Mt 5,1-12ª) “Felizes os mansos,
porque receberão a terra em herança. Felizes os que têm fome e sede da justiça,
porque serão saciados.”Jesus proclama feliz quem aceita uma nova
maneira de ver a vida, que vai contra o que quase sempre pensamos. Diz que a
felicidade não está na riqueza, nem na alegria fácil, nem na força, nem no mal
ou na injustiça, nem na dureza de coração, nem na falsidade. Felicidade é
promover a paz, e viver na pureza de coração e na concórdia. Quem descobre a
felicidade, é feliz mesmo sendo perseguindo e insultado, mesmo sofrendo. Se
aceitarmos esse tipo de felicidade, somos felizes e o seremos para sempre.Esse é o caminho porque, sendo como somos,
fracos e orgulhosos, egoístas e de coração duro, cheios de cobiça e maldade,
precisamos que Deus nos transforme e liberte. Mas para isso é preciso que nos
entreguemos em suas mãos, que não queiramos ser nossa própria felicidade, que
reconheçamos que só ele nos pode fazer felizes
Oração
Senhor, não é fácil aceitar essas palavras.
Tenho de abandonar muitas certezas, a confiança em mim mesmo, e aceitar que só
vós me podeis fazer feliz. Ajudai-me a perceber que sou pobre, fraco,
prisioneiro de mim mesmo de minhas ilusões.Neste domingo, quero fazer de minha participação na
Eucaristia uma manifestação clara de minha aceitação de vossos pontos de vista.
Quero comprometer-me convosco, com vossas propostas de vida. Aceito depender
totalmente de vós, renuncio à cobiça dos bens materiais, ao uso da força e do
poder para me impor aos outros. Quero espalhar a paz ao meu redor. Serei
transparente e simples em minhas palavras e atitudes, sem querer iludir nem
enganar. Abandono minhas pretensões e aceito ser feliz do vosso jeito. Amém.
sábado, 28 de janeiro de 2023
REFLETINDO A PALAVRA - “O Senhor é meu Pastor”
A festa de Cristo Rei, na reforma litúrgica, mudou a impostação de sentido político para o escatológico: Cristo, centro para o qual se encaminha todo o Universo. O termo rei não fica bem, pois foi emprestado dos reinos do mundo, que já mostraram sua falência. Cristo é um rei fora desse baralho. Por isso a sociedade não consegue fazer um jogo vitorioso. Este título de Rei, não é o único de Cristo. Há outros que o identificam também, como o Pastor que Ele mesmo se dá (Jo. 10,11) e Ezequiel descreve: (Ez 34,11-12.15-17). Ele toma conta do rebanho. Tomar conta para Cristo é servir, servir é reinar. “Estou entre vós como aquele que serve” (Lc 22,27). O domínio de Cristo sobre o mundo se faz pela sua entrega para que todos tenham vida: “Eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância” (Jo 10,10). Quanto aos donos da terra, teriam que aprender para poderem ser chamados de autoridades, senhores e reis. O mesmo acontece dentro da Igreja onde a autoridade não se baseia no serviço. Jesus dizia: “Entre vós não será assim; antes, qualquer que entre vós quiser tornar-se grande, será esse o que vos sirva” (Mc 10,43). A festa de Cristo Rei é festa de todos os servidores de Deus e de seus pobres, como nos narra o Evangelho. Creio que a mentalidade do Evangelho deve impregnar mais o modo de a Igreja se compor. É monarquia absolutista? É democracia baderneira? Jesus já fez o programa. Atrelar-se a um tipo de instituição é cair com ela. O reinado de Cristo, como rezamos no prefácio da missa, é assim: “Ele, oferecendo-se... realizou a redenção da humanidade. Submetendo a si toda a criatura, entregará um reino eterno e universal: Reino da verdade e da vida, da santidade e da graça, da justiça do amor e da paz”.
Em Cristo, todos reviverão.
