sábado, 1 de junho de 2024

Beata Hildegarda Burjan

"Queridos irmãos e irmãs, hoje em Viena está sendo proclamada Beata, Hildegarda Burjan que viveu no século XIX e fundou a sociedade das Irmãs da Caridade Social. Aclamemos ao Senhor por este testemunho do Evangelho. Ela que foi: esposa, mãe, política, pioneira do serviço social na Áustria e testemunho de amor aos irmãos, principalmente os mais pobres.” 
Papa Bento XVI – 31 de janeiro de 2012 
Hildegarda nasceu no seio de uma família judia de classe média alta que não praticava nenhuma religião. Aos seis anos viu da janela de seu quarto, monjas rezando no jardim de um mosteiro vizinho à sua casa. Queria saber quem eram e o que faziam. A mãe respondeu que eram monjas e que estavam rezando para seu Deus. Então falou: “Se essas mulheres tão bonitas estão rezando para Deus, então Deus deve ser bonito e como deve ser bonito quando se pode rezar a Deus!” Fez ainda muitas perguntas sobre Deus, mas a mãe retirou-a da janela dizendo que sobre isso poderia ler nos livros mais tarde. Expressou chorando: “Deus, eu também queria rezar!” Não era comum em seu tempo que uma moça frequentasse a universidade, porém ela, decididamente inscreveu-se na Universidade de Zurique, no curso de Filosofia, chegando ao doutorado. No ambiente universitário logo percebeu que alguns colegas tinham dificuldades para pagar seus estudos. Sensibilizada fundou então um círculo de ajuda a estudantes com dificuldades financeiras.

01 de junho - São Teobaldo Roggeri

São Teobaldo nasceu por volta de 1100 em Vicoforte, então chamado Vico, na província de Asti, e pertencia à família Roggeri, da pequena nobreza local. Ainda criança, ficou órfão de ambos os pais. Com a idade de doze anos, sozinho, mudou-se para Alba, onde passou a trabalhar na oficina de um sapateiro que o recebeu em sua casa. Quando seu benfeitor morreu, a viúva lhe disse que gostaria de vê-lo casado com sua filha Virida, Teobaldo, recusou-se e foi como um peregrino a Santiago de Compostela, mendigando de porta em porta. Voltando a Alba, ele decidiu fazer-se carregador, considerado o mais humilde entre os ofícios. Com a renda limitada de seu trabalho, ele ajudava os pobres, dormindo ao ar livre no adro da aldeia. Um dia, arrependido de ter reagido a uma ofensa, como penitência, começou a dormir na pedra da escadaria da igreja de San Lorenzo, onde também servia como sacristão. Uma noite, quando ele foi visitar a viúva do sapateiro, ele foi atingido por uma doença grave, como pouco se alimentava, não resistiu e morreu com apenas 50 anos. Era o ano de 1150. Segundo seus desejos, ele foi enterrado no espaço entre as duas igrejas de San Lorenzo e San Silvestro. Seu culto foi oficialmente reconhecido em 1841.

São Panfílio de Cesaréia, Sacerdote, Mártir (+ 308), 1º de Junho

Panfílio nasceu em Bêrut, na Fenícia (atualmente Beirute, Líbano). Após concluir brilhantes e profundos estudos nas escolas de Alexandria, foi ordenado padre da Igreja de Cesaréia. Ele foi um dos belos exemplos da aliança entre a filosofia e o dogma cristão. Ninguém melhor que ele soube unir o amor à Ciência a essas virtudes evangélicas que constituem a personalidade dos verdadeiros discípulos de Jesus Cristo. Nosso santo montou uma enorme biblioteca composta dos melhores autores, sobretudo religiosos. O alvo de seus estudos e pesquisas era somente a defesa da fé. Deve-se a este homem ilustre a correção da versão das Sagradas Escrituras dita Septuaginta. Foi de sua preciosa biblioteca que o historiador Eusébio, discípulo de Panfílio, tirou todos os documentos de que precisou para escrever a história dos primeiros séculos. A todos os seus trabalhos intelectuais, Panfílio adicionava exercícios de piedade e de penitência. Seu único bem eram seus livros.

