terça-feira, 30 de junho de 2020

REFLETINDO A PALAVRA - “Eis o Cordeiro de Deus!”

PADRE LUIZ CARLOS DE OLIVEIRA
REDENTORISTA
52 ANOS CONSAGRADO
44 ANOS SACERDOTE
Manifestado a Israel
Iniciamos o Tempo Comum do Ano Litúrgico. Neste tempo não celebramos nenhuma festa que seja memória de um acontecimento da vida do Senhor, mas celebramos o Mistério de Cristo na sua globalidade. Nesse tempo damos importância particular ao domingo como dia do Senhor. É cotidiano da vida, celebrado como presença do Senhor. Usamos a cor verde significando que vivemos voltados para a realização do Mistério Pascal de Cristo em nós e em nossas pequenas coisas do dia a dia, na expectativa da vida eterna. Nada de nossa vida está fora da luz que emana do Mistério de Cristo. Sua Paixão e Morte estão presentes em nosso caminhar sofrido. Sua Ressurreição está presente em nossa esperança e em nossa capacidade de compreender a vida a partir da Palavra de Deus. Todos anos, no segundo domingo, lemos o evangelho de João. É a apresentação de Jesus aos discípulos, como o faz hoje João Batista. Consciente de sua missão de preparar o caminho, o apresenta ao povo de Israel e agora aos discípulos. Nós nos colocamos junto com os discípulos para o seguimento de Jesus na caminhada desse ano. A apresentação que João Batista faz é muito clara: “Ele é o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo” (Jo 1,29). Ele está cheio do Espírito Santo. Ele é o Filho de Deus. João dá a ficha Daquele que é a salvação que vai chegar até os confins do mundo. Esta salvação a todos. 
João apresenta Jesus como Cordeiro 
Jesus é chamado de Cordeiro de Deus. É uma expressão bonita e rica, pois traz em si um ensinamento profundo sobre Jesus. Entre as figuras do Antigo Testamento que são profecias sobre Jesus, está a figura do cordeiro. Por exemplo: Abraão oferece um cordeiro no lugar de seu filho Isaac (Gn 22.13). No templo são oferecidos dois cordeiros por dia (Ex 29,39). Jeremias faz uma das mais belas profecias usando a imagem do cordeiro: “Mas eu, como um cordeiro manso que é levado ao matadouro” (Jr 11,19; Is 53.7). Deste modo, percebemos que o cordeiro expressa as atitudes de Cristo como redentor. Ele é sacrificado silenciosamente por nossos pecados. No tempo antigo o sangue dos cordeirinhos sacrificados afastava os maus espíritos, como diziam, e protegiam os rebanhos. Assim Jesus com seu sangue afasta de nós o mal e nos dá nova vida. O cordeiro pascal é o símbolo maior, pois ele é sacrificado e seu sangue afasta o anjo destruidor. Agora Cristo é verdadeiro cordeiro pascal (1 Cor 5,7). O Cordeiro sacrificado na Cruz é a luz das nações (Is 49,6). O livro do Apocalipse mostra que Ele é digno de toda honra. Ele estará no trono com Deus seu Pai (Ap 22,3). Por isso temos, na Eucaristia, diversas vezes, a chamada do Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo, como ouvimos na liturgia. 
Luz das Nações 
Jesus se põe a serviço de todos, de modo particular em sua Paixão na qual Se oferece pela salvação do mundo. No momento em que eram sacrificados os cordeiros pascais no templo, Jesus era sacrificado no Calvário. Em seu serviço à humanidade, Jesus é identificado com o Servo Sofredor que aparece no livro de Isaias. É uma figura que não se identifica com outro personagem. São quatro cânticos que descreve esse amado de Deus que dá a vida. É fiel a Deus, mesmo na perseguição. Sua missão é universal: “Não basta seres meu servo para restaurar as tribos de Jacó... Eu te farei luz das nações para que minha salvação chegue aos confins da terra” (Is 49,6). Deus não desqualificou o povo de Israel, mas levou-o a cumprir sua missão de ser o anunciador a todos os povos. 
Mandou eu faço 
João cumpre sua missão, sem querer se colocar como o Messias, o que não deixava de ser uma tentação. Até o povo pensava que ele fosse o Messias. Recebeu a missão de Deus e a levou a cabo, sabendo ser aquele que preparou os caminhos para o Senhor e que tem a sabedoria de sair de cena quando Jesus inicia sua missão. Isso causa uma grande impressão em Jesus que valorizava seu primo. Assim também nós, se quisermos levar Jesus ao mundo, temos que sair de cena, dar espetáculo, mas promover sempre mais o conhecimento de Jesus e de sua Igreja que é sua continuadora. Ela não é o centro, é o instrumento.

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