sexta-feira, 1 de março de 2024

Beato Miguel Carvalho e companheiros MÁRTIRES, +1624

Miguel de Carvalho nasceu em Braga em 1577. Cedo ficou fascinado pela espiritualidade missionária da Companhia de Jesus onde ingressou em 1597, tendo partido para a Índia em 1602. Em Goa realizou os estudos teológicos e foi ordenado sacerdote. Em 1620 é enviado para o Japão onde chegou disfarçado de soldado, depois de numerosos percalços que o conduziram a Macau, à China e às Filipinas. Permaneceu dois anos na ilha de Amacusa. Apresentou-se ao governador em plena época de perseguições, declarando ser sacerdote, missionário e jesuíta. Foi condenado à morte, mas o governador, por considerá-lo demente, mandou-o para fora da sua jurisdição. Encontrou-se, mais tarde, com o Padre Provincial em Nagasaki, onde permaneceu. Depois de ter sido reconhecido por soldados acabou por ser preso numa cadeia de Omura, onde, juntamente com outros missionários, foi condenado à morte em 25 de Agosto de 1624. 
Padre Michael Carvalho foi queimado vivo em Omura, no Japão , no ano de 1624 , tendo como companheiros um dominicano e vários frades franciscanos. Eles foram para o local de tortura carregando suas estacas e cantando salmos de ação de graças. Temendo que embaixadores da Espanha conseguissem a sua libertação, o Padre Michael escreveu: “Eu sentiria a maior tristeza se Nosso Senhor, por causa dos meus pecados, me afastasse do caminho da misericórdia e da graça agora aberto diante de mim. Sou sempre vítima do medo de que o Senhor queira castigar-me e privar-me da bênção suprema, da qual a Sua divina bondade já não me considera merecedor. . . .Nada nesta vida me parece mais desejável, mais prazeroso e mais consolador do que dar a minha vida por um Salvador tão misericordioso.” 

Santa Inês Kuiying Cao

China, terra de inúmeros mártires, o Evangelho sendo anunciado pelo sangue de milhares de cristãos, hoje destacamos uma jovem viúva, catequista que mesmo diante de muita dor e sofrimento permanece fiel, não nega sua fé, entrega-se totalmente a Jesus. Inês Kuiying Cao nasceu na aldeia de Wujiazhai na província de Guizhou por volta de 1821, de uma família católica em Sichuan. Seus pais morreram, e ela passou a trabalhar na cidade de Xingyi, onde conheceu uma mulher católica que lhe permitiu viver em sua casa. Lá ela conheceu o bispo Bai, que a entusiasmou com o aprofundamento na fé e inserção na paróquia local. Aos 18 anos casou-se com um agricultor local, mas o irmão de seu esposo e sua cunhada a maltratavam a ponto de não dar-lhe comida. Dois anos depois, com a morte de seu marido, ela foi forçada a partir da casa.

SÃO FÉLIX III, PAPA

São Félix III, Papa desde o ano 483, teve que enfrentar o cisma do Patriarca de Constantinopla e combater as heresias monofisitas e arianas. Apoiou os Bispos africanos, contra as invasões dos Vândalos, e readmitiu na Igreja todos os cristãos, que tinham sido obrigados ao batismo ariano.
São Félix foi o 48º papa da Igreja católica e seu pontificado ocorreu entre os anos 483-492. Nascido na Itália no ano 440, a vida religiosa de Félix antes de se tornar papa não é muito conhecida. Sabe-se apenas que era proveniente de uma família nobre de nome Anicia e foi indicado para o posto de papa por Odoacro, rei dos hérulos com atuação fundamental na queda do Império Romano do Ocidente. Com o falecimento do Papa Simplício, em 483, foi eleito o Papa Félix III no dia 13 de março do mesmo ano.

EUDÓXIA DA SAMARIA Penitente, Religiosa, Santa século II

Depois de ter levado má vida, converteu-se
 e passou o resto da sua vida a fazer penitência, 
culminado esta com o martírio.
Eudóxia nasceu na Samaria, Palestina, mas vivia na cidade de Heliópolis na Fenícia, actual Líbano. Era uma jovem de extraordinária beleza, cujo ímpeto pagão a fez abandonar a família para levar uma vida de libertina. Teve muitos noivos e admiradores ricos, que vinham de outros países à sua procura. Dessa maneira, enriqueceu. Certa vez, pernoitou na casa de um seu vizinho cristão um velho monge, chamado Germano. De madrugada, o monge levantou para fazer suas orações em voz alta, como de hábito, e ler o Evangelho, entoando cânticos ao Senhor. A leitura foi sobre a nova vinda do Redentor e o juízo final. Eudóxia, acordou com aquela voz, que vinha pela parede, da casa ao lado, e ficou escutando. O que ouviu, impressionou-a e perturbou o seu espírito. Bem cedo, foi procurar o homem, que ouvira rezando durante a noite e escutou por muito tempo a orientação do velho monge Germano, sentindo sua alma se encher com a alegria e o amor de Cristo. Ficou isolada com o monge durante vários dias, só ouvindo suas palavras e rezando. Ela teve uma visão de são Miguel Arcanjo, presenciada pelo monge, confirmando assim seu arrependimento e conversão. O monge contou ao bispo de Heliópolis, Teodotos, que baptizou Eudóxia. Depois, ela doou os seus bens aos pobres, libertou os seus escravos e ingressou no convento feminino, próximo da cidade, de onde só saiu para morrer.