JUSTINO DE ROMA Padre da Igreja, Mártir e Santo 103-164

Filósofo palestino, autor de duas Apologias
e do Diálogo com Tryphon, mártir (103-167).
Justino nasceu na cidade de Flávia Neápolis, na Samaria, Palestina, no ano 103, início do século II, quando o cristianismo ainda se estruturava como religião católica. Tinha origem latina e seu pai se chamava Prisco. Ele foi educado e se formou nas melhores escolas do seu tempo, cursando filosofia e especializando-se nas teorias de Platão. Tinha alma de eremita e abandonou a civilização para viver na solidão. Diz a tradição que foi nessa fase de isolamento que recebeu a visita de um misterioso ancião, que lhe falou sobre o Evangelho, as profecias e seu cumprimento com a Paixão de Jesus, abalando suas convicções e depois desaparecendo misteriosamente. Anos mais tarde, acompanhou uma sangrenta perseguição aos cristãos, conversou com outros deles e acabou convertendo-se, mesmo tendo conhecimento das penas e execuções impostas aos seguidores da religião cristã. Foi baptizado no ano 130 na cidade de Efeso, instante em que substituiu a filosofia de Platão pela verdade de Cristo, tornando-se, historicamente, o primeiro dos Padres da Igreja que sucederam os Padres apostólicos dos primeiros tempos.

JOÃO BAPTISTA SCALABRINI Sacerdote, Fundador, Santo 1839-1905

Bispo de Piecenza, 
fundador dos missionários 
de São Carlos Borromeu.
João Batista Scalabrini, nasceu perto de Como, Itália, em 8 de julho de 1839. A sua família era humilde, honesta e cristã. Ele desejou tornar-se padre e entrou no seminário diocesano, no qual se distinguiu pela inteligência e perseverança. Foi ordenado sacerdote em 1863. Iniciou o apostolado como professor do seminário e colaborador em paróquias da região. Possuía alma de missionário, mas não conseguiu realizar sua vontade de ser um deles na Índia. Scalabrini foi designado pároco da paróquia urbana de São Bartolomeu em 1871. Seu ministério foi marcante e priorizou a catequese da infância e da juventude. Atento aos inúmeros problemas sociais do seu tempo, escreveu vários livros e publicou até um catecismo. Ao ser nomeado bispo de Piacenza, ficou surpreso. Tinha trinta e seis anos e lá permaneceu quase trinta como pastor sábio, prudente e zeloso. Reorganizou os seminários, cuidando da reforma dos estudos eclesiásticos. Foi incansável na pregação, administração dos sacramentos e na formação do povo. Scalabrini, como excelente observador da realidade de sua época, fundou um instituto para surdos-mudos e uma organização assistencial para mulheres abandonadas das zonas rurais, pertencentes à sua diocese.

ANÍBAL MARIA DI FRANCIA Sacerdote, Fundador, Santo (1851-1927)

Aníbal Maria Di Francia nasceu em Messina (Itália) aos 5 de julho de 1851. Foram seus pais, a nobre senhora Anna Toscano e o cavalheiro Francisco, marquês de S. Catarina de Jonio, vice-cônsul pontifício e capitão honorário da marinha. Aníbal, terceiro de quatro filhos, ficou órfão aos 15 meses pela morte prematura do pai. A amarga experiência infundiu no animo precoce do menino, uma particular ternura e um especial amor para com os órfãos e crianças abandonadas que caracterizaram não só a sua vida, mas todo o seu sistema educativo. Desenvolveu grande amor a Jesus Sacramentado, tanto que recebeu autorização — excepcional naquele tempo — de comungar diariamente. Muito jovem ainda, diante de Jesus Sacramentado solenemente exposto, recebeu a graça especial que podemos definir como a inteligência do Rogate (Rogai): «A colheita é grande, mas os trabalhadores são poucos. Rogai [Rogate], pois, ao dono da colheita que mande trabalhadores para a sua colheita» (Mt 9, 38; Lc 10, 2). Estas palavras do Evangelho constituíram a intuição fundamental, o carisma ao qual dedicou toda a sua vida. Dotado de grande genialidade e notáveis capacidades literárias, apenas ouviu a chamada do Senhor, respondeu pronta e generosamente, adaptando os talentos ao seu ministério.

COROINHA AO SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS - JUNHO - MÊS DEDICADO AO SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS

I – Ó meu Jesus que dissestes: “Em verdade eu vos digo, pedi e recebereis, procurai e achareis, batei e vos será aberto!”, eu bato, procuro e peço a graça… Pai-Nosso, Ave-Maria, Glória ao Pai. Sagrado Coração de Jesus, confio e espero em vós. 
II – Ó meu Jesus que dissestes: “Em verdade eu vos digo, tudo o que pedirdes ao Pai em meu nome, Ele vos concederá!”, ao vosso Pai, em vosso nome, eu peço a graça… Pai-Nosso, Ave-Maria, Glória ao Pai. Sagrado Coração de Jesus, confio e espero em vós. 
III – Ó meu Jesus que dissestes: “Em verdade eu vos digo, passará o Céu e a Terra, mas minhas palavras não passarão!”, apoiado na infalibilidade de vossas palavras, eu peço a graça… 
Pai-Nosso, Ave-Maria, Glória ao Pai. 

