Evangelho segundo São Marcos 6,45-52.
Depois de ter matado a fome a cinco mil homens, Jesus obrigou os discípulos a subirem para o barco e a seguirem antes d’Ele para a outra margem, em direção a Betsaida, enquanto Ele despedia a multidão.
Depois de a ter despedido, subiu a um monte, para orar.
Ao anoitecer, estava o barco no meio do mar e Jesus sozinho em terra.
Ao ver os discípulos cansados de remar, porque o vento lhes era contrário, pela quarta vigília da noite foi ter com eles, caminhando sobre o mar, mas ia passar adiante.
Ao verem Jesus caminhando sobre o mar, os discípulos julgaram que era um fantasma e começaram a gritar,
porque todos O viram e ficaram atemorizados. Mas Jesus falou-lhes logo, dizendo: «Tende confiança. Sou Eu, não temais».
Depois subiu para junto deles no barco e o vento amainou. Todos se encheram de espanto,
porque o seu coração estava endurecido, e não tinham compreendido a multiplicação dos pães.
Tradução litúrgica da Bíblia
(1904-1964)
Missionária das pessoas da rua
Nós, gente da rua
«Jesus [estava] sozinho»
A revelação essencial do Evangelho é a presença dominante e invasiva de Deus; o Evangelho é um apelo a ir ao encontro de Deus, e Deus só pode ser encontrado na solidão. Pareceria que, para aqueles que vivem no meio dos homens, tal solidão seria negada; mas isso é supor que somos nós que precedemos Deus na solidão, quando é Ele que nos espera. Encontrá-lo é encontrar a solidão, pois a verdadeira solidão é espírito e as nossas solidões humanas mais não são que jornadas em direção à solidão perfeita que reside na fé.
A verdadeira solidão não é a ausência dos homens, é a presença de Deus; colocar a nossa vida frente a frente com Deus, entregar a nossa vida à noção de Deus, é saltar para uma região onde nos tornamos solitários. O que torna solitárias as montanhas não é a sua base, mas a sua altura. Se a presença de Deus em nós se eleva no silêncio e na solidão, deixa-nos tranquilos, radicalmente unidos a todos os homens que são feitos da mesma terra que nós.
«Felizes são os que ouvem a palavra de Deus e a põem em prática» (Lc 11,28). Não há solidão sem silêncio. Por vezes, o silêncio é calar, mas o que ele é sempre é ouvir. Uma ausência de ruído que fosse vazia da nossa atenção à palavra de Deus não seria silêncio. Um dia cheio de ruídos e cheio de vozes pode ser um dia de silêncio se o ruído se tornar para nós o eco da presença de Deus.
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