sexta-feira, 2 de fevereiro de 2024

ORAÇÃO DE TODOS OS DIAS - 2 DE FEVEREIRO

Oração da manhã para todos os dias 
Senhor meu Deus, mais um dia está começando. Agradeço a vida que se renova para mim, os trabalhos que me esperam, as alegrias e também os pequenos dissabores que nunca faltam. Que tudo quanto viverei hoje sirva para me aproximar de vós e dos que estão ao meu redor. Creio em vós, Senhor. Eu vos amo e tudo espero de vossa bondade. Fazei de mim uma bênção para todos que eu encontrar. Amém. 
As reflexões seguintes supõem que você antes leu o texto evangélico indicado.
2 – Sexta-feira – Apresentação do Senhor, Nossa Senhora dos Navegantes
Evangelho (Lc 2,22-40) “Agora, Senhor, conforme a tua promessa, podes deixar teu servo partir em paz; porque meus olhos viram a tua salvação...”
A narrativa de Lucas tem como finalidade salientar que Deus cumpre suas promessas. Ana e Simeão, piedosos e de muita idade, esperavam que o Senhor cumprisse a promessa e mandasse o Salvador. Eram como tantos outros que, durante séculos, acreditaram na promessa divina, mesmo que tantas vezes tudo parecesse perdido. Viviam na certeza da fidelidade de Deus, e viam afinal chegar o Salvador prometido.
Oração
Senhor meu Deus, gosto de me lembrar de Ana e Simeão. Olho para sua alegria e para a festa que fazem. Uno-me a eles, e vos bendigo porque sois fiel às vossas promessas, e as cumpris quando menos espero. Dai-me a confiança teimosa deles, e também sua paciência para esperar a vossa hora, que é sempre a melhor. Creio em vosso amor de pai, que estais sempre por perto, para me amparar. Amém.

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2024

REFLETINDO A PALAVRA - “O Batismo, nossa Páscoa!”

PADRE LUIZ CARLOS DE OLIVEIRA(+)
REDENTORISTA NA PAZ DO SENHOR
Um rito pascal
Cada semana refletimos um aspecto da festa da Páscoa. Nem sempre, na celebração, percebemos o que significam os ritos celebrados na Noite Pascal. O cerimonial da Vigília Pascal foi preparado para a celebração do batismo dos catecúmenos. Catecúmeno é aquele que durante toda a quaresma fizera sua preparação imediata para ser batizado. O rito batismal assumiu traços dos ritos de purificação do tempo. O rito não é uma purificação exterior, mas um encontro com Deus que purifica e salva. Os essênios tinham ritos de purificação como preparação para a vinda do Messias. O rito batismal é realizado na Páscoa por sua íntima união com Cristo. O batismo, mais que um rito, é o sacramento no qual participamos do Mistério Pascal de Cristo e assumimos em nós sua Morte e Ressurreição. Paulo escreve: “Fostes sepultados com Ele no Batismo; Nele também ressuscitastes, pela fé no poder de Deus que o ressuscitou dos mortos... morrestes e vossa vida está escondida com Cristo em Deus (Cl 2,12;3m3). Através da fé e os símbolos sacramentais realizados pela Igreja, acontece a morte ao pecado e a ressurreição para a vida nova através de Cristo em Deus. Compreendemos os ensinamentos através das leituras e dos ritos sacramentais. São simbólicos, pois mostram o que Deus realiza em nós. O próprio rito de imergir na água, pois batizar significa mergulhar na água, simboliza a morte e a ressurreição. Somos configurados com Cristo e nos revestimos Dele, não como uma veste, mas como uma vida. Nós nos tornamos filhos de Deus, pois unidos a Cristo e com Ele vivendo, somos acolhidos pelo Pai como acolhe o Filho. Ele participou de nossa natureza e agora participamos da sua. A importância não está na quantidade de água, mas na imensidão da graça em que somos mergulhados. Podemos realizar deste modo, derramando a água, o que não tira o valor da forma de aspersão. 
Uma história a ser lida 
Para preparar a celebração do batismo, os catecúmenos tinham diversos ritos que já eram o batismo, como a apresentação do nome, a entrega da profissão de fé, do Pai Nosso. Era a última catequese. Era feita na comunidade. Nas vésperas da Páscoa, faziam jejum. À noite, os catecúmenos eram reunidos no batistério, local separado da Igreja, próprio para os batismos. A comunidade permanecia reunida na Igreja com leitura e cantos. Ao canto do galo, iniciavam os batismos com um ritual muito rico. No momento do batismo eram ungidos com óleo e depois mergulhados na água com as três negações e com as três profissões de fé. Os adultos respondiam por si e os pais respondiam pelas crianças. Havia batismo de crianças desde o início da Igreja. Em seguida eram ungidos na testa com óleo do Crisma e ingressavam na Igreja ao momento da Eucarística para participaram do Corpo e sangue do Senhor, vivendo numa comunidade. Pena que hoje muitos fogem do batismo comunitário. Não entenderam nada. 
Renovando nosso coração 
O batismo não é só um rito, mas uma vida que acontece em nós. Infelizmente alguns só buscam realizar um rito tradicional que precisa ser feito a todo custo. Mas não estão interessados na coerência de fé com o sacramento celebrado. Como cuidamos da saúde física, devemos também cuidar da saúde espiritual. Esta exige de nós mais interesse e empenho para conduzir nossa vida e dos filhos a viver sempre como filhos de Deus e irmãos. Celebrando a Páscoa, renovamos nossa disposição de assumir mais a fé que nos foi transmitida para ser desenvolvida.
ARTIGO REDIGIDO E PUBLICADO
EM ABRIL DE 2012

