quinta-feira, 21 de agosto de 2025

Pio X Papa, Santo 1835-1914

Papa de 1903 a 1914. 
O seu catecismo foi um dos mais 
utilizados pela cristandade.
Pontificado: 1903 a 1914 Giuseppe Sarto (este era seu nome) nasceu em Riese (Treviso), em 1835, de família camponesa. Após os estudos no Seminário de Pádua, foi ordenado sacerdote, aos 23 anos. Primeiramente, foi vice-pároco em Tombolo, depois pároco em Salzano, e mais tarde cônego da catedral de Treviso, com o cargo de chanceler episcopal e diretor espiritual do seminário diocesano. Nesses anos de rica e generosa experiência pastoral, o futuro pontífice mostrou esse profundo amor a Cristo e à Igreja, essa humildade e simplicidade e essa grande caridade pelos mais necessitados, que foram características de toda a sua vida. Em 1884, foi nomeado bispo de Mantua e, em 1893, patriarca de Veneza. No dia 4 de agosto de 1903, foi eleito Papa, ministério que aceitou com hesitação, porque não se considerava à altura de uma tarefa como essa. O pontificado de São Pio X deixou um traço indelével na história da Igreja e se caracterizou por um notável esforço de reforma, sintetizada no lema Instaurare omnia in Christo ("Renovar todas as coisas em Cristo"). Suas intervenções, de fato, abrangeram os diversos âmbitos eclesiais. Desde o começo, dedicou-se à reorganização da Cúria Romana; depois, aprovou os trabalhos da redação do Código de Direito Canônico, promulgado pelo seu sucessor, Bento XV. Promoveu, além disso, a revisão dos estudos e do iter de formação dos futuros sacerdotes, fundando também vários seminários regionais, equipados com boas bibliotecas e professores preparados. Outro setor importante foi o da formação doutrinal do povo de Deus. Desde os anos em que era pároco, havia redigido ele próprio um catecismo e, durante o episcopado em Mantua, havia trabalhado para que se chegasse a um catecismo único, se não universal, pelo menos italiano. Como autêntico pastor, havia compreendido que a situação da época, também pelo fenômeno da migração, tornava necessário um catecismo ao qual todo fiel pudesse referir-se, independentemente do lugar e das circunstâncias da vida. Como pontífice, preparou um texto de doutrina cristã para a diocese de Roma, que se difundiu depois em toda a Itália e no mundo. O Catecismo chamado "de Pio X" foi para muitos um guia seguro na aprendizagem das verdades da fé, por sua linguagem simples, clara e precisa e por sua eficácia expositiva. Pio X dedicou uma notável atenção à reforma da Liturgia, em particular da música sacra, para levar os fiéis a uma vida de oração mais profunda e a uma participação nos sacramentos mais plena. No Motu Proprio Tra le sollecitudini (1903), afirma que o verdadeiro espírito cristão tem sua primeira e indispensável fonte na participação ativa nos sacrossantos mistérios e na oração pública e solene da Igreja (cf. ASS 36[1903], 531). Por isso, convidou a que se aproximassem frequentemente dos sacramentos, favorecendo a frequência cotidiana à Santa Comunhão, bem preparados, e antecipando oportunamente a Primeira Comunhão das crianças aos 7 anos de idade, "quando a criança começa a raciocinar", dizia (cf. S. Congr. de Sacramentis, Decretum Quam singulari : AAS 2[1910], 582). Fiel à tarefa de confirmar os irmãos na fé, São Pio X, frente a algumas tendências que se manifestaram no âmbito teológico no final do século XIX e começo do XX, interveio com decisão, condenando o Modernismo, para defender os fiéis das concepções errôneas e promover um aprofundamento científico da Revelação, em consonância com a Tradição da Igreja. No dia 7 de maio de 1909, com a carta apostólica Vinea electa, fundou o Pontifício Instituto Bíblico. Os últimos meses de sua vida foram difíceis, pelo começo da guerra. O apelo aos católicos do mundo, lançado no dia 2 de agosto de 1914, para