sábado, 8 de agosto de 2026

Beato Giovanni Felton, leigo casado, mártir. -Festa: 8 de agosto

(*)Norfolk, Inglaterra, antes de 1566
(+)Londres, Inglaterra, 8 de agosto de 1570 
Originário de Norfolk, ele vivia com sua família na Abadia de Bermondsey, perto de Southwark. Tendo recebido uma cópia da bula de excomunhão da Rainha Elizabeth do banqueiro florentino em Londres, Ridolfo Ridolfi, e sendo incumbido de torná-la pública, ele estava pronto, independentemente do risco que corria, e a pendurou na porta do palácio do bispo [cismático] de Londres em 25 de maio de 1570. Este ato ousado mergulhou a cidade em tumulto, mas ele, embora instado a fugir, permaneceu em casa aguardando a prisão e o martírio desejado. Em 4 de agosto de 1570, levado perante o tribunal, confessou seu ato, aproveitou a oportunidade para declarar e confirmar sua fé na supremacia espiritual do Papa e, como testemunha protestante descrevendo seu julgamento e martírio em um relatório impresso naquele mesmo ano, "tornou-se um traidor da rainha ao negar sua supremacia espiritual". Ele repetiu essas palavras diversas vezes durante seu encarceramento aos seus adversários, que tentaram de todas as maneiras fazê-lo recobrar o juízo e pedir perdão à rainha, e novamente diante da forca. Naquele momento, sentiu um violento espasmo de terror dominá-lo, mas recuperou-se rapidamente com um forte esforço de vontade e, apontando o dedo para a porta do bispo, disse: "Afixei a carta do Sumo Pontífice contra as reivindicações da rainha naquela porta. E agora estou pronto para morrer pela fé católica!" E para demonstrar, contudo, que não guardava rancor contra a rainha, tirou do dedo um anel cravejado com um diamante precioso, avaliado em quatrocentas libras, e o entregou ao Conde de Sussex, que estava presente, para que este o apresentasse à rainha. Ele foi enforcado e esquartejado em 8 de agosto de 1570 e, como testemunha sua filha Francesca, enquanto o carrasco já lhe apertava o coração, como se estivesse sendo arrancado do peito, ouviu-se ele invocar o nome de Jesus duas vezes.
Etimologia: Do sobrenome normando de Felton, indicando origem na vila de Felton em Northumberland, ou associado ao termo latino felix, que significa 'feliz' ou 'afortunado'.
Emblema: Frequentemente representado afixando um documento em uma porta de madeira, ou com a palma do martírio e os instrumentos de tortura, em trajes seculares do século XVI. 
Martirológio Romano: Em Londres, Inglaterra, o Beato John Felton, mártir, que, cruelmente despedaçado perto da Catedral de São Paulo por ter exibido publicamente a bula de excomunhão emitida pelo Papa São Pio V contra a Rainha Elizabeth I, consumou gloriosamente o seu martírio invocando o nome do Salvador. 
John Felton nasceu em Norfolk, Inglaterra, em data indefinida antes de 1566, em uma família de antigas origens normandas. Sua condição social era confortável: ele vivia com a esposa e os filhos na Abadia de Bermondsey, uma propriedade perto de Southwark, nos arredores de Londres. Sua família era católica praticante, integrada ao tecido social da época, longe dos estereótipos de marginalização frequentemente associados a grupos religiosos perseguidos. Essa estabilidade econômica e social torna sua escolha subsequente ainda mais significativa, pois não foi ditada por desespero ou marginalização, mas por um desejo específico de dar testemunho. O ato de desafio: a bula papal Regnans in Excelsis. O contexto histórico era marcado pela crescente tensão entre a Coroa Inglesa e a Igreja de Roma. Em fevereiro de 1570, o Papa Pio V emitiu a bula papal Regnans in Excelsis, declarando a Rainha Elizabeth I herege e excomungada, liberando os súditos católicos da obrigação de obedecê-la em questões de consciência. Uma cópia deste documento chegou a Londres por meio do banqueiro florentino Ridolfo Ridolfi. Felton, ao obter o texto, compreendeu imediatamente o valor simbólico de torná-lo público. Ele não agiu por conspiração política, mas por um imperativo de consciência: a verdade da fé, em sua visão, precisava ser proclamada abertamente. Em 25 de maio de 1570, com clara determinação, dirigiu-se ao palácio do bispo cismático de Londres e afixou a bula papal em sua porta principal. O julgamento e a condenação mergulharam a cidade em alvoroço. Apesar dos apelos de seus amigos para que fugisse e salvasse a vida, Felton permaneceu em casa, aguardando calmamente sua inevitável prisão. Levado perante o tribunal em 4 de agosto de 1570, não negou sua responsabilidade. Aliás, aproveitou o interrogatório para reafirmar firmemente sua fé na supremacia espiritual do Pontífice. Relatos da época, incluindo depoimentos impressos de testemunhas protestantes, indicam que ele se declarou culpado de traição contra a rainha apenas em sentido espiritual, recusando-se categoricamente a reconhecer sua autoridade religiosa. As tentativas das autoridades de persuadi-lo a retratar-se e pedir perdão ao soberano foram frustradas por sua resolução inabalável. 
Martírio na Basílica de São Paulo. 
Em 8 de agosto de 1570, John Felton foi levado ao cemitério da Catedral de São Paulo para ser executado com a punição reservada aos traidores: enforcamento, esquartejamento e evisceração. Fontes hagiográficas, corroboradas por relatos contemporâneos, descrevem um momento de fragilidade humana: no cadafalso, ele foi tomado por um violento espasmo de terror. Contudo, recuperou-se imediatamente com um ato de força de vontade, apontando com o dedo para a porta do bispo e declarando: "A carta do sumo pontífice contra as reivindicações da rainha eu pendurei naquela porta. E agora estou pronto para morrer pela fé católica." Com essas palavras, ele transformou o cadafalso em um trono final da verdade. A família Felton e o legado do martírio. O sacrifício de John não foi um evento isolado em sua família. Seu filho, Thomas Felton, nascido por volta de 1567, seguiu os passos do pai. Tendo-se tornado membro da Ordem dos Mínimos, Thomas sofreu severa perseguição por sua lealdade ao Papa e foi martirizado em 28 de agosto de 1588, sendo beatificado pela Igreja. Este testemunho consistente sublinha como a escolha de Giovanni estava enraizada numa profunda convicção familiar, transmitida de geração em geração, e não foi o resultado de um impulso passageiro. 
O anel para a rainha. 
Um detalhe comovente, relatado por sua filha Francesca e por crônicas da época, diz respeito aos momentos finais de Giovanni. Para demonstrar que não guardava ressentimento pessoal contra a Rainha Elizabeth, ele retirou do dedo um anel com um diamante precioso, avaliado em quatrocentas libras, e o entregou ao Conde de Sussex, que estava presente na execução, para que este o presenteasse à soberana. Além disso, segundo o testemunho de sua filha, enquanto o carrasco lhe arrancava o coração, ouviu-se Giovanni invocar o nome de Jesus duas vezes, selando seu martírio com um ato de extrema fé.
Autor: Enrico Quiri

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