EVANGELHO DO DIA 1 DE FEVEREIRO

Evangelho segundo São Marcos 6,7-13. 
Naquele tempo, Jesus chamou os doze apóstolos e começou a enviá-los dois a dois. Deu-lhes poder sobre os espíritos impuros e ordenou-lhes que nada levassem para o caminho, a não ser o bastão: nem pão, nem alforge, nem dinheiro; que fossem calçados com sandálias, e não levassem duas túnicas. Disse-lhes também: «Quando entrardes em alguma casa, ficai nela até partirdes dali. E se não fordes recebidos em alguma localidade, se os habitantes não vos ouvirem, ao sair de lá, sacudi o pó dos vossos pés como testemunho contra eles». Os apóstolos partiram e pregaram o arrependimento, expulsaram muitos demónios, ungiram com óleo muitos doentes e curaram-nos. 
Tradução litúrgica da Bíblia 
Tomás de Celano (1190-1260) 
Biógrafo de São Francisco e de Santa Clara 
 «Vita Prima» de São Francisco 
«Começou a enviá-los dois a dois» 
Entrou à Ordem um novo aspirante de qualidade, e o número dos que a ela pertenciam subiu assim para oito. Então, o bem-aventurado Francisco reuniu-os a todos e falou-lhes longamente do Reino de Deus, do desprezo do mundo, da renúncia à vontade própria e da docilidade que tinham de exigir ao seu corpo. Depois, dividiu-os em quatro grupos de dois e disse-lhes: «Ide, meus bem-amados, percorrei dois a dois as diversas regiões do mundo, anunciai a paz aos homens e pregai-lhes a penitência que obtém o perdão dos pecados. Sede pacientes na prova, certos de que Deus cumprirá o que decidiu e manterá as suas promessas. Respondei humildemente a quem vos interrogar, abençoai os que vos perseguirem, agradecei aos que vos insultarem e vos caluniarem, pois esse é o preço do Reino dos Céus (cf Mt 5,10-11)». Eles acolheram com alegria a missão que lhes confiava a santa obediência e prostraram-se aos pés de São Francisco, que abraçou cada um deles ternamente dizendo-lhes com fé: «Confiai a Deus todas as vossas preocupações, porque Ele tem cuidado de vós» (1Ped 5,7). Era a sua frase habitual quando enviava um irmão em missão.

01 de fevereiro - Beato André Conti

André pertencia à nobre linhagem Conti de Segni, mas nasceu em Anagni em 1240. Essa família já tinha dado à Igreja vários papas, bispos e sacerdotes. Ele era parente próximo dos papas Inocêncio III, Gregório IX, Alexandre IV e Bonifácio VIII, dos dois últimos ele foi respectivamente tio e sobrinho. Sentindo-se desde a juventude atraído pelo espírito franciscano, renunciou a todos os bens e ingressou no convento de São Lourenço de Anagni, fundado pelo próprio São Francisco. Não lhe pareceu suficiente a austeridade de vida que ali reinava, e por isso pediu e obteve permissão para se retirar a uma gruta nas rochas dos Apeninos – uma gruta estreita e tão baixa, que lá dentro só podia estar inclinado e de joelhos. A sua vida girava entre a contemplação e a austeridade. Quando era assaltado pelo demônio com tentações, afugentava-o com o sinal da cruz e também libertava do tentador outras pessoas que vinham ter com ele em busca de libertação do inimigo. As honras que pretendia evitar perseguiram-no até no seu inóspito eremitério, onde acorria muita gente, atraída pela sua fama de santo e sábio teólogo. Escreveu um tratado sobre a Santíssima Virgem. O papa Alexandre IV, seu tio, foi pessoalmente ter com ele para lhe oferecer as insígnias de cardeal, mas André devolveu-lhes, dizendo que o único privilégio que aceitava era o de o deixarem sossegado na sua gruta de oração, meditação e estudo. Mais tarde recusou novamente e com energia o mesmo gesto do seu sobrinho Bonifácio VIII, que alimentava a esperança de sobreviver ao tio para o elevar à honra dos altares. Mas nem essa graça o Senhor lhe concedeu, pois tio e sobrinho morreram num intervalo de poucos meses. A sua vida santa, mais angélica do que humana, foi avalizada por Deus com prodígios e milagres. Voou para o Céu a 1 de fevereiro de 1302, com 62 anos de idade.

