quarta-feira, 27 de setembro de 2017

REFLETINDO A PALAVRA - “Saciando a fome”

PADRE LUIZ CARLOS DE OLIVEIRA
REDENTORISTA
1145. Os pequeninos passam fome
            Espiritualidade também tem mãos cheias para saciar. Espiritualidade que olha só para Deus e não vê a situação de quem sofre, não serve aos homens e nem agrada a Deus. Quem não sente dor diante dos sofrimentos do irmão, não tem o direito de viver. A fome é uma doença sempre presente na humanidade. As pessoas boas da sociedade e da igreja sempre se preocuparam com aos carentes. Sentiam-se obrigadas a socorre-los. Atualmente o mundo progride de modo espantoso. Por outro lado a fome pelo mundo aumenta. Há lugares de difícil solução, pois a situação se complica pela seca e guerras que não têm fim. É quase um bilhão de pessoas que não têm o suficiente para viver. De cada 7 pessoas do mundo, uma vai dormir com fome. Ficar com pena é um sentimento inútil, se não se procuram soluções. A quantidade de pessoas que morrem de fome supera as que morrem por doenças que já nos assustam. O sofrimento é permanente. Pensemos nos pais que não tem onde tirar comida para os filhos. No Brasil são quase 40 milhões de pessoas que vivem essa situação. A gente tem que se perguntar: Se falta dinheiro para solucionar o problema de milhões, onde arranjam tanto dinheiro para salvar os bancos? São trilhões para sanar os problemas de quem já tem em abundância. Podemos lembrar o desperdício de nossa sociedade. E que dizer do luxo desenfreado e inútil. A pessoa se tornou insensível ao outro. Mesmo na Igreja há o descuido do fundamental do evangelho que é a caridade. Nossa pregação perde a força se ela não é acompanhada da verdade do amor.
1146. Dai-lhes vós de comer
            Vendo minha própria experiência, posso dizer que gostamos de falar muito e de pouco fazer. A Palavra de Deus nos orienta para vivermos bem nossa atitude para com nossos semelhantes, sobretudo os necessitados. Nós nos esquecemos que seremos julgados pelas obras que fizermos. Seremos examinados pelo que fizemos pelos necessitados como nos escreve Mateus (25,31ss): “‘Tive fome e não me destes de comer; Tive sede e não me destes de beber; Era estrangeiro e não me recolhestes; Estive nu não me vestistes, doente e não me visitastes, preso e viestes e não me ver’. Então perguntarão: ‘Quando foi que te vimos assim e não te socorremos’? O Rei responderá: ‘Cada vez que não o fizestes a um desses meus irmãos mais pequeninos, a mim que não o fizestes’” (40). A multiplicação dos pães é um milagre que podemos repetir pois o próprio Jesus disse: “Dai-lhes, vós mesmos de comer”. Cabe a nós a solução na conversão de nosso modo de viver a pobreza que Cristo nos ensinou. A Igreja sempre procurou solucionar a fome. Basta ver que ela é a organização do mundo que mais gasta com caridade. Mas ainda falta. Uma paróquia não é boa quando há gente passando necessidade no seu território.
1147. Pão repartido
            Celebramos com amor a Eucaristia, mas nos esquecemos de sua lição: o Pão partido na celebração é o Corpo de Cristo que foi partido na cruz, e a Sua Vida foi repartida. Ele continua com o Corpo massacrado no corpo de tantos sofredores. Ele, na instituição da Eucaristia, partiu o pão e o repartiu. E disse: “Fazei isso em memória de mim”. Não só devemos fazer memória celebrando a missa, mas também dando viva a tantos mortos vivos. Parece que, para isso não existe lei nem castigo. Quando erramos um rito na celebração somos chamados a atenção. Quando não repartimos o pão, podemos ser até elogiados por sermos econômicos e bons administradores. Jesus dirá a nós: Vinde benditos?

EVANGELHO DO DIA 27 DE SETEMBRO

Evangelho segundo S. Lucas 9,1-6.
Naquele tempo, Jesus chamou os doze Apóstolos e deu-lhes poder e autoridade sobre todos os demónios e para curarem todas as doenças. Depois enviou-os a proclamar o reino de Deus e a curar os enfermos. E disse-lhes: «Não leveis nada para o caminho: nem cajado, nem alforge, nem pão, nem dinheiro, e não leveis duas túnicas. Quando entrardes em alguma casa, ficai nela até partirdes dali. Se alguns não vos receberem, ao sair dessa cidade, sacudi o pó dos vossos pés, como testemunho contra eles». Os Apóstolos partiram e foram de terra em terra a anunciar a boa nova e a realizar curas por toda a parte. 
Tradução litúrgica da Bíblia 
Comentário do dia: 
Concílio Vaticano II 
Decreto «Ad gentes», sobre a atividade missionária da Igreja, § 1 
«Enviou-os a proclamar o reino de Deus.»
A Igreja, enviada por Deus a todas as gentes para ser «sacramento universal de salvação» (Lumen Gentium § 48), por íntima exigência da própria catolicidade, obedecendo a um mandato do seu Fundador (Mc 16,15), procura incansavelmente anunciar o Evangelho a todos os homens. Já os próprios Apóstolos em que a Igreja se alicerça, seguindo o exemplo de Cristo, «pregaram a palavra da verdade e geraram as igrejas» (Sto. Agostinho). Aos seus sucessores compete perpetuar esta obra, para que «a palavra de Deus se propague rapidamente e Ele seja glorificado» (2Tess 3,1), e o reino de Deus seja pregado e estabelecido em toda a Terra. 
No estado atual das coisas, de que surgem novas condições para a humanidade, a Igreja, que é sal da terra e luz do mundo (Mt 5,13-14), é com mais urgência chamada a salvar e a renovar toda a criatura, para que tudo seja instaurado em Cristo e nele os homens constituam uma só família e um só Povo de Deus. 