Cristo assume seu Reino no alto da Cruz, coroado com os espinhos, com o manto púrpura do seu sangue, com o cetro dos cravos. Cristo é glorificado – e assume o poder em sua ressurreição. Associa a si todos os fiéis, pois ressuscitamos com Ele (Cl 3,1). Ele leva consigo o cativeiro de que nos libertou (Ef 4,8). “Por ele veio a ressurreição dos mortos” (!Cor 15,21). “Como em Adão todos morrem, assim também em Cristo todos reviverão” (1Co 15,22). O cristão ressuscita em cada gesto de amor. A fé é o dom da vida em Cristo e o amor mantém esta vida. A falta de fé faz ver no irmão um empecilho. Jesus não nos recusa quando damos a mão para o irmão.
O Reino dos misericordiosos
O Reino futuro se implanta no amor fraterno. Os itens do julgamento coincidem com os problemas do mundo atual: a fome acentuada com a crise de alimento; a sede com o problema da água. A nudez que não é só falta de roupa, mas o problema do uso do corpo como meio de vida; o grave problema das migrações e refugiados. Acolheste-me? Doente? Temos o grave problema da falta de acesso à saúde pública. Preso: prisões superlotadas e sistema presidiário ineficiente para libertar a pessoa. Há também as prisões interiores. Fazer ao irmão é fazer a Cristo; Fazer a Cristo é fazer a nós mesmos, pois estamos unidos a seu Corpo. O irmão é uma graça de Deus que nos abre a porta do Céu e da vida, pois fazemos a nós mesmos, no irmão. A salvação vem pelo próximo.
Leituras: Ezequiel 34,11-12.15-17; Salmo 22;
1 Coríntios 15,20-26.28; Mateus 25,31-46.
1. A festa assumiu um caráter escatológico: Cristo, centro para o qual se encaminha o Universo. O título “rei”, entendido no contexto das realezas, não preenche o sentido de Pastor e outros títulos de Cristo. A realeza de Cristo está na linha do serviço. A Igreja não se iguala aos sistemas políticos do mundo. É muito mau quando o faz. O domínio de Cristo se faz por sua entrega para que todos tenham vida. A autoridade na Igreja é serviço e não honra.
2. Jesus assume seu Reino no alto da Cruz. É glorificado pela Ressurreição. Ele associa a si os fiéis, pois ressuscitam com Ele. O cristão ressuscita em cada gesto de amor. A falta de fé faz ver no irmão um empecilho.
3. O Reino futuro se implanta no amor fraterno. Os itens do julgamento coincidem com os problemas do mundo atual: fome, água, nu, saúde pública, prisões. O irmão é uma graça de Deus que nos abre a porta do Céu. O que fazemos aos irmãos fazemos a nós mesmo. A salvação vem pelo próximo.
Rei fora do baralho
Quando queremos fazer um belo jogo de baralho e nos falta uma carta... é uma angústia. Jesus é Rei, mas é tirado fora do baralho da vida. Por isso não há jogo que se complete.
Ele vem para o julgamento do mundo. Aliás, somos julgados a cada momento. São poucos itens, já conhecidos: “Eu tive fome e me destes de comer; Eu tive sede; Eu estava nu; Eu era estrangeiro; Eu estava doente e prisioneiro”. E que vocês fizeram? Toda vez que o fizeram a um destes pequeninos, foi a mim que o fizeram ou não fizeram. Aí danou tudo. A gente só pensa em si.
Ele é o Pastor que vai conduzir, sobretudo os fracos. Mas não se esquece da ovelha gordinha,para que se fortaleça no bem.
Ser pastor com o Pastor é realizar o projeto que nos deixou.
Homilia da Sol. de Cristo Rei (23.11.2008)
EVANGELHO DO DIA 28 DE JANEIRO
Evangelho segundo São Marcos 4,35-41.
Naquele dia, ao cair da tarde, Jesus disse aos seus discípulos: «Passemos à outra margem do lago».
Eles deixaram a multidão e levaram Jesus consigo na barca em que estava sentado. Iam com Ele outras embarcações.
