Evangelho segundo São Lucas 11,29-32.
Naquele tempo, aglomerava-se uma grande multidão à volta de Jesus e Ele começou a dizer: «Esta geração é uma geração perversa: pede um sinal, mas nenhum sinal lhe será dado, senão o sinal de Jonas.
Assim como Jonas foi um sinal para os habitantes de Nínive, assim o será também o Filho do homem para esta geração.
No juízo final, a rainha do sul levantar-se-á com os homens desta geração e há de condená-los, porque veio dos confins da Terra para ouvir a sabedoria de Salomão; e aqui está quem é maior do que Salomão.
No juízo final, os homens de Nínive levantar-se-ão com esta geração e hão de condená-la, porque fizeram penitência ao ouvir a pregação de Jonas; e aqui está quem é maior do que Jonas».
Tradução litúrgica da Bíblia
(Bento XVI-Papa de 2005 a 2013)
Retiro pregado no Vaticano, 1983
«Jonas foi um sinal para
os habitantes de Nínive»
Os ninivitas acreditaram na mensagem daquele judeu e fizeram penitência. Para mim, a conversão dos ninivitas é um facto muito surpreendente: como puderam eles acreditar? Não encontro outra resposta senão a seguinte: ao escutarem a pregação de Jonas, reconheceram, muito simplesmente, que pelo menos a parte verificável daquela mensagem – a malícia da cidade – era grave; por isso, compreenderam que a conversão era a única possibilidade de salvarem a cidade.
O desinteresse pessoal do mensageiro era o segundo elemento da credibilidade de Jonas: ele tinha vindo de longe para prestar um serviço que o expunha ao ridículo e do qual não podia certamente esperar qualquer vantagem pessoal. A tradição rabínica acrescenta ainda um outro elemento: Jonas ficara marcado pelos três dias e três noites passados no coração da terra, «na morada dos mortos» (Jn 2,3); os traços da sua experiência de morte eram visíveis e autenticavam as suas palavras.
É impossível não nos questionarmos a este respeito: se viesse um novo Jonas, acreditaríamos nele? As nossas cidades acreditariam? Ainda hoje, Deus procura mensageiros de penitência para as grandes cidades, para os ninivitas modernos. Teremos nós a coragem, a fé profunda, a credibilidade necessárias para tocar os corações e abrir as portas à conversão?

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