domingo, 4 de setembro de 2016

Homilia do 23º Domingo Comum (04.09.16)

PADRE LUIZ CARLOS DE OLIVEIRA CSsR
Discípulo-missionário do Senhor! 
Quando perder significa ganhar
A Palavra de Deus desse domingo nos apresenta Jesus convidando a segui-Lo. Para entender sua proposta, levamos em conta nossa fragilidade. Com a sabedoria de Deus seus desígnios se tornam possíveis. É o que podemos ver em Paulo que se relaciona com seus amigos na simplicidade e no respeito, mesmo nas situações que possam parecer complicadas. Ser discípulo de Jesus tem exigências que podem nos assustar: “Se alguém vem a mim, mas não odeia seu pai e sua mãe, sua mulher e seus filhos, seus irmãos e suas irmãs e até da própria vida, não pode ser meu discípulo” (Jo 14,26). A exigência é total. Não que Deus cobre caro de nós. Mas exige exclusividade. Para compreender estas palavras não podemos partir de nossos sentimentos, mas da vida de Jesus. Quando ensina que devemos deixar pai e mãe, não diz oposição, mas preferência do bem maior. Essa proposta de Jesus mal entendida significa desobediência ao maior mandamento do amor: “Amar pai e mãe”. Desapegar-se significa dar o devido valor ao fundamental, deixando de lado apegos inúteis e secundários. O tudo que deixamos será mais útil sob a luz de desapego. Quem segue Jesus como o primeiro e ponto de partida para tudo na vida, vai amar muito mais os pais, os irmãos, as belezas da vida e os prazeres que a vida oferece. Jesus oferece duas parábolas para dizer que devemos pensar bem antes de assumir a decisão por Ele, pois do contrário, depois, vai ver que não deu certo. Por isso a sabedoria nos sacia com seu amor e nos ensina a escolher
Quem não carrega sua cruz
Temos outro ponto de conflito que é a cruz. Não se trata de escolher a dor, o peso da penitência e a falta de liberdade. Cruz não é opressão, mas chave da plena liberdade como rezamos na oração do domingo de hoje: “... Concedei aos que crêem em Cristo a verdadeira liberdade e a herança eterna”. Não seguimos Jesus porque sofre na dor, mas porque se entrega por amor. Vemos em Jesus uma pessoa sempre feliz, alegre e cheio de vitalidade mesmo em meio aos sofrimentos. Jesus não quer o sofrimento de ninguém, tanto que nos promete a ressurreição e a vida eterna. O conhecimento do plano de Deus para nós é seguir a Cristo em seu caminho de Paixão para chegar à Ressurreição, leva-nos a rezar: “Ensina-nos a contar os nossos dias e dai ao nosso coração a sabedoria... saciai-nos de manhã com vosso amor e exultaremos de alegria o dia todo (Sl 89). A vida cristã é um contínuo aprendizado a viver como Cristo viveu caminhado decididamente para cumprir o desígnio do Pai em Jerusalém.
O corpo pesa a alma
Somos frágeis e pecadores. Nem sempre acertamos. Mas a Sabedoria nos fortalece e nos orienta. Não podemos ter medo da fragilidade. Somos barro que nas mãos de Deus toma forma. É bom ser frágil, pois o orgulho não nos pega. Paulo mostra essa simplicidade quando pede a Filêmon que seu escravo fugido e, agora convertido a Cristo, fique ajudando-o na pregação. Ele poderia impor, mas preferiu agir com a sabedoria de Deus. Desse modo o escravo é irmão e está a serviço de Paulo que está na prisão. Quando nos desapegamos do que escraviza o corpo e a alma, vivemos a plena liberdade de crescer de corpo e alma. Se tivermos dificuldades no conhecimento e seguimento de Jesus é por que deixamos que o corruptível tome conta de nossa vida. Em cada Eucaristia podemos ouvir a Palavra para orientar nossa inteligência e nos estimular ao seguimento de Jesus.
Leituras: Sabedoria 9,13-18; Salmo 89 / Filemon 9b-10.12-17; Lucas 14,25-33
 
1.   Jesus convida a segui-lo exigindo totalidade, sem outros apegos. O termo odiar ou desapegar-se significa dar maior valor a seu seguimento.

2.   A cruz que Jesus oferece não é opressão, mas amor, liberdade e herança eterna.

3.    Somos frágeis e pecadores. Nem sempre acertamos. Mas a Sabedoria nos fortalece e nos orienta.

            Fazendo a conta certa.

            Temos medo das exigências. Achamos que elas nos diminuem e nos oprimem. Um atleta tem horas de treinamento todos os dias. Para fazer uma recuperação de saúde é preciso um regime que sacrifica. Mas dá resultado. Quem quer emagrecer sabe o preço.
            O seguimento de Jesus não é uma brincadeira espiritual. É um esforço, um empenho.
O pulo certo no seguimento de Jesus não é fazer o que a gente quer para nosso bem estar, mas assumir a proposta de Jesus para ter um bem maior.  Seguir Jesus é uma ousadia de buscar sempre o modo viver do Mestre. É deixar tudo para ter tudo. Ser seu discípulo compreende acolher sua orientação fundamental: Quem quiser ser seu discípulo vai ter que fazer três coisas: desapegar-se de tudo, até da própria vida, carregar a cruz e caminhar atrás de Jesus.
            Desse modo poderá ser discípulo. Discípulo é aquele que faz o que o mestre faz.
            Somos frágeis, limitados e de pouco conhecimento. Somos pó, nossos dias passam como o sono da manhã e como a erva. Por isso é preciso contar bem os dias, como rezamos, e aprender a sabedoria. Seremos saciados com o amor.
            Paulo nos dá um exemplo de seguimento. É o grande apóstolo, mas se faz pequeno ao pedir que o escravo fugido Onésimo, possa ficar ao seu serviço. Não seria um escravo, mas um irmão querido.
            O evangelho nos diz ainda que, se não tivermos esses sentimentos, seremos insensatos como o rei que não examina sua tropa para ver se poderá enfrentar o inimigo, ou como o homem que começou a construir uma torre e não deu conta de acabar.

            Se não renunciarmos tudo o que temos, não podemos ser discípulos.