Levantou-se então uma grande tormenta e as ondas eram tão altas que enchiam a barca de água.
Jesus, à popa, dormia com a cabeça numa almofada. Eles acordaram-no e disseram: «Mestre, não Te importas que pereçamos?».
Jesus levantou-Se, falou ao vento imperiosamente e disse ao mar: «Cala-te e está quieto». O vento cessou e fez-se grande bonança.
Depois disse aos discípulos: «Porque estais tão assustados? Ainda não tendes fé?».
Eles ficaram cheios de temor e diziam uns para os outros: «Quem é este homem, que até o vento e o mar Lhe obedecem?».
Tradução litúrgica da Bíblia
Terceira dominicana, doutora da Igreja,
copadroeira da Europa
Carta 140 ao Ir. R. de Cápua, n.º 94
Subir para a barca da Santa Cruz
Temos de nos despojar de nós e de nos revestir de Jesus crucificado, subindo para a barca da nossa santa fé e navegando sem temor no mar borrascoso do mundo. Quem está nesta barca não deve ter um temor servil, porque a sua embarcação dispõe de todas as provisões que a alma pode desejar. Quando somos atacados por ventos contrários, que nos impedem de satisfazer os nossos desejos, não nos preocupemos, mas tenhamos uma fé viva, porque temos com que nos alimentar e a barca é tão forte que nem os piores ventos, que a lançam contra os mais terríveis escolhos, poderão destruí-la.
É verdade que a barca ficará muitas vezes coberta pelas águas, mas nem por isso podemos perder a coragem; isso acontece para conhecermos melhor e distinguirmos com mais perfeição a calma da tempestade. Em tempos de calma, não devemos ter uma confiança desmedida, mas, com santo temor, recorrer à oração humilde e continuada, procurando com desejo ardente a honra de Deus e a salvação das almas nesta barca da cruz. É por isso que Deus permite que os demónios, a carne a a mundo nos persigam e nos cubram de águas tumultuosas.
Mas, se a alma que está nesta barca não se encosta à amurada, mas se coloca no centro, no abismo de amor ardente de Jesus crucificado, não sofrerá nenhum mal; pelo contrário, tornar-se-á mais forte, terá mais coragem para suportar as penas, as fadigas e as censuras injustas do mundo, porque terá experimentado e saboreado a ajuda da Providência divina. Despojai-vos, pois, do amor próprio e revesti-vos da doutrina de Jesus crucificado. Isto vos imploro, pois quero que entreis nesta barca da santa cruz e que atravesseis este mar borrascoso à luz de uma fé viva.
28 de janeiro - Beata Maria Luisa Montesinos Orduna
Maria Luisa nasceu em 3 de março de 1901 em Valência, Espanha, e foi batizada dois dias depois. Ela recebeu a confirmação em 18 de março de 1907, aos seis anos de idade, na igreja de San Andrés Apóstolo.
Educada em uma escola religiosa, ela optou por uma boa cultura geral. Sua vida voltou-se para o serviço de seus pais. Ingressou na Ação Católica Espanhola e participava diariamente da celebração eucarística, destacando-se também por sua devoção mariana. Ela era uma catequista ativa, ensinava alfabetização, dedicou-se aos cuidados dos doentes e da caridade aos pobres.
Quando a guerra civil eclodiu e a feroz perseguição religiosa pela qual a Espanha passou, Maria Luisa e sua família foram denunciadas por serem católicas por um servo e a FAI do Grau de Valencia os prendeu. Ela foi baleada com o pai, os dois irmãos e a irmã, além de uma tia dele. Foi a única que subiu aos altares, porque não tinha militância política e foi baleada por ser católica. O massacre ocorreu em 28 de janeiro de 1937 em Picassent, perto de Valência.
Em 11 de março de 2001, o Papa São João Paulo II elevou as honras dos altares a nada menos que 233 vítimas da mesma perseguição, incluindo a Beata Maria Luisa Montesinos Orduña, sua memória é celebrada hoje no aniversário de seu martírio.