São David de Menevia (de Gales) Bispo 1º de março

São David (Dewi), galês, fundador 
de mosteiros (Vallis Rosina…), 
Bispo de Menevia; muito activo contra o pelagianismo.
(*)Menevia, País de Gales, c. 542 
(+)Mynyw, País de Gales, c. 601
 Viveu no século VI e morreu em 601; embora ele seja mencionado em documentos dos séculos 8 e 10, uma biografia dele foi escrita apenas no século 11 por um certo Rhygyfarch. Davi era filho de Sant e Nonna e nasceu no Vale de Rhos; foi educado e instruído por Santo Iltut e depois por Paulino; foi ordenado sacerdote e retirou-se para uma ilha solitária, onde permaneceu por dez anos, dedicado ao estudo da Sagrada Escritura. Mais tarde, abraçou a vida monástica e começou a evangelizar a Grã-Bretanha, ainda habitada por povos celtas; Fundou doze mosteiros, nos quais estabeleceu uma vida comunitária, austera, cheia de estudo, trabalho e oração. Em seu retorno à sua terra natal, sucedeu a São Dubrício como bispo de Caerlon, de onde se mudou para a sé de Menévia. De acordo com uma tradição lendária, ele viveu por 147 anos. Seu túmulo logo se tornou um lugar de peregrinação e muitas igrejas no País de Gales, Irlanda e Inglaterra foram nomeadas em sua homenagem. 
Patrono: País de Gales 
Emblema: Mitre, Pastoral, Pomba, Modelo 
Martirológio Romano: Em São David, no País de Gales, São David, bispo, que, imitando o modelo e os costumes dos Padres Orientais, fundou um mosteiro, a partir do qual muitos monges partiram para evangelizar Gales, Irlanda, Cornualha e Bretanha.

ALBINO DE ANGERS Abade, Bispo, Santo 469-550

Foi abade durante trintta e cinco anos, 
antes de ser nomeado bispo 
da cidade francesa de Angers.
Albino nasceu no ano 469, no seio de uma família cristã, que se encontrava em ascensão social e financeiramente, também pertencia à nobreza de Vannes, sua cidade natal, na Bretanha. Era uma criança reservada, inteligente, pia e generosa. Ao atingir a adolescência manifestou a vocação pela vida religiosa. Por volta dos vinte anos ordenou-se monge e cinco anos depois era escolhido, pela sua comunidade, o abade do mosteiro de Tintilante, também conhecido como de Nossa Senhora de Nantili, próximo de Saumur. Durante mais vinte e cinco anos exerceu seu ministério, mantendo-se fiel aos preceitos da Igreja, trabalhando para manter a integridade dos Sacramentos e das tradições cristãs. Nesse período, todas as suas qualidades humanas e espirituais afloraram, deixando visível uma pessoa especial que caminhava na rectidão da santidade. Fez-se o pai e irmão dos pobres, dos humildes, dos perseguidos e dos prisioneiros. Tanto que foi eleito, para ocupar o posto de bispo de Angers, pelo clero e pela população, num gesto que demonstrou todo amor e estima do seu imenso rebanho.

ROSENDO DE CELANOVA Bispo de Braga 907-977

Bispo de Mondoñedo, de Dume 
e de Compostela; abade de Celanova.
Esta grande figura da Igreja ibérica, Rosendo de Celanova, nasceu em Santo Tirso, perto do Porto a 26 de novembro de 907, no seio de uma família então prestigiosa. Veja-se: São Rosendo era tetraneto de Ramiro I de Oviedo (+ 850); bisneto do Conde Gaton de Bierzo, o repovoador de Astorga (854), neto do Conde Hermenegildo Gutierrez, conquistador de Coimbra (878) e primo irmão do Rei Ramiro II de Leão (+ 951). Com uma tal “linhagem”, não admira que tenha sido nomeado bispo de Medonhedo tendo apenas 18 anos. Todavia, esta juventude não o impediu de ser, na sequência dos tempos um grande e famoso servidor da Igreja. Lembremos que foi ele o fundador da grande abadia de Celanova e que terminou a sua vida como bispo na então já muito famosa catedral de Santiago de Compostela (968-977). Bom é saber igualmente que a esta prestigiosa família galega pertenceram nada mais do que 10 reis e 7 bispos, assim como uma boa parte das mais importantes figuras do reino ― entre os anos 850 e 1000. Este grande santo ibérico, é considerado português, pelos portugueses, por causa do seu nascimento ― mesmo se nesse tempo nem o Condado de Portugal existia ― e por ter sido um dos bispos de Dume, na região de Braga, a mais antiga diocese de Portugal.

Beata Joana Maria Bonomo, abadessa benedictina em Bassano, mística.