EVANGELHO DO DIA 4 DE SETEMBRO

Evangelho segundo S. Lucas 14,25-33.
Naquele tempo, seguia Jesus uma grande multidão. Jesus voltou-Se e disse-lhes:«Se alguém vem ter comigo, e não Me preferir ao pai, à mãe, à esposa, aos filhos, aos irmãos, às irmãs e até à própria vida, não pode ser meu discípulo. Quem não toma a sua cruz para Me seguir, não pode ser meu discípulo. Quem de vós, desejando construir uma torre, não se senta primeiro a calcular a despesa, para ver se tem com que terminá-la? Não suceda que, depois de assentar os alicerces, se mostre incapaz de a concluir, e todos os que olharem comecem a fazer troça, dizendo: ‘Esse homem começou a edificar, mas não foi capaz de concluir’. E qual é o rei que parte para a guerra contra outro rei e não se senta primeiro a considerar se é capaz de se opor, com dez mil soldados, àquele que vem contra ele com vinte mil? 
Aliás, enquanto o outro ainda está longe, manda-lhe uma delegação a pedir as condições de paz. Assim, quem de entre vós não renunciar a todos os seus bens, não pode ser meu discípulo». 
Da Bíblia Sagrada - Edição dos Franciscanos Capuchinhos - www.capuchinhos.org
Comentário do dia: 
São Josemaría Escrivá de Balaguer (1902-1975), presbítero, fundador 
«Amigos de Deus», §§ 65-66 
Construir uma torre
Gostava de subir a uma torre [da catedral de Burgos, com os seus filhos mais jovens] para que vissem de perto a pedra trabalhada das cumeeiras, um autêntico rendilhado de pedra, fruto de um trabalho paciente e custoso. Nessas conversas fazia-lhes notar que aquela maravilha não se via de baixo. E […] comentava: isto é o trabalho de Deus, a obra de Deus: acabar a tarefa pessoal com perfeição, com beleza, com o primor destas delicadas rendas de pedra. Compreendiam, perante essa realidade que entrava pelos olhos, que tudo isso era oração, um formoso diálogo com o Senhor. Aqueles que tinham gastado as suas energias nessa tarefa sabiam perfeitamente que, das ruas da cidade, ninguém veria nem apreciaria o resultado do seu esforço: era só para Deus. […] 
Convencidos de que Deus Se encontra em toda a parte, nós cultivamos os campos louvando o Senhor, sulcamos os mares e trabalhamos em todas as outras profissões cantando as suas misericórdias. Desta maneira, estamos unidos a Deus a todo o momento. […] Não esqueçais, contudo, de que estais também na presença dos homens e de que estes esperam de vós – de ti! – um testemunho cristão. 
Por isso, na nossa ocupação profissional, temos de atuar de tal maneira, do ponto de vista humano, que não fiquemos envergonhados nem façamos corar quem nos conhece e nos ama; […] e não vos acontecerá como àquele homem da parábola que se propôs edificar uma torre: depois de lançar os alicerces, não podendo concluí-la, começaram todos os que a viram a zombar dele, dizendo: «Esse homem começou a edificar, mas não foi capaz de concluir.» Garanto-vos que, se não perderdes a visão sobrenatural, poreis o coroamento na vossa tarefa, acabareis a vossa catedral.

MOISÉS Liberador dos judeus, Santo Antigo Testamento

Moisés e Abraão constituem as duas personagens centrais do Antigo Testamento. Moisés, o libertador do povo eleito, o mediador da Aliança renovada do Sinai e, em conformidade com ela, o organizador da teocracia hebraica. Tal foi a importância dele na história de Israel que muitas vezes o Messias é interpretado como reencarnação do grande «Profeta» por antonomásia, do Testamento Antigo. Os dias do Êxodo tinham ficado como os tempos heróicos da história de Israel, e o principal protagonista de tais gestos, Moisés, ficou na memória de todas as gerações como o amigo de Deus por excelência. Já o seu nascimento está marcado com o sinal da predileção divina. Oriundo da tribo de Levi, foi abandonado pela mãe numa cestinha de junco no Nilo. A perseguição contra os israelitas chegou ao ponto culminante, e as mães hebréias tinham de privar-se dos seus filhos varões, cuja extinção estava decretada pelas autoridades egípcias. São os tempos de reação contra os Semitas. Tinham passado os anos da dominação dos Hiksos, de origem asiática, que protegiam os estrangeiros oriundos de Canaã e da Fenícia, porque os ajudavam a manter sujeitos os egípcios. José, o cananeu descendente de Jacob, tinha conseguido subir, protegido por esta situação de privilégio para os Semitas, até às mais altas dignidades do Estado egípcio. A sua sombra tinham os Hebreus prosperado desmedidamente na parte oriental do Delta, de tal maneira que chegaram a criar um problema aos nativos súbditos do faraó. Ao impor-se outra dinastia, de procedência claramente egípcia, generalizou-se uma política de perseguição contra os estrangeiros semitas, que tinham colaborado com os odiados Hiksos. Vítimas desta política sectária foram, entre outros, os Hebreus, que pacificamente se dedicavam à criação de rebanhos em Gósen. A opressão ultrapassava toda a medida e Deus ia intervir milagrosamente para salvar o seu povo ligado à promessa de bênção dada ao grande antepassado Abraão. Para isso era necessário preparar instrumento da sua especial providência. A Bíblia insiste nestas intervenções milagrosas de Deus na vida de Moisés. O menino foi recolhido por uma princesa egípcia, que o levou para a corte do faraó como filho adotivo, dando-lhe o nome de «Mossu» ou Moisés, que em egípcio parece significar simplesmente «menino». Lá cresceu, formado segundo a requintada educação cortesã. A alma egípcia distingue-se pela delicadeza e bondade. Conhecemos muitas composições literárias cheias de beleza estilística e de profundos pensamentos. Talvez o menino hebreu tenha tido nas mãos os maravilhosos «Ensinamentos de Amenheme», que deixarão vestígios na literatura hebraica. A sua obra, a «Lei», constituiu a base da vida religiosa e política do povo eleito até aos tempos do Messias. Jesus Cristo dirá que não veio aboli-Ia, mas aperfeiçoá-la no seu pleno sentido espiritualista e ético. É a melhor consagração duma obra legislativa que girava à volta do destino excepcional dum povo, de que havia de sair o Salvador do mundo. Na visão do Tabor, Moisés - símbolo da lei do Testamento Antigo - e Elias - símbolo do profetismo - constituem a escolta de honra do Deus-Messias. Por isso a Igreja cristã, que se considera a herdeira do «Israel das promessas», sentiu sempre grande veneração pelo grande Legislador e Profeta do Antigo Testamento.

DINA BÉLANGER Religiosa, Beata 1897-1929

O seu nome de família é Dina Bélanger. Nasceu em Quebeque, no Canadá, a 30 de Abril de 1897, de pais cristianíssimos, que a levaram a batizar no mesmo dia e lhe impuseram os nomes de Maria, Margarida, Dina, Adelaide. As mais das vezes, era chamada Dina. Recebeu uma educação austera, longe de todas as frivolidades mundanas. A piedosíssima mãe ensinou-a a rezar desde o colo materno. Por isso não é de estranhar que aos 13 anos fosse admitida na Associação das Filhas de Maria e se consagrasse a Nossa Senhora, segundo a doutrina de S. Luís Grignion de Monfort. Fez os estudos nos colégios da Congregação de Nossa Senhora. Aos nove anos, começou a aprender a tocar harpa e fez tais progressos que aos onze recebeu o diploma, embora continuasse depois (1916-1918) a estudar música com as religiosas de Jesus e Maria, cuja fundadora foi a Beata Claudina Thévenet (1774-1837). Em 1918 voltou para casa e lá ficou até que, a 11 de Agosto de 1921, ingressou no noviciado destas religiosas, em Sillery. Nos três anos de permanência no seio da família, deu bastantes concertos musicais em reuniões e ajuntamentos, sem contudo se descuidar dos deveres para com Deus e aperfeiçoamento da própria alma. A sua vida pode, pois, dividir-se em duas partes: 24 anos no mundo e 8 no convento. Mas tanto uma como outra dominadas pelo desejo de agradar ao Senhor em tudo e sempre. De fato, aos 14 anos fez voto de virgindade e quando começou a primeira guerra mundial ofereceu-se como vítima de expiação. No convento, os seus ardentíssimos desejos eram de ser mártir, vítima e apóstola. A 23 de Outubro de 1924, com licença do diretor espiritual e da Superiora, fez voto de agir com perfeição em pensamentos, desejos, palavras e ações por toda a vida. Ao descobrir que estava diante de uma alma de predileção, a Superiora pediu-lhe para escrever a sua autobiografia. Desta forma, após a sua morte, que ocorreu no dia 4 de Setembro de 1929, as prodigiosas graças que recebera de Deus e as heróicas virtudes da humilde religiosa tomaram-se amplamente conhecidas. Passou a ser invocada, e já no dia 4 de Setembro de 1939 se dava um grande milagre que, depois de rigorosissímas investigações, foi aprovado pelos professores consultados pela Santa Sé, de forma que o Santo Padre autorizou a publicação do respectivo decreto no dia 10 de Julho de 1990. Isto levou à beatificação da Serva de Deus no dia 20 de Março de 1993. AAS 81(1989)1262-66; 82(1990) 1636-38; L'OSS. ROM. 28.3.1993 