No mês do Sagrado Coração de Jesus, uma convocação

     Monges da Trapa de Sept-Fons, França, fizeram ao Padre Mateo Crowley Boevey, um Apóstolo do Sagrado Coração que dedicou sua vida inteira pela entronização da devoção à Ele, como nós, religiosos contemplativos, que não temos mais relação alguma com o mundo exterior, podemos ser apóstolos do Sagrado Coração? Eles diziam isto porque chegara até eles as maravilhas realizadas em sua obra de entronização do Sagrado Coração. O Padre Mateo viajou por muitos lugares fazendo um intenso apostolado ativo, o que trazia dúvidas quanto a eficácia de suas vidas contemplativas e reclusas.
     Quando ouviu a pergunta, Padre Mateo ficou perplexo. Afinal percebeu que os monges estavam questionando a forma de viver para se tornarem apóstolos. Eles questionaram até o Padre dar-lhe a resposta. Na época não havia gravadores, então um monge fez um resumo da conferência do Padre Mateo. 
É o que segue:
     Ora essa! Respondeu-nos o padre, estais confinados por amor a Jesus, o prisioneiro do amor, e, por causa deste sacrifício, estaríeis privados dos méritos dos apóstolos? Impossível! Seria uma injustiça! Não apenas podeis ser apóstolos, mas é este vosso grande dever!
     De fato, o que é ser um apostolo? É uma voz que ressoa? É alguém que se agita, que faz barulho, um semeador que corre aqui e ali para semear a boa semente? Mil vezes não! Converter as almas, ganhá-las para Jesus Cristo, é uma obra sobrenatural. Ora, o sobrenatural não se faz senão pelo sobrenatural. A ciência, a eloquência não bastam aqui. Não é de sábios nem de grandes oradores que precisamos, sobretudo na hora atual, mas de santos. Um apóstolo é um cálice cheio de Jesus, transbordando sobre as almas sua super plenitude. Enchei-vos de Jesus, enchei-vos de vida divina, e sereis apóstolos.

ORAÇÃO DO DIA 1 DE JUNHO

Oração da manhã de todos os dias
Senhor meu Deus, mais um dia está começando. Agradeço a vida que se renova para mim, os trabalhos que me esperam, as alegrias e também os pequenos dissabores que nunca faltam. Que tudo quanto viverei hoje sirva para me aproximar de vós e dos que estão ao meu redor. Creio em vós, Senhor. Eu vos amo e tudo espero de vossa bondade. Fazei de mim uma bênção para todos que eu encontrar. Amém. As reflexões seguintes supõem que você antes leu o texto evangélico indicado.
1 – Sábado – Santos: Justino, Cândida, Herculano de Piegaro
Evangelho (Mc 11,27-33) “Com que autoridade fazes essas coisas? Quem te deu autoridade para fazer isso?”
Os adversários de Jesus contestavam não apenas o fato de ter expulsado os vendedores do Templo. Questionavam toda a sua pregação, seu modo de falar sobre Deus e nosso relacionamento com ele. Jesus recusou-se a dar-lhes resposta porque não adiantaria, pois não queriam acreditar. É a fé, esse dom de Deus, que nos leva a reconhecer Jesus como nosso mestre e único salvador.
Oração
Senhor Jesus, agradeço o dom da fé, e a ajuda que me destes para que pudesse acreditar em vós. Aumentai minha fé, meu comprometimento convosco, para que viva seguindo sempre mais vossos passos. Sei que enfrentarei dificuldades, mas tenho certeza que convosco e somente convosco posso encontrar paz e felicidade. Dai-me firmeza e perseverança para que eu nunca vos deixe. Amém.

sexta-feira, 31 de maio de 2024

REFLETINDO A PALAVRA - “Estarei sempre convosco”

PADRE LUIZ CARLOS DE OLIVEIRA(+)
REDENTORISTA NA PAZ DO SENHOR
Comer com o coração.
 