São Pedro Nolasco, Sacerdote, Fundador (1189-1256), 28 de Janeiro
São Pedro Nolasco nasceu numa família ilustre, que habitava perto de Carcassonne, na França, no final do Século XII. Infelizmente, seus pais morreram quando era ainda um adolescente. Durante toda a sua vida, Pedro se aplicou na prática da caridade para com o próximo.
A heresia dos Albigenses assolava, então, o Centro da França. Para se afastar desse perigo, Pedro vendeu seu patrimônio e partiu para a Espanha, onde foi chamado pelo rei Tiago de Aragão, mais precisamente para Barcelona, e ali aplicou toda a sua fortuna no resgate dos que haviam sido feitos prisioneiros pelos Sarracenos. Mas, para ele, sacrificar seus bens não bastava para realizar a caridade que trazia consigo. Pedro queria vender-se a si próprio para livrar seus irmãos e assumir os grilhões que lhes pesavam. Une noite, enquanto orava sonhando com a libertação dos cativos, a Santa Virgem lhe apareceu, pedindo-lhe que fundasse, em Sua honra, uma Ordem religiosa consagrada a esta obra de caridade. Pedro apressou-se em obedecer a este pedido celestial, ainda mais porque o rei e Raimundo de Pennafort também haviam recebido, ao mesmo tempo, a mesma revelação.
Pedro, então, fundou a Ordem de Nossa Senhora das Mercês pela Redenção dos Cativos. O caráter particular desta Ordem é que, aos três votos convencionais (pobreza, obediência, castidade), Pedro adicionou um quarto voto: fazer-se prisioneiro, em caso de necessidade, em troca da libertação de cristãos.
TOMÁS DE AQUINO Dominicano, Doutor da Igreja, Santo 1225-1274
Sacerdote dominicano, foi inicialmente discípulo de Santo Alberto Magno, e leccionou na Universidade de Paris.
Escreveu mais de cem obras, entre as quais se destacam a “Suma contra os gentios” e a “Suma Teológica” .
Foi chamado “Doutor Angélico”.
Doutor da Igreja, professor de teologia, filosofia e outras ciências nas principais universidades do mundo em seu tempo; frei caridoso, estudioso dos livros sagrados, sucessor na importância teórica de São Paulo e Santo Agostinho. Assim era Tomás d'Aquino, que não passou de um simples sacerdote. Muito se falou, se fala e se falará deste Santo, cuja obra perdura atualíssima ao longo dos séculos. São dezenas de escritos, poesias, cânticos e hinos até hoje lidos, recitados e cantados por cristãos de todo o mundo.
Tomás nasceu em 1225, no castelo de Roccasecca, na Campânia, da família feudal italiana dos condes de Aquino. Possuía laços de sangue com as famílias reais da Itália, França, Sicília e Alemanha, esta ligada à casa de Aragão. Ingressou no mosteiro beneditino de Montecassino aos cinco anos de idade, dando início aos estudos que não pararia nunca mais. Depois, freqüentou a Universidade de Nápoles, mas, quando decidiu entrar para a Ordem de São Domingos encontrou forte resistência da família.
JOSÉ FREINADEMETZ Sacerdote, Missionário, Santo 1852-1908
Comunidade do Verbo Divino
e depois missionário na china.
Canonizado em 2003.
José Freinademetz nasceu no dia 15 de abril de 1852, na cidade de Oites, no Tirol do Sul, que na ocasião era território austríaco, mas a cidade hoje se chama Alta Badia e pertence a Itália. Seus pais eram camponeses muito pobres, tiveram treze filhos e formaram uma família muito cristã.
O pequeno José, desde a infância queria ser um missionário. Estudou no seminário diocesano de Bressanone, onde foi ordenado sacerdote em 1875. Depois de três anos de ministério em São Martino, na Alta Badia, com autorização de seu Bispo, ingressou na Sociedade do Verbo Divino, em Steyl, na Holanda, para ser um missionário.