27 DE SETEMBRO – VICENTE DE PAULO

São Vicente (1581-1660) passou para a História como protótipo da caridade. Quantas centenas de obras sociais trazem o seu nome! Uma das mais conhecidas é a Sociedade São Vicente de Paulo, que o tem como seu protetor. São Vicente viveu num tempo de muitas guerras, muitas turbulências e muita fome na Europa. Por isso a sua vida está marcada por incidentes e lances dramáticos. Logo após a ordenação sacerdotal caiu prisioneiro dos turcos e foi vendido como escravo. Foi capelão da rainha e exerceu grande influência no meio da nobreza. Sua atividade principal foi com os pobres, as vítimas da guerra, os presidiários, os órfãos e os abandonados pela sociedade. Construiu casas de educação e de retiro, albergue para peregrinos e fugitivos de guerra, orfanatos e asilos, organizou cozinhas populares, etc. Para ajudá-lo nessas e outras obras caritativas, fundou a Congregação dos Padres Lazaristas e das Irmãs Filhas da Caridade. Desde criança teve um coração bom. Vinha certa vez carregando um saco de farinha que buscara no moinho. Vendo um pobre no caminho, ofereceu-lhe a metade dando esta desculpa:
- Este saco está muito pesado para mim. Vamos repartir? Você fica com a metade, tá bom? 
Outra vez ofereceu-se como refém para libertar um condenado às galés.Seja você também, um vicentino, um amigo dos pobres. 
Oração : Senhor Jesus, que a exemplo de São Vicente de Paulo, sejamos mensageiros da Boa Nova para os pobres, infundindo neles a coragem de lutar juntos pela própria libertação.
PADRE CLÓVIS DE JESUS BOVO CSsR
Vice-Postulador da Causa-Venerável Padre Pelágio CSsR
Recomende este portal aos seus amigos:

VICENTE DE PAULO coluna da Igreja e do Estado

Amparou pobres e nobres empobrecidos, foi conselheiro de soberanos, defendeu a Igreja contra as heresias da época. 
 ***** 
— Quanto tens em caixa? 
— O necessário para alimentar a comunidade durante um dia. 
— Isto quer dizer quanto? 
 — Cinquenta escudos. 
— Ah, bem! Dê-me, pois estou precisando. 
E lá se foram os cinquenta últimos escudos, para os nobres da Lorena. O elitista francês que desta maneira raspou a caixa da Instituição para dar o dinheiro aos nobres empobrecidos da Lorena, nasceu em Dax, próximo da Espanha, em 24 de abril de 1581. Sabe-se que São Vicente de Paulo era de família humilde, e que trilhou descalço os caminhos, cuidando dos seus animais. Sua infância é praticamente desconhecida. Ordenado sacerdote com 19 anos, desempenhou um papel importantíssimo na história da Igreja na França. Em 1610, a Rainha Margarida de Valois, cuja piedade se igualava ao mundanismo, aceitou-o entre seus conselheiros e capelães esmoleres. Nessa época fez o propósito de dedicar o resto da vida aos necessitados, entretendo seu amor ao próximo no Coração de Jesus Cristo e em uma profunda devoção a Nossa Senhora, que honrava de mil maneiras por numerosas preces e peregrinações. 
CONTINUA EM MAIS INFORMAÇÕES:

ORAÇÃO DO DIA 27 DE SETEMBRO

Oração da manhã para todos os dias 
Senhor meu Deus, mais um dia está começando. Agradeço a vida que se renova para mim, os trabalhos que me esperam, as alegrias e também os pequenos dissabores que nunca faltam. Que tudo quanto viverei hoje sirva para me aproximar de vós e dos que estão ao meu redor. Creio em vós, Senhor. Eu vos amo e tudo espero de vossa bondade. Fazei de mim uma bênção para todos que eu encontrar. Amém. 
As reflexões seguintes supõem que você antes leu o texto evangélico indicado.
27 – Quarta-feira – Santos: Vicente de Paulo, Fidêncio, Florentino 
Evangelho (Lc 9,1-6) Os discípulos partiram e percorriam os povoados, anunciando a Boa Nova e fazendo curas em todos os lugares.” 
Penso que os discípulos enviados não se sentiam preparados para a tarefa. Como nós, que achamos até que nem temos jeito para a missão. Aqueles primeiros missionários logo perceberam que o Senhor estava com eles, iluminando-os e ajudando, tanto que encontravam as palavras e o jeito para conquistar as pessoas. O mesmo Jesus continua conosco, acompanhando-nos sempre. 
Oração
Senhor Jesus, ajudai-me a compreender a tarefa missionária que me confiais. E dai-me coragem e jeito para a cumprir. Sei que não devo anunciar a mim mesmo, mas a vós como mestre e salvador. Confio em vós, estou certo que me ensinareis as palavras e o tom que devo usar. Mas preciso que tomeis conta de mim, para que meu modo de vida não destoe do que ensinar em vosso nome. Amém.