Jesus quis estar sempre conosco e nos alimentar com sua Pessoa e Palavra. Para isso tomou o pão e o vinho. O pão é bonito, gostoso, fortificante e dá vida. O vinho dá o sentido do sangue e da festa. Naquela noite Ele Se reuniu com os seus. Por que Jesus escolhe o alimento para realizar tão grande mistério da salvação? De um modo muito humano, podemos dizer que fez o que podemos entender. Para recordar a libertação do Egito, Deus mandou que celebrassem a ceia. A refeição tomada juntos é um sacramento da comunhão humana e assumido por Jesus para o sacramento da comunhão com Ele. O gesto fundamental da vida de Jesus, que iria conservar a memória de Sua Morte e Ressurreição é expresso no gesto de comunhão entre os participantes. Jesus quis assumir a realidade do pão para entendermos o que se realizava no mistério. O pão que comemos passa para nosso organismo, alegra, sustenta e dá vida. Assim acontece com o mistério da Eucaristia. Jesus é o Pão da Vida que sustenta, dá vida e nos alegra. Na última ceia disse que o pão era Seu Corpo e o vinho, Seu Sangue. Assim, quando e recebemos este pão e este vinho, estamos em comunhão com os outros, porque entramos em comunhão com Deus. Por isso, a ceia de Jesus preenche nossos desejos e, por meio de nós, sacia a fome de tantos pelo mundo.
Vinde Adoremos! 
Celebramos recentemente a festa de Corpus Christi. Levamos Jesus solenemente pelas ruas para a adoração de todos. Nós que acreditamos, sentimos a alegria em adorar, amar e reconhecer o quanto Deus nos amou dando-nos a Eucaristia para alimento e presença. Esta devoção se firmou pelos anos de 1264. Contudo, não podemos contemplar a Hóstia Santa sem esquecer de tudo o que Jesus quis nos dar e ensinar com este mistério tão grande de um Deus que se fez Homem. Ele se fez pão para a vida do mundo. Ele deu a vida e se dá no Pão Eucarístico, nossa Páscoa. A Eucaristia é também um ensinamento. Não basta partir o pão entre os irmãos, celebrando a Eucaristia. É preciso fazer o que Jesus fez no momento e depois com Sua vida: partiu o pão e o repartiu. Lembramos aqui o milagre da multiplicação dos pães. Com poucos pães alimentou a multidões. Ensina que podemos, com o pouco que temos, saciar o mundo. A Eucaristia não divide, mas multiplica. Só vamos entender o mistério da Eucaristia quando colocarmos em prática a solidariedade. A fé, se não tiver obras, é morta em si mesma, diz S. Tiago (2,17). 
Um Deus esquecido. 
Cantamos na Bênção do Santíssimo: “Bendito! Louvado Seja! O Santíssimo Sacramento!” Há uma estrofe que diz: “Fazei-nos, Virgem Maria, sacrários vivos da Eucaristia!”. O que significa sacrário vivo? Existe o sacrário de mármore, de madeira e até de ouro onde são conservadas as Hóstias consagradas. Ali está Jesus para ser adorado, amado, venerado com todo afeto. Somos sacrários vivos porque temos Jesus em nós, para ser amado, adorado, venerado com todo amor. Adorar Jesus presente no outro pela Eucaristia é viver o mandamento do amor no cuidado da pessoa do outro, no socorro aos necessitados, no respeito ao ser humano que abriga o próprio Jesus. Cuidando do próximo estamos cuidando de Jesus. Nossa ligação com a Eucaristia não é somente a partir do momento da comunhão. Como Jesus assumiu a natureza humana, estamos participando de sua Vida. Em sua Humanidade está a nossa. Nossa carne foi ressuscitada com Ele. Está unida à divindade quando Jesus se faz Pão para nós. Já estamos unidos a Ele na Eucaristia.
ARTIGO PUBLICADO EM MAIO DE 2013