ROSÁLIA DE PALERMO Ermitã, Santa 1125-1160

Rosália nasceu no ano 1125 em Palermo, na Sicília, Itália. Era filha de Sinibaldo, rico feudatário, senhor da região dos Montes "da Quisquinia e das Rosas", e de Maria Guiscarda, sobrinha do rei normando Rogério II. Portanto, Rosália era muito rica e vivia numa corte muito importante da época. Durante a adolescência foi ser dama da corte da rainha Margarida, esposa do rei Guilherme I da Sicília, que apreciava sua companhia amável e generosa. Porém, nada disso a atraía ou estimulava. Sabia que sua vocação era servir a Deus e ansiava pela vida monástica. Aos catorze anos, levando consigo apenas um crucifixo, abandonou de vez a corte e se refugiou solitária numa caverna nos arredores de Palermo. O local pertencia ao feudo paterno e era um local ideal para a reclusão monástica. Ficava próximo do convento dos beneditinos que possuía uma pequena igreja anexa. Assim mesmo vivendo isolada, podia participar as funções litúrgicas e receber orientação espiritual. Depois a jovem ermitã se transferiu para uma gruta no alto do Monte Pelegrino, que lhe fora doado pela amiga a rainha Margarida. Alí já existia uma pequena capela bizantina e, também, nos arredores os beneditinos com outro convento. Eles puderam acompanhar e testemunhar com seus registros a vida eremítica de Rosália, que viveu em oração, solidão e penitência. Muitos habitantes do povoado subiam o Monte, atraídos pela fama de santidade da ermitã. Até que no dia 4 de setembro de 1160, Rosália morreu, na sua gruta de Monte Pellegrino em Palermo. Vários milagres foram atribuídos a intercessão de Santa Rosália, como a extinção da peste que no século XII devastava a Sicília. O seu culto se difundiu enormemente entre os fiéis que invocavam como padroeira de Palermo. Embora para muitos esta celebração era apenas uma antiga tradição oral cristã, por falta de sinais reais da vida da Santa. Sinais estes que o estudioso Otávio Gaietani não conseguiu encontrar antes de morrer em 1620. Só três anos depois tudo foi esclarecido, parece que pela própria Santa Rosália. Consta que ela teria aparecido à uma mulher doente e lhe contou onde estavam escondidos os seus restos mortais. Esta mulher comunicou aos frades franciscanos do convento próximo de Monte Pelegrino, os quais de fato encontraram suas relíquias no local indicado, no dia 15 de junho de 1624. Quarenta dias após a descoberta dos ossos, dois pedreiros, trabalhando no convento dos dominicanos de Santo Estêvão de Quisquina, acharam numa gruta uma inscrição latina, muito antiga, que dizia: "Eu, Rosália Sinibaldi, filha das rosas do Senhor, pelo amor de meu Senhor Jesus Cristo decidi morar nesta gruta de Quisquina." Isto confirmou todos os dados pesquisados pelo falecido Gaietani. A autenticidade das relíquias e da inscrição foi comprovada por uma Comissão científica, reacendendo o culto à Santa Rosália, padroeira de Palermo. Contribuiu para isto também o Papa Ubaldo VIII que incluiu as duas datas no Martirológio Romano, em 1630. Assim, Santa Rosália é festejada em 15 de junho, data que suas relíquias foram encontradas e em 04 de setembro, data de sua morte. A urna com os restos mortais de Santa Rosália está guarda no Duomo de Palermo, na Sicília, Itália.
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ROSA DE VITERBO Religiosa, Santa 1235-1252

