Evangelho segundo São Lucas 16,9-15.
Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Arranjai amigos com o vil dinheiro, para que, quando este vier a faltar, eles vos recebam nas moradas eternas.
Quem é fiel nas coisas pequenas, também é fiel nas grandes; e quem é injusto nas coisas pequenas, também é injusto nas grandes.
Se não fostes fiéis no que se refere ao vil dinheiro, quem vos confiará o verdadeiro bem?
E, se não fostes fiéis no bem alheio, quem vos entregará o que é vosso?
Nenhum servo pode servir a dois senhores, porque, ou não gosta de um deles e estima o outro, ou se dedicará a um e desprezará o outro. Não podeis servir a Deus e ao dinheiro».
Os fariseus, que eram amigos de dinheiro, ouviam tudo isto e escarneciam de Jesus.
Então, Jesus disse-lhes: «Vós quereis passar por justos aos olhos dos homens, mas Deus conhece os vossos corações. O que vale muito para os homens, nada vale aos olhos de Deus».
Tradução litúrgica da Bíblia
(406)
Bispo
Sermão 18; PL 20, 973-975
«Arranjai amigos com o vil dinheiro»
Esses amigos que nos obterão a salvação são evidentemente os pobres, porque, segundo a palavra de Cristo, será Ele mesmo, autor da recompensa eterna, a receber neles os serviços que a nossa caridade lhes tiver prestado. Desde logo, os pobres acolher-nos-ão bem, não em seu próprio nome, mas em nome daquele que neles prova o fruto refrescante da nossa obediência e da nossa fé. Aqueles que conseguem realizar esse serviço de amor serão recebidos nas moradas eternas do Reino dos Céus, visto que Cristo lhes dirá: «Vinde, benditos de meu Pai; recebei como herança o Reino que vos está preparado desde a criação do mundo. Porque tive fome e destes-Me de comer; tive sede e destes-Me de beber» (Mt 25,34-35).
Por fim, o Senhor acrescenta: «Se não fostes fiéis no bem alheio, quem vos entregará o que é vosso?» Com efeito, nada do que existe neste mundo nos pertence verdadeiramente. Porque nós, que esperamos a recompensa futura, somos convidados a conduzir-nos neste mundo como hóspedes e como peregrinos, para que possamos dizer ao Senhor com segurança: «Diante de Ti sou como um estrangeiro, um hóspede, como os meus antepassados» [Sl 39,13].
Mas os bens eternos pertencem realmente aos crentes. Estão no Céu, onde sabemos que estão o nosso tesouro e o nosso coração (cf Mt 6,21), e onde – é nossa íntima convicção – vivemos desde já pela fé. Porque, de acordo com o ensinamento de São Paulo, «a nossa pátria está nos Céus» (Fl 3,20).

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