Evangelho segundo São Mateus 14,22-33.
Depois de ter saciado a fome à multidão, Jesus obrigou os discípulos a subir para o barco e a esperá-lo na outra margem, enquanto Ele despedia a multidão.
Logo que a despediu, subiu a um monte, para orar a sós. Ao cair da tarde, estava ali sozinho.
O barco ia já no meio do mar, açoitado pelas ondas, pois o vento era contrário.
Na quarta vigília da noite, Jesus foi ter com eles, caminhando sobre o mar.
Os discípulos, vendo-O a caminhar sobre o mar, assustaram-se, pensando que fosse um fantasma. E gritaram cheios de medo.
Mas logo Jesus lhes dirigiu a palavra, dizendo: «Tende confiança. Sou Eu. Não temais».
Respondeu-Lhe Pedro: «Se és Tu, Senhor, manda-me ir ter contigo sobre as águas».
«Vem!», disse Jesus. Então, Pedro desceu do barco e caminhou sobre as águas, para ir ter com Jesus.
Mas, sentindo a violência do vento e começando a afundar-se, gritou: «Salva-me, Senhor!».
Jesus estendeu-lhe logo a mão e segurou-o. Depois, disse-lhe: «Homem de pouca fé, porque duvidaste?».
Logo que subiram para o barco, o vento amainou.
Então, os que estavam no barco prostraram-se diante de Jesus, e disseram-Lhe: «Tu és verdadeiramente o Filho de Deus».
Tradução litúrgica da Bíblia
(1876-1958)
Papa
Discurso de 28/04/1935
no encerramento
do Jubileu da Redenção
A Igreja, vitoriosa
das tempestades
A nossa esperança, assim como a nossa fé, que é a sua substância e realidade, está no Céu, e aí permanece fixada; mas ela é o sustento da nossa vida neste mundo. Se, em nome de Cristo e da sua cruz, os coros dos anjos cantam no Céu, diante do trono de Deus: «Glória, honra, salvação e bênção», aqui na Terra, a Igreja dos fiéis, ainda peregrinos, deposita toda a sua esperança na cruz. «Ó cruz, nossa salvação e única esperança!».
O oceano da humanidade está em turbilhão; os povos, como ondas, erguem-se e chocam entre si, movidos pelos ventos das paixões sociais e políticas; os rios e as praias da paz são castigados e abalados por ondas violentas. Quem mandará nos ventos e nas tempestades? Quem silenciará os seus assobios e a sua fúria?
Não tenhais medo, meus irmãos. Sobre as ondas e as tempestades, à sombra dos tabernáculos, caminha o Senhor do Céu e da Terra; não, Ele não passará indiferente pelo nosso barco à deriva, mas virá ter connosco e dirá: «Tende confiança. Sou Eu. Não temais». Pois não prometeu Ele que estaria connosco até ao fim dos tempos? Não acreditamos nele? Talvez não O conheçamos. Ah, que Ele não tenha de dizer de nós, depois de ter passado tanto tempo connosco: «Há tanto tempo que estou convosco e não Me conheces?» (Jo 14,9).
Estamos perdidos no meio da tempestade que agita o oceano da sociedade e das nações, mas a nossa confiança e a nossa esperança residem na cruz de Cristo, que se mantém firme no meio das convulsões do mundo. É ela a âncora que, nas ondas revoltas, dá segurança ao barco da Igreja e da nossa alma, que se dirige para o porto dos bens supremos e invisíveis; é ela a âncora firmemente fixada em Deus e nas suas promessas infalíveis.

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