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| PADRE LUIZ CARLOS DE OLIVEIRA CSsR |
Guardei a fé.
Paulo dá
testemunho claro do que seja uma vida impregnada de fé. Escreve a Timóteo
"que combateu o bom combate e guardou a fé. Agora lhe está reservada a
coroa da Justiça (2 Tim 4,7). Sua
trajetória de vida, que agora chega ao fim, é marcada pela certeza da presença de Cristo que esteve
a seu lado e lhe deu forças (17). Não é por nada que está em um tribunal para ser julgado,
abandonado por todos. Sua fé se expressa na coragem de anunciar o evangelho às nações. A
fé era um risco de vida, pois ele esteve perto da morte, mas Deus esteve com
ele: "Fui libertado da boca do leão" (17). De tudo o que fez e pode armazenar em sua vida,
tem a fé como tesouro bem guardado. Por isso sente-se feliz por dizer
"guardei a fé". O combate da fé sempre traz consigo os riscos, mas
também a certeza. Valeu a pena! De onde Paulo tira
esta força? De sua humildade em reconhecer Cristo como razão de sua vida. Por Ele vale
dar a vida. Como o conheceu, quer
anunciá-lo. Paulo tem a garantia de ter lutado por Jesus.
Podemos por aí ter uma noção mais esclarecida da relação de fé e humildade. A
atitude de humildade é o suporte da fé. Somente com a humildade podemos ter
aceitar Jesus Cristo e por Ele empenhar a vida.
Piedade de mim
que sou pecador.
A parábola do
fariseu e do publicano pecador que vão ao templo rezar, está a nos mostrar de
onde vem a força da santificação que consiste no relacionamento com Deus. Paulo
diz da certeza de onde vinha sua força: Ele me deu força. O fariseu confia na
própria força porque faz bem todas as coisas e ali se coloca acima dos outros
por ser tão correto. O publicano coloca-se diante de Deus e humildemente perde
perdão. Reconhece quem é Deus. Sua humildade o justifica, isto é, torna-o
próximo e aberto a Deus. A fé sem humildade não tem como se garantir, pois não
é a aceitação de um código, mas de uma pessoa.
A oração do
humilde chega ao céu.
No combate da fé, a oração é a grande arma. Oração não
é um discurso que fazemos a Deus para conquistá-lo para nosso lado. Mas
nós é que nos conquistamos para Deus. Ela nos leva a servir a Deus na humildade
não do escravo temeroso, mas do filho respeitoso que se dirige ao coração do
Pai no afeto da aceitação de sua vontade. Convencemos a Deus não pelo nosso
belo currículo e boas obras realizadas, mas pela aceitação de nossa fragilidade
e fraqueza. Por isso vemos a prece do humilde publicano ser atendida e não a prece do fariseu cheio de si. O pecador diz:
"Meu Deus, tende piedade de mim que sou
pecador". O pedido de perdão é aceito pela humildade com que é
feito. Este voltou justificado, que
dizer, justo, santo. As boas obras do fariseu não o santificaram porque faltou a humildade. Sua oração não valeu, por
causa do orgulho. No combate da fé, saber a
própria fragilidade é uma arma poderosa da santidade. A prece do humilde
atravessa as nuvens e, enquanto não chega, não terá repouso. Deus é imparcial,
mas escuta as súplicas do oprimido e jamais despreza as súplicas dos órfãos,
nem da viúva quando desabafam suas mágoas (Eclo 3516-17).

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