Joana nasceu em Asiago, no dia 15 de agosto de 1606, filha de João Bonomo, rico comerciante cuja família tinha bens não só em Asiago, mas também nas cidades vizinhas, e de Virginia, da nobre família dos Ceschi Borgo Valsugana. Conta-se que com apenas dez meses de repente recebeu do Céu o uso da palavra para desviar o pai de uma má ação. Aos cinco anos já havia penetrado, por inspiração divina, no mistério da presença eucarística. Quando criança, ela aprendeu o latim muito bem sem a ajuda de professores. A Beata tinha seis anos quando sua mãe morreu, em 1612, e em 1615 seu pai, incapaz de dar a ela uma boa educação, levou-a para o Mosteiro de Santa Clara de Trento, dirigido pelas Clarissas, que deram à menina uma educação, de acordo com os costumes da época, com base na religião, literatura, música, bordado e dança. Com nove anos de idade, isto é, uma idade excepcional para aquele tempo, foi admitida à Primeira Comunhão. Na ocasião, Joana fez um voto de virgindade ao qual foi fiel para o resto de sua vida. Aos doze anos Joana escreveu para o pai revelando sua intenção de se tornar monja Clarissa e de ficar em Trento. João Bonomo no primeiro momento se opôs de todas as formas à vocação da filha e a fez voltar para Asiago para encaminhá-la para a vida conjugal, mas finalmente consentiu no seu desejo, reservando-se o direito de escolher pessoalmente a ordem e o mosteiro. Na igreja de Santa Clara, em Trento, ela se tornou noviça e acompanhava a missa dominical com o som do seu violino, atraindo para a pequena igreja muitas pessoas.

ORAÇÃO DE TODOS OS DIAS - 1 DE MARÇO

Oração da manhã para todos os dias
 
Senhor meu Deus, mais um dia está começando. Agradeço a vida que se renova para mim, os trabalhos que me esperam, as alegrias e também os pequenos dissabores que nunca faltam. Que tudo quanto viverei hoje sirva para me aproximar de vós e dos que estão ao meu redor. Creio em vós, Senhor. Eu vos amo e tudo espero de vossa bondade. Fazei de mim uma bênção para todos que eu encontrar. Amém. 
As reflexões seguintes supõem que você antes leu o texto evangélico indicado.
1 – Sexta-feira – Santos: Albino, Adriano de Marselha
Evangelho (Mt 21,33-43.45-46) “Finalmente, o proprietário, enviou-lhes o seu filho, pensando: – Ao meu filho eles vão respeitar.”
A parábola de Jesus foi ampliada para ajudar as comunidades primitivas. Podemos pensar que em sua forma original, contada por Jesus, sua finalidade era apresentá-lo como o enviado do Pai, para o convite final à conversão. Sacerdotes e anciãos do povo entenderam bem que eram acusados por não acreditar nele nem o aceitar como enviado de Deus. Não posso esquecer que, diante de Jesus, devo decidir-me.
Oração
Senhor meu Deus, muitas vezes me tendes convidado à conversão, a me unir a Jesus e viver como ensinou. Nem sempre vos tenho escutado. Perdoai minha teimosia em seguir meus próprios caminhos. Mudai meu coração e minha vida, meu modo de pesar e de agir. Com vossa ajuda quero amar-vos acima de todos e de tudo. Por misericórdia, Senhor, não permitais que eu ainda vos abandone. Amém.

quinta-feira, 29 de fevereiro de 2024

RFLETINDO A PALAVRA - “Missão de Maria”

PADRE LUIZ CARLOS DE OLIVEIRA(+)
REDENTORISTA NA PAZ DO SENHOR
Presente na Obra da Redenção
 