terça-feira, 26 de setembro de 2017

O POBRE QUE ALMOÇOU COM O REI

PADRE CLÓVIS DE JESUS BOVO
REDENTORISTA
VICE-POSTULADOR DA CAUSA
VENERÁVEL PADRE PELÁGIO
REDENTORISTA
Era uma vez um pobre que queria assentar-se à mesa do rei, ao menos uma vez na vida. Mas, de que jeito? Onde se viu um mendigo almoçar com o rei? Iria tentar, apelando para o lado fraco dos poderosos: a ambição. Vestiu-se da melhor maneira possível, encostou a porta do rancho e dirigiu-se para o palácio. Com muita dificuldade conseguiu falar com o último dos lacaios: 
- Eu queria perguntar ao rei quanto vale um bloco de diamante “deste tamanho”. 
E fez um gesto largo com os braços, visualizando o tamanho do diamante. O empregado levou o pedido a outro. Este para outro de instancia maior, até chegar aos ouvidos do rei. Era justamente a hora do almoço. O rei mandou o campônio entrar e convidou-o para almoçar primeiro. Depois conversariam calmamente sobre o diamante. O mendigo fartou-se do bom e do melhor. Terminado o almoço, o rei levou o mendigo para uma sala reservada: 
- Agora mostre-me o diamante para poder fazer a avaliação. 
- Ah! Senhor rei, ainda não o achei. Por enquanto só quero saber quanto vale um diamante “deste tamanho”. Quando encontrá-lo, ficará mais fácil trazê-lo para o senhor avaliar e até ficar com ele. 
Lição: O logro foi grande. Mas a lição foi maior. A ambição é cega. Não mede as conseqüências. As pessoas simples são mais sabidas do que a gente pensa. 
Oração da Bíblia: O que o mundo julga estulto, Deus escolheu para confundir os sábios...(1Cor 1,27). ORAÇÃO: Senhor, livra-nos da exploração dos pequenos e incautos. Que todos cheguem ao conhecimento da verdade que liberta.
Recomende este portal aos seus amigos:

REFLETINDO A PALAVRA - “Renovados pelo Pão do Céu”

PADRE LUIZ CARLOS DE OLIVEIRA
REDENTORISTA
Escravos por opção
               Os filhos de Israel libertados do Egito foram protegidos, alimentados e saciados em sua sede por Deus na caminhada pelo deserto. Nos momentos difíceis do sofrimento revoltavam-se contra Moisés por tê-los libertado. Estavam acostumados com o deus Faraó, que lhes dava pão e carne, mas os oprimia. Tinham saudades e vontade de voltar a serem escravos. Diziam: “Quem dera que tivéssemos morrido pela mão do Senhor no Egito, quando nos sentávamos junto às panelas de carne e comíamos pão com fartura?” (Ex 16,3).Não eram capazes de compreender um Deus que os libertou e os conduzia. Deus disse: “Sabereis que eu sou o Senhor vosso Deus” (12). Era melhor ser escravo do que aprender a conhecer um Deus diferente do Faraó. A mudança exige renovação da mente. Ser livre é um desafio. Em sua fome Moisés deu-lhes um pão vindo do Céu. O povo que Jesus saciou com o pão multiplicado pelo milagre, ficou saciado e feliz. Mas não entendeu Jesus. Continuou preso ao alimento corporal e não foi capaz de compreender que o alimento espiritual era mais forte. Eles buscavam Jesus, não pelo que Ele é, mas pelo que poderia dar. O Egito escravizador agora, em nosso tempo, é a procura da saciedade do pão. Jesus quer mostrar outro caminho. Vemos como as religiões passam por esse risco em buscar o milagre e não o Senhor que faz os milagres. Jesus disse: “Buscai o Reino de Deus e sua justiça e tudo vai ser dado por acréscimo” (Mt 5,33). Na sociedade atual, o egoísmo nos faz escravos da vaidade e da ganância. Deus nos dá o sinal: Jesus se oferece como alimento que dá mais do que buscamos na escravidão. Ele sacia a fome com o Pão do Céu.
Liberdade da fé
                Um vício escraviza e se torna difícil se libertar dele. Uma virtude liberta, e não oprime. Jesus não oprime. A proposta de Jesus é que não se esforcem por buscar o alimento que se perde, mas aquele que dá em alimento. O povo pediu um sinal para provar que Ele foi enviado por Deus. Jesus responde: Moisés deu pão do céu e morreram. É o Pai quem dá o verdadeiro pão.  O pão de Deus é aquele que desce do céu e dá vida ao mundo (Jo 6,24-35). Ao buscarmos Jesus Cristo, seremos homens e mulheres novos satisfazendo grandemente todas as nossas necessidades. Viveremos a vida reconciliada que nos colocará a serviço para continuar a missão de multiplicar o pão, pois temos o selo que o Pai pôs em Jesus (Jo 6,27), o Espírito Santo. Saciados por Ele, aprendemos a saciar com o Pão do Céu e o pão da terra.
Procurando Jesus
               O povo procurou Jesus e O encontrou, mas não o reconheceu como o enviado de Deus. Pedro dá testemunho de aceitação: A quem iremos? Só tu tens palavras de Vida eterna e nós... Em sua fome foram a Moisés e ele lhes deu o pão vindo do céu. Não foi Moisés quem deu o Pão, mas é o Pai que dá o verdadeiro pão (32). Jesus se revela como enviado do Pai (Jo 6,29). O discurso sobre o Pão da Vida quer nos levar a acolher Aquele se põe também como a Água Viva. Nossa resposta será o acolhimento de Jesus como o Pão vindo do Céu para saciar a fome e a sede: “Eu sou o pão da vida. Quem vem a mim não terá mais fome e quem crê em mim, nunca mais terá sede” (36). Paulo nos convida a “não continuar vivendo como pagãos... despojai-vos do homem velho, que se corrompe sob o efeito de paixões enganadoras, e renovai o vosso espírito e a vossa mentalidade. Revesti o homem novo, criado à imagem de Deus, em justiça e santidade” (Ef.4,17)