Rosa nasceu em Viterbo, Itália, em 1235. Seus pais eram excelentes cristãos, gente pobre. Já no princípio da infância de Rosa, todos perceberam que Deus tinha grandes planos sobre ela. Na verdade, é assombroso como junta o sobrenatural com o natural. Em vez de entregar-se aos jogos próprios da idade, passava horas diante das imagens dos santos, especialmente se eram da Virgem Maria. Impressionava a atenção com que ouvia seus pais quando falavam de coisas de Deus. Desde muito pequena, sentiu grandes desejos de viver na solidão, anseios que na prática nunca se realizaram. Sempre foi enamorada da penitência. Os virtebianos habituaram-se a ver pelas ruas uma menina que andava sempre descalça e com desordem no cabelo. Grandes eram as suas austeridades na comida, chegando a passar dias inteiros com um pedaço de pão. Pão que muitas vezes ia parar na boca dos pobres, outro dos seus «fraquinhos»: corria atrás dos pobres e, com imenso carinho, oferecia-lhes tudo quanto tinha. Em Viterbo havia um convento de religiosas, chamado de S. Damião. Às portas delas bateu a nossa heroína, mas inutilmente, porque era pobre e muito nova. Então decide transformar a própria casa em claustro. Nele se excedia santamente nas penitências corporais, chegando a disciplinar-se até perder os sentidos. Os de sua casa esforçaram-se por afastá-la de tal caminho, mas é tanta a graça humano-divina a refletir-se em toda a sua pessoa, que a todos convence. E as horas de oração sucediam-se sem parar. Aos 8 anos, vítima das penitências, contrai gravíssima doença que dura 15 meses. Foi milagrosamente curada por Nossa Senhora, que a mandou tomar o hábito da Ordem Terceira de S. Francisco, o que na realidade fez. Nesse dia começou a vida de apóstola. Ao sair da igreja pregou com grande fervor sobre a Paixão e sobre os pecados dos homens; todos voltaram compungidos para casa, enquanto ela regressava à solidão. Dias e dias a cidade inteira ouviu-lhe atônita as pregações. Dificilmente compreendemos hoje o ardor com que as multidões medievais iam atrás de qualquer pregador da palavra de Deus, as conversões que se davam e as reconciliações públicas que provocou, por exemplo, Santo António. Mais ainda, se o pregador era uma menina de poucos anos... Não lhe faltaram contradições nem sofrimentos. Os partidários do imperador Frederico II, inimigos da Santa Sé, depressa se puseram a atacá-la. Depois das mofas e das calúnias, veio o desterro. Tudo isto serviu para que resplandecesse a têmpera daquela menina, que, da mesma maneira que os apóstolos noutro tempo, disse que não podia deixar de pregar a divina palavra. E a Providência valeu-se da malícia dos seus perseguidores para a semente da verdade frutificar noutras terras. Com os pais teve de sair, de noite, de Viterbo, quando a neve enchia os caminhos. Esgotados pelo cansaço e sofrimento, chegaram no dia seguinte a Soriano. Mas os sofrimentos físicos foram ainda o menos: muito mais se angustiou vendo a dissolução moral da gente que ficava conhecendo. Prosseguiu lá a pregação, e os sermões conseguiram, no fim de alguns meses, numerosas conversões. Vêm ouvi-Ia também homens e mulheres das aldeias vizinhas. A estes anunciou um dia a morte de Frederico II. No fim da vida, este imperador reconciliara-se com a Igreja. E foi, ela também, procurar ouvintes: ao menos cinco povoações ouviram, espantadas e finalmente convencidas, a voz daquela menina que atraía já com a presença ou, se era necessário, confirmava a pregação com milagres. Um dos defeitos que se atribuem com razão à Idade Média, é a excessiva credulidade com que admitia os fatos extraordinários. Hoje, os biógrafos da nossa Santa recusam alguns dos milagres que lhe foram atribuídos; mas sem dúvida nenhuma fez grandes milagres: nem de outro modo se explica o redemoinho espiritual que a sua passagem levantou em toda a parte. Toda a sua vida, aliás, era um milagre. Dezoito meses depois de sair da sua terra, pôde regressar, já depois da morte de Frederico II. Toda a gente veio receber a conterrânea extraordinária, contente aquela de recuperar um tesouro, que mais apreciava agora, depois de tê-lo perdido. Apesar dos triunfos apostólicos, a sua alma ansiava pela solidão, para se entregar inteiramente à oração e à penitência. É a história constante de todos os verdadeiros apóstolos. S. Bemardo escrevera pouco antes que o apóstolo deve ser concha repleta e não simples canal.  Pela segunda vez experimenta Rosa entrar num convento. Agora o mosteiro tem o bonito nome de Santa Maria das Rosas. Mas pela segunda vez lhe fecham as portas do claustro. Deus não a destinava para a vida religiosa. E por conselho do confessor, decide mais uma vez transformar a própria casa no claustro sonhado; mas desta vez terá de preocupar-se com a santificação de outras almas. Algumas amigas suas de Viterbo juntam-se a ela para guardar silêncio, cantar salmos e ouvir as suas exortações espirituais. Devido à constante afluência de mais e mais jovens, o confessor de Rosa compra-lhes um terreno perto de Santa Maria das Rosas. A comunidade tomou a regra da Ordem Terceira de S. Francisco. Mas de novo as pequenezas humanas estorvaram a obra de Deus. Inocêncio IV suprimiu a nova comunidade, por indicação das religiosas de S. Damião. O biógrafo de S. Francisco, Tomás de Celano, diz que «ele recebeu a morte cantando». Canto de alegria foi também a morte de Rosa. Gasta bem cedo com as penitências e o apostolado, preparou-se para ir ao encontro do Esposo das virgens. Ao receber o viático, ficou muito tempo em altíssima contemplação. Quando voltou a si, administraram-lhe a unção dos enfermos. Pediu perdão a Deus de todos os pecados e despediu-se das pessoas de família com a requintada caridade de sempre. Jesus e Maria foram as suas últimas palavras. Tinha 17 anos. Faleceu a 6 de Março de 1252. É representada a receber a sagrada comunhão junto dum altar, e ainda a ver em sonhos os instrumentos da Paixão. Qual a lição de Rosa? Diria que é lição de sobrenaturalismo. O nosso século XX, céptico diante do extraordinário e excessivamente enamorado do humano, bem é que recorde ter Deus preferência acentuada pelos instrumentos inadequados, a fim de com eles obter as suas vitórias. Em particular, deveriam recordar frequentemente a vida e obra de Rosa de Viterbo todos os que se dedicam ao apostolado.http://www.portalcatolico.org.br/ 

4 DE SETEMBRO - FUGIU DE CASA PARA MORAR NUMA GRUTA


Os pais de Rosália (+1160) pertenciam à nobreza e serviam o rei da Sicília. Pensavam que sua filha ia seguir a mesma vida de luxo e hipocrisia da corte, mas se enganaram. Sentiu nojo dessas mundanidades e tratou de esconder-se numa gruta afastada e solitária, situada nas proximidades de Palermo. A claridade do sol penetrava mal e mal por uma fresta. Com o próprio punho escreveu na pedra: “Eu Rosália, filha de Sinibaldo e Rosa, servidores do rei, resolvi morar nesta gruta por amor de Jesus”. Não satisfeita com tanta austeridade, mais tarde abandonou este escuro antro e procurou lugares mais inóspitos e selvagens. Seus pais procuraram-na durante muito tempo. Ao encontrar a inscrição na pedra, continuaram as buscas esperando encontra-la viva. Acharam-na sim, porém já sem vida, deitada no chão duro do seu último eremitério. Suas feições rosadas pareciam as de uma pessoa adormecida. Quando, por ocasião de uma terrível epidemia que assolou a Sicília, o povo conduziu suas relíquias em procissão pelas ruas da cidade, a peste recuou como por encanto.A vida de Santa Rosália, embora entretecida de fatos lendários, atrai muitos para o seguimento radical de Cristo. É a Padroeira da cidade de Palermo.
PADRE CLÓVIS DE JESUS BOVO CSsR
Vice-Postulador da Causa Venerável Padre Pelágio CSsR
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ORAÇÃO DE TODOS OS DIAS - 4 DE SETEMBRO

Pe. Flávio Cavalca de Castro, 
redentorista
Oração da manhã para todos os dias 
Senhor meu Deus, mais um dia está começando. Agradeço a vida que se renova para mim, os trabalhos que me esperam, as alegrias e também os pequenos dissabores que nunca faltam. Que tudo quanto viverei hoje sirva para me aproximar de vós e dos que estão ao meu redor. Creio em vós, Senhor. Eu vos amo e tudo espero de vossa bondade. Fazei de mim uma bênção para todos que eu encontrar. Amém. 

As reflexões seguintes supõem que você antes leu o texto evangélico indicado.
4 – 23º Domingo Comum – Santos: Vitalício, Moisés 
Evangelho (Lc 14,25-33) “Qual de vós, querendo construir uma torre, não se senta primeiro e calcula os gastos, para ver se tem o suficiente para terminar?” 
Jesus não se iludia com o grande número de pessoas que o procuravam e ouviam. Sabia que muitos queriam apenas cura para seus males, ou sonhavam uma saída da pobreza e da opressão. Queria levá-los a alargar suas esperanças por uma salvação que não excluísse os bens da terra, mas fosse além disso. Convidava-os a parar, pensar e ver se estavam dispostos a deixar tudo para ter  tudo. Queria que soubessem que os bens materiais, os afetos e laços humanos somente têm sentido se colocamos o Pai em primeiro lugar. Não deviam iludir-se. Para viver do jeito novo que anunciava, era preciso que se unissem pessoalmente a ele, que estivessem dispostos a deixar tudo por ele, até mesmo a morte se fosse preciso. Era bom que parassem para pensar se estavam dispostos. 
Oração
Senhor Jesus, não sois um semeador de ilusões, não nos encantais com belas palavras e belos sonhos. Tendes a ousadia que só um Deus poderia ter: vós nos ofereceis tudo, mas também exigis tudo de nós. Prometeis liberdade, alegria, vida para sempre, vida de filhos e filhas de Deus. Mas exigis tudo de mim. Quero aceitar vossa proposta. Reconheço que por mim mesmo não posso fazer o bem nem ser feliz. Quero a vida nova que me ofereceis, a participação na vossa vida divina. Preciso de vós, Senhor Jesus. E agradeço porque me procurastes e encontrastes. Por isso quero colocar-vos em primeiro lugar em minha vida, acima de tudo e de todos. Faço as contas e vejo que, por mim mesmo, não o conseguirei. Por isso peço misericórdia, e espero de vós a força de vos seguir. Amém.