As celebrações da Igreja católica, como da Igreja Ortodoxa, nos seus diversos ritos, dão à Mãe de Deus, o lugar de proeminência que Deus lhe concedeu. Ao ser escolhida para ser Mãe do Filho de Deus, recebeu todos os dons e graças necessárias para essa missão. Celebrando as glórias de Maria louvamos a Deus por seu inestimável amor à criatura humana ao dar-lhe seu Filho como filho. A Igreja, desde os primórdios, reconheceu o lugar de Maria na Obra da Redenção. Testemunho desta verdade são os próprios Evangelhos que a Tradição acolheu e desenvolveu em sua reflexão. Deus quis precisar de Maria para a vinda de Seu Filho ao mundo. Poderia ter feito diferente, mas não o fez. Os judeus esperavam um Messias diferente, grandioso conforme as tradições judaicas. Deus preferiu o caminho mais humano, pois era mais divino. Na Encarnação o Filho divino toma a carne humana na carne da Virgem Maria. Ele é Homem-Deus. É virgem porque o Filho é de Deus, por obra do Espírito Santo. Por Maria Ele entra no povo da promessa. É herdeiro do trono de Davi, conforme as profecias. Essa carne de Jesus é ressuscitada e glorificada junto do Pai em sua Ascensão. A presença de Maria se faz constante na obra apostólica de Jesus. No momento de sua Morte e Ressurreição ela está junto. Quando morre, Ele a dá como Mãe ao discípulo que é João e a todo discípulo. Naquele momento ele não resolvia um problema familiar, mas dava a todos os que viriam crer Nele. Ela continua a missão de gerar os filhos da redenção. Na vinda do Espírito Santo Ela é nomeada explicitamente pelo evangelho. Os discípulos estão reunidos, unânimes na oração, com Maria a Mãe de Jesus (At 1,14). Excluir Maria da obra da redenção é desconhecer a Palavra de Deus.
Presente no Povo de Deus 
No início da pregação dos apóstolos ela continua presente com eles, conforme contam as tradições. Testemunho disso são as orações, as pregações e as obras de arte que encontramos nas catacumbas. Já se haviam formado orações dirigidas a Maria, como foi encontrado no Egito um papiro antiqüíssimo com uma prece a Maria que rezamos até hoje: “À vossa proteção recorremos, Santa Mãe de Deus. Não nos desprezeis e nossas súplicas, mas guardai-nos sempre, ó Virgem gloriosa e bendita”. Na catacumba de Priscila há uma pintura da Mãe de Deus que foi realizada pelo ano 270. Para uma verdade se tornar oração e obra de arte, não bastam poucos anos. Por isso vemos a presença de Maria já há muito dentro da fé da comunidade. Em cada Eucaristia Maria está presente, pois o corpo de Cristo nos símbolos do pão e do vinho é o mesmo que foi gerado em seu seio, percorreu as estradas anunciando o Reino, foi crucificado, ressuscitou e está na glória do Pai. O povo de Deus continuou o carinho e o culto de grande veneração por aquela pela qual no veio Jesus. 
Presente na Glória 
Ao ser levada à Glória em corpo e alma, Maria continua unida ao povo de Deus no Corpo Místico de Cristo do qual todas as pessoas vivas e falecidas fazem parte. Junto de Deus ela permanece conosco. Continua sua missão de participar da Obra da Redenção em sua mediação suplicante. Como rezamos uns pelos outros, ela também reza por nós. Por isso dizemos: “Rogai por nós pecadores, agora e na hora de nossa morte”. Negar que Maria reza por nós é negar a existência dessa união de todos em Cristo, como escreve Paulo. O culto veneração a Maria, que em nada diminui o culto de adoração a Deus, pois nela louvamos a Deus, é um privilégio e um dever, pois por ela nos veio Jesus que amamos.
ARTIGO PUBLICADO EM AGOSTO DE 2012

EVANGELHO DO DIA 29 DE FEVEREIRO

Evangelho segundo São Lucas 16,19-31. 
Naquele tempo, disse Jesus aos fariseus: «Havia um homem rico, que se vestia de púrpura e linho fino e se banqueteava esplendidamente todos os dias. Um pobre chamado Lázaro jazia junto do seu portão, coberto de chagas. Bem desejava ele saciar-se do que caía da mesa do rico, mas até os cães vinham lamber-lhe as chagas. Ora, sucedeu que o pobre morreu e foi colocado pelos anjos ao lado de Abraão. Morreu também o rico e foi sepultado. Na mansão dos mortos, estando em tormentos, levantou os olhos e viu Abraão com Lázaro a seu lado. Então, ergueu a voz e disse: "Pai Abraão, tem compaixão de mim. Envia Lázaro, para que molhe em água a ponta do dedo e me refresque a língua, porque estou atormentado nestas chamas". Abraão respondeu-lhe: "Filho, lembra-te de que recebeste os teus bens em vida, e Lázaro apenas os males. Por isso, agora ele encontra-se aqui consolado, enquanto tu és atormentado. Além disso, há entre nós e vós um grande abismo, de modo que se alguém quisesse passar daqui para junto de vós, ou daí para junto de nós, não poderia fazê-lo". O rico exclamou: "Então peço-te, ó pai, que mandes Lázaro à minha casa paterna, pois tenho cinco irmãos, para que os previna, a fim de que não venham também para este lugar de tormento". Disse-lhe Abraão: "Eles têm Moisés e os profetas: que os oiçam". Mas ele insistiu: "Não, pai Abraão. Se algum dos mortos for ter com eles, arrepender-se-ão". Abraão respondeu-lhe: "Se não dão ouvidos a Moisés nem aos profetas, também não se deixarão convencer se alguém ressuscitar dos mortos"». 
Tradução litúrgica da Bíblia 
São Charles de Foucauld (1858-1916) 
Eremita e missionário no Saara 
Salmo 36, § 71 
Os germes da alegria eterna 
«Ainda um pouco, e já não verás o ímpio; 
mesmo que o procures, não vais encontrá-lo.
 Porém, os pobres possuirão a terra
 e terão felicidade e grande paz» 
(Sl 36,10-11). 
Este salmo é um desenvolvimento admirável deste pensamento: há penas na terra para os justos, mas estas penas são o germe da alegria eterna: eles devem, pois, esperar, consolar-se e agradecer a Deus, guardando-se de invejar os alegres do mundo, que, ao chegarem à eternidade, têm à sua espera tormentos terríveis! Pobre Lázaro, não invejes o rico que se alegra e come esplendidamente: és tu que és feliz! Não invejemos os mundanos, com as suas alegrias e a sua prosperidade: não são eles que são felizes. Felizes são aqueles que têm Deus por Senhor, que não vivem para os gozos, para a ciência, para as riquezas, para as honras, para o amor, para os afetos humanos, para tudo o que há na terra, mas vivem só para Deus e só para Ele olham, em quem Ele reina perfeitamente, como Senhor soberano que tudo governa num reino perfeitamente submisso. Demos graças a Deus pela nossa felicidade, nós, que Ele amou com um amor eterno e que por isso atraiu a Si na sua misericórdia. Amemos as nossas dores, que são a marca da nossa separação do mundo, e ofereçamo-las a Deus, pedindo-Lhe que faça de nós tudo o que quiser.