EVANGELHO DO DIA 26 DE SETEMBRO

Evangelho segundo S. Lucas 8,19-21.
Naquele tempo, vieram ter com Jesus sua Mãe e seus irmãos, mas não podiam chegar junto d’Ele por causa da multidão. Então disseram-Lhe: «Tua Mãe e teus irmãos estão lá fora e querem ver-Te». Mas Jesus respondeu-lhes: «Minha mãe e meus irmãos são aqueles que ouvem a palavra de Deus e a põem em prática». 
Tradução litúrgica da Bíblia 
Comentário do dia: 
Santa Teresa Benedita da Cruz (Edith Stein) (1891-1942), carmelita, mártir, co-padroeira da Europa 
«A mulher e o seu destino» 
«Minha Mãe e meus irmãos»
Apesar da unidade orgânica real da cabeça e do corpo, a Igreja mantém-se ao lado de Cristo como pessoa independente. Enquanto Filho do Pai eterno, Cristo vivia antes do começo dos tempos e antes de toda a existência humana. Em seguida, pelo ato da criação, a humanidade vivia antes de Cristo ter assumido a sua natureza e Se ter integrado nela. Mas, pela sua encarnação, Ele trouxe-lhe a sua própria vida divina; pela sua obra de redenção, tornou-a capaz de receber a graça, de tal modo que a recriou. [...] A Igreja é a humanidade resgatada, novamente criada da própria substância de Cristo. 
A célula primitiva desta humanidade resgatada é Maria; foi nela que se realizou pela primeira vez a purificação e a santificação por Cristo, foi Ela a primeira a ficar cheia do Espírito Santo. Antes de o Filho de Deus ter nascido da Santíssima Virgem, criou esta Virgem cheia de graça e nela e com Ela a Igreja. [...] 
Uma alma purificada pelo batismo eleva-se ao estado de graça e é, por isso mesmo, criada por Cristo e nascida para Cristo. Mas é criada dentro da Igreja e nasce pela Igreja. [...] Assim sendo, a Igreja é a mãe de todos aqueles a que a redenção se dirige. E é-o pela sua união íntima com Cristo e porque se mantém a seu lado na qualidade de esposa de Cristo, para colaborar na sua obra de redenção. 

Beata Delfina e São Elzear (ou Eleazar, Elzeario) – 26 - 27 de setembro



     Delfina de Signe, nasceu em 1283 em Puymichel, França, na nobre família Glandèves. Uma encantadora figura de mulher, que passou pelo mundo levando a toda parte a luz de sua graça, o perfume de suas virtudes, o calor de seu afeto. Não era uma santidade ruidosa, que tenha marcado a história de seu tempo, mas uma santidade delicadamente feminina que se difundiu ao seu redor como linfa silenciosa e generosa para alimentar no bem a quantos estiveram ao seu lado durante sua vida. Órfã desde os 7 anos, a educação de Delfina foi confiada à sua parente, a monja Sibila de Puget.
     Desde menina sua presença era luz e consolo para sua família. Aos 12 anos já estava prometida a um jovem não inferior a ela por sua gentileza, nobreza de sangue e beleza de alma. O noivo, Elzear, Barão de Ansouis, Conde de Ariano, nascera no castelo de Saint-Jean-de-Robians, próximo de Cabrières-d’Aigues, na Provence, sul da França. Era filho do Senhor de Sabran e Conde de Ariano no reino de Nápoles. Desde o nascimento sua mãe o havia oferecido em espírito a Deus e mais tarde um austero tio, Guilherme de Sabran, o educou na Abadia de São Vitor, em Marselha, onde o tio exercia o cargo de abade.
CONTINUA EM MAIS INFORMAÇÕES

FEZ BEM O QUE TINHA DE FAZER

PADRE CLÓVIS DE JESUS BOVO CSsR
Vice-Postulador da Causa-

Venerável Padre Pelágio CSsR
Hoje os redentoristas celebram o nascimento do beato Gaspar Stangassinger, que está para ser canonizado. Nasceu na cidadezinha alemã de Berchtesgaden. Foi o segundo de 16 irmãos. Ordenou-se padre e manifestou a vontade de vir trabalhar no Brasil. Mas foi designado para Formador dos seminaristas. Morreu dia 26 de setembro de 1899, com apenas 28 anos, em conseqüência de uma apendicite supurada. Não fez coisas extraordinárias. Mas foi extraordinário na maneira de executar as coisas ordinárias. Antes de sua ordenação sacerdotal redigiu um programa de vida, digno de um herói na santidade. Foi beatificado dia 26 de setembro de 1988 pelo Papa João Paulo II.

Beato Gaspar Stangassinger

26 DE SETEMBRO – DOIS SANTOS: GÊMEOS DE CORPO E DE ALMA

São Cosme e São Damião sofreram o martírio durante a perseguição de Diocleciano (284-305). Foram açoitados e em seguida decapitados, porque se recusaram a sacrificar aos ídolos. Tiveram seus nomes incluídos no Cânon da Missa e são invocados como protetores contra as doenças do corpo e da alma.Estes dois santos existiram realmente, embora sua vida esteja enfeitada com muitas lendas. Eram gêmeos de corpo e de alma. Um chegava a adivinhar o pensamento do outro. Ambos formaram-se médicos e ambos se dedicaram integralmente ao cuidado do próximo, sem nenhum interesse financeiro.  Como bons médicos que eram, sua fama se espalhou por todos os recantos. Jamais cobravam dos pobres. Certa vez houve um desentendimento entre os dois. Damião havia curado uma senhora e esta, por gratidão, quis dar-lhe uma recompensa: três ovos... O caridoso doutor não quis aceitar. Ela insistia e ele resistia. Por fim, para não desagradar a paciente, aceitou. Mas seu irmão Cosme não gostou. Achou que Damião não devia ter aceito nada. Foi a primeira e última briguinha. Logo depois morreram mártires, sob o império de Diocleciano.
PADRE CLÓVIS DE JESUS BOVO CSsR
Vice-Postulador da Causa-Venerável Padre Pelágio CSsR
Recomende este portal aos seus amigos:

Bem-aventurado LUÍS TEZZA Fundador das Irmãs Filhas de São Camilo, +1923

Luís Tezza nasceu em 1º de novembro de 1841, na cidade de Conegliano, na Itália. Sua família era muito religiosa e gozava de boa situação financeira. Seus pais chamavam-se Augusto e Catarina Nedwiedt. Seu pai era médico e sua mãe era uma santa mulher, cuidava de casa. Devido questões de trabalho de Augusto, a família muda-se para Veneza, ele foi exercer medicina no hospital São João e São Paulo de Veneza. Passado um ano e meio, Augusto novamente é transferido, foi para um município de Veneza, para onde levou sua família. O pequeno Luís amava e admirava muito seu pai, Augusto, pois era um homem muito bom. No exercício de sua profissão foi capaz de curar e confortar a muitas pessoas doentes. O exemplo dele mais tarde refletiu na vida de se filho. Quando Luís tinha oito anos de idade, seu pai faleceu, no dia 11 de janeiro de 1850. Com a morte de Augusto, o pequeno Luís e sua mãe retornam para a cidade natal, Conegliano, permanecendo juntos dos parentes e familiares. Ali o jovem Luís começou os estudos fundamentais. Em certa ocasião, ainda bem jovenzinho, ele escreveu ao Padre Luís Artini, camiliano, superior da Casa Santa Maria del Paradiso, em Verona. O jovem manifestava o desejo de conhecer o carisma e a espiritualidade camiliana e conversar pessoalmente com o Padre Artini. 
CONTINUA EM MAIS INFORMAÇÕES:

Beato Gaspar Stanggassinger, presbítero, +1899

Padre Gaspar foi uma pessoa alegre, bondosa, espelho do grande amor de Deus. Morreu jovem, com apenas 28 anos, quatro anos depois de ter sido ordenado padre. Em abril deste ano foram comemorados os 27 anos de sua beatificação no Santuário de Gars na Alemanha, onde estão depositados os restos mortais do religioso. O missionário foi proclamado beato pelo Papa João Paulo II no dia 24 de abril de 1988.
CONTINUA EM MAIS INFORMAÇÕES

Beato Paulo VI, Papa, +1978

Papa Paulo VI (em latim: Paulus PP. VI; em italiano: Paolo VI), nascido Giovanni Battista Enrico Antonio Maria Montini (Concesio, 26 de setembro de 1897 – Castelgandolfo, 6 de agosto de 1978) foi o Sumo Pontífice da Igreja Católica Apostólica Romana e Soberano da Cidade do Vaticano de 21 de junho de 1963 até a sua morte. Sucedeu ao Papa João XXIII, que convocou o Concílio Vaticano II, e decidiu continuar os trabalhos do predecessor. Promoveu melhorias nas relações ecumênicas com os Ortodoxos, Anglicanos e Protestantes, o que resultou em diversos encontros e acordos históricos. Montini serviu no Departamento de Estado do Vaticano de 1922 a 1954. Enquanto esteve no Departamento de Estado, Montini e Domenico Tardini foram considerados os colaboradores mais próximos e influentes do Papa Pio XII, que o nomeou, em 1954, arcebispo da Arquidiocese de Milão, um cargo que fez dele automaticamente Secretário da Conferência de Bispos Italianos. João XXIII elevou-o ao Colégio de Cardeais em 1958, e após a morte de João XXIII, Montini foi considerado um dos mais prováveis sucessores. Escolheu o nome Paulo, para indicar que tinha uma missão mundial renovada de propagar a mensagem de Cristo. Ele reabriu o Concílio Vaticano II, que fora automaticamente fechado com a morte de João XXIII e lhe atribuiu prioridade e direção. Após ser concluído o trabalho no Concílio, Paulo VI tomou conta da interpretação e implementação de seus mandatos, frequentemente andando sobre uma linha entre as expectativas conflitantes de vários grupos da Igreja Católica. A magnitude e a profundidade das reformas, que afetaram todas as áreas da vida da Igreja durante o seu pontificado, excederam políticas reformistas semelhantes de seus predecessores e sucessores. Paulo VI foi um devoto mariano, discursando repetidamente a congressistas marianos e em reuniões mariológicas, visitando santuários marianos e publicando três encíclicas marianas. Paulo VI procurou diálogo com o mundo, com outros cristãos, religiosos e irreligiosos, sem excluir ninguém. Viu-se como um humilde servo de uma humanidade sofredora e exigiu mudanças significativas dos ricos na América e Europa em favor dos pobres do Terceiro Mundo. O seu ensinamento, na linha da tradição da Igreja, contrário à regulação da natalidade por métodos artificiais (ver Humanae Vitae) e a outras questões foram controversas na Europa Ocidental e na América do Norte; no entanto, o Pontífice foi elogiado em grande parte das Europas Oriental e Meridional, além da América Latina. Seu pontificado decorreu durante, certas vezes, mudanças revolucionárias no mundo, revoltas estudantis, a Guerra do Vietnã e outros transtornos. Paulo VI procurava entender todos os assuntos, mas ao mesmo tempo, defender o princípio do fidei depositum, uma vez que que lhe foi confiado. Paulo VI faleceu em 6 de agosto de 1978, na Festa da Transfiguração. O processo diocesano para a beatificação de Paulo VI iniciou em 11 de maio de 1993.Foi beatificado em 19 de outubro de 2014 pelo Papa Francisco

