terça-feira, 27 de janeiro de 2026

Ângela Mérici Raligiosa, Fundadora e Santa 1474-1540

Compreendendo todos os males
que a Renascença pagã fazia às famílias católicas, 
fundou a congregação das Irmãs Ursulinas, 
que se dedicariam à educação das jovens 
com vistas a fazer delas mães de 
família verdadeiramente cristãs.
Ângela Mérici nasceu em Desenzano del Guarda, no norte da Itália, junto ao lago do mesmo nome, em 1474. Seus pais eram profundamente cristãos, e desejavam que os seus filhos encontrassem a felicidade obrando para a glória de Deus. Para realizar este ideal, eles tinham feita da casa familiar um autêntico santuário onde cada um trabalhava sob o olhar divino e recitavam as orações todos juntos. Invariavelmente o dia terminava por uma leitura espiritual ou da vida de um santo. A estas piedosas práticas, Ângela acrescentava os rigores da penitência. Apenas com nove anos, ofereceu ao Senhor a sua virgindade e renunciou desde então a todo e qualquer ornamento pessoal. Seu pai faleceu quando ela tinha apenas treze anos e sua me dois anos mais tarde. Um seu tio chamado Bartolomeu recolheu-a e não só a autorizou a continuar as suas práticas religiosas mas começou também a praticá-las assiduamente. Passados seis anos, Deus chamou a si a única irmã de Ângela, deixando-a assim, quase sem ninguém, visto que seu tio Bartolomeu foi também em breve chamado à Mansão celeste. Duplamente órfã, Ângela voltou à casa paterna, desfez-se de tudo quanto ainda possuía e começou então a viver na maior austeridade. Tinha ela então vinte e dois anos. Para melhor poder levar a cabo a vida que desejava viver — de união íntima com Deus — inscreveu-se como membro da Ordem Terceira Franciscana de S. Francisco de Assis. Em 1506, num dia em que trabalhava nos campos, foi de repente rodeada por uma luz resplandecente. Ângela viu uma escada elevar-se do solo até ao céu et uma multidão incalculável de virgens que subiam pelos degraus da escada, amparadas por anjos. Uma das virgens voltou-se para Ângela e disse-lhe: « Ângela, Deus proporcionou-te esta visão para te revelar que antes de morreras tu fundarás uma sociedade de virgens como estas que viste, na cidade de Brescia. » E esta visão realizou-se vinte anos depois. A fama de santidade de Ângela Mérici estendeu-se até à cidade de Brescia. Os Pantegoli, família rica e grandes benfeitores das obras pias, moravam nessa cidade. Em 1516, depois de terem perdido, um após outro, os seus dois filhos, convidaram Ângela para vir morar com eles para os consolar da pena que sentiam pela perca dos filhos. Foi desde então que Ângela se fixou naquela cidade de que lhe tinha falado a virgem da visão e aí mostrou as suas esmeradas qualidades cristãs que causavam a admiração e o apreço de todos. Todos os dias os habitantes a viam na companhia de moças da mesma idade, juntar as meninas para lhes ensinar a doutrina cristã. Visitavam os pobres e os doentes, instruíam os adultos que em grande número as procuravam para ouvirem as suas conferências. Estas jovens faziam tudo quanto podiam para ensinar os pecadores, indo mesmo à busca deles nos lugares onde trabalhavam. Ângela começou desde então a receber de Deus um certo número de dons que ela utilizava para o bem comum das almas que cada vez mais numerosas a buscavam. O Papa Clemente VII, posto ao corrente da santidade de Ângela, recebeu-a com grande júbilo. A recordação daquela maravilhosa visão das virgens que subiam pela escada que levava ao céu continuava gravada no seu coração e, um dia, Ângela reuniu doze raparigas cujo desejo era aquele da perfeição e da vida em Deus. Ela propôs-lhes de levarem uma vida retirada do mundo, nas suas próprias casas