Em 1879, recebendo a cruz dos verbitas, foi enviado para a missão da China. Ficou dois anos em Hong Kong, para adaptação dos costumes, e depois foi enviado para a primeira missão católica em Shandong do Sul, junto com um companheiro da Ordem, o holandês João Batista Anzer.
Os dois missionários encontraram uma comunidade minúscula de cristãos, com menos de duzentos fiéis. Começaram a evangelização com visitas pastorais em todas as vilas, contatando as pessoas e as famílias, pois o total de habitantes era de nove milhões.
Aos poucos o povo se afeiçoou ao caridoso, ativo e incansável Padre José, a quem deram o nome chinês de Padre Fu Shen Fu, que significa Padre Feliz.
MOISÉS TOVINI Sacerdote, Beato 1877-1930
Beato José Tovini (cf.16 de Janeiro),
foi um sacerdote muito activo em Brescia.
Foi beatificado em 2006.
Na tarde de domingo, 17 de Setembro, celebrou-se a Santa Missa de beatificação do Pe. Moisés Tovini, na Catedral de Bréscia (Itália), sacerdote oblato dessa Diocese.
O novo Beato foi um homem humilde, preparado, generoso e bom, que dedicou toda a sua vida como educador e pastor no silêncio e no escondimento da vida quotidiana do Seminário e das paróquias.
Originário de Cividate Camuno, onde nasceu em 27 de Dezembro de 1877, teve como padrinho de baptismo o Adv. Giuseppe Tovini, tio paterno, que certamente com o seu exemplo de vida evangélica influenciou muito as escolhas de Moisés.
Após os estudos básicos, amadureceu nele a vocação para o sacerdócio. Completados os estudos, foi ordenado no dia 9 de Junho de 1900. A sua primeira destinação foi a de Capelão em Astrio di Breno. Em seguida, a fim de completar os estudos foi enviado para Roma, onde se formou em Matemática e em Filosofia e Teologia. Durante os anos passados em Roma ele exerceu um ardoroso apostolado em duas pequenas igrejas na periferia, frequentadas pelos pobres da zona rural romana: a Cervelletta e a do Repouso.
OLÍMPIA BIDÀ Religiosa, Mártir, Beata (1903-1952)
Martirizada na Sibéria.
Beatificada em 2001.
Olga nasceu na aldeia Cebliv, região de Lviv. Ainda jovem ingressa no mosteiro das Irmãs da Congregação de São José, situado na sua aldeia. Ela faz os votos com o nome de Olimpia e trabalha na escola, dedicando-se à educação cristã de meninas na aldeia Žužel. Em 1938 foi nomeada superiora do mosteiro da cidade de Chyrov.
Em 1939, com a invasão do exército soviético na Ucrânia Ocidental, começaram as repressões em massa contra a intelectualidade local. As freiras são advertidas de que, para evitar a prisão, elas devem tirar o hábito religioso e se dispersar em vários apartamentos. Durante a ocupação alemã, com o aumento da fome, as freiras se preocuparam em encontrar os alimentos necessários e distribuí-los aos mais necessitados. Ao mesmo tempo, elas organizam momentos de oração comum.
Após a união da Ucrânia Ocidental com a URSS, começa o processo de liquidação da Igreja Greco-Católica e a deportação em massa da população local para a Sibéria, acusada de apoiar o movimento nacionalista. A irmã Olímpia, junto com as outras irmãs, organiza uma colecta de alimentos para famílias com crianças pequenas. Durante a repressão, quando todos os mosteiros estão fechados, as freiras do convento de Chyrov decidem ir para a clandestinidade.
ORAÇÃO DE TODOS OS DIAS - 28 DE JANEIRO
Senhor meu Deus, mais um dia está começando. Agradeço a vida que se renova para mim, os trabalhos que me esperam, as alegrias e também os dissabores que nunca faltam. Que tudo quanto viverei hoje sirva para me aproximar de vós e dos que estão ao meu redor. Creio em vós, Senhor. Eu vos amo e tudo espero de vossa bondade. Fazei de mim uma bênção para todos que eu encontrar. Amém.