sábado, 3 de setembro de 2016

A GARRA FAZ A DIFERENÇA

PADRE CLÓVIS DE JESUS BOVO CSsR
Vice-Postulador da Causa
Venerável Padre Pelágio CSsR
Havia, certa vez, um senhor que era muito criativo. Sua profissão era consertar aparelhos domésticos.Um dia, ele inventou uma máquina. Mas, para construí-la, teve de vender tudo o que possuía.Depois de pronta, levou-a a uma indústria, mas não quiseram aceitar, dizendo que a máquina não atendia ao padrão de qualidade da empresa. Ele voltou para a sua oficina e continuou aperfeiçoando a máquina. Trabalhou dois anos. Os colegas diziam: 
-“Você está louco!” 
Veio a Segunda Guerra Mundial e por duas vezes a sua oficina foi bombardeada, destruindo tudo, inclusive a máquina. Mas ele não desanimou e a reconstruiu. Terminada a guerra, havia pouca gasolina no País. Não podendo usar o carro, adaptou um pequeno motor na sua bicicleta. No início, zombaram dele. Entretanto, um vizinho lhe pediu que fizesse uma para ele também. Outros foram pedindo... A fábrica daquele motorzinho teve de aumentar a produção. Isso aconteceu no Japão, e o nome desse senhor é Soichiro Honda, o inventor da motocicleta.Tudo porque o sr. Honda era persistente e não desistia diante dos obstáculos. Vale aqui o dito popular: 
"Agua mole em pedra dura, tanto bate até que fura"
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REFLETINDO A PALAVRA - “Preparai os caminhos do Senhor”

PADRE LUIZ CARLOS DE OLIVEIRA CSsR
Voz daquele que grita
            O Advento deste ano toma como ponto de partida a reflexão sobre o maior profeta, João Batista. O texto evangélico é solene, mostrando as autoridades do tempo para dizer que João não é acaso na história – um louco a mais, se diria – mas vive em nosso tempo e inaugura o tempo de Deus. Deus entra na história da humanidade e faz dela história da salvação. João se faz profeta como Isaias (45,3-5) e Baruc (5,7) que preparam os caminhos para a vinda gloriosa do Senhor. Sua profecia alude às grandes vindas de Deus ao povo quando são preparados os caminhos. O caminho a ser preparado, agora, é o do coração, por isso prega a conversão. João prega no deserto. O povo de Deus se constituíra no deserto. Como Jesus, ele inicia com a pregação da conversão para preparar os caminhos do Senhor. Esta é  a verdadeira preparação. Deus não vem mais para um povo privilegiado, mas a salvação é para todos, pois “ todas as pessoas verão a salvação” (Lc 3,6). Devemos perguntar se estamos preparando caminhos para a permanente vinda do Senhor para salvar o seu povo ou sendo empecilhos. “Nenhuma atividade terrena impeça de ir ao encontro do vosso Filho” (oração). Quem sabe precisamos ouvir os profetas que falam do deserto, fora dos caminhos batidos onde se vive o jogo dos interesses pessoais. Não são condenados os valores humanos. Basta que sejam julgados com sabedoria (pós-comunhão). A sabedoria existe somente nos corações convertidos.
Maravilhas fez conosco o Senhor
            O profeta Baruc faz uma profecia de consolo para um povo que fora levado para o exílio, abandonado por culpa de seus desvios. Jerusalém é o símbolo do sofrimento do povo. Ela, como esposa abandonada, recebe de volta toda sua glória. O profeta descreve a grande transformação: “Saíram, caminhando a pé, levados pelo inimigo. Deus os devolve com honras, como príncipes reais” (Bc 5,1,6): O Salmo expressa bem esse sentimento de libertação: “Quando o Senhor reconduziu os nossos cativos, parecíamos sonhar. Encheu-se de sorriso nossa boca. Nossos lábios de canções. Entre os gentios se dizia: “Maravilhas fez com eles o Senhor!” (Sl 125,2). A história do povo de Israel está pontilhada das maravilhas de Deus. O povo peca, Deus castiga e depois recupera o antigo esplendor. Nossa história de povo redimido em Cristo, tem também maravilhas feitas pelo Senhor. Infelizmente não reconhecemos essas maravilhas. João Batista veio como profeta para abrir esse caminho de maravilhas para a vinda do Cristo que traz uma salvação completa.
Que vosso amor cresça sempre
            A carta de Paulo aos filipenses é como um exemplo do resultado dos caminhos abertos para nossa salvação. Paulo se alegra pela vivência que a comunidade tem do Evangelho. Deus agiu pelo apóstolo Paulo, grande profeta,  que lhes anunciou a salvação. A comunidade correspondeu. Paulo insiste que ela não pode parar, mas deve crescer no amor e no discernimento do que é melhor. A mensagem de João Batista para nossa vida neste Advento é reconhecer as maravilhas que Deus operou em nós. O reconhecimento leva-nos a aperfeiçoar nossa conversão contínua. Por outro lado temos que continuar a profecia de João, abrindo os caminhos do Senhor para que a salvação chegue a todos.

EVANGELHO DO DIA 3 DE SETEMBRO

Evangelho segundo S. Lucas 6,1-5.
Passava Jesus através das searas num dia de sábado e os discípulos apanhavam e comiam as espigas, debulhando-as com as mãos. Alguns fariseus disseram: «Porque fazeis o que não é permitido ao sábado?». Respondeu-lhes Jesus: «Não lestes o que fez David, quando ele e os seus companheiros sentiram fome? Entrou na casa de Deus, tomou e comeu os pães da proposição, que só aos sacerdotes era permitido comer, e também os deu aos companheiros». E acrescentou: «O Filho do homem é senhor do sábado». 
Da Bíblia Sagrada - Edição dos Franciscanos Capuchinhos - www.capuchinhos.org
Comentário do dia: 
Catecismo da Igreja Católica 
§§ 2168-2173 
«O Filho do Homem é senhor do sábado»
O terceiro mandamento do Decálogo refere-se à santificação do sábado: «O sétimo dia é um sábado: um descanso completo consagrado ao Senhor» (Ex 31,15). 
A Escritura faz, a este propósito, memória da criação: «Porque em seis dias o Senhor fez o céu e a terra, o mar e tudo o que nele se encontra, mas ao sétimo dia descansou. Eis porque o Senhor abençoou o dia do sábado e o santificou» (Ex 20,11). 
A Escritura vê também, no dia do Senhor, o memorial da libertação de Israel da escravidão do Egito: «Recorda-te de que foste escravo no país do Egito, de onde o Senhor, teu Deus, te fez sair com mão forte e braço poderoso. É por isso que o Senhor, teu Deus, te ordenou que guardasses o dia de sábado» (Dt 5,15). 
Deus confiou a Israel o sábado, para ele o guardar em sinal da Aliança inviolável. O sábado é para o Senhor, santamente reservado ao louvor de Deus, da sua obra criadora e das suas ações salvíficas a favor de Israel. [...] 
O Evangelho relata numerosos incidentes em que Jesus é acusado de violar a lei do sábado. Mas Jesus nunca viola a santidade deste dia. É com autoridade que Ele dá a sua interpretação autêntica desta lei: «O sábado foi feito para o homem e não o homem para o sábado» (Mc 2,27). Cheio de compaixão, Cristo autoriza-Se, em dia de sábado, a fazer o bem em vez do mal, a salvar uma vida antes que perdê-la (Mc 3,4). O sábado é o dia do Senhor, das misericórdias e da honra de Deus. «O Filho do Homem é senhor do sábado».