São Valente de Verona , Bispo - 29 de fevereiro

Foi bispo de Verona, segundo a recente lista de bispos elaborada por Monsenhor Dario Cervato. Sua existência, porém, é incerta, pois alguns estudiosos acreditam que seu nome tenha sido substituído pelo de Vindemale. Porém, no "Véu de Classe" e no "Ritmo Pipiniano" encontra-se o nome de São Valente, que alguns estudiosos acreditam ser uma forma sincopada de Vindemale. São Valente foi bispo de Verona, embora nem todos concordem com sua existência. Se tomarmos a recente lista de bispos elaborada por Dom Dario Cervato no volume “Verona hagiográfica”, ele figura no trigésimo primeiro lugar depois de Sant'Arborio e antes de São Clemente (ou Salvino). Mesmo que para Ederle em sua cronologia ele tenha colocado o nome de Vindemale em seu lugar, para Cervato no "Velo di Classe" encontra-se San Valente, que "algumas fontes pensam ser sua síncope", e também é encontrado no Ritmo Pipiniano .

SANTO AUGUSTO CHAPDELAINE, MÁRTIR

Sacerdote francês da Sociedade das Missões Estrangeiras de Paris, Augusto partiu como missionário na China em 1852. Em Xilinxian, na província de Guangxi, conseguiu muitas conversões; porém, sua presença foi denunciada pelo mandarim, Hien, inimigo dos cristãos, que o mandou prender e decapitar. 
Santo Augusto Chapdelaine 
sacerdote e mártir 28 de fevereiro 
(em anos bissextos: 29 de fevereiro) 
(*)La Rochelle, França, 6 de janeiro de 1814
(+)Sy-Lin-Hien, China, 29 de fevereiro de 1856 
Ele nasceu em La Rochelle, na França, em 6 de janeiro de 1814, em uma família de camponeses. Frequentou o seminário diocesano e foi ordenado sacerdote em 1843; teve a tarefa, primeiro de vigário e depois de pároco da aldeia de Boucey. Em 1851 entrou no noviciado do Instituto de Missões Estrangeiras de Paris e em 29 de abril de 1852 embarcou em Antuérpia, rumo à missão chinesa de Kuang-Si; mas parou em Ta-Chan, perto da fronteira, para se instalar, aprender a língua e esperar o momento certo. Passaram-se quase três anos e em 1855 pôde entrar em Kuang-Si, onde imediatamente começou a fazer apostolado, percorrendo todo o território; em pouco tempo os neófitos chegaram a cerca de duzentos.

HILÁRIO DE ROMA Papa, Santo + 468

Papa. 
Foi o quadragésimo-sexto
 sucessor de São Pedro. 
Organizou a liturgia.
Hilário, Papa e Santo da Igreja Católica (461-468) nasceu na Sardenha, em data incerta. Em 19 de novembro de 461 foi eleito Papa, como sucessor de São Leão I, Magno (440-461). Durante o seu pontificado procurou combater a difusão da doutrina ariana, que naquela época Ricimero sustentava em Roma. Como arcediago — cargo na Igreja medieval, dignatário das sés que secundava o bispo nos ofícios junto com o chantre, um funcionário eclesiástico que dirigia o coro, e o diácono — representou o próprio papa no Concílio de Éfeso em 449 quando demonstrou uma férrea oposição ao monofisismo e onde lutou pelos direitos da Igreja. No trono de Pedro, continuou a acção política de seu antecessor e confirmou os concílios de Nicéia, Éfeso e Calcedónia, sustentando a supremacia da Igreja apostólica perante as tendências de autonomia dos bispos da Espanha e da Gália. Estabeleceu um vicariato na Espanha e ergueu vários conventos para mulheres, em Roma. Também estabeleceu que para ser sacerdote era necessário possuir uma profunda cultura e que pontífices e bispos não podiam designar seus sucessores. Segundo o Liber pontificalis, o papa interveio na organização da liturgia estacional da quaresma em 25 igrejas e doou à Basílica do Latrão uma torre de prata e uma pomba de ouro. O quadragésimo-sexto papa da Igreja Católica, morreu em 29 de fevereiro de 468, em Roma, e foi seu sucessor São Simplício (468-483). Santo Hilário escreveu que Jesus, nascido de Deus, assumiu um corpo, se fez homem, e, assim, é essencial à fé reconhecer a dupla natureza do Cristo.