As reflexões seguintes supõem que você antes leu o texto evangélico indicado.
28 ─ Sábado ─ Sto. Tomás de Aquino, S. Gonçalo
Evangelho (Mc 4,35-41) “─ Silêncio! Cala-te! O vento cessou e houve
uma grande calmaria. Então Jesus perguntou aos discípulos: ─ Por que sois tão
medrosos? Ainda não tendes fé?”
A tempestade devia ser muito forte para amedrontar aqueles
pescadores. Tendo mandado que o vento e o lago se acalmassem, Jesus censurou o
medo e a falta de fé dos discípulos. Como todos nós em nossas situações
difíceis, eles deviam confiar mais em Deus. Não esperando sempre milagres, mas
tendo certeza que Deus cuida de nós, e por isso nada e ninguém nos poderá fazer
infelizes.
Oração
Senhor,
não tenho enfrentado tempestades muito grandes; sei, porém, o que é ficar com
medo e até apavorado. Uma vez que grandes ou pequenos haverá outros temporais,
aumentai minha confiança em vós, ajudai-me a viver na certeza que cuidais de
mim. E que nada, a não ser o pecado, me poderá roubar a felicidade. Dai-me
tranquilidade mesmo nos momentos mais difíceis. Amém.
sexta-feira, 27 de janeiro de 2023
REFLETINDO A PALAVRA - “Penitência! Isso vale ainda?”
Na caminhada da vida encontramos alguns momentos em que nos voltamos para nós mesmos e cuidamos do aspecto físico, espiritual e social. Às vezes estamos sem forças para viver uma destas dimensões. Aonde vamos nos recuperar? Para o físico vamos a uma Academia, nos sujeitamos a regimes assassinos (para nossos prazeres), ou vamos a um psicólogo para um confronto acompanhado. E para a vida espiritual? Muitos são as modalidades de nos recuperarmos espiritualmente. Temos o que se chama “penitência”. Não apreciamos muito esta virtude porque é mal afamada. Por exemplo: se pensarmos fazer um jejum para fins espirituais, achamos um absurdo. Se for para emagrecer, pago caro para um regime acompanhado de um médico. Mas a virtude da penitência faz parte da vida e envolve tudo o que nos faz mais humanos e mais espirituais. Na tradição antiga (eu ainda alcancei algumas coisas) havia práticas penitenciais até violentas. Era uma cultura que vinha desde os monges do deserto e influiu muito. Acabou tudo? Houve mudanças. Temos novas modalidades. Fazer penitência é voltarmo-nos para nós mesmos e repensarmos nossa vida a partir do Evangelho no seguimento de Jesus. É preciso o controle sobre si e o treinamento para resistir ao mal e aos males que nos cercam. Penitência é estar firmes no caminho não aceitando nossa imperfeição, procurando não nos instalarmos em uma situação que nos faça menos pessoa a nível humano e espiritual. Penitência é o esforço para vencer os males, adquirindo para isso práticas que nos fortaleçam. Penso que é estúpido fazer penitências fortes sem uma ressonância interior. Antes se falava de domar com força o burrico que somos nós. Quem sabe pudéssemos dizer: educar para a vida. Trata-se de colocar limites a nós mesmos e dizer não ao que nos é prejudicial. Esse treinamento é importante e nos faz fortes. Por exemplo: Se eu tiver a tendência à ira, vou educar-me à paciência. Se exagerar na comida, vou colocar limites etc...
Revendo nossos passos
A penitência tem diversos nomes: conversão contínua, constante disponibilidade para a conversão, mortificação, colocar limites, fazer escolhas que nos eduquem etc... Na base está a luta contra o egoísmo. A penitência coíbe o egoísmo. Para identificar o que ocorre conosco e a encontrar o remédio adequado, precisamos conhecer a nós mesmos. Sabemos quem somos? Conhecemos nossas tendências? Ou deixamos estrada livre a nossas tendências? Na realidade, a penitência vai se chocar com o conceito egoísta que temos: “O que eu quero é que é o certo. Quem quiser dominar o mundo deve primeiro dominar a si mesmo. A penitência será o instrumento desse domínio sobre si. Sem esse domínio é impossível construir uma personalidade completa. A espiritualidade edifica esta personalidade.
