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| PADRE LUIZ CARLOS DE OLIVEIRA(+) REDENTORISTA CONSAGRADO SACERDOTE NA PAZ DO SENHOR |
A festa de Corpus Christi é resultado da devoção eucarística medieval. Surgiu para afirmar a presença real de Cristo na Eucaristia, contra os erros de Berengário, e foi estendida a toda a Igreja pelo Papa Urbano IV, no ano de 1264, a partir do milagre eucarístico de Bolsena (Itália). A missa e o ofício foram compostos por S. Tomás de Aquino, presente na ocasião. Na reforma litúrgica, a festa se enriqueceu com novos textos. Há três roteiros (A B e C). No ano B, os textos lembram o aspecto sacrifical da Eucaristia. Em Êxodo 24,3-8 descreve-se a aliança do Sinai selada pelo sacrifício no qual Moisés asperge o povo com o sangue das vítimas: “Eis o sangue da aliança que o Senhor concluiu convosco segundo todas estas palavras” (Ex 24,8). No Sinai, o povo aceitou Deus como seu Deus e Deus o escolheu como Seu povo. Alguns jovens imolaram os animais e ofereceram o sacrifício. Notemos que os jovens foram os sacerdotes do sacrifício da aliança (não havia ainda o sacerdócio judaico). O sangue foi aspergido sobre o altar (lugar da presença de Deus) e sobre o povo. Derramar o sangue sobre o povo é sinal da vida do Senhor que gera comunhão de vida (Lv 17,11). Ter o mesmo sangue é ter a mesma vida com o Senhor. “Eis o sangue da aliança que o Senhor fez convosco na força destas palavras” (v. 8). As palavras são as cláusulas da Lei. Jesus, em continuidade, usa a mesma fórmula durante a Ceia. Seu sangue une em aliança o Céu e a terra, a comunhão entre Deus e os homens.
Nova aliança
Jesus realizou a ceia pascal que relembrava a libertação do Egito, na qual, comeram o cordeiro e tingiram os umbrais das portas com o sangue para se libertarem do anjo exterminador. Jesus realiza uma ceia, que não é sacrifical, na qual se come um cordeiro sacrificado. Ao dar o cálice de vinho, diz: “Isto é o meu sangue, sangue da aliança que é derramado em favor de muitos” (Mc 14,24). Marcos apresenta a instituição da Eucaristia como a realização da antiga Páscoa e atuação da nova e eterna aliança: “este é o meu sangue – disse Jesus – o sangue da Aliança derramado pela multidão”. Voltamos ao tema: o sangue de Cristo presente no vinho da ceia, e derramado no Calvário, é para selar a aliança de vida entre nós e o Pai. Temos assim a vida de Deus em nós. A Eucaristia torna presente essa aliança. O Espírito, que nos faz um só corpo com Cristo, faz circular em nós a mesma vida. Participar e comungar não é um ato de devoção, mas a atualização da aliança
Sacrifício da Aliança
A carta aos Hebreus (9,11-15) coloca em confronto o sacrifício de Cristo, sacerdote e vítima, com aquele oferecido no grande dia da expiação. Cada ano havia um sacrifício no templo para expiar os pecados. Era feito com sangue de animais. Na oferta do sacrifício de Cristo Ele é o sacerdote, é a vítima e o altar. A oferta sacrifical pessoal de Cristo não é somente um sacrifício de expiação, mas pela oferta de Seu sangue é também um sacrifício de aliança. Por isso disse na ceia: “sangue da nova e eterna aliança”. Não há necessidade de outro. “Quanto mais o sangue de Cristo purificará nossa consciência das obras mortas, para servirmos ao Deus vivo” (Hb 9,14). O sangue de Cristo purifica nosso interior e nos permite fazer o culto perfeito ao Deus Vivo. A festa de hoje, mesmo sendo para a adoração não perde sua união com a missa em sua dimensão sacrifical. Adoramos o Corpo por nós oferecido como alimento e vítima sacrificada. A festa é uma continuação da celebração de Quinta-Feira Santa na expressão de amor e adoração.
Leituras: Êxodo 24,3-8; Salmo 115;
Hebreus, 9,11-15; Marcos 14,12-16.22-26.
1. A festa de Corpus Christi tem uma origem devocional. Em 1264, Urbano IV a estende a toda a Igreja. A reforma litúrgica a enriquece com novos textos. S.Tomás de Aquino foi o compositor dos textos originais. Ele estava em Orvieto quando se deu o milagre eucarístico em Bolsena. O sangue de Cristo ferveu e deixou marcas no corporal e nas pedras do altar. Nos textos do ano B salienta-se o aspecto sacrifical. No Êxodo, no momento da aliança do Sinai, jovens sacrificam os animais e o sangue é aspergido no altar e sobre o povo, significando a união de vida. Jesus assume esse texto na Ceia.
2. Jesus realiza a ceia pascal em que se relembra a libertação do Egito, na qual comeram o cordeiro imolado. O sangue passado nos umbrais libertou-os do anjo exterminador. Jesus, ao dar o cálice, diz: “Isto é meu sangue, sangue da aliança que é derramado em favor de muitos” (multidão – todos). Sela a aliança de vida entre nós e o Pai.
3. A carta aos Hebreus coloca em confronto o sacrifício de Cristo e o sacrifício de expiação. A oferta pessoal de Cristo não é só de expiação, mas também de aliança. O Sangue de Cristo nos purifica e nos une ao Deus vivo. Cristo é o sacerdote, o altar e o cordeiro. A festa de hoje é uma oportunidade para renovarmos nosso amor e nossa adoração ao Cristo na Eucaristia.
Eu quisera Jesus adorado
Será que Jesus pensou aonde iríamos chegar quando deixou seu Corpo e Sangue para serem nosso alimento? Nossa fome era maior. Era fome de amar. Nossa criatividade em amá-lo com tanto carinho era maior do que Ele podia imaginar.
Hoje deixamos extravasar nosso amor. E sabemos fazê-lo. Com afeto nós O levamos pelas ruas, fazemos tapetes no asfalto. Nós O visitamos e cultuamos com amor e cantamos: “Eu quisera, Jesus adorado... Se algum dia, meu Jesus amado, meu desejo se vier realizar, hei de amar-vos por todos aqueles que, ingratos, não vos querem amar”.
Homilia de Corpus Christi (15.06.06)

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