OSVALDO DE YORK Bispo, Santo + 992

Monge beneditino e Bispo de York. 
Durante a Quaresma praticava 
com grande humildade o lava-pés.
Osvaldo figura entre os grandes nomes católicos da Europa ao final do primeiro milénio, tendo morrido no ano de 992. De origem dinamarquesa, era sobrinho de Odo, arcebispo da Cantuária e parente de Osyll, arcebispo de York. Para abraçar a religião escolheu a vida de monge beneditino e, por isso, ingressou no convento de Fleury-sur-Lofre, na França. Entretanto, Osvaldo foi chamado por seu tio Oskyl que, desejando fazer reformas em sua diocese, escolheu o sobrinho para encabeçá-las, por causa de seu senso de justiça e da generosidade para com os pobres. Foi nomeado bispo de Worcester e uniu-se a dois outros religiosos da mesma estirpe da região: Dunstan, arcebispo de Cantuária e Ethelwold, bispo de Winchester. Assim, Osvaldo conseguiu restabelecer a disciplina monástica que levou a diocese de seu tio a recuperar o caminho correto dentro do cristianismo. Por esta e outras obras, o Rei Eadgar o nomeou arcebispo de York, em 972. Osvaldo fundou ainda uma outra abadia de beneditinos em Worcester e desenvolveu muito o estudo científico nos mosteiros e conventos que dirigiu. Mas, ao mesmo tempo em que dava grande importância aos estudos terrenos, em nenhum momento se desprendeu das obrigações e regras espirituais, vivenciando muitos fatos sobrenaturais. Segundo a tradição, Santo Osvaldo reproduzia durante toda a Quaresma a cerimónia do lava-pés, banhando ele próprio os pés de 12 mendigos. Ele operou diversos milagres em vida.

ORAÇÃO DE TODOS OS DIAS - 29 DE FEVEREIRO

Oração da manhã para todos os dias 
Senhor meu Deus, mais um dia está começando. Agradeço a vida que se renova para mim, os trabalhos que me esperam, as alegrias e também os pequenos dissabores que nunca faltam. Que tudo quanto viverei hoje sirva para me aproximar de vós e dos que estão ao meu redor. Creio em vós, Senhor. Eu vos amo e tudo espero de vossa bondade. Fazei de mim uma bênção para todos que eu encontrar. Amém. 
As reflexões seguintes supõem que você antes leu o texto evangélico indicado.
29 – Quinta-feira – Santos: Hilaro, Macário, Hedviges da Polônia
Evangelho (Lc 16,19-31) “Havia um homem rico, que se vestia com roupas finas e elegantes e fazia festas esplêndidas todos os dias.”
Essa parábola está só no evangelho de Lucas. Apresenta um rico e um pobre, e sua sorte diferente depois da morte. Jesus aponta para o perigo da riqueza que leva ao egoísmo e ao descuido pelo próximo, fecha o coração e impede de ouvir a proposta de salvação. Para fugir à escravidão vivida pelo rico iludido, é preciso abrir-se para a conversão que renova, para o amor ativo pelo próximo, e para os bens eternos.
Oração
Senhor meu Deus, sabeis como é fácil prender-nos aos bens da terra, imaginando que nos darão a felicidade, e fechando-nos para os irmãos. Agradeço os bens que me dais, mas peço que não me deixe prender nem iludir. Ajudai-me a usar de minhas posses e possibilidades para vos servir e ajudar meu irmão a crescer. Não posso muito, mas quero fazer tudo para que esta nossa sociedade seja mais justa. Amém.

quarta-feira, 28 de fevereiro de 2024

REFLETINDO A PALAVRA - “Maria é levada ao Céu”

PADRE LUIZ CARLOS DE OLIVEIRA(+)
REDENTORISTA NA PAZ DO SENHOR
A fé nos ensina
A festa da Assunção de Maria ao Céu, como a data de 15 de agosto, tem origem muito remota. Perto de Éfeso, agora em belas ruínas, há uma casa onde morou Maria com o apóstolo João. É uma tradição. Contudo os alicerces desta casa são do século Iº. Todos os anos, neste dia, há um grande movimento de peregrinos. Esses, em sua maioria, são muçulmanos que veneram Maria com muito afeto, pois é Mãe de Jesus. O povo cristão tem como doutrina de fé que “Maria, ao término de sua vida terrena, foi levada ao Céu em corpo e alma”. O dogma da Assunção não está escrito na Bíblia, mas é Tradição que se apoia na Bíblia. Tradição é regra de fé. Pela Tradição cristã podemos saber qual a fé que a Comunidade cristã viveu desde o início. Tradição cristã não tem nada a ver com tradicionalismo. Tradicionalismo conserva o passado porque é do passado. A Tradição guarda a fé do passado. Os grandes teólogos santos da Igreja, que chamamos santos padres, pais de nossa fé, acataram e explicaram este dogma. A liturgia da Igreja sempre celebrou esta festa, desde os primeiros séculos. E por fim, o Magistério, segurança dada à Igreja na autoridade do Papa recebida por Pedro, confirmou oficialmente que este dogma é de fé. Ele não inventou. Para chegar a essa proclamação, o Papa Pio IX consultou também o povo de Deus. A fé do povo de Deus, em seu conjunto, também não erra. A Palavra de Deus na celebração é o fundamento do dogma. A liturgia nos mostra que a razão da Assunção é a Ressurreição de Jesus. Ela a realizou por completo. Jesus é o primeiro ressuscitado. Com a Assunção de Maria estamos garantidos: Todos ressuscitaremos. 
A Palavra nos instrui 
A leitura do livro do Apocalipse fala de um grande sinal que apareceu no Céu: “Uma mulher vestida de sol... Apareceu outro sinal: Um grande Dragão... que se colocou diante da mulher que estava para dar a luz, a fim de lhe devorar o filho” (Ap 12,1.3.5). A Igreja vê nessa mulher Maria. Ela está junto do Filho na glória da Ressurreição. Maria se tornou um sinal completo para o povo cristão. Ao cantar seu hino, o Magníficat (minh’alma glorifica o Senhor), Ela se faz modelo de quem acolhe a graça de Deus com humildade, reconhece o dom que recebeu, e estende a todos a misericórdia com que foi agraciada. Ela se tornou modelo acabado para os cristãos, pois todos participam de sua graça. 
E nos ensina a viver 
Ela proclama a misericórdia de Deus para com os necessitados. São os pobres de Javé que mantiveram vivas as promessas, creram nelas e sobreviveram. O texto mostra o estilo hebraico de salientar uma verdade pelos opostos. Lemos que Deus derrubou os poderosos de seus tronos e exaltou os humildes, saciou de bens os famintos e despediu os ricos de mãos vazias. Temos o costume de ver aí uma mudança social. Na verdade, parece que não há, pois não adianta mudar pobres em ricos e ricos em pobres. Ficou na mesma. O que podemos compreender? D. Helder dizia: “Nem ricos nem pobres, mas todos irmãos”. Podemos entender: Os que acolhem o dom de Deus são ricos de Deus; os que não acolhem, serão desprovidos de Deus. Tornam-se vazios, sem poder enriquecer os outros com o dom de Deus. Quem não tem Deus não tem capacidade de partilhar a vida, os bens e as esperanças. Somos chamados a ver em Maria um modelo. Não podemos nos esvaziar de Deus, pois não seremos transformadores da sociedade. 
Leituras: Apocalipse 11,19ª.12,1.3-6a.10ab; 
Salmo 44; 
1Coríntios 15,20-27a ; Lucas 1,39-56 
1. A festa e a data da celebração da Assunção de Maria têm origem remota. Em Éfeso há uma casa cuja tradição afirma que Maria viveu ali. É muito visitada pelos muçulmanos. A doutrina da Assunção nos é transmitida pela Tradição Cristã com base na Palavra de Deus. O Magistério infalível do Papa Pio IX confirmou o dogma, pois esta foi sempre a fé do povo de Deus. O fundamento da Assunção é a Ressurreição. 
2. A gloriosa mulher de que nos fala o Apocalipse é assumida pela Igreja como sendo uma figura de Maria. No seu Magníficat ensina que na humildade acolhemos a misericórdia de Deus como dom. 
3. Maria proclama a misericórdia de Deus para com os necessitados. Os pobres mantiveram vivas as promessas, creram nelas e sobreviveram. Derrubar os poderosos e mandá-los de mãos vazias, com fome, não é solução. A pobreza pior é a falta de Deus. Esta impede a partilha. Maria é modelo de vida. 
Aprendendo no colo da mãe. 
Maria é a Mãe de Jesus que é Deus. É também nossa mãe, pois somos irmãos de Jesus e assim, filhos de Deus. Celebramos o dia em que Ela foi levada ao Céu em corpo de alma. A Igreja não inventou essa verdade, mas aprendeu das primeiras gerações de cristãos que nos passaram pela Tradição da fé. A Igreja sempre acreditou nessa verdade. O Papa Pio IX confirmou, com o magistério, que é verdade de fé e não lenda. A Igreja, em sua liturgia, identifica Maria com a Mulher gloriosa do Apocalipse. A ressurreição de Jesus é o fundamento desta nossa fé. Ela é a primeira ressuscitada, como diz Paulo explicando a ressurreição: “Cristo é o primeiro, depois cada um segundo uma ordem determinada” (1Cor 15,23). Sua Assunção é garantia de que nós todos vamos ressuscitar. A primeira já foi. Maria coloca-nos no colo, diante de Deus, e nos ensina como ela cantou, a reconhecer Deus que age em nosso favor e transforma as realidades do mundo na misericórdia. 
Homilia da Solenidade da Assunção de Maria (19.08.2012)

EVANGELHO DO DIA 28 DE FEVEREIRO

Evangelho segundo São Mateus 20,17-28. 
Naquele tempo, enquanto Jesus subia para Jerusalém, chamou à parte os Doze e, durante o caminho, disse-lhes: «Vamos subir a Jerusalém e o Filho do homem vai ser entregue aos príncipes dos sacerdotes e aos escribas, que O condenarão à morte e O entregarão aos gentios, para ser por eles escarnecido, açoitado e crucificado. Mas, ao terceiro dia, Ele ressuscitará». Então, a mãe dos filhos de Zebedeu aproximou-se de Jesus com os filhos e prostrou-se para Lhe fazer um pedido. Jesus perguntou-lhe: «Que queres?». Ela disse-Lhe: «Ordena que estes meus dois filhos se sentem no teu Reino, um à tua direita e outro à tua esquerda». Jesus respondeu: «Não sabeis o que estais a pedir. Podeis beber o cálice que Eu hei de beber?». Eles disseram: «Podemos». Então Jesus declarou-lhes: «Bebereis do meu cálice. Mas sentar-se à minha direita e à minha esquerda não pertence a Mim concedê-lo; é para aqueles a quem meu Pai o designou». Os outros dez, que tinham escutado, indignaram-se com os dois irmãos. Mas Jesus chamou-os e disse-lhes: «Sabeis que os chefes das nações exercem domínio sobre elas e os grandes fazem sentir sobre elas o seu poder. Não deve ser assim entre vós. Quem entre vós quiser tornar-se grande, seja vosso servo e quem entre vós quiser ser o primeiro, seja vosso escravo. Será como o Filho do homem, que não veio para ser servido, mas para servir e dar a vida pela redenção dos homens». 
Tradução litúrgica da Bíblia 
Santo Agostinho (354-430) 
Bispo de Hipona (norte de África), 
doutor da Igreja 
Dissertações sobre os Salmos, Sl 121
«Eis que subimos a Jerusalém» 
Nos «salmos de subida», o salmista aspira a Jerusalém e diz que quer subir. Subir para onde? Desejará ele alcançar o sol, a lua, as estrelas? Não. Deseja subir ao céu, onde se encontra a Jerusalém eterna, e onde vivem os anjos, nossos concidadãos (Heb 12,22). Aqui na terra, estamos exilados, longe deles. Ainda a caminho, neste exílio, suspiramos; ao chegar à cidade, estremeceremos de alegria. Durante a viagem, encontramos companheiros que já viram essa cidade e que nos encorajam a correr para ela. Eles inspiraram ao salmista uma exclamação de alegria: «Que alegria quando me disseram: vamos para a casa do Senhor!» (Sl 122,1). Iremos para a casa do Senhor: corramos pois, corramos, pois chegaremos à casa do Senhor. Corramos sem nos cansar; lá, não haverá cansaço. Corramos para a casa do Senhor e estremeçamos de alegria com aqueles que nos chamaram e que primeiro contemplaram a nossa pátria. Eles gritam de longe aos que os seguem: «Vamos para a casa do Senhor; caminhai, correi!» Os apóstolos viram essa casa e chamam-nos: «Caminhai, correi, segui-nos! Vamos para a casa do Senhor!» E o que responde cada um de nós? «Que alegria quando me disseram: vamos para a casa do Senhor!». Regozijei-me com os profetas, regozijei-me com os apóstolos, pois todos eles nos dizem: «Vamos para a casa do Senhor».

28 de fevereiro - Beato Timóteo (Stanislaw Antoni)

Precisamente hoje estamos a celebrar a vitória daqueles que, no nosso tempo, deram a vida por Cristo, deram a vida temporal para a possuir pelos séculos na sua glória. Trata-se de uma vitória particular, porque é compartilhada pelos representantes do clero e dos leigos, jovens e idosos, pessoas de várias classes e posições. Há sacerdotes diocesanos e religiosos, que morreram porque não quiseram abandonar o seu ministério, e aqueles que morreram servindo os companheiros de prisão, doentes de tifo; há pessoas que foram torturadas até à morte pela defesa dos judeus. No grupo dos Beatos existem irmãos religiosos e irmãs, que perseveraram no serviço da caridade e na oferta dos seus tormentos pelo próximo. Entre estes Beatos mártires contam-se também leigos. Hoje estes Beatos mártires são inscritos na história da santidade do Povo de Deus, peregrinante em terra polaca há mais de mil anos. 
Papa João Paulo II - Homilia de Beatificação – 13 de junho de 1999

28 de fevereiro - Santas Marana e Cira

A Igreja hoje recorda a memória das santas Marana e Cira, virgens, que em Beréia, na Síria, viveram em um lugar estreito e fechado sem teto, e recebiam a comida necessária através de uma janela, mantendo sempre um absoluto silêncio. Tudo o que sabemos sobre as santas vem da "História Religiosa" de Theodoreto de Ciro, que as conheceu pessoalmente. Neste trabalho, o bispo e historiador eclesiástico nos traz exemplos do que era um vasto movimento ascético monástico na Síria, do qual nossas duas santas faziam parte. Segundo o autor, embora fossem ricas e tivessem recebido educação de acordo com sua condição, ou seja, embora estivessem preparadas para viver no mundo, as duas decidiram deixar tudo para se juntar à vida penitencial que alguns homens e mulheres da região tinham. Elas então construíram uma cela estreita, com apenas uma janela para receber a comida, e sem telhado, de modo que elas foram expostas às inclemências do sol e da chuva. Theodoreto elogia a bravura dessas mulheres no combate espiritual, notando que sua força supera a dos homens, que normalmente são considerados mais fortes. Elas usavam apenas uma túnica e dedicavam seu dia à oração. Elas passaram muitos anos nesse tipo de vida (Theodoreto as conheceu quando estavam reclusas por 42 anos).