Evangelho segundo São Mateus 23,13-22.
Naquele tempo, disse Jesus: «Ai de vós, escribas e fariseus hipócritas, porque fechais aos homens o Reino dos Céus: vós não entrais nem deixais entrar os que o desejam.
Ai de vós, escribas e fariseus hipócritas, porque devorais as casas das viúvas, com o pretexto de prolongadas orações. Por isso, sereis mais rigorosamente julgados.
Ai de vós, escribas e fariseus hipócritas, porque dais volta ao mar e à terra para fazerdes um convertido, mas, tendo-o conseguido, fazeis dele um merecedor da Geena, duas vezes mais do que vós.
Ai de vós, guias cegos, que dizeis: "Quem jurar pelo santuário a nada se obriga; mas quem jurar pelo ouro do santuário tem de cumprir".
Insensatos e cegos! Que vale mais: o ouro ou o santuário que santifica o ouro?
Dizeis também: "Quem jurar pelo altar a nada se obriga; mas quem jurar pela oferenda que está sobre o altar tem de cumprir".
Cegos! Que vale mais: a oferenda ou o altar que santifica a oferenda?
Na verdade, quem jura pelo altar, jura por tudo o que está sobre ele.
E quem jura pelo Santuário, jura por ele e por Aquele que o habita.
E quem jura pelo Céu, jura pelo trono de Deus e por Aquele que nele está sentado».
Tradução litúrgica da Bíblia
(1447-1510)
Leiga, mística
«O Livre Arbítrio»
Deus faz apelo à nossa liberdade
Deus incita o homem a levantar-se do pecado. Quanto mais depressa o homem reconhece a sua miséria, mais depressa se humilha e se abandona nas mãos de Deus, percebendo que é a Ele que cabe realizar esta obra de conversão. O homem toma disso consciência pouco a pouco, através das contínuas inspirações que Deus lhe envia; e, ao ver a obra e as vantagens que dela retira, diz para si mesmo: «Parece-me realmente que Deus não tem mais nada que fazer que não seja cuidar de mim. Que doces e ternas são as obras de Deus em nós!».
Nesta vida, servir a Deus é, na verdade, reinar. Quando Deus liberta o homem do pecado que o torna escravo, liberta-o de toda a servidão e coloca-o num estado de verdadeira liberdade. De outro modo, o homem vai sempre de desejo em desejo, sem jamais se saciar: quanto mais tem, mais gostaria de ter; procurando satisfazer-se, nunca está contente. De facto, quem tem um desejo está possuído por ele, vendeu-se à coisa que ama; se procura a liberdade seguindo os seus apetites e ofendendo a Deus, fica escravo deles para sempre.
Considera, pois, a força e o poder do nosso livre arbítrio, que contém em si duas coisas tão opostas e tão contrárias uma à outra: a vida e a morte eternas. O livre arbítrio não pode ser violentado por nenhuma criatura; por isso, enquanto estiver na tua mão, reflete bem e toma cuidado com o que fazes.
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