quarta-feira, 18 de março de 2020

REFLETINDO A PALAVRA - “Vim fazer vossa vontade”

PADRE LUIZ CARLOS DE OLIVEIRA
REDENTORISTA
52 ANOS CONSAGRADO
44 ANOS SACERDOTE
Deus visita seu povo 
Maria visita a Isabel não somente por uma questão familiar, mas sim pelo reconhecimento da visita de Deus o seu povo. Zacarias proclama em alta voz: “Bendito seja o Senhor Deus de Israel que visitou o seu povo e o libertou” (Lc 1,68). Isabel reconhece em Maria essa visita: “Como posso merecer que a Mãe do meu Senhor me venha visitar?” (Lc 1,43). Quando Jesus fazia os milagres o povo reconhecia Nele, por sua ação, uma visita de Deus. Jesus reconhece, na linguagem da Carta aos Hebreus, que sua vinda é a realização da vontade salvífica de Deus. A visita de Deus é para libertação. Isabel diz que Maria é a expressão do acolhimento de Deus: “Bem aventurada aquela que acreditou, porque será cumprido o que o Senhor lhe prometeu” (id. 43). Estando já a caminho do Natal, o salmo nos convida a contemplar as situações difíceis pelas quais passam o mundo e o homem criados por Deus. Por isso suplica: “Voltai-vos para nós, Deus do universo. Olhai dos altos céus e observai. Visitai a vossa vinha; protegei-a e ao rebento que firmastes” (Sl 79). A celebração memorial do Natal nos traz o clamor da terra e da gente sofrida, como também a resposta de Deus dando seu Filho. Ele sempre vem e nasce, não só em uma lembrança, mas através das atitudes dos que creram. Esses continuam a visita de Deus quando “visitam,” as necessidades dos pobres pastores do mundo atual. Que não seja só um gesto natalino. Já é belo. É bom que essas atitudes sejam permanentes para manter vivo o Natal de Jesus.
Formastes-me um corpo 
Cristo nos redimiu assumindo uma carne semelhante à nossa. De Maria nasceu o Salvador. Em tudo foi igual a nós, menos no pecado (Hb 4,15). O corpo do homem e da mulher, feitos pelas mãos do Pai, foi a habitação do Verbo Eterno que se encarnou. Essa tenda frágil foi alargada (Is 52,2) para acolher o “mais belo dos filhos dos homens” (Sl 4,43). Participando de nossa natureza, cumpriu por nós a obediência ao Pai, pois veio para fazer sua vontade... É graças a essa vontade que somos santificados (Hb 10,8). O sacrifício de Cristo é mais profundo que o sofrimento de seus ferimentos. Ele atinge sua vontade e todo seu ser. É nela que obedece e é capaz de nos santificar. O sacrifício da vontade está unido à sua disposição de se encarnar por desígnio de seu Pai. Uma evangelização consistente exige tomar a carne do povo, viver sua situação e partilhar seus sofrimento e esperanças. Quando falta essa disposição, nossa linguagem não o atinge. Quando carregarmos com ele sua cruz, aí sim, podemos anunciar. Toda a pastoral que se afasta do homem sofrido, desvia-se da vontade de Deus, por mais belas que sejam nossas vestes e nossas palavras. 
Cheguemos à gloria da Ressurreição 
O mistério de Cristo é único e se manifesta de muitos modos. Em todas suas manifestações estão presentes todos os mistérios que se resumem em um, como rezamos: “para que, conhecendo pelo Anjo a encarnação de vosso Filho, cheguemos, por sua Paixão e Cruz, à glória da Ressurreição”. É um caminho oracional, mas é também o caminho do seguimento de Cristo. “Onde Eu estiver aí estará meu servo” (Jo 12,26). Participamos do mistério de Cristo quando nos dispomos a fazer a vontade do Pai. Nessa vontade acolhemos a santificação. No Natal não há só a beleza da Encarnação, mas já possui o brilho da Ressurreição. Preparemos a festa. A festa do Natal nos ensina que o Mistério da Encarnação se desabrocha na Ressurreição e Glorificação. Glória a Deus nas alturas.

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