26 de Setembro - São Cosme e São Damião

Cosme e Damião eram irmãos e cristãos. Na verdade, não se sabe exatamente se eles eram gêmeos. Mas nasceram na Arábia e viveram na Ásia Menor, Oriente. Desde muito jovens, ambos manifestaram um enorme talento para a medicina. Estudaram e diplomaram-se na Síria, exercendo a profissão de médico com muita competência e dignidade. Inspirados pelo Espírito Santo, usavam a fé aliada aos conhecimentos científicos. Com isso, seus tratamentos e curas a doentes, muitas vezes à beira da morte, eram vistos como verdadeiros milagres. Deixavam pasmos os mais céticos dos pagãos, pois não cobravam absolutamente nada por isso. A riqueza que mais os atraía era fazer de sua arte médica também o seu apostolado para a conversão dos pagãos, o que, a cada dia, conseguiam mais e mais. Isso despertou a ira do imperador Diocleciano, implacável perseguidor do povo cristão. Na Ásia Menor, o governador deu ordens imediatas para que os dois médicos cristãos fossem presos, acusados de feitiçaria e de usarem meios diabólicos em suas curas. Mandou que fossem barbaramente torturados por negarem-se a aceitar os deuses pagãos. Em seguida, foram decapitados. O ano não pode ser confirmado, mas com certeza foi no século IV. Os fatos ocorreram em Ciro, cidade vizinha a Antioquia, Síria, onde foram sepultados. Mais tarde, seus corpos foram trasladados para uma igreja dedicada a eles. Quando o imperador Justiniano, por volta do ano 530, ficou gravemente enfermo, deu ordens para que se construísse, em Constantinopla, uma grandiosa igreja em honra dos seus protetores. Mas a fama dos dois correu rápida no Ocidente também, a partir de Roma, com a basílica dedicada a eles, construída, a pedido do papa Félix IV, entre 526 e 530. Tal solenidade ocorreu num dia 26 de setembro; assim, passaram a ser festejados nesta data. Os nomes de são Cosme e são Damião, entretanto, são pronunciados infinitas vezes, todos os dias, no mundo inteiro, porque, a partir do século VI, eles foram incluídos no cânone da missa, fechando o elenco dos mártires citados. Os santos Cosme e Damião são venerados como padroeiros dos médicos, dos farmacêuticos e das faculdades de medicina. 
(Retirado do livro "Datas Comemorativas", Paulinas Editora)

ORAÇÃO DO DIA 26 DE SETEMBRO

Oração da manhã para todos os dias 
Senhor meu Deus, mais um dia está começando. Agradeço a vida que se renova para mim, os trabalhos que me esperam, as alegrias e também os pequenos dissabores que nunca faltam. Que tudo quanto viverei hoje sirva para me aproximar de vós e dos que estão ao meu redor. Creio em vós, Senhor. Eu vos amo e tudo espero de vossa bondade. Fazei de mim uma bênção para todos que eu encontrar. Amém. 
As reflexões seguintes supõem que você antes leu o texto evangélico indicado.
26 – Terça-feira – Santos: Cosme, Damião, Elzeário de Sabran 
Evangelho (Lc 8,19-21) “Minha mãe e meus irmãos são aqueles que ouvem a Palavra de Deus, e a põem em prática.” 
Jesus dava muita importância a seus discípulos, e continua a nos tratar do mesmo modo. Ele nos leva a sério e nos ama a ponto de nos acolher em sua família. Cuida de nós, quer nosso bem e sempre nos acompanha, participando de nossa vida. Ora, trabalha, diverte-se conosco. E une-nos a si, fazendo de nós também salvadores e pescadores de homens, transformadores da humanidade. 
Oração
Senhor Jesus, creio em vossa palavra e por isso acredito que sou importante para vós. Vós mesmo dissestes que não sou apenas servo, mas sou amigo. Isso me alegra muito e também me compromete, exigindo que vos retribua com toda a amizade que me for possível. Quero estar sempre convosco, pronto a fazer o que esperais de mim, cuidando de meus irmãos como se fosse de vós mesmo. Amém.

segunda-feira, 25 de setembro de 2017

PAI, O SENHOR ESTÁ AÍ?

PADRE CLÓVIS DE JESUS BOVO
REDENTORISTA
VICE-POSTULADOR DA CAUSA
VENERÁVEL PADRE PELÁGIO
REDENTORISTA
Eu era criança e estava passando uns dias na roça com meu pai. Um grande lago encravado no meio do terreno servia de bebedouro para o gado. Uma das margens, porém, era pantanosa e traiçoeira. Mesmo porque uma plantação de juncos disfarçava e escondia o perigo. Certa tarde eu estava lendo tranqüilamente um livro na varanda. Ao levantar a vista para o lado em que o gado pastava, não o avistei mais. Os animais haviam desaparecido como que por encanto. Fiquei apavorado.Sentindo-me responsável por eles, larguei o livro e fui à sua procura. Aconteceu o que eu suspeitara: Avançando demais pelo capim, afundaram no brejo. Fui atrás deles. Temerariamente pisei na água, pensando que tinha chão firme debaixo dos pés. Mas era um lodo mole e fugidio. A cada passo que dava, minhas pernas enterravam-se mais na lama. Foi quando gritei pelo meu pai. Ninguém respondia. Nesse ínterim as vacas tinham conseguido sair do atoleiro, enquanto eu ali fiquei, sem ter para onde nem para quem. Rezei. Gritei: 
-"Papai!". 
Silêncio de morte na lagoa. Preparei-me para meu último instante. Foi quando ouvi alguém gritar: 
-"Menino, onde você está?" 
Conheci logo a voz e respondi, aflito ainda: 
-"Pai, estou aqui. ?". 
De repente me vi em seus braços, fora do brejo e livre da morte. Passaram-se vários minutos, até que pudéssemos articular palavra. Meu pai estava emocionado. Foi a primeira e última vez que o vi chorar. 
Palavra de Deus:Também Jesus chamou pelo seu Pai diversas vezes. Mas ele está sempre ao nosso lado. Nem é preciso chamar, como aconteceu com o menino da história
Recomende este portal aos seus amigos:

REFLETINDO A PALAVRA - “A Palavra de Deus”

PADRE LUIZ CARLOS DE OLIVEIRA
REDENTORISTA
Deus sempre fala
            “Vamos ouvir o que o Senhor quer falar” (Sl 84,9). Esta é a atitude de quem se aproxima da Palavra de Deus e se põe à escuta onde Ele fala. Normalmente usamos a Palavra de Deus para falar aos outros o que queremos. Usamos a Palavra. O Pai quer entrar em contato conosco. Fala de infinitos modos e não está preso um único modo de comunicação. Podemos constatar, pela história da salvação que Deus Se comunica. Seu Filho, encarnado é chamado de VERBO – PALAVRA. No coração da SSma. Trindade, o Filho é o Diálogo, a contínua comunicação. Essa Palavra nos foi comunicada na pessoa do Filho encarnado. A carta aos Hebreus diz: “Muitas vezes e de modos diversos falou Deus, outrora aos Pais pelos profetas; agora, nestes dias que são os últimos, falou-nos por meio de seu Filho” (Hb 1,1-2). Jesus afirma: “Não falei por mim mesmo, mas o Pai, que Me enviou, Me prescreveu o que dizer e o que falar” (Jo 13,49). Jesus é o comunicador do Pai. Os apóstolos foram os últimos a receberem a Palavra que foi guardada como Escritura. Não temos novas revelações. As aparições “modernas” não aumentam a verdade a ser acreditada. Deus fala em nosso coração. Não é bom, aliás um péssimo costume, abrir a bíblia, a esmo, para procurar uma Palavra de Deus para o momento. Aconteceu que um sujeito, estando com medo de viajar de avião, abriu a bíblia, por sugestão da mulher. Bateu o dedo e deu com as palavras: “Hoje mesmo estarás comigo no Paraíso” (Lc 24,43), como disse Jesus ao ladrão. Aí que não foi mesmo. Não existe isso. Isso é tentar a Deus. Deus não é loteria.
Buscar na inteligência da Palavra
            São Pedro, que não era intelectual como Paulo, comenta a profundidade de suas cartas e acrescenta “É verdade que em suas cartas se encontram alguns pontos difíceis de entender, que os ignorantes e vacilantes torcem, como fazem com as demais Escrituras” (2Pd 3,15-16). A Palavra está aberta a todos. Mas há necessidade de conhecer melhor. Não basta só abrir e citar os textos e interpretá-los. Pedro diz ainda: “Sabei que nenhuma profecia da Escritura resulta de uma interpretação particular, pois que a profecia jamais veio por vontade humana, mas os homens impelidos pelo Espírito Santo falaram da parte de Deus” (2Pd 1,20-21). A interpretação deve ser feita na Comunidade-Igreja, como a Palavra foi escrita na comunidade. Sem isso, corremos o risco de ensinar contra a verdade. A interpretação individual provocou o surgimento de tantas seitas. Depois do Vaticano II cresceu muito o apreço pela Palavra de Deus desde os estudos mais elevados até a catequese mais simples. Não deixa de ser necessária uma leitura permanente e também o estudo para uma boa interpretação. Ler Bíblia não é só abrir o livro. Temos as celebrações nas quais lemos também os textos bíblicos, com a riqueza de ser lido no meio do povo, onde ela foi escrita.
Palavra de carne
            Há muita gente que não pode ler ou não sabe ler ou não quer ler. Mas há uma bíblia muito fácil de ser lida. É a bíblia de carne e osso. Cada pessoa que vive o evangelho é uma proclamação da Palavra de Deus, escrita em nossos corações e em nossa maneira de viver. Jesus dizia: “Minhas palavras são Espírito e Vida” (Jo 6,63). Abertos ao Espírito, somos transformados pela Palavra que toma rosto em nós. Assim passamos a ser um evangelho vivo. Já se diz: “Quem sabe, sua vida seja o único evangelho que muita gente possa ler”. A palavra assumida como vida se encarna em nossa vida e se torna anúncio e evangelho vivo. Por isso não basta só a letra, é preciso a vida. Amemos a Palavra de Deus!
https://padreluizcarlos.wordpress.com/