expressar sua "áspera dor" daquele momento, era o grito sofredor do pai que vê os filhos enfrentando-se uns aos outros. Ele faleceu pouco depois disso, no dia 20 de agosto, e sua fama de santidade começou a difundir-se imediatamente entre o povo cristão. Queridos irmãos e irmãs, São Pio X nos ensina que, na base da nossa ação apostólica, nos diversos campos em que trabalhamos, deve haver sempre uma íntima união pessoal com Cristo, que é preciso cultivar e fazer crescer cada dia. Este é o núcleo de todo o seu ensinamento, de todo o seu compromisso pastoral. Somente se estivermos enamorados do Senhor, seremos capazes de levar os homens a Deus e abri-los ao seu amor misericordioso, abrir o mundo à misericórdia de Deus. 
Bento XVI, Audiência Geral de 18 de agosto de 2010 (ZENIT.org)
Quantos pensamentos se passavam pela cabeça do pequeno José Sarto, quando percorria, - muitas vezes, a pé, - a estrada da sua casa, em Riese, na região veneta, até à escola em Castelfranco! Mas, jamais teria imaginado que um dia ocuparia o sólio de Pedro. Pio X foi o primeiro Papa, na história contemporânea, proveniente da classe camponesa; a sua formação foi exclusivamente pastoral: não ocupou nenhum cargo na Cúria Romana, nem nas atividades diplomáticas da Santa Sé. Nasceu em 1835 e foi o segundo de dez filhos. Com a morte do pai, poderia tê-lo substituído no trabalho Municipal – pois tinha 17 anos – mas a sua mãe o ajudou a seguir a sua vocação, trabalhando, dia e noite, para ir levando a vida. Tal amor e tenacidade não foram esquecidos por José Sarto: gostava de estudar, gozava de uma ótima saúde, era bondoso, mas também muito tenaz, e tinha uma vida rica de obras de caridade. Foi capelão, pároco, diretor espiritual no Seminário, Bispo de Mântua, Patriarca de Veneza e, por fim, Papa. Seu primeiro ato, como Pontífice, foi abolir o “veto laical”, - uma espécie de direito, derivado de algumas monarquias europeias – com a Constituição “Commissum nobis”. 
“Restaurar” para reformar 
O famoso Catecismo, que traz o seu nome, foi adotado na Itália com uma particular estrutura de “perguntas e respostas”. Foi elaborado precisamente para pessoas simples, em uma sociedade onde a cultura ainda não havia atingido todas as classes sociais. A maior preocupação de Pio X era difundir, o máximo possível, a catequese entre os cristãos. Eis algumas das principais características do seu Pontificado: oposição ao modernismo e às leis anticristãs na França; impulso à reforma do Direito Canônico e da Cúria Romana; antecipação para sete anos de idade a Primeira Comunhão. Ainda na Itália, a moderação das restrições do “Non expedit” de Pio IX, ou seja, a proibição dos católicos italianos de participar da vida política. Por outro lado, Pio X favoreceu a reforma Litúrgica, o movimento Bíblico e deu prioridade ao canto gregoriano. Mas, ao centro de tudo, estava a participação na Eucaristia. Estes são apenas alguns acenos, diante da riqueza das intervenções do seu Pontificado. 
Ao centro, a preocupação Pastoral 
Logo, o Papado de Pio X foi, certamente, muito “ativo” e variegado, tanto que, seu grande amigo e Secretário de Estado, Cardeal Rafael Merry del Val, não por acaso, ressaltou: “Este enorme trabalho foi, sobretudo, devido à sua iniciativa pessoal, consequente da sua bondade, que ninguém seria capaz de colocar em dúvida”. Ao centro da sua vida e Magistério estava a sua preocupação pastoral, em uma sociedade onde se advertia, cada vez mais, uma crise de Fé. Esta sua intenção já era claramente expressa no lema do seu Pontificado “Instaurare omnia in Christo”, extraído da Carta aos Efésios. Enfim, São Pio X quis viver como pobre. De fato, deixou escrito em seu testamento: “Nasci pobre, vivi como pobre e, certamente, morrerei muito pobre”.

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