Evangelho segundo São Lucas 6,43-49.
Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Não há árvore boa que dê mau fruto, nem árvore má que dê bom fruto.
Cada árvore conhece-se pelo seu fruto: não se colhem figos dos espinheiros, nem se apanham uvas das sarças.
O homem bom, do bom tesouro do seu coração tira o bem; e o homem mau, da sua maldade tira o mal; pois a boca fala do que transborda do coração.
Porque Me chamais "Senhor! Senhor!", mas não fazeis o que vos digo?
Vou mostrar-vos a quem se assemelha todo aquele que vem ter comigo, ouve as minhas palavras e as põe em prática.
É semelhante a um homem que, para construir a casa, escavou, aprofundou e assentou os alicerces sobre a rocha. Quando veio uma cheia, a torrente irrompeu contra aquela casa, mas não a pôde abalar, porque estava bem construída.
Mas aquele que ouve as minhas palavras e não as põe em prática é semelhante a um homem que construiu a casa sobre a terra, sem alicerces. A torrente irrompeu contra aquela casa, que imediatamente desabou; e foi grande a sua ruína».
Tradução litúrgica da Bíblia
(1256-1301)
Monja beneditina
O Arauto, Livro III; SC 143
Ter como único desejo
a vontade de Deus
Pelo texto onde Isaías afirma que glorificaremos a Deus não seguindo os nossos próprios caminhos (cf Is 58,6-14), Gertrudes compreendeu que quem, refletindo previamente sobre o que vai fazer ou dizer e vendo que não tem qualquer utilidade, refreia esse impulso, colhe um tríplice benefício. Em primeiro lugar, é-lhe dado encontrar em Deus suaves delícias. Em segundo lugar, os maus pensamentos têm menos domínio sobre a pessoa. Em terceiro lugar, na vida eterna, o Filho de Deus conceder-lhe-á uma participação mais abundante nos frutos daquela eminente santidade de vida que a capacitou para enfrentar as tentações com imponente nobreza e a triunfar gloriosamente sobre elas. Diz também o profeta: «Com Ele vem o seu prémio, precede-O a sua recompensa» (Is 40,10), o que a fez compreender que o próprio Senhor é, no seu amor, a recompensa dos seus eleitos, prodigalizando-Se com tal ternura que a alma que O ama pode verdadeiramente dizer que, por efeito da sua bondade extrema, foi recompensada muito para além de todo o mérito; pois, tendo-se entregado inteiramente à divina Providência e não desejando em cada ação senão a vontade de Deus, Deus lhe concede ser já, por assim dizer, perfeita diante dele. Gertrudes compreendeu que quem, fazendo sincera penitência por tudo o que tiver cometido ou omitido, se dispõe, de coração reto, a obedecer aos preceitos de Deus, será verdadeiramente santificado na presença de Deus.
Finalmente, com o texto: «Cantai ao Senhor um cântico novo» (Is 42,10), compreendeu que quem coloca no seu cântico o impulso da doação interior, esse canta ao Senhor um cântico novo; pois, pelo próprio facto de ter recebido de Deus a graça de voltar para Ele os impulsos do seu coração, o novo ato que daí resulta será agradável a Deus.
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