EVANGELHO DO DIA 31 DE MAIO

Evangelho segundo São Lucas 1,39-56. 
Naqueles dias, Maria pôs-se a caminho e dirigiu-se apressadamente para a montanha, em direção a uma cidade de Judá. Entrou em casa de Zacarias e saudou Isabel. Quando Isabel ouviu a saudação de Maria, o menino exultou-lhe no seio. Isabel ficou cheia do Espírito Santo e exclamou em alta voz: 
«Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre. Donde me é dado que venha ter comigo a Mãe do meu Senhor? Na verdade, logo que chegou aos meus ouvidos a voz da tua saudação, o menino exultou de alegria no meu seio. Bem-aventurada aquela que acreditou no cumprimento de tudo quanto lhe foi dito da parte do Senhor». 
Maria disse então: 
«A minha alma glorifica o Senhor e o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador, porque pôs os olhos na humildade da sua serva, de hoje em diante me chamarão bem-aventurada todas as gerações. O Todo-poderoso fez em mim maravilhas, Santo é o seu nome. A sua misericórdia se estende de geração em geração sobre aqueles que O temem. Manifestou o poder do seu braço e dispersou os soberbos. Derrubou os poderosos de seus tronos e exaltou os humildes. Aos famintos encheu de bens e aos ricos despediu de mãos vazias. Acolheu a Israel, seu servo, lembrado da sua misericórdia, como tinha prometido a nossos pais, a Abraão e à sua descendência para sempre».
Maria ficou junto de Isabel cerca de três meses e depois regressou a sua casa. 
Tradução litúrgica da Bíblia 
São João Paulo II 
Papa(1920-2005)  
Encíclica «Dives in Misericordia» §9 
(trad.©copyright 
Libreria Editrice Vaticana,rev.) 
«A sua misericórdia se estende 
de geração em geração» 
«Cantarei eternamente as misericórdias do senhor» (Sl 88,2). No cântico pascal da Igreja repercutem-se, com a plenitude do seu conteúdo profético, as palavras que Maria pronunciou durante a visita que fez a Isabel, esposa de Zacarias: «A sua misericórdia estende-se de geração em geração». Tais palavras abrem, já desde o momento da encarnação, uma nova perspectiva da história da Salvação. Após a ressurreição de Cristo, esta nova perspectiva passa para o plano histórico e, ao mesmo tempo, reveste-se de um sentido escatológico novo. Desde então, sucedem-se sempre novas gerações de homens na imensa família humana, em dimensões sempre crescentes; sucedem-se também novas gerações do Povo de Deus, assinaladas pelo sinal da cruz e da ressurreição, o mistério pascal de Cristo, revelação absoluta daquela misericórdia que Maria proclamou à entrada da casa da sua parente. Mãe do Crucificado, Maria é aquela que conhece mais profundamente o mistério da misericórdia divina. Conhece o seu preço e sabe quanto é elevado. É neste sentido que lhe chamamos Mãe da misericórdia, Nossa Senhora da Misericórdia, capaz de descobrir, primeiro através dos complexos acontecimentos de Israel, e depois daqueles que dizem respeito a cada um dos homens e à humanidade inteira, a misericórdia da qual todos se tornam participantes, segundo o eterno desígnio da Santíssima Trindade, «de geração em geração». Mãe do Crucificado e do Ressuscitado, tendo experimentado a misericórdia de um modo excecional, «merece» igualmente tal misericórdia durante toda a sua vida terrena e, de modo particular, aos pés da cruz do Filho. Em seguida, através da participação escondida e, ao mesmo tempo, incomparável na missão messiânica de seu Filho, foi chamada de modo especial para tornar próximo dos homens o amor que o Filho tinha vindo revelar: amor que encontra a sua mais concreta manifestação com os que sofrem, os pobres, os que estão privados de liberdade, os cegos, os oprimidos e os pecadores, conforme explicou Cristo (cf Lc 4,18; 7,22).

31 de maio - Beato Nicolau Barré

O povo que estava acampado no deserto tinha sede (Ex 17, 3). O espetáculo do povo espiritualmente sedento estava também sob o olhar de Nicolau Barré, da Ordem dos Mínimos. O seu ministério colocava-o continuamente em contato com pessoas que, vivendo no deserto da ignorância religiosa, corriam o perigo de ir beber na fonte corrompida de algumas ideias do seu tempo. Eis por que ele sentiu o dever de se tornar um mestre espiritual e um educador para todos aqueles que alcançava com a sua ação pastoral. Para ampliar o seu raio de ação, fundou uma nova família religiosa, as Irmãs do Menino Jesus, com a missão de evangelizar e educar a juventude abandonada, a fim de lhe revelar o amor de Deus e comunicar em plenitude a Vida divina, e de contribuir para a edificação das pessoas. O novo Beato não cessou de enraizar a sua missão na contemplação do mistério da Encarnação, pois Deus sacia a sede daqueles que vivem em intimidade com Ele. Mostrou que uma ação feita em nome de Deus não podia deixar de unir a Deus, e que a santificação passa também através do apostolado. Nicolau Barré convida cada um de nós a ter confiança no Espírito Santo, que guia o Seu povo no caminho do abandono a Deus, da abnegação, da humildade, da perseverança mesmo nas provações mais difíceis. Essa atitude abre à alegria da caminhada rumo à experiência da ação poderosa de Deus vivo. Papa João Paulo II - Homilia de Beatificação - 07 de março de 1999. Nicolau Barré nasceu em Amiens (França), em 21 de outubro de 1621 e morreu em Paris em 31 de maio de 1686, cercado por sua comunidade, no convento dos Mínimos da Praça Real.

