Evangelho segundo São João 14,27-31a.
Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Deixo-vos a paz, dou-vos a minha paz. Não vo-la dou como a dá o mundo. Não se perturbe nem intimide o vosso coração.
Ouvistes que Eu vos disse: vou partir, mas voltarei para junto de vós. Se Me amásseis, ficaríeis contentes por Eu ir para o Pai, porque o Pai é maior do que Eu.
Disse-vo-lo agora, antes de acontecer, para que, quando acontecer, acrediteis».
Já não falarei muito convosco, porque vai chegar o príncipe deste mundo. Ele nada pode contra Mim,
mas é para que o mundo saiba que amo o Pai e faço como o Pai Me ordenou».
Tradução litúrgica da Bíblia
fundador de mosteiros
Instrução 11
«Dou-vos a minha paz»
Moisés escreveu na Lei: «Deus fez o homem à sua imagem e semelhança» (Gn 1,26). Cabe-nos pois refletir, para o nosso Deus e nosso Pai, a imagem da sua santidade. Para que não sejamos pintores de uma imagem diferente e não inscrevamos em nós a imagem do orgulho, deixemos que o próprio Cristo pinte em nós a sua imagem; e Ele fê-lo quando disse: «Deixo-vos a paz, dou-vos a minha paz».
Mas de que nos serve saber que essa paz é boa, se não cuidamos dela? Aquilo que é bom habitualmente é frágil; e os bens preciosos reclamam cuidados maiores e uma atenção mais vigilante. Muito frágil é a paz, que se pode perder por uma palavra apressada ou uma pequena mágoa infligida a um irmão. Ora, nada agrada mais aos homens do que falar a despropósito e ocupar-se do que não lhes diz respeito, proferir discursos vãos e criticar os ausentes. Daí que aqueles que não podem dizer: «O Senhor deu-me a língua dum discípulo para que eu saiba reconfortar pela palavra os que estão abatidos» (Is 50,4) devem calar-se; ou, se dizem alguma palavra, que seja uma palavra de paz. «A plenitude da lei é o amor» (Rom 13,8). Que o nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo, autor da paz e Deus do amor, Se digne inspirá-lo em nós.

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