Evangelho segundo São Lucas 8,1-3.
Naquele tempo, Jesus ia caminhando por cidades e aldeias, a pregar e a anunciar a boa nova do Reino de Deus. Acompanhavam-no os Doze,
bem como algumas mulheres que tinham sido curadas de espíritos malignos e de enfermidades. Eram Maria, chamada Madalena, de quem tinham saído sete demónios,
Joana, mulher de Cusa, administrador de Herodes, Susana e muitas outras, que serviam Jesus e os discípulos com os seus bens.
Tradução litúrgica da Bíblia
(1256-1301)
Monja beneditina
O arauto, livro III, SC 143
O coração divino atraído pela nossa miséria
Certo dia, na sua meditação, [Gertrudes] tomou consciência da sua miséria interior, o que lhe provocou um tal desprezo por si própria que, ansiosa e perturbada, se perguntou como poderia agradar a Deus, que via todas as suas faltas; porque, onde ela descobria apenas uma, o olhar divino e penetrante percebia uma infinidade.
Recebeu consolação com a seguinte resposta divina: «O amor torna amável o amado». Compreendeu então que se neste mundo, entre os homens, o amor tem tanta força que a própria fealdade agrada ao amante por causa do amor que lhe tem, chegando a fazer-lhe desejar, por amor, assemelhar-se ao amado, como poderia ela duvidar de que Aquele que é Deus-caridade pudesse, em virtude do amor, tornar amável aquele que ama?
Doutra vez, a memória das suas culpas passadas lançou-a em tal confusão que apenas queria esconder-se para sempre; e eis que o Senhor Se inclinou para ela com tal reverência que toda a corte celeste, como que tomada de espanto, se empenhou em O conter; ao que o Senhor respondeu: «Não posso deixar de ir ter com aquela que puxa pelo meu coração divino com as sólidas cordas da humildade».
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