Santa Petronila, Mártir (Século I), 31 de Maio

O prenome Petronila é um diminutivo do prenome Pedro ou Petrus. Ela era descendente de Titus Flavius Petro, avô do imperador romano Vespasiano.
Como muitos dos santos dos primeiros tempos da Igreja, não se conhece praticamente muita coisa da vida de Petronila. As únicas informações seguras que há são o nome que ela trazia e o fato de ser uma mártir: estas duas indicações figuram num afresco do Século IV encontrado na basílica subterrânea das catacumbas de Roma.
Este afresco, um dos mais antigos da cristandade, encontra-se atrás da abside da basílica que o Papa Sirício (cujo papado durou de 384 a 399) mandou construir, entre 390 e 395, na Via Adreatina, conhecida como Via Domitilla. Neste afresco figura a inscrição PETRONELLA MART.
O sarcófago que conservava os restos da santa foi transferido para a basílica pontifical pelo Papa Paulo I, em 757 e se encontra, desde então, na Basílica de São Pedro.
De acordo com a tradição, Santa Petronila seria filha espiritual de São Pedro Apóstolo, pois teria sido batizada por ele. Chegou mesmo a ser dito, na *Legenda Áurea, que Petronila seria filha biológica de São Pedro. Todavia, o mais provável é que tudo não passe apenas de uma coincidência entre os dois prenomes.

CAMILA BATISTA DA VARANO Religiosa, Mística e Beata 1458-1524

O príncipe Júlio César de Varano, senhor do ducado de Camerino, era um fidalgo guerreiro e alegre, muito generoso com o povo e sedutor com as damas. Tinha cinco filhos antes de se casar, aos vinte anos, com Joana, filha do duque de Rimini, que completara doze anos de idade. Tiveram três filhos. Criou todos juntos no seu palácio de Camerino, sem distinção entre os legítimos e os naturais. Camila era sua filha primogénita, fruto de uma aventura amorosa com uma nobre dama da corte. Nasceu em 9 de abril de 1458. Cresceu bela, inteligente, caridosa e piedosa. Tinha uma personalidade sedutora e divertida, apreciava dançar e cantar. Tinha herdado o temperamento do pai, motivo de orgulho para ele, que a amava muito. Ainda criança, depois de ouvir uma pregação sobre a Paixão de Jesus Cristo, fez um voto particular: derramar pelo menos uma lágrima todas as sextas-feiras, recordando todos os sofrimentos do Senhor. Porém tinha dificuldade para conciliar o voto à vida divertida que levava, quando não conseguia vertê-la sentia-se mal toda a semana.

FÉLIX DE NICÓSIA Frade capuchinho, Santo (1715-1888)

Nasceu do matrimónio de Filipe Amoroso e Carmela Pirro, em Nicósia (Itália), a 5 de Novembro de 1715. A família era pobre mas muito religiosa. A proximidade do convento dos Capuchinhos deu-lhe a possibilidade de frequentar aquela comunidade, conhecer os religiosos e admirar o seu estilo de vida. Ao frequentar o convento sentia-se cada vez mais fortemente atraído por aquela vida: alegria na austeridade, liberdade na pobreza, penitência, oração, caridade e espírito missionário. Quando completou vinte anos pediu ao Superior do Convento de Nicósia para interceder junto do Padre Provincial de Messina a fim de que pudesse ser acolhido na Ordem como leigo porque, dado que era analfabeto, não podia ser admitido como clérigo, mas sobretudo porque aquele estado mais condizia à sua índole humilde e simples. Recebeu resposta negativa não só então mas também às repetidas solicitações nos oito anos sucessivos. Contudo o seu desejo nunca diminuiu. Em 1743, ao saber que o Padre Provincial de Messina estava em Nicósia para uma visita, pediu para lhe expor o seu desejo. Finalmente o Provincial acolheu-o na Ordem, enviando-o ao Convento de Mistretta para o ano de noviciado. No dia 10 de Outubro de 1744 emitiu a profissão. Foi devoto de Jesus Crucificado e teve um culto particular pela Eucaristia. Concluiu a sua vida terrena no dia 31 de Maio de 1787. Foi beatificado pelo Papa Leão XIII a 12 de Fevereiro de 1888. Canonizado em 2005.