01 de fevereiro - Beatos 109 Mártires Claretianos Espanhóis

A perseguição religiosa na Espanha no século passado deixou atrás de si um rastro de milhares de vítimas indefesas e inocentes. Ao mesmo tempo, fez emergir a coragem de milhares de mártires, homens e mulheres, cujo sangue tornou-se seiva vital para o dinamismo da Igreja espanhola hoje. Entre estes mártires, os 109 claretianos que reagiram às perseguições com a eficaz arma da caridade e do perdão. Àqueles que queriam aniquilar a presença cristã na Espanha, os mártires responderam perdoando, rezando e dizendo a alta voz: “Não temos medo!”. Eles foram beatificados em 21 de outubro de 2017, na Igreja da Sagrada Família em Barcelona. Os 109 Mártires Claretianos provinham das comunidades claretianas de Barcelona (8), Castro Urdiales (3), Cervera-Mas Claret (60), Sabadell (8), Vic-Sallent (15) e Valencia (4). À frente do grupo de mártires figuravam três nomes: Mateu Casals (sacerdote), Teófilo Casajús (estudante) e Ferran Saperas (irmão). Eles representam os 49 sacerdotes, 31 irmãos e 29 estudantes que foram beatificados. Catalães – em sua maioria –, navarros, aragoneses, castelhanos… todos compartilham a comum profissão religiosa e um grande amor por Jesus Cristo e pela Igreja. Salvo dois claretianos que morreram em 1937, todos foram martirizados nos últimos meses do ano de 1936, durante a perseguição religiosa ocorrida durante a Guerra Civil Espanhola. Os testemunhos sobre a maneira de enfrentar a morte são diversos.

01 de fevereiro - Beatos Mártires de Angers

Os numerosíssimos mártires que, na diocese de Angers, durante a Revolução francesa, aceitaram a morte porque queriam, "conservar a sua fé e a sua religião", firmemente apegados à Igreja católica e romana: sacerdotes, eles recusavam prestar um juramento considerado cismático, não queriam abandonar o seu encargo pastoral; leigos, eles permaneciam fiéis a estes sacerdotes, a missa celebrada por eles, aos sinais do seu culto a Maria e aos santos. Sem dúvida, num contexto de grandes tensões ideológicas, políticas e militares, pôde-se fazer pesar sobre eles suspeitas de infidelidade à pátria, tento sido, à espera das sentenças, acusados de compromissos com "as forças contrarrevolucionárias"; é, aliás, o que ocorre em quase todas as perseguições, de ontem e de hoje. Mas para os homens e as mulheres cujos nomes foram marcados — entre muitos outros sem dúvida de igual modo merecedores —, o que eles verdadeiramente viveram, o que responderam aos interrogatórios dos tribunais, não deixa dúvida alguma sobre a determinação de permanecerem fiéis — com o perigo da própria vida — ao que a fé exigia deles, nem sobre o motivo profundo da sua condenação, o ódio a esta fé que os seus juízes desprezavam como "devoção insustentável" e "fanatismo". Ficamos admirados diante das respostas decisivas, calmas, breves, sinceras, humildes, que nada têm de provocatório, mas são nítidas e firmes a respeito do essencial: a fidelidade à Igreja.

BEATA LUDOVICA ALBERTONI, VIÚVA ROMANA

"No passado, fui mais do meu marido do que de mim mesma, sem poder me dedicar a vós, Jesus. Agora, vivendo apenas por mim, deixo ser minha para ser totalmente vossa". 
Nem sempre é fácil pertencer a uma família nobre: é claro que a sobrevivência é garantida, mas há obrigações, às vezes muito onerosas, às quais é preciso se submeter. Isso Ludovica sabia muito bem. Nascida em 1474, era filha do patrício romano, Estêvão Albertoni, e de Lucrécia Tebaldi. Ao chegar à idade adulta, teve que renunciar à sua vocação para se casar, conforme o desejo da sua família.

São Tryfon de Nicéia, Mártir (†251), 1° de Fevereiro

São Tryfon era natural de Lampsako, na Frígia (antiga região da Ásia Menor) e viveu na época em que reinava Giordiano (238-244), Philippos e Décio. São Tryfon era muito pobre e, desde pequeno se dedicava ao cuidado de animais do campo para poder viver. Enquanto realizava seu humilde trabalho, refletia sobre as Sagradas Escrituras e com muito zelo cumpria com seus deveres religiosos. Entre os versículos que sempre repetia, este se destacava: «A bênção do Senhor repousa sobre a habitação do justo. Se ele escarnece dos zombadores, concede a graça aos humildes» (Prov. 3, 33b.-34). Realmente, o humilde e piedoso Tryfon, com perseverança, não só conheceu as Sagradas Escrituras em profundidade como a ensinou. Estava tão pleno da graça divina que operava milagrosas curas. A notoriedade de Tryfon chegou aos ouvidos do rei Gordianos que mandou chamá-lo porque sua filha estava muito doente. De fato, Tryfon a curou; e o pai, agradecido, quis pagá-lo, porém Tryfon se negou aceitar qualquer valor e se retirou com a gratidão do rei. Contudo, na época de Decio (249-251), Tryfon foi preso por admitir sua fé em Jesus Cristo e fervorosamente expressar sua oposição à idolatria. Por causa disso, o prefeito oriental Aquilino, em Nikia, ordenou que o torturassem violentamente. Foi amarrado a um cavalo e arrastado pelas ruas. Em seguida, completamente nu, em pleno inverno, foi amarrado sobre pregos e queimado com tochas acesas. Finalmente, foi decapitado, mas antes disso, já havia entregado seu espírito nas mãos de Deus. 
Tradução e publicação neste site com permissão de Ortodoxia.org
Trad.: Pe. Pavlos