EVANGELHO DO DIA 25 DE SETEMBRO

Evangelho segundo S. Lucas 8,16-18.
Naquele tempo, disse Jesus à multidão: «Ninguém acende uma lâmpada para a cobrir com uma vasilha ou a colocar debaixo da cama, mas coloca-a num candelabro, para que os que entram vejam a luz. Não há nada oculto que não se torne manifesto, nem secreto que não seja conhecido à luz do dia. Portanto, tende cuidado com a maneira como ouvis. Pois àquele que tem, dar-se-á; mas àquele que não tem, até o que julga ter lhe será tirado». 
Tradução litúrgica da Bíblia 
Comentário do dia: 
Sermão atribuído a Santo Agostinho (354-430), 
bispo de Hipona (norte de África), doutor da Igreja 
Cf. Discurso sobre o salmo 139,15; 
Sermões sobre S. João, n.º 57 
«Tende cuidado com a maneira como ouvis»
«Que cada um esteja sempre pronto para escutar, mas seja lento para falar» (Tim 1,19). Sim, irmãos, digo-vos francamente [...], eu que muitas vezes vos falo a vosso pedido: a minha alegria é sem mancha quando me sento entre os ouvintes; a minha alegria é sem mancha quando escuto e não quando falo. É então que saboreio a palavra com toda a segurança, pois a minha satisfação não é ameaçada pela vanglória. Quem pode recear o precipício do orgulho se estiver sentado sobre a pedra sólida da verdade? «Escutarei e encher-me-ás de alegria e de júbilo», diz o salmista (Sl 50,10). É quando escuto que me sinto mais alegre; é o papel de ouvintes que nos mantém numa atitude de humildade.       
Pelo contrário, quando tomamos a palavra, [...] precisamos de uma certa contenção; pois, mesmo que não ceda ao orgulho, tenho receio de o fazer. Mas, se escuto, ninguém me pode roubar a alegria (Jo 16,22), porque ninguém é testemunha dela. É verdadeiramente a alegria do amigo do esposo de quem S. João diz que «fica de pé e escuta» (Jo 3,29). Fica de pé porque escuta. Também o primeiro homem escutava Deus de pé; quando escutou a serpente, caiu. O amigo de esposo fica, pois, «transbordante de alegria à voz do Esposo»; o que faz a sua alegria não é a sua voz de pregador ou de profeta, mas a voz do próprio Esposo. 

Beata Ermengarda, Cisterciense - 25 de setembro


Personagem histórico singular devido às diversas características de sua vida: condessa de nascimento, esposa e viúva por duas vezes, mãe afetuosa e pressurosa, regente de ducado, monja, depois envolvida na política, conciliadora de facções em luta, novamente monja cisterciense, peregrina.
     Ermengarda, cujo nome deriva do antigo provençal “Ermenjardis”, trazido do alemão arcaico “Irmingard” e que significa “protegida de Odim”, nasceu na metade do século XI em Angers, filha de Fulque IV, Conde de Anjou.
     Muito jovem, segundo o costume da época, casou-se com Guilherme IX, Conde de Poitiers, que a deixou viúva anos depois. Em 1093, casou-se com Alano IV, Duque da Bretanha. O relacionamento deles foi tempestuoso no início. Ela tentou deixá-lo para entrar para o Convento de Fontevrault, pedindo que seu casamento fosse anulado. Os bispos se recusaram a fazê-lo, mandando-a de volta para seu esposo e exortando-a a aceitar seu lugar como esposa e mãe. O casal deve ter chegado a um entendimento, já que tiveram três filhos: Conan III (m. 17 de setembro de 1148), que sucedeu seu pai no ducado; Edviges, que se casou com o futuro Balduino VII de Flandres; Godofredo (m. 1116).
     No verão de 1096, atendendo ao chamado do Papa Beato Urbano II, Alano partiu em companhia de outros senhores bretões para a Primeira Cruzada. A paz estava consolidada em seu ducado e à sua partida Ermengarda governou a Bretanha como regente por cinco anos e cuidou da educação de seu filho Conan.
     Ao retornar da Cruzada, Alano se interessou cada vez mais por assuntos religiosos. Em 1112, devido à enfermidade, abdicou em favor de seu filho Conan, e se retirou para a Abadia de Saint-Sauveur, em Redon, onde morreu e foi sepultado.
     Ermengarda também desejava segui-lo nessa escolha e retirou-se no mosteiro feminino de Fontevrault, sob a direção de São Roberto d’Arbrissel.
     À morte do seu esposo, Ermengarda saiu do mosteiro para assumir pessoalmente o papel de conciliadora na província da Bretanha agitada por intrigas de corte e pelos interesses dos nobres.
     Na idade de cerca de 45 anos, a Beata encontrou São Bernardo de Claraval (1091-1153), reformador dos cistercienses. O jovem Abade de Claraval seria naquele momento dez anos mais jovem que ela, mas já era um astro na Igreja medieval, com fama de grande pregador e fortemente empenhado em colocar ordem na Igreja abalada por contendas doutrinárias e políticas.
     Uma amizade profunda nasceu entre ambos, Ermengarda encontrou finalmente a paz para seu coração atormentado. Com a direção daquele santo ela aprendeu a orientar seus ímpetos para fins justos. São Bernardo enviou-lhe cartas amigáveis, homenageando-a por seu senso de justiça fundamentado na Fé católica. E foi das mãos deste Santo que, em 1129, ela recebeu o véu de monja cisterciense no priorado de Larrey, próximo de Dijon.
     Convidada por seu irmão Fulque, que se tornara Rei de Jerusalém, Ermengarda fez uma rápida peregrinação à Palestina. Ao retornar para a Bretanha, auxiliou na fundação da Abadia Cisterciense de Buzay, perto de Nantes, da qual Nivardo, irmão de São Bernardo, foi o primeiro abade.
     Ermengarda morreu em Larrey no dia 1º de junho de 1147, e foi sepultada em Redon, onde já fora enterrado seu esposo, Alano.
     O Menológio de Citeaux a comemora no dia 25 de setembro, enquanto que no novo Menológio Cisterciense ela é recordada no dia 31 de maio, mas sem nenhum título.