quinta-feira, 6 de agosto de 2026

Santos Justo e Pastore Mártires-Festa: 6 de agosto

São Justo e São Pastor eram dois estudantes de Alcalá de Henares, Castela. Informados por um condiscípulo de que o governador Daciano estava a entrar na cidade, saíram da escola e correram ao encontro do cruel perseguidor. Daciano ordenou que fossem torturados e, no momento da tortura, os dois estudantes começaram a cantar, bendizendo quem os ia martirizar. O governador, que assistia a tudo, ordenou então que lhes cortassem a cabeça, e assim aconteceu em Alcalá de Henares no ano de 340.
(†)Complutum, hoje Alcalá de Henares, por volta de 304
Segundo os seus Atos, datados não antes do século VII e evidentemente lendários, Justo e Pastor eram duas crianças cristãs, filhos de pais também cristãos, que viviam em Complutum, atual Alcalá de Henares (Madrid), no início da perseguição de Diocleciano. Tendo ouvido na escola que o governador Daciano chegara à procura de cristãos para matar, atiraram fora os seus livros e correram para se oferecerem ao martírio. Sem qualquer julgamento, foram imediatamente condenados à morte. A execução ocorreu fora da cidade, onde os seus corpos foram sepultados. Por volta de 391, como relata Santo Ildefonso de Toledo, o bispo Astúrias, na sequência de uma revelação, procurou e encontrou vários túmulos de mártires em Complutum; os seus nomes não foram transmitidos, mas eram certamente Justo e Pastor, pois não foram registados outros nesta cidade. Um ano mais tarde (392), Paulino de Nola mandou sepultar o seu filho junto aos mártires de Complutum, como ele próprio nos conta no seu Carmen, também sem transmitir os seus nomes; Estas, porém, foram mencionadas pela primeira vez por Prudêncio, que cantou seus louvores, no início do século V. Uma inscrição de Medina Sidonia (Cádiz) de 630 e outra de Guadix (Granada) comemoram as relíquias preservadas em uma basílica, entre as quais as de Justo e Pastor. O culto se espalhou por toda a Espanha, no sul da França e, mais tarde, também na Sardenha; a liturgia hispânica havia reservado um Ofício específico para eles. Santo Eulógio de Córdoba, escrevendo no século IX, nos conta sobre um mártir moçárabe, Leovigildo, que vinha de um mosteiro dedicado aos santos Justo e Pastor, localizado em Fraga, nas montanhas de Córdoba. 
Patrono: Madrid 
Etimologia: Justo vem do latim Iustus, 'justo', 'íntegro'; Pastor vem do latim Pastor, 'aquele que guia o rebanho'.
Emblema: Duas crianças com tabletes ou livros escolares, palma do martírio, espada, coroa. 
Martirológio Romano: Em Alcalá de Henares, na Espanha, os santos irmãos Justo e Pastor, mártires, que, ainda crianças, deixaram suas caligrafias na escola e correram espontaneamente para o martírio: imediatamente capturados e açoitados com varas por ordem do governador, foram ambos mortos à espada por seu carrasco em nome de Cristo, enquanto se consolavam mutuamente com exortações. 
As informações historicamente confiáveis sobre Justo e Pastor (Justo e Pastor, em espanhol; Iustus e Pastor, em latim) são limitadas. O Martirológio Romano os registra como dois irmãos mártires mortos em Alcalá de Henares durante a perseguição de Diocleciano. Fontes contemporâneas sobre os eventos não sobreviveram, mas seu culto é atestado poucas décadas após suas mortes, circunstância que confirma a existência de uma memória local muito antiga. O relato tradicional, segundo os Atos, compostos não antes do século VII, conta que Justo e Pastor eram duas crianças cristãs que frequentavam a escola pública em Complutum. Ao serem informados da chegada do governador Daciano, encarregado de reprimir os cristãos, abandonaram espontaneamente suas tábuas de escrita e correram para se declarar seguidores de Cristo. Levados perante o magistrado, foram convidados a sacrificar aos deuses do Império. Ao recusarem, foram açoitados, mas continuaram a encorajar um ao outro até sua condenação final. Foram finalmente decapitados fora dos muros da cidade. Essa história pertence à tradição hagiográfica e não pode ser verificada em seus detalhes históricos. 
O Nascimento do Culto 
A importância histórica dos dois mártires surge já no final do século IV. Segundo Santo Ildefonso, o bispo Astúrias de Toledo identificou o local de seu sepultamento, dando início à construção de um santuário que se tornou o centro religioso da antiga Complutum. Paulino de Nola também atesta a existência do túmulo dos mártires, enquanto o poeta Prudêncio, no início do século V, dedica-lhes vários versos, confirmando que seu culto já era difundido na Espanha romana. Esses testemunhos são considerados as fontes mais fidedignas sobre sua veneração na antiguidade. 
A Difusão da Devoção 
Durante o período visigótico, o culto a Justo e Pastor experimentou uma expansão notável. Numerosas igrejas foram dedicadas aos dois santos, e a liturgia hispânica estabeleceu um ofício especial em sua honra. Com a conquista muçulmana da Península Ibérica, algumas das relíquias foram transferidas para o norte da Espanha e, posteriormente, para o território francês, para preservá-las de uma possível destruição. No século XVI, algumas das relíquias retornaram a Alcalá de Henares, onde a veneração continua até hoje. A memória litúrgica é celebrada em 6 de agosto, data registrada no Martirológio Romano. A Catedral Magistral dos Santos Justo e Pastor de Alcalá de Henares ergue-se no local tradicionalmente associado ao seu martírio e é o principal santuário dedicado aos dois irmãos. Sua veneração está documentada em toda a Espanha, especialmente nas dioceses de Alcalá, Madri, Toledo, Huesca, Barcelona e em algumas localidades do sul da França. 
Autor: Giampietro Cattini

Nenhum comentário:

Postar um comentário