Visitação da Bem-aventurada Virgem Maria - 31 de maio

     Na Festa da Visitação de Nossa Senhora, o segundo mistério gozoso do Rosário, também a Festa do 'Magnificat', se estende e expande a alegria messiânica da salvação. Maria, Arca da Nova Aliança, é recebida por Isabel como a Mãe do Senhor. A Visitação é o encontro entre a jovem mãe, Maria, a serva do Senhor, e o antigo símbolo de Israel expectante, Isabel. A solicitude amorosa de Maria, com a sua viagem apressada, expressa o ato de caridade. João, que pulou no ventre de sua mãe, já começa sua missão precursora. O calendário litúrgico leva em conta a narrativa do Evangelho que coloca a visitação dentro dos três meses da Anunciação e o nascimento de João Batista. (M. Rom.)

31 DE MAIO – MARIA VISITA SUA PRIMA ISABEL

O último dia de maio, todo ele consagrado a Maria, é encerrado com uma festa Mariana: a visita de Maria à sua prima Isabel. Qual foi o motivo dessa visita? Mencionemos alguns: 
Oferecer seus préstimos à futura mãe de João Batista, pois toda gestante precisa de um acompanhamento caridoso. 
Levar a notícia do próximo nascimento de Jesus e João, conforme lhes foi anunciado pelo Anjo. Portanto, uma visita missionária.
Comentar os últimos acontecimentos no Templo com Zacarias, as expectativas e os preparativos para o nascimento de João e de Jesus, seu noivado com José, e tantos detalhes que somente as mulheres sabem descobrir e ampliar. 
Enfim, desabafar-se mutuamente em diálogos descontraídos, também com os vizinhos e vizinhas. 
Lição: Aprendamos com Maria a fazer visitas de caridade, de reconciliação e de paz.
PADRE CLÓVIS DE JESUS BOVO CSsR
Vice-Postulador da Causa
Venerável Padre Pelágio Sauter CSsR

Nossa Senhora das Milicias

Nossa Senhora a Cavalo,
Patrona da cidade de Scicli, Sicília

     Segundo a tradição católica, em 1091, na planície de Donnalucata, perto de Scicli, na Sicília, os sarracenos estavam prestes a desembarcar em Isola Bella, então sob domínio normando com Ruggero D'Altavilla à frente. Os sarracenos, liderados pelo emir Belcane, queriam resgatar os tributos da ilha, tornando-a assim uma região que lhes pertenceria. Assim que chegaram às margens de Donnalucata, os ciclitanos e os normandos, povos católicos, invocaram a ajuda da Virgem, que apareceu em um cavalo branco disfarçada de gloriosa guerreira, derrotando os sarracenos e libertando a Sicília.
     A tradição é confirmada pelos Códigos Ciclitanos. No entanto, Nossa Senhora não aparece em um cavalo branco, mas em uma nuvem tão brilhante quanto o sol. Os normandos participam da batalha, ao lado do povo de Scicli, mas a presença de Ruggero D'Altavilla não é conhecida
     Sem saber a data exata da aparição, os fiéis católicos ciclitanos veneram a Virgem no último sábado de maio; foi originalmente comemorada nos dias próximos à Páscoa, conforme decreto mencionado abaixo.

ORAÇÃO DE TODOS OS DIAS - 31 DE MAIO

Oração da manhã para todos os dias 
Senhor meu Deus, mais um dia está começando. Agradeço a vida que se renova para mim, os trabalhos que me esperam, as alegrias e também os pequenos dissabores que nunca faltam. Que tudo quanto viverei hoje sirva para me aproximar de vós e dos que estão ao meu redor. Creio em vós, Senhor. Eu vos amo e tudo espero de vossa bondade. Fazei de mim uma bênção para todos que eu encontrar. Amém. 
As reflexões seguintes supõem que você antes leu o texto evangélico indicado.
31– Sexta-feira – Visitação de Nossa Senhora
Evangelho (Lc 1,39-56)“A minha alma engrandece o Senhor, e o meu espíritose alegra em Deus, meu Salvador, porque olhou para a pequenez de suaserva.”
Como Isabel, todos nós através dos séculos temos anunciado: “Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto de teu ventre!” Maria não nos contradiz, mas reconhece agradecida o favor de Deus, que olhou para ela, tão pequena, e a amou e escolheu. Aprendamos com ela. Reconheçamos o favor de Deus a nós, seu amor gratuito a nós tão pequenos. Com Maria, louvemos e bendigamos ao Senhor.
Oração
Senhor meu Deus, uno-me a Maria, a mãe de Jesus, e peço que elame ensine agradecer. Que eu comece por reconhecer tudo que fizestes por mim, sem levar em conta minha pequenez tão grande. Por mim mesmo nada posso, mas porque me amais  posso participar de vossa vida divina. É a maior grandeza e a maior felicidade que poderia esperar. Maria, uno-me a vós para bendizer a misericórdia de Deus. Amém.