SEVERO DE RAVENA Bispo, Santo data incerta

Bispo de Ravena (Itália). 
Quando era tecelão, uma pomba pousou 
na sua cabeça e designou-o como bispo. 
São Severo foi o 12º bispo de Ravena – cidade do norte da Itália, famosa por suas igrejas antigas repletas de belíssimos mosaicos. Sabe-se muito pouco de sua vida: sabemos que participou de um concílio em Sárdica (na actual Bulgária) entre os anos 342-343. Os escritores medievais dizem que são Severo morreu no dia 1º de Fevereiro, por volta do ano 343-344; segundo essa fonte, ele teria sido sepultado numa pequena capela na própria cidade de Ravena. As notícias relativas à veneração de sua pessoa são muito antigas. Fala-se de duas transladações de suas relíquias ainda no século IV. Também no século VI, os mosaicos da igreja de Santo Apolinário in Classe testemunham a grande estima que o povo tinha por seus bispos, particularmente são Severo; de facto, estão representados os bispos São Severo, Santo Urso, Eclésio e Ursicino, sendo que o adjectivo “santo” foi empregado nos mosaicos para designar os dois primeiros: sinal claro da grande devoção popular. As histórias desse santo que chegaram até nós, são do período medieval; elas traduzem certas tradições orais que dificilmente poderão ser comprovadas pela história. Em todo caso, se diz que Severo era um pobre trabalhador de lã na cidade de Ravena. Um dia teria ele se dirigido à igreja, depois de saber da morte do bispo Marcelino.

BRÍGIDA DE KILDARE Freira, Abadessa, Fundadora, Santa 453-524

Virgem e fundadora irlandesa. 
Para provar a sua inocência, porque a caluniavam, 
fez reverdecer o altar, tocando-o com a mão.
Santa Brígida de Kildare ou Brígida da Irlanda era uma cristã irlandesa, freira, abadessa, e fundadora de diversos conventos, que é venerada como santa. Ela é considerada uma das santas padroeiras da Irlanda, juntamente com São Patrício e São Columba. O dia da sua festa é o 1º de fevereiro, o primeiro dia da Primavera, que é tradicional na Irlanda. 
Entre lenda e realidade... 
Tal como acontece com muitos santos antigos a biografia de Brígida tem sido dificultada pela passagem do tempo. Muita mudança ocorreu dentro do corpo de informação que agora existe. Muitas vezes os limites entre a tradição oral e escrita tornaram-se difíceis de distinguir. Segundo a tradição, ela nasceu em Faughart, Irlanda. Devido à lendária qualidade das primeiras contas da sua vida, não há muita discussão entre muitos estudiosos e mesmo fiéis cristãos quanto à autenticidade das suas biografias. Segundo elas seus pais eram Dubhthach, um pagão de Leinster, e Brocca, uma cristã de Pictos que havia sido baptizada por São Patrício. Algumas trechos da sua vida sugerem que a mãe de Brígida foi, de facto, portuguesa, raptada por piratas irlandeses e levada para a Irlanda para trabalhar como escrava da mesma maneira que Patricío.

VERIDIANA DE FLORENÇA Franciscana, Santa 1182-1242

Reclusa em Castelo Florentino (Itália). 
Mística.
No primeiro dia de fevereiro de 1242, de repente, todos os sinos do Castelfiorentino em Florença, Itália, começaram a repicar simultaneamente. Quando os moradores constataram que tocavam sozinhos, sem que ninguém os manuseassem, tudo ficou claro, porque eles anunciavam a morte de Veridiana. Nasceu em 1182, ali mesmo nos arredores da cidade que amou e onde viveu quase toda sua existência, só que enclausurada numa minúscula cela, de livre e espontânea vontade. Pertencente a uma família nobre e rica, os Attavanti, Veridiana levou uma vida santa, que ficou conhecida muito além das fronteiras de sua terra; e que lhe valeu inclusive a visita em pessoa, de seu contemporâneo Francisco de Assis, que a abençoou e admitiu na Ordem Terceira, em 1221.

