Jesus iniciou sua missão na sinagoga de Nazaré conduzido pelo Espírito: “O Espírito do Senhor está sobre mim” (Lc 4,18). Após essa solene introdução, dá o testemunho através do anúncio da Palavra de Deus e das curas mostrando como será a missão dos discípulos. É o momento de começar a buscar discípulos. Jesus pregara ao povo falando de uma barca, a de Pedro. A seguir manda que lancem as redes em lugar mais profundo. Temos o diálogo de Jesus com Pedro, experiente na pesca que Lhe diz haviam pelejado a noite toda sem sucesso. Temos a cena da pesca na qual a multidão é agora simbolizada pela abundância de peixes que pescaram. A transformação do trabalho dos discípulos que agora dá grandioso resultado não vem de sua perícia que já não dera fruto, mas sim da Palavra. Mediante a palavra de Jesus também será abundante o fruto da missão dos discípulos. A força da Palavra está na obediência à palavra de Jesus: “Em atenção à tua palavra, vou lançar as redes” (Lc 5,5). É um ato de fé feito pela fragilidade do homem que já fracassou. Lemos junto a esse texto a vocação de Isaias que se sente frágil diante de Deus, mas depois de ser tocado pelo brasa do altar, se entrega ao anúncio: “Aqui estou, enviai-me” (Is 6,8). A força de entrega do profeta vem de seu contato com a grandeza de Deus. Estamos diante da força do Senhor que se revela e a fragilidade do homem que acolhe como lemos em Isaias e nos discípulos que ficaram assustados depois de pesca milagrosa. Pedro diz: “Afasta-te de mim, pois sou um homem pecador” (Lc 5,8). Foi a mesma experiência de Paulo que se considerava indigno das aparições do Senhor: “Por último apareceu também a mim como um abortivo” (1Cor 15,8).
Lançar nas águas profundas.
O lago é símbolo do mundo e a barca é Igreja de onde é proclamada a Palavra. Temos em que é necessária ousadia. É o que não estamos tendo. O que está faltando para que a Igreja tenha vigor de pregação? Vemos Papa Francisco acolhido de modo fascinante. Primeiro é preciso essa experiência da força de Jesus que muda nosso coração. Somente Jesus pode nos lançar para águas mais profundas. Está faltando ousadia na vida da Igreja. O que fazemos de novo para a vida do mundo? Sempre a mesma coisa. Não há envolvimento com a Palavra. Por isso temos que ter absoluta certeza que a obra missionária vem de uma experiência de Deus que dá força. O estupor da experiência abre ao conhecimento de nossa fragilidade e ao mesmo tempo à capacidade de nos lançarmos a águas mais profundas. Nem todos farão a mesma coisa. É preciso que se faça alguma coisa. É preciso arriscar. Muito cuidado não é mais que cuidado de si mesmo.
Não temer
“Afasta-te de mim, pois sou um homem pecador. É que o espanto se apoderara de Simão e de todos os seus companheiros por causa da pesca que acabavam de fazer” (Lc 5,8-9).. Jesus disse: “Não tenham medo! De hoje em diante tu serás pescador de homens” (10). Deixaram tudo e seguiram Jesus. Todo encontro com Deus nas situações difíceis em que nos encontramos sempre nos dá medo. É fruto de nossa fragilidade. Ela é o terreno fértil para o convite a seguir Jesus de modo particular. Paulo insiste que é apóstolo pela graça de Deus (Rm 1,1). Seu ensinamento provém de uma experiência de Jesus e também da comunidade porque ensina conforme a tradição (1ªCor 15,3). A comunidade celebrativa é um momento dessa experiência e do envio ao anúncio.
Leituras: Isaias 6,1-2.3-8;Salmo 137;
1ª Coríntios 15,3-8.11;Lucas 5,1-11
1. Jesus, depois de apresentar sua missão de anúncio e cura, convoca os primeiros discípulos. Usa a pesca abundante para mostrar que, em sua palavra, poderão fazer uma pesca de pessoas, como fizeram dos peixes. É a experiência de Isaias que é tocado pela brasa do altar. A fragilidade humana não diminui a força da palavra de Jesus.
2. O lago é símbolo do mundo e a barca é a Igreja de onde é proclamada a Palavra. É preciso ousadia. O anúncio da Palavra perdeu o vigor. A ousadia virá do reconhecimento da própria fragilidade e da experiência de Deus.
3. A experiência de Deus nos dá medo. Diante da exigência do anúncio e de nossa fragilidade sempre temos medo. Jesus continua oferecendo a participação em seu ministério de anúncio. Essa experiência, a fazemos na comunidade celebrativa. Ela nos envia em missão.
Foi pescar e sai fisgado
Depois de manifestar em Nazaré sua missão e ter sido recusado, Jesus começa a escolher seus discípulos. Ele já estava pregando ao povo e fazendo as curas. Estando à margem do lago de Genezaré, entra na barca de Pedro e dela ensina o povo.
Depois manda que levem a barca para um lugar mais fundo e joguem as redes para a pesca. Pedro, que trabalhara deu a resposta: “Trabalhamos a noite toda e nada pegamos. Mas em atenção à tua palavra, vou lançar a rede”. Temos duas situações: o trabalho infrutífero do homem e a fé na palavra de Jesus. Lançam a rede e pegam grande quantidade de peixes.
Esse momento explica a missão de Jesus. Não é somente a sabedoria humana que vai realizar a missão de Jesus e ter resultados. É a força de sua palavra. Entramos agora no chamado: “De hoje em diante vocês vão ser pescadores de homens”. O lago profundo é o mundo, a barca é a Igreja da qual anunciam e a força da palavra está em Jesus.
O que anunciar? Paulo diz que é Jesus em seu mistério de morte e ressurreição. Esse contato com Jesus é descrito de modo solene pelo profeta Isaias (Is 6,1-8): Tem uma visão da grandiosidade de Deus. O profeta sente-se frágil e pecador, de lábios impuros. Um Serafim tira uma brasa do altar e toca os lábios do profeta. Para anunciar Jesus é necessário ser tocado por Ele e por sua palavra. Então o profeta se entrega à missão com todo vigor. Assim fizeram os discípulos. Assim faremos nós, tocados por Jesus.
Homilia do 5º Domingo Comum (07.02.2016)

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