Saber o caminho a seguir.
O processo de crescimento, interiorizaçao e amadurecimento produzem os frutos de justiça, firmeza, paz, amor e bondade. Virtude da penitência é dinâmica. Não se trata de massacrar o burro, mas é dar um sim à vocação de seguir a Cristo. Conversão nos dá uma meta fixa. Caminhando para ela vamos desmascarando nossos males e lutando com decisão. A penitência vai ser real quando temos uma meta a atingir. Ela sustenta o esforço por manter-se firme no caminho. Toda penitência e conversão deverão ser sempre iluminadas pelo Espírito de Cristo que nos comunica a força do Evangelho. As qualidades humanas se enriquecem com os dons divinos. Sejamos fortes na luta e serenos na vitória.
ARTIGO REDIGIDO E PUBLICADO
EM NOVEMBRO DE 2008
EVANGELHO DO DIA 27 DE JANEIRO
Evangelho segundo São Marcos 4,26-34.
Naquele tempo, disse Jesus à multidão: «O Reino de Deus é como um homem que lançou a semente à terra.
Dorme e levanta-se, noite e dia, enquanto a semente germina e cresce, sem ele saber como.
A terra produz por si, primeiro a planta, depois a espiga, por fim o trigo maduro na espiga.
E quando o trigo o permite, logo se mete a foice, porque já chegou o tempo da colheita».
Jesus dizia ainda: «A que havemos de comparar o Reino de Deus? Em que parábola o havemos de apresentar?
É como um grão de mostarda, que, ao ser semeado na terra, é a menor de todas as sementes que há sobre a terra;
mas, depois de semeado, começa a crescer e torna-se a maior de todas as plantas da horta, estendendo de tal forma os seus ramos que as aves do céu podem abrigar-se à sua sombra».
Jesus pregava-lhes a palavra de Deus com muitas parábolas como estas, conforme eram capazes de entender.
E não lhes falava senão em parábolas; mas, em particular, tudo explicava aos seus discípulos.
Tradução litúrgica da Bíblia
Terceira dominicana, doutora da Igreja,
copadroeira da Europa
Carta 37, à rainha Joana de Nápoles
«O Reino de Deus é como um homem
que lançou a semente à terra»
Bem sabeis, minha querida Mãe, que nós somos semelhantes a campos onde Deus, na sua misericórdia, lançou a semente, ou seja, o amor com o qual nos criou, tirando-nos do seu seio por amor, e não por dever. Nós não Lhe pedimos para ser criados; mas Ele, levado pelo fogo da sua caridade, criou-nos para O vermos e experienciarmos a sua bondade soberana e eterna.
E, para que esta semente dê fruto e as plantas cresçam, deu-nos a água do santo batismo. O fruto é doce e agradável, mas precisamos de um jardineiro que cuide dele e o conserve. Ó dulcíssimo amor de Jesus, que nos deste, na razão e no livre arbítrio, o melhor e mais poderoso jardineiro que podíamos ter.
Deus também nos deu o tempo, porque, sem o tempo, o jardineiro nada poder fazer; com o tempo - isto é, a nossa vida - o jardineiro pode revirar a terra e colher os frutos; então, a mão do amor, do desejo santo e verdadeiro, colhe o fruto e leva-o para o celeiro - ou seja, tudo faz por Deus e procura em todas as coisas as suas obras de louvor e a glória do seu nome.
Olhai, olhai o amor inefável que Deus tem por nós e a doçura do fruto delicioso do Cordeiro sem mancha, este trigo bom que foi semeado no campo de Maria. Que o nosso jardineiro desperte da sua negligência, pois chegou o momento: o fruto está maduro, fortificado pela união de Deus com o homem.
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