HENRIQUE MORSE Jesuíta, Mártir, Santo (1595-1645)

Jesuíta inglês, martirizado em Tyburn, 
durante a perseguição de Isabel I.
Henrique Morse nasceu em Brome (Suffolk), na Inglaterra no seio de uma família de pequena nobreza, em 1595. Após os seus estudos no Corpus Christ College, de Cambridge, Henrique Morse ingressou na Igreja católica a 5 de Junho de 1644, enquanto estudava no colégio inglês de Douai, em França. De volta ao país natal ele passou quatro anos na prisão por causa da sua adesão ao catolicismo. Quando foi libertado viajou para Roma e ingressou no Colégio Inglês da Cidade eterna, para ali prosseguir os estudos que o levariam ao sacerdócio. Henrique foi ordenado em 1624. No ano seguinte, em 1625, voltou para a Inglaterra, onde se fez jesuíta e começou a exercer o seu apostolado, sob o nome de Henrique Claxton, no nordeste do país. Pouco depois, foi preso em Newcastle em 1626 e encarcerado na prisão do Castelo de Iorque. Foi ali que o noviço jesuíta fez os “Exercícios espirituais” sob a direcção do Padre João Robinson, também jesuíta e seu companheiro de cela. Foi perante este sacerdote que Henrique fez os seus votos religiosos em 1627. Passou três anos nesta prisão, findos os quais foi expulso do país. O Padre Morse encontra-se no continente em 1630, e exerce o seu ministério sacerdotal junto dos soldados irlandeses e ingleses na Flandres. Durante algum tempo foi administrador do noviciado dos jesuítas ingleses na cidade de Watten e na casa jesuíta de Liège. No fim do ano 1633 voltou para a Inglaterra indo exercer o seu ministério em Londres e seus próximos arredores. Em 1636, graças ao seu zelo, noventa famílias protestantes aderem ao catolicismo.

MARIA ANA VAILLOT Religiosa, Mártire, Beata 1734-1794

Religiosa das Irmãs de Caridade. 
Vítima da Revolução francesa, 
durante o período do “Terror”.
Nasceu em Fontainebleau (França) e foi baptizada a 13 de maio de 1734. Dois anos antes tinha nascido um irmão seu que morreu ao fim de uns meses, de tal forma que o nascimento de Maria Ana encheu de alegria toda a família. Mas o pai morreu no mês seguinte e, assim, Maria Ana conheceu o sofrimento desde muito pequena. Não se sabe nada dos anos que passou com a família nem da origem da sua vocação. Aos 27 anos começou o postulantado com as Filhas da Caridade e a 25 de Setembro de 1761 ingressou no Seminário de Paris. Desconhece-se a data em que chegou a Angers, para trabalhar no Hospital S. João. Provavelmente já lá estava quando ocorreu a Revo-lução francesa que teve seu início verdadeiro a 14 de Julho de 1789, com a tomada da Bastilha. 
Maria Ana Vaillot e Odília Baumgarten. 
Depois deste feito histórico — que não augurava o que depois iria acontecer de triste e de horrível —, os ideais de uns e de outros foi mudando rapidamente e aquilo que segundo escreveram diversos historiadores, devia ser uma revolução para acabar “com os privilégios”, tornou-se numa revolução “fundamentalmente ateia”, que “se propagou de forma violenta em todo território”, chegando-se mesmo, não longe onde então vivia Maria Ana Vaillot, a praticar massacres apenas verosímeis: “afogamentos em massa: homens, mulheres e crianças, nus, foram amarrados juntos em botes especialmente construídos, que foram rebocados para o meio do rio Loire e, então, afundados”.

ODILIA BAUMGARTEN Religiosa, Mártire, Beata 1750-1794

Religiosa das Irmãs de Caridade. 
Vítima da Revolução francesa, 
durante o período do “Terror”.
Nasceu a 19 de Novembro de 1750 em Gondescange, na Lorena (França). Foi baptizada no dia seguinte. Antes dela, tinham nascido duas irmãs e um irmão, mas os três faleceram no espaço de um ano. 
Odília — nome muito corrente na Lorena e na Alsácia — foi uma grande alegria para a família. Aos 24 anos deixou o moinho familiar para entrar no postulantado em Metz. Entrou no Seminário a 4 de agosto de 1775. Foi enviada para Brest em 1776, mas partiu para Angers no início do ano seguinte, onde lhe confiaram a responsabilidade da farmácia do hospital. Um pouco de história, para melhor compreendermos o porquê destes assassinatos massivos, praticados pelos revolucionários franceses de triste memória. A Revolução francesa que teve seu início verdadeiro a 14 de Julho de 1789, com a tomada da Bastilha. 
Odília Baumgarten e Maria Ana Vaillot. 
Depois deste feito histórico — que não augurava o que depois iria acontecer de triste e de horrível —, os ideais de uns e de outros foi mudando rapidamente e aquilo que segundo escreveram diversos historiadores, devia ser uma revolução para acabar “com os privilégios”, tornou-se numa revolução “fundamen-talmente ateia”, que “se propagou de forma violen-ta em todo território”, chegando-se mesmo, não longe onde então vivia Odília Baumgarten, a praticar massacres apenas verosímeis: “afogamentos em massa: homens, mulheres e crianças, nus, foram amarrados juntos em botes especialmente construídos, que foram rebocados para o meio do rio Loire e, então, afundados”.