BRÍGIDA DE JESUS MORELLO Religiosa, Fundadora, Beata +1679

A chamada à santidade no seguimento fiel do Evangelho também foi vivida com grande intensidade, mesmo se numa época e em circunstâncias diferentes, pela beata Brígida de Jesus Morello, Fundadora das Irmãs Ursulinas de Maria Imaculada. Tendo vivido num século em que o papel feminino ainda era pouco reconhecido, Brígida de Jesus Morello é testemunha dos autênticos valores da mulher e resplandece também na nossa época como exemplo luminoso do específico contributo que a mulher, quer na vida civil quer na religiosa, pode oferecer à Comunidade cristã e à sociedade. Este seu empenho de solidariedade para com os irmãos era expressão duma intensa vida espiritual, enriquecida de «Imolou-se pelo bem da Igreja» particulares experiências místicas. Durante os longos anos de doença e de sofrimentos físicos e interiores, a nova Beata dirigia com freqüência o olhar orante para o Crucifixo, que levava sempre consigo. Uma reprodução artística desta imagem, oportunamente ampliada, foi trazida a esta Sala para ser, depois, transferida para Sarajevo, para a nova Igreja erigida em honra de São Leopoldo Mandic. Com efeito, dirigia-se com freqüência para a terra dos balcãs a oração da Beata Brígida, invocando ao Senhor a conversão de todos e a paz para «o universo mundo». Dirige-se às suas filhas espirituais a minha afetuosa saudação, juntamente com os votos de que a beatificação da Madre Morello infunda um renovado estímulo ao seu precioso testemunho de vida consagrada e ao generoso serviço por elas desempenhado no âmbito educativo e assistencial. 

TECLA DA TURQUIA Virgem, Mártir,Santa séc. III

Não se sabe exactamente se foi em Isaúria ou na Licaónia, Turquia, o local onde a virgem mártir Tecla nasceu. O que se sabe é que é uma das figuras mais importantes dos tempos apostólicos, muito celebrada entre os gregos. Tudo começou quando, um dia, ao ouvir uma conversa sobre o valor da castidade entre o apóstolo Paulo e seu anfitrião Onesíforo, a jovem e pagã Tecla foi tocada no coração pelo discurso do santo. Ficou tão impressionada que, naquele exacto momento, resolveu não mais se casar. Mas o faria muito em breve, pois havia sido prometida a um jovem de nome Tamiris. Quando a jovem resolveu desmanchar o casamento, tanto sua família como a do noivo fizeram de tudo para demovê-la da ideia. Tecla, porém, se manteve firme na convicção de se converter. Isso despertou a ira de seu noivo Tamiris que conseguiu a prisão e a tortura de São Paulo por influenciar a jovem, o que eles consideravam ser uma atitude demoníaca por parte do apóstolo. Nem assim Tamiris conseguiu que Tecla abandonasse os ensinamento de Cristo, que agora seguia. Ela foi algumas vezes procurar Paulo no cárcere para lhe dar apoio e solidariedade. Com essa atitude, deixou seu ex-noivo ainda mais irado. Como consequência, ele denunciou-a para o procônsul que a sentenciou à morte na fogueira. E foi assim, que a condenação resultou numa surpresa: as chamas não a queimaram. Algum tempo depois, Tecla foi novamente julgada e condenada à morte, só que dessa vez seria atirada às feras, diante do povo no Circo. Mais uma vez o prodígio se realizou e as feras se deixaram acariciar por ela, cujas mãos lhe lambiam mansamente. Pareciam mais pequenos gatinhos ao invés de ferozes tigres e leopardos selvagens. Por fim, Tecla foi jogada dentro de uma escura caverna cheia de serpentes venenosas. De novo nada lhe aconteceu. Conta uma da mais antigas tradições cristãs, que Tecla morreu aos noventa anos de idade, em Selêucia, moderna Selefkie da Ásia Menor, depois de conseguir a conversão de muitos pagãos. O corpo de Santa Tecla teria sido sepultado nessa cidade, onde depois os imperadores cristãos mandaram erguer uma igreja dedicada à sua memória. Santa Tecla é invocada pelos fieis devotos como a padroeira dos agonizantes e também solicitada para interceder por eles contra os males da vista. A Igreja confirmou o seu culto pela tradição dos fiéis e manteve o dia em que tradicionalmente a sua festa é realizada.
http://www.portalangels.com/santododia_setembro.htm

GREGÓRIO MAGNO Papa, Doutor da Igreja, Santo 540-604

BALUARTE DA IDADE MÉDIA NASCENTE

Doutor da Igreja, um dos maiores Papas da História, dirigiu a Barca de Pedro com rara habilidade e deu rumo à conturbada época em que viveu.
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“Gregório é certamente uma das mais notáveis figuras da história eclesiástica. Exerceu em vários aspectos uma significativa influência na doutrina, organização e disciplina da Igreja Católica. A ele devemos olhar, para a explicação da situação religiosa da Idade Média; com efeito, não se levando em conta seu trabalho, a evolução da forma da Cristandade medieval seria quase inexplicável. Tanto quanto o moderno sistema católico é um legítimo desenvolvimento do catolicismo medieval, não sem razão Gregório deve também ser chamado seu pai. Quase todos os princípios directivos do subsequente Catolicismo são encontrados, pelo menos em gérmen, em Gregório Magno”[1].
Ele “merece o glorioso título de Magno por todas as razões que podem elevar um homem acima de seus semelhantes: porque foi magno em nobreza e por todas as qualidades que vêm do nascimento e dos ancestrais; magno nos privilégios da graça com que o Céu o cumulou; magno nas maravilhas que Deus operou por seu intermédio; e magno pelas dignidades de Cardeal, de Legado, de Papa, para as quais a divina Providência e seus méritos o elevaram”[2].
CONTINUA EM MAIS INFORMAÇÕES:

03 de Setembro - São Marino

Nas últimas décadas do século III, dois cristãos, Marino e Leão, procedentes da ilha de Arbe, na Dalmácia, viajaram para Rimini, Itália, atraídos pela oportunidade de trabalhar como escultores, onde evangelizaram a região e ali morreram. Os dados que temos além desses fazem parte de uma vigorosa tradição cristã. Ela nos conta que, assim que Marino chegou, procurando pedras para o seu trabalho, descobriu a região do monte Titano, ficando maravilhado pela imponência do monte e beleza do local, tanto que, sempre que podia, voltava para lá. Além de trabalhar no seu ofício, desenvolvia a missão de converter a população riminiense ao cristianismo. Devido a essa atividade, certa vez, uma senhora pagã, maldosa e sem caráter, querendo impedi-lo de propagar a religião, dizendo ser sua esposa, acusou-o às autoridades de professar o cristianismo. Como era época da perseguição aos cristãos imposta pelo imperador Diocleciano, ele foi obrigado a refugiar-se na floresta do monte Titano, a qual conhecia muito bem. Todavia, a citada senhora foi atrás dele tentando dar crédito às suas acusações. Marino não encontrou outra maneira de defender-se dela a não ser com suas orações e jejum, aguardando por um milagre da Providência divina. E ele chegou. A senhora, vendo sua total entrega à vontade de Deus, converteu-se e redimiu-se. Voltou a Rimini, onde se explicou às autoridades e à população. A tradição narra, também, que Marino e Leão, para evitar outras experiências daquele tipo, retiraram-se para junto de uma pequena comunidade que vivia no alto do monte Titano, estabelecendo a região como seu definitivo refúgio. Depois, Leão transferiu-se, sozinho, para o vizinho monte Feretrio, atual Montefeltro. Mas o terreno onde ficou Marino era de propriedade de dona Felicíssima, uma das mais influentes matronas da comunidade, cujo filho, Veríssimo, amante da caça, decidiu fazer de Marino sua presa. Ao ser encontrado, ele se defendeu da violência somente com a força das orações ao Senhor: foi escutado imediatamente, pois, quando o jovem tentou atingi-lo, ficou paralisado como uma estátua. Sabendo do fato prodigioso, a mãe, dona Felicíssima, foi em seu socorro, suplicando a Marino o perdão pelo ato tão violento do filho Veríssimo, que, graças ao desespero da mãe e à intercessão das orações de Marino, voltou à normalidade. Depois, converteu todos da família de dona Felicíssima, que doou a Marino as terras daquela região do monte Titano. Além disto, pelo seu trabalho de pregação e a conversão de cristãos, o bispo de Rimini, Gaudêncio, também venerado como santo, conferiu a Marino a ordem do diaconato. Marino morreu no ano 366. Foi sepultado na igreja que ele mesmo havia erguido e dedicado a são Pedro, atualmente dedicada a são Marino. O local tornou-se meta de uma peregrinação tão vigorosa que seu culto foi reconhecido pela Igreja pela devoção dos fiéis, sendo festejado no dia 3 de setembro. O mais interessante é que, de sua atuação evangelizadora, frutificou um país. Assim, na história da Igreja, são Marino é o único santo fundador e padroeiro de um país, a pequenina e bela República de São Marino.

3 de Setembro – TORTURADO E QUEIMADO NO FOGO LENTO

Bartolomeu Gutierrez (1580-1632) – Nasceu no México. Entrou na ordem dos Agostinianos. Foi missionário nas Filipinas. Depois no Japão. Foi expulso do Japão e voltou para Manilla.Os católicos fiéis do Japão pediram sua volta. Voltou sim, mas disfarçado. Conseguiu trabalhar 15 anos na clandestinidade. Foi descoberto e preso. Após muitas torturas foi queimado.
S. Gregório Magno (540-604) nasceu em Roma, de família nobre e rica. Seus pais, Gordiano e Silvia, bem como suas tias Tarsila e Emiliana, estão no catálogo dos santos canonizados. Depois da morte do pai, transformou o palácio em que morava, num mosteiro de monges Beneditinos. Foi Prefeito de Roma. Terminada a sua gestão entrou também na Ordem dos Beneditinos. Pouco depois foi eleito Papa. Teve que enfrentar a peste e a fome em Roma, bem como a devastação produzida pelos invasores Lombardos, que chegaram a assediar a cidade e só foram contidos graças à diplomacia de Gregório. Entre muitas outras realizações, São Gregório enviou missionários para a Inglaterra, Espanha e Lombardia conseguindo assim a conversão daqueles povos. Santo Agostinho de Cantuária foi um dos missionários. Combateu eficazmente as muitas heresias que grassavam na Europa, na África e no Oriente.Reformou, ademais, a Liturgia Romana, e fundou uma escola de canto sacro que influenciou toda a Europa, ficando conhecido como "Canto Gregoriano". Zelou ainda pelos bens da Igreja, até então dispersos e mal administrados. Foi o pai da pobreza. Os bens da Igreja são “propriedade dos pobres”, dizia. Seu zelo social e sua atitude enérgica contra a exploração dos pequenos tornaram-se normas de ação para os papas seguintes. Junto à igreja de S. Gregório em Roma, pode-se visitar a cela onde morou, e ver o degrau da escada sobre o qual dormia.
PADRE CLÓVIS DE JESUS BOVO CSsR
Vice-Postulador da Causa-Venerável Padre Pelágio CSsR
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ORAÇÃO DE TODOS OS DIAS - 3 DE SETEMBRO

Pe. Flávio Cavalca de Castro, 
redentorista
Oração da manhã para todos os dias 
Senhor meu Deus, mais um dia está começando. Agradeço a vida que se renova para mim, os trabalhos que me esperam, as alegrias e também os pequenos dissabores que nunca faltam. Que tudo quanto viverei hoje sirva para me aproximar de vós e dos que estão ao meu redor. Creio em vós, Senhor. Eu vos amo e tudo espero de vossa bondade. Fazei de mim uma bênção para todos que eu encontrar. Amém. 

As reflexões seguintes supõem que você antes leu o texto evangélico indicado.
3 – Sábado – Santos: Gregório Magno, Aristeu, Basilissa 
Evangelho (Lc 6,1-5) “Os discípulos apanhavam espigas e as comiam... Alguns fariseus disseram: – Por que fazeis o que não é permitido no sábado?” 
Não vou condenar os fariseus, porque muitas vezes sou como eles eram. E até pior, porque não só condeno em nome da lei de Deus, mas até levado apenas por minhas próprias ideias e opiniões. Não devo condenar ninguém, porque não sei o que está em seu coração e em sua consciência. Menos ainda posso impor meus julgamentos e minha opiniões pessoais, como senhor e juiz de todos. 
Oração
Senhor meu Deus, perdoai-me a facilidade com que julgo e condeno a intenção de meus irmãos. Ajudai-me a compreender que não conheço seus esforços e suas fraquezas, as dificuldades que enfrentam e o peso do ambiente que os cerca. Ensinai-me que não posso impor meus julgamentos, e que, se quero ser rigoroso e austero, que eu comece por mim, que preciso de conversão. Amém.

sexta-feira, 2 de setembro de 2016

GUIDO E A FITA BRANCA

PADRE CLÓVIS DE JESUS BOVO CSsR
Vice-Postulador da Causa
Venerável Padre Pelágio CSsR
No começo do Séc. XIX, foi batizado, na França, um bebê chamado Guido. A mãe guardou a vela do batismo com a fitinha branca amarrada nela. No dia da Primeira Comunhão, Guido recebeu Jesus tendo na mão aquela vela, acesa. Na crisma, foi a mesma coisa. Terminada a crisma, a mãe tirou a fitinha branca da vela, entregou-a ao filho e disse: 
-“Guido, carregue sempre esta fita com você, e nunca a manche com o pecado”. 
-“Está bom, mamãe”- respondeu ele. 
E a mãe ainda disse: 
-“Antes morrer que pecar, viu filho?” 
-“Sim, mamãe”- respondeu o adolescente. 
Daí para frente, Guido carregava sempre a fitinha branca no bolso. Era o tempo de Napoleão Bonaparte, e Guido foi chamado para a guerra. Tornou-se soldado de Napoleão. Um dia, numa batalha, Guido foi ferido gravemente. Pediu um padre. Ele veio. Confessou-se, recebeu a Unção dos Enfermos e a Comunhão. Depois, pediu ao padre: 
-“Por favor, tire da mochila uma fitinha branca e a entregue à minha mãe. Diga-lhe que nunca a manchei”. 
O padre capelão ficou comovido e disse: 
-“Filho, a fita está manchada, mas com o seu sangue!” 
Minutos depois, Guido morreu. 
Lição: Benditas as mães que nos ajudam a conservar a graça batismal até a morte, mesmo que ela fique manchada com o nosso sangue. Este é o melhor gesto de amor ´da mãe para com os filhos.
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REFLETINDO A PALAVRA - “Leigo com força transformadora”