e, de frequentemente se juntarem para se formarem na prática das virtudes cristãs. Em 1533, este “noviciado” terminado, Ângela Mérici desvendou-lhes o seu plano, demonstrando-lhes que a ignorância religiosa era a causa do progresso do protestantismo e que a fundação de uma comunidade religiosa diferente, unindo vida contemplativa e instrução das crianças, constituiria um remédio eficaz para melhorar o estado deplorável em que a Igreja então sofria. A fim de poder atingir todas as almas necessitadas, a fundadora implantou as bases da Ordem sem clausura. As irmãs visitavam as prisões e os hospitais, iam à busca dos pobres para os instruírem et partilhavam generosamente o pão com eles. Remontando o percurso do mal até à sua fonte ou origem, Ângela pensava que não se podiam mudar os costumes sem intervir nas próprias famílias, cujo fulcro era então a mãe, sempre mais presente no lar. A santa deu-se conta que a má educação de então provinha da carência de mães profundamente cristãs. Nos desígnios de Deus, a congregação das Ursulinas deveriam brilhar no mundo mediante a educação das raparigas. No dia 25 de novembro de 1535, em Brescia, as primeiras religiosas do novo instituto pronunciaram os três votos tradicionais de pobreza, castidade e obediência, juntando a estes três um outro: consagrarem-se exclusivamente ao ensino. Ângela confiou a congregação nascente à protecção de santa Úrsula. Como acima foi dito, Deus concedeu-lhe diversos carismas, entre os quais aqueles da ciência infusa e da profecia. Ela falava latim sem nunca o ter estudado; explicava passagens das mais difíceis dos Livros santos e tratava de questões teológicas com uma tal firmeza e precisão, que as mais dotas personagens recorriam a ela nos casos mais complicados. Os seus últimos anos foram marcados por frequentes êxtases. Ângela Mérici faleceu no dia 28 de janeiro de 1540. Durante três noites, toda a cidade de Brescia observou uma luz extraordinária por cima da capela onde o corpo da Santa repousava. Este santo corpo permaneceu para sempre incorrupto. Em 1807, o Papa Pio VII canonizou-a.
Não mais nos conventos, mas no mundo: eis o eixo cartesiano da espiritualidade de Santa Ângela Mérici que, com o testemunho de sua vida, conseguiu dar nova forma à dignidade das mulheres. Ângela nasceu em Desenzano de Garda, perto de Bréscia, norte da Itália, em 21 de março de 1474. Desde a infância, tinha um forte sentido religioso: à noite, a família se reunia em torno do pai, João, para ouvir a leitura da vida dos santos. Graças a essas leituras, Ângela começou, aos poucos, a nutrir uma devoção especial para com Santa Úrsula, a nobre jovem britânica, do século IV, martirizada com seus companheiros; esta santa teve uma grande influência no amadurecimento da sua espiritualidade.
Terciária franciscana 
Aos 15 anos, Ângela perdeu, prematuramente, a irmã e seus pais; então se mudou para Saló, onde foi acolhida na casa do tio materno. Naqueles anos, surgiu-lhe o desejo de levar uma vida mais austera e penitencial, a ponto de optar por ser Terciária franciscana. Cinco anos depois, com a morte de seu tio, a jovem voltou para Desenzano, onde se dedicou às obras de misericórdia espirituais e corporais, sempre acompanhando o trabalho manual com a oração e o recolhimento. 
Visão de uma "escada celeste"
Certa vez, enquanto estava em oração, a futura Santa teve a visão de uma procissão de anjos e virgens, que tocavam e cantavam hinos. Entre eles, Ângela viu também sua irmã falecida, que lhe anunciou: "Você vai fundar uma companhia de virgens". Nos séculos seguintes, a iconografia hagiográfica representou esta visão como uma "escada celeste", que une o céu e a terra. 
