segunda-feira, 19 de outubro de 2015

REFLETINDO A PALAVRA - “Caminho do Diálogo”


PADRE LUIZ CARLOS
DE OLIVEIRA CSsR

1633. Servidora que dialoga
Papa Francisco, em seu ensinamento através da Exortação Apostólica Evangelii Gaudium (Alegria do Evangelho),  continua indicando os caminhos da evangelização. O nº quarto do quarto capítulo diz que “a evangelização implica também um caminho de diálogo”. Comprometida com o pleno desenvolvimento do ser humano procura o bem comum. O diálogo se desenvolve em três áreas: Diálogo com os Estados, com a sociedade, incluindo o diálogo com as culturas e a ciências e o diálogo com os outros crentes que não fazem parte da Igreja Católica (EG 238). Como ensinou Bento XVI, “a Igreja fala a partir da luz que a fé lhe dá” (21.12.2012). Ela tem uma experiência de 2000 anos. Proclama o “evangelho da Paz”, pois Jesus Cristo é a paz (Ef 2,14). Diz o Papa, “é hora de saber como projetar numa cultura que privilegie o diálogo como forma de encontro, a busca de consenso e de acordos sem separá-la da preocupação por uma sociedade justa” (EG 239). O sujeito histórico é a gente e sua cultura e não uma classe, um grupo ou uma elite. Trata-se de um acordo para viver juntos e de um pacto social e cultural (EG 239). O cuidado e a promoção do bem comum da sociedade competem ao Estado que busca o desenvolvimento integral de todos. A Igreja reconhece que não tem solução para todas as questões específicas. Juntamente com as forças sociais, acompanha as propostas para que correspondam à dignidade da pessoa humana e ao bem comum (EG 241). O mesmo se diga das ciências. Fé e razão caminham juntas. A fé ilumina o caminho da ciência no respeito ao  homem e sua dignidade espiritual. Opiniões cientificas não comprovadas não podem ser norma para a sociedade nem para a fé.
1634. Diálogo ecumênico
            A partir do Vaticano II reforçou-se um movimento para que todos chegassem à unidade. Papa Francisco tem dado passos fortes, em continuação a seus predecessores. Busca-se a plena comunhão.  Papa Francisco diz que “abrir-se ao outro é algo artesanal, a paz é artesanal” (EG 244). É como fazer com as mãos. A união não é só uma questão da religião, mas é um benefício para toda humanidade, confirma nosso Pastor. A divisão é um grave problema e um péssimo testemunho, sobretudo na Ásia e na África. Provoca descrédito nos que não conhecem a fé cristã. É imensa a multidão dos que não crêem ainda. Isso deve nos preocupar. Podemos aprender muito uns dos outros. Papa lembra o necessário relacionamento com o Judaísmo. Temos muitos elementos em comum. Jesus era judeu. O diálogo vai além e entra o mundo das outras religiões. É bom para a paz no mundo. É necessário compartilhar. O diálogo se estende também ao Islã. É um campo para reconhecer valores. Sejam acolhidos e acolham acolhedores dos cristãos em seus países.
1634. Diálogo e liberdade religiosa

            No ecumenismo está em evidência o tema da liberdade religiosa que é um direito fundamental tanto de escolher como de manifestar-se publicamente. Os que não crêem não têm o direito de silenciar ou reduzir as religiões aos guetos. O respeito a essas minorias não deve se impor às maiorias nem ignorar suas riquezas (EG 256). Os racionalismos míopes mostram sua fragilidade ao desconhecer os valores que seus textos e tradições possuem. Aos que não possuem uma religião, mas buscam a verdade, a bondade e a beleza, participam também do compromisso da dignidade da pessoa, da construção de uma convivência pacífica entre os povos e da guarda do mundo.  

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