PADRE LUIZ CARLOS DE OLIVEIRA CSsR
Mundo da família
            A grande força de renovação do mundo está na família. Não podemos dar um modelo de família, como por exemplo, a família tradicional, como dizendo: se a família tivesse permanecido como no meu tempo, não haveria esses problemas. Bastava papai olhar para a gente, a gente já se encolhia. Bonito! Mas foi nesta família que nasceu a crise do momento. Certamente há grandíssimos valores na família tradicional que vem atravessando séculos. O que compete a nós saber de família que serve para o atual momento. Há valores em tantos modelos. A Igreja não dispensa a família, pois sem ela, não se pode conceber a sociedade. Ainda não vimos os resultados da família que estamos vivendo no momento. Já se podem ver alguns resultados: desagregação, desorientação de jovens, instabilidade do casamento, desconhecimento dos princípios morais, hedonismo, materialismo, o voluntarismo e tantas coisas mais que demonstram a imaturidade para assumir o matrimônio. A força transformadora do matrimônio cristão será o testemunho de amor, a vida nas bem-aventuranças, a atitude de serviço mútuo e o serviço à sociedade. O casal cristão e os que optaram pela vida celibatária são, por sua própria maneira de viver, a força renovadora. Se Jesus “é o caminho, a verdade e a vida”, a família será o evangelho vivo dessa Palavra por indicar caminhos, mostrar verdades e garantir a vida. O testemunho não é só visual, mas possui a força de Cristo que age por seu Espírito.
Educação  para a vida
             Vivemos tempos difíceis na educação. Aconteceram mudanças boas, mas  enfrentamos novos desafios. Não julguemos os tempos. A religião foi, a bem dizer abolida das escolas, com a agravante das outras religiões que bloqueiam qualquer sinal da fé cristã. Não devemos nos preocupar, pois o seguidor de Jesus, se não puder falar dele, dá o testemunho de sua vida e fala do amor, da justiça, da paz, do valor da pessoa, da natureza e dos valores humanos que, na realidade são cristãos. Educar para a vida é formar para uma sociedade sempre melhor. As salas de aulas que, às vezes, são o túmulo da fé dos jovens, podem se tornar em sementeiras de homens e mulheres novos. Um bom mestre forma discípulos que serão mestres. É doloroso ver as portas das escolas com tantos jovens. Quem caminho tomarão?
Presença na sociedade
            É doloroso ver cristãos encadeirados na sociedade política, econômica, social, artística que são os primeiros a, por suas atitudes, destruir a fé e os bons costumes. Todos somos chamados a ser fermento onde estamos. Os homens e mulheres de princípios só serão verdadeiramente grandes, no momento em que assumirem postos e posições importantes na política, na economia, na arte, na vida social com princípios cristãos. Por que votamos em quem não corresponde ao ideal? Não se trata de fazer partido dos católicos, mas que os eleitos transformem a realidade a partir do evangelho, não usar o evangelho para subir. Se há economistas cristãos, há um modo de Jesus mostrar o uso dos bens. Se há artistas, a arte é meio de anunciar. Se há senhores da sociedade, podem muito bem pensar como Jesus pensava. A Igreja não tem soluções completas, mas apresentas caminhos concretos e evangélicos para as soluções.

EVANGELHO DO DIA 2 DE SETEMBRO

Evangelho segundo S. Lucas 5,33-39.
Naquele tempo, os fariseus e os escribas disseram a Jesus: «Os discípulos de João Baptista e os fariseus jejuam muitas vezes e recitam orações. Mas os teus discípulos comem e bebem». Jesus respondeu-lhes: «Quereis vós obrigar a jejuar os companheiros do noivo, enquanto o noivo está com eles? Dias virão em que o noivo lhes será tirado; nesses dias jejuarão». Disse-lhes também esta parábola: «Ninguém corta um remendo de um vestido novo, para o deitar num vestido velho, porque não só rasga o vestido novo, como também o remendo não se ajustará ao velho. E ninguém deita vinho novo em odres velhos, porque o vinho novo acaba por romper os odres, derramar-se-á e os odres ficarão perdidos. Mas deve deitar-se vinho novo em odres novos. Quem beber do vinho velho não quer do novo, pois diz: ‘O velho é que é bom’». Quem beber do vinho velho não quer do novo, pois diz: ‘O velho é que é bom’». 
Da Bíblia Sagrada - Edição dos Franciscanos Capuchinhos - www.capuchinhos.org
Comentário do dia: 
São Bernardo (1091-1153), monge cisterciense, doutor da Igreja 
Sermão 83 sobre o Cântico dos Cânticos 
«O noivo está com eles»
De entre todos os movimentos da alma, de entre todos os sentimentos e os afetos da alma, o amor é o único que permite à criatura corresponder ao seu Criador, senão de igual para igual, pelo menos de semelhante para semelhante. [...] O amor do Noivo, ou antes, o Noivo que é amor, apenas pede amor recíproco e fidelidade. Que seja, pois, permitido à noiva corresponder a esse amor. E como poderia ela não amar, sendo noiva, e noiva do Amor? Como poderia o Amor não ser amado? Ela tem, pois, razões para renunciar a todos os outros afetos e para se entregar a um único amor, uma vez que lhe foi dado corresponder ao Amor com um amor recíproco. [...] 
Mas, mesmo que ela se funda por completo no amor, o que será isso em comparação com a torrente de amor eterno que brota da própria fonte? O fluxo não corre com a mesma abundância daquele que ama e do Amor, da alma e do Verbo, da noiva e do Noivo, da criatura e do Criador; não existe a mesma abundância na fonte e naquele que vem beber à fonte. [...] Quer dizer então que os suspiros da noiva, o seu fervor amoroso, a sua espera cheia de confiança, que tudo isso é em vão, porque ela não pode rivalizar na corrida com um campeão (Sl 18,6), não pode querer ser doce como o mel, terna como o cordeiro, branca como o lírio, luminosa como sol, e tão amorosa como Aquele que é o próprio Amor? Não. Porque, se é certo que a criatura, na medida em que é inferior ao Criador, ama menos do que Ele, também é certo que pode amar com todo o seu ser; e, onde há totalidade, nada falta. 
É esse o amor puro e desinteressado, o amor delicado, pacífico e sincero, mútuo, íntimo, forte, que reúne os dois amantes, não numa só carne, mas num único espírito, de modo que eles se tornam um só, nas palavras de São Paulo: «Aquele que se une ao Senhor constitui com Ele um só espírito» (1Cor 6,17).