quinta-feira, 30 de maio de 2024

REFLETINDO A PALAVRA - “O Espírito domina a Terra”

PADRE LUIZ CARLOS DE OLIVEIRA(+)
REDENTORISTA NA PAZ DO SENHOR
Renovai a face da terra
 
A narrativa da Vinda do Espírito Santo no dia de Pentecostes tem um aspecto que nos passa despercebido: “Ali estavam judeus devotos de todas as nações do mundo e que falavam línguas diferentes” (At 2,5.8). Olhando o mapa, vemos que eram pessoas do mundo conhecido. De Jerusalém os raios indicavam todas as direções. O Espírito é para todos e fala todas as línguas. Todos podem entender a linguagem do Espírito. Não se trata de falar em línguas diferentes, mas que todas as línguas estão abertas à língua do Espírito Santo. A língua do Espírito é a mensagem do Evangelho de Jesus que os apóstolos começam a anunciar. Falar em muitas línguas é capacidade de transmitir o evangelho de acordo com a fé e a cultura do povo. A uniformidade da Igreja está na fé e não em formas exteriores ou leis. O Evangelho pode ser vivido por todos os povos e este evangelho purifica as culturas do que elas possam ter de maligno contra Deus e contra a pessoa humana. É o que chamamos de superstição. Este Evangelho que é anunciado vai ser renovador se não é embebido das culturas que o anunciam, mas cheios da liberdade que o Espírito inspira. Não foi assim a evangelização no tempo das descobertas e continua em parte na concepção do primeiro mundo. Há partes imutáveis e partes que podem ser diferentes. 
Realidades transformadas 
A mensagem do Evangelho é referente à vida do mundo em todas suas dimensões. É a renovação total do universo. E esta vai acontecer na renovação dos corações, por isso a pregação dos apóstolos chama logo para a conversão: “Arrependam-se, e cada um seja batizado em nome de Jesus Cristo para o perdão dos pecados” (At 2,38). O arrependimento é o princípio da adesão. Os pecados são as atitudes que destroem a si mesmo, às pessoas e à natureza, rompendo a relação com Deus. Ser batizado é mergulhar-se na vida de Cristo para que o mundo tenha a Vida. Há muitas sementes do Evangelho semeadas entre os povos, pois Deus é um excelente agricultor que sempre espalhou as boas sementes pelo mundo. A renovação apreciará todos esses valores e os promoverá à graça do Evangelho. Foi esta a decisão dos apóstolos quando se viram na dificuldade da pregação aos pagãos e judeus. Nem tudo que era bom para os judeus era bom para os pagãos batizados. Por isso se propuseram dois caminhos diferentes já no início da vida da Igreja. A uniformidade estava na fé em Jesus. Todos fazerem do mesmo modo é uma falsa uniformidade. 
Soprando as brasas 
Celebramos a Vinda o Espírito Santo como encerramento do Tempo Pascal. Chegamos ao máximo da pregação de Jesus: “Convém que eu vá, senão não virá a vós o Espírito Santo (Jo 16,7). Ele vos recordará e ensinará tudo o que vos ensinei (Jo 14,26). Paulo escrevendo a Timóteo dizia: “... Convido-o a reavivar o dom de Deus que está em você pela imposição das minhas mãos” (2 Tm 1,6). Esta advertência é feita à Igreja neste momento, de esperança da restauração da Igreja com Papa Francisco. É um tempo forte para reavivar as chamas do Espírito lançadas sobre o mundo no dia de Pentecostes. A Igreja precisa de uma conversão profunda para sair de si mesma e deixar lugar ao Espírito que nos orientará na melhor maneira de renovar nosso coração e o coração do mundo. O mundo vai crer em nós na medida em que deixamos o Evangelho transparente. Sua beleza supera os séculos e indica os tempos futuros.
ARTIGO PUBLICADO EM MAIO DE 2013