ANA MICHELOTTI Religiosa, Fundadora, Beata 1843-1888

Fundadora, em Turim, da Congregação 
das Irmãs do Sagrado Coração de Jesus.
A beata Ana Michelotti ficou mais conhecida com o nome de Irmã Joana Francisca da Visitação, fundadora das pequenas Servas do Sagrado Coração de Jesus para os doentes pobres. Nasceu em Annecy (Alta Sabóia, França), filha de pai piemontês e de mãe saboiana, em 29 de Agosto de 1843. Ainda menina, conheceu o sofrimento por causa de uma doença e também a pobreza por causa da morte prematura do pai. Em 1858 se transferiu com a mãe e o irmão António para Almese (Turim, Itália), junto dos parentes paternos. O tio Pe. Jaime Michelotti e o pároco a encaminharam para a vida religiosa. Voltando para Annecy com a mãe, em Lião entrou para as aspirantes das Irmãs de São Carlos, voltadas para a instrução e educação da juventude. Mas o seu ideal desde a infância foi o da assistência aos pobres em domicílio. Com a morte da mãe, em 1864, retornou a Annecy. Dois anos depois morreu também o irmão, que tinha entrado entre os irmãos das escolas cristãs. Sozinha, estabeleceu-se em Lião, onde, em 1869, com Catarina Dufaut, entregou-se ao cuidado dos doentes em domicílio com o nome de Pequenas servas. Um grupo de leigos de Lião quis dar mais estabilidade ao grupo, atendendo em domicílio também os não crentes e as pessoas que estavam longe de Deus, sem nenhuma aparência de religiosas. Mas a sua companheira se orientava mais para uma congregação religiosa. Surgiram dificuldades.

LUÍS VARIARA Sacerdote salesiano, Beato (1875-1923)

Aluno de São João Bosco;
 fundador, na Colômbia do Instituto das 
Irmãs dos Sagrados Corações de Jesus e Maria.
Luís Variara nasceu no dia 15-01-1875 em Viarigi (Ásti). Em 1856 Dom Bosco estivera ali, pregando uma missão. E foi a Dom Bosco que o pai confiou o filho, levando-o a Valdocco no dia 01-10-1887. O Santo morreu quatro meses depois. Mas o contacto que teve com ele foi suficiente para marcar Luís para toda a vida. Pediu que o admitissem como salesiano e entrou no noviciado no dia 17 de agosto de 1891. Variara estudou Filosofia em Valsalice, onde conheceu Padre André Beltrami. Em 1894 esteve ali o Padre Unia, o célebre missionário que há pouco havia começado a trabalhar na Colômbia, entre os leprosos de Agua de Dios. O mesmo Padre Variara contava: “Qual não foi o meu espanto e a minha alegria quando, no meio de 188 colegas meus que tinham a mesma aspiração, o Padre Unia fixou os olhos em mim e disse: Este é meu”. O jovem Variara chegou a Agua de Dios no dia 06 de agosto de 1894. O lazareto contava 2000 habitantes, dos quais 800 eram leprosos. Mergulhou totalmente na sua missão. Começou organizando uma banda musical, cuja inauguração se deu na presença do Presidente da República que, comovido, viu a "cidade da dor" animar-se pela primeira vez num impensável clima de festa. Em 1898 Luís foi ordenado sacerdote. Logo se revelou um óptimo director espiritual.

ORAÇÃO DE TODOS OS DIAS - 1 DE FEVEREIRO

Oração da manhã para todos os dias 
Senhor meu Deus, mais um dia está começando. Agradeço a vida que se renova para mim, os trabalhos que me esperam, as alegrias e também os pequenos dissabores que nunca faltam. Que tudo quanto viverei hoje sirva para me aproximar de vós e dos que estão ao meu redor. Creio em vós, Senhor. Eu vos amo e tudo espero de vossa bondade. Fazei de mim uma bênção para todos que eu encontrar. Amém. 
As reflexões seguintes supõem que você antes leu o texto evangélico indicado.
1 – Quinta-feira – Santos: Henrique Morse, Severo, Veridiana
Evangelho (Mc 6,7-13) “Então os doze partiram e pregaram que todos se convertessem.”
Jesus chamou seus doze escolhidos, e os fez seus enviados – apóstolos – para anunciar salvação e convidar todos à conversão. Deviam anunciar que Deus os convidava a viver a fraternidade: por isso os enviou dois a dois. Deviam dizer também que a felicidade não está no poder ou na riqueza. Por isso deviam ir pelas estradas como pobres, sem dinheiro, sem bagagem, a contar só com a hospitalidade fraterna.
Oração
Senhor Jesus, hoje nossas condições de vida são diferentes, mas, se vos queremos anunciar, não podemos confiar na fartura de meios, nem procurar vantagens, recompensas e poder. Ajudai-me a, na medida do necessário, colocar minhas forças e minhas possibilidades a serviço da missão que me confiais. Peço também que ajudeis tantos irmãos e irmãs que se colocam a serviço de nossa comunidade. Amém.

quarta-feira, 31 de janeiro de 2024

REFLETINDO A PALAVRA - “Este é meu mandamento”

PADRE LUIZ CARLOS DE OLIVEIRA(+)
REDENTORISTA NA PAZ DO SENHOR
Amai-vos uns aos outros
 
