Evangelho segundo São Lucas 16,9-15.
Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Arranjai amigos com o vil dinheiro, para que, quando este vier a faltar, eles vos recebam nas moradas eternas.
Quem é fiel nas coisas pequenas também é fiel nas grandes; e quem é injusto nas coisas pequenas também é injusto nas grandes.
Se não fostes fiéis no que se refere ao vil dinheiro, quem vos confiará o verdadeiro bem?
E, se não fostes fiéis no bem alheio, quem vos entregará o que é vosso?
Nenhum servo pode servir a dois senhores, porque, ou não gosta de um deles e estima o outro, ou se dedicará a um e desprezará o outro. Não podeis servir a Deus e ao dinheiro».
Os fariseus, que eram amigos de dinheiro, ouviam tudo isto e escarneciam de Jesus.
Então, Jesus disse-lhes: «Vós quereis passar por justos aos olhos dos homens, mas Deus conhece os vossos corações. O que vale muito para os homens, nada vale aos olhos de Deus».
Tradução litúrgica da Bíblia
(540-604)
Papa, doutor da Igreja
Moralia in Job, Livro XIII; SC 212
Desenvolver o amor pelos bens celestiais
«O justo não se desvia do seu caminho,
o homem de mãos puras
redobra de coragem» (Job 17,9).
Sim, ao considerar o hipócrita, o justo percebe que ele deve os bens terrenos que possui à perversidade da sua vontade, e agarra-se com mais firmeza ao amor pelos bens celestiais, sabendo que as recompensas eternas não deixarão de satisfazer os desejos sábios, enquanto os corações falsos e dissimulados são cumulados de bens temporais.
Por outro lado, o justo acrescenta a força à pureza das mãos, pois, vendo que os perversos possuem glória terrena, eleva as suas boas obras à perfeição e despreza os bens temporais com tanto mais orgulho quanto os vê abundar entre os ímpios; de facto, considera quão desprezíveis são as bênçãos que Deus omnipotente não nega sequer aos ímpios.
O justo considera, pois, que é indigno cobiçar os bens que observa em abundância entre os ímpios e orienta o seu espírito para a aquisição dos bens celestiais, que os réprobos não podem partilhar com ele.

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