Cegueira repentina 
No entanto, em 1516, os superiores franciscanos enviaram Ângela a Bréscia para assistir uma viúva, Catarina Patendola. Na cidade, a jovem reforçou sua ideia de um laicato, cada vez mais comprometido no âmbito caritativo, mas enriquecido pela sensibilidade feminina. Ao receber uma segunda visão, Ângela decidiu fazer uma peregrinação a diversos lugares sagrados: Mântua e o Monte Sagrado de Varallo, suas primeiras etapas, seguidas, em 1524, pela Terra Santa. Precisamente durante esta viagem às origens do cristianismo aconteceu um prodígio singular: de repente, Ângela perdeu a visão, que a recuperará ao voltar da Terra Santa, enquanto rezava diante do Crucifixo. Bem longe de desanimar, Ângela Mérici aceitou a deficiência momentânea como sinal da Providência, para poder olhar os Lugares Santos, não com os olhos do corpo, mas com os do espírito. "Vocês imaginam – disse ela mais tarde - que esta cegueira me foi enviada para o bem da minha alma?"
Nascimento da "Companhia de Santa Úrsula" 
Ao regressar à Itália, em 1525, por ocasião do Ano Santo, Ângela foi em romaria à “Cidade Eterna”, onde consolidou seu carisma, tanto que o Papa Clemente VII lhe propôs de permanecer em Roma. Entretanto, a jovem decidiu voltar a Brescia, porque queria, finalmente, dar cumprimento à sua "visão celeste". Enfim, em 25 de novembro de 1535, junto com doze colaboradoras, Ângela Mérici fundou a "Companhia das renunciadoras de Santa Úrsula" (“renunciadoras" porque não usavam o hábito religioso tradicional), com uma Regra de vida original: estar fora do Convento para se dedicarem à instrução e à educação das jovens mulheres, com voto de obediência ao Bispo e à Igreja. 
Revolução da graça
A ideia da fundadora foi uma verdadeira revolução da graça: toda mulher consagrada podia santificar a sua vida na "Sociedade", não apenas em um Convento, atuando no mundo e na própria Igreja de pertença. Em uma época em que as mulheres que não eram casadas ou enclausuradas podiam correr o risco de ser marginalizadas, Ângela ofereceu-lhes uma nova condição social: ser "virgens consagradas no mundo", capazes de se santificar para santificar a família e a sociedade. 
Canonização em 1807 
Em 1539, o estado de saúde de Ângela Mérici piorou, vindo a falecer em 27 de janeiro de 1540, com a idade de 66 anos. Seus restos mortais descansam na igreja de Santa Afra, em Bréscia, onde ainda são venerados, hoje denominado Santuário de Santa Ângela. No entanto, a sua fama de santidade aumentou tanto que, em 1544, o Papa Paulo III elevou a Companhia a um Instituto de Direito Pontifício, permitindo às Ursulinas atuar também além dos confins da Diocese. Ângela Mérici foi beatificada, em 1768, pelo Papa Clemente XIII, e canonizada, em 24 de maio de 1807, pelo Papa Pio VII. Uma estátua, em sua memória, esculpida em 1866, pelo escultor Pietro Galli, encontra-se na Basílica Vaticana. 
Testamento espiritual 
Em seu testamento espiritual, destinado às Ursulinas, lê-se: “Suplico-lhes de recordar e manter gravadas em suas mentes e corações todas as suas filhinhas, uma por uma; não apenas seus nomes, mas também suas condições, natureza e estado, enfim tudo delas. Isso não lhes será difícil se as abraçarem com profunda caridade. Esforcem-se, com amor e com mão gentil e suave, não com imperiosidade e aspereza, para ser agradáveis em tudo". "Além do mais, - concluiu - cuidado por não querer alguma coisa, a todo custo, porque Deus deu a cada um o livre arbítrio, sem forçar ninguém; Ele apenas propõe e aconselha".

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