Jesus, na última ceia, ensina aos discípulos os fundamentos da nova aliança e leva-os ao núcleo de sua vida e doutrina que é o amor. O amor é o centro porque Deus é Amor. A definição que Jesus faz de seu Pai é que Ele, tanto na relação na Trindade como em sua manifestação, é o Amor. Ao manifestar seu amor ao mundo, envia o fruto de seu eterno amor que é o Filho para que tenhamos a vida por meio Dele. Vida, então, é o amor. Temos uma escala no conhecimento do amor: amor de amigo (filia em grego), amor de totalidade da pessoa (eros) e o amor a Deus que se chama ágape. Participamos deste amor em sua origem Divina. A fonte é o Pai que ama o Filho e o Filho que dá esse amor aos discípulos, dando-lhes o “Espírito que procede do Pai e do Filho”. Pela Paixão, Morte e Ressurreição Ele nos redime e esta redenção se atualiza em nós pelo Espírito. O amor de Cristo é total, pois dá a vida. João explica que amar é praticar o mandamento porque o Filho praticou os mandamentos recebidos do Pai e permanece no amor do Pai (10). Para acontecer em nós o amor é preciso permanecer em Cristo, como o ramo no tronco. Participando do amor de Cristo entramos no conhecimento de Deus que gera a amizade com Cristo que revela seu interior. No relacionamento do amor conhecemos o coração do Pai: “Já não vos chamo servos, pois o servo não sabe o que faz seu senhor. Eu vos chamo amigos, porque vos dei a conhecer tudo o que ouvi de meu Pai” (Jo 15,15). 
Como Deus ama 
Deus é amor (1Jo 4,8) e acolhe a todos. Não faz distinção de pessoas e aceita quem O teme e pratica a justiça, qualquer que seja a nação a que pertença (At 10,34-35). Não só aceita, mas lhe dá o Espírito Santo (45). Deus ama manifestando-se a nós: “Deus enviou seu Filho único ao mundo para que tenhamos vida por meio Dele” (1Jo 4,9). Em que consiste o amor? “Não fomos nós que amamos a Deus, mas foi Ele que nos amou e enviou seu Filho como vítima de reparação por nossos pecados” (10). Amor é amar antes de ser amado. Estaremos unidos a Deus se amamos também o outro. O amor aos filhos de Deus não se reduz a um sentimento gostoso, mas a uma entrega de vida. A característica do amor que Jesus ensina está no modo: “como eu vos amei” (Jo 15,12). Jesus amou dando sua vida: “Eu dou minha vida pelas minhas ovelhas” (Jo 10,15), pois “ninguém tem maior amor do que aquele que dá a vida por seus amigos” (Jo 15,13). Dar a vida é por-se a serviço: “Estou entre vós como aquele que serve” (Lc 22,27) e ama. A Encarnação de Jesus se dá pelo Espírito que é o Amor (S. Afonso). 
Conhecimento pelo amor 
Jesus deu um mandamento que resume todos outros dez mandamentos. O amor nos faz conhecer a Deus. Diz aos seus: “Eu vos dei a conhecer tudo o que ouvi de meu Pai” (Jo 15,15). Podemos conhecer a Deus pela fé que nos une a Deus e nos ensina a verdade. Mas também sabemos que o amor nos une a Deus e nos dá o conhecimento do Pai. Por isso sabemos que há pessoas humildes e sem estudos, conhecem Deus pelo amor. Por isso diz Jesus: “Se guardastes os meus mandamentos, permanecereis no meu amor, assim como eu guarde os mandamentos de meu Pai e permaneço no seu amor” (10). O amor a Deus é o primeiro catecismo que podemos ter. Em cada Eucaristia podemos viver a fé e o amor para aprender a amar a Deus e aos irmãos. “Eu vos escolhi para irdes e produzirdes frutos e o vosso fruto permaneça” (Jo 15,16). O fruto é o amor que dá vida. Não amar é morrer. 
Leituras:Atos 10,25-26.34-35.44-48;
Salmo 97;
 1João 7-10; João 15,9-17 
1. Na Ceia Jesus nos conduz ao núcleo de sua vida e doutrina: o amor, pois Deus é amor. Para manifestar o amor, envia Jesus para que tenhamos vida, isto é, o amor. Em Jesus participamos da origem Divina do amor, Deus. Para acontecer o amor é preciso permanecer unido ao tronco. Estamos unidos a Deus se amamos os outros. 
2. Deus é amor e não faz distinção de pessoas. Acolhe a todos e dá o Espírito Santo. Deus ama manifestando-se a nós em seu Filho. Deus nos ama antes de termos merecido. Este é seu amor. Jesus ensina a amar como Ele amou, dando a vida. Nós damos a vida através do serviço aos irmãos. 
3. Há dois modos de conhecer a Deus: pela fé que usa a inteligência para aprender e compreender as verdades e pelo amor que nos leva direto à fonte da verdade. Somos ensinados por Deus. O amor a Deus é o primeiro catecismo que podemos ter. O fruto do conhecimento de Deus é o amor. Não amar é morrer. 
Tem gente que gosta de mim! 
Há momentos na vida em que parece que estamos sozinhos e ninguém liga para a gente. Ficamos carentes. É certo que o coração humano gosta de ser paparicado. Deus sabe nos massagear com seu amor através de Jesus: “Assim como o Pai me amou, assim também eu vos amei. Permanecei no meu amor” (Jo 15,9). Se guardarmos os mandamentos do Pai, permanecemos no amor de Jesus, como Jesus fez. Qual é o mandamento de Jesus? “Amai-vos uns aos outros como eu vos amei” (Jo 15,12). Amar é dar a vida, isto é, servir o outro. Assim entramos nos segredos de Jesus, pois somos seus amigos do peito. Deste modo produzimos frutos. Estes frutos são de salvação, como Pedro fez na casa de Cornélio, levando-lhe a Palavra de Jesus aos pagãos. Deus garantiu este fruto com o dom do Espírito, como fez aos discípulos no início da pregação do evangelho. 
Homilia do 6º Domingo da Páscoa (13.04.2012)

EVANGELHO DO DIA 31 DE JANEIRO

Evangelho segundo São Marcos 6,1-6. 
Naquele tempo, Jesus dirigiu-Se à sua terra e os discípulos acompanharam-no. Quando chegou o sábado, começou a ensinar na sinagoga. Os numerosos ouvintes estavam admirados e diziam: «De onde Lhe vem tudo isto? Que sabedoria é esta que Lhe foi dada e os prodigiosos milagres feitos por suas mãos? Não é Ele o carpinteiro, Filho de Maria, e irmão de Tiago, de José, de Judas e de Simão? E não estão as suas irmãs aqui entre nós?». E ficavam perplexos a seu respeito. Jesus disse-lhes: «Um profeta só é desprezado na sua terra, entre os seus parentes e em sua casa». E não podia ali fazer qualquer milagre; apenas curou alguns doentes, impondo-lhes as mãos. Estava admirado com a falta de fé daquela gente. E percorria as aldeias dos arredores, ensinando.
Tradução litúrgica da Bíblia 
São João Paulo II 
Papa(1920-2005)  
Encíclica «Laborem exercens», § 26 
«Não é Ele o carpinteiro?» 
Esta verdade, segundo a qual o homem mediante o trabalho participa na obra do próprio Deus, seu Criador, foi particularmente posta em relevo por Jesus Cristo, aquele Jesus com quem muitos dos seus primeiros ouvintes em Nazaré «ficavam admirados e exclamavam: “Donde Lhe veio tudo isto? E que sabedoria é esta que Lhe foi dada? Porventura não é este o carpinteiro?”» (Mc 6,2-3). Com efeito, Jesus não só proclamava, mas sobretudo punha em prática com as obras o Evangelho que Lhe tinha sido confiado, a palavra da Sabedoria eterna. Por esta razão, tratava-se verdadeiramente do «evangelho do trabalho», pois Aquele que o proclamava era Ele próprio homem do trabalho, do trabalho artesanal como José de Nazaré. E, ainda que não encontremos nas suas palavras o preceito especial de trabalhar — antes encontramos, uma vez, a proibição de se preocupar de uma maneira excessiva com o trabalho e com os meios para viver (Mt 6,25-34) — contudo, ao mesmo tempo, a eloquência da vida de Cristo é inequívoca: Ele pertence ao mundo do trabalho e tem apreço e respeito pelo trabalho humano; pode-se mesmo dizer mais: Ele encara com amor este trabalho, bem como as suas diversas expressões, vendo em cada uma delas uma linha particular da semelhança do homem com Deus, Criador e Pai. Pois não foi Ele que disse: «Meu Pai é o agricultor» (Jo 15,1)? O próprio Jesus, nas suas parábolas sobre o Reino de Deus, refere-Se constantemente ao trabalho humano: ao trabalho do pastor, do agricultor, do médico, do semeador, do amo, do servo, do feitor, do pescador, do comerciante e do operário; fala também das diversas atividades das mulheres; e apresenta o apostolado sob a imagem do trabalho braçal dos ceifeiros ou dos pescadores. É este o grande, se bem que discreto, evangelho do trabalho que encontramos na vida de Cristo, nas suas parábolas e em «tudo quanto Jesus foi fazendo e ensinando» (At 1,1)

31 de janeiro - Beata Ludovica Albertoni

Ludovica nasceu em Roma, de uma família nobre, os Albertoni, em 1473. Perdeu o pai aos dois anos e, por motivo do segundo casamento da mãe, foi entregue aos cuidados de tias paternas e da avó materna, que lhe deram uma esmerada educação. Privilegiada em graça e beleza incomparáveis, Ludovica era admirada e cortejada por muitos jovens da nobreza romana. Mas logo a família prometeu-a ao jovem nobre Giacomo della Cetera. Aos 20 anos casou-se e desse casamento teve três filhas. No bairro de Trastevere, onde vai passar a maior parte de sua vida, ela frequenta a Igreja de São Francisco a Ripa, absorvendo a espiritualidade franciscana. As suas características mais marcantes foram a fidelidade no cumprimento dos deveres e o amor aos pobres. Dedicou ao marido um santo afeto; por causa do temperamento brusco de seu esposo o casamento é turbulento, mas Ludovica vive com sacrifício e abnegação confiando